História Boneca de Luxo — Nas Mãos do Destino - Capítulo 14


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Categorias Naruto
Personagens Asuma Sarutobi, Boruto Uzumaki, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hanabi Hyuuga, Himawari Uzumaki, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Ino Yamanaka, Jiraiya, Kakashi Hatake, Killer Bee, Konohamaru, Kurenai Yuuhi, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Personagens Originais, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shion, Temari, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags Drama Intenso, Fnh, Fns, Máfia, Naruhina, Naruhina4ever, Romance, Trafico Humano, Traumas Psicológicos
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Palavras 4.799
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Harem, Hentai, Policial, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa noite, queridos...

Voltei.
Bom... Esse capítulo, como eu avisei anteriormente, foi o que mais sofreu alterações. Eu precisava muito mudar algo que me incomodava em BDL e o fiz.
A disposição do capítulo muda aqui, ok? Ao invés de começarmos com a Hina, iniciamos com o Naruto. É proposital.

Eu espero muito que vocês gostem e aprovem. E também espero que se surpreendam.

Beijos e ótima leitura.

Capítulo 14 - Livro I Capítulo XIII


Fanfic / Fanfiction Boneca de Luxo — Nas Mãos do Destino - Capítulo 14 - Livro I Capítulo XIII

Boneca de Luxo
 

Capítulo 13 —



 

(Naruto Uzumaki Namikaze)

Naquela noite, voltei para casa pensativo. Depois do que aconteceu com Hinata, tanto em minha casa, como na festa, percebi que precisava tomar uma decisão urgente em relação a Sara e a Shion que, naquele momento, eram meus maiores problemas. As outras meninas não causavam-me nenhum transtorno ou dificuldade.

Assim que chegamos, estacionei meu carro e vi quando Sakura passou por nós em direção a casa das bonecas no seu Trucker vermelho. Quando Hinata ia descendo do carro, segurei em seu braço chamado a sua atenção para mim.

— Hinata, eu quero que você suba para o quarto e me espere lá que eu já volto — falei sério.

Evitei olhar nos olhos dela, pois aqueles olhos pareciam sondar a minha alma e, naquele momento, a única coisa que Hinata veria em mim seriam apenas densas trevas.

E como eu previa, Hinata intercedeu em favor de Sara. Pude ver a sua aflição naquele pedido. Todavia, o problema não era o vestido que a Sara estragou. O problema era o comportamento podre e detestável da mesma. E, para mim, aquilo sim era imperdoável.

Hinata saiu do carro correndo e eu sabia que ela estava chorando. E lá estava eu falhando com a minha promessa de não permitir que ela chorasse nunca mais.

— MAS QUE INFERNO! — praguejei estressado.

Soquei o volante nervoso ao ver Hinata chorando. Saí do carro e caminhei em direção a casa das bonecas com o cinto nas mãos. Estava à beira do descontrole.

Quando cheguei na casa das meninas, elas já estavam na sala me esperando. Olhei uma por uma e não encontrei a Sara.

— Temari, vá buscar a Sara para mim e diga a ela que venha com a roupa que estava usando quando eu saí — ordenei expressamente.

Temari assentiu e subiu as escada indo em direção ao segundo andar, onde ficavam os quartos de algumas meninas.

Eu devia estar assustador porque nem a Ino ousou olhar para mim naquele momento. Todas mantinham-se de cabeça baixa.


 

Assim que a Temari desceu a escada com a ruiva atrás de si, olhei-a impassivo. Minha vontade, naquele momento, beirava à loucura. Eu permanecia com o cinto dobrado em minhas mãos.

Temari passou por mim deixando a ruiva em minha frente. Ela estava com o mesmo vestido e aquilo deixou-me ainda mais furioso.

— Sabe por que eu chamei todas vocês aqui? — perguntei retoricamente.

Nenhuma delas ousou responder. Eu não queria respostas.

