História Bond - O Elo De Ligação - Capítulo 17


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Categorias Harry Potter
Personagens Blásio Zabini, Dobby, Draco Malfoy, Harry Potter, Hermione Granger, Pansy Parkinson, Ronald Weasley
Tags Drarry
Visualizações 421
Palavras 5.339
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Lemon, Magia, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Por: Anna Fugazzi
Tradução para o português: Calíope Amphora

Capítulo 17 - Capitulo 17 - Questionamento


De 29 a 31 de outubro

Dia 31, Quinta (manhã)

Harry assistiu ao lento subir e descer do tórax de Malfoy e se perguntou se os dois algum dia voltariam a se falar. Decidiu que não importava. Tinha acordado de um sono profundo e estava deitado, ainda meio-dormindo, há o que pareciam horas, não pensando em nada além da maciez dos lençóis, no calor do pescoço de Malfoy contra seu rosto e no cheiro de mel, suor, sexo e do cabelo de Malfoy. O cabelo dele cheirava como… jasmim, talvez? Bem, alguma erva de cheiro bom. Era macio também, e muito fino. Harry o assoprou gentilmente, sentindo os fios sacudirem contra seus lábios, e percebeu que Malfoy estava acordando. Só abriu os olhos quando o sonserino se mexeu e deitou de bruços. Malfoy sorriu preguiçosamente e tocou os lábios de Harry com os dedos antes de suspirar e fechar os olhos de novo, uma mão espalmada na coxa de Harry, os dedos se movendo devagar sobre a pele.

Ainda dava tempo de os dois pegarem o café da manhã, caso corressem. Mas Harry sabia que não tinha energia para sair da cama naquele momento, muito menos andar até o Grande Salão. Não estava com fome. E, aparentemente, nem Malfoy. Então eles continuaram deitados lado a lado, sem se mexer, exceto pelos dedos de Malfoy, e a respiração dos dois era o único som no quarto.

Bastante tempo depois, Harry olhou para o relógio de novo. Tinham perdido o café da manhã. E, se não levantassem nos próximos dez minutos, se atrasariam para a aula de Transfiguração. Suspirou e se sentou devagar na cama. Malfoy esfregou a mão no rosto e respirou fundo, reunindo forças. Devagar, sentou-se também e fez uma careta, se remexendo um pouco.

Harry tocou seu ombro, levantando uma sobrancelha, e Malfoy abriu um sorriso e balançou a cabeça, desdenhando a preocupação do grifinório enquanto se espreguiçava e levantava da cama para se trocar. Harry assistiu Malfoy se vestir, franzindo a testa. O sonserino agia como se tivesse que fazer força para não voltar a deitar e dormir. E, julgando pelos olhares preocupados que lançava a Harry de vez em quando, o grifinório provavelmente aparentava o mesmo.

Transfiguração. Era só isso que importava. Chegar na aula, e chegar a tempo. Não por medo de perder pontos ou de ganhar detenções, mas porque a alternativa era voltar a deitar e se entregar à exaustão.

ooooooo

McGonagall levantou a cabeça diante do burburinho que se espalhou pela classe quando eles entraram e imediatamente gesticulou para que os dois se aproximassem de sua mesa.

Harry ficou confuso; eles não estavam atrasados. Chegaram em cima da hora, mas não estavam atrasados.

"Potter, Malfoy, Madame Pomfrey quer vê-los no hospital. Ela está com dois aurores, que precisam falar com vocês".

"Aurores?" Malfoy repetiu, e Harry percebeu que aquela era a primeira coisa que um deles falava aquela manhã. "Por que­"

"Eu não sei, sr. Malfoy. Agora, apressem-se para não deixá-los esperando mais. Eles estão aqui desde o café da manhã".

"Aurores," Harry disse enquanto eles caminhavam para a ala hospitalar. "Para quê? Madame Pantere já nos encheu de perguntas no dia em que o feitiço foi lançado, o que mais eles podem querer saber?"

"Talvez detalhes sobre esse cansaço," disse Malfoy, esfregando os olhos. "Agora eles devem estar preocupados sobre a intenção disto ser nos prejudicar".

"Malfoy… você está bem?"

"Hm? Sim. Por quê?"

"Sua aparência não está das melhores".

"Talvez eu não tenha dormido o suficiente na noite passada", Malfoy soava como se tentasse ser irônico, mas não estava conseguindo.

"Não é isso".

