História Bond - O Elo De Ligação - Capítulo 11


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Categorias Harry Potter
Personagens Blásio Zabini, Dobby, Draco Malfoy, Harry Potter, Hermione Granger, Pansy Parkinson, Ronald Weasley
Tags Drarry
Visualizações 297
Palavras 4.198
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Lemon, Magia, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Por Anna Fugazzi
Tradução para o português: Calíope Amphora

Capítulo 11 - Capitulo 10 - Derrubando Barreiras


"Erm, sobre as camas…", Potter disse nervosamente quando os dois entraram no quarto naquela noite.

"Sim, as camas". Draco cruzou os braços e ficou de pé encarando as camas, que estavam exatamente como tinham deixado, bem próximas uma da outra. Potter engoliu a seco e Draco tentou afastar sua impaciência.

A curandeira finalmente os tinha deixado sozinhos na hora do jantar, com suas roupas, materiais escolares e uma lista de sugestões de como passar o tempo, além de reassegurá-los que tudo daria certo. Eles tinham passado a tarde organizando o dormitório de novo, jantando e estudando um pouco. Até conseguiram sobrepor a vergonha e dar uma olhada na lista, escolhendo dois itens fáceis para começar.

"Eu não acho que estou com humor para 'discuta seu futuro juntos' e nem 'descreva seu pior medo', obrigado", disse Potter secamente e Draco teve de rir, porque de alguma forma ele sabia que os dois estavam pensando 'especialmente porque uma coisa responde a outra'. "O que você acha de 'diga ao outro qual é sua aula favorita e por quê' e 'descreva um dia feliz do seu passado'?"

"Está bem", ele respondeu, e os dois se esforçaram para levar a tarefa a sério. Com Potter encarando a perspectiva de ser forçado a tomar poções de alteração de humor e Draco encarando a perspectiva de sabe-se lá deus o que seu pai faria, a idéia de falar sobre aulas favoritas e dias felizes parecia ridiculamente fácil.

Ambos superaram o constrangimento do que acontecera mais cedo naquele dia — no dia inteiro. As atividades matutinas, a briga, a quase azaração e a conferência dos adultos.

Mas ainda não tinham encarado o que estar juntos lá significava.

"Você está nervoso?", perguntou Draco de repente.

Potter fez uma careta sem perceber. "Sim, um pouco".

"Eu não vou­"

"Eu não estou com medo do que você vai fazer. Eu… hmmm… eu, eu…", ele parou para se recompor. "Olha, eu estou tendo muitos sonhos. E não quero acordar e descobrir que durante a noite­"

"Você chegou perto demais de mim?"

Potter concordou com a cabeça.

"Mas e daí? Por que isso seria tão terrível?"

"Eu não estou pronto".

"E você nunca estará se não relaxar um pouco", murmurou Draco. Ele respirou fundo. "Olha, você é quem sabe. Separe as camas totalmente, deixe-as como estão ou as transforme em uma cama só. Eu não ligo. Vou me aprontar para dormir". Ele virou de costas e andou até o banheiro, se lembrando que eles tinham, tinham, TINHAM que trabalhar juntos. E que insultar, machucar ou envergonhar Potter simplesmente não estava mais no cardápio de comportamentos aceitáveis.

E que, se ele um dia descobrisse quem tinha lançado aquele feitiço, iria usar pelo menos duas das três Maldições Imperdoáveis e se esforçaria ao máximo para inventar uma quarta.

Saiu do banheiro, poção de paciência já tomada e dentes escovados, e não fez um único comentário quando Potter passou por ele para ir ao banheiro e ele viu que as duas camas tinham sido transformadas numa só. Apenas se trocou e deitou, só percebendo quando sua cabeça encostou no travesseiro o quanto estava exausto.

Fechou os olhos e mal ouviu Potter voltar para o quarto, murmurando apenas um "noite' antes de dormir.

ooooooo

Dia 24, Quinta

Harry bocejou e se espreguiçou lentamente, olhou para o relógio e sentou na cama tão rápido que sua cabeça girou.

