História Bond - O Elo De Ligação - Capítulo 2


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Categorias Harry Potter
Personagens Blásio Zabini, Dobby, Draco Malfoy, Harry Potter, Hermione Granger, Pansy Parkinson, Ronald Weasley
Tags Drarry
Visualizações 1.146
Palavras 3.961
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Lemon, Magia, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Por Anna Fugazzi
Tradução para o português: Calíope Amphora
Aproveitem
Enjoy <3

Capítulo 2 - Capitulo 2 - Dificuldades de adaptação


Snape sequer olhou para os dois quando eles entraram na sala de Poções e discutiram onde iriam sentar. Até então, tinham se falado apenas com monossílabos, exceto por ocasionais "Anda logo" ou "Sai da minha frente".

"Anda", Draco disse impacientemente, sem gostar do fato que os outros alunos estavam os encarando, mas tentando disfarçar.

"Não", Potter murmurou de volta. "Eu quero sentar aqui".

Draco nem considerou a hipótese. De jeito nenhum ele iria se sentar perto da sangue-ruim e do Weasel³. "Não seja ridículo".

"Pode ir sentar onde você quiser", Potter disse, colocando seus livros na mesa perto de Granger. "Eu vou sentar aqui". Draco estreitou os olhos, sem querer dar o braço a torcer, e então olhou para o lugar em que sentava normalmente, tentando medir a distância de cabeça.

Talvez uns quatro, cinco metros. Certo, então. Ele andou até a mesa e sentou perto de Goyle, preferindo ignorar a expressão assustada do garoto, e respondendo aos hesitantes cumprimentos dos outros sonserinos com um aceno curto de cabeça.

Na metade da aula, ele estava quase pronto para admitir que tinha sido uma má idéia. O que tinha começado como um mal-estar fraco tinha se transformado em aborrecimento, e então numa sensação inquietante de que ele precisava ir se sentar perto de Potter. A sensação estava ficando cada vez mais forte, e ele já não conseguia se concentrar na aula. Snape estava dizendo alguma coisa sobre como colher alguma planta… qual?… para evitar que alguma poção ficasse… de algum jeito.

Ótimo, Draco pensou. Bastante preciso. Ele se forçou a prestar atenção em Snape, apesar da irritação que não parava de crescer. Parecia que ele estava cercado por zumbidos de abelhas. Balançou a cabeça, tentando se livrar daquilo. Não, não funcionou. Esfregou os olhos, soltando o ar pela boca em irritação.

"Malfoy? Você está bem?" Goyle perguntou baixinho.

"Sim", ele murmurou, sem se mexer.

Levante-se. Levante-se. Levante-se, ande até o outro lado da sala, mande Granger cair fora e sente-se no lugar dela. Você vai se sentir melhor.

Ele ignorou a vozinha, respirando fundo de novo e se concentrando em Snape.

"A flor Malva da Índia deve ser usada em até três dias depois de ser colhida, quem pode me dizer por quê?" Snape olhou para Draco, seus olhos estreitando um pouco. O professor moveu o olhar para o fundo da sala, depois de volta para ele. Draco ficou nervoso, esperando que Snape não o escolhesse, porque ele realmente não tinha idéia. "Potter?", Snape disse. Draco pulou. Houve um breve silêncio, seguido por um audível cutucão.  Draco se obrigou a não olhar.

"Um— desculpe, professor, qual foi a pergunta?", a voz de Potter parecia bastante instável.

Snape deu aquele sorriso-maldoso-sem-mover-um-músculo-facial que ele sabia tão bem, e os sonserinos da sala riram. "Eu perguntei, sr. Potter, por que a flor Malva da Índia deve ser usada até três dias depois de ser colhida".

Silêncio. "Eu não sei, senhor".

"Então vamos ver se você consegue deduzir. Essa é uma pergunta que até o Longbottom deve saber responder. Diga, qual é a função da Malva nesta poção? E, não, srta. Granger, não sussurre a resposta para ele".

Mais silêncio. "Eu não sei".

O não-sorriso de Snape aumentou, e Draco, inexplicavelmente, sentiu-se corar quando as provocações dos sonserinos ficaram mais altas. "Qual é a função da poção, então, sr. Potter?"

"Eu não sei", Potter respondeu de modo triste.

"Qual é o nome da poção?"

