História Boy Meet Evil - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Drogas, Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Parte V: Frankenstein de Hill Street


Uma semana depois. HSJ. Jackson, 03:45PM

Enfiei o livro dentro da mochila e saí da biblioteca, caminhando como um zumbi pelos corredores da escola. O cheio de ovo frito pairava pelo ar, era a merenda de hoje. Eu estava um pouco enjoado, pela comida preparada por Kim ontem a noite no jantar, e tudo o que ingeri antes de sair foi o café. Mesmo com um pouco de fome, decidi fazer outra coisa, e por isso peguei emprestado na biblioteca da escola O Ladrão de Raios. Eu sempre quis ler esse livro, mas por algum motivo, nunca o fiz.

O meu irmão espelho tinha um desse.

— Quem é esse garoto? — Alguém perguntou com um tom curioso, bem no momento em que coloquei minha mão na maçaneta da porta.

— O rapaz que senta na minha frente. — Reconheci a voz de Kyouya, e ele estava falando de mim com certeza. Fiquei quieto, sem mexer um músculo. Não parecia ser boa coisa.

— Eu ouvi falar que a irmã dele é amiga de traficantes. — Uma outra voz disse, meio irônica. — Será que ela vende drogas?

— Olha, eu não sei de nada, mas não duvido também. — Robert disse, num tom baixo. — O que tem de gostosa tem de esquisita, aquela garota.

— É sério isso, Park? Está interessado na irmã do Frankenstein? — Aquela mesma voz debochada disse, e um mar de risadas cortou o eco daquela sala fechada. Apenas fechei os olhos, sentindo uma sensação ruim no peito.

No meu antigo colégio, costumavam a nos comparar com esse personagem.

— Ah, é verdade. Frank se parece com aquele zumbi horroroso mesmo. — Uma voz feminina soou no mesmo tom. — Principalmente por causa das olheiras.

— Acho que vocês estão exagerando. Ele se parece mais com um mendigo do que com Frankenstein. — Essa outra voz me fez lembrar de Alexy Bundy, por causa do sotaque, e as risadas se tornaram um pouquinho mais altas. — Aquele garoto não tem nenhum senso de moda.

Qual é a graça disso?

— Eu acho que nem emprego ele tem — Robert disse rindo, junto aos outros.

— Bom, os Evils são assim mesmo. A tal da Kim é cínica e mentirosa, então é provável que Frank também seja.

Abri os olhos, sentindo uma sensação pesada de vazio e decepção. Ouvir Kyouya pronunciar tais palavras foram semelhante a uma facada de fatos falsos. Eu nunca menti para ele, nem para Robert. Eu apenas queria ficar quieto, terminar o último ano sem muita agitação e reconstruí a minha vida sozinho, sem contar com Kim é claro, porque ela não ajudaria em nada. Minha intenção nunca foi contar mentiras, ou fazer maldades com os outros.

Será que esse Gregory pensa isso mesmo de mim?

— Ah, Frank, bom dia! — Escutei a voz de Jack Hope vindo do corredor e empurrei a porta, sem paciência nenhuma para lidar com gente animada.

A vida é uma bosta, ninguém precisa ficar sorrindo o tempo inteiro. Não há razão para isso.

— Onde você estava? — Park perguntou, mas eu não respondi. — Ei, Frank... — Levantou-se, parecendo estar preocupado. — Aconteceu alguma coisa? Você está bem?

Olhei para o loiro, eu estava péssimo, mas era óbvio que não iria dizer isso a ninguém. Apenas sorri de canto e neguei com a cabeça, sentando na cadeira logo em seguida. Por que ele finge se preocupar? Estava rindo de mim junto com esses babacas e agora vem olhar para mim desse jeito? Qual é o seu problema?

— Deixe-o, Robert. Aposto que esse cara está frustrado por ter passado a noite inteira dando a bunda para pagar as contas... — Levantei-me da cadeira assim que a voz debochada daquele menino de cabelo vermelho soou bem baixa, e fui na sua direção com o punho fechado. Vi sua imagem dar uns passos para trás e se esconder atrás de uma garota, porém isso não iria me impedir de nada. Eu vou matar esse filho da puta. Eu estava cansado, com raiva e triste, e ninguém nunca saberia disso.

Ninguém mesmo.

— Não, Frank, não faça isso. — Senti uma mão ao redor do meu antebraço, segurando-me para não ir, mas só de escutar a voz dele pedindo fez minhas pernas pararem. Mordi o lado inferior da bochecha com um nó na garganta, e desistir de fazer o que eu queria ter feito com aquele babaca.

