História Bons Amantes - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Haikyuu!!
Personagens Shouyou Hinata
Tags Hinata No Brasil, Mariria, Pedoro, Pehina (ou Nn)
Visualizações 24
Palavras 3.488
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, LGBT, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Isso aqui deveria ser uma comédia gnt, eu não sei como se transformou nisso mas eh isto
Pedoro que ignora o Hinatinha aqui não, eh isto. Pedoro que o fandom inventou e que está na quinta série siiiim
Inspirado em alguns tweets pq sim

Capítulo 1 - Hinata é uma paráfrase


O português de Shouyou era horrível, mas horrível a ponto de ser sofrível e as vezes inteligível. Ele não sabia nem mesmo conjugar um verbo na segunda pessoa do plural do pretérito perfeito no indicativo —  não que Pedro soubesse, essa regras o faziam ficar confuso e ele nem mesmo entendia o porquê de “tu” e “vós” ainda serem pronomes estudados, mas isso não vem ao caso no momento —, mas ainda assim, sabia de cor e salteado cada música da Marília Mendonça. E na verdade,  o pouco que sabia havia aprendido com a cantora.

Resumindo, Hinata não estava tendo os melhores exemplos lexicais do mundo para começar a ter conhecimento de uma língua nova e tinha um vocabulário extenso sobre traição. Japoneses eram um pouquinho esquisitos e Pedro Henrique da Silva podia provar cada vez que o ouvia cantarolar “iê infiel, quero ver você morar num motel” durante do café da manhã. Isso antes de juntar as mãozinhas e agradecer pela comida num ato adorável para logo depois partir para a praia do Flamengo treinar. E trabalhar. E treinar.

Às vezes o carioca pensava que o colega de quarto era uma máquina, mas todo aquele esforço podia ser resumido em sua gana para ficar cada vez melhor e não só alcançar o tal de Kageyama, como também superar a si mesmo. E por falar em Tobio-meu-maior-adversário-e-amor-da-minha-vida lá estava o estrangeiro com os olhos grudados no celular observando o Instagram do time do antigo colega. Ele se perguntava o porquê dos dois não se pegarem logo, era óbvio que rolava uma tensão ali.

Ou talvez desejasse que de fato essa tensão existisse, e assim talvez os seus pensamentos sobre a paráfrase que havia feito sobre a música de Jobim e Hinata saindo do mar acabassem de uma vez. Mas como o universo nem sempre é favorável e Temer ainda era o presidente, nem assim ele conseguia simplesmente esquecer aquilo. Ainda mais com a rádio tocando “Garota de Ipanema” às sete e quarenta e cinco da manhã.

Vida de universitário é acordar cedo no sábado para fazer trabalho da faculdade. Com certeza não estava sendo fácil.

—  Pedoro, ir pra praia juntos? — e a voz cheia de sotaque chamou sua atenção, fazendo com que por fim ele parasse de fingir que estava prestando a devida atenção às folhas de papel e ao notebook sobre a mesa. E Shouyou falava de boca cheia ainda por cima.

—  É “vamos”. —  o outro repetiu, reformulando a frase enquanto anotava em seu próprio bloco de notas. Chegava a ser admirável o esforço dele para ser fluente em português. Nem brasileiro é fluente em português. —  E eu tô fazendo trabalho da faculdade, não dá. Mas a gente pode tomar um litrão depois.

Hinata deu de ombros para a sugestão, ainda que não tivesse certeza de que o japonês de fato havia entendido a fala toda. Bem, o outro sabia o que era “litrão” graças aos seus colegas de jogo, e apreciava muito —  Pedro se perguntava como cabia tanto álcool num corpo tão pequeno —, e pela expressão parecia ter aceitado. 

Então logo os olhos castanhos se voltaram para o aparelho, e o estudante se sentiu tentado a ser invasivo e perguntas “dos namoradinhos”, porém pela expressão de desgosto estampada na face nipônica, imaginou que a imagem o tivesse desagradado um pouco. 

