História Bond - O Elo De Ligação - Capítulo 2


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Categorias Harry Potter
Personagens Blásio Zabini, Dobby, Draco Malfoy, Harry Potter, Hermione Granger, Pansy Parkinson, Ronald Weasley
Tags Drarry
Visualizações 147
Palavras 3.763
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Lemon, Magia, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Por Anna Fugazzi
Tradução para o português: Calíope Amphora
Enjoy

Capítulo 2 - Capitulo 1 - O Elo


Fanfic / Fanfiction Bond - O Elo De Ligação - Capítulo 2 - Capitulo 1 - O Elo

Capitulo 1

...mas que diabos foi isso?

Harry retomou a consciência, finalmente focando a visão em algo. O teto. O familiar teto… da ala hospitalar.

'Droga, não de novo', foi seu primeiro pensamento.

'O que aconteceu dessa vez?', foi o segundo.

Quadribol? Não, ele não estava usando uniforme de Quadribol, e sua cabeça era a única parte do corpo que doía. Não a cicatriz, mas toda a área em torno da… na verdade, toda sua cabeça. Uma dor latejante atrás dos olhos, na nuca, no pescoço…

Ouviu um gemido fraco, percebeu que não era dele e procurou pela fonte de origem.

Malfoy.  Gemendo e parecendo que tinha acabado de voltar a si, na cama ao seu lado direito. Rodeado por um monte de adultos — Madame Pomfrey, Dumbledore, Lucius Malfoy— o que?

"Harry!", Pomfrey espiou Harry quando uma voz familiar se anunciou do lado esquerdo da cama. Harry se virou rapidamente.

"Professor Lupin?"

Lupin sorriu. "Como você se sente?"

"Como se precisasse de um chocolate", Harry disse, desorientado, e Lupin sorriu. "O que aconteceu?"

Lupin colocou a mão no bolso, retirando uma barra de chocolate que deixou na cama perto de Harry enquanto Madame Pomfrey apressava-se até ele.

"Como você está se sentindo, Potter?"

"Bem, eu acho — minha cabeça dói um pouco", Harry começou, e ela assentiu prontamente.

"Isso é esperado, você foi atingido em cheio. Sente-se", ela pediu, colocando um pequeno frasco de poção na mesa próxima a ele. "Coma o chocolate e beba o que está nesse frasco. Do que você se lembra?"

Harry sentou devagar, ainda meio confuso. Parecia ter mais pessoas ao redor — não só Dumbledore, Pomfrey, Lucius Malfoy e Lupin, mas também McGonagall e Snape — e ele não conseguia se focar na voz de ninguém. O que estava acontecendo?

"Não lembro de muito — eu, eu estava saindo da classe, acho…"

"Que maldição?" a voz de Malfoy se fez ouvir e ele sentou. Harry franziu as sobrancelhas quando um murmúrio de desconforto tomou conta dos adultos ao redor, nenhum parecendo disposto a responder. "Que maldição?", Malfoy perguntou de novo.

"Rapazes," Dumbledore disse devagar, "Eu sinto informar que vocês foram… bem, ligados".

Silêncio.

"O quê?" Malfoy disse fracamente.

"Um feitiço de ligação estava na porta em que vocês dois passaram, pronto para ser lançado na presença de emoções fortes. Quando passaram por ele, vocês estavam discutindo sobre algo, e…"

"Não. Por deus, não", Malfoy olhou para os adultos, os olhos arregalando conforme cada rosto refletia a expressão sombria de Dumbledore. "Isso — isso não é possível". Ele encarou o pai, que apertou os lábios e confirmou com a cabeça. Silêncio. "Isso… isso é… insano! Não!"

"Draco-", o pai dele começou, e Harry sentiu uma centelha de medo quando Malfoy o interrompeu e levantou da cama.

"Não! Isso não pode ser verdade!"

"Sr. Malfoy, eu sinto muito, mas nós temos certeza", Dumbledore disse.

"Merda! NÃO!"

"Espera, do que vocês estão falando?", Harry interrompeu. "Como assim?"

Malfoy encarou Harry, incrédulo. "Um feitiço de ligação, seu imbecil".