"Droga! Transfiguração!", gritou, se virando ao ouvir um som inesperado — risadas.

"Potter", Malfoy estava recostado na cama, ainda usando as mesmas calças e camiseta com que tinha dormido, um livro no colo, rindo. "Nós estamos 'voluntariamente suspensos', lembra?". Harry o encarou e Malfoy apontou para o criado mudo do lado da cama de Harry. "Os elfos domésticos trouxeram café da manhã. Relaxe e aproveite".

Harry se jogou de costas na cama, aliviado. Por deus, a única coisa pior do que chegar atrasado para uma aula da McGonagall era chegar atrasado numa aula do Snape. Ficou deitado até a preguiça passar e então se sentou para inspecionar a bandeja de café da manhã, que parecia trazer todas suas opções favoritas.

"Dobby", ele disse animado, e Malfoy desviou o olhar do livro.

"Dobby?"

"Elfo doméstico. Ele gosta de mim".

"Nós tínhamos um elfo doméstico com esse nome… Ah. É".

"Sim".

"Isso explica por que minha torrada parecia ser de ontem e o suco de abóbora estava quente".

Harry engasgou com o suco e tentou disfarçar, mas Malfoy não pareceu ficar com raiva — na verdade, ele parecia estar se divertindo.

"Potter, eu estava brincando. Nenhum elfo doméstico por vontade própria colocaria comida ruim em uma bandeja, não importa quem estivesse comendo. Minha torrada estava boa". Ele voltou para o livro.

"O que você está lendo?"

"Poções".

"Nós não deveríamos esquecer a escola?"

"Esquecer as aulas, não a escola. Além disso, essa não é nossa matéria".

"Você lê Poções por vontade própria?"

"Que memória você tem! Lembra da nossa conversa sobre aula favorita e por quê, Potter? Ontem à noite?"

"Eu sei, só não imaginei que você gostasse tanto assim".

"Eu gosto. Além disso, é com certeza um jeito melhor de começar o dia do que lendo o Profeta".

Harry gemeu e fechou os olhos. "Oh, deus. O que você acha que eles estão falando sobre ontem?"

"Não tenho a mínima vontade de descobrir, mas tenho certeza que a Pansy vai recortar cada artigo e tentar me mostrar quando voltarmos. Terei que descobrir como lançar um feitiço na memória dela para fazê-la pensar que já me mostrou".

Harry suspirou. "Quando você descobrir, me ensine. Dean Thomas faz a mesma coisa comigo".

"Por Merlin, por que qualquer um iria querer ler coisas desse tipo a respeito de si mesmo?" Malfoy balançou a cabeça e virou a página do livro.

Harry considerou inúmeras respostas, mas decidiu que, ao invés de começar o dia brigando sobre como Malfoy sempre imaginara que Harry gostava de ler essas coisas a respeito de si mesmo, simplesmente não responderia. Apenas iria ao banheiro.

Dar o fora quando Malfoy o irritasse podia ser uma boa estratégia, o grifinório disse a si mesmo enquanto passava a poção barbeadora no rosto minutos depois. Tinham quatro dias para trabalharem juntos e construir algo que não desmoronasse no primeiro sinal de pressão. Uma briga não seria um bom começo, para dizer o mínimo. Malfoy parecia estar tentando não ser tão detestável; o mínimo que Harry podia fazer era não arruinar tudo mencionando como Malfoy tinha sido detestável no passado.

Harry terminou e voltou ao quarto, se sentindo bem menos irritado, mas faminto. Pegou a bandeja do café, sentou com as pernas cruzadas na cama e atacou a comida com entusiasmo, lançando olhares ocasionais a Malfoy.

Malfoy parecia bem mais relaxado do que normalmente. Sua camiseta cinza tinha algumas migalhas, o livro estava apoiado nos seus joelhos, a atenção focada na leitura, e um dedo corria distraidamente pelo cabelo. Ele não parecia um inimigo. Parecia um garoto adolescente normal, que não fazia nada mais ameaçador do que algumas brincadeiras na escola.