—  Acho que vou de corote. —  Shouyou resmungou, mostrando a foto para o amigo. Na imagem, Kageyama estava com cara de nada, ao lado de outro rapaz encorpado com cara de nada e outros caras que nem ousava tentar pronunciar o nome. — O Kageyama tá sempre, sempre na minha frente, argh.

— Ele só tá jogando para um time profissional, relaxa cara. —  “só”, Pedro tinha total noção de que não estava ajudando nem um pouco. —  Beleza, a gente toma um corote e sofre escutando Pablo.

—  Quem é Paburo? —  se não conhecer Pablo não fosse um absurdo, o coração do carioca falharia uma batida com o biquinho que se desenhou nos lábios do rapaz confuso.

—  Como você não conhece o rei da sofrência Renato Souza? Eu definitivamente preciso te levar pro bar do seu Zé hoje.

— Quem é seu Zé? —  a dúvida era sincera. Shouyou já havia ouvido esse nome antes, mas nunca havia conhecido essezinho. E essa era a era a melhor oportunidade para que o outro lhe apresentasse o melhor bar do Rio de Janeiro. E mais barato também, não se acha litrões por cinco reais em todo lugar, afinal de contas.

—  O dono do bar que eu vou com os amigos da faculdade às vezes.

—  Ah, você vai chamar esses nojentos?

Existia esse detalhe também em conviver com Hinata. Ele aprendia umas palavras novas do nada e as aplicava muito bem ou muito mal para a situação —  eram sempre extremos. Hinata era sempre extremo, afinal de contas — e tinha colocado na cabeça que os amigos de Pedro simplesmente o odiavam quando eles foram até a residência para fazer um trabalho uma vez. Se havia uma ponta de fundamento ou não naquilo, o universitário não sabia.

— Deve ser horrível me odiar e não pode me chamar de feia. —  e arqueando uma sobrancelha, o ruivo se levantou e deixou a mesa e Pedro sem entender a situação, e muito menos de onde ele tinha tirado aquilo.

É, Shouyou era surpreendente.

— Já que a dondoca não é feia, que ela trate de lavar a louça. — o ruivo parou no meio do corredor, voltando o olhar castanho para o colega de quarto quase com descrença. 

— Você quer me fazer lavar a louça comigo deprimido por não ir no show da Mariria? — a apresentação aconteceria lá perto, e nenhum dos dois teria de fato dinheiro para se bancarem. O universitário e o cara que trabalham com entregas definitivamente não eram as pessoas com as melhores condições financeiras do mundo.

— Quem mandou tu ser pobre e trabalhar no Ifood? — não que Pedro tivesse lá muita moral. Mas se pudesse, certamente levaria o moreno (ou ruivo) só para fazer um traço de felicidade estampado em seu Sol. Não era como se tivesse temers o suficiente para isso, no entanto. Não ser um burguês safado era o fato mais triste de sua curta vida.

Hinata resmungou alguma coisa em japonês que sequer conseguiu entender antes de sumir por entre os corredores dizendo que precisava ir trabalhar, ignorando os berros do carioca para que fosse lavar a porcaria daqueles pratos. Suspirou, batucando sobre a mesa e olhando para a página em branco do Word, sem vontade alguma de dar continuidade ao seu trabalho. Ele só se perguntava o que podia fazer para trazer um sorriso largo aquele rosto.

Se tivesse um pouco de dinheiro… Ou talvez um pouco mais de ousadia como alguns colegas da faculdade. Bem, não podia pensar nisso naquele momento, tinha um trabalho para terminar.

Ele definitivamente precisava de uma cerveja. E quem sabe ouvir um pouco de Maiara e Maraísa.

.

 

.

 

.

 

.

 

.

 

.

 

.

 

.