Harry olhou de Malfoy para os adultos, absolutamente perdido e um pouco desconcertado porque ninguém estava dizendo nada sobre a linguagem rude de Malfoy. Esperava que pelo menos o pai o reprimisse, mas Lucius Malfoy estava abalado, quase doente, nada como a figura autoritária, fria e controlada que sempre costumava ser.

"Mas o que… o que isso significa?"

"Você nem sabe — oh, que maravilha", Malfoy socou o criado mudo e lhe deu as costas em desgosto.

"Potter, a ligação é o casamento bruxo-" Pomfrey começou, e Malfoy interrompeu.

"É uma merda de maldição de casamento, Potter", Malfoy grunhiu. "A maldição estava na porta, nós fomos atingidos, nós estamos casados. Que parte da história é difícil demais para o seu pequeno cérebro grifinório entender?"

"Mas como pode- o casamento não é uma maldição, como pode-"

"Potter. Me deixe explicar", a professora McGonagall disse firmemente. "No mundo bruxo, um casamento não é um casamento até que um feitiço de ligação seja lançado, unindo os dois cônjuges. Normalmente isso é feito de modo voluntário, mais ou menos do mesmo jeito que os trouxas fazem votos-" Lucius Malfoy fez um som de indignação, mas não interrompeu "-mas, ao contrário dos votos dos trouxas, um elo desse tipo impõe certos comportamentos aos cônjuges. E, ao contrário do mundo trouxa, um feitiço de ligação pode ser lançado como uma maldição, sem o consentimento das duas partes. Obviamente, é ilegal lançar essa maldição, mas mesmo assim ela funciona, unindo ambos os lados".

Harry franziu as sobrancelhas, confuso. Uma maldição que forçava as pessoas a se casarem contra a própria vontade? Soava como uma piada sem graça. Ele olhou rapidamente pelo hospital, esperando ver os gêmeos Weasley gargalhando pelo sucesso de mais uma de suas brincadeiras de alucinação.

Não teve tanta sorte. "Mas isso é ridículo! Poções de amor eu entendo, mas como você pode ser forçado a casar?"

"O feitiço obriga vocês a agirem como cônjuges. Durante os primeiros meses do casamento, vocês vão precisar morar juntos, estar perto um do outro quase o tempo todo, fazer tudo o que um casal casado faz, ou sofrerão conseqüências".

"Tudo… não, espera-"

"Não, isso nem sempre quer dizer consumar a relação sexualmente", Pomfrey cortou. "As pessoas podem ser ligadas sem serem casadas — acontece com gêmeos algumas vezes, ou amigos próximos que decidem desfrutar os benefícios de um elo sem o aspecto sexual. Mas a maioria dos elos é de natureza sexual, a não ser que haja uma boa razão para que eles não sejam-"

"Tal qual odiar um ao outro?"

"Isso normalmente não é um problema", ela disse. O queixo de Harry caiu.

"Por Mordred², feche a boca, Potter, você está parecendo ainda mais idiota do que o normal", Malfoy repreendeu.

Harry o ignorou. "Mas por que alguém iria querer uma coisa dessas?"

"Existem benefícios, é claro. Poderes mágicos aumentados e esse tipo de coisa. Assim como tudo que se aplica a um casamento sem o feitiço, como companheirismo, amizade, balanço emocional".

"Mas como algo assim pode acontecer se você nem quiser nada disso para começo de conversa?"

"O feitiço de ligação ajuda esses benefícios aparecerem impondo um comportamento que os estimule. A maioria dos casamentos começa com pelo menos a concordância em casar, mas não é impossível fazer um casamento dar certo a partir de um elo forçado".

"Como?"

"Como você não tem escolha a respeito, é obrigado a fazê-lo dar certo", Snape disse secamente. "Trouxas acham que é importante começar com flores, romances e doces para criar compromisso. Os bruxos são mais espertos".

"E como é que você pode saber?", Harry disse antes que pudesse se impedir de soar desdenhoso. Mas Snape não pareceu notar.

"Embora não seja da sua conta, eu fui casado, Potter. Por sete anos muito felizes, com uma mulher que eu mal conhecia quando fomos ligados pelo feitiço".

Malfoy olhou para ele. "Isso é completamente diferente".

