História Boyfriend Material - Hwang Hyunjin - Capítulo 23


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Notas do Autor


eu prometi que não ia demorar hahaha, espero q gostem do capitulo de hj!

Capítulo 23 - Consequências


Fanfic / Fanfiction Boyfriend Material - Hwang Hyunjin - Capítulo 23 - Consequências

  A frase saiu quase como um sussurro. Os olhos da menina ainda estavam saltados enquanto as pessoas ao seu redor pareciam desentendidas.

 

 — Como? — o padrasto perguntou.

  

— Yale me aceitou. Eu passei! — ela disse com um pouco mais de empolgação em meio a um emaranhado de sentimentos.

  

— Ah, que coisa boa! — a mãe correu para abraçá-la forte — Eu disse que conseguiria, eu sabia!

 

Hyunjin parecia ser o único a não entender nada. Seria uma faculdade?, ele pensou ao tentar compreender.

  

— Hm... Yale? Eu nunca ouvi falar. O que é? — Hyunjin arriscou perguntar.

 

Lena engoliu seco ao tentar pensar em alguma explicação.

  

— É uma universidade americana, Jinnie — senhora Kim decidiu explicar ao ver a dificuldade da filha.

  

Uma universidade americana. Lena passou para uma universidade americana. Isso quer dizer que...?

  

Hyunjin arqueou as sobrancelhas ao se dar conta do que acontecia.

  

— E você vai estudar nela? Pensei que já estivesse tudo certo com aquela em Seul.

  

— Bem, é que... Yale sempre esteve em primeiro plano — ela respondeu tentando pensar nas palavras certas.

 

A mãe tocou no ombro do marido ao perceber a situação tensa, pedindo para que saíssem dali.

 

Os dois que restaram na sala observaram a atitude dos mais velhos. Lena baixou os olhos, enquanto Hyunjin tinha aquele olhar que parecia tão vago quanto pensativo.

  

— Então você vai voltar para os Estados Unidos?

  

— É... eu acho que sim.

 

Ele calculava suas perguntas.

  

— E quanto tempo dura esse curso?

  

— No mínimo oito períodos.

 

Aquela sensação de sentir-se fraco ao ponto de tremular percorria por Hyunjin novamente, ainda que fosse forte o suficiente para não demonstrar.

  

— Como ela sempre esteve em primeiro plano e nunca me contou nada? Eu tinha o direito de saber, Lena!

  

— E-eu disse, uma vez — ela se aproximou do rapaz. — Quando eu tentei ignorar tudo o que eu estava sentindo por você por pensar na possibilidade de passar para a faculdade. Você não lembra?

  

“Uma bolsa de estudos que não tenho certeza ou chances de ganhar.”

  

 

— ...Mas eu não quero que isso separe nós dois de novo, Hyunjin.

  

— Você não me disse que a droga da faculdade fica do outro lado do mundo.

 

A voz dele já começava a se alterar na medida em que seus olhos se enchiam de lágrimas.

 

Lena pegou sua mão, mas ele puxou de volta para si no mesmo instante e se virou de costas para ela.

  

— Jinnie... — a voz dela começava a embargar com as lágrimas — você não tem nenhum sonho? Este é o meu. Antes mesmo de vir morar aqui, antes de te conhecer.

 

As palavras pareciam quebrá-lo por inteiro. Não é justo deter o futuro dela nas minhas mãos... mas também não é nada justo o que ela está fazendo comigo.

  

— Eu amo você. Mas se você for contra a minha ida... eu sinto muito.

 

E como se já não estivesse quebrado o suficiente, aquilo acertou em cheio o seu peito.

  

— Então vai — ele respondeu por fim.

 

Mas aquele tom parecia de longe alguém compreensível. Lena interpretou que Hyunjin abriu mão dela naquele instante.

 

Ele caminhou até o sofá, pegou o celular e as chaves do carro e saiu porta afora, sem olhar para Lena novamente.

 

A ruiva que tinha ficado estática o tempo inteiro durante as ações do rapaz, enfim se deu conta do que havia acabado de acontecer. Após o choque desabou em lagrimas. Subiu as escadas aos soluços, atraindo a atenção da mãe que seguiu até a porta do quarto.