"Algo me diz que nós vamos passar bastante tempo falando sobre esse assunto com os aurores, Potter. Será que dá para deixar essa conversa para eles?"

"Tudo bem", Harry resmungou. Ele levantou o rosto, meio assustado, quando Malfoy tocou em sua mão. "O que foi?"

Malfoy tinha parado de andar e estava olhando para o chão, um pouco nervoso. "Você… você… está tudo bem?"

"Ahn?"

"Com o que aconteceu ­"

"Ontem à noite?", Harry achou impossível reprimir um sorriso, mesmo com o cansaço. "Claro que sim. E você?"

O sorriso de resposta de Malfoy era toda a segurança que Harry precisava, e eles ficaram parados lá por alguns momentos, sorrindo um para o outro antes de desviarem o olhar.

Harry podia sentir uma dúzia de emoções diferentes passando entre eles, nenhuma delas ruim. Felicidade, e surpresa por essa felicidade. Afeição. Um tipo de timidez também, porque tudo aquilo era novidade para eles.

Nada disso precisava ser analisado. 'Isso não é sobre pensar, é sobre sentir', Malfoy tinha dito algum tempo atrás, e ele estava certo.

O sonserino apontou com a cabeça na direção da ala hospitalar e eles voltaram a andar, em silêncio cúmplice.

Oh... Pomfrey provavelmente iria querer saber tudo sobre o que acontecera na noite anterior. E Harry de repente percebeu que não queria dividir aquilo com ninguém. Era simplesmente… íntimo demais. Tinha se acostumado a conversar com Pomfrey e Esposito sobre um monte de coisas, mas, o que tinha acontecido na noite passada… Não tinha nada a ver com o feitiço do elo. Tinha, mas não tinha. O que eles fizeram ontem à noite podia ter começado por causa do elo, podia ter acontecido só porque eles não tinham escolha, mas… a maneira como tinha acontecido ia muito além de um simples feitiço. Tinha a ver com os dois superando tudo o que se impunha entre eles e construindo algo juntos. Algo espetacular. Porque ele tinha certeza de que nunca iria esquecer sua primeira vez enquanto vivesse. E, julgando pelas emoções vindas de Malfoy através do elo, duvidava que ele algum dia esquecesse também.

E Malfoy… aquilo tinha sido muito corajoso, se entregar a Harry daquele jeito. Ele tinha sentido o pânico de Malfoy e ficou impressionado pela confiança que o sonserino tinha mostrado, deixando Harry ajudá-lo. Mesmo com tudo que eles tinham feito um para o outro, antes e depois do elo, Malfoy deixara Harry ajudá-lo, e tinha se preocupado em ajudar Harry também. Sim, muito disso provavelmente era devido ao elo e ao feitiço de tranqüilidade, mas havia algo de muito significativo em conseguir acalmar um garoto que estava se sentindo assustado e pressionado com base somente na confiança.

E então, essa manhã, quando eles tinham ficado juntos sem a necessidade de palavras, sem precisarem de nada para se sentir confortáveis e…Caramba, ele pensou, se assustando. Aquilo estava ficando intenso demais. Precisava pensar melhor, ir com mais calma.Muito do que estava sentindo era apenas devido ao feitiço de união, ele procurou se lembrar com firmeza. Apenas um feitiço. Os sentimentos de confiança, carinho e de que eles pertenciam um ao outro — sim, pareciam maravilhosos e genuínos, mas não queriam dizer nada. Ele e Malfoy podiam estar casados, mas eles não eram amigos de verdade, e nem amantes de verdade. Tudo aquilo poderia acabar de uma hora para outra. Poderia. Mas, por enquanto… era simplesmente inacreditável.

Oh, por deus, e agora eles deveriam conversar com Pomfrey a respeito. Isso com certeza os traria de volta ao mundo real. Ele pensou, meio ressentido, que já era ruim o suficiente ter que passar por aquilo de modo involuntário; por que, além de tudo, tinha que colocar todos os fatos sob uma lente de aumento? Harry realmente preferia lembrar da sua primeira vez porque ela tinha sido inesperadamente maravilhosa e não porque ele tivera que repassar todos os detalhes com a enfermeira da escola.

Talvez Pomfrey não se lembrasse de perguntar. Talvez eles ficassem ocupados falando com os aurores sobre o cansaço, e o assunto não surgiria na conversa. Isso seria legal.

ooooooo

"Harry? Você está bem?", Madame Pantere repetiu pela terceira vez, e Harry se remexeu.

