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História Born In Healing - Capítulo 38


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Capítulo 38 - Promessa


Fanfic / Fanfiction Born In Healing - Capítulo 38 - Promessa

Estava escovando Polo, fazia um tempo que não o via, e como sábado eu trabalhava apenas meio período então quis passar o tempo que tinha com ele.

Tinha tanta coisa que eu deveria fazer, tinha que ver Otto, e também Mary, e Dale....

Balancei a cabeça e voltei a escovar a crina dele, já deveria estar limpo, mas era a única coisa que conseguia me manter calma.

-Você é um bom cavalo.- murmurei quando ele relinchou.- Ficou com saudades?-  fiquei na frente dele.

-Esta falando com um cavalo?- Jesse parou na porta.

-Era uma conversa particular.- cruzei os braços.

-Alguém estava com saudades de você também.- ele sorriu e Max pulou em cima de mim.

Me agachei coçando a cabeça dele e deixando que ele me cheirasse e lambesse meu rosto, não era muito tempo, mas também estava com saudades.

Levantei colocando o cabelo atrás da orelha e levantando o olhar até Jesse, ele se aproximou e olhou para Polo, depois para minha coxa.

-Você está se sentindo culpado.- sorri com cuidado.

-Não precisava atirar em você.- ele balançou a cabeça.- Fiz isso por pura vontade.

-Atiraria em você também.- balancei os ombros.- Não se sinta culpado, já passou.- coloquei a escova pendurada.

-Como está hoje?- ele não desistia de perguntar.

-Bem, e você?- quis mudar de assunto.

-Sozinho.- ele estava próximo demais.- Não ouvi você brincando com Max quando acordo. E nem fico com raiva logo de manhãzinha por algo que está gritando. É um saco.

-Coitadinho.- o encarei.

-Alex.- ele murmurou quando comecei a me afastar.- Alex.- ele repetiu.

-Não posso ficar tão perto assim...

Ele segurou minha jaqueta e me puxou até eu estar contra a parede, algo em mim gostou dele usar aquela força.

Pisquei quando ele tocou meu queixo e o levantou até estarmos nos encarando, abri meus lábios e ele tocou o nariz no meu.

-Queria fazer uma pergunta.- ele sussurrou.

-Uma pergunta?- eu ri e ele sorriu.

-Sim.- Jesse afastou o cabelo do meu rosto.- Você e eu vamos nos divertir.

-Divertir?- eu pisquei tentando prestar atenção.- Como?

-Não pense coisas safadas, sei que está fazendo isso.- ele se afastou e foi como se eu esquecesse como ficar em pé.- Vou te levar para um canto legal.

-Para o armazém?- recuperei minha mente.

-Não, para outro lugar.- ele assobiou e Max se juntou a ele.- Vista roupas quentes.

-Eu gosto de saber para onde eu vou.- expliquei apoiando meu braço em Polo.

-É uma pena.- ele sorriu se afastando.- Vejo você depois.

Jesse foi embora e eu segurei as rédeas de Polo o levando para perto da comida, acaricei o pescoço dele enquanto isso.

Abaixei a cabeça e olhei para meus sapatos, não percebi que estava sorrindo até minhas bochechas começarem a doer.

Balancei a cabeça tentando me distrair, olhei para onde Jesse tinha ido embora e percebi que havia alguém ali.

-Você parece bem.- Bas começou a entrar.- Está com o assassino de Mike, deve ter superado tudo.

-Não é isso, Bas....

-Transamos e você foi embora.- ele sorriu.- Nem uma palavra. Nada.

-Você não ia me deixar ir embora.- eu tentei me aproximar e ele levantou a mão.

-Eu amarraria você se fosse preciso. Para não achar aquele canalha e ele fazer sua cabeça!- Bas gritou e eu me encolhi.- Você está se deixando levar, Alex!

-Bas, não precisa gritar...

-Transou com ele também?!- ele apontou.- Transou com quem matou Mike?!