"Eu.não.sei", Potter disse claramente, dessa vez com raiva na voz. Draco sentiu seu coração bater mais rápido, a raiva crescendo nele também. Droga, Snape sabia exatamente o que estava errado, por que ele não podia escolher outra pessoa para-

Não, Snape estava certo. Potter não estava prestando atenção e Snape sabia por que e estava fazendo a coisa certa. Fazer Potter parecer um idiota na frente de todo mundo para que ele não repetisse o mesmo erro em outra ocasião — ele se sentaria onde Draco quisesse sentar da próxima vez. Isso era bom. Ele deveria se sentir grato a Snape.

Só que, graças ao maldito elo, Draco estava sentindo a raiva de Potter ao invés de gratidão.

"Qual é o nome dessa aula?" Snape perguntou.

"Poções!" Potter gritou.

"Finalmente, uma pergunta que você conseguiu responder. Muito bem, um ponto para a Grifinória pela resposta. E dez pontos a menos da Grifinória pela sua completa incapacidade de responder qualquer outra coisa". Houve um murmúrio de raiva dos grifinórios e uma onda de risos abafados dos sonserinos. "Eu sugiro que você encontre um jeito de se concentrar, Potter. Irei te chamar de novo".

Draco fechou os olhos com força, tentando repelir a raiva e o ressentimento de Potter e a necessidade crescente que ele sentia de mudar de lugar e acabar com o sofrimento de ambos.

Não. Não. Não, não, não, não.

Snape estava falando de novo, sobre sabe-se lá o que, e ele ouviu uma outra voz mais perto, que não pôde identificar porque os zumbidos estavam cada vez mais altos e-

"Ai, MERDA!", Draco gritou, uma dor quente e branca queimando seu braço. Ele se afastou da fonte da dor e abriu os olhos para ver Goyle, de boca aberta para ele, e o resto da classe observando em surpresa. Ele virou para frente, esfregando os olhos e tentando se ajeitar.

"Algum problema?", a voz de Snape cortou os zumbidos.

"Eu não queria… Desculpe, professor, eu esqueci", Goyle disse estupidamente, "Eu… ele não parecia muito bem e não respondeu quando eu perguntei se estava tudo bem, eu só encostei no braço dele, senhor-"

Snape fez um som impaciente. "Goyle, vá para aquela mesa vazia. Potter, sente-se no lugar do Goyle. A razão pela qual a Malva deve ser usada em até três dias depois de ser colhida é que-" e Draco perdeu o resto da frase enquanto Goyle pegava suas coisas e ia para a mesa do lado lançando um olhar de desculpas para Draco. Potter largou os livros em cima da mesa e sentou sem voltar-se para ele.

Que repugnante. Potter sentou ao seu lado e quase imediatamente o mundo voltou ao normal de novo — sem zumbido, sem irritação, sem vozes dizendo-lhe o que fazer. Sentindo-se infinitamente melhor, ele conseguiu acompanhar a aula de Snape com facilidade, se inteirando da parte que ele tinha perdido. É claro, qualquer idiota poderia deduzir que a Malva da Índia era usada por suas propriedades de cura e perderia o efeito depois de três dias.

Ele pegou a pena, escreveu as palavras de Snape e releu o que tinha anotado até então. Ficou surpreso. Sua caligrafia estava horrorosa, quase ilegível. Havia palavras faltando, misturadas… ele teria que pegar as anotações de alguém emprestadas para conseguir alguma informação decente sobre a última meia hora de aula. Espiou o pergaminho de Potter e riu da bagunça evidente nas anotações.

"Não enche", Potter murmurou. Draco deu um sorriso maldoso e voltou para suas anotações, bem mais animado, apesar da animosidade que envolvia Potter como uma nuvem.

                                                     oooooo

 

Eles entraram juntos no Grande Salão. Tinham conseguido passar o resto da manhã sem falar um com o outro, mas agora os dois pararam ao perceber que não faziam idéia de onde sentar. Não tiveram problema em Transfiguração, que era logo depois de Poções, porque, como Potter estava na aula de Draco, teve que sentar onde o sonserino quis. E Draco quis sentar com seus amigos, que lançaram risadas maldosas para Potter e acolheram Draco entre eles como se nada tivesse acontecido, evitando qualquer menção à maldição. Draco tinha se divertido durante parte da aula imaginando o que os pais de seus amigos deviam ter dito a eles ontem. Parecia que, pelo menos por enquanto, a tática geral era de observação cautelosa. A família Malfoy tinha sofrido um revés sério, mas não era impensável que se recuperasse, e a maioria dos seus colegas tinha aprendido por experiências amargas a não tentar explorar seus momentos de fraquezas; os Malfoy sempre conseguiam vingança.

