História Born at Midnight - Capítulo 11


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Blackpink, Wanna One
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jisoo, Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Lisa, Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Seongwoo, Sungwoon, Taemin Lee
Tags Ação, Aventura, Drama, Jikook, Namjin, Romance, Sobrenatural, Vmin, Yoonseok
Visualizações 33
Palavras 3.798
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção Adolescente, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Terror e Horror, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 11 - Capítulo 11


Fanfic / Fanfiction Born at Midnight - Capítulo 11 - Capítulo 11

Durante o almoço, as apresentações acabaram sendo mais embaraçosas do Jimin tinha previsto. Cada pessoa disse seu nome e “o que” era, mas, quando chegou a vez de Jimin, ele só disse seu nome. Nos instantes que se seguiram, o silêncio da sala tornou a atmosfera sufocante. Seokjin apressou-se a explicar que a origem dos poderes de Jimin ainda estava sendo investigada e que seu “estado mental fechado” não era intencional, mas consequência dos seus dons.

Se alguém por ali ainda duvidava de que ele era o mais esquisito entre todos os esquisitos, agora já estava bem ciente do fato graças o líder do acampamento. Seokjin talvez pretendesse ajudar, mas Jimin sem dúvida teria dispensado essa ajuda. Por sorte, já tinha conseguido engolir metade de um sanduíche de peru, pois a partir daquele instante não seria capaz de comer mais nada.

Pouco depois do seu momento embaraçoso sob a luz dos refletores, o celular de Jimin tocou. Leu o número da mãe na tela e desligou o aparelho, por nada neste mundo gostaria que pessoas dotadas de super audição ouvissem a conversa com a mãe.

Tão logo a reunião oficial do almoço terminou, Jimin pediu a Seokjin que lhe mostrasse sua cabana. O jantar seria as seis e, até lá, teriam a tarde livre. Nesse período, “aconselhavam” que procurassem se entrosar, conhecer os colegas de acampamento e de alojamento.

Em vez disso, porém, Jimin passou as quatro horas seguintes remoendo suas emoções tumultuadas, escondido no cubículo que era seu quarto. Sim, sabia muito bem a diferença entre “aconselhar” e “exigir”.

Sentado na cama, calculou de novo o tamanho do quarto, não que estivesse se queixando. O fato de ter seu próprio quarto tornava irrelevantes as proporções. Considerando-se os terrores noturnos que o afligiam três ou quatro noites por semana, a privacidade era muito bem-vinda. Só esperava que as paredes fossem grossas o suficiente para abafar o que a mãe chamava de “gritos arrepiantes”. As de sua casa, é claro, não eram.

Mordendo o lábio, Jimin se perguntou de novo como a mãe pudera fazer aquilo com ele. Mandá-lo para aquele lugar quando, só uma semana antes, recomendava que não passasse a noite fora, porque seria embaraçoso que outras pessoas o surpreendessem aos gritos em pleno sono.

Procurando afastar a mãe dos pensamentos, Jimin correu novamente os olhos pelo quarto. A tarde não tinha sido um total desperdício, tinha arrumado suas coisas, retornado a ligação da mãe — a conhecida Rainha do Gelo —, tentado entrar em contato com Jenny — que ainda não tinha telefonado nem enviado mensagem —, lido as regras do acampamento e se desfeito em lágrimas bem à moda antiga.

Choro muito merecido.

Durante dezesseis anos, havia tentado descobrir quem era. E, embora soubesse que ainda tinha um longo caminho pela frente, sentia confiança nas próprias descobertas. Agora, porém, percebia que não só estava errado sobre quem era como nem sequer sabia o que poderia ser.

Resumindo, uma crise de identidade.

O celular tocou de novo, Jimin leu o nome do pai no identificador de chamadas. O pai que o abandonou. O pai que não foi buscá-lo na delegacia. O pai que não o visitou antes de seu embarque forçado para o acampamento. O pai que obviamente não o amava tanto quanto ele acreditava. O pai cuja falta, a despeito de tudo, Jimin sentia de todo o coração.

Se aquilo fazia dele o “filhinho do papai”, ele não ligava. Provavelmente era uma situação passageira. Cedo ou tarde, deixaria de amá-lo como ele tinha deixado de amá-lo também. Certo?

