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História Bora lá: Uma História Onward - Capítulo 14


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Notas do Autor


Sup?

Boa leitura!

Capítulo 14 - Museu de história natural (Parte I)


Fanfic / Fanfiction Bora lá: Uma História Onward - Capítulo 14 - Museu de história natural (Parte I)

≈≈≈

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

— Não, não, não, não! Ian! Acorda! Acorda, Ian!

Rastejo até Ian na esperança de que ele estivesse bem, gritando o mais alto que meus pulmões permitiam para acordá-lo e nos tirar daqui com algun tipo de magia.

Chego até ele, seu cajado estava intacto apesar do grande impacto que sofreu, sendo jogado de uma direção e pisoteado por um montro gigante.

O monstro.

A criatura com olhos vibrantes me encara com um olhar odioso, maléfico, impiedoso e o pior de tudo:

Sem uma gota de remorso por tirar uma vida.

Minhas únicas opções eram aceitar a morte, não existia outra maneira de vencer aquela batalha. Chacoalho Ian, tentando acordá-lo mais uma vez, porém minhas tentativas são inúteis. Coloco um ouvido sobre seu peito.

Sem batimentos.

Levanto minha cabeça lentamente ao sons do gritos de pessoas correndo pelas ruas, talvez o choque tinha me distraído da destruição que estava ao nosso redor. Olho novamente para o cajado, tenho uma ideia que se funcionar vai nos ganhar algum tempo, mas se não funcionar estarei morto na certa.

Pego o cajado com um pouco de dificuldade, Barley nota minha tentativa de resistência e dá uma investida contra nós.

— Ian... espero que meu treinamento não tenha sido em vão – levanto o cajado, dores nos meus braços dificultavam meu aperto, mas consigo mantê-lo firme – Boombastia!

Um rajada de luz atinge o olho do monstro, mandando ele para trás e esbarrando em um poste de energia. Um do fios se solta, raspando e eletrificando Barley no processo.

Ele leva uma descarga de energia, gritando de dor enquanto caí bruscamente sobre um carro na rua, esmagando completamente o automóvel.

Olho para Ian, ainda arrependido de não ter conseguido ajudá-lo. Tento gritar por ajuda, mas não havia ninguém no raio da visão.

De repente, ouço um grito feminino atrás de mim, era Laurel, completamente apavorada com o cenário na porta de sua casa. Ergo minha mão para chamar sua atenção, ela vem até mim me ajudando a levantar e sentar na sala, logo depois voltando para buscar Ian.

— Ele tá... – ela pergunta, chorando sobre o corpo.

Não disse uma palavra, não conseguia dizer uma palavra. Merda! Caralho! Como isso foi acontecer?! Tava tudo tão bem e agora o Ian tá morto! Era tudo culpa minha.

Laurel chora e soluça sobre o cadáver gélido e sem vida de quem costumava ser seu filho. Passando as mãos levemente pelos seus cabelos enquanto me olha.

— Ele tá só dormindo, né? É só isso. Ele tá só... ELE TÁ GELADO! – ela tira os óculos, abraçando mais ele – Ian... por quê...?

Laurel berra, grita de desespero, tristeza e choro lhe dominavam agora. Não consigo suportar, caio às lágrimas junto com ela, segurando firmemente o cajado de mago.

— O que.... nós vamos fazer? — Laurel pergunta

— Só podemos-

Uma mão surge rapidamente do teto, agarrando tanto Laurel quanto Ian, os puxando para cima com velocidade. Barley estava sobre a casa, segurando sua família com uma mão e se apoiando na estrutura com a outra.

A próxima cena foi a mais perturbadora que já presenciei.

Com seus dentes afiados como navalha, Barley coloca seu irmão entre eles, arrancando sua cabeça do torso e engolindo completamente. Laurel tenta gritar de pavor, mas tem sua cabeça mordida antes que o possa, derrubando seu cérebro no teto no processo.

Após engolir os dois, Barley vem com a mão em minha direção, ainda faminto por carne de Elfo. Eu tento mirar com o cajado, mas ele foi rápido demais. Quando eu percebi, já estava perto de sua boca.

— BARLEY, NÃÃÃÃOOOO!!!!

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Sento rapidamente na cama.

