História Borboleta de Vidro - Capítulo 29


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Visualizações 40
Palavras 3.825
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Saga
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Vamos lá, Fofurinhas.
Espero que gostem.
Boa leitura.

Capítulo 29 - Like a butterfly


Fanfic / Fanfiction Borboleta de Vidro - Capítulo 29 - Like a butterfly

Anteriormente em:

Cinzas.

(...) Naquela mesma tarde eles pegaram o trem e eu... bom... fui desfazer a mala e retomar a vida normal. Quando eu guardei a última peça de roupa percebi que ainda havia algo dentro da mala.

– O diário do Jimin... Nossa, esqueçi completamente dele – sentei na cama e o girei entre as mãos, meio nervosa – Será que eu devo continuar lendo?

 

[...]

 

Ainda não me sentia muito confortável em invadir a privacidade dele. Eu já tive vários diários e os escondia às 7 chaves para que ninguém nem ousasse olhar para eles, por mais que eu só escrevesse bobagens que não fariam diferença nenhuma alguém ler.

Taehyung me contou que quando eles estavam saindo do prédio o Jimin disse que precisava voltar para buscar algo e que logo os acompanharia. Esse algo era o diário. Ele deve ser muito importante para Jimin ter arriscado sua vida...

Escorreguei da cama para o chão com um dilema na minha cabeça. Soprei a franja caída no rosto e olhei para o teto.

– Ai, o que eu faço? Será que ele vai ficar zangado se eu ler?

Hope disse que achava melhor eu ler... Disse que isso poderia resolver as coisas. Eu não conseguia ver como, mas tinha esperança de que realmente ajudasse, porque no momento eu estava completamente perdida. Não tinha a menor ideia do que fazer da minha vida e qualquer esperança seria melhor que esse vazio. Talvez o conteúdo desse diário me despertasse alguma ideia, um norte a seguir.

Respirei fundo e abri na página onde parei.

 

"•Sábado (02 de Junho)

Hoje foi uma das minhas consultas com a Dra. Jang e também é o aniversário da Mary.

Tae me pediu para levar o bolo até o lugar da comemoração, mas quando eu cheguei lá e a vi... não mais raiva e rancor me invadiram... mas sim vergonha e decepção. Mal consegui olhá-la nos olhos. 

Eu sempre fazia de tudo para estamos juntos em seu aniversário e não estar com ela hoje... Aquilo doeu. Senti como se a tivesse abandonado."

 

Mal comecei a ler e meu coração se apertou. Respirei fundo para tentar conter as lágrimas. Já derramei muitas ultimamente...

 

"•Segunda-feira (04 de Junho)

Eu finalmente cedi.

Não estava mais aguentando aquela situação e então resolvi conversar com a Mary e até consegui arrancar um beijo.

Pedi desculpas por não ter acreditado nela. Mas não adiantou. Ela não me perdoou.

Mas eu não vou desistir tão fácil e já deixei isso bem claro para ela. Não posso desistir da melhor coisa que me aconteceu... Vou insistir até reconquistá-la. Não posso deixar que esse tenha sido o nosso último beijo."

 

Ah, eu ainda lembrava daquele beijo... Aquele beijo faminto e desesperadamente cheio de saudade. Naquele momento eu quase fraquejei. Quase me entreguei aos seus braços e esqueci toda a dor que tinha sentido.

Por várias vezes me perguntei se tudo não teria sido mais fácil se eu o tivesse perdoado naquela noite. Se todos nós não teríamos sofrido e nos magoado menos...

Eu sempre tive a filosofia de que tudo que acontece em nossas vidas tem uma razão, por  mais que a gente demore a descobrir qual é, então me convenci de que as coisas aconteceram como deveriam. Além do mais eu nunca teria tido a experiência maravilhosa de ficar com Yoongi se tivesse voltado pro Jimin.

 

"•Sábado (09 de Junho)

Hoje foi o show beneficente. E sabe o que eu fiz? Discuti com Yoongi hyung. Tenho feito muito isso ultimamente com todo mundo. Mas eu não estava conseguindo ver Mary nos braços dele. A ideia de perdê-la para outro era torturante.