Sentiu um aperto na garganta. A tentação de atender e implorar para que ele fosse buscá-lo ficou tão forte que ele jogou o telefone nos pés da cama. Continuou ouvindo o sinal de chamada e concluiu que, se respondesse, acabaria contando a respeito dos sobrenaturais e o fato de ele ser um deles — e também do encontro com Jeon Jungkook, o serial killer em potencial.

Ter segredos com a mãe sempre tinha sido fácil, pois a mãe parecia também ter os seus. Mas esconder coisas do pai era como álgebra — complicadíssimo. Assim, em vez de atender, enterrou a cabeça no travesseiro e se entregou a um novo acesso de choro. Quando bateram à porta, Jimin ainda exibia no rosto a evidência das lágrimas. Antes de decidir o que fazer, a porta se abriu e um nariz apareceu na fresta.

— Está acordado?

Como Jimin tinha se sentado na cama e visto os olhos de Hoseok voltados para ele, não pôde mentir:

— Estou.

Hoseok entrou — sem ser convidado.

— Oi, eu só... — O olhar atento de Hoseok examinou o rosto de Jimin e ele estancou de boca aberta.

Jimin sabia exatamente o que tinha surpreendido aquele bruxinho. Jimin invejava as pessoas que conseguiam pôr para fora suas emoções sem arruinar o rosto; mas como ele não tinha essa habilidade. Quando Jimin chorava, sua pele se cobria de manchas vermelhas e seus olhos inchavam a tal ponto que ele nem parecia humano. Mas, tudo bem: segundo Seokjin, Jimin não era mesmo humano. Vai lá saber.

— Está tudo bem? — Indagou Hoseok.

— Está — Respondeu Jimin, tentando dar um tom alegre à voz — É alergia.

— Por que não procura a enfermeira? Sério, você parece péssimo.

Muitíssimo obrigado.

— Não, estou bem. Logo passa.

— Isso aí não é contagioso, é? — Alarmou-se Hoseok, parando a uma distância segura.

— Espero que não — Disse uma voz à porta. A voz de SungWoon, que ainda usava óculos escuros e, segundo Jimin tinha descoberto nas apresentações, que era um vampiro. Isso mesmo, um vampiro de verdade.

— Não estou com nada contagioso — Garantiu Jimin e logo se arrependeu; se tivesse dito o contrário, eles o deixariam em paz.

Hoseok entrou e se sentou aos pés da cama. Sung seguiu-o, mas não se sentou. O que fez foi tirar os óculos de sol para examinar Jimin de cima a baixo. Sua expressão faminta lembrava a de uma pessoa de dieta avaliando um biscoito saboroso antes de derretê-lo na boca. Jimin estremeceu à ideia de ser derretido na boca de alguém.

— Você vai ao jantar e à fogueira, não vai? — Perguntou Hoseok.

— É... Obrigatório? — Perguntou Jimin, esperando que sua reação a SungWoon não tivesse sido notada.

— Você tem medo de mim? — Interrompeu SungWoon, anulando todas as esperanças de Jimin de esconder que o outro o intimidava e muito.

— Por que... Por que eu teria?

— Será porque meus dentes são afiados? — Abriu a boca e expôs uma fileira de dentes extremamente brancos, em que se destacavam dois longos caninos — Porque posso sugar o seu sangue até a última gota?

Jimin precisou de muito esforço para não se encolher ao ouvir as palavras de SungWoon, especialmente quando passou a língua gulosamente pelos lábios.

— Pare de zoar com ele — Riu Hoseok, revirando os olhos.

— Ele está com medo de mim — Disse SungWoon, apontando para Jimin — Seu coração está disparado e seu pulso, acima do normal. Olhe como palpita a veia no pescoço. Não, não sei se ele sabe que só estou brincando.

A alusão de SungWoon à sua veia fez com que o sangue de Jimin corresse mais depressa.

— É claro que sei — Mentiu Jimin — Seokjin me disse que todos aqui são... Gente boa.

— E você acreditou nele? — Os olhos de SungWoon o acusavam de não estar sendo totalmente honesto.