Dois anos antes, Hinata nunca se imaginou gostando de bebidas alcoólicas ou ouvindo sertanejo. Também nunca se imaginou se acostumar a ser chamado de “Renato” pelo dono de um bar. Bem, aquilo era culpa de Pedro que tinha mania de apresentá-lo assim para todos, e de sua falta de confiança em seu português para corrigir um estranho acerca de seu verdadeiro nome. Ainda que Zé parecesse alguém bem simpático ao lhe oferecer uma Skol Beats por conta da casa —  era incrível que quando se travava de beber, ele entendesse sem que alguém precisasse falar duas vezes.

Eram peculiaridades que Pedro gostava de notar quando o outro não estava olhando. A forma como ele parecia pensar durantes alguns instantes se a bebida era realmente boa para seu paladar, o formato de seu sorriso quando respondia uma mensagem de seus antigos companheiros de time. E principalmente, a voz dele ao cantar de maneira embolada uma música que ouvia pela primeira vez, “Choram as rosas” era um exemplo que acontecia ao vivo.  

Às vezes ele só queria beijar aquela boca.

— Essa boca aí só bebe ou também beija? —  certo teor alcoólico deixa as pessoas mais ousadas e as fazem falar um pouco mais alto do que deveriam. Ele acabou percebendo isso quando o rapaz de fios alaranjados voltou seus olhos a ele, meio alto, mas lhe dando total atenção.

Shouyou então suspirou, virando a quarta latinha colorida desde que 

 — Eu só queria beijar o crush, que custa? — Hinata sibilou, deitando a cabeça por sobre a mesa novamente com seu biquinho decorando os lábios avermelhados. Pedro engoliu em seco, sabendo muito bem que não era dele de quem o japonês falava com tanta devoção. E que não eram suas fotos que ele deveria estar olhando naquele instante. Ele nem tinha percebido seu “convite”. — Pedoro… —  o chamou, manhoso e até mesmo um pouco arrastado com o efeito da bebida subindo á sua cabeça de fios revoltos.

—  Fala Renatão. —  o brasileiro sabia que talvez se arrependeria disso, e teve certeza quando o mais baixo lhe mostrou a foto do tal “crush”. Kageyama com cara de quem comeu e não gostou (ou em comeu, afinal de contas Hinata estava do outro lado do mundo) parecia repetir mesma frase dita mais cedo, “deve ser difícil me odiar e não poder me chamar de feia”, porque infelizmente o cara era bonito.

—  Foda que ele é lindo. —  Pedro riu sem graça, coçando a cabeça enquanto os olhos caiam por sobre quem o outro falava. É, realmente ele era, e precisava desviar o assunto da melhor forma possível antes de começar a se sentir inferior. E para completar, lá estava Marília e a música “Sentimento Novo”. 

O carioca pensou no que poderia dizer sobre aquilo, sobre ser direto a respeito daquilo e jogar as cartas na mesa, mas Shouyou não parecia lá em condições de reagir a respeito daquilo, então ele decidiu agir como um aluno da quinta série.

—  Lindo é o Mário. —  disse e deu de ombros. Hinata piscou, sem entender.

—  Que Mário?

— Aquele que te comeu atrás do armário. — e apontou com os indicadores para o ruivo, que tornou a piscar com desgosto e levantar a cabeça. Ele parecia ficar um pouco mais sóbrio sempre que brincava dessa forma.

— Francamente — quando Shouyou tinha aprendido aquela palavra? — vai tomar no cu meu anjo.

Geralmente, Pedro ficaria alguns instantes em choque com a fala do outro. Às vezes, comparado a criatura imaculada que Hinata era quando chegou nas terras tupiniquins, aquele cara enchendo a cara de Skol era bem diferente. Ainda que tivesse a mesma essência.  Mas naquele instante ele resolveu apenas rir e dar de ombros, levando como uma piada. Ele queria tirar o sentimento incômodo que Kageyama tinha lhe causado de seu âmago.

— Onde você anda aprendendo essas coisas, garoto? — com uma sobrancelha arqueada, perguntou. E mesmo que tenha permanecido sério por alguns momentos, o jogador riu. 