Mas isso não ajudava na sua situação atual. O Grande Salão estava enchendo de alunos, e lá estavam os dois, entre as mesas da Sonserina e da Grifinória.

Potter começou a andar na direção da mesa da Grifinória, e Draco o segurou pela manga da capa. "Onde você está indo?"

"Minha mesa. Eu tive que sentar com os seus amigos a manhã inteira. É sua vez".

 

"Eu não vou sentar na sua mesa".

"Por que não?"

"Não seja idiota".

"Malfoy", Potter desvencilhou o braço, "Nós temos que cooperar um com o outro, lembra? Dar e receber? Sabe o que eu quero dizer?"

"Eu cooperei desistindo de História da Magia, indo para sua aula de Feitiços e começando Herbologia"

"Eu desisti de Estudos dos Trouxas e-"

"Eu não vou sentar na mesa da Grifinória!"

"Bem, então onde você sugere que a gente coma? Porque eu não vou sentar na mesa da Sonserina!"

"Nenhum sonserino iria te querer lá de qualquer modo!"

"Então arrume uma alternativa!" Eles se encararam, sem se importar com as várias pessoas que assistiam à briga. Até que Draco andou para a mesa mais próxima, passou por dois corvinais assustados, pegou dois sanduíches e uma maçã e fez um gesto para Potter fazer o mesmo. Potter o imitou, seguindo Draco para fora do Grande Salão até o pátio mais próximo, e se deixou cair em um banco o mais longe possível de Draco.

                                                         oooooo

Isso… Draco realmente não precisava disso. Ao fim de um dia inteiro passado com Potter, tentando ao máximo ignorá-lo e não pensar em como aquela situação era terrível, depois de passar o tempo todo em negação sobre tudo aquilo, isso era… realmente pedir demais.

A aula de Feitiços tinha sido horrível, já que ele teve que sentar perto demais da sangue-ruim e do Weaselby³, cercado por malditos grifinórios e lufas-lufas, sem nenhum único sonserino a vista. Depois disso, eles só tiveram aulas que já tinham antes da maldição.

Mas agora, no final do dia, ele precisava espairecer e talvez ir estudar na biblioteca, ou passar algum tempo com os outros colegas de casa, jogando os intermináveis jogos políticos da Sonserina nos quais ele era tão bom e gostava tanto. Ele precisava do conforto do seu quarto comunal e do seu dormitório. Por ser filho único, sempre odiou ter que dividir o quarto com outros garotos na escola, mas, nesse exato momento ele daria tudo para ver os rostos idiotas de Goyle e Crabbe e ouvir as besteiras Zabini.

Ao invés disso, ele teve que passar pelos seus colegas de casa com Potter no seu calcanhar, ir até o quarto e empacotar suas coisas para que os elfos domésticos os levassem até o novo dormitório dos dois. E, depois, teve que seguir Potter até a torre da Grifinória para que ele fizesse o mesmo.

E, agora, lá estavam eles. Em um espaço normalmente reservado para professores casados. Um quarto pequeno, parecendo ainda mais apertado com as duas camas de estudante. Uma sala de estar, grande o suficiente para alguns sofás, cadeiras e duas mesas. Um banheiro com uma banheira — nada de chuveiros comunais para dividir com outros alunos. Uma pequena dispensa.

Se o espaço fosse só seu, ele estaria bem contente. Infelizmente, ele tinha um colega de quarto.

Ele tinha uma vontade enorme ou de matar Potter ou de se acabar em lágrimas. E não podia fazer nenhum dos dois. Preferiu agir de modo automático, desempacotando suas coisas. Não se importou em arrumar nenhum das tranqueiras que tinha trazido do dormitório — isso seria admitir que agora aquela era sua casa, e ele com certeza não queria isso. Era melhor simplesmente guardar as roupas e livros, como Potter estava fazendo, e ignorar Potter, como tinha feito durante o dia inteiro. Depois, pegou as anotações de Herbologia que tinha recebido da professora Sprout e começou a estudar. Tinha acabado de sentar para ler quando sentiu Potter olhando para ele.

"O que foi?", perguntou.

"Então é isso? Você só vai começar a estudar?"