"Sim­"

"Não, você não está. O que­", mas Harry estava levantando, uma sensação de desconforto o obrigando a agir de alguma maneira.

"Potter­", Pomfrey disse, alarmada, enquanto Harry caminhou para a repartição que o separava de Malfoy e do Auror Tobin, que o entrevistava. Harry abriu as cortinas sem hesitar, mal registrando os protestos de Pomfrey e Pantere quando viu a raiva e o ressentimento refletidos nos olhos de Malfoy serem substituídos por surpresa e alívio.

"Sr. Potter!", Tobin exclamou.

"O que foi?", Harry perguntou para Malfoy.

"Sr. Potter, por favor, volte para­"

"Malfoy, qual é o problema?", perguntou Harry, ignorando Tobin.

Malfoy apertou os lábios e balançou a cabeça. O auror insistiu, "Sr. Potter, eu estou conduzindo uma entrevista aqui­"

"Eu não estou falando com você", disse Harry rudemente, sem desviar os olhos de Malfoy. "Que diabos está acontecendo? Você está prestes a explodir". Ele colocou a mão no ombro do sonserino, confuso porque Malfoy continuou em silêncio e desviou o rosto, sua raiva ainda nítida, mas não direcionada ao grifinório.

"Sr. Potter­"

"O que é que você estava perguntando para ele?", Harry questionou.

"Eu estou reunindo informações sobre quem quis prejudicá-lo, sr. Potter. Estou fazendo meu trabalho", respondeu, e Harry percebeu o medo escondido atrás do tom pomposo.

"Só fazendo o seu trabalho? Seu trabalho é descobrir o que está acontecendo com nós dois, ou será que você está tentando conseguir outro tipo de informação também?", ele acusou, e ficou indignado pela expressão culpada no rosto do outro. "Seu desgraçado! Você deveria estar nos ajudando, e não o interrogando sobre­"

"Potter!", Malfoy cortou.

"O que você perguntou para ele?", Harry gritou. Malfoy levantou, o segurou pelo ombro e o conduziu até a repartição ao lado.

"O que­", Harry começou a dizer, e Malfoy tapou sua boca com uma das mãos.

"Cale a boca. Sério, cale a boca", ele sussurrou, sua raiva contra o Auror rapidamente se voltando para Harry. "Eu não preciso que você venha me salvar, seu idiota. Eu posso lidar com­"

"O que foi que ele disse?", perguntou Harry, desvencilhando-se da mão de Malfoy.

"O que você acha que ele disse?", Malfoy sussurrou, furioso, os olhos brilhando, uma mão apertando a de Harry com força. "Ele perguntou o que meu pai acha do elo, o que ele tinha me dito a respeito, o que isso significava para a minha família, e como está a… a 'posição social' do meu pai com o… com­ e se… se ele acha que o feitiço foi lançado por um­", Malfoy se interrompeu, respirou fundo e desviou o rosto, diminuindo a força com que segurava a mão de Harry. "E se meu pai acha que o feitiço foi lançado por um Comensal da Morte que estava com inveja dele", ele disse, a voz mais controlada. "Ou se eu achava que meu pai poderia ter lançado o feitiço. Para se livrar de você, a serviço do Lorde das Trevas".

Harry respirou fundo, incomodado por alguém poder pensar uma coisa dessas de um pai, e mais ainda perguntar algo assim para um filho… e mais incomodado ainda pelo fato de que ele próprio não poderia afirmar com certeza que Lucius Malfoy não estaria disposto a sacrificar seu único filho a pedido de Voldemort.

"E ele perguntou mais um monte de coisas sobre o meu pai, que eu não posso nem comentar com você". Malfoy estava falando de maneira mais suave, mas sem olhar para ele.

Harry o segurou pelo ombro, tentando forçá-lo a levantar o rosto. "Potter, não".

Droga. Droga, droga, droga, eles não podiam nem conversar a respeito. Não podiam conversar sobre a coisa mais importante de suas vidas, das vidas de toda a sociedade bruxa.

Tinham que viver à parte disso, fingindo esquecer que estavam em lados opostos, que Harry era o maior inimigo de Voldemort, que Malfoy era filho de seu principal seguidor.

Porque não era uma guerra declarada; era uma guerra feita por meio de espiões, mentiras, maldições Imperio e manipulações, e Lucius Malfoy nunca tinha admitido abertamente que estava do outro lado, nunca, nem mesmo depois do tempo em Azkaban.