Jimin concluiu que a capacidade de SungWoon de ler seus sinais vitais superava sua própria capacidade de mentir.

— Quero acreditar. Mas não nego, minha mente ainda não assimilou bem o fato de os sobrenaturais... Existirem.

— Mas você é um sobrenatural — Disse Hoseok — Como pode ignorar...

— Seokjin acha que eu sou — Nos últimos minutos, Jimin ainda alimentava a esperança de que o diagnóstico de Seokjin estivesse errado.

— Você é sobrenatural, sim — Disseram Hoseok e SungWoon ao mesmo tempo, ambos arqueando de leve as sobrancelhas.

— Ou, pelo menos, não inteiramente humano — Acrescentou SungWoon — Podemos ver isso pelo seu padrão cerebral.

— E vocês não se enganam nunca? — Perguntou Jimin, apertando os joelhos contra o peito.

— Todo mundo pode se enganar às vezes — Hoseok disse.

— Mas não muitas — Acrescentou SungWoon.

Essa resposta, ainda assim, não acabou com as esperanças de Jimin.

— No entanto, isso acontece, certo? — O peso em seu peito diminuiu.

— Sim, existem pessoas que tem um tumor no cérebro — Explicou SungWoon.

Jimin pousou a testa nos joelhos. Ou ele era um sobrenatural ou morreria de um tumor no cérebro; não sabia qual das duas possibilidades poderia ser pior.

— E há aqueles que são apenas tantãs — Acrescentou Hoseok.

Jimin levantou a cabeça:

— Tantãs?

— É, que piraram.

— Então eu talvez seja apenas tantã. Já me acusaram disso antes.

— Mas, espere um pouco — Disse Hoseok — Seokjin não disse que você tem poderes? — SungWoon e Hoseok ergueram as sobrancelhas com um olhar inquisitivo.

— Disse — Murmurou Jimin, dando de ombros — Mas talvez só tenha dito isso porque vejo de vez em quando um fantasma supercarregado de energia.

— Fantasma? — exclamaram SungWoon e Hoseok ao mesmo tempo. Jimin podia estar enganado, mas a verdade é que os dois garotos pareciam agora horrorizados e mortos de medo. Seu susto lembrava a reação de Taehyung quando ele lhe perguntou se ele também via fantasmas.

— Você vê os mortos? — SungWoon se afastou da cama — Que droga, não vou querer dividir meu espaço com alguém que vê fantasmas por aí. Isso é bizarro demais.

Até Hoseok se levantou da extremidade da cama. Jimin olhou para eles, totalmente confuso.

— Devem estar brincando, não? Têm medo de mim? Mas você é um bruxo — Apontou para Hoseok — E você é um vampiro — Virou-se para SungWoon — E vêm me dizer que eu — Tocou o próprio peito — é que sou estranho?

Hoseok e SungWoon trocaram um olhar, mas nenhum negou o que Jimin tinha acabado de dizer.

— Tá, então esqueçam tudo — Disse Jimin, magoado com a atitude dos garotos — No entanto, só para esclarecer, saibam que eu não converso com os fantasmas.

Mas então percebeu que os dois olhavam para ele do mesmo jeito que ele próprio tinha olhado para eles o dia inteiro. A amargura de experimentar do seu próprio veneno fez a cabeça de Jimin dar piruetas.

— Então eles apenas rondam você? — E SungWoon passeou o olhar pelo quarto — Por favor, diga-me que não tem nenhum aqui neste momento.

— Nenhum — Irritou-se Jimin. Mas não estava com raiva de SungWoon e sim da situação. Pois, se alguém lhe confidenciasse que via fantasmas, ele também ficaria com medo dessa pessoa.

— Ótimo — Disse Hoseok aliviado, retomando seu lugar aos pés da cama.

SungWoon continuava olhando em volta.

— Não... Isso é esquisito demais. Não quero dividir meu alojamento com você.

— Não sou mais esquisito que vocês — Disse Jimin, olhando para o vampiro. E, por algum motivo, desejou que ele o aceitasse como era.