"Eu perdi o primeiro mês inteiro de Herbologia", disse rispidamente. "Não quero prejudicar minhas notas. Você deveria começar com Aritmancia. Não é uma matéria fácil".

"O jantar é dentro de uma hora".

Draco deu de ombros e virou a página.

"Onde nós vamos sentar no jantar?"

"Não no Grande Salão".

"Vamos perder os avisos".

"Eu não me importo".

"Eu me importo".

"Bom para você".

"Malfoy, eu quero ir para o Grande Salão e estar no meio de outras pessoas. Por mais que aprecie o seu silêncio, não pretendo ficar trancado aqui com você para sempre".

"Não é a sua idéia de lua-de-mel ideal, Potter? Me desculpe, vou pedir para meu pai reservar um cruzeiro pelo Mediterrâneo para nós dois", ele virou outra página. "Depois que eu tiver entendido essa matéria estúpida".

"Malfoy. Eu vou para o Grande Salão jantar. Eu vou sentar com os meus amigos".

"Eu digo para os elfos em qual cama depositar seu corpo quando eles te trouxerem, depois que você desmaiar".

Ele podia quase ouvir Potter contando até dez. "Por que a gente não senta com a Grifinória hoje e com a Sonserina amanhã?"

"Porque meus amigos vão vomitar se tiverem que sentar perto de você enquanto estiverem comendo".

"Então a gente senta com a Grifinória de novo. O metabolismo dos grifinórios não é tão delicado".

"Cai fora".

"Eu adoraria. Infelizmente, tem o probleminha da maldição".

Draco o ignorou.

"Malfoy", a voz de Potter estava começando a ficar exasperada. Draco continuou a ignorá-lo.

"Olhe para mim quando eu estou falando com você". Draco bocejou e virou outra página. Potter já tinha agido assim com ele algumas vezes nos anos anteriores — fingindo indiferença, se recusando a responder, deixando Draco perturbado. Draco nunca tinha tentado antes, mas podia entender por que Potter o fazia. Era bem gratificante. Tinha que se lembrar disso no futuro.

"Malfoy!", Potter parecia bravo de verdade agora, e Draco sorriu para si mesmo enquanto mantinha os olhos nas anotações de Herbologia. Potter deu um soco na mesa na frente de Draco, fazendo o sonserino pular de susto e olhar para ele.

"Qual é seu problema, Potter?", ele perguntou lentamente, deliciado em como o rosto de Potter estava vermelho.

"Pare de agir como um imbecil e fale comigo!"

 

"Eu não irei sentar na mesa da Grifinória para o jantar, e você não vai poder sentar na mesa da Sonserina. Eu sugiro que a gente peça para os elfos domésticos trazerem o jantar aqui. Acho que isso resolve esse dilema doméstico".

Potter encarou Draco por um momento, então levantou e se jogou em cima da cama.

                                                   ooooooo

"Tem gente na porta", o retrato do Sir Xander, o alemão caçador de vampiros, anunciou algumas horas depois.

"Quem?"

"Hermione Granger e Ronald Weasley".

"Fale para eles entrarem-" "Fale para eles caírem fora-", eles disseram ao mesmo tempo.

"Esse também é meu dormitório", Potter disse baixinho. Draco pensou por um minuto, medindo as opções. Estava tentado a simplesmente recusar e ver o que acontecia. Mas Potter — droga! — tinha razão. Eles não iriam conseguir ficar sozinhos o tempo todo. O próximo impulso de Draco foi dizer a Potter que, se ele quisesse estar com os amigos, tinha que ser fora do quarto deles, mas, infelizmente isso queria dizer que Draco teria que sair também. E ele não tinha a menor intenção de ser visto em público com amiguinhos de Potter.

Além do mais, se ele quisesse trazer seus amigos para lá também, iria precisar da permissão de Potter.

"Tudo bem, seus amigos podem entrar — desde que os meus também possam vir para cá".

Potter olhou para ele de um jeito estranho. "É claro", ele disse, como se fosse óbvio. Draco acenou com a cabeça.

"Harry, onde você estava no jantar?" Granger perguntou assim que ela e Weasley entraram. Draco não se deu o trabalho de cumprimentá-los, apenas se enfiou nos livros.

"Aqui", Potter murmurou.

"Oh, Harry-"

Draco pegou sua varinha e lançou um feitiço de silenciador ao redor da sua mesa, bloqueando os sons dos amiguinhos desprezíveis de Potter e se enterrando em Herbologia.