— Pois eu vou dizer o motivo para vocês: Sa-ra — falei pausadamente. — Hoje ela passou dos limites e eu sinceramente estou cansado de gracinhas na minha casa — conclui sério e taxativo.

Todas continuaram de cabeça baixa apenas ouvindo o que eu falava.

— Ino, diga uma coisa para mim: esse vestido que a Sara está usando, sabe onde ela comprou e como comprou? — questionei sério olhando para a loira.

Ino engoliu em seco e, suspirando profundamente, se pronunciou:

— Esse vestido é da minha loja. Fui eu quem o desenhou. Sara esteve lá hoje a tarde e o comprou dizendo para a Mary que ia a festa da Solaris. Ela mostrou como era o vestido que queria, numa foto no celular. Depois mandou a Mary enviar a conta para você — respondeu tranquilamente.

Aquilo apenas confirmou o que eu já sabia.

— Ah… Quer dizer então que além de ter ido comprar na sua loja, ainda mandou a Mary enviar a conta para mim? Interessante isso! — falei com ironia.

Depois, olhei de novo para a Sara e pronunciei-me decidido:

— Pois estão vendo esse vestido? Ele é o mesmo vestido que eu comprei para a Hinata ir a festa comigo. E o engraçado é que aconteceu algo inusitado com o vestido dela, sabe? Do nada ele apareceu totalmente destruído dentro da capa no closet do nosso quarto. O que significa que “alguém” — fiz aspas com as mãos — teve a ousadia de invadir o nosso quarto para fazer tal coisa — expliquei detalhadamente.

Algumas delas olharam para a Sara boquiabertas. No entanto, outras já imaginavam o que a ruiva havia feito.

— Por que você fez isso, Sara? Por que você estragou o vestido da Hinata? — perguntei seriamente.

A ruiva abaixou a cabeça e começou a chorar descaradamente. Minha paciência já havia se esgotado há tempos.

— EU ESTOU TE FAZENDO UMA PERGUNTA — esbravejei pausadamente.

Sara apertou as mãos em punho com força. Foi até difícil ela conseguir falar. Mentirosa.

— Porque eu não queria que a Hinata fosse a festa com você. Eu te amo — respondeu chorando.

Ouvir aquilo embrulhou-me o estômago.

— Goste ou não, Sara, eu vou aonde eu quiser e com quem eu quiser. Ninguém tem nada haver com a minha vida e eu não devo satisfações a ninguém — respondi impassível.

Sara levantou a cabeça e olhou-me afrontosa.

“Essa ruiva quer morrer, só pode” pensei furioso.

— Desde que você comprou essa boneca — pronunciou com nojo — você nunca mais procurou nenhuma de nós. Eu não sei o que ela tem, mas você não nos trata igual. — Sua expressão era de ódio.

Eu olhei para a ruiva indiferente. Desde que Hinata chegou em minha casa, minha vida mudou drasticamente.

— Posso não tê-las procurado mais, mas, quanto a tratá-las diferente, isso jamais aconteceu. Todas são iguais para mim — respondi com convicção.

— Trata sim, Naruto… Só que você não percebi isso. Você nem se importa com o que sentimos, não está nem aí para o que eu sinto — disse alterada.

Eu já sabia onde ela queria chegar, entretanto, chantagem emocional não funcionava comigo. E quer saber? Realmente eu não estava nem aí para o que ela sentia. Nunca havia lhe dado esperanças de nada.

— Quantas vezes eu preciso falar que eu não te amo, Sara? Eu nunca te prometi nada. Isso nem a você nem a ninguém — vociferei resoluto.

— Então, se é verdade isso que você disse, por que a Hinata ainda está dentro da sua casa, hã? Por que você a trata diferente do restante de nós? Até onde sabemos ela é tão puta como qualquer uma de nós já fomos. Responda-me, Naruto… O que ela tem que eu não tenho? — inquiriu irritada.

Nem precisei pensar para respondê-la.

