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História Borboletas no jardim - Capítulo 3


Escrita por: sirixblack e byjkkrs

Notas do Autor


Olá meus harumores, como cês tão? espero que bem.
Enfim, era pra eu ter postado na sexta, mas como não deu, vamos de começo de domingo meixmo hehe. Enfim, espero que gostem desse capítulo, que continua tristinho, mas prometo que em breve o cenário dará uma melhorada <3

Capítulo 3 - 02 . Imortal


 

 

“Isso não vai ter fim

nem que eu quiser você sai de mim

eu já tentei, mas te esquecer assim não dá”

Imortal — Sandy e Junior

 

    Nicotina descia por sua garganta e queimava seus pulmões, até sair por seus lábios como fumaça acinzentada em um tempo cheio de cor, aquela estação e todas as flores a sua volta não condizia com seu humor. Era tudo cheio de luz e cheiros doces demais para alguém que tinha perdido a vontade de viver. Shikamaru era como o Inverno na Primavera; estava gélido, tempestuoso, tão frio que fazia os ossos doerem e os dentes baterem um contra o outro, um misto de angústia e melancolia. Passou a odiar olhar pela janela de sua sala no prédio do Hokage, preferia quando a cortina estava solta e lhe cobria a visão do mundo colorido do lado de fora, enquanto sua sala era somente cinza, sem vida e sem cor. Não havia mais desenhos de Shikadai nas paredes, nem as flores que Temari sempre trazia. Só havia o vazio, assim como estava dentro dele. 

 

Apagou o cigarro no parapeito da janela e voltou para sua mesa bagunçada, sua cabeça doía e ele precisava de uma boa caneca de café. Contudo, precisava também ocupar a mente com relatórios, estava começando a pensar em como Temari gostava de brincar com as flores do jardim quando elas desabrocham na primavera. Bufou, a vontade de chorar estava presente novamente, mas ele mordeu os lábios e pegou um dos pergaminhos, lendo-o de forma desajeitada, com os olhos molhados. 

 

Perdurou naquela leitura, quase se perdendo no meio das letras, quando escutou uma batida tímida na porta, três toques seguidos um do outro, e ele ergueu os olhos para ela. Desacostumado com o fato de alguém bater antes de entrar, pois seus amigos normalmente apenas invadiam, como se a sala lhes pertencesse, e Ino, bem, ela não era uma das mais gentis com a pobre porta de madeira. Ou com ele, ultimamente. 

 

— Pode entrar — Disse preguiçosamente, voltando a encarar os papéis. 

 

Escutou os passos lentos e sentiu o cheiro de flores adentrar suas narinas, flores doces, parecia shampoo de cabelo. Ergueu os olhos dos papéis e mirou a pessoa à sua frente, arregalando os olhos como a muito tempo não fazia. Shikamaru sentiu um bolo se formar em sua garganta e toda a saliva de sua boca secar, enquanto suas pernas tremiam levemente, para alguns poderia até ser uma reação exagerada, mas para quem os conhecia, sabiam que o Nara tinha motivo o suficiente para estremecer na presença de Harumi Uzumaki, e sua expressão de seriedade. 

 

— Haru-

 

— Shikamaru Nara, o que você pensa que está fazendo? 

 

Ele suspirou, seus ombros estavam doendo assim como sua cabeça e seu corpo todo estava tenso contra a cadeira, a voz suave bateu como uma kunai em seu cérebro, ela falava baixo, mas parecia gritar. Harumi era direta, tanto na forma de falar como na forma de olhá-lo, sempre atenta, desde pequenos ela tinha aquele dom; costumava dizer que ele era inteligente demais e que isso a irritava, porque ela ficava pensando em como alguém tão inteligente conseguia ser por muitas vezes tão idiota. Houve uma época que ele só resmungava, mas hoje ele concordava completamente. 

 

— Você continua o mesmo idiota de sempre, não é? — suspirou, colocando as mãos na cintura, e ele percebeu a forma diferente que ela se vestia — Por que não está falando nada? Anda, eu quero saber o que você pensa que está fazendo, Shikamaru Nara. 

 

Se lembrava de quando ela saiu da vila em sua missão, ela passou no clã Nara e ficou brincando com Shikadai por duas horas antes de ir, e prometeu para Temari que iria trazer diversos presentes quando voltasse, elas conversaram sobre tudo e mais um pouco, pois ficariam longe durante um bom tempo, e na hora de se despedir dele, ela apenas disse: Não seja idiota, Shilka. Sem abraços calorosos, apenas sorriso e um acenar leve com a mão. E ele fez exatamente ao contrário, ele foi um idiota.  