-Por favor...- lágrimas caíram pelo meu rosto.

-Não fique culpada, eu também transei nesse tempo.- ele sorriu.- Com Amber.

Pisquei enquanto levantava a cabeça e o encarava, limpei as lágrimas e assenti enquanto olhava para Polo.

-Por favor, vá embora.- peguei as rédeas de Polo.

-Não vai dizer nada? Não vai gritar ou me bater?- ele balançou a cabeça.

-Não tínhamos nada. Transamos. Eu fui embora.- o encarei séria.- Não deve nada a mim assim como não devo a você.

-Uma ova que não.- ele se aproximou e fiquei alerta.- Quero saber se transou com ele.

-Cuide da sua vida.- balancei a cabeça e ele segurou a gola da minha camisa.

-Quero saber se traiu Mike como me traiu.- nunca tinha visto Bas assim. Acho que nunca o vi ou o conheci mesmo.

-Eu não traí nenhum dos dois.- segurei o pulso dele.- Me solte ou vai ter problemas.

-Você transou com ele.- Bas pareceu surpreso.- Você é.... você é....- ele balançou a cabeça.- Você é uma vadia.

Rosnei apertando o pulso dele e o empurrando, Bas desviou do meu soco e deu um na minha barriga, então me jogou contra as caixas que estavam ali.

Elas quebraram embaixo de mim e eu não consegui me levantar, senti uma gota de sangue sair da minha boca e correr pela minha bochecha.

-Deus, Alex.- Bas veio até mim.- Eu não queria...- ele se agachou.

-Não toque em mim.- consegui me sentar.- Merda.

⟨⟩

Abri a porta da creche e Lana estava cuidando de algumas crianças, observei outras duas meninas cuidarem também.

Era para Betty e Alex estarem ali, mas aparentemente não estavam, Lana levantou e veio até mim.

-Onde Alex está?- fiquei preocupado.

-Não soube?- ela franziu as sobrancelhas.

-Não, o que?- cruzei os braços.

-Ela...- Lana coçou a cabeça.- Apenas vá até a casa de Henry.... Jesse!

Eu já estava correndo, se Lana não era capaz de falar o que tinha acontecido então eu deveria estar preocupado.

Não me passou pela cabeça nada leve, apenas as piores coisas, um tiro, uma queda, um membro amputado...

Meu coração batia tão rápido que eu achei que poderia parar a qualquer momento, poderia literalmente parar.

Tinha que ser mais rápido, tinha que chegar mais rápido, tinha que ver Alex e fazer tudo para garantir que estivesse bem.

Subi as escadas da varanda rapidamente e comecei a bater na porta, eu iria arrombar se ninguém me atendesse....

-Calma.- Henry abriu a porta.- Ela...

-Onde?- eu não me importava se estava a ponto de desmaiar por não conseguir respirar.

-No quarto, mas ela não está...

Subi sem deixar ele terminar a frase, abri a porta do quarto dela e procurei pelo canto, não havia ninguém.

Olhei para o lado e finalmente vi, Betty estava ajudando ela a tirar a camisa, e o que vi me deixou puto, de formas que nem sabia que podia ficar.

As costas de Alex estavam roxas e arranhadas, ela não conseguia ficar em pé então apoiava as mãos nos ombros de Betty.

-Jesse.- Betty falou indignada.

Alex virou o rosto para mim e quase caí de joelhos no chão, ela estava com um olho roxo, sem inchaços, muito roxo, a sobrancelha sangrava e um dos cantos da boca dela também estava sangrando.

-Eu cuido dela.- entrei no banheiro.

-Não...

-Tudo bem, Betty.- ela assentiu.

Betty tentou sorrir e segurou uma das mãos dele, trocando o apoio dela para mim, Betty saiu e fechou a porta do banheiro.

A encostei na pia e vi de frente, apenas uma mancha roxa enorme estava no abdômen dele, travei o maxilar e abri as gavetas até achar a certa.