— Hinata tem a bondade que você não tem. Ela tem a doçura que você não tem, a delicadeza que você não tem, a gentileza que você não tem. Ela tem tantas outras qualidades das quais eu nunca consegui enxergar em você. E sabe de uma coisa, Sara? Hinata é tão altruísta, tão abnegada que pediu-me quase chorando para eu não castigá-la. E se fosse o contrário, como já aconteceu, você estaria aqui aplaudindo e dando gargalhadas do sofrimento alheio. E quer saber a verdade, Sara? Eu nunca, nunca irei tirar Hinata de dentro da minha casa porque eu a quero e não é só por uma noite. Eu a quero todos os dias da minha vida. E eu já tomei a minha decisão: Hinata é a mulher que eu quero ao meu lado para sempre. Eu estou perdidamente apaixonado por Hinata e, no que depender de mim, ela será a senhora Namikaze — confessei com convicção.

Naquele momento, todas me olharam. Umas admiradas, outras entusiasmadas e outras espantadas. Mas a ruiva olhava-me com ódio nos olhos.

— POIS VOCÊ É UM HIPÓCRITA, NARUTO. DIZ QUE NOS AMA PARA DEPOIS NOS DESCARTAR. VOCÊ É IGUAL AOS HOMENS QUE TANTO DETESTA — cuspiu venenosa.

Aquela ruiva desgraçada extrapolou todos os limites do pouco de paciência que eu tinha desde o começo daquela conversa.

— EU POSSO SER UM HIPÓCRITA COMO VOCÊ DISSE, SARA… MAS EU NÃO SOU MENTIROSO, NÃO SOU FALSO COMO VOCÊ, MUITO MENOS SOU COMO AQUELES MISERÁVEIS ASSASSINOS — gritei enfurecido.

Caminhei decidido em direção a Sara e quando ia segurá-la pelo braço e arrastá-la junto comigo para o sótão, uma voz que eu não esperava ouvir naquele momento impediu-me.

— NARUTO!

Meu mundo desabou. Hinata estava ali vendo tudo. Virei meu rosto para olhá-la e sua expressão era de choque. Meu coração quebrou-se naquele momento. Ela estava conhecendo o meu demônio interior.

Sara até tentou se livrar do meu aperto, mas Temari foi mais rápida que ela.

Quando voltei meus olhos para a porta, Hinata saía correndo de volta para a casa. O cinto caiu da minha mão e eu fiquei estático. Só consegui despertar do choque ao ouvir Temari falando comigo.

— Naruto, deixe a Sara comigo. Prometo fazê-la arrepender-se do que fez — falou olhando-me condescendente.

Sakura veio até mim ao perceber que eu não conseguia ter nenhuma reação.

— Vá para casa, Naruto — falou segurando o meu rosto.

Eu estava em choque. Minha mente acusava-me de tantas coisas. Eu tinha acabado de confessar que estava apaixonado e pelo visto, Hinata ouviu tudo. Como eu olharia para ela depois de tudo? Enquanto estava paralisado, Sara aproveitou-se do momento para desferir o golpe final.

— Você é um monstro, Naruto. E, depois de hoje, a sua querida boneca de luxo terá nojo de você, nojo — falou soltando uma gargalhada.

O som de um tapa ressou pelo ar. Sakura havia batido na ruiva.

Ino pegou-me pelo braço, levando-me para fora da casa.

— Naruto, olhe para mim… Você não é nenhum monstro, está me ouvindo? Agora vá para casa e converse com a Hina — disse segurando em meu rosto.

Olhei para Ino e pude ver sinceridade em seus olhos. Entretanto, o medo que eu sentia de perder Hinata era devastador dentro de mim. Naquele momento, eu não tinha coragem de voltar para casa.