Eu fiquei com tanto ciúme! Até quebrei o copo d'água e cortei a mão. Para completar a noite, Mary deve estar achando que eu ia abusar dela. É incrível como consigo estragar as coisas...

Mas o pior de tudo foi ela ter gritado por Yoongi enquanto eu a beijava. Era como se ela precisasse ser salva de mim... Eu me senti um monstro."

Balancei a cabeça me sentindo culpada. Dessa vez não pude conter as lágrimas. Me causou tanta dor saber que eu o fiz sentir daquele jeito. "Um monstro"...

 

"•Domingo (10 de Junho)

Hoje fui ao parque onde pedi Mary em namoro para refletir um pouco. Tantas lembranças me ocorrerem... Nossos beijos... Nossas conversas... A primeira vez que eu disse que a amava... A saudade ficava cada vez mais insuportável.

Por coincidência, ou não, ela apareceu por lá e conversamos um pouco. Mary não estava zangada comigo. Estava magoada e eu sinceramente não sei o que é pior.

Ela foi tão terna, tão amiga. Suas palavras calmas só me faziam sentir mais culpado. Mas isso foi bom. Hoje decidi que farei de tudo para tê-la de volta não importa o que seja ou o que eu tenha que enfrentar.

 

•Sexta-feira (15 de Junho)

Mary devolveu meu coração.

Sei que tomei decisões erradas e agi mal com aquele entrevista do G-Dragon mas não importa mais... Não adiantou. Só a deixou mais zangada.

Minha vontade te tê-la de novo em meus braços é tão grande e desesperada que me cegou. Me fez esquecer de como ela era e do que ela detestava.

Ela devolveu o colar que lhe dei em nosso primeiro aniversário de namoro. O colar que simbolizava o meu coração...

A noite fui ao quarto dela para observá-la enquanto dormia como tenho feito nas últimas semanas. Era bom estar perto e sentir sua presença. Ver seu rosto relaxado e tranquilo... os lábios rosados... 

Quando me aproximei mais acabei pisando em alguma coisa e fiz ruído. Como ela pareceu estar acordando, eu rapidamente saí de seu quarto com o objeto pequeno ainda enfiado no meu pé. 

Voltei ao meu quarto e sentei na cama para ver o que tinha me espetado. Era um brinco. Vi com isso a oportunidade de usar a desculpa de devolvê-lo para tentar mais uma vez."

 

"Então foi assim que ele encontrou meu brinco!" Eu sabia que não tinha caído no corredor e sim no meu quarto. Isso também explica porque ele ficou tão nervoso com as minhas perguntas.

 

"•Quarta-feira (20 de Junho)

Mary passou o dia fora com Yoongi hyung. Fiquei louco imaginando o que estariam fazendo. Não é para menos depois de ele ter me dito uns dias atrás que estava apaixonado por ela. Não sei como ninguém nunca percebeu. Eu não conseguiria esconder meus sentimentos por tanto tempo, tanto que na primeira oportunidade que tive eu beijei Mary antes mesmo de entender o que sentia por ela.

À noite, eu ouvi uma conversa dos dois na cozinha e descobri que eles transaram.

Pode imaginar o que eu senti quando ouvi que a mulher que eu amo foi de outro homem?!

Eu tocava aquele corpo... Eu beijava aqueles lábios... Eu era o dono daquele coração.

Quase destruí o quarto inteiro num surto de raiva e frustração. Para piorar, acho que Hoseok leu a primeira página desse diário.

 

•Quarta-feira (04 de Julho)

Yoongi pediu Mary em namoro e ela aceitou.

Minha cabeça me diz para aceitar que eu a perdi, mas meu coração se recusa.

Ainda não consigo acreditar que ela entregou seu coração a ele...

Eu também fiz uma enorme besteira falando sobre a gravidez da Yasu. Sei que magoei os dois e me arrependo profundamente. Preciso entender que minha raiva não vai me levar a lugar algum.

 

•Domingo (08 de Julho)

Mais uma vez eu perdi o controle.

Se eu fui baixo em muitas das minhas atitudes, Yoongi também foi querendo levá-la para longe.

