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História Born at midnight - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capitulo 2


Fanfic / Fanfiction Born at midnight - Capítulo 2 - Capitulo 2

Uma hora depois, Desci com uma mochila nas costas e minha bolsa no ombro. Minha mãe esperava na porta

— Você está bem? - questionou.

Como eu poderia estar bem?  

— Vou sair — foi a única resposta que eu dei. Muito mais do que falei no velório da vovó. Na ocasião, tinha notado o batom vermelho que a funerária tinha aplicado no cadáver da vovó.

Por que não tira essa droga da minha boca? — quase a ouviu resmungar.  

Minha mae notou a mochila nas minhas costas e uma ruga de preocupação adornou sua face.

— Para onde está indo? — quis saber.  

— Você disse que eu poderia passar a noite na casa da Jennie. Ou estava ocupada demais queimando a cueca do papai para se lembrar disso?  

Ela ignorou meu comentario ácido.

— E o que as duas vão fazer à noite?  

— Kim Jong-in vai dar uma festa para comemorar o fim das aulas — não que eu tivesse a mínima intenção de me divertir. Graças ao fim do namoro com Sehun e ao divórcio dos meus pais, meu verão tinha ido parar no vaso sanitário. E, do jeito que as coisas estavam indo, sem dúvida alguém passaria por lá e daria a descarga.  

— Os pais dele vão estar em casa? — minha progenitora questionou, arqueando uma sobrancelha.  

— Não é lá que sempre estão?  

Tudo bem, uma mentira. Quase nunca ia às festas de Kim Jong-in justamente por aquele motivo — e era nisso que dava ser tão comportada. Agora precisava esfriar um pouco a cabeça. Além do mais, minha mãe também não tinha mentido quando o pai perguntou pelas  cuecas? 

— E se você tiver outro daqueles sonhos? — perguntou, tocando seu braço.  

Um toquezinho de leve. Era tudo o que ganhara dela nos últimos tempos. Nada de abraços demorados, como os do papai. Nada de passeios juntas. Apenas indiferença e toques rápidos. Mesmo quando a vovó morreu, minha mãe não me abraçou — na ocasião, precisava muito de um abraço. Ao contrário, foi meu pau quem me abraçou e acabou ficando com uma mancha de maquiagem no paletó. Agora, papai e todos os seus paletós tinham ido embora.  

Respirando fundo, finquei as unhas na bolsa.  

— Avisei a Jennie que talvez eu acorde gritando, com sede de sangue. Ela me garantiu que vai cravar um crucifixo de madeira no meu coração e me arrastar de volta para a cama.  

— Acho melhor, então, você esconder as estacas antes de dormir — tentou fazer graça.

— Farei isso — por um instante, lamentei deixa-la sozinha justamente no dia em que meu pai foi embora. Bobagem. Ela ficaria bem. Nada abalava a Rainha do Gelo.  


 

— Tome. Não precisa beber, é só segurar — Jennie colocou uma garrafa de cerveja na minha mão e se afastou.

Dez minutos se passararm e ainda estava na mesma posição. Jennie também nao retornou, o que significa que encontrou alguem que chamou sua atenção.

Cansada de estar no mesmo lugar decidi perambular, conhecer a casa, mas meus planos foram frustados quando alguém esbarrou em mim.

— Merda!  - esbravejei.

— Ai, foi mal! — apressou-se a dizer o desastrado, constrangido.  

Encarei os olhos castanhos e calmos de Xiumim e tentei sorrir. Pensar que estava sendo educada com um cara legal, que andava perguntando por mim na escola, tornava mais fácil o sorriso. Mas o fato dele ser amigo de Sehun diminuía muito meu entusiasmo.  

— Não foi nada — disse.

— Vou buscar outra pra você — parecendo nervoso, ele se afastou.  

— Não precisa! — gritei, mas, em meio à música e ao alvoroço, ele não ouviu.  

De novo, a campainha. Alguns garotos se afastaram e ela pôde ver a porta. Mais especificamente, Sehun entrando pela porta. A seu lado — ou grudada nele — vinha a nova namorada, toda exibida.  

— Maravilha — olhei em volta, imaginando como seria legal no momento poder me teletransportar, quem save para a China ou o Japão? Minha casa também seria uma boa, se pelo menos meu pai ainda estivesse lá.