Peguei um pouco de algodão e então o antisséptico, borrifei um pouco e segurei a nuca dela com delicadeza e pressionei o algodão contra a sobrancelha.

Ela se encolheu e eu virei o rosto para o lado piscando para afastar as lágrimas, tentei controlar minha voz quando falei:

-Quem fez isso?

-Já passou.- ela murmurou.

-Quem fez isso?- insisti.

-Jesse...- a voz dela me fez virar o rosto e encará-la.- Por que quer saber?

-Para eu saber se é a mesma pessoa que estou pensando.- só sabia de uma pessoa que devia desconfiar.

-Ai.- ela fechou os olhos e eu afastei o algodão.- Foi um acidente.

-Você levou um soco aqui.- apontei para o abdômen dela.- Foi isso que a fez cair ou foi um empurrão?

-Betty tinha remédios, você tem remédios?- ela abriu os olhos e vi o que Henry falava.

Eles estavam apagados, deveria parecer loucura falar isso, mas acho que você só acreditava quando via.

Os olhos de Alex eram azuis claros, tinham um brilho natural, as vezes estava alto, as vezes baixo. Mas agora estavam... inexistentes.

-Não.- balancei a cabeça.

-Então chame ela de novo.-  Alex abaixou a cabeça.- Eu quero dormir.

-Vai dormir assim que eu limpar suas costas.- me afastei um pouco.- Vai se sentir incomodada?- sentei na borda da banheira.

-Não.- ela suspirou virando de costas e sentando nas minhas pernas.

Levantei os olhos enquanto borrifava o antisséptico e vi que ela estava de olhos fechados, devia estar cansada.

Comecei a limpar os cortes, eram pequenos e superficiais, mas mesmo assim queria ter mais tempo com ela.

-Mike dizia que tinha uma vizinhos barulhentos.- ela sussurrou.- Toda noite eles estavam brincando, não deixavam a filha dele dormir.

Prestei atenção, não sabia que Mike tinha una filha, não sabia de muita coisa sobre ele, mas queria saber agora, por que Alex estava disposta a dividir isso.

-Até que um dia ele ouviu um grito.- ela balançou a cabeça.- Ele disse que pegou a arma e foi até lá, correu tanto que ficou cansado. Mas ao entrar na casa ele disse que tudo despareceu.

Abaixei a cabeça e ouvi o que ela tinha a dizer.

-A mulher estava caída no chão, metade do rosto dela estava irreconhecível. E a não do marido, estava coberta de sangue.- ela falou aquilo com raiva.- Mike levantou a arma e o matou, ali mesmo. Mas o mais interessante foi o que ela fez.

-O que?- abaixei o algodão.

-Ela chorou, gritou por ele e se arrastou até o corpo.- Alex tremeu.- Eu não conseguia entender.

Então Alex levantou e eu me levantei também alerta para qualquer coisa, mas ela apenas pegou a blusa azul escura dobrada em cima da pia e vestiu.

-Até agora. Bas socou minha barriga e depois me jogou contra várias caixas.- ela admitiu e eu cruzei os braços.- Na hora eu fiquei com medo que ele fizesse algo mais.

-Alex...

-Mas agora eu quero enfiar uma bala na cabeça dele igual Mike fez com aquele homem.- ela apoiou as mãos na pia.- Então eu vou falar somente uma vez.

Ela virou e a encarei, me dava raiva ver o rosto dela daquele jeito, a dor que devia estar sentindo deveria ser enorme.

-Eu não quero matar mais uma pessoa, então chame Betty para que eu possa tomar qualquer remédio que me faça dormir.- a voz dela era quase automática, fria.

-Claro.- assenti e me aproximei dela.- Depois disso.

-Disso o que....

Eu a abracei e ela ficou parada, então lentamente os braços passaram por mim e me apertaram, eu fechei os olhos.

Alex encostou a cabeça no meu peito e apertou minha camisa, eu subi as mãos até a cabeça dela e coloquei entre as mãos enquanto beijava.