 

(Temari no Sabaku)

Sinceramente, eu, Temari no Sabaku, tive um desejo assassino de matar aquela ruiva. Em todos aqueles anos morando naquela casa e convivendo com Naruto, eu nunca tinha o visto naquele estado. Nem a Shion, em seus piores dias, conseguiu fazer com o Naruto o que aquela desgraçada havia feito. Arrastei-a pelos cabelos com tanto ódio para o segundo andar que nem importei-me com mais nada.

Cheguei de frente para o sótão, girei a chave e abri a porta, jogando-a para dentro do quarto de qualquer jeito. Olhei para ela sem pena alguma.

— Espero que depois de hoje você mude, pois com certeza não haverá uma próxima vez — disse desferindo um tapa em seu rosto.

Bati tanto na ruiva que deixei-a mole. Entretanto, mesmo depois da surra que levou de mim, a desgraçada ainda ria.

— Eu vou acabar com você. Vou acabar com todas vocês. Principalmente com aquela coisa” — ameaçou desvairada.

Naquele momento eu tive certeza: Sara tinha mesmo matado sua mãe e o seu padrasto. E aquela ameaça não havia sido da boca para fora.

— Antes disso acontecer eu te mato — afirmei séria e saí do sótão trancando a porta.

Iria esperar as coisas se acalmarem para conversar com o Naruto. Ele precisava se livrar daquela louca antes que uma tragédia acontecesse.


 

(Sara Rouran)

Aquele foi o pior dia da minha vida. Nem quando minha mãe tocou-me de casa, após descobrir o meu caso com meu padrasto, doeu-me tanto.

Primeiro porque eu não amava o meu padrasto. Só fiz aquilo para me vingar e consegui o que eu queria. Segundo: minha mãe merecia por ser a culpada pela morte do meu pai. Por culpa dela meu pai se matou. Mas o Naruto não, eu o amava, o amava e muito. E só fiz aquilo porque ele era tudo para mim.

Estava jogada no chão daquele sótão toda machucada, mas nada se comparava ao ódio que eu sentia daquela vagabunda maldita.

Porém, mesmo chorando e magoada, minha mente não parava de pensar num plano para destruí-la. Eu me vingaria.

— Eu vou te matar, coisa dos infernos. Vou matar todas vocês — proferi com ódio.

Era apenas questão de tempo, pois assim que eu saísse daquele quarto, daria um jeito de acabar com ela e com todas aquelas piranhas. E seria da pior maneira possível.

Rastejei com dificuldade até a cama e segurei-me na beirada para levantar-me.

Deitei-me de barriga para baixo e desabei.

De uma coisa eu tinha certeza: aquela desgraçada pagaria muito caro por ter cruzado o meu caminho.


 

(Naruto Uzumaki Namikaze)

Depois do que havia acabado de acontecer, eu me sentia um lixo. Hinata deveria estar odiando-me naquele momento. Eu era um monstro e, com certeza, ela nunca me amaria.

“Você é um monstro.”

Aquela palavras não saíam da minha cabeça. Sentia tanto ódio de mim mesmo, tanta raiva…

Como eu ia encarar Hinata depois de tudo?

Nem sei como entrei em casa. Acredito que o medo de perdê-la era tanto que foi ele que levou-me até lá.

Quando cheguei na porta do quarto, não tive coragem de entrar. Hinata deveria estar pensando horrores de mim.

Encostei-me na parede e deixei meu corpo escorregar, caindo sentado no chão.

Tudo o que eu queria era paz, mas eu sentia-me culpado. Eu era um lixo. Um lixo que nem para morrer com os pais prestava.

Ri sem vontade. Eu queria dar continuidade ao sonho dos meus pais, mas tudo o que eu fazia era envergonhá-los. Se eles estivessem vivos, talvez dissessem o mesmo que a Sara me disse. Eu era um monstro e quando a vovó Tsunade soubesse o que eu havia feito, faria-me retornar ao tratamento.

De repente a porta do quarto se abriu e Hinata olhou-me aflita.

— Naruto? — chamou-me preocupada.

Hinata abaixou-se na minha frente e procurou uma resposta olhando-me profundamente.