— BARLEY, NÃÃÃÃOOOO!!!! – grito de horror, temendo pelo pior

Levanto com lágrimas escorrendo, percebo que estou bem, são e salvo no meu quarto sobre minha cama. Estava frio, mas eu estava molhado pelo corpo todo! Esse pesadelo me fez suar frio durante a noite.

Levanto, pego algo quente para vestir e desço as escadas. Mamãe estava fazendo o café da manhã, waffles com suco.

Sento na mesa, um pouco imerso em meus pensamentos sobre o que aconteceu.

— Bom dia, querido – Bárbara cumprimenta – dormiu bem?

— Bom dia. Não, eu ando tendo muitos sonhos estranhos ultimamente. Às vezes eu tô numa festa, outros tô sonhando com a Kara, e tem esse em que um monstro gigante está destruindo toda a cidade querendo me matar.

— Provavelmente você devia estar com fome quando dormiu, vai ver foi isso.

Tenho quase certeza de que comi alguma coisa noite passada, mas ela também pode estar certa, talvez eu coma algo simples antes de dormir, uma bolacha de leite ou algo assim.

Se esses sonhos continuarem assim, vou precisar de um terapeuta em pouco tempo, ou alguém que saiba interpretar sonhos. Mas uma coisa era certa: preciso achar aquele pingente e destruí-lo.

Ela termina os waffles e o suco, colocando-os sobre a mesa. Agradeço e começo a comer, vendo alguns noticiários na TV de algum maluco se acorrentando pelo terceira vez em uma estátua do século XV.

Olho novamente para a tela, o rapaz me parecia muito familiar. Tinha shorts verdes, sapatos pretos chutando os guardas, camiseta roxa com uma caveira na frente, um gorro azul escuro e uma pele também azul.

Oh-não, é ele.

— O que ele tá fazendo alí? – pergunto para Piper assistindo TV

— Isso foi há 2 meses, é um vídeo que eu achei na internet do seu namorado bancando o protetor de artefatos antigos.

— ELE NÃO É MEU- suspiro – Dane-se, eles vão chegar daqui a pouco.

— Ralph, está levando seus remédios? – mamãe pergunta

— Sim, estão na bolsa. Ainda bem que eu nunca tiro.

— Quando que eles vão chegar? – Piper pergunta

Ouço pneus raspando o asfalto lá fora, ou alguém estava disputando uma racha ou era nossa carona chegando. O som para, uma buzina soa algumas vezes do lado de fora.

— Agora – respondo – Tchau, mãe!

— Tchau! Tenham um bom dia, queridos!

Nós saímos, fecho a porta atrás de Piper e vejo a luz do Sol brilhando sobre a lataria da Guinevere II. Ian abre a porta do lado, dizendo “Sua carruagem lhe aguarda" para Piper, me cumprimentando antes de entrar. Barley faz o mesmo, empurrando levemente a porta do passageiro enquanto dou um beijo nele de bom dia ao sentar no banco.

Os dois de trás fazem uma carinha de nojo diante da cena. Ambos por seus irmãos estarem fazendo isso logo de manhã.

— Prontos para a excursão de hoje? – pergunta Barley – Vamos para um dos museus mais ricos em artefatos e bugigangas dos séculos anteriores já vistos! Eles até abriram uma seção dos Dias de Ouro, recentemente.

Piper e Ian dão um "Tudo bem" como resposta. Eu apenas digo que pode ser interessante, deixando de lado a parte do pingente por motivos óbvios.

A excursão seria apenas para alunos da classe do Ian e superiores, porém nem todos das nossas salas terminaram as redações para entregar no dia, deixando alguns professores um pouco decepcionados.

Um por um, o professor lê os nomes na lista de chamada para se certificar de quem iria ocupar um banco no ônibus com sua bunda. Alguns levantam, outros apenas dizem que não lhes foi dado tempo suficiente, era impressionante quantas pessoas na sala tinham o nome com A e B, até que chegou a vez de Barley.

— Barley Lightfoot – chamou o professor – Trouxe o trabalho?

— Sim! – ele vasculha a mochila, porém não encontra – Oh-ou.

— O quê? – pergunto assustado

— Eu esqueci meu livro de Missão de Outrora, sempre o trago comigo para passar o tempo.

— Talvez esteja em um outro bolso, mas e o trabalho?

— ... esqueci.

— O QUÊ? – o desespero me domina

Brincadeirinha – diz tirando os papéis grampeados de uma pasta, entregando ao professor em seguida.

