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História Borderline - Capítulo 8


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Notas do Autor


Mano, eu demoro pra postar mesmo kkkkkjj mas é porque eu gosto de entregar capítulos de qualidade então perdoa eu 🥺✊
Sem mais delongas, aqui está! Boa leitura!

Capítulo 8 - O Acordar


Fanfic / Fanfiction Borderline - Capítulo 8 - O Acordar

Amalie’s P.O.V.

Eu estava inquieta. Se dormi por pelo menos quinze minutos foi muito.

A ansiedade na boca do estômago mal me deixava pensar com clareza, e a dor de cabeça tornava aquela madrugada ainda mais difícil. Eu já havia chorado o suficiente para descansar, mas a imagem da minha mãe desacordada na UTI não saía de mim.

Peguei meu celular, observando que já eram umas duas e meia da manhã e a primeira coisa que surgiu foi o contato de Harry, fazendo meu coração palpitar. Não fazia a menor ideia do que dizer, porém, por impulso, apertei o botão verde que parecia tão convidativo no momento.

No primeiro toque, quis desistir daquela loucura e fingir que estava dormindo.

No segundo pensei que talvez não seria tão ruim assim se ele atendesse.

E no terceiro, Harry atendeu.

Alôu? — sua voz estava mais grave e rouca que o normal. Imaginei que estaria dormindo mas a música no fundo não me enganava. Estava tendo festa na Ômega, como sempre.

— Ei, Harry… Hum, desculpe por ligar tão tarde é que eu queria avisar que segunda não poderei ir para a aula. — me enrolei toda na pergunta, e ele riu alto.  

Qual é, Amalie? Você só ligou pra isso? Eu te conheço… — gritou por conta da altura da música e precisei afastar meu telefone da orelha. Ele estava certo, entretanto não queria contar o motivo porque eu também não fazia ideia.

— Sim, Harry. E… E você não me conhece! — eu estava irritada e ansiosa demais. Não pude evitar aquela raiva que ia me consumindo, principalmente depois de…

Merda, Amalie! Decida-se! Ora você quer me beijar, ora você quer se esconder e eu não consigo acompanhar! — Harry não falava com raiva, ele parecia cansado, já eu não sabia como controlar todas aquelas novas emoções que estavam me rodeando. — Cuide bem da sua mãe, nossas aulas acabaram… Pra sempre… — senti uma pequena lágrima escorrer assim que ouvi sua voz embolada.

Eu não queria ter dito aquilo, não queria que ele me deixasse também.

— Harry, eu — mas ele já tinha desligado.

Meu corpo inteiro esquentou e uma pequena dor de cabeça atrás dos olhos chamou minha atenção. Eu queria gritar, eu queria explodir. 

Puxei a raiz do cabelo com força, aquilo não poderia estar acontecendo, não mesmo. 

— Garota estúpida, estúpida, estúpida… — resmunguei enquanto andava em círculos no quarto minúsculo. E então ao me olhar no espelho não consegui me ver. Eu via minha mãe, em uma crise de raiva, prestes a quebrar algo instintivamente. Eu vi ela no dia em que meu pai nos deixou. Eu vi ela brigando com meus avós antes de se mudar para Londres totalmente.

Suas olheiras fundas e a cara de choro inconfundível, sempre às margens de uma crise.

Eu estaria nela e ela estaria em mim não importa a distância. E aquilo estava me matando.

Segurei firme a manga do moletom de Harry que eu ainda usava, levando a boca e abafei um grito agudo no tecido grosso, jogando meu corpo na cama logo após.

— Eu não sou como ela… Não sou… — murmurei em meio ao choro. — Eu não posso ser…

Tirei o moletom laranja e a calça jeans me ajeitando melhor nos cobertores. Tentei ignorar aquele furacão mental até adormecer.

...

A dor de cabeça no outro dia foi inevitável. Mal abri os olhos e já consegui ouvir meu celular vibrando em algum lugar do quarto.

De início ignorei completamente, meu maior desejo era ficar deitada naquele momento, mas então lembrei de tudo o que havia acontecido.

Minha mãe.

— Alô? — levantei a cabeça do travesseiro, um pouco mais rápido do que minha pressão gostaria e portanto fechei os olhos.

Amalie Simpson? — uma voz feminina perguntou e concordei de imediato. — Sua mãe está...

— Estou indo, obrigada por ligar. — não deixei a mulher terminar de falar e já fui me trocando. Por conta da chuva, um sobretudo foi preciso, assim como uma capa de chuva. Pensei em chamar um motorista de aplicativo, porém minha bicicleta teria que dar conta se eu quisesse chegar rápido. 

E foi exatamente o que eu fiz. Algumas gotas de água fria escorriam pelo plástico transparente assim que prendi meu meio de transporte no estacionamento da instituição. Os recepcionistas não perderam tempo ao me entregar um crachá de visitante e logo já estava no elevador rumo ao sétimo andar. O grande corredor parecia mais frio do que me lembrava e todo aquele branco não era o suficiente para me deixar mais calma.

Passei pelo quarto com janelas de vidro e um arrepio me percorreu ao perceber que quem ocupava o leito não era Jeane, mas uma senhora ruiva.

— Com licença. — pedi ao me aproximar dos enfermeiros que estavam na área farmacêutica. — Estou aqui para ver Jeane Carlson.

— Ah, por favor me acompanhe. — um rapaz se levantou, passando por todos com um ar de superioridade. Ele não parecia ser tão mais velho do que eu, era bem alto e tinha a pele bem bronzeada. Deduzi que era o médico responsável do dia, e meu coração já voltava a bater mais rápido, pensando na possibilidade de algo ter acontecido com minha mãe. 