"Ele não pode te perguntar nada que não tenha a ver com o feitiço do elo", disse Harry devagar.

"Você pode provar que isso não tem nada a ver com quem lançou o elo?", Malfoy retrucou.

Droga.

"Você quer que ele diga essas coisas quando ele deveria estar tentando te ajudar?", perguntou Harry, decidindo, sem pensar muito a respeito, ficar do lado de Malfoy nesse caso.

Não na guerra inteira; só nessa batalha. Nessa única batalha, que representava encontrar um jeito de sobreviver àquele feitiço. Que decisão mais sonserina, Harry pensou de repente. Esquecer a questão principal, esquecer que o Auror Tobin poderia conseguir informações importantes com Malfoy para o lado da Luz na guerra. Esquecer tudo isso e considerar apenas no seu (e no de Malfoy) bem-estar, saúde, segurança e...

Não, não era hora de pensar nisso. "Você quer mesmo que ele abuse do cargo para talvez conseguir uma promoção?"

Malfoy levantou as sobrancelhas. "Conseguir uma promoção? Meio cínico você de dizer isso, não?"

"É isso que ele está fazendo e você sabe".

"Que coisa mais sonserina da sua parte, acusá-lo de agir em interesse próprio".

"Não comece a me insultar, seu idiota", Harry resmungou. "Ou eu posso mencionar que tentar me impedir de te ajudar é algo muito grifinório da sua parte".

Malfoy riu, inesperadamente, e a tensão entre eles diminiu.

"Ele não pode te perguntar esse tipo de coisa", Harry disse gentilmente depois de alguns segundos. "Não é certo e não vai ajudar em nada. Ele precisar fazer perguntas difíceis por causa da investigação é uma coisa, mas, se ele está agindo assim para conseguir uma promoção — ou mesmo que seja para ajudar na guerra… não é hora para isso".

Malfoy respirou fundo, balançando a cabeça.

"Além disso, como é que você pôde deixá-lo… onde é que está o seu orgulho idiota de Malfoy? Por que você não mandou ele calar a boca?"

Malfoy suspirou. "Potter, não é a primeira vez que me perguntam essas coisas. Depois que meu pai foi preso, durante meses, eu e minha mãe fomos interrogados por praticamente todos os aurores do Ministério", ele disse amargamente. "Acredite, eu sei lidar com eles. E a primeira coisa que aprendi é que não adianta nada tentar resistir ou enganá-los. A única coisa que funciona é dizer o mínimo possível. Especialmente com os sangues-ruim — oh, está bem, com trouxas — como Tobin; eles sentem um prazer especial em nos perturbar".

Harry apertou os lábios. Droga. Lembrou que, na época, ficou muito feliz em imaginar Malfoy e sua mãe sendo interrogados, como criminosos. Bem, isso foi naquela época, agora é agora, ele disse a si mesmo. "Olha, você falou que seu pai não conversa com você sobre nada do que eles estão perguntando. Então ele não vai conseguir informação nenhuma te interrogando assim. Ele só está perdendo o tempo dele. O nosso tempo".

"Eu disse isso. Engraçado, Tobin não acreditou. Eu não ia me dar o trabalho de insistir para tentar convencê-lo".

Harry pensou por um momento. "Sabe, não há motivo nenhum para as entrevistas serem feitas separadas. Eu posso ficar lá com você".

"E como exatamente a sua heróica presença vai servir para alguma coisa?"

"Pelo menos eu posso fazê-lo se ater às perguntas que podem nos ajudar. E garantir que você está dizendo a verdade quando afirma que não sabe de nada".

Malfoy esfregou os olhos, cansado, e acenou com a cabeça, desistindo. Harry abriu as cortinas da repartição.

"Eu vou ficar aqui também. Você pode nos entrevistar juntos", ele disse, divertindo-se com as expressões dos dois aurores e de Madame Pomfrey.

"Sr. Potter­"

"Eu não vou sair daqui. Se você tem algo a dizer para ele, pode dizer na minha frente".

"Sr. Potter, eu não acho que­", Tobin começou, e Pomfrey o interrompeu.

"Você não vai conseguir fazê-lo mudar de idéia, sr. Tobin, Potter é muito teimoso", disse a enfermeira, e Harry percebeu o brilho de aprovação em sua expressão quando ela lançou um olhar atravessado para Tobin. Ele sorriu para si mesmo. Por mais que fosse rude e severa, não dava para negar que Pomfrey era muito apegada a seus pacientes e provavelmente não aprovava a idéia de um Auror perdendo tempo com assuntos que não estavam relacionados ao bem-estar deles.