— No twitter.

— Você anda aprendendo coisas demais no twitteru

Hinata deu de ombros, e bebericou um pouco mais de sua latinha. O silêncio recaiu entre os dois de forma quase desconfortável ao som de "Boate Azul". Tinha tanta coisa que sentia vontade de dizer, mas nenhuma delas parecia corajosa o bastante para deixar os seus lábios. Só uma.

— Quer isso no show da Marília? — perguntou, tendo a total atenção de Shouyou sobre si. Ela o olhava como se não tivesse entendido ao certo o questionamento do rapaz. — Eu tô falando sério.

— Com que dinheiro? — o ruivo devolveu a pergunta, observando-o se levantar, colocar algumas notas amassadas sobre a mesa de plástico do buteco e pegar sua latinha que estava pela metade. 

— Não esquenta com isso. — com um sorriso, ele caminhou até uma outra mesa e conversou alguns instantes com um outro cara que Hinata não se lembrava de conhecer. Eles se falaram por alguns minutos antes que o desconhecido lhe entregasse algumas chaves e voltasse. — O Thiago emprestou o carro e eu vou ligar pro Santana, — não que o mais baixo fizesse a menor ideia de quem eram esses. — a gente vai se enfiar nesse show, Shouyou.

E entre algumas piscadas confusas, uma desconfiança justificável e um frio na barriga pela nova aventura, Hinata sorriu. Aquele sorriso que parecia ofuscar o próprio Sol quando pegou a própria latinha e o seguiu para fora do mar.

.

 

.

 

.

 

.

 

.

 

.

 

.

Depois de conhecer o Rio de Janeiro, Hinata passou por tanta coisa que não imaginou que iria se impressionar com alguma coisa. Santana atravessando a cidade em vinte e cinco minutos num Uno com escadinha acabou sendo uma grande exceção, a ponto de fazê-lo descer dos bancos de trás com as pernas bambas e com uma vontade quase incontrolável de vomitar. Chegava a ser pior que Saeko. 

Mas pensar em ver a Mariria fazia com que engolisse o golfo e esperasse por Pedro que se despedia o amigo. Ele observou os dois conversarem por uns cinco minutos antes que colega de quarto se aproximasse e lhe puxasse pelo braço para dar a volta no lugar, fazendo com que estranhasse a atitude.

— A gente não vai ao show? — com as sobrancelhas arqueadas e sem compreender cem por cento da situação, viu-o dar de ombros.

Pedro nunca gostou muito da expressão “jeitinho brasileiro”, era extremamente estereotipada e problemática, mas no momento em questão não havia um outro jeito de definir o que estava fazendo enquanto arrastava Shouyou para dar uma volta enorme no recinto, ignorando as pessoas ao redor. Ainda que estivessem do lado de fora, o lugar parecia lotado, majoritariamente pelo público jovem, com suas conversas altas e descoladas e as latinhas de cerveja em mãos. Uns cantando, mesmo que decerto a artista sequer tivesse entrado no palco ou eles tivessem entrado no ambiente em que a apresentação aconteceria, outros beijando como se não houvesse amanhã —  se inveja matasse…

Enfim, o plano estava muito bem formado na cabeça dele, tudo muito bem organizado para enfiar o japonês dentro daquele show, ainda que as chances de darem, certo fossem bem ínfimas e estava ciente disso. Se tudo desse errado, os dois podiam achar um barzinho de quinta e encher a cara com Itaipava ou qualquer cerveja um pouco mais barata e ele ouviria o outro chorar as pitangas por causa de um cara que estava do outro lado do mundo caladinho.

E se desse certo talvez os dois saíssem dali num camburão no meio da madrugada e Hinata teria uma história muito interessante para contar ao seus amigos quando voltasse ao Japão, “fui ver o show de uma corna que também é amante e bebe muito e saí de lá preso pela polícia civil, grande dia”. Seria uma maneira inusitada de perder o réu primário. O brasileiro de perguntava se ele já tinha direito à cela especial, ou se o teria apenas depois de se formar.