"Muitos casamentos bruxos começam com mais nada além disso, Draco", disse Lucius Malfoy em voz baixa e Malfoy olhou para ele também. "Você sabe que eu e sua mãe mal nos conhecíamos antes do nosso elo. Você sabia que algo assim aconteceria um dia, concordou em casar com quem nós escolhêssemos-"

"Concordei porque era para ser uma aliança que beneficiaria a família e… e eu sabia que vocês não me forçariam a casar com alguém que eu odiasse e-"

Lucius fez uma careta e balançou a cabeça. "Eu sei. Mas você não tem escolha. Fique calmo-"

"Não me peça para me acalmar, merda!", Malfoy gritou, e Lucius arregalou os olhos, ficando de pé.

"Ele está chateado, Lucius, ele precisa de tempo para–" Snape começou a dizer, mas Lucius interrompeu, encarando o filho severamente.

"Draco! Você está chateado, eu entendo, mas isso não é desculpa para-" Lucius tentou colocar uma mão no ombro de Malfoy, mas engasgou e se afastou quando Malfoy recuou e gritou de dor. "Eu… me desculpe, eu esqueci", ele abaixou a mão, sem tocar Malfoy, que o encarou apavorado. "Sente-se, por favor".

Malfoy se jogou numa cadeira, com os braços cruzados.

"Me desculpe", Lucius disse suavemente, e suas palavras e maneiras fizeram Harry se arrepiar. Ele nunca tinha visto Lucius Malfoy tratar o filho com nada além de fria reserva, e lá estava ele, a imagem do pai preocupado, parecendo querer confortar o filho, mas sem saber como. Por deus. "Draco me desculpe", Lucius repetiu.

Malfoy apoiou os cotovelos nos joelhos e se inclinou para frente, enfiando a cabeça entre as mãos. Harry olhou de um adulto para o outro, o temor crescendo ao ver suas expressões resignadas e desoladas.

"Espera — bruxos nunca acabam com esse elo?", Harry perguntou desesperadamente. "Não se divorciam?"

"As duas partes têm que concordar em dissolver o elo-", Snape começou.

"Com certeza nós dois concordamos-"

"-e apenas quem lançou o feitiço pode terminá-lo. Normalmente não é um problema porque quem lança em feitiço é o casal em questão, mas no caso de uma ligação involuntária…"

"Você quer dizer que seja lá quem fez isso vai ter que terminar? Nós não podemos acabar nós mesmos com o feitiço?"

"É fascinante quanto tempo leva para que conceitos tão simples entrem na sua cabeça, Potter", Malfoy comentou, sem levantar a cabeça das mãos.

"Podem ter certeza que nós faremos tudo o possível para achar a pessoa ou as pessoas responsáveis", disse Snape, "mas as chances de conseguirmos são muito pequenas, a não ser que alguém confesse. Esse feitiço é altamente ilegal, Sr. Potter. Ninguém vai admitir tê-lo lançado. E, quem o fez, certamente irá cobrir seus rastros".

"Mas… mas eu nem sou gay!"

Malfoy rodou os olhos e seu pai fez outro som de desgosto. "Francamente… trouxas ", ele resmungou.

"Nós entendemos que no mundo trouxa existe uma certa confusão sobre relacionamentos sexuais entre pessoas do mesmo sexo", Pomfrey começou, "mas, no mundo bruxo-"

"Eu nunca ouvi falar de um único casamento gay no mundo bruxo!"

"Você não é parte do nosso mundo há muito tempo", McGonagall disse, "e você só fica na escola, onde a maioria das pessoas não é casada. É raro, mas existe. É verdade que muitas pessoas acham um pouco irresponsável bruxos casarem com alguém do mesmo sexo, já que nossos índices de nascimento não são tão grandes quanto deveriam, mas nós não temos esse tipo de preconceito cego existente no mundo trouxa".

"'Eu nem sou gay'", Malfoy o imitou. "Francamente, que coisa mais Grifinória , focar no problema menos relevante".

"Então qual é o problema mais relevante? O fato que, se eu tiver que viver com você, posso te matar?" Harry respondeu.

"Isso não é assunto para brincadeiras, Potter", disse McGonagall com firmeza. "Parte do por que de feitiços de ligação serem tão ilegais é que eles podem resultar nos cônjuges matando um ao outro. É uma situação extremamente estressante para se ser sujeitado. Vocês dois precisarão ser monitorados de perto para nos certificarmos que essa… animosidade entre vocês não saia do controle e resulte em danos sérios".