"E então? Vá em frente, sr. Tobin. Faça suas perguntas", disse ela, sentando ao lado de Malfoy.

Tobin levantou o queixo, em desafio. "Minhas perguntas são relevantes para essa investigação", disse, e Pomfrey acenou com a cabeça impacientemente.

"Sim, tenho certeza que sim. Então comece. Esses senhores não estão perdendo aula só para ouvir seus discursos"

Tobin hesitou.

"Qual foi a última pergunta que ele fez?", Pomfrey perguntou para Malfoy.

"Ele perguntou se eu achava que as visões políticas do meu pai poderiam fazê-lo me colocar em perigo, me unindo a Potter com um feitiço intencionalmente mal-lançado", disse devagar. "Antes disso, fez um monte de perguntas sobre as crenças políticas do meu pai e suas conexões".

"O quê?", Pomfrey e Pantere olharam para Tobin.

"Foram perguntas legítimas! O pai desse garoto apóia as mesmas pessoas que tentam matar Potter há anos. Considerando as opiniões políticas dele, faz sentido­"

"As opiniões do meu pai não são contra a lei", disse Malfoy, com raiva.

"Mas ele já agiu contra a lei".

"Você deve saber que ele pagou por isso".

"Se você chama aquilo de pagamento­"

"Ele ficou em Azkaban por dez meses", Malfoy interrompeu, alterado, e Harry colocou a mão em seu braço para acalmá-lo.

"Sim, por invadir o Ministério. Mas ele também foi acusado de assassinato. Mas, como conhece muitas pessoas importantes, foi liberado. Eu não chamo isso de pagamento. Ele também é um notório odiador de trouxas e­"

"Como eu disse antes, as opiniões dele não são contra as leis", os lábios de Malfoy se retorceram em um sorriso maldoso e ele olhou para Tobin com desprezo. "E nem as minhas".

"Vocês têm as mesmas opiniões?"

"Eu sou um Malfoy", disse Draco em tom de desafio. "Eu fico ao lado da minha família".

"Vai ser um Comensal da Morte como o seu querido papai um dia desses, então? Deixe-me lembrá-lo de uma coisa: os Comensais da Morte provavelmente estão por trás do elo de vocês".

"Eu não sei nada a respeito".

"Mas você sabe as pessoas com as quais seu pai se relaciona. Você sabe quais deles são Comensais da Morte, quais deles são capazes de cometer atrocidades a mando de Você­Sabe­Quem­"

"Auror Tobin­", Pantere interrompeu.

"Essas pessoas são capazes de qualquer coisa. O pai desse garoto é capaz de qualquer coisa, e ele está treinando o filho para ser igual a ele, um pequeno Lucius Malfoy em treinamento­"

"Esse não é Lucius Malfoy!", disse Pomfrey, furiosa. "Esse é um garoto de dezessete anos que está com problemas sérios, e eu lhe agradeceria caso você se lembrasse que é por isso que está aqui!"

"Eu sou um Auror; se você acha que eu vou deixar essa chance escapar­"

"Acabou de deixar. Você está fora do caso", disse Pantere abruptamente.

"O quê?"

"Minha decisão é baseada mais em por que você está fazendo essas perguntas do que nas perguntas em si. Você não conseguiu se focar na tarefa que recebeu, que é ajudar esses dois senhores. Eu vou chamar Shacklebolt. Ele vai assumir o seu lugar".

Harry conseguiu reprimir a tempo uma exclamação de alarme. Kingsley Shacklebolt era integrante da Ordem da Fênix. Tecnicamente, todos os aurores estavam trabalhando contra Voldemort, mas Shacklebolt era especialmente dedicado à causa. Se Shacklebolt assumisse o caso, não limitaria suas perguntas às informações necessárias para ajudar Harry e Malfoy, mesmo que Harry tivesse certeza que, ao contrário de Tobin, Kingsley realmente tentaria ajudá-los. Mas não, o compromisso de Shacklebolt com a Ordem dizia que ele deveria usar toda a oportunidade (e essa com certeza seria uma boa oportunidade) para extrair informações contra Voldemort, mesmo que isso significasse enganar Malfoy sobre a natureza das suas questões. E Malfoy não tinha como saber disso para se preparar.

Só que eles precisavam de ajuda. Precisavam de alguém como Shacklebolt.