Era disso que Harry tinha tanto medo?

Então Malfoy levantou o rosto e Harry sentiu a torrada entalar na sua garganta.

"O que foi?", Malfoy perguntou.

"Nada. Eu só estava pensando… espero que ninguém esteja preocupado com a gente", Harry disse rapidamente.

Malfoy deu de ombros. "Tenho certeza que Snape e McGonagall explicaram tudo para os outros. Eles vão saber que nós não nos matamos e nem fomos expulsos".

"Mas passamos perto".

"Do que?"

"Dos dois".

"Sim", Malfoy marcou a página em que estava, fechou o livro e o colocou com cuidado antes de voltar a olhar para Harry.

Silêncio.

"Então". Malfoy pausou. "O que vamos fazer agora?"

"Hm… eu, eu não sei… você quer… vamos dar uma olhada na lista­".

"Esqueça a lista por um minuto", disse Malfoy. Harry engoliu a seco, desejando que os dois pudessem pegar a lista e escolher um tópico aleatório, porque ele não tinha certeza se queria fazer o que Malfoy tinha em mente.

"Eu quero pedir desculpas", disse Malfoy.

Harry demorou um momento processando aquilo. "O que?"

"Eu quero pedir desculpas, por ontem. Eu estava irritado e descontei em você. E na sang­errr, e na Granger".

"Oh".

Silêncio.

"Essa é a parte em que você diz 'Desculpas aceitas' ou 'Sem problemas', Potter".

"Oh. Certo… desculpas aceitas".

Malfoy sorriu. "Isso não foi tão doloroso quanto eu esperava", comentou.

"Heh, sim", disse Harry desconfortável.

Malfoy fez uma careta. "Potter?". Harry engoliu em seco. "Oh, deus", Malfoy murmurou e sentou na cama, invadindo o espaço pessoal de Harry. O grifinório foi para trás automaticamente, e Malfoy rodou os olhos, mas voltou a se acomodar contra a cabeceira. "Olha, eu não estou tocando você. Não estou no seu espaço. Você pode relaxar?"

Harry balançou a cabeça, se sentindo bobo como só Malfoy sabia fazê-lo sentir. Tomou um gole do seu chocolate quente, e colocou a caneca de volta na bandeja, notando que suas mãos tremiam um pouco. Malfoy estava certo. Isso era idiotice.

Na verdade, era mais do que idiotice. Colocou a bandeja de volta no criado mudo, respirou fundo e olhou nos olhos de Malfoy, notando que a irritação mal-contida se transformava aos poucos em surpresa enquanto ele se aproximava.

"O que­?"

"Nós temos que ficar 'confortáveis' um com o outro", Harry disse, "o que quer que isso signifique. E… e você disse que queria que eu liderasse… Então… eu estou liderando".

Malfoy pareceu impressionado, e Harry sorriu apesar do seu desconforto com a situação. "Não me diga que você está nervoso agora", ele riu.

"Eu? Não. Bem. Sim. Um pouco". Malfoy começou a parecer irritado pelas risadas de Harry. "Pare com isso".

"Você deveria ver a sua cara", Harry riu. Malfoy notou que tinha passado da pose relaxada, encostado na cabeceira, para uma posição defensiva, abraçando os joelhos contra o peito. Ele revirou os olhos e se ajeitou, imitando a postura de pernas cruzadas de Harry, visivelmente se forçando a relaxar.

"Melhor assim?", perguntou sarcasticamente.

"Por que está nervoso? É você que tem toda a experiência e nenhum 'preconceito trouxa'".

"Sim, bem…", Malfoy desviou o olhar, o rosto corando. Harry abriu a boca para fazer um comentário maldoso, mas voltou a fechá-la.

'Esse é um território novo para nós dois', lembrou-se. E, se ele alfinetasse Malfoy, o sonserino provavelmente voltaria a fazer brincadeirinhas sarcásticas, o que não ajudaria em nada.