Eu poderia aceitar não tê-la em meus braços. Quase poderia aceitar vê-la com outro homem, mas nunca poderia aceitar que ficasse longe de mim. Precisava dela por perto para me manter são. A dor era a única forma de me lembrar que tudo que passamos juntos foi real (...)"

 

– Acho que já ouvi isso em algum lugar...

 

"(...) Hoje tive uma conversa com Namjoon depois da briga com Suga hyung e acho que finalmente estou começando a entender o que todos já tentaram me explicar.

Percebi o que acho que o meu coração deve ter percebido muito antes da minha cabeça teimosa e complicada. Percebi o que realmente mais me importava: Ela. E não ia deixar que ela continuasse chorando por minha causa."

 

"Você está finalmente conseguindo entender, Jimin..." Pensei com os olhos lacrimosos brilhando. 

 

"•Quarta-feira (15 de Agosto)

Eu sei que não tenho escrito muito ultimamente... Mas... é que não tenho o que escrever.

Me afastei da Mary e de todo mundo... Não falo mais do que o necessário e tento ficar distante para não causar outra confusão.

Mary parece estar tão feliz... Ela e Yoongi têm um bom relacionamento. Ambos são maduros e compreensivos, sabem se acalmar e sentar para conversar. Já passaram por tantas situações e ainda assim continuam juntos... Seu eu tivesse aprendido a confiar mais nela... ser menos inseguro... nós ainda estaríamos juntos.

Vejo que minhas possibilidades de recuperar Mary são quase zero. Meu mundo está cada vez mais isolado e escuro assim como as montanhas durante o pôr do sol."

 

– Pôr do sol... – repeti pensativa.

 

"•Sexta-feira (14 de Setembro)

Ontem recebemos uma notícia muito dura pra mim. Mary disse que estava grávida de Yoongi. Senti como se uma flecha tivesse atravessado meu peito.

Me senti trocado, inferiorizado... Senti como se nossos 4 anos juntos não tivessem significado nada para ela.

Durante tanto tempo eu insisti para que nos casássemos e tivéssemos filhos logo e ela dizia que ainda não era o momento... Depois ela aparece grávida do Yoongi...

Todo esse tempo eu tinha tentado não me importar, não me meter e nem discutir... mas não consegui deixar de me magoar. Todo esforço que eu fiz para ficar longe e alheio foi por água abaixo.

Ela veio conversar comigo à noite e me pediu para ser padrinho do bebê. Foi nesse momento que eu percebi que ela nunca deixou de se importar comigo e de certa forma ainda me amava.

Hoje à tarde, Mary e o hyung voltaram do médico com outras notícias e estas foram ainda mais tristes. Ela não estava grávida de verdade, foi tudo um grande mal entendido.

Sabe, eu me senti tão egoísta por ficar triste com a suposta gravidez. Uma criança seria motivo de alegria para todos nós. Eu queria que ela nascesse, queria vê-la crescer... Se eu não podia ser o pai pelo menos seria o padrinho e iria amá-la assim como amo Mary. Iria amar e cuidar como se fosse meu próprio filho."

 

Não sabia se meu coração iria aguentar ler até o final. Já tinha chorado tanto até ali que provavelmente já tinha molhado todas as páginas. 

Haviam apenas mais duas datas. Se Jimin foi forte para escrevê-las eu teria que ser forte para ler. 

 

"•Quinta-feira (15 de Novembro)

Desde a história da gravidez da Mary eu me reaproximei bastante dela. De todos, aliás. Foi tão legal... O clima entre todos nós estava tão leve, tão amigável. Estava como sempre foi. 

Mary e eu voltamos a conversar, fazer brincadeiras, trabalhar juntos... Voltamos a ser amigos. Mas eu tinha que estragar tudo.

Esta noite, em umas das minhas crises de saudade, acabei tocando em assuntos que prometi esquecer. 

Nós dois acabamos perdendo o controle e discutimos na cozinha. Ainda acabamos nos beijando duas vezes. Nossa, foi tão bom beijá-la de novo apesar das circunstâncias... Faziam seis meses desde a última vez que pude agarrar seu corpo e segurá-lo junto ao meu. Mas agora estou me perguntando se eu deveria mesmo ter feito isso.