                                                    oooooooo

Dia 3, Quinta

'Por deus, não', Harry pensou quando acordou no dia seguinte.

Não dava para ficar pior, dava?

Ele espiou a outra cama, onde Malfoy ainda estava dormindo. Ele parecia bem mais agradável do que quando estava acordado, sem os sorrisinhos irritantes e as expressões de reprovação. Mas, nos últimos dois dias, Malfoy não estava muito desse jeito. "Amuado" parecia ser a expressão que ele tinha escolhido.

Dormindo era melhor.

Harry olhou para ele, pensativo. Tinha passado os últimos dois dias lidando com a realidade da vida cotidiana, deliberadamente sem se deixar pensar no que aquilo significava. Ainda parecia inconcebível que eles tinham que viver juntos, menos ainda como um casal. Cada vez que seus pensamentos enveredavam esse caminho, ele se distraía lembrando que Pomfrey havia dito que nem todos os elos são como casamentos. Talvez o deles fosse um dos poucos afortunados que consistiam em simplesmente viver juntos, por mais repugnante que a idéia parecesse. Colegas de quarto pela vida inteira. Não tanto assim, na verdade — de acordo com Pomfrey, essa necessidade de ficar perto fisicamente não iria durar para sempre. Algum dia, tudo isso seria uma memória distante e infeliz de um ano em Hogwarts que tinha sido arruinado por ele ter que passar grande parte do seu tempo com Malfoy, que agora vivia do outro lado do mundo.

Certo.

Harry repassou os acontecimentos do dia anterior enquanto tomava banho e se trocava — a horrível desorientação em Poções, as alfinetadas de Snape, e como de repente depois que ele sentou perto de Malfoy tudo ficou melhor. O constrangimento por aquela situação toda — e a pequena sensação de recompensa quando ele tinha visto que as anotações de Malfoy sobre a aula não estavam tão bagunçadas quanto as suas, mas não faziam sentido algum. Pelo menos ele não tinha sido o único afetado.

Ele sentia saudades de Hermione. E de Ron. Só de pensar que eles estavam levantando e seguindo suas rotinas matinais sem ele, que todos seus amigos estavam na Torre da Grifinória enquanto ele estava lá, preso com aquele imbecil… era quase insuportável.

Hermione e Ron tinham aparecido na noite anterior e ficaram com ele um pouco, mas, eventualmente, tiveram que voltar para o dormitório. E ele não pôde ir com os dois. Tudo que ele pôde fazer foi ficar pronto para dormir e deitar, com Malfoy a poucos metros dele, olhando para o teto e se perguntando como iria sobreviver a outros dias como aquele.

Uma coisa ele faria. Iria persuadir Malfoy a concordar em ir para o Grande Salão nas horas das refeições. Talvez as aulas de hoje fossem ajudar — durante quase a tarde inteira, Malfoy teria que ver aulas de Harry. Talvez ele ficasse com saudades dos seus amigos sonserinos. Harry só podia manter essa esperança.

Malfoy se mexeu, suspirando de leve no seu sono, e Harry odiou o pensamento de ter que acordá-lo. Queria poder deixar Malfoy dormir e ir tomar café da manhã e depois para as aulas. Infelizmente, se Malfoy não levantasse, os dois ficariam atrasados.

"Malfoy".

Malfoy não se mexeu.

"Malfoy", Harry repetiu, um pouco mais alto. Malfoy sequer esboçou uma reação. Harry se aproximou da cama do outro, chacoalhando seu ombro. "Malfoy. Acorda". Malfoy acordou de sobressalto e olhou para Harry. E então fechou os olhos com força.

"Oh, deus, você de novo", ele murmurou, a voz sonada.

"Sim, eu de novo. Levanta".

"Não".

"Não?"

"Não. Vai embora".

Harry se afastou, confuso. O que deveria fazer agora? Não lhe agradava a idéia de começar o dia brigando e arrastando um mal-humorado Malfoy para o café da manhã e depois para as aulas.

Certo, não faria isso. Ele deitou na cama e abriu um livro.

Vinte e cinco minutos depois, Malfoy perguntou, com a voz arrastada. "Que horas são?"

"8:20".

"O quê?", Malfoy sentou na cama. "Nós temos que estar na sala em dez minutos!"

"Eu sei".

"Então por que você não me acordou?"

"Eu tentei. Você não quis".