Mordeu o lábio, sem saber o que fazer. Decidiu seguir seu instinto. Foi um pouco para frente, de modo que seus joelhos se tocassem, e alcançou a mão de Malfoy. Malfoy respirou fundo, mas aceitou a mão de Harry.

"Do que você está com medo?", Harry perguntou baixinho.

"Eu… eu não sei", Malfoy soltou o ar dos pulmões. "De te assustar. De estragar isso. De brigar com você de novo".

"Eu também não quero brigar".

"Mas nós sempre acabamos brigando, mesmo assim".

"Não agora".

"Não".

Harry entrelaçou os dedos de ambos e acariciou a mão de Malfoy com o polegar, refletindo que, embora já tivessem feito aquilo inúmeras vezes, essa era a primeira vez que os dois podiam fazê-lo sem medo de serem interrompidos. Olhou para cima e percebeu que os olhos de Malfoy estavam fechados e Malfoy respirava pesadamente.

"Malfoy?"

"Eu não… eu não achava que o elo fazia tanta diferença, achava que Pomfrey estava exagerando".

"Sobre o quê?"

Ele abriu os olhos. "Ela disse que o feitiço aumentava a sensibilidade. E que os sentidos e as emoções ficavam mais intensos, esse tipo de coisa… acho que é verdade".

"É mesmo?"

"Sim, você não… Oh, não teria como você saber".

"Er, não".

"Aumenta. Confie em mim". Malfoy respirou fundo de novo. "É intenso… demais. Às vezes".

"Não sou só eu que penso isso então?"

"Não".

Harry gentilmente soltou a mão de Malfoy e tocou seu joelho, correndo os dedos pela sua perna. Ele se inclinou um pouco para mais perto, observando a perna do loiro, e riu.

"O que foi".

"Eu posso sentir, mas não consigo ver. O pêlo da sua perna — é quase transparente".

Malfoy deu um pequeno sorriso. "Nós estamos dormindo no mesmo quarto há semanas. Você ainda não tinha reparado?"

"Acho que não estava olhando".

"Você nunca seria um bom espião, Potter".

"Espero nunca ter de ser", Harry respondeu bem-humorado, mas a temperatura do quarto pareceu cair alguns graus e os dois desviaram o olhar. Aquele era um território perigoso.

Então Malfoy limpou a garganta e balançou a cabeça, aparentemente determinado a não desistir de conversar. Ele correu os dedos pelo joelho de Harry, imitando suas ações. "Você é tão mais bronzeado do que eu", ele observou. "Ninguém nunca te chamaria de Veela".

"Já te chamaram de Veela?"

"Meu pai fica maluco com isso. Ninguém nunca falou sério, e nossa árvore genealógica de puro-sangue vai até vinte gerações para trás, mas é um bom jeito de irritá-lo".

"Por quê? Isso não parecia irritar Fleur Delacour".

"Fleur Delacour não é uma Malfoy. Nós temos orgulho de sermos puros-sangues. E puro-sangue não inclui sangue não-humano".

"Seria melhor ou pior do que ter sangue trouxa?"

"Para o meu pai, quem sabe. Ele nunca foi acusado de ser parte trouxa. Mas eu ouvi uma história de que quando ele estava na escola, outro garoto começou com boatos de que ele era parte Veela. Meu pai o azarou com pêlos no corpo todo e odores corporais de cabra". Harry começou a gargalhar. "Quase saiu ileso, mas um professor descobriu e ele levou detenção por duas semanas".

"Não consigo imaginar seu pai em detenção", Harry riu.

Malfoy de repente fez uma careta e se afastou, abraçando os joelhos de novo. "Eu consigo".

Harry piscou, confuso. Repassou a conversa mentalmente e bateu na boca com uma mão.

"Oh ­ oh, merda, não foi isso que eu quis dizer, me desculpe. Droga!"

Malfoy desviou o olhar, os lábios pressionados juntos com força.

"Malfoy, me desculpe. Eu não estava pensando". Ele sentou com as costas na cabeceira, correndo uma mão pelo cabelo. "Droga, acabei com o clima".