-Eu não quero ficar sozinha.- ela falou chorando.

-Não vai ficar.- balancei a cabeça.- Prometo.

Ela assentiu e a levei até a cama enquanto a ajeitava, assim que estava deitada e segura eu fui até a porta e a abri.

Desci as escadas e os encontrei na cozinha, Betty parecia muito emocionada também, Henry veio até mim.

-Invadiu minha casa...

-Eu precisava ver ela.- admiti.- E eu prometi ficar ao lado dela. Não vou descumprir essa promessa.

Henry me olhou como se eu fosse uma miragem e então olhou para Betty, ela veio até mim e sorriu enquanto apontava para um armário.

-Vou pegar roupas para ficar mais confortável.

-Ela disse que queria remédios.- eu falei antes de Betty ir.

-Sim, já estava indo levá-los.- então ela desapareceu pelo andar de cima.

Voltei a olhar para Henry e ele cruzou os braços, eu sabia o que ele iria perguntar, sabia disso por que estava na cara dele.

-O que quer com Alex?- era essa a pergunta.

-Eu quero ajudar.- respondi.- Ajudar ela a sair de....de toda essa merda em que ela está se afundando.

-Então é melhor ajudá-la rápido.- ele tocou meu ombro.- E é melhor fazer isso da maneira certa.

-Como?- franzi as sobrancelhas.

-Leve-a para ver as pessoas que mandou para cá. Dale, Leah, Bea, Alan, Mary.... Otto....

-Otto, não.- balancei a cabeça.

-Ela precisa saber que não pode fazer nada, Jesse, ela precisa perdoar a si mesma.- ele balançou a cabeça.- Isso pode se tornar um caminho, então.

Abaixei o olhar, pensando em tudo que Henry tinha dito, fazia sentindo, mas acho que não queria aceitar aquilo.

Não queria aceitar o fato de colocá-la frente a frente com Otto, ele estava infectado e estava morrendo por isso, ela se sentia culpada...

-Agora vá ficar com ela.- ele me soltou.

Assenti subindo as escadas e entrando de novo no quarto, ela já estava dormindo, com um copo de água ao lado e um frasco de remédios.

Haviam roupas em cima da cama, fechei a porta atrás de mim e peguei as roupas enquanto olhava pela janela.

Coloquei a calça moletom e depois a camisa, olhei para o lado e vi Alex dormindo, ela parecia finalmente tranquila, então abriu os olhos e se remexeu na cama.

-Vai deitar comigo?- ela sorriu, estava dopada.

-Sim, mas se controle, é difícil dormir comigo ao lado.- falei enquanto entrava embaixo dos lençóis, ela riu preguiçosamente.

-Você, sempre tentando fazer graça.- ela suspirou e eu coloquei as mãos atrás da cabeça.

-E você está sempre rindo delas.- sorri e Alex se aproximou deitando a cabeça no meu peito.

-Obrigada por cuidar de mim.- ela se acomodou e eu levei um braço até poder acariciar o dela.

-Sempre vou cuidar de você.- olhei para ela.

Alex assentiu e então seu rosto se suavizou, voltei a olhar para cima e fechei os olhos sentindo ela comigo.

Não sabia que precisava disso até tê-la em meus braços, queria que ela ficasse bem, então amanhã eu faria de tudo para que ficasse bem de verdade.

Levaria ela até Dale, Otto e os outros, longe de todas aquelas pessoas do abrigo, apenas nós, e então a levaria ao lugar que queria.

Se precisasse a levaria a qualquer canto que quisesse, não havia limite para o que eu podia fazer por ela, por que agora eu tinha certeza.

Eu não estava me apaixonando por Alex. Eu já estava apaixonado por ela.

Mas seria o que ela quisesse que fossemos, se ela quisesse ser apenas minha amiga, seria apenas amigo dela, apenas vê-la bem e feliz já seria bom.




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