 

•Sábado (17 de Novembro)

Eu estraguei tudo... Mas acho que consertei muitas peças que estavam soltas na minha cabeça.

Parque... Dra. Jang... beijo... Mary... carro... É uma longa história... Mas isso tudo serviu para abrir meus olhos.

Taehyung disse que ele e Mary encontraram com a Dra. Jang e ela disse que nós estávamos juntos. Ele ficou bravo por eu não tentar explicar que era mentira mas achei melhor assim. Quem liga pra aquela doutora, afinal? E daí que ela mentiu? Não adianta nada se importar com essas coisas. Eu já tomei minha decisão.

Por que Mary deveria ficar comigo? Fui tão idiota... Só o que fiz durante esse tempo todo foi tentar me explicar... Já chega disso. Não tem explicação. Eu deveria ter tomado mais atitudes do que ter tentado me explicar. Estava sempre lá, pedindo desculpas quando deveria estar fazendo por onde merecer ser perdoado.

O melhor para ela é se afastar de mim... Eu finalmente percebi que devo deixá-la ir. Se segurar uma borboleta com muita força ela pode acabar sufocando ou, no meu caso, ela podia acabar quebrando e eu ainda me cortaria com os cacos no final.

Não só tinha chegado a hora de largar os remos como também chegara a hora de abandonar o barco.

Yoongi tinha razão... Já estava na hora de aceitar que eu a perdi para sempre."

 

Fechei o diário e olhei, desolada, para o chão. Ele Yu min nunca namoraram... Nada passou de um beijo... "Mas por que ele não me contou?!"

Ver as coisas pelo ponto de vista dele  me fez entender muitas coisas... Detalhes que eu jamais perceberia, sentimentos que eu nunca imaginei que Jimin pudesse estar sentindo. Descobri verdades que me levaram de um extremo à outro das minhas emoções e me fizeram questionar minha própria razão. 

Foi difícil absorver tudo... sentir a dor em em suas palavras... Mas o mais difícil foi perceber que o meu caminho até Jimin parecia estar cada ver mais cheio de obstáculos.

Ler aquele diário não me trouxe respostas... Apenas mais perguntas. 

Levantei e andei pelo quarto sentindo um aperto no peito. Sentia uma euforia, uma vontade de agir mas não sabia o que fazer, sentia as mãos atadas. 

Sentei na cama e parei para pensar. De repente as coisas pareceram meio óbvias. A resposta estava o tempo todo no diário: Jimin deixou bem claro em suas palavras que queria desistir de mim. E eu não posso fazer nada para mudar sua decisão. Mesmo que eu o pedisse uma chance ele diria que o melhor para nós é ficarmos separados. Agora sim tínhamos perdido um ao outro para sempre.

Deitei na cama e folheei mais uma vez o diário, nisso uma folha solta entre as outras saiu voando e rodopiou no ar antes de cair no chão. 

A peguei e li, logo reconhecendo as palavras.

 

"Sunset

O sol se pôs... e a lua já invade o céu sem estrelas. Como eu queria você aqui...

 

O sol se pôs... um novo dia já vai chegar e esse dia de hoje nunca mais irá se repetir.

 

Correndo, correndo infinitamente pelo horizonte;

Atrás do último raio de luz que se deita ao alvorecer...

 

Meu amor! Não o leve inteiro com você!

Deixe algum vestígio em mim

para que eu saiba que tudo foi real.

Deixe a dor de te perder me lembrar que eu já tive você em meus braços.

 

Continuo correndo...

Tentando desesperadamente agarrar suas mãos 

para que me leve com você.

Vamos voar juntos pela eternidade.

 

O sol se pôs... e a lua já invade o céu sem estrelas. Como eu queria você aqui...

 

O sol se pôs... um novo dia já vai chegar e esse dia de hoje nunca mais irá se repetir.

 

Por que tento?

Não posso alcançar o sol;

Não posso me redimir.

O relógio não caminha para trás

e o que posso fazer é apenas deixa-la ir...

 

Eu não vou pedir desculpas, meu amor.