Avistei Jennie pela janela de trás, por um milagre ela estava sozinha, nao pensei duas vezes e fui até ela. Jennie ergueu a cabeça. Deve ter percebido o pânico na minha face.

— O que aconteceu? - perguntou-me.

— Sehun e sua piranha estão aqui.- inclinei minha cabeça na direçao deles.

Jennie franziu a testa.  

— E daí? Vá paquerar alguém para deixá-lo com ciúmes. - Revirei os olhos:

— Não quero ficar vendo Sehun e essa vadia se esfregando.  

— Eles estavam se esfregando? — perguntou.

— Ainda não. Mas, quando toma uma cerveja, Sehun só quer saber de enfiar a mão debaixo da blusa de uma garota. Sei disso porque fazia o mesmo comigo.  

— Não esquenta — disse Jennie, apontando para a mesa. — kris trouxe margaritas. Tome uma e vai se sentir melhor.  

Mordi meu lábio pra nao gritar. Minha vida está um caos.

— Escuta — continuou Jennie. — Nós duas sabemos que só o que você tem a fazer para reconquistar Sehun é agarrá-lo e ir lá pra cima com ele. Esse cara ainda te ama. Hoje mesmo perguntou de você quando saíamos da escola.  

— Você sabia que ele viria? — A traição me deixou magoada.  

— Claro que não. Mas relaxa.

Relaxar?  

Olhei para minha melhor amiga e percebi que as coisas tinham mudado muito entre nos duas. Não porque Jennie,ao contrário de mim, adorasse festas ou tivesse perdido a virgindade. Bem, talvez fossem as duas coisas; mas havia mais.  

 Suspeitava que Jennie queria me arrastar para festas regadas a muito álcool. Mas para quê, se achava que cerveja tinha gosto de xixi de cachorro? E não tinha nenhuma intenção de transar?  

Tudo bem, não era bem assim: queria transar. Com Sehun, fiquei tentada, realmente tentada, mas me lembrei a tempo da conversa com Jennie, quando decidimos que a primeira vez tinha que ser especial.  

Então lembrei que Jennie tinha cedido às “necessidades” de Brad — Brad, o amor de sua vida — e, depois de duas semanas de “pegação”, esse grande amor tinha dado no pé. O que havia de tão especial nisso? Desde então, Jennie tinha se envolvido com outros quatro carinhas e transado com dois. Agora, não dizia mais que sexo era especial.  

— Ei, sei que está triste por causa dos seus pais — consolou-me  — Mas, por isso mesmo, precisa relaxar e se divertir um pouco — arrumou os longos cabelos castanhos atrás das orelhas. — Vou buscar uma margarita para você. Vai adorar.  

Jennie foi até a mesa, onde um grupo estava reunido. Fiz mensão de acompanha-a, mas estanquei ao ver o soldado Dude. Ele parecia mais assustador do que antes, virei as costas para sair dali, e novamente alguém esbarrou em mim, derramando cerveja entre meus seios.

— Que maravilha! Meus peitos vão ficar com cheiro de cervejaria.  

— O sonho de todo homem — disse uma voz masculina.— Mas sinto muito.   

Reconheci Sehun antes mesmo de ver seus ombros largos e aspirar seu cheiro tipicamente masculino. Ignorando a dor que vê-lo tão perto me causava, levantou os olhos.  

— Não foi nada. Xiumin já fez isso antes. -disse.

— Então é verdade — suspirou ele.  

— Como assim? — perguntei.

— Você e Xiumin estão juntos. 

Pensei  em mentir. A ideia de fazê-lo sofrer me agradava. Agradava tanto que me fez lembrar do joguinho idiota que meus pais vinham disputando ultimamente. Ah, não, não imitaria as criancices deles.  

— Não estou com ninguém — disse, e comecei a me afastar.  

Ele me segurou. Aquele toque e o calor daquela mão em meu braço enviaram ondas de agonia diretamente ao meu coração. Tão pertinho dele, seu cheiro bom e masculino me embriagava. Ah, meu Deus, como gostava daquele cheiro!  

— Soube de sua avó — continuou Sehun. — E Jennie me contou que seus pais estão pensando em se divorciar. Lamento muito, Sarang.  