"E você simplesmente me deixou voltar a dormir?" Malfoy levantou da cama, pegando suas roupas e seu uniforme escolar.

"Eu não sou seu despertador", Harry disse docemente e se levantou, totalmente vestido e pronto para sair. Ele perderia o café da manhã, isso era óbvio, mas valia a pena só pela visão de Malfoy em pânico com a idéia de entrar atrasado na aula da McGonagall.

"Muito-" a voz de Malfoy ficou abafada enquanto ele tirava a camiseta, "-engraçado, Potter. Hilário, para falar a verdade", ele rapidamente vestiu calças limpas. "Você realmente deveria considerar a idéia de uma sociedade com os gêmeos Weasley-", o loiro colocou uma camisa limpa e começou a abotoá-la, percebeu que tinha pulado um botão e começou tudo de novo, com um rosnado, "-já que você obviamente não tem utilidade para mais nada". Malfoy jogou os livros na mochila e percebeu que um estava faltando.

"Se você está procurando seu livro de Defesa Contra as Artes das Trevas…", Harry disse de modo bondoso, e Malfoy olhou para ele, aliviado "… então eu sinto muito, mas não sei onde ele está".

Era interessante, Harry pensou, como esse negócio de 'sentir os sentimentos do outro' funcionava. Estava sentindo um pouco da raiva e do desconforto de Malfoy agora, era verdade, mas eles eram completamente sobrepostos pelo seu prazer com a situação. Depois de todo o constrangimento na aula de Poções ontem, agora ele se vingava um pouco pensando em Malfoy chegando atrasado e desarrumado para a aula da diretora da casa de Harry. Não que McGonagall tinha favoritos, como Snape, mas, mesmo assim, era uma imagem boa de se pensar.

E então Malfoy pegou um livro e arremessou contra ele. Harry mal teve tempo de desviar antes que o livro passasse raspando pela sua cabeça e atingisse a parede, fazendo um barulho alto. Harry encarou Malfoy, surpreso. Malfoy não costumava partir para agressão física quando ficava com raiva — ele era o rei das respostas e gozações sarcásticas; as intimidações físicas geralmente ficavam a cargo de Crabbe e Goyle, como se Malfoy não se rebaixasse a atividades tão serviçais. Mas lá estava ele, furioso e pegando outro livro para jogar em Harry.

"Malfoy, se enxerga! Nós não temos tempo para isso!"

 

Malfoy atirou o livro mesmo assim, mas logo depois voltou a vestir o uniforme, procurando pela gravata.

"Mas eu sei onde sua gravata está", Harry disse, divertido. Malfoy não se deu o trabalho de olhar para ele. "Eu até a trago para você". Ele esperou um pouco. " Se nós sentarmos com meus amigos na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas".

Malfoy fez uma cara como se quisesse arremessar outro livro contra ele, mas concordou com a cabeça, e Harry sorriu e pegou a gravata da Sonserina, que tinha caído atrás da mesa de Malfoy.

"Anda logo", Malfoy murmurou, e os dois saíram correndo para a aula de Transfiguração, o loiro passando a mão pelos cabelos e arrumando a gravata.

'Eu tenho que me lembrar que estou vivendo com um Sonserino', Harry pensou. 'Não se preocupe em ser justo ou decente; manipulação e interesse próprio são as únicas coisas que eles entendem'.

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Glossário

¹ Cannon : termo usado para dizer que algo está de acordo com a história oficial dos livros. No universo de Harry Potter, podemos dizer que o fato de Lily e James serem um casal é cannon, por exemplo.

² Mordred : é conhecido como o notório traidor que lutou contra o rei Arthur na batalha de Camlann. Há várias versões sobre sua relação com o rei Arthur; a mais aceita é a de que ele seria filho ilegítimo de Arthur com sua meia-irmã Morgana.

³ Weasel/ Weaselby : um trocadilho pejorativo com o nome Weasley e a palavra em inglês "weasel", que quer dizer tanto "doninha" quanto alguém sorrateiro, não-confiável.

 


Notas Finais


Ei gente, os novos capitulos serão postados todas as quintas OU sextas com o objetivos de novos leitores terem um gostinho a mais de diversão, apreensão, drama e suspense. Espero que tenham gostado desse capitulo e caso encontrem possiveis erros nos alertem estamos tentando ao maximo não deixar erros para tras.
Obrigado a todos pelo carinho que vocês tem mostrado nos comentários e agradecemos todo o apoio que estamos recebendo.


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