Palavras não farão o pôr do sol retroceder para o dia em que eu a fiz chorar.

 

Prometo que minhas dúvidas não irão voltar a ferí-la;

Prometo que meus erros não mais apagarão as estrelas do seu céu; 

 

O sol se pôs... e a lua já invade o céu sem estrelas. Como eu queria você aqui...

 

O sol se pôs... um novo dia já vai chegar e esse dia de hoje nunca mais irá se repetir.

 

Prometo que, assim como o dia de hoje que se esvae como tantos outros, serei levado para sempre pelo pôr do Sol."

 

– Mas... esta música é a intro do meu álbum!

Peguei a folha e saí correndo à procura de Namjoon. Se eu quisesse respostas sobre isso com certeza era com ele que eu encontraria.

Bati na porta do seu estúdio.

– Oi, noona. Precisa de alguma coisa?

– Precisamos conversar. Posso entrar?

– Claro – ele me deu espaço e eu entrei – Senta.

– Obrigada.

– E então, sobre o quê quer falar?

– Namjoon... aquela música que você fez pro meu álbum... Sunset. Foi você que compôs, não foi? Você disse que compôs e achou que ficaria legal na minha voz.

– Não, Mary, eu disse que produzi ela.

– Então... quem compôs? – ele me avaliou uns segundos depois coçou a nuca.

– Por que você mesma não vê? – ele me entregou o celular.

Rapidamente abri o site e pesquisei. Lá estava.

 

"Sunset

Intérprete: Majho.

Produção: RM; Slow Rabbit; Supreme boy.

Composição: Park Jimin."

 

– Então... – minha respiração ofegou – foi Jimin quem compôs?

– Ele a compôs no dia em que Yoongi pediu você em namoro... Depois que vocês voltaram de Daegu ele me entregou a letra e me pediu para produzí-la e entregá-la a você, mas me fez prometer que não te contaria quem a escreveu. Bom... eu não contei. Você descobriu sozinha e tem a prova do crime nas mãos – apontou para o papel que eu segurava – Ele me pediu esse favor há alguns meses. Me desculpe não ter te contado, Mary, mas eu prometi.

– Ele nunca consegui escrever uma música inteira, sozinho... – disse com os olhos cheios de lágrimas.

– Mas dessa vez conseguiu. Por você. O amor nos faz ultrapassar nossas próprias barreiras, noona.

– Onde ele está, Namjoon?

– Viajou com Hoseok e Jungkook, lembra? Devem voltar amanhã. Por que você não liga para ele?

– Não posso...

– Por que não?

– Eu rejeitei o Jimin esse tempo todo... Não posso simplesmente pedir desculpas e esperar que ele me aceite de volta.

– Você pode tentar – balancei a cabeça em negativa, já chorando.

– Eu... preciso sair um pouco. Obrigada, Namjoon.

Voltei ao meu quarto e vesti um casaco. Logo depois já estava andando sem rumo pelas ruas de Seul. Eu sempre gostei sair ao ar livre quando não estava me sentindo bem. E o mais interessante é que por mais que eu girasse eu sempre acabava indo parar no mesmo lugar: No parque onde ele me pediu em namoro.

As ruas estavam todas enfeitadas com estrelinhas, luzes, Papais Noéis e árvores. Foi só aí que me dei conta de que já estávamos em 02 de Dezembro e todos já estavam se preparando para o Natal. O aniversário do appa Jin seria na terça.

Continuei andando pelo parque pensando na música. "Como eu não percebi que aquela letra tinha tudo haver com o que estávamos passando?!"

A noite já caíra e eu sentia a solidão envolvendo seus braços frios em mim. De repente ouvi uma vozinha gritar meu nome, cheia de animação.

– Majho! Olha, mamãe, é a Majho! – uma garotinha de mais ou menos 5 ou 6 anos veio correndo na minha direção puxando sua mãe pelo braço – Oi, unnie! – ela sorriu dando pulinhos. Tentei disfarçar a cara de sofrida, a olhei atentamente e reconheci seus traços.

– Sun hee?

– Isso!

– Ah, eu lembro de você do show beneficente!