E… e não era como se Malfoy fosse fácil de ser enganado, Harry disse a si mesmo. Ele tinha experiência com aurores. Era um sonserino e um Malfoy: pronto para suspeitar de qualquer um, para ser maldoso e se proteger contra o resto do mundo.

Bem... só que ele também estava cansado, sem conseguir pensar direito, e baixando um pouquinho a guarda com Harry, o que provavelmente faria com que ele não fosse tão precavido quanto deveria perto de Kingsley, ainda mais se Harry não o avisasse que deveria ser bastante cuidadoso ao falar sobre as atividades de Lucius Malfoy.

Como ele poderia trair a confiança que Malfoy havia depositado nele?

Mas também, como poderia trair a confiança que a Ordem tinha nele? Além de ter que manter em segredo a identidade dos membros da Ordem, não dizer nada para o sonserino poderia resultar em conseguir informações sobre o mecanismo interno de influência dos Malfoy, algo que podia ser bastante valioso para o lado da luz…

Quem trair?

Malfoy o espiou de modo suspeito enquanto Tobin entregava seus relatórios para Pantere e saía da ala hospitalar. Harry tentou manter sua expressão como de perfeita indiferença e se esforçou para lembrar tudo o que Snape havia lhe ensinado sobre Oclumência. Mas era difícil quando podia ouvir a voz de Malfoy desdenhando "É quase impossível mentir para o seu cônjuge com um elo recente, Potter", na sua cabeça.

"Tudo bem, então", Madame Pantere interroupeu seus pensamentos, "vocês dois podem voltar para a aula, se quiserem".

"Nós podemos ir?"

"Sim, sr. Malfoy. Eu vou fazer um resumo das minhas anotações e das de Tobin e continuarei as perguntas mais tarde, com vocês dois presentes".

"Ainda hoje?"

"Espero que sim. Eu tenho que contatar Shacklebolt – oh, não, espere", ela murmurou, "ele está em uma missão no Quênia. Droga. Bem, eu terei que chamar uma outra pessoa para trabalhar comigo no caso. Não importa. Voltem para a aula, vejo vocês mais tarde".

"Nós já perdemos Transfiguração e a maior parte de Defesa Contra as Artes das Trevas", Harry disse quando eles saíram da ala hospitalar, tentando desesperadamente não pensar em Kingsley Shacklebolt até que pudesse ter certeza que Malfoy havia se distraído com outra coisa e não perceberia seu dilema interior.

"O que você tem?" Malfoy perguntou.

"Nada".

"Potter".

Eles pararam no meio do corredor, e Harry respirou fundo. "Nada que eu possa falar para você", ele disse baixinho, olhando nos olhos do outro.

Malfoy sustentou o olhar por longos minutos, a expressão indecifrável. Por fim, ele acenou com a cabeça e se virou para continuar a caminhar até a sala. Parou quando Harry colocou uma mão em seu braço.

"Malfoy... eu diria se pudesse"

"Eu sei. Está tudo bem", Malfoy respondeu baixinho.

"Não está. Mas..."

"Nós temos que chegar na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas".

"Já passou da metade da aula, eu duvido que a gente aproveite alguma coisa. Vamos para casa", Harry sugeriu, e Malfoy respondeu com um sorriso e um aceno.

ooooooo

"Harry, você vai ver Madame Pomfrey?", Hermione perguntou na hora do jantar.

"Sim, talvez depois que terminarmos aqui. Nós não almoçamos direito", disse Harry, tentando se forçar a comer. Eles tinham acabado voltando para o dormitório e, previsivelmente, se jogaram na cama, adormecendo depois de uma sessão de amassos estranhamente… intensa. Como se os dois estivessem tentando usar o toque para acabar com a distância que eram forçados a manter em assuntos tão importantes de suas vidas. Ou talvez apenas tentando esquecer essa distância da maneira mais fácil que conheciam.

Tinham dormido durante o almoço e a aula de Feitiços e foram acordados por Pantere, com um novo interrogatório que os forçou perder as aulas de Aritmancia e Runas. Mal pegaram a aula de Herbologia, no final da tarde.

"Você não tomou café da manhã também", Hermione notou. "Ela sabe que você não está comendo?"

"Ele não está com fome, Granger", Malfoy disse. "Pare de perturbá-lo".

Hermione ficou boquiaberta com o tom quase civil com que Malfoy havia se dirigido a ela.