— Jimin tem um pouco de razão — Raciocinou Hoseok, voltando-se para SungWoon — Nós também devemos ser bastante assustadores aos seus olhos. Então vamos acabar logo com isso e nos tornarmos amigos.

SungWoon deu um longo suspiro.

— Tudo bem, mas você nos dirá quando houver um fantasma por perto?

Jimin concordou, mas percebeu logo que aquela exigência seria difícil de cumprir, pois no mesmo instante sentiu o calafrio que anunciava uma presença fantasmagórica. Felizmente, não “viu” o intruso, nem se esforçou para vê-lo, mas quem poderia censurá-lo por não querer trocar olhares com um morto?

Jimin achava que não conseguiria engolir nada, mas quando o aroma envolvente e picante de pizza alcançou suas narinas, lembrou-se de que havia comido muito pouco naquele dia. Conseguiu comer uma fatia fina de pizza calabresa com queijo, além de metade da salada, antes de perceber que, novamente, estava sendo alvo de olhares. Alguns ali ainda estavam tentando entender o que ele era. Bem, boa sorte para eles. Engoliu outro bocado de salada e esperou que, caso descobrissem, pelo menos guardassem o segredo para si mesmos.

Enquanto passeava os olhos pelo ambiente, descobriu Taehyung em outra mesa, acompanhado por uma garota de cabelos ruivos — que, pela expressão corporal, estava achando o garoto mais interessante do que a pizza. Inclinava-se tanto para ele que seu seio esquerdo roçava no braço dele, e Taehyung, pelo modo como também se inclinava para ela, sem dúvida devia estar feliz com sua atenção.

Uma pontinha de ciúme alfinetou seu peito, mas Jimin procurou ignorá-la. Aquilo era apenas porque o garoto lembrava muito Taemin. Mordendo o lábio e reprimindo as emoções, reconheceu que devia tomar cuidado com ele, pois seria fácil confundir seus sentimentos. Nesse exato momento, Taehyung olhou por cima do ombro e seus olhares se encontraram. A sensação de borboletas batendo asas se espalhou pelo seu estômago.

— Acho que ele gosta de você — Sussurrou Hoseok.

Notando que Jimin e Taehyung haviam chamado a atenção, olhou para o outro lado.

— Só deve estar curioso a meu respeito, como todos os demais — Sussurrou de volta.

— Nada disso. O ele está louco por você — Disse SungWoon, o que lembrou Jimin a audição sobrenatural de alguns dos campistas — Quando estava ao seu lado no almoço, produziu tanta testosterona que o ar ficou quase irrespirável. Ele deseja o seu corpo — Brincou SungWoon.

— Pois não o terá — Garantiu Jimin.

— Então não gosta dele? — Perguntou Hoseok, num tom ansioso.

— Não desse jeito — Aquilo não era bem verdade, mas ele deixou passar, pois sabia que qualquer sentimento por Taehyung era resultado da semelhança dele com Taemin. Sua vida já estava bem confusa e um novo relacionamento só ia complicar as coisas, principalmente se fosse baseado numa mentira. Taehyung não era Taemin.

E Taemin o queria de volta. Ou, pelo menos, foi o que insinuou ao telefone. Com tanta coisa para fazer aquele dia, não tinha tido tempo para pensar no que sentiu depois da confissão de Taemin. Feliz? Triste? Furioso? Talvez um pouco de cada coisa?

Decidido a manter sua sanidade mental, Jimin mudou o foco e estendeu a mão para o copo de refrigerante diet. Viu então quando SungWoon tirou a calabresa de seu pedaço de pizza e levou-a à boca. As pontas de seus caninos afiados chamaram a atenção de Jimin, fazendo-o esquecer um pouco Taemin e imaginar como seria conviver com uma vampiro.

Enquanto outro pedaço de calabresa desaparecia na boca de SungWoon, Jimin se deu conta de que o garoto estava comendo. Ora, pelos livros de ficção que tinha lido, vampiros não comem. Só bebem... O olhar de Jimin pousou no copo de SungWoon, cheio de um líquido vermelho, espesso.

— Que nojo — Jimin sentiu o estômago revirar e levou imediatamente a mão à boca.

— O que foi? — Perguntou SungWoon.