– Viu, omma, eu disse que ela ia se lembrar de mim! – ela veio até mim e abraçou minhas pernas. Me ajoelhei para poder vê-la melhor.

– Você está tão linda como da última vez que a vi.

– Obrigada – disse tímida.

– Essa é a sua omma? – perguntei olhando para a mulher de trinta e poucos anos que estava atrás de Sun hee.

– Sim! Min hoo, Kang Min hoo – disse pronunciando com ênfase cada sílaba.

– É um prazer conhecê-la, Sra. Kang – levantei para apertamos as mãos.

– O prazer é todo meu. Graças a você e os dongsaengs do BTS, Sun hee e eu ganhamos uma nova casa – disse sorrindo.

– Vocês foram uma das famílias afetadas pelas tempestades?

– Sim, mas nós fomos uma das sorteadas pelo Projeto de Habitação do Centro Comunitário e o Governo nos deu uma casa. Nos mudamos semana passada.

– Ah, isso é ótimo! Fico muito feliz por vocês – me voltei a Sun hee – E você, pequena, está feliz com a casa nova?

– Muito feliz! – ela deu um pulo mas logo em seguida me olhou e em segundos seu sorriso se desfez – Você está triste, unnie? – abri a boca para dizer "não" mas algo me impediu de mentir.

– Uhum – disse balançando a cabeça.

– Sabe o que eu faço quando estou triste?

– O quê? – ela fez sinal para eu me aproximar como se fosse contar um segredo.

– Eu dou um abraço beeeeem apertado na pessoa que eu mais amo no mundo, a minha omma.

– Eu queria poder fazer isso, pequena – sorri tristemente colocando seu cabelo atrás da orelha.

– Por que não pode? A pessoa mora longe?

– Não. Na verdade moramos bem pertinho.

– Então por que não vai lá e dá um abraço bem apertado nela?! Não há nada que o amor não cure ou supere, não é, omma? – a Sra. Kang balançou a cabeça.

Naquele momento eu percebi o quão simples as coisas eram na cabeça das crianças, e de fato essas coisas eram simples pra todo mundo. Os adultos, com seu egoísmo e sua visão calculista, é que complicam tudo. Precisei da inocência de uma garotinha para finalmente entender...

– Diga tchau para sua unnie, filha, já está esfriando, nós temos que ir.

– Tá bom. Tchau, unnie! Fica bem! – Min hoo a pegou no colo e as duas acenaram para mim enquanto se afastavam pelo parque.

– Ei! Sra. Kang! – ela se virou pra mim – Será que pode me dizer onde trabalha?

– No momento estou desempregada. A firma onde eu trabalhava faliu há um mês. Todos foram demitidos.

– Eu sinto muito... Então poderia me dar seu endereço? Eu gostaria de visitá-las.

– Claro – ela anotou algo num papel e me entregou – Aqui está, feliz Natal, Majho.

– Pra vocês também.

▪▪▪

No dia seguinte eu decidi que prepararia uma surpresa simples para o appa Jin de aniversário. Quando os oppas chegaram de Busan, à noite, nós fizemos uma pequena reunião para combinarmos tudo.

Depois de nos organizarmos e definirmos o que cada um iria fazer os meninos saíram, cada um para seus afazeres. Pensei mais um pouco nas palavras de Sun hee e decidi tentar conversar com Jimin.

– Oppa, como foi com seus pais?

– Eles ficaram muito felizes em me ver. Estavam muito preocupados.

– Imagino... Como está seu ombro?

– Ah, eu vou sobreviver. E você?

– Estou bem. Graças a você. Obrigada.

– Você sabe que não precisa me agradecer, Mary. Eu faria de novo, quantas vezes precisasse.

– Mesmo assim, obrigada – ele sorriu – Jimin, você... lembra o que eu te falei quando estava presa no quarto? – ele estreitou os olhos e pensou um minuto.

– Não... Eu lembro de poucas coisas... O que você falou? – tentei esconder a tristeza no olhar e decidi que estava na hora de esquecer tudo isso.

– Nada... Não era nada Importante.


Notas Finais


Por favor, Fofurinhas, deixem seus comentários para que eu saiba o que vocês estão achando.


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