"Essa não parece uma solução tão ruim nesse exato momento", Harry murmurou, e Malfoy rodou os olhos.

"Quão idiota você é, Potter? Porque você está mesmo atingindo novos níveis aqui-"

"Sr. Malfoy", McGonagall cortou. "Por favor, cale-se". Ela se virou para Harry.

"Enquanto o elo é recente, vocês estarão ligados às emoções e ao bem-estar do outro. Se um cônjuge morrer ou for ferido seriamente, o choque é suficiente para matar o outro. Especialmente se o outro cônjuge for a causa da morte ou dos ferimentos".

Harry sentou, sem ânimo.

Houve um longo silêncio, quebrado por McGonagall.

"Rapazes, eu acho que vai levar algum tempo para vocês aceitarem isso. Acredito que seria melhor se Madame Pomfrey explicasse um pouco do que vocês podem esperar, enquanto nós discutimos como fazer para que vocês passem por isso sem maiores problemas".

"Você quer dizer que vocês vão discutir sem a gente-" "Vocês vão decidir-" os dois garotos falaram juntos em indignação, e Lucius Malfoy os interrompeu.

"Draco, você não está em posição de tomar qualquer decisão agora. Você nem entende completamente o que um feitiço de ligação significa", ele apontou.

"Isso não quer dizer que você pode decidir tudo por mim", Malfoy disse, agitado, e as sobrancelhas de seu pai se arquearam em surpresa. Assim como as de Harry. Pelo que ele sabia, o pai de Malfoy decidia tudo para o filho, desde quais aulas ele tinha até com quais pessoas ele socializava. Malfoy tinha que estar muito surtado para pensar em se rebelar.

"Senhores, ninguém irá decidir nada por vocês", McGonagall disse. "Nós simplesmente iremos discutir algumas possibilidades até que vocês possam se juntar a nós, mais bem informados sobre a situação, e participarem da conversa". Lucius Malfoy olhou surpreso para ela, e uma parte distante do cérebro de Harry refletiu que era gratificante vê-lo tão abalado. Se o próprio Harry não estivesse totalmente abalado, teria achado a expressão no rosto de Lucius Malfoy absolutamente hilária.

"Está tudo bem, Harry", Lupin disse gentilmente. "Vá, converse com Poppy".

                                                    oooooo

Harry subiu na cama do hospital algumas horas depois, ainda em estado de semi-choque.

Depois de uma perturbante sessão de informações com Pomfrey, eles tinham voltado a se encontrar com os adultos para resolver os aspectos práticos de como viver numa proximidade constante. Harry estava feliz por Dumbledore ter pensado em chamar Remus Lupin, como a pessoa mais próxima a uma figura paterna que ele tinha no momento. O equilíbrio e bom humor de Lupin tinham sido um alívio durante o processo de acertar os planejamentos escolares e os arranjos para os garotos viverem juntos, além da estressante discussão sobre Quadribol e a sensação crescente de que aquilo não era mesmouma piada de mau gosto.

Hermione e Ron, quando finalmente aparecerem, algumas horas depois, não tinham sido tão reconfortantes, embora a culpa não fosse deles. As expressões aliviadas por vê-lo são e salvo se tornaram horrorizadas quando os dois souberam da maldição; Ron mais do que Hermione, porque ele foi criado sabendo o que era um feitiço de ligação. Sabia o suficiente, por exemplo, para impedir Hermione quando ela quis dar um abraço em Harry; a maldição fazia com o toque de qualquer outra pessoa que não o cônjuge fosse doloroso pelos primeiros meses. Mas os dois não sabiam o que dizer a Harry, e os olhares hostis e preocupados que lançavam a Malfoy — que, por sua vez, os ignorava solenemente — só fizeram Harry perceber que esse era um de seus piores pesadelos se tornando realidade. Ele odiava Malfoy tanto quanto Ron e Hermione. Mas, ao contrário deles, não podia simplesmente sair do quarto e evitá-lo.

Malfoy não tinha pedido para que nenhum de seus amigos viesse visitá-lo na enfermaria.

Felizmente, Harry não teve que encarar os olhares alheios no Grande Salão. O jantar havia sido trazido para o hospital e eles comeram tão distantes um do outro quanto conseguiram. Na verdade, tão distantes que Harry não entendia por que não podiam voltar para os dormitórios, já que não precisavam ficar tão perto fisicamente. Mas Pomfrey tinha assegurado que ficar em quartos diferentes seria muito doloroso.