Malfoy deu uma pequena risada e depois voltou a ficar sério. Ele deu de ombros. "Sim, bem. Desculpas aceitas".

Houve uma pausa desconfortável.

"Hm, o que você quer fazer agora?", perguntou Harry.

Malfoy fez uma careta.

Harry passou a mão pelo cabelo e começou a levantar da cama.

"Aonde você vai?"

"Achar a maldita lista", Harry murmurou.

"Esquece a lista. Eu não quero conversar".

"Não tem só tópicos de conversa na lista".

"Nós acabamos de tentar isso. E, como você disse, o clima acabou".

"Talvez a gente deva conversar sobre isso, então".

"Talvez a gente não deva", Malfoy respondeu imediatamente. "Você quer mesmo conversar amigavelmente sobre o tempo em que meu pai ficou em Azkaban? Talvez a gente possa discutir os momentos mais legais e como exatamente você esteve envolvido nessa história, quem estava certo, o que tudo isso significa… você quer que a gente acabe quase se matando de novo?"

"Não. Mas não podemos ignorar isso para sempre".

"Claro que podemos".

"Não se te faz ficar tão bravo­"

"Não analise meus sentimentos, Potter! Você não pode dizer tudo o que eu estou sentindo só por causa do maldito elo!"

"Mesmo?", Harry desafiou. "Você está bravo só de pensar nisso. Você está envergonhado porque seu pai foi preso como um criminoso comum. Está com medo de falar sobre isso e de ter que encarar os fatos. Está bravo comigo por ter tocado no assunto e com você — provavelmente porque eu não toquei no assunto, você só deduziu isso por algo que eu disse que não tem nenhuma relação com Azkaban. E eu aposto que essa não é a primeira vez que um comentário inocente te incomoda. Você está confuso e gostaria simplesmente de esquecer disso tudo".

Malfoy o estava encarando, incrédulo. Harry estava surpreso com ele mesmo; não fazia idéia de que poderia ler os sentimentos de Malfoy tão bem, mas ali estavam eles.

"Cheguei perto?"

Malfoy não desviou o olhar.

"E agora você está irritado porque eu estou certo. Está preocupado por ser tão fácil de ler por qualquer um, mesmo por mim. Ou talvez especialmente por mim". Malfoy desviou o olhar. Harry suspirou, sua raiva se diluindo. "Malfoy… você não é nada fácil de ler", ele disse. "É só o elo. Você provavelmente conseguiria fazer o mesmo comigo".

Malfoy olhou para ele especulativamente. "Certo, então". Ele fechou os olhos e começou a falar devagar. "Você está se perguntando se nós vamos conseguir viver juntos sem nos irritarmos o tempo todo. Não consegue decidir se está mais chateado comigo ou com você mesmo. Está com raiva porque… você acha que deveria pedir desculpas por colocar meu pai na prisão. Está com medo de nós não conseguirmos nos acertar e você ser forçado a — por Merlin, Potter, você é obcecado com esse assunto de 'falta de controle no sexo'". Ele abriu os olhos e sorriu para Harry. "Sexo não é sobre ter controle o tempo todo, seu idiota. Na maior parte das vezes, é exatamente o oposto disso".

"Como assim?"

"Não é sobre pensar, decidir e seguir os passos certos ou algo do gênero. É sobre deixar as coisas acontecerem e se sentir bem".

"Se sentir bem? É só isso? E o que você me diz sobre sentir algo pela outra pessoa? Ou se importar em como ela se sente?"

"Não há motivos para você não fazer os dois. Você… você está pensando demais sobre isso", Malfoy colocou a mão no joelho de Harry e ele quase recuou, mas Malfoy se inclinou para perto mesmo assim, o sorriso sumindo e uma expressão séria aparecendo no seu rosto. "Isso não é para se pensar, é para se sentir".

Harry engoliu a seco. "Eu… eu sei, mas­"

"Mas você não gosta de não estar no controle. E você não está no controle agora". Ele balançou a cabeça. "E… isso te assusta".