Deixando esse tipo de pensamento de lado, porém, ele parou quando chegaram à pequena fila de entrada, e fez sinal para que Shouyou ficasse em silêncio quando jogou seu braço por sobre o ombro dele. O mais baixo o olhou sem entender muita coisa e apenas fez retribuir o olhar como quem diz "confia cara", ao passo que se aproximava da vez deles de passar pela segurança.

Eles não tinham ingresso, nem dinheiro para comprar, e ainda que confiasse muito bom colega de quarto, o ruivo não podia imaginar aquilo dando certo quando o homem uniformizado os olhos de cima abaixo e estendeu a mão. 

— O Antônio autorizou. — Pedro disse, um semblante bastante tranquilo e confiante. O segurança o encarou por alguns instantes, antes de dar de ombros e liberar a passagem para os rapazes.

Os dois se entreolharam e sequer perderam tempo pensando duas vezes antes de simplesmente entrar sem olhar para trás. Hinata só teve coragem de dizer alguma coisa quando já estavam longe o suficiente e com barulho o bastante para que ninguém de fato os ouvisse.

Pedoro, quem é Antônio? — perguntou, vendo-o rir nervoso enquanto coçava a cabeça e o empurrava corredor à frente.

— Eu sei lá, o importante é que colou e a gente vai assistir de camarote. — “de camarote” ainda não fazia parte dos conhecimentos de Shouyou até aquele momento, mas depois daquela noite ele descobriria o significado, e de certo agradeceria a Pedro por toda a sua vida, ainda que, para este, nenhum agradecimento aquecesse tanto seu coração com o sorriso largo que o ruivo abriu enquanto caminhavam fazia.

Ousou, então, tornar a jogar seu braço por cima dos ombros do jogador que não pareceu se importar, e ainda que Marília Mendonça não fosse sua cantora favorita, tinha certeza que aquele show seria o melhor de sua vida. Porque ver a forma com que as bochechas de Hinata simplesmente ficavam vermelhas de excitação durante as horas que aguardava a artistas entrar no palco, ou ouvir a voz dele berrar cada uma de suas músicas a plenos pulmões com seu sotaque marcante fazia valer cada minuto em pé no meio de tanta gente. Aos mãos dele estavam quentes, imaginava que o resto do corpo também.

A forma como o outro simplesmente falava animado, apontava para cada movimento da cantora quando ela subiu no palco, a alegria radiante que se estampava no rosto bonito de feições orientais, tudo isso fazia Pedro ter a certeza de que faria tudo de novo, sem sequer se dar ao trabalho de pensar duas vezes,

Merda, estava definitivamente apaixonado e nem conseguia esconder isso direito. Ao menos não de si mesmo, levando em conta que o outro parecia não notar essas nuances.

O after quando o show acabou não estava nos planos iniciais, eles deveriam chamar  o Santana e assim devolver o carro de Thiago. Quatro da manhã não era um horário muito seguro para estarem na rua, mas ainda assim depois de tanta emoção e com o coração acelerado, Hinata não conseguia nem pensar em ir para casa, ele sequer iria conseguir pregar os olhos e o barzinho à duas quadras dali estava agitado até. E a bebida não era cara.

A cada dez palavras entre um gole e outro, duas eram sobre como aquela era a melhor noite de sua, de como Marília era maravilhosa, sobre como a voz dela era linda, como estava grato, como Pedro era simplesmente a melhor pessoa que tinha encontrado no país da América Latina, e este, ouvia tudo com muita atenção. 