E lá estavam eles. Aprontando-se para dormir, no hospital. Até então, pelo menos os dois tinham concordado em uma coisa: queriam que tudo voltasse ao normal tão rápido quanto possível. Nada de tirar uns dias de férias para acertarem as coisas ou para conhecer um ao outro melhor e nem nenhuma das sugestões que os adultos tinham feito. Os professores diretores de cada casa iriam explicar a situação para os outros alunos depois do jantar, responder a possíveis perguntas e lidar com qualquer falta de informação, e eles voltariam para as classes amanhã, mudando para um quarto próprio depois das aulas.

Harry olhou para Malfoy, que já estava na cama ao lado, encarando o teto, sem qualquer expressão no rosto. Por um comum acordo subentendido, eles não tinham conversado muito um com o outro, exceto por pequenas provocações enquanto ouviam Madame Pomfrey.

Harry deitou na cama, também olhando para o teto, e começou a pensar nas informações ditas por Pomfrey. Provavelmente cinco ou seis meses de contato forçado. Tendo que estar no mesmo quarto, a não mais do que três metros e meio de distância um do outro, sob o risco de estarem afastados causar extremo desconforto e eventual colapso se eles ignorassem a necessidade de se aproximarem. Necessidade de se tocarem de poucos em poucos minutos. Percepção sexual crescente um do outro e necessidade de contato sexual, em poucas semanas depois do feitiço ter sido lançado. Estar conectado ao humor um do outro, de modo que dores físicas ou desconfortos emocionais em um resultariam em dores e desconfortos no outro.

Perfeito. Simplesmente perfeito. Um dos maiores prazeres da vida de Malfoy parecia consistir em fazer Harry sentir dor e desconforto. Harry teria ficado feliz em pensar nisso se voltando contra Malfoy, se ele não soubesse que fazer Malfoy se sentir mal iria prejudicá-lo também.

E ele nem queria pensar sobre essa questão do "contato".

Certo. Amanhã era quarta-feira. Aula dupla de Poções, logo no começo da manhã, com a mesma mistura de casas de sempre. Então, ao invés de Estudos dos Trouxas, ele teria Transfiguração com os Sonserinos e os Corvinais. Almoço, e depois aula de Feitiços com os Grifinórios, levando Malfoy junto. Em seguida, a aula de Aritmancia de Malfoy. Pelo menos Hermione também estaria nessa classe, ela poderia fazer-lhe companhia e ajudá-lo a entender a matéria. Na última aula, ele estaria sentado na classe de Runas Antigas com Malfoy, mas trabalhando em Astronomia, já que eles não tinham conseguido conciliar essas duas classes e decidiram tentar ir revezando entre elas. Eram matérias fáceis mesmo.

Por deus, como o mundo tinha mudado tão drasticamente em tão pouco tempo.

Harry suspirou. Ele queria estar no dormitório, ouvindo as conversas de Ron, Neville, Dean e Seamus. O que será que seus colegas de quarto estariam fazendo naquele momento. Conversando sobre ele? Chateados porque, de uma hora para outra, Harry tinha saído do dormitório e do time de Quadribol? Falando sobre como seria ter o idiota do Draco Malfoy por perto toda vez que quisessem ver Harry? Tentando adivinhar o que ele estava fazendo? Será que sentiam saudades?

Ele com certeza sentia saudades. Saudades da casa. Saudades de tudo.

Harry se virou, com as costas para Malfoy, e tentou se obrigar a dormir.

                                                  oooooo

Dia 2, Quarta

Draco abriu os olhos, momentaneamente desorientado. Onde- oh.

Oh, não. Fechou os olhos com força, querendo voltar a dormir, esperando em desespero que pudesse tornar real qualquer que fosse o sonho daquela noite, e a realidade daquela manhã em apenas um pesadelo.

Abriu os olhos de novo. Não. Não tinha tido essa sorte.

Olhou para a outra cama. Potter ainda estava adormecido, o rosto em paz e relaxado, e Draco foi acometido por uma vontade quase incontrolável de socá-lo. Forte. Por ousar parecer tão tranqüilo quando eles estavam lá, no hospital, encarando o primeiro dia dos restos de suas vidas juntos.