"Ele não é mais criança. E pode decidir sozinho se precisa visitar Madame Pomfrey ou não. Agora, ou mude de assunto ou pare de perturbá-lo". O sonserino voltou a empurrar a comida de um lado para o outro no prato.

Harry afastou o cabelo dos olhos e tentou se concentrar na comida e não no desejo de voltar para o quarto e dormir.

"­een no sábado, Harry?"

Malfoy deu uma cotovelada em Harry e indicou que alguém tinha acabado de falar com ele.

"Desculpe, o quê?" Harry se virou para Seamus.

"Eu perguntei se você vai ao baile de Halloween".

"Não. Pelo menos, eu acho que não…", ele olhou para Malfoy, que balançou a cabeça.

"Não. Muita lição de­" e Harry parou de falar quando o mundo ao redor ganhou estranhos tons de vermelho. Ele piscou, mas o vermelho não sumiu, e alguém a seu lado ofegou.

Malfoy olhou para ele e soltou a respiração pela boca, irritado, antes de pegar sua varinha.

"Finite incantatem", ele murmurou, e o brilho vermelho desapareceu. Malfoy colocou a varinha no bolso e voltou a encarar o prato como se nada tivesse acontecido. Como se o Grande Salão não tivesse explodido em comentários, com comemorações e murmúrios desapontados das mesas da Sonserina e da Corvinal, e não houvesse um burburinho na mesa dos professores, que tentavam decidir se mandavam os alunos interromperem as atividades relacionadas à aposta ou apenas ignoravam os acontecimentos.

Harry fechou os olhos e esfregou a ponta do nariz, apreciando profundamente o silêncio na mesa da Grifinória. Ótimo. O bom e velho Virgo Acclaro, bem no meio do jantar. Bem, eles tinham perdido todas as aulas com a Sonserina, Harry deveria ter imaginado que eventualmente aquilo iria acontecer. Ainda mais porque os sonserinos deveriam estar se perguntando por que os dois tinham deixado as masmorras no meio da noite.

Pelo menos aquela seria a última vez que usariam o feitiço nele.

"Harry?" Hermione finalmente disse, hesitante.. "Está... está tudo bem?"

"Sim", ele esfaqueou seu bife, se perguntando por que não se sentia indignado, com raiva ou qualquer outra coisa mais intensa do que aborrecimento. "Sim, tudo bem".

Hermione olhou para Malfoy desconfiadamente, quase de modo acusatório. Malfoy sustentou seu olhar e encarou o resto da mesa da Grifinória, mergulhada em um silêncio semi hostil.

Voltou para sua comida, sem se importar em dizer algo.

Harry limpou a garganta. "Eu estou bem. Só queria que isso não fosse tema de discussão da escola inteira no meio do jantar. E provavelmente a manchete do Profeta de amanhã".

Ele respirou fundo. "E parem de olhar para o Malfoy como se ele tivesse feito algo de errado", ele disse, sem se dirigir a ninguém em específico. Malfoy olhou para ele, surpreso, e Harry decidiu que aquilo era o suficiente. Se inclinou e disse na orelha de Malfoy. "Vamos embora". Malfoy concordou com a cabeça e largou os talheres na mesa enquanto os dois levantavam para sair do Grande Salão sem dizer mais nenhuma palavra.

"Me desculpe", Harry falou quando eles alcançaram o corredor.

"Não foi sua culpa".

"Não, mas..."

"Potter, não se preocupe com isso".

Continuaram em silêncio até o dormitório, e pela primeira vez Malfoy não reclamou quando Harry largou tudo no chão assim que entraram. O sonserino também jogou suas coisas de lado e se virou, abraçando Harry e apoiando a cabeça em seu ombro.

"Você está bem?", Harry perguntou.

Houve um longo silêncio. "Não. Não estou bem, você sabe disso. E você também não está".

Harry balançou a cabeça, puxando o loiro para o sofá consigo, completamente exausto.

"Eu­"

"Potter, eu não quero falar sobre isso".

"Não," Harry disse e se aproximou, o beijando.

"Por deus, não, eu não quero…" disse Malfoy, sem ânimo, mas juntou seus lábios nos de Harry, as mãos subindo direto para sua gravata.

"Eu também não, mas…", respondeu Harry, cansado, o desejo lutando com a exaustão enquanto suas mãos desabotoavam a camisa de Malfoy.

"Nós não temos muita escolha, não é mesmo?", Malfoy respondeu, ofegando um pouco quando os dedos de Harry entraram em sua calça.

