História First Love in the Hell - Capítulo 6


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Visualizações 62
Palavras 1.719
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Drogas, Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - First Love Parte 6 - meninas bravas e primeira aula


O meu primeiro beijo foi perto do portão da escola, no início de um inverno. O céu azul estava com poucas nuvens, a rua estava silenciosa e o ar gélido de Nevada queimava minhas bochechas salpicadas de sardas discretas. Eu permanecia quieta, com a boca entreaberta e paralisada, não acreditando que ele havia feito aquilo. Naquela época eu ainda estava desconfiada, eu ainda não era apaixonada por ele.

Frank tinha pegado uma gripe e estava em casa, descansando; então eu fui sozinha até a escola. Demorava uns quinze minutos até lá apé, não fazia muito sentido para meu pai cartões estudantis ou vãs escolas. Não havia sentido gastar dinheiro com coisas inúteis.

E Trent havia se oferecido naquele dia para me acompanhar até em casa. Ele estava sorrindente, usava sua jaqueta preta e mantinha preso no pulso esquerdo um relógio prateado. Todos sabiam que ele era rico, mas ninguém entendia do porque dele estar enfiado numa escola pública de bosta como o meu antigo colégio.

Se divertindo, talvez?

Esse tipo de contato sempre foi muito desconfortável para mim, então franzi os lábios e empurrei Trent para longe. No entanto, eu já não era uma garota de 15 anos e esse tipo de coisa não é mais importante para mim.

E como eu já estava com os braços levantados, enlacei o pescoço do rapaz e retribui o beijo, beijando-o de forma intensa. Nossas línguas se encontraram no mesmo instante, era como se conhecêssemos um jeito de beijar só nosso. Nossa, que bosta que eu pensei? Ele tinha um cheiro bom de alguma coisa que não consegui identificar, porque pá, a boca dele é muito gostosa. Caramba...

— Olha o que ela está fazendo... — O mais velho deles sussurrou, reconheci pela voz.

— São os jovens de hoje em dia — Mike comentou, como se ele tivesse vivido tempo o suficiente para diferenciar uma geração da outra.

— Pois é, o mundo não é perfeito.

Chupei a língua de Sinclair e encerrei o ósculo, sentindo-me elétrica. O garoto ficou olhando para mim parecendo estar enebriado, provavelmente é o efeito snake bite que eu criei.

Dei as costas para ele e ajeitei o cabelo.

— Parece que alguém vai ter que esvaziar o cofrinho no final da aula. — Cantarolei sorrindo perversamente enquanto encarava a algodão doce ambulante. — Afinal, aposta é aposta...

E sempre deve ser cumprida.

— Credo Kim, você parece o capeta falando desse jeito. — Jack disse entregando algumas notas para o meu irmão. Ninguém disse nada depois dele, com aquele silêncio desconfortável, e o rapaz percebeu o seu erro. Mirou no meu rosto com uma expressão preocupada. — Ah, me desculpe, eu não quis te chamar assim, perdoe-me, pelo amor de Deus...

— Ah, por favor — Resmunguei, começando a ficar irritada e senti a mão do meu irmão no meu ombro.

Frank olhou para mim e sorriu docemente, eu adoro esse seu sorriso quadrado. Não sei se ele se importou com o que o tal Hope disse, talvez esteja acostumado com esse tipo de coisa.

Todo Evil está, na verdade. Porém, alguns são mais tolerantes que outros.

— Será que dá para comprar uma geladeira com isso? — Ele perguntou.

— Acho que não.

— Eu NÃO vou fazer isso! — Yoona gritou do nada. Eu a encarei, e sorri de canto. Ela me olhou de volta, brava. — Você é uma vaca mesmo.

— Não precisa enfatizar algo que eu já sei.

— Tudo bem — Ela passou a mão pelo rosto, seus olhos estavam lagrimejando.— Mas vocês prometem ficar de costas?

— Meu Deus. — Mike comentou baixinho.

— Por que vocês não trocam a condição da aposta? Há outras punições além dessa. — O playboyzinho maldito disse, com os braços cruzados e encostado na grade.

— Hun? — Yoona já estava enxugando as lagrimas quando levantou o rosto, parecendo aliviada com a ideia. — Trocar a punição? Eu quero, eu quero.

— E por que eu deveria trocar? — Pronunciei-me puta. — Essa bosta de cabelo cor de rosa propõe essa merda de aposta e depois quer chorar? Vai se fuder. — Não aguentei e começei a falar. — Eu nem queria participar desse negócio de dança e já sou chamada de vadia por isso. — Apontei para Yoona. — Quero que você se foda, sua puta desgraçada. Nem sabe rimar!

Quando terminei, saí em passos apressados do ginásio. Frank veio atrás de mim em silêncio, não parecendo se importar com o que eu tinha dito. Sem música ele volta a ser o mesmo Frank de sempre.

***

Um mês depois. 07:30AM. Sala 5.

Abri a mochila e tirei o meu caderno de lá. Peguei minha caneta e fiquei rabiscando linhas emboladas, pensando em muitas coisas, principalmente sobre a festa de fim de ano no verão passado. Não sei como aquele cara com dentes de tubarão e a garota com cabelo de algodão doce se relacionam — Sasori e Yoona, mas eu vi ela com outros garotos durante a festa. Sasori quis beber comigo na praia, nós fomos com uma garrafa de vodca e nos beijamos algumas vezes, apenas. Depois ele voltou para a festa, enquanto eu voltei pra casa, para dormir e ir à escola no dia seguinte. Foi uma coisa normal, grande parte das pessoas ficam e acaba por isso mesmo. Mas aquela garota me chamou de vadia, com um olhar e um tom como se eu realmente tivesse dado para ele. Será que eu tenho cara de piranha?