Draco virou as costas para Potter, querendo se convencer que estava no hospital apenas por uma lesão durante um jogo de Quadribol. Mas preferiu não pensar nisso, porque teria que se lembrar de Quadribol, e aquilo era doloroso demais àquela hora da manhã. Infelizmente, quase todos os outros pensamentos que lhe viram à mente também eram muito dolorosos para se lidar naquele horário.

E era estranho, ele pensou, como sua mente não se decidia entre afastar com toda a força as informações que Pomfrey dissera na noite anterior ou repassá-las em todos os detalhes. Especialmente a parte sobre a eventual necessidade de um tocar o outro — e a boca de Draco se contorceu em desgosto, pois ele não sentia nenhum desejo de tocar Potter naquele momento de qualquer outra forma que não envolvesse violência. Mas parecia que eles iriam se sentir forçado a se tocarem, primeiro causalmente, então para conforto e, eventualmente, de modo sexual. Draco fez uma careta quando pensou nisso. Não era uma boa imagem mental. Não que a idéia de tocar outro garoto fosse tão repugnante, mas Harry Potter, de todas as pessoas. Que revoltante. Apenas um pouco melhor do que tocar um sangue-ruim.

Draco suspirou e fechou os olhos de novo. Poderia ser pior, ele tentou dizer a si mesmo. Ele poderia ter passado por aquela porta discutindo com Hermione Granger.

Na verdade, não. Não dava para pensar que aquilo não era tão ruim. Granger teria sido terrível, uma vergonha para a família puro-sangue Malfoy, mas, no final das contas, ela era apenas uma sangue-ruim. Desde Draco não tivesse filhos com ela (e ele com certeza se certificaria disso), teria sido tolerável. Ela não era a inimiga do Lorde da família.

Draco não conseguia imaginar como sua família sobreviveria a essa desgraça. O Lorde das Trevas certamente não acreditaria que a lealdade de Lucius continuasse inabalável. Talvez, em alguns anos, quando o feitiço já estivesse um pouco desgastado, e, o elo, mais fraco, seria possível para Draco sobreviver com poucos efeitos colaterais quando Voldemort acabasse com Potter. Mas… o confronto deveria acontecer logo. E Voldemort com certeza não iria confiar totalmente em um homem que sabia que seu único filho poderia morrer se Potter fosse assassinado ou ferido.

Ótimo para a posição de seu pai como braço direito de Voldemort.

Por deus, isso era terrível.

"Olá, senhores, hora de levantar", Madame Pomfrey entrou no quarto e Potter acordou. Draco assistiu seu rosto passar pela mesma desorientação que ele havia sentido, seguida pela percepção odiosa de onde ele estava e do que aquilo significava. Potter olhou para ele e os dois se encararam com o mesmo olhar vazio de desgosto. Draco desviou o rosto.

"Agora, eu vou ter que examinar vocês dois-", Pomfrey acenou com a varinha para Draco e ele hesitou um pouco. "Só uma checagem rápida, sr. Malfoy… parece estar tudo bem com você…" Ela se virou para Potter e repetiu o movimento, "Com você também… como vocês dormiram?"

"Er, bem", murmurou Potter. Ela olhou para Draco, e ele concordou com a cabeça.

"Separados?"

"Sim!", os dois responderam em tons idênticos de vergonha e irritação.

Pomfrey fixou o olhar em ambos. "Eu tenho que perguntar. Estou monitorando o estado do elo de vocês. Nos próximos meses, irei fazer muitas perguntas que vocês vão achar invasivas e provavelmente embaraçosas, é melhor se acostumarem". Ela bateu palmas e dois elfos domésticos apareceram com bandejas de café da manhã, e outros dois com pilhas de roupas e livros. "Aqui estão seus livros e suas roupas. O chuveiro é ali", ela apontou, "e vocês têm 45 minutos até as aulas começarem. Alguma pergunta?"

Draco e Potter a encararam.

"Certo, então. Apressem-se, senhores", e ela saiu.

                                                         ooooooo


Notas Finais


Espero que tenham amado <3 qualquer erro por favor me avisem fiz a revisão mais não sou tão atenta quanto eu gostaria kkkkk
Kisses for you


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