"Elas vão descobrir o que está errado", Harry murmurou. "Nós ficaremos bem. Provavelmente é o que a Pomfrey disse hoje, nós temos que parar com todas as outras poções e feitiços e ver se isso adianta­"

"Não vai adiantar. Não vai adiantar nada. Aqui, não. Eu não vou fazer isso no sofá, vamos para a cama­"

"Eu­"

"Nós vamos desmaiar assim que acabarmos, você sabe disso, e eu não quero dormir aqui­", e eles foram para o quarto, se jogando na cama e se livrando das roupas no meio do caminho. Malfoy se virou para pegar o vidro do óleo que tinham usado na noite anterior.

"Não, nós… eu não vou saber o que fazer­", Harry começou.

"Claro que você vai saber o que fazer, você soube ontem à noite".

"Mas tinha o feitiço e… e eu não quero machucar você­"

"Você não vai me machucar, seu idiota".

"Eu­"

"Potter, eu não tenho tempo para discutir com você. Nós dois estamos cansados, Pomfrey e a curandeira não têm ideia do que fazer, há aurores suspeitando que meu próprio pai decidiu me sacrificar para o Lorde das Trevas e tem gente comemorando na Sonserina nesse exato momento porque você me comeu ontem à noite. Eu estou tão exausto que poderia dormir por uma semana, só que você me deixou tão excitado que eu sei que não vou conseguir dormir agora e realmente gostaria muito que você apenas me fudesse com força para que nós apagássemos por algumas horas, até que eu possa encarar meus colegas de casa e consiga aceitar os parabéns deles sem matá-los. Tudo bem para você?"

Harry riu. "Mas você não está­"

"Dolorido de ontem à noite? Um pouco. Quem se importa. Eu não. Agora, nós vamos fazer isso ou não?"

Harry lhe deu um longo beijo, desejando que eles não estivessem tão cansados, desejando que ele não se sentisse tão esgotado, ou que ele pudesse pelo menos sentir medo pela situação. Qualquer coisa menos aquela exaustão. Começou a espalhar o óleo em Malfoy, notando como seus olhos estavam apagados, e a pele mais pálida que o normal. Que irônico, a mesma coisa que estava os matando parecia ser a única coisa que os fazia se sentir vivos.

"Espere aí", disse Malfoy e se virou de bruços na cama. Harry continuou a espalhar o óleo, ajudando o outro a relaxar, sentindo uma felicidade cansada por aquela distração, pela respiração acelerada de Malfoy, pelos arrepios que percorriam ambos.

"Oh, Merlin", Malfoy suspirou quando Harry cuidadosamente deslizou para dentro dele. O grifinório se apoiou no cotovelo e começou a afagar a nuca de Malfoy, esperando que o loiro relaxasse.

"Está doendo?"

"Um pouco. Não, não… não pare", sussurrou Malfoy. "Eu só preciso relaxar". Ele respirou fundo algumas vezes, se mexendo um pouco. "Está tudo bem. Só… pode ir em frente, por favor…"

Harry começou a se mover devagar, mordendo o lábio para se impedir de ir rápido ou forte demais, acariciando o corpo de Malfoy e sorrindo quando o loiro prendeu a respiração ao sentir Harry fechar a mão ao redor dele.

"Isso é­ Eu não vou durar muito­", Malfoy se interrompeu com um gemido. "Isso­ ah­"

"Eu também não vou durar muito­", Harry ofegou,sentindo­se aproximar do clímax. "Não importa… oh­"

E então Malfoy gritou embaixo dele e pulsou na mão de Harry, seus músculos se contraíram ao redor do grifinório e o fizeram atingir o ápice.

Os dois desabaram juntos na cama, Harry acariciando o cabelo de Malfoy, sentindo um entorpecimento no corpo inteiro. Ele começou a sair de cima do outro.

"Não", Malfoy murmurou. "Não­ você não precisa sair, você não é tão pesado".

"Eu não estou te esmagando?"

"Não. É gostoso. Quente", Malfoy murmurou, sonolento. "Como se eu estivesse seguro".

"Eu bem que queria", Harry disse, e sorriu sozinho. Se Malfoy se lembrasse daquilo quando eles acordassem, provavelmente ficaria morto de vergonha. "Eu vou acertar o relógio para nos acordar daqui a duas horas, tudo bem?". Esperou por alguns momentos, mas não obteve resposta e então percebeu que Malfoy já estava dormindo.

ooooooo


Notas Finais


Enjoy


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