— Isso aí é... Sangue? — Gaguejou e, olhando à sua volta, notou em algumas mesas copos cheios da mesma substância vermelha.

— Repugnante, não? — Disse Hoseok, inclinando-se.

— Repugnante é andar por aí com um sapo — Ralhou SungWoon, furioso.

— Não ando por aí com sapos — Revidou Hoseok, com certo embaraço nos olhos castanhos — Joguei um feitiço naquele cara. Foi merecido é claro, mas agora não consigo encontrar um contrafeitiço e toda vez que ele se comporta mal, transforma-se num sapo e vem me encher a paciência.

Havia desespero na voz de Hoseok, mas Jimin mal prestou atenção. Por alguma razão, o fato de Hoseok transformar pessoas em sapos não o inquietava tanto quanto ver Sung Woon bebendo sangue. Mas, por Deus, que tipo, de sangue era aquele?

SungWoon olhou para Jimin e percebeu sua repugnância.

— Ver gente morta é repugnante. Isto — Ergueu o copo e bebeu um grande gole — Não é.

Quando colocou o copo na mesa, duas gotas vermelhas lhe escorreram dos cantos da boca. SungWoon estendeu a língua rosada e lambeu-as. O estômago de Jimin se contraiu e a pizza, agora uma massa inflada que parecia não caber mais lá dentro, tentou fazer o caminho de volta.

— E, é claro, vocês — O sorriso de SungWoon era maquiavélico — Descobrirão quando tiverem que experimentar.

— Experimentei no último verão e era nojento — Garantiu Hoseok — Isto é parecido com o cheiro de moeda velha.

— Como é que é? — Jimin engoliu em seco — Vou ter que beber sangue. Não, não vou fazer isso. De jeito nenhum. Eu, não — Apertou a mão na boca para não vomitar.

— Beber não, só provar — Esclareceu Hoseok — Todos temos de conhecer a cultura uns dos outros até o fim do verão. Nós, bruxos, realizamos uma cerimônia e mostramos algumas de nossas magias, quanto aos lobisomens, da última vez vimos Jeon Jungkook se transformar. Foi assustador. Nunca irrite um lobisomem.

Jimin deixou de pensar em beber sangue e imaginou Jeon Jungkook se transformando num lobisomem. Lembrou-se então de seu breve encontro na hora do almoço — quando ele provavelmente o irritara.

Obviamente, nem precisava que Hoseok o avisasse. Sabia por experiência própria do que aquele sujeito era capaz. Então, por alguma razão absurda, surpreendeu-se tentando localizá-lo na multidão, mas Jungkook já tinha saído ou estava de costas para ele.

— Os lobisomens não são tão perigosos quanto os vampiros — Disse SungWoon, defendendo sua espécie com entusiasmo — Os lobisomens só têm poder total uma vez por mês. Nós, vampiros, temos o tempo todo, por isso é a nossa espécie que você não deve irritar.

Jimin continuou sentado, tentando digerir a conversa enquanto seu estômago embrulhado tentava digerir a pizza.

— Quanto aos metamorfos... Aquilo foi estranho, mas não assustador — Interrompeu Hoseok.

— E os Fae, o que fazem? — A pergunta veio de uma voz grave, obviamente masculina.

Jimin reconheceu o timbre da voz de Taehyung antes que seus olhos se encontrassem. Quando o viu, percebeu que ele também o vira, pois olhava diretamente para Jimin. O nó em seu estômago apertou-se ainda mais. Só que esse nó, assim como as borboletas, não era de todo desagradável. De fato, devia tomar muito cuidado com Taehyung em se tratando de emoções.

— Bem — Disse Hoseok, num tom mais alto que o normal — Como fadas e elfos têm um dom diferente, cada um deles faz uma curta apresentação — Lhe deu um largo sorriso.

— Qual é o seu dom? — Perguntou SungWoon a Taehyung, enquanto espetava outro pedaço de calabresa da pizza e enfiando-o entre os lábios.

Lábios que acabavam de beber sangue.

Uma longa pausa seguiu-se à pergunta. A postura de Taehyung enrijeceu.