O que eu diria a ela? Eu havia acabado de agir como um desalmado.

— Você deve estar me achando o pior dos homens. Cruel e insensível, não é mesmo?  — falei amargurado.

Era assim que eu me sentia.

— Naruto, não é verdade — falou olhando-me nos olhos. — Eu não te acho um homem cruel e insensível.

Eu mal tinha coragem de encará-la.

— Só que eu não posso aceitar a forma como você age às vezes. Não é certo um homem bater em uma mulher. Mesmo que seja por algo que pareça justo — declarou sincera.

Eu não queria que Hinata pensasse mal de mim. Eu não poderia perdê-la. Meu coração palpitava dolorido com aquela possibilidade.

— Eu não sou um monstro, Hinata. Não faço isso por prazer, eu apenas quero fazer por elas o que ninguém fez por mim — disse consternado.

— Você não é um monstro. Acredite — falou séria.

Hinata era um anjo e eu um demônio. Eu não a merecia. Mas o que eu nunca imaginei aconteceu. Ela não me julgou como eu temia que fizesse. Pelo contrário, Hinata me aconselhou.

— Naruto, não faça mais isso. Nenhuma mulher merece ser tratada assim, por mais que ela mereça — declarou séria.

Olhei para ela cheio de dor e abri meu coração.

— Eu não quero fazer isso, mas não sei se consigo. Quando vejo, ou ficando sabendo das coisas que algumas delas fazem é mais forte do que eu. Eu quero que elas mudem — respondi com sinceridade.

Eu queria que aquelas mulheres mudassem e tivessem orgulho de si mesmas. Não queria que elas continuassem a ser o que um dia foram.

— Naruto, olha para mim... — pediu e eu o fiz. — Uma pessoa só muda se quiser e não porque foi forçada a isso. A mudança verdadeira acontece quando a pessoa reconhece que está errada e isso depende unicamente dela — disse com doçura.

Olhando para Hinata, pude entender claramente os meus sentimentos. Eu a amava e não queria perdê-la.

— Hinata, me perdoe. Você foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida e eu não quero te perder — pedi desesperado e prossegui: — Olha, eu prometo a você que a partir de hoje eu não encosto mais um dedo em nenhuma delas — prometi sincero.

— Isso já é um passo, Naruto — falou suavemente.

Só que eu não poderia aceitar que a Sara ou a Shion continuassem fazendo o que quisessem e aprontando impunemente.

— Mas eu não posso fechar os olhos para as coisas terríveis que que algumas delas fazem — disse apreensivo.

— Não precisa fechar os olhos, apenas as trate com dignidade. Naruto, elas já sofreram muito e, querendo ou não, elas veem em você uma espécie de salvador. Por favor, não repita isso novamente — falou decidida.

E foi ouvindo aquelas verdades que eu percebi o quanto eu estava errado. Eu salvei cada uma daquelas mulheres porque queria que elas fossem livres. Entretanto, eu agia da mesma forma que aqueles desgraçados que eu tanto odiava agiam. Mas ao mesmo tempo, o medo de que algo acontecesse a elas era muito maior do que eu poderia suportar.

Eu precisava mudar e sabia disso.

— Você está certa, Hinata, eu prometo que irei mudar — afirmei seguro e continuei: — Por favor… Só não me odeie — implorei aflito.
Hinata deu um suspiro profundo e sorriu-me docemente.

— Eu não te odeio, Naruto. Eu seria incapaz de odiá-lo — falou mansamente.

Hinata passou a mão em meu rosto e olhou-me com ternura.

— Você é muito mais humano e sensível do que consegue se enxergar — disse com doçura.

Ela era mesmo incrível. Somente uma mulher tão doce e pura quanto Hinata enxergaria beleza na escuridão.

— Hum-hum. — Neguei com a cabeça. — Eu tenho certeza que são esses seus olhos perolados que teimam em ver beleza onde não existe — falei com sinceridade.