"Você também não está no controle dos seus sentimentos — você ainda está bravo pelo que eu disse sobre o seu pai­"

"Eu não quero falar sobre ele", Malfoy disse, determinado. "Eu gostaria de esquecê-lo completamente agora, se você não se importar. Ele não está aqui. Nós estamos".

Harry engoliu, sua boca tinha secado.

"Você ainda está confuso, mas está excitado. E não sabe o que fazer a respeito", Malfoy correu o dedo devagar até metade da coxa de Harry e depois recuou. "Potter, pelo menos isso é algo com que nós podemos lidar. O resto — nossas famílias e nossa história e tudo mais — nunca vamos fazer nada se ficarmos pensando nisso".

Harry sentiu emoções que não eram bem­vindas emergindo — desejo, vontade de ficar mais perto, de não ter que falar… Ele parou a mão de Malfoy quando ela começou a se mover por sua perna de novo.

"Você tem certeza que quer que eu pare?", Malfoy perguntou baixinho e Harry percebeu que não, ele não queria. Balançou a cabeça negativamente. Malfoy sorriu e voltou com os leves toques na perna de Harry. O grifinório se parabenizou mentalmente por estar usando roupas largas, que escondiam as reações do seu corpo ao que Malfoy estava fazendo.

Ele deslizou a mão pelos braços de Malfoy e depois em seu pescoço, pelos cabelos e então olhou para o sonserino, que o encarava em antecipação, a mão parada no joelho de Harry.

Harry se inclinou um pouco para frente, e Malfoy o imitou até que os dois estavam perto o suficiente. Fechou os olhos e tocou nos lábios do outro com os seus. Podia sentir a raiva e a frustração se esvaindo de Malfoy, misturadas com desejo e surpresa. Então Malfoy abriu os lábios e eles estavam se beijando profundamente, mas de um modo um pouco estranho por estarem sentados de pernas cruzadas. Malfoy ficou de joelhos e Harry descruzou uma perna e eles estavam mais próximos. Assim era melhor, muito melhor. As mãos de Malfoy começaram a acariciar o rosto de Harry, o seu cabelo, trazendo-o para mais perto. Então Malfoy empurrou Harry de leve para trás e os dois ficaram semi-deitados, apoiados contra a cabeceira, livres para explorarem um ao outro confortavelmente.

E o corpo de Harry estava respondendo cada vez com mais ânsia aos lábios e mãos que o tocavam. Frustração e raiva tinham derretido, tudo estava se esvaindo menos aquelas sensações, aquelas possibilidades. Ele se arrepiou quando os lábios de Malfoy deixaram os seus e se moveram por sua bochecha, sua orelha, espalhando uma onda de prazer que o fez arfar inconscientemente e apertar Malfoy com mais força.

"Está tudo bem?". Malfoy murmurou por entre os pequenos movimentos de seus lábios na orelha de Harry, e o grifinório apenas balançou a cabeça positivamente, sem palavras.

Então Malfoy desceu pelo pescoço de Harry, com mordidas leves na junção entre o pescoço e o ombro. Harry mordeu os lábios para não gritar, mas pôde ouvir pequenos choramingos escapando.

"Não acredito que você nunca fez isso antes", Malfoy sussurrou, deliciado com as reações, e voltou para a boca dele. "Você nunca quis saber o que estava perdendo?", perguntou, mas impediu Harry de responder cobrindo a boca dele com a sua.

"Sim", Harry admitiu quando eles se soltaram para tomar ar. "Eu… queria". Ele gemeu quando Malfoy voltou para seu pescoço e estremeceu um pouco. "Isso… isso já é demais­".

Malfoy se afastou enquanto Harry retomava o ar e tentava ignorar o fato de que seu batimento cardíaco estava mais acelerado do que ele já tinha sentido em toda sua vida e que cada nervo da sua pele estava sensível. Ele se sentia tão vivo…

Olhou para Malfoy e o viu mordendo o lábio, os olhos semi-fechados, uma mão agarrada aos lençóis. "Você… você está bem?", sussurrou, e Malfoy balançou a cabeça devagar.