 

E a sala ficou como o lado de fora, colorido com a presença dela, mas ainda assim gélida como o humor dele. Shikamaru não sabia o que responder, porque não tinha resposta. Ele não estava pensando em nada, porque não queria fazer isso, pensar dói, pensar sempre o levava a ela, e ele fazia o máximo para não pensar. 

 

— Eu quero cuidar do Shikadai — disse por fim, sabendo que não receberia a resposta que almejava, seus olhos lilases presos ao homem que amava, seu coração batendo contra a caixa toráxica com força e suas mãos trêmulas. Céus, não seja uma garotinha — Por tempo integral, das sete da manhã às sete da noite, o horário que você deveria sair daqui, então não se atrase. Conversaremos amanhã de manhã, quando eu chegar ao Clã Nara. É melhor que esteja em sua casa com o seu filho. 

 

E do mesmo jeito que entrou, ela saiu. Delicada em cada passada, fechando a porta sem bater, apenas como se fosse a primavera, vem sem fazer alarde, deixa sua marca, e vai da mesma forma que vem. Shikamaru sentia-se como uma rocha, parado no lugar, sem saber o que fazer. Escutar de Ino o que ele tinha que fazer era uma coisa, ele sempre soube como lidar com a Yamanaka, ouvir de Sakura, de Naruto e até mesmo de Kakashi, também havia se tornado algo normal ao longo do mês, havia aprendido a ignorá-los, mas ela era diferente. Ela era amiga de Temari, a tia favorita de Shikadai, aquela que lhe dava conselhos mesmo se estivesse falando do preço da batata, como poderia ignorar alguém que lhe olhou nos olhos e disse: Se não pedi-la em casamento logo, Shika, eu irei. Apenas para lhe dar o empurrão necessário, Harumi sempre esteve em torno deles, como um anjo em seus ombros. 

 

Não havia como ignorá-la e ele sabia que, se tivesse coragem o suficiente para o fazer, veria a primavera se tornar verão, tão quente a ponto de o queimar. Porque todos conheciam Harumi bem o suficiente para saber que não deveriam discordar dela, principalmente quando ela definitivamente estava com a razão. 

 

Por isso, quando olhou para o relógio e viu que já estava perto das dez e meia da noite, ele se ergueu com toda a coragem que tinha, e deixou sua sala. Era a primeira vez naquele mês que voltava tão cedo para casa. 

 

[...]

 

Não conseguir dormir era o de praxe, antes mesmo de Temari falecer suas noites de sono eram perdidas em preocupações, então ele sentava na varanda da casa, mirava o jardim bem cuidado e soltava sua fumaça para o ar, pensando em seu pai e sensei, eles sempre tinham uma forma de o acalmar em seus pensamentos. Agora, nada mais o acalmava, pelo contrário, não conseguia dormir em sua própria cama, ou ficar em seu próprio quarto, ou olhar para o próprio filho. 

 

Horas atrás quando buscou Shikadai na casa de sua mãe, ele ainda estava acordado, com o corpo molinho pelo sono e resmungando sobre sua vovó não fazer sopa de abóbora como sua mamãe, quando o menino viu o pai, seus olhinhos verdes encheram-se de lágrimas, mas ele não as derramou, ele apenas virou o rosto e fez um biquinho, pegando sua mochilinha com forma de Cervo, e a carregando para fora da casa, dizendo baixinho um: Até amanhã, vovó. Shikadai não ouviu quando o pai contou sobre Harumi ter voltado, e nem que ela cuidaria dele agora. Ele apenas saiu andando, sabendo que seu pai o seguiria e, quando ambos chegaram em casa, pararam na soleira da porta, olhando para a casa fria e vazia. Shikadai mordeu os lábios pequenos e apertou as alças da bolsa, queria chorar, mas estava cansado demais para chorar, por isso como um menino grande, ele apenas andou para seu quarto. Sem bom noite, ou beijinhos no papai. 

 

E agora Shikamaru percebia o quão prejudicado com seu afastamento e a morte da mãe seu filho estava. Sentia-se um péssimo pai, assim como sentia que havia sido um péssimo marido. E dói tanto, mas tanto, que ele sentia-se sufocado em sua própria angústia. 