Hinata deveria ser um anjo, pois somente um anjo veria algo de bom em mim.


 

Estávamos tão próximos que podíamos sentir a respiração um do outro.

E foi naquele momento que tudo aconteceu. Hinata fechou os olhos e mordeu os lábios diante de mim. Eu quase infartei quando percebi que eu teria o meu beijo consentido, pois meu coração disparou de uma forma que nem eu sabia ser possível.

Passei a mão de leve em seu rosto e olhei cada detalhe de sua face. Hinata era linda, tão linda!

Aproximei minha boca da dela e pude sentir seu hálito gostoso batendo em meu rosto.

— Minha Boneca… A mais linda que eu já vi e a única que eu amei. Eu te amo, Hinata. Eu te amo e te quero como nunca quis ninguém — sussurrei fechando os olhos.

E com o coração disparado meus lábios tocaram os de Hinata, moldando-se a eles perfeitamente.

A boca de Hinata tinha gosto de desejo e sabor de paixão. Eu me senti o homem mais feliz do mundo com aquele beijo.

Introduzi minha língua em sua boca e Hinata imitou o meu movimento, entregando-se a mim. Aquele sim foi o melhor beijo que eu ganhei na minha vida porque era um beijo apaixonado e eu podia sentir isso em Hinata.

Tentei ser o mais gentil possível, mas aquela mulher mexia com os meus sentimentos.

Quando fui perceber, tive que parar o beijo imediatamente. Entretanto, não afastei Hinata de mim.

— Eu amo você, Hinata. Amo desde a primeira vez que eu te vi e é você quem eu quero para sempre — disse com convicção.

Encostei minha testa na dela e fiquei ali com ela em silêncio.


 

E de todas as mulheres que eu poderia amar, fui me apaixonar justo pela minha Boneca de Luxo. Foi preciso ser confrontado por ela para que eu entendesse os meus sentimentos.

 

Só faltava uma coisa nisso tudo: Liberar minhas bonecas para viverem suas vidas e isso era o mais difícil até então.



 

(Hinata Hyuuga)

Naruto voltou para casa em silêncio. Parecia que seus pensamentos estavam longe e eu não ousei interrompê-lo, ou perguntar alguma coisa à ele.

Quando chegamos em casa, Naruto estacionou o carro e logo atrás dele, o carro das meninas entrou, estacionando próximo a casa delas. Sakura quem estava dirigindo e, ao sair do carro, olhou para mim sorrindo triste. Elas ainda eram bonecas do Naruto e, se ele mandasse, elas tinham que obedecer.

Aquilo doeu muito, pois eu não imaginava o quanto deveria ser difícil para elas viverem aquela situação.

Antes que eu descesse do carro, Naruto segurou em meu braço, chamando a minha atenção para si.

— Hinata, eu quero que você suba para o quarto e me espere lá que eu já volto — falou sério.

Senti um aperto no coração e, no mesmo instante, lembrei-me da Sara. Ele disse que quando chegasse teria uma conversa com ela. Todavia, eu temia que aquela não fosse apenas uma conversa. Naruto estava sério demais e frio demais para quem apenas iria conversar.

— Naruto, por favor… Não castigue a Sara. Eu não me importo com vestidos, roupas caras, com dinheiro… Com nada desse tipo — pedi angustiada.

— A questão não é se importar, Hinata, pois eu também pouco me importo com essas coisas. A questão é que eu não admito esse tipo de comportamento em minha casa e o que a Sara fez, merece uma punição. Então, por favor… Apenas faça o que eu estou te pedindo — respondeu sem olhar para mim.

A resposta de Naruto doeu mais em mim do que eu poderia imaginar. Eu estava diante de um carrasco e, pelo tom frio e sem vida com que ele me respondeu, de nada adiantaria argumentar com ele naquele momento.

Saí do carro com meu coração sangrando. Eu não queria que aquela mulher fosse punida. Não era certo. Homens não batem em mulheres e eu estava totalmente abismada com aquilo.