—  Pedoro, eu te amo… —  e dizia de maneira embolada, a voz levemente alterada não apenas pelo álcool, como também por todas as emoções da noite. Pedro sorriu, acariciando os cabelos alaranjados enquanto observava os casais meio altos de bebida dançando ao som da música ambiente. Podia não estar com o volume estourando como no bar de seu Zé, mas conseguia reconhecer sua dupla sertaneja favorita, e a música que não saia de sua cabeça há muito tempo. — Eu podia beijar você agora?

 

Ah, esse tom de voz eu reconheço

Mistura de medo e desejo

Tô aplaudindo a sua coragem de me ligar

 

“Medo bobo” não só parecia simplesmente resumir o que sentia em poucas palavras, como também uma paráfrase do que estava para acontecer ali quando Shouyou aproximou o rosto do seu, encostando a testa de ambos e roçando seus lábios nos dele. Pedro podia sentir seu coração acelerando de tal forma que achava que a qualquer momento ele rasgaria o peito ou então saltaria por sua garganta. Ansiava por aquilo há tantos meses que sequer conseguiria por em palavras,

Suas mãos, então, deslizaram para a pele macia do rosto do outro, o desejo de beijá-lo que vinha guardando por tantos meses pulsando de maneira quase incontrolável quando elas desceram para os seus ombros, e com cuidado afastaram Hinata de si para voltar a acariciar seus cabelos. Ele o encarou, numa mistura que julgava que talvez fosse de confusão e um pinguinho de decepção.

Beijar uma pessoa que claramente gostava de outra não era algo que podia simplesmente fazer, ainda que os sentimentos pela pessoa em questão fossem fortes e estivessem à flor da pele. Mas principalmente, beijar alguém que sequer parecia em condições de saber o que estava fazendo… É, Pedro não podia fazer isso, ainda mais sabendo que talvez, quando acordassem de manhã, só restasse o arrependimento.

 

Eu pensei que só tava alimentando

Uma loucura da minha cabeça

Mas quando ouvi sua voz, respirei aliviado

Tanto amor guardado tanto tempo

 

—  Eu vou ligar pro Santana vir buscar a gente, Shouyou. Cê já tá mais louco que o Batman. —  disse, e tratou de se levantar o mais rápido possível sem se dar ao luxo de encará-lo novamente. A música continuava a tocar e forma quase zombeteira quando saiu de baixo da cobertura de toldo e encarou o céu meio nublado acima de si. Talvez ao amanhecer ele não tivesse outra chance com seu garoto de Ipanema e sabia bem disso, mas era melhor do que imaginar que o arrependimento por uma atitude movida pelo efeito do álcool afastasse Shouyou de si.

Pedro sabia que havia agido de maneira correta, mas também sabia que depois daquela noite voltaria a sentir o seu antigo “medo bobo”.

 


Notas Finais


> Pedoro claramente não se chama Pedro Henrique da Silva, mas na minha cabeça sim pq é um nome bem brasileiro
> Eu nem sei o que é um verbo na segunda pessoa do plural do pretérito perfeito no indicativo
> Pedoro e Hinata nunca se beijaram depois disso
> Pedoro chora ouvindo "amiga linda" pq lembra dessa noite, Hinata era "a pessoa certa, mas na hora errada"
> Era pra ser comédia mas virou drama pq é isso que eu sei escreve
> Segundo o google tradutor, a pronuncia "japonesada" de Twitter deveria ser "Tsuittā", mas imagino o Hinata tentando se aproximar do português na pronúncia e falando "twitteru"
> Queria dizer que eu escolhi o nome Antônio por causa do Jobim, mas foi aleatório msm depois eu lembrei do Jobim
> Momento aula de literatura: "paráfrase" é uma figura de linguagem usada para retomar algum ponto de um texto, ainda que com outras palavras. Pedoro compara Hinata a uma paráfrase pq é como se ele "retomasse" alguma coisa o tempo todo
> Medo bobo é a melhor música de Maiara e Maraísa e nada mais importa a não ser a minha opinião
> Renato Souza é uma paráfrase
> É isso bbs, espero que tenham gostado de mais dessa e até a próxima <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...