Caminhamos lado a lado na direção oposta de onde estava indo.

— Desculpe, não me apresentei. — O rapaz quebrou o silêncio. — Sou o doutor Nathan, responsável por estes casos.

— Como assim "estes casos"? — ignorei completamente o resto de sua fala.

— Casos que envolvam problemas psicológicos. — ele parou de andar e percebi que estávamos em frente a uma porta branca. — Dr. Paul me passou todas as informações necessárias e tudo sobre a vida de sua mãe com Borderline. Quero que seja paciente com ela e preciso que mencione as possíveis clínicas para saúde mental, pois não podemos forçá-la a fazer isso, certo?

Balancei a cabeça positivamente. Não sei se seria uma coisa fácil convencê-la de se internar.

O médico fez um sinal, autorizando a minha entrada no quarto e senti minhas mãos tremerem um pouco antes de finalmente girar a maçaneta fria.

Minha mãe estava sentada na cama, ainda pálida assistindo algo na televisão. Seus olhos não tardaram em me encarar, e lentamente ela abriu os braços me convidando para um abraço que não demorei a aceitar, apertando seu corpo magro entre meus braços. 

Era tudo tão imprevisível com ela, mas não conseguiria me ver sem seus contrastes. 

— Minha filha eu… Eu não… — ela tentava se explicar ainda com a cabeça nos meus ombros.

— Tá tudo bem, mãe. Eu sinto tanto… — segurei as lágrimas ao máximo enquanto ouvia seu choro baixo. Ela murmurou “desculpas” várias e várias vezes e eu me soltei dela para encarar seus olhos.

— Mãe, eu acho que você precisa de mais ajuda… — pulei tudo o que estava ensaiado na minha cabeça e fui direto ao assunto. — Você realmente não está no seu melhor e eu só quero que você fique bem! Eu… — ela me olhava como se estivesse tentando decifrar minha fala. — Os médicos indicaram algumas clínicas de saúde mental para você, mas a escolha é única e exclusivamente…

— Eu vou. 

— Espera, como? — perguntei confusa com sua resposta tão direta.

— Eu vou, Amy. Eu não posso continuar assim. — pousou sua mão sobre a minha com um meio sorriso que eu retribuí. Era surreal ver minha mãe tão compreensiva, mas os motivos que a levavam a tal comportamento me desesperavam. 

— Certo… Certo então. — repeti limpando a garganta.

Nós conversamos por mais algum tempo, porém logo os medicamentos passaram a fazer efeito e a mais velha dormiu.

Antes de sair fiz um afago em seus cabelos.

Já do lado de fora do prédio cogitei ligar para Leah e pedir um dia de folga, entretanto a angústia de passar o dia em casa sozinha foi maior que eu, por isso apenas passei no apartamento para pegar meu uniforme e fui direto para a lanchonete.

— Amy, não esperava que você viria hoje. — Leah veio até mim assim que eu entrei no estabelecimento. Continuei andando até a área dos funcionários sentindo sua presença atrás de mim.

Quando me virei em sua direção fui pega de surpresa por um abraço desajeitado.

— Dona Claude passou por aqui hoje e me contou da sua mãe. Por que não me ligou Amalie?! Não me diga que fez tudo sozinha! — ela dizia indignada e engoli em seco lembrando que eu não estava sozinha. Eu estava com ele.

— Eu agradeço pela preocupação Leah, mas tá tudo bem e eu não estava sozinha. — Praticamente murmurei a última parte com medo das suas perguntas invasivas, mas um barulho na porta a impediu de comentar qualquer coisa.

— Tem gente entrando, vou ver! — explicou voltando para o salão e eu me troquei tranquilamente. Só não esperava que ao sair encontraria Froy e Harry com um grupo em uma mesa.

Assim que dei mais um passo, senti o olhar do moreno em mim e aquela raiva incontrolável parecia voltar. Minha estupidez me assombra novamente. 

Fiz o possível para ignorá-los e fui até o balcão onde Leah tirava um café da cafeteira.

— O que foi, Amy? 

— Oi? — tentei disfarçar conferindo os pedidos.

— A tensão, eu consigo sentir no ar. — enrolou uma mecha dos cabelos crespos no dedo e em um gesto rápido, apontou para a mesa de Harry.

— Não sei do que está falando… — dei de ombros continuando meu trabalho. Se ela continuasse especulando eu com certeza teria um ataque.

Obriguei a mais nova a entregar os pedidos, com a desculpa de que Froylan estava flertando com ela e virei meu corpo para a porta, tentando controlar qualquer vontade de gritar com aquele maldito estudante de artes cênicas.

Ele não deveria ter falado daquela forma comigo, e a bebida não era uma desculpa. Mas eu também não deveria ter sido tão impulsiva, e não tenho mais nada para culpar além de mim mesma.

Lembrei das falas de doutora Ellen sobre Borderline.

Naquele momento eu não era nada além de mais uma Carlson, vítima de um abalo emocional, e as sensações ficaram ainda mais difíceis de conter quando Harry saiu de lá com os amigos, sem me encarar nem mesmo por um milésimo de segundo.


Notas Finais


E aí? E agora esses dois?

Lembrando que eu postei fic nova, com uma personagem meio parente da Amalie: https://www.spiritfanfiction.com/historia/i-dont-exist-21686628

Ah e não se esqueçam de comentar!
Beijinhos :)


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