Ou pior, por que estou me importando com isso?

Faz um mês desde que aquele papelão rolou no ginásio da HSJ e ainda estou preocupada em como as pessoas presentes ali pensam disso.

O sinal bateu e logo em seguida Frank entrou na sala com uma expressão irritada. Ontem discutimos porque fui demitida do meu terceiro emprego e ele ficou bravo por causa disso. Disse que eu sou uma irresponsável várias vezes, que não sei me adaptar a sociedade e que sou uma mentirosa. Se eu me importei com todas essas suas palavras frias e fui chorar debaixo das cobertas? Nem liguei. É tudo verdade mesmo.

Algumas pessoas entraram na sala e eu estranhei, estava mais vazia do que antes. Quando eu descobri que aqueles garotos do ginásio estavam na mesma sala que eu, fui direto na diretoria no fim do quinto período e pedi para que me mudassem de turma. Frank acabou indo junto porque sim, ele nem se importou.

— Bom dia, alunos. — Uma mulher com um vestido comprido e florido entrou na sala com uma bolsa e uma pasta. Tinha cabelos loiros ondulados que batiam na cintura e era incrivelmente linda, além de ser alta.

Uma MacGregor, com certeza.

— Tem aquele ditado — O menino atrás de mim disse para o outro. Não gosto dele. — Só sei que nada sei.

— De quem é essa frase mesmo? — O amigo dele perguntou com a voz arrastada.

— Sócrates.

A professora chamou a atenção deles. — A conversa está boa, não é?

Só nas filosofia, professora. — Ele esticou o braço e acabou encostando no meu ombro.

— É, mas agora não é aula de filosofia e seu português é horrível. — Ela parou na frente de todo mundo e juntou as mãos. — Meu nome é Julia MacGregor e sou professora de literatura. Sei que não é o primeiro dia de aula de vocês, mas gostaria de saber o nome de cada um para uma melhor dinâmica na turma...

Fala sério.

— Meu nome é Sarah Shermantine — A menina gótica do banheiro disse, com as pernas e braços cruzados. — Vim de Vegas Vermelha e toco guitarra numa banda.

— Ótimo. — Ela sorriu. Parece uma modelo de tão bonita. — E você? — Ela apontou para meu irmão.

— Frank Nicolas Evil. — O garoto nem levantou o olhar, estava com O Ladrão de Raios aberto. — Vim com a minha irmã de Nevada e não gosto que invadam meu espaço pessoal.

Ah, mas ele podia, né?

— E você? — Ela fixou o olhar atrás de mim. — O de cabelo rosa.

— Eddie Berkowitz. — Ele disse. Eu sei que ele está sorrindo, dá para saber pelo tom de voz. — Também vim de Nevada, e gosto de andar de skate.

— Legal. — A professora olhou para mim. — A garota da frente, por favor.

— Elizabeth Kim Evil. — Apontei com a cabeça para Frank. — Sou irmã dele.

— Gêmeos?

— Sim.

— Nossa, nem parece. — A professora olhou para o outro lado da sala e franziu as sobrancelhas louras. — O que você está fazendo aqui, Bashkim Evil Lyn?

— Reprovei de ano, né, professora. — Me virei para olhar o rosto dele. Era um rapaz magricelo que estava com os fones de ouvido enfiado na orelha. Não gosto muito de fios pretos.

— Eu não acredito. — A professora Juliette balançou a cabeça. — Espero que você trabalhe duro esse ano.

— Eu sempre trabalho duro, né. — Ele estava com os olhos fixos no celular.

— Sei. — A professora abriu a sua bolsa. Tirou um livro e uma estojo com várias canetas coloridas. — Vocês sabem que com a guerra civil que tivemos ha dois anos atrás, tanto o ensino médio quanto o superior ficaram suspensos desde então. Alguns de vocês até foram prestar serviço militar a D'evils, enfim... Vou rever os conceitos básicos do ensino, trabalharei com produção textual, provas de interpretação e projetos de apresentação com o professor de artes, meu marido, Macus MacGregor.

De repente, lembrou que o resto dos alunos não haviam se apresentado ainda por sua causa e novamente eu escutei gente que nunca vi na vida falando quem eram e do que gostavam.

— E então o que é literatura? A literatura é um tipo de manifestação artística que envolve principalmente as palavras. Em sintaxe, são apresentados em forma de prosa ou poesia. — Prof. Juliette disse e então olhou para a porta quando ela foi aberta. Nem vou olhar, aposto que é gente atrasada. — Pois não?

— Perdi a hora. Posso entrar? — O rapaz disse. Pelo tom da voz percebi que ele estava ofegante, como se tivesse vindo correndo.

— Sim, por favor.

Ele fechou a porta e se sentou rapidamente numa cadeira qualquer que estava vazia. Houve uma época na minha vida que eu também chevaga atrasada na aula, mas não era por causa de outros compromissos. Era cansaço mesmo. Mas era um cansaço psicológico, aquele que te faz pensar em não querer ser um híbrido imortal.

O cansaço que te faz pensar na morte.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...