 

E o Nara ficou ali, sentado na varanda fumando um maço inteiro de cigarro, até que o sol aparecer fazendo seus olhos arderem, e os pássaros começarem a cantar, os Cervos que ficavam ao redor apareciam para o cumprimentar, não demorou para que um próximo ao portão sinalizasse que alguém pedia para entrar, e ele sabia quem era sem realmente precisar questionar, eram sete horas em ponto e ela nunca deixava ninguém esperando. Ela entrou com passadas leves sorrindo para os cervos, e sentindo o aroma doce das flores ao redor e da terra molhada, vestia-se de forma mais leve, os cabelos sempre soltos e deixando o cheiro da primavera ainda mais forte. Harumi Uzumaki era poder da forma mais doce, e Shikamaru sentia medo dela. 

 

— Shikamaru… — ela cumprimentou, parecia não sentir mais tanta raiva como no dia anterior, como se estivesse arrependida da forma que havia o tratado, como se a ficha tivesse caído. Mas ela sabia que ele não queria um pedido de desculpas, ou o velho “meu pêsames", ele apenas queria que alguém não o lembrasse que havia perdido o amor de sua vida. Harumi apenas respirou fundo e caminhou até ele, sentando-se ao seu lado — Não dormiu, não é? 

 

— Não — Simples, seco, gélido. Era assim como sentia-se, era assim como falava. 

 

Mas ela não se importou, apenas lambeu os lábios com gosto de manteiga de cacau, e o olhou atentamente. 

 

— Você já ouviu isso de todos, mas irá ouvir de mim também — começou, e ele já imaginava do que se tratava — Eu sei que você sabe, que Shikadai precisa de você. E eu respeito sua dificuldade, Shikamaru, eu respeito… Mas não concordo com ela! Principalmente quando envolve o bem-estar da criança. Eu não sei o que você está sentindo, mas eu posso imaginar, e dói. Dói. E vai doer por um bom tempo, mas se dói desta forma em você que é um adulto, imagina como não deve estar doendo no seu menino, Shika. 

 

Lá estava o apelido, e ele pôde finalmente respirar tranquilo, sem temer levar uma surra da mulher ao seu lado. 

 

— Não irei te forçar a tomar uma decisão agora, vou esperar que sua ficha caia e que você perceba por si só o quão babaca está sendo, enquanto isso, irei cuidar do pequeno Shikadai. Dar um pouco de paz a sua mãe, resolveremos o pagamento quando estiver alimentado e limpo, então é melhor entrar e tomar um banho, irei preparar café da manhã para o Shikadai e algo para você. 

 

— Não precisa fazer nada pra mim, eu como no trabalho. — resmungou, se erguendo. 

 

— Irei fazer, e você vai comer na mesa com seu filho. Pelo menos isso, Shika, só isso. 

 

— Eu- 

 

— Titia Harumi! — Shikadai gritou, correndo em direção à mulher loira que se virou a tempo de o pegar em seus braços, em um abraço apertado, ao que o menino se aconchegou em seu pescoço e chorou em seus ombros — Eu tava com tanta saudades, titia, tão grande, enorme.

 

Harumi ofegou e sentiu os olhos arderem, ele estava tão magrinho e gelado, como o próprio pai estava, no entanto, maior do que quando foi embora, seu menininho havia crescido tanto. 

 

— Meu anjinho, eu também senti muito a sua falta, bem enorme mesmo. — Sussurrou de volta, o apertando ainda mais em seus braços, fazendo menininho se agarrar em si como um coala — Você cresceu meu amor, virou um homenzinho.    

 

Ela sentia-se como no inverno, quando iam brincar na neve; estava feliz, mas ao mesmo tempo estava sentindo frio. Era como o humor dos Nara, quando viu Shikamaru no dia anterior, seu coração quis pular e ir correndo até ele, mas ela não se permitiu agir como uma garotinha, ela analisou a situação e viu como o moreno estava abatido, completamente destruído pela falta de alimento e sono, com fundas olheiras e magro, não desnutrido, mas com o rosto mais fundo, causados pelo luto e pela falta de cuidado consigo mesmo. Mas não pôde deixar de notar como mesmo em sua tristeza, ele continuava bonito. Agora, naquele momento com Shikadai em seu braços, ela sentia vontade de ter um encontro com Temari e pedir pra trocar de lugar com ela, porque aquele menino magrinho, cansado e angustiado precisava daquela mulher, tanto quanto o pai. E Harumi sentia-se à beira de um colapso, embora tenha passado dois anos cuidando de mulheres que perderam tudo, ali ela tinha em suas mãos o bebê que mais amava e o homem por quem era completamente apaixonada, quebrados. 

 

“Temari, me ajuda” pediu em pensamentos, enquanto sentia as lágrimas de Shikadai molhar seu ombro. 


 


Notas Finais


Entonces, é isso por enquanto pessoal, espero que vocês tenham gostado e até a próxima sexta <3


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