Senti um bolo na garganta, engoli a vontade de pedir um abraço. Nada, no momento, seria melhor que os braços de Sehun à minha volta. Mas então vi a garota — o brinquedinho sexual dele — aproximando-se com duas garrafas de cerveja nas mãos. Em menos de cinco minutos, Sehun estaria enfiando a mão na sua calcinha. E, observando a blusa curtíssima e a saia minúscula que a garota exibia, ele não teria muito trabalho.  

— Obrigada — murmurei, indo para junto de Jennie. Felizmente, o soldado Dude chegou à conclusão de que margaritas não faziam seu gênero e foi embora.  

— Tome — disse Jennie, tirando a cerveja das minhas mãos e me entregando um copo de margarita.  

O copo parecia mais frio do que o normal. Inclinei um pouco para sussurrar.

— Viu por aí, há um minuto, um sujeito esquisito? Fantasiado de militar?  

Jennie me lançou um olhar de interrogação.  

— Quanto dessa cerveja você já bebeu? — sua gargalhada encheu o ar da noite.  

Apertei o copo gelado com mais força. Talvez estivesse mesmo ficando maluca. Misturar álcool com aquela situação absurda não devia ser uma boa ideia.  

 

 

 

Uma hora mais tarde, quando três policiais de jacksonville entraram no quintal e puseram todos em fila diante do portão dos fundos, ainda tinha a mesma margarita intacta nas mãos.

— Vamos lá, garotada — disse um dos guardas. — Quanto mais cedo chegarmos à delegacia, mais depressa seus pais aparecerão para levá-los embora.

E foi então que não tive mais dúvidas: minha vida havia se tornado de fato uma merda. E alguém tinha dado a descarga.

— Onde está o meu pai? — perguntei à minha mãe quando a mesma entrou na delegacia. — Eu chamei o meu pai.

"É só me telefonar meu bem"— não foi o que ele disse? Então por que não estava ali para levá-la embora?

Os olhos verdes da mãe se apertaram um pouco.

— Ele me pediu para vir.

— Eu queria o papai — insisti. Precisava dele. Precisava de um abraço. Precisava de alguém que me compreendesse.

— Nem sempre temos tudo o que queremos, principalmente quando... Meu Deus, Sarang, como foi fazer isso?

Enxuguei as lágrimas do rosto.

— Eu não fiz nada. Não te contaram? Andei em linha reta para provar que não estava bêbada. Fiz mais um teste de equilíbrio e disse o abecedário de trás pra frente.

Não fiz nada.

— Acharam drogas lá — insinuou a mãe.

— Não usei drogas.

— E sabe o que não acharam lá, senhorita? — prosseguiu , colocando o dedo na minha cara. — Pais. Você mentiu pra mim.

— Talvez eu tenha puxado a você — disse, ainda remoendo o pensamento de que o pai não tinha ido me buscar. Ele devia saber o quanto estava aborrecida. Por que não foi buscar-me?

— O que você quer dizer com isso Sarang?- perguntou nervosa.

— Você disse ao papai que não sabia o que tinha acontecido com a cueca dele. Mas tinha acabado de queimá-la na grelha.

A culpa invadiu seus olhos e ela balançou a cabeça.

— A Dra. Day está certa.

— O que a minha analista tem a ver com o que aconteceu hoje à noite? Não vá me dizer que a chamou. Deus do céu, mãe, se ela aparecer aqui, na frente dos meus amigos...

— Não, ela não vai aparecer. Mas não me refiro apenas a esta noite —respirou fundo. — Não posso fazer isso sozinha.

— Fazer sozinha o quê? — perguntei, com uma sensação ruim no estômago.

— Vou mandá-la para um acampamento de verão.

— Que acampamento? — exclamei, apertando a bolsa contra o peito. — Não, não quero ir para acampamento nenhum.

— O que você quer não interessa — empurrou- me para a saída.— Interessa é aquilo de que precisa. É um acampamento para jovens problemáticos.

— Problemáticos? Você pirou de vez? Eu não tenho problemas — insisti. Bem, não problemas que um acampamento pudesse resolver. Ir para um lugar desses não traria meu pai de volta, não faria o soldado Dude sumir e não faria Sehun voltar comigo.

— Não tem problemas? Então por que estou aqui nesta delegacia, perto da meia-noite, tirando minha filha de 16 anos da cadeia? Sim, você irá para o acampamento. Vou fazer sua inscrição amanhã mesmo. Sem discussão.

 

 

 

 

 



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