De novo esse sensação.

Impotência.

Como se esse garoto pudesse me controlar.

Olhei para Kyouya, com o coração acelerado e uma vontade enorme de chorar; enquanto ele apenas me encarava inexpressivo, com aqueles olhos negros enormes.

— Venha, vamos matar aula.

[...]

Abaixei o olhar, sorrindo fraquinho e balançando um dos pés. Eu conhecia aquela música, era uma das minhas favoritos, e saber que Kyouya também gostava dela me fez sentir mais confortável. Encostei as costas na parede atrás de nós e fechei os olhos, apreciando o som da guitarra soar melódico, a voz rouca do vocalista e o ritmo lento, mas rápido, da canção. Era rock, não me surpreendeu que ele gostasse desse tipo de gênero.

— E então, você gostou? — Perguntou, parecendo desinteressado, e eu abri os olhos.

— Sim, eu já a conhecia antes. É uma das minhas favoritas.

— E quais são elas? — Virou a cabeça na minha direção, olhando para mim com certo deboche. Fui obrigado a sustentar o olhar por uma força maior. — Você poderia me dizer.

— Eu... Gosto de trap. — Falei, dando de ombros. Não era verdade, mas não era mentira também. Eu não tinha um gênero musical preferido.

— Trap é música de drogado. — Ele entortou as sobrancelhas. — Não acredito que você curte essas merdas.

— Eu só disse que gostava, você mesmo perguntou. Não precisa falar desse jeito. — Resmunguei ácido, apoiando um dos cotovelos na mesa redonda do refeitório, me segurando para não revirar os olhos.

Escutei ele rir soprado, zombando de mim, e em seguida seus dedos afundaram no meu coro cabeludo, fazendo-me estremecer. Droga, droga, droga! Não acredito que fiz isso. Fechei os olhos, tentando fingir que nada aconteceu, envergonhado por nem ter disfarçado.

Ok, não tinha como fingir, estava na cara que eu gostei daquele toque.

Eu. Um Evil. Um garoto.

— Não precisa ficar triste desse jeito, Frank. — Ele desceu seus dedos para a minha nuca, apertando-a de leve. Será que ele percebeu? — Você pode me mostrar as músicas do seu celular, e me convencer de que são boas.

— Kyouya — Olhei para ele, tirando os cotovelos da mesa. — Você não acha que é um pouco convencido? Eu não tenho que te provar nada. Os seus gostos não são melhores do que os meus.

Seus lábios finos se curvaram em um sorriso torto, e uma parte dos seus dentes branquinhos apareceu. Senti o meu coração acelerar, pela ideia que passou pela minha mente, e engoli o seco, mais agoniado do que nunca.

Isso não pode estar acontecendo.

— Eu sou Kyouya Gregory, oras. Você achou mesmo que eu seria um garoto bonzinho, Frankenstein de Hill Street?

— Não me chame desse jeito — Eu o empurrei pelo ombro, sentindo o meu rosto começar a ficar quente.

— Por que? — Kyouya perguntou, rindo de mim. Não ria desse jeito, porra.

— Porque eu não gosto.

— Ah, que bonitinho, Frank não gosta de apelidos. — Riu fraquinho, tocando a ponta de seus dedos na parte inferior do meu queixo. — Vou começar a te chamar desse jeito só para te irritar.

Fiquei olhando para a sua imagem de garoto despreocupado, que parece não se importar com nada. Ele parecia tão... Não, ele não parecia. Kyouya é. Bonito, mesmo com esse jeito horrível de ser o garoto fez o que ninguém daquela escola tinha feito por mim nos meus momentos mais tristes.

Me distrair.

— Vai ser cansativo para você me chamar com esse nome enorme todas as vezes que me ver.

— Será impagável a sua expressão de raiva quando eu te chamar assim.

Sorri de canto e olhei para o outro lado do refeitório. Faltava poucos minutos para bater o sinal para a ultima aula e eu queria assistir, pelo menos, este último período. Quando pensei em pegar a minha mochila, senti aqueles mesmos dedos frios sobre a minha pele, agora segurando o meu pulso. Controlei a minha respiração, para não suspirar pesadamente, e mirei meus olhos no moreno da casta de lobos. Kyouya olhava-me de forma séria, sem aquela expressão habitual e irritante de escárnio dele.

— Frank... Desculpe-me. Por tudo.

Demorei para assentir. Eu sabia sobre o que ele se desculpava e não queria dizer “não”.



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