— Quem disse que eu tenho dons? — Pelo tom de voz, ele não gostava de ser questionado. Ou talvez fosse como Jimin e resistisse a aceitar que fosse sobrenatural.

— Uma das fadas, no ano passado, podia ler pensamentos — Prosseguiu Hoseok, sem dar atenção à atitude de Taehyung — Você pode ler os meus agora? — Mordeu o lábio e o fitou com um olhar de desafio.

Jimin virou-se de novo para Taehyung. Ele então lia a mente das pessoas? Não, talvez não, pois antes tinha perguntado o que ele era. Ou será que tinha perguntado só para puxar conversa? Lembrou-se dos seus pensamentos secretos a respeito do corpo dele, comparando-o ao de Taemin. Mais essa! 

Seria muito embaraçoso se ele soubesse que ele o imaginara sem camisa. Então se deu conta de que estava imaginando aquilo outra vez, Jimin sentiu o rosto queimar e Taehyung, ainda fitando-o, não perdeu um detalhe sequer.

— Outra fada movia objetos só com a força da mente — Continuou Hoseok em tom mais alto, como que para atrair a atenção de Taehyung — Mas é claro, as bruxas também podem fazer isso.

— É mesmo? — SungWoon parecia realmente impressionado — Então faça isso agora. Mova o meu prato — E recostou-se, como que para dar mais espaço a Hoseok.

Hoseok, com a testa franzida, fuzilou SungWoon com o olhar.

— Não posso. É contra as regras.

— Regras? Ah, danem-se as regras — Bradou SungWoon — Ninguém vai ficar sabendo.

— Não posso — A face de Hoseok ficou vermelha, quase tão vermelha quanto as mechas de seus cabelos. Jimin achou ótimo descobrir que não era o único a enrubescer por qualquer coisa.

— Por que não? — Insistiu SungWoon — Só por causa de alguma regra idiota.

Hoseok lançou a SungWoon um olhar penetrante.

— Por que não vai se afogar em sangue? — E, mais vermelha ainda, virou-se para Taehyung, a quem obviamente queria impressionar.

— Ah, é? Vem enfiar uma estaca em mim — Zombou SungWoon.

— É melhor tomar cuidado ou faço isso mesmo — Revidou Hoseok, com uma expressão que agora passava do embaraço para a raiva.

O olhar de Jimin ia de um para o outro enquanto eles trocavam ofensas. Que ótimo! Agora seus dois colegas de alojamento ameaçavam se matar.

— Fiquem frios vocês dois — Aconselhou Taehyung, como se lesse a mente de Jimin.

— Já estou bem frio — Disse SungWoon, sempre olhando para Hoseok — Ele é que é esquentadinho. Mas é bom tomar cuidado porque um dia desses posso me esquentar também — Levantou-se de um salto e, antes que Jimin pudesse perceber, já estava longe.

— Uau — Exclamou outra voz masculina.

Yoongi, o garoto dos olhos esquisitos que tinha se transformado em unicórnio, estava em pé, ao lado de Taehyung. Jimin fitou seus olhos negros e sentiu o coração acelerar, em pânico.

— Ei — Disse Yoongi a Hoseok — Adoraria assistir a vocês dois se embolando e rasgando a roupa um do outro!

— Só em seus sonhos — Replicou Hoseok.

— É isso ai — Continuou Yoongi — Especialmente a parte em que rasgam as roupas.

— Vê se cresce — Resmungou Hoseok recolhendo sua bandeja e a de Jimin para levá-las embora.

— Obrigado — Agradeceu Jimin, ainda olhando de Taehyung para Yoongi, sem saber qual dos dois o deixava mais nervoso: Taehyung que o fazia sentir coisas que não gostaria de sentir, ou Yoongi, que simplesmente o deixava aterrorizado.

Seu celular tocou. Tirou-o da bolsa, torcendo para que não fosse o pai e sim Jenny, com a notícia de que não estava grávida. Respirou aliviado ao ver o número de Jenny na tela.

— Até mais — Disse aos colegas. E, louco para sumir dali, saiu em busca de um lugar onde pudesse conversar tranquilamente com a amiga. Mas quantos quilômetros teria que se afastar para ficar fora do alcance da super audição dos sobrenaturais?


Continua...



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