"Não, eu estou… foi um pouco demais para mim também. Eu… eu preciso… hmmm, não, eu…", Malfoy disse sem fôlego e tomou a boca de Harry de novo, se afastando brevemente. Harry moveu sua boca para a orelha de Malfoy hesitante, tentando imitar o que ele tinha feito, lambendo o lóbulo e o espaço atrás da orelha. Se afastou rapidamente quando Malfoy gritou de surpresa. O loiro se virou para ele, uma mão acariciando seu cabelo, e sussurrou em tom de urgência, "Não, não pare, volte­"

Era uma sensação extremamente poderosa que um ato tão simples pudesse causar reações tão intensas. Ele tentou se lembrar do que Malfoy fizera com ele, como ele tinha beijado e lambido sua pele, onde e por quanto tempo. E logo não estava tentando se lembrar de nada, apenas reagia aos sons e movimentos de Malfoy e ao que ele sentia através do elo.

Quase sentindo o que Malfoy sentia, os choques de sensações que arrancavam pequenos gritos da sua boca, a necessidade que queimava mais e mais até que Malfoy estava mordendo os lábios com força e se retorcendo em frustração. Pressinou os dois tóraxes juntos, o peito de Malfoy pesando contra o dele, tão incrivelmente quente mesmo por entre as duas camisetas. O calor na virilha de Harry respondeu ao pensamento de que, se ele deitasse, iria sentir a ereção de Malfoy contra a sua, e ele precisava daquele toque, precisava­ Mas… pensando bem, aquilo era um pouco longe demais. Ainda que na noite anterior eles estivessem perto daquele jeito, havia mais roupas envolvidas e mais restrições, eles estavam na sala de estar de Dumbledore. Aqui havia apenas eles, em pijamas finos, no quarto próprio, sem nada nem ninguém para estabelecer limites, e aquilo já era demais…

"Potter…", Malfoy murmurou. "Acho que… acho que nós vamos ter que parar­", e ele gemeu quando Harry deixou seu pescoço e voltou para seus lábios. "Não, é sério", ele foi interrompido pela boca de Potter na sua, e finalmente se afastou o suficiente para dizer, um pouco desesperado, "Potter, eu vou ter um orgasmo se você não parar agora". Harry parou. Afastou-se lentamente, olhando nos olhos de Malfoy, escuros de desejo. Engoliu a seco e depois voltou a se aproximar. "Vá em frente. Eu não vou te impedir", disse ele e voltou à sua exploração no pescoço e nas orelhas de Malfoy, correndo uma mão pelas costas dele e parando na sua cintura, sorrindo enquanto Malfoy reprimia um palavrão e sua excitação aumentava. Ele podia sentir que Malfoy estava surpreso por tudo aquilo, que o lado racional da sua mente parecia ter desligado totalmente e sua consciência inteira fora tomada pelas sensações no seu corpo e pelas ações de Harry.

Malfoy tinha inclinado a cabeça para trás e fechado os olhos, e se agarrava a Harry com tanta força que era um pouco dolorido. Mas ele parecia meio frustrado enquanto se retorcia, e o grifinório tentava entender do que ele precisava. Oh. Ele pegou a mão de Malfoy e a pressionou na frente das calças do loiro, e Malfoy rapidamente se esfregou uma, duas, três vezes, suas costas arqueando contra a cama. Ele gritou quando atingiu o orgasmo, e Harry, para sua surpresa, o seguiu alguns segundos depois sem sequer ter se tocado.

Eles deitaram juntos, sem fôlego. Harry sentiu um cansaço extremo dominá-lo. Rolou para deitar de costas e Malfoy emitiu um choramingo baixinho, que fez Harry abraçá-lo pelo tórax. Malfoy riu. Harry se manteve acordado tempo suficiente para murmurar um feitiço para limpar os lençóis e mergulhou no contentamento semi-acordado mais uma vez.

ooooooo


Notas Finais


Gostei muito da interação maior no ultimo capítlo <3 <3 muito orgulhosa de vocês
Espero que aproveitem
Enjoy


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