Depois desse pequeno infarto que me ocorrera, acho que vou descansar na mesa só ou pouquinho enquanto os outros entregam.

Barley tenta me chamar, balançando levemente meu braço para chamar minha atenção. Ainda estava me recuperando, mas viro o rosto de lado só para receber seus lábios sobre os meus. Foi rápido, mas muito bom.

— Temos que ir – ele diz

— T-tá, v-vamos.

* * *

Apesar do trânsito estar baixo pela manhã, alguns carros ainda estavam à nossa frente, bloqueando o caminho livre. Scott, aquele elfo das aulas de Educação Física, tinha vomitado pelo menos umas três vezes após partimos, e não estávamos nem na metade do caminho.

O treinador tinha vindo conosco no ônibus, um amor de Manticora, mantendo a segurança de seus alunos em primeiro lugar.

Que mentira.

— SCOTT – grita ele – SE TÚ VOMITAR MAIS UMA VEZ VOCÊ VAI DESCER NA PRÓXIMA PARADA!

Um ciclope que estava ao lado de Scott se levanta, tentando argumentar com o treinador.

— EU NÃO TÔ NEM AÍ, STYLES! ESSE ÔNIBUS JÁ ESTÁ CHEIRANDO A VÔMITO! Pelo amor de Deus,  até eu tô com vontade de vomitar!

— Mas ele não tem culpa, treinador – diz Styles – Veículos em movimento deixam ele enjoado.

— Então distraia ele, talvez isso o ajude – sugere o Manticora

Conversar, mostrar fotos de peitos, gatinhos e tocar algo suave pareciam não terem efeito sobre o enjôo. Scott estava mais pra verde do que pra azul nesse momento, e foi aí que eu lembro de algo crucial para mim.

Vasculho minha bolsa, procurando uma pequena caixinha preta, aquelas com uma uma fechadura simplesmente de imã. 

— O que procuras, Caro Ralph? – Barley pergunta

— Remédios.

— Trazes consigo durante viagens?

— Se elas forem longas, como esta em que estamos, então sim. Também enjôo muito fácil, e tenho pílulas para 10 de mim.

Acho a caixinha, pegando uma pílula e indo até o banco de trás entregar, como o ônibus não andava era perfeitamente seguro. Dou para o Scott com um pouco de água da minha garrafa, ele agradece e logo depois volto para meu assento.

Lembra quando eu disse que era seguro andar enquanto o ônibus estava parado? Bem, ele estava parado, mas assim que comecei a andar de volta para meu assento ele se mexe, me fazendo cair e derrubar minha garrafa ainda aberta sobre a Sam, que coincidentemente estava no mesmo ônibus que a gente, ficando completamente molhada.

Eu tento explicar a situação, dizendo que aquilo foi apenas um acidente e que era só água, mas ela não me dá ouvidos, pega minha camiseta pela gola e me soca com força na cara.

Eu caio novamente, desmaiando enquanto ouço Barley gritando com ela ou talvez por ajuda.

* * *

Quando acordo, estava deitado sobre os bancos que dividia com Barley, o ônibus tinha parado parecia uma eternidade. Levanto, o suficiente para olhar pela janela e ver onde estava.

Aparentemente, todos estavam lá fora, consigo ver alguns banheiros na direita e na esquerda, junto com algumas filas para usá-los. Coloco minha mão sobre a testa, sentindo dor ao toque.

— Ai – parecia um pouco inchada

Ouço passos subindo a escada, se aproximando do meu lugar, viro para ver que o mesmo ciclope de antes estava vindo com um saco de gelo nas mãos.

— Aqui – ele estende o saco para mim

O pego, agradecendo em seguida e colocando sobre o rosto. Era bem desagradável no começo ficar com aquilo na cara, mas depois que a dor aliviou um pouco o movo para o lado, liberando a visão de um de meus olhos.

— Então, como vai o seu amigo? – pergunto, quebrando o gelo entre nós

— Ele está bem, só tá no banheiro agora. O seu amigo ficou bem preocupado contigo.

— Você viu onde ele foi?

Nem imagino! O cara nem entrou em pânico quando você desmaiou – sinto um leve sarcasmo em sua voz 

— Então ele tá aqui ou não? – insisto

— Depois que você levou um soco na cara e desmaiou, ele entrou em pânico. Correu pelo ônibus até o motorista para parar e pedir socorro. O professor disse que não era necessário, só deixar você descansando até pegar gelo no próximo posto de gasolina era o suficiente. Depois ele se acalmou e colocou sua cabeça no colo dele enquanto mexia no seu cabelo.