  

— Filha...

  

— Me deixa em paz, por favor! — e trancou a porta do quarto.

 

[...]

 

Hyunjin estava sentado em uma rodinha de amigos no refeitório. Ele tentava rir das piadas mesmo que elas não parecessem tão engraçadas. Sua cabeça estava sempre em outro lugar, em outra pessoa.

  

— Hyunjin-oppa! — uma voz feminina chamou sua atenção. 

 

Uma garota se aproximava do bando com mais três amigas, todas possuíam um adesivo com seu nome e potes de cookies.

  

— Soubemos que se candidatou a rei da escola e já estamos coletando alguns votos! — a menina que havia o chamado continuou.

  

— Mas achamos que também seria importante se você comparecesse a uma festa que daremos esse fim de semana — outra completou. — Sabe, para conquistar mais votos.

 

Era nítido que todos já sabiam que algo de errado acontecia com o namoro de Hyunjin e Lena. Para quem nunca se desgrudava, os dois estavam afastados demais, tanto que não haviam conversado desde a chegada daquela carta. E mais uma vez o joguinho de quem ignorava mais a existência do outro veio à tona. Porém, só Hyunjin sabia o quanto aquilo o corroía por dentro.

 

Enquanto ambos ainda pensavam no que acontecia com os dois, todo o resto do colégio parecia se importar apenas com quem tiraria uma casquinha de Hyunjin, e outros com quem teria uma chance com Lena.

  

— Posso te dar a resposta durante a semana, princesa? — ele finalmente respondeu após seu devaneio.

 

As meninas entraram em êxtase, se contendo para não darem um gritinho eufórico.

  

— Com certeza! Até mais!

 

Hyunjin soltou uma piscadela.

 

Quanto mais elas se afastavam, mas era possível ouvir as vozes e os gritos.

  

— Minha meta é ser o Hyunjin na próxima vida — um de seus amigos da roda disse, e outros o responderam no desenrolar de uma conversa regada por risadas, mas que Hyunjin já tinha se perdido.

 

Seu sorriso logo desapareceu, e seus amigos mais próximos eram os únicos a perceberem.

  

— Até quando vai ficar ignorando a sua namorada? — Kai o perguntou num tom suficientemente baixo para que mais ninguém ouvisse.

  

— Cala a boca... 

  

— Eu só to dizendo. Isso é infantil pra caralho.

 

Hyunjin olhou para Taemin procurando um refúgio, mas ele só parecia concordar com o outro.

 

O sinal que dava fim ao intervalo tocou, e todos deveriam voltar para o laboratório de química. Lena e suas amigas já estavam lá há bastante tempo.

  

— ...E não existe nenhuma maneira mesmo de você ficar? — Hinami insistia mais uma vez. 

  

— Droga, Hinami, ela já disse. Já não acha que está sendo difícil demais? — Suri a respondeu.

 

  Hinami se encolheu em sua cadeira.

 

 — Estou tentando fazê-la pensar melhor.

  

— É, mas temos que arranjar outra maneira.

  

— Obrigada meninas — Lena suspirou. — Mas situações difíceis não são nada fáceis de resolver.

 

Os alunos começaram a entrar na sala, e Hyunjin sequer a olhava.

 

Quando todos já estavam sentados, o professor adentrou na sala.

  

— Boa tarde, pessoal. Preciso que formem duplas para o exercício de hoje.

 

Enquanto alguns reviravam os olhos, outros já trocavam de lugares selecionando suas duplas.

  

— Vocês podem ficar juntas? O Kai é bem burrinho em química — Hinami perguntou, visando que Lena não ficasse sozinha.

  

— Tudo bem — Suri respondeu.

 

Hyunjin já tinha sido rápido demais em escolher Taemin.

  

— Suri! — uma colega de turma gritou — Me deve aquele trabalho de história!

 

  Suri suspirou.

  

— Ah, não pode pedir um favor para esse pessoal e já pensam em benefício próprio.