Nem sequer olhei para trás. Entrei em casa e subi as escadas chorando, imaginando como as meninas deveriam estar se sentindo.

Ao chegar no quarto, caí na cama e simplesmente chorei. Chorei porque eu seria uma psicóloga inútil, pois não consegui fazer nada para demovê-lo daquela ideia absurda. E foi naquele momento de dor que a mais louca ideia passou-me pela cabeça. Tomei coragem e, do jeito que estava, fui correndo até a casa das meninas. Se o Naruto queria punir alguém, então que punisse a mim. Eu não permitiria que ele encostasse um dedo na Sara.

 

Caminhei até a casa das meninas decidida. Quando ia chegando perto da porta, ouvi a voz do Naruto e ele parecia muito nervoso.
 

“— Quantas vezes eu preciso falar que eu não te amo, Sara? Eu nunca te prometi nada. Isso nem a você nem a ninguém.

— Então, se é verdade isso que você disse, por que a Hinata ainda está dentro da sua casa, hã? Por que você a trata diferente do restante de nós? Até onde sabemos ela é tão puta como qualquer uma de nós já fomos. Responda-me, Naruto… O que ela tem que eu não tenho?”

 

Eu estava do lado de fora ouvindo a discussão entre eles e paralisei ao ouvir a pergunta que a Sara havia feito. Eu também queria saber o que o Naruto viu em mim. 


“— Hinata tem a bondade que você não tem. Ela tem a doçura que você não tem, a delicadeza que você não tem, a gentileza que você não tem. Ela tem tantas outras qualidades das quais eu nunca consegui enxergar em você. E sabe de uma coisa, Sara? Hinata é tão altruísta, tão abnegada que pediu-me quase chorando para eu não castigá-la. E se fosse o contrário, como já aconteceu, você estaria aqui aplaudindo e dando gargalhadas do sofrimento alheio…”

 

Naquele momento, meu coração disparou de tal forma que eu nunca pensei que fosse possível. Naruto estava me observando assim como eu também o observava e analisava.

 

“— ... E quer saber a verdade, Sara? Eu nunca, nunca irei tirar Hinata de dentro da minha casa porque eu a quero e não é só por uma noite. Eu a quero todos os dias da minha vida. E eu já tomei a minha decisão: Hinata é a mulher que eu quero ao meu lado para sempre. Eu estou perdidamente apaixonado por Hinata e, no que depender de mim, ela será a senhora Namikaze.”

 

 Eu abri a boca surpresa. Meu coração alçaria voo se continuasse batendo tão rápido daquele jeito.

 Era tudo verdade. Tudo o que as meninas disseram.

— Ele está apaixonado por mim! — disse a mim mesma espantada.

Eu não sabia se ria ou se chorava. Ninguém nunca havia dito estar apaixonado por mim e, naquele instante, eu ouvia aquela declaração, inesperadamente.

No entanto, segundos depois, o que era apenas uma discussão acalorada, tornou-se no que eu mais temia. Sara gritou com o Naruto e eu temi pelo pior. Sem pensar duas vezes abri a porta com tudo e deparei-me com a cena que eu tanto queria impedir. Naruto ia para cima de Sara furioso.

— NARUTO! — gritei espantada.

Meu coração estava a mil por hora e ao me ver, ele parou no mesmo instante. Ao olhar para mim eu vi o quanto ele estava com raiva. Mas assim que os nossos olhos se encontraram, eu vi muito mais que raiva naquele momento. Eu via dor e sofrimento. Naruto gritava por socorro e ninguém ainda havia percebido.

Saí dali correndo e voltei para casa. Tanto para se pensar… Ele estava apaixonado por mim e eu também estava por ele. Contudo, eu não poderia aceitar aquele comportamento. Não seria justo nem comigo nem com ele e muito menos com as meninas. Naruto precisava mudar. Era hora de confrontá-lo.