— Oh... certo.

— Enfim, eu não vou perguntar porque não é da minha conta. Só trouxe o gelo para agradecer por ter ajudado meu parceiro lá atrás.

— De nada – digo ainda com um pouco de dor no nariz – Você sabe onde tá o Barley?

— Disse que ia comprar algo para vocês na lojinha – ele coça o olho – e eu também tô com sono, vou deitar alí atrás, falou.

— Falou – me despeço dele

Olhando novamente pela janela do ônibus, o treinador estava aguardando na fila com todos os outros alunos, me surpreende ele não ter usado sua "autoridade" para passar na frente dos outros. 

Meia hora depois todos já tinham se aliviado, minha cabeça estava doendo menos e todo mundo estava sentado nos bancos do ônibus, prontos para partir.

Exceto Barley.

Ninguém parecia sentir falta dele, exceto eu. Busco por cabelos azuis no ônibus, na estrada, perto do posto alí próximo, vou até lá fora buscar por ele. Sigo em direção à lojinha alí perto, abrindo a porta ao som de um sino tocando acima.

Procuro novamente por Barley entre as seções de disco e fitas cassete. Pego uma fita, parecia igual as outras, sem detalhes e totalmente preta com algumas partes brancas para escrever depois.

Vou até o caixa, onde encontro ele discutindo com o gerente sobre tipos de músicas rock não "do demônio".

— Nem todas elas são pesadas! Algumas são até mais elegantes que aquelas com violino – Barley praticamente grita na cara do troll

— Diga o que quiser, garoto. Minha opinião ainda é a mesma – responde o troll

— Mas o senh-

— Barley? – interrompo seu possível discurso

— Ralph? – ele se vira – Você acordou!

Ele me envolve em seus braços assim que me vê, literalmente dois segundos depois de ouvir minha voz. O atendente apenas observa.

— É bom te ver também, Barley – dou leves tapas em suas costas

— Estou tão feliz que esteja bem.

— "Bem" é uma palavra um pouco forte, eu diria "consciente", pelo menos.

— Mesmo assim, me desculpe pela Sam. Ela não gosta muito de água, mas já conversei com ela.

— Não quero te deixar mal com sua amiga por minha causa. Não se preocupe, eu tô bem, Barley.

Ele me solta, dando um selinho em minha bochecha assim que se afasta. Digo que deveríamos voltar para o ônibus e continuar nossa excursão, senão não chegaríamos tão cedo no Museu.

Entendido, ele vai até a porta, me perguntando por que não estava atrás dele. Digo que preciso comprar uma coisa antes, e que ele poderia me esperar no ônibus.

Me viro para o atendente, colocando uma fita sobre o balcão.

— Uma fita, por favor.

— Uma fita em branco? Vai gravar aquelas músicas barulhentas nela?

— Não, eu tenho um estilo diferente de música. Aliás, por que você odeia tanto assim rock?

— É barulhento, cheio de gritos e nenhuma melodia fina por trás. Só um bando de caras gritando no microfone e arrebentando as baterias e guitarras. As cordas nem são alinhadas corretamente!  O vocal é agressivo demais para minha audição e a plateia praticamente se joga um no pescoço do outro durante os shows. Não importa o quão profundo seja seu toque, as pessoas só ligam para a batida pesada.

— Sabe, pra um Troll que não gosta de Rock, você até que sabe algumas coisas.

Ele olha para lado, claramente nervoso com alguma coisa. Não sei se por causa do comentário ou alguma outra coisa. O interior da loja estava calmo e pacífico.

— São $, senhor – ele diz

O pago, saindo do lugar e indo direto para o ônibus. Sento no mesmo lugar de antes, minha mochila e Barley ainda estavam lá.

Ele pergunta o que eu estava fazendo, mas o deixo na dúvida dizendo que era uma surpresa para algum dia próximo. O ônibus dá a partida, o dia ainda se mantinha presente. Seguro levemente a fita em meu bolso, imaginando que tipos de músicas colocaria nela e se Barley iria gostar do meu estilo musical.

E com as rodas andando na estrada, minha única pergunta era: como raios eu faço para gravar algo numa fita?

≈≈≈


Notas Finais


Até a próxima! ( ꈍᴗꈍ)


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