 

O tempo passou e eu nem me dei conta de que o Naruto ainda não havia voltado. Levantei-me e decidida fui procurá-lo. Estava preocupada com ele, mas ao abrir a porta do quarto, assustei-me ao vê-lo sentado no chão. Ele estava arrasado. Definitivamente Naruto não estava bem.

— Naruto? — chamei-o preocupada.

Abaixei-me na frente dele e olhei-o nos olhos esperando uma resposta.

— Você deve estar me achando o pior dos homens. Cruel e insensível, não é mesmo? — perguntou com amargura.

Eu não podia mentir para ele. Naruto precisava ser confrontado e, para mim, o que ele havia feito não era certo. Fui bastante cuidadosa em minha resposta.

— Naruto, não é verdade — disse olhando em seus olhos. — Eu não te acho um homem cruel e insensível. Só que eu não posso aceitar a forma como você age às vezes. Não é certo um homem bater em uma mulher. Mesmo que seja por algo que pareça justo — falei com sinceridade.

Ele abaixou a cabeça envergonhado. Aquilo realmente o feriu e muito.

— Eu não sou um monstro, Hinata. Não faço isso por prazer, eu apenas quero fazer por elas o que ninguém fez por mim — disse ressentido.

Aquele já era um passo. Ele precisava reconhecer os seus erros.

— Você não é um monstro. Acredite — falei com carinho.

Naruto tinha tantas feridas na alma…

Falei tudo o que ele precisava ouvir. Aconselhei, escutei e deixei que ele abrisse o coração.

Sabe o que eu encontrei? Um menino carente de amor e carinho. Por trás daquele homem ora doce, ora arrogante, havia um menino sofrido e cheio de traumas. Traumas esses que eram como rachaduras em sua alma. Mas ainda assim eu me apaixonei por ele. Naruto não era o monstro que se pintava.

— Você é muito mais humano e sensível do que consegue se enxergar — disse sorrindo.

E ele era. Naruto havia feito tanto pelos outros, mas deixou que os sentimentos amargos o cegassem em relação ao seu verdadeiro eu. Sara o tocou onde mais lhe feria.

— Hum-hum. — negou olhando-me nos olhos. — Eu tenho certeza que são esses seus olhos perolados que teimam em ver beleza onde não existe — respondeu seriamente.

Uma vez meu pai me disse que o verdadeiro amor lança fora todo o medo. Que ele tem o poder de curar todas as feridas. Bem… Eu não saberia se aquilo era verdade enquanto eu mesma não experimentasse.

Nossos rostos estavam a centímetros de distância e eu lembrei-me de tudo que ouvi. Naruto estava apaixonado por mim, assim como eu também me apaixonei por ele. Não havia nada que pudesse nos impedir naquele momento. Fechei meus olhos e senti quando Naruto colocou a mão levemente em meu rosto. Eu estava disposta a amá-lo.

— Minha Boneca, a mais linda que eu já vi e a única que eu amei. Eu amo você, Hinata, e te quero como nunca quis ninguém — sussurrou a centímetros de mim.

 

E foi naquele momento que eu ganhei o primeiro beijo da minha vida e ganhei do homem por quem eu me apaixonei. E era como se eu flutuasse. Meu coração respondia ao toque carinhoso dos lábios de Naruto nos meus.

 

Eu agora pertencia ao meu dono e como recompensa por ele ter me resgatado, a partir daquele dia, o meu coração seria somente dele. Nenhum outro homem teria o meu amor porque ele seria somente do senhor Namikaze.


Notas Finais


Genteeeeee!!!! Como ficou? Estou ansiosa demais com esse capítulo.
Espero de coração que tenham gostado e fico no aguardo da opinião de vocês.

Quero avisar que Possessivamente Dominador está sendo revisada e ficaria muito feliz se pudessem dar uma olhada, ok?

Quarta-feira eu posto o próximo capítulo. É feriado e vai dar para eu aproveitar.

Abraços
Dani


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