  

— Ninguém mandou ser boa em química — Lena brincou. — Vai lá, eu arranjo uma dupla.

 

  Suri tinha um sorriso triste.

  

— Desculpa, Lena.

 

Ela se levantou e foi ao encontro da menina.

  

— Alguém ficou sem dupla? — o professor perguntou, e os dois únicos alunos que restaram levantaram os braços — Christopher, sente-se com a senhorita Kim, por favor.

 

O clima da sala logo mudou, como se todas as atenções voltassem para o caminhar de Chris na direção de Lena.

 

Hyunjin queria fazer qualquer coisa para impedir aquilo, mas seria ridículo trocar de pares àquela altura.

 

Christopher ainda tinha amigos que com certeza desejariam fazer dupla com ele, o que levava a acreditar que ele esperava o momento perfeito para se aproximar de Lena.

  

— Oi — ele disse com um sorriso ao se sentar ao lado dela.

 

Lena não sabia ao certo como reagir. O peso de todos os olhares da sala caíam sobre eles.

  

— Oi, Chris.

 

O professor deu início à aula, mas Christopher não parecia nem um pouco interessado em perder o seu tempo prestando atenção.

  

— O que são esses cupcakes? — ele sussurrou, apontando com o olhar a caixa de cupcakes na frente de Lena.

  

— São para a campanha de votos da Hinami. Eu até daria um para você, mas não sei se posso confiar no seu voto — ela respondeu no mesmo tom.

  

— Heejin e Hinami... em quem você acha que eu votaria?

 

Ela deu ombros.

  

— Em você — ele respondeu. — Compraria quantos votos fossem necessários. Mas como essa não é uma opção... votaria na Hinami.

 

Lena sentiu seu rosto pegar fogo.

  

— E por que?

  

— Porque esse será o seu voto, não?

 

Ele pegou um papel do evento de formatura destinado aos votos, até então em branco, e preencheu o nome da amiga de Lena.

  

— Se me sobrar dinheiro daquela cafeteria vegana que eu te levarei mais tarde, prometo que compro mais votos.

 

Christopher ainda tinha seus charmes, como aquele sorriso largo em seu rosto do qual Lena sempre fora apaixonada. Mas aquilo já não tinha o mesmo efeito como o sorriso que chegava a fechar os olhos de Hyunjin.

  

— Olha, Chris, eu ainda não estou pronta. E eu também não me esqueci do que fez.

 

O sorriso murchou, mas ainda sim Christopher parecia alegre com a presença de Lena.

  

— É que o seu aniversário passou há um tempão e eu não sabia como te parabenizar. E eu sempre te levava lá para tomar um café quando a aula acabava. No seu aniversário eles sempre davam um bolinha de aveia, no formatinho desses cupcakes.

 

A sensação de nostalgia fez Lena sorrir pequeno. Chris sempre foi um melhor amigo do que amante.

  

— É verdade. Mas você não quer só tomar um café, não é? — ela brincou.

  

— Eu não sei mesmo disfarçar... de qualquer jeito, feliz aniversário, ruivinha.

  

— Obrigada. Ah... — Lena sacou um bolinho da caixa e deu para Christopher — e obrigada pelo voto.

 

O sorriso voltou no rosto de Christopher, e a umas mesas atrás, Hyunjin bufava mais do que um trem movido a carvão. Há tempos Hyunjin não tremia de raiva.

 

  Taemin jogou uma manta sobre suas costas, para fingir que era por conta do frio. Sempre silencioso nessas situações, com uma mão comia um bolinho e com a outra fazia carinho nas costas de Hyunjin, como que para acalmá-lo. O gesto de seu amigo fez suas tremedeiras suavizarem.

 

[...]

 

Lena saiu um pouco mais cedo da aula e ficou por um bom tempo em seu carro a espera de Hyunjin, apenas para vê-lo melhor por uma última vez naquele dia.

 

O carro estava estacionado um pouco mais a frente. Ele estava sozinho, parecia cansado e pensativo demais para notar o carro dela. Ele entrou e logo foi embora.

 

Lena adorava a sensação de dirigir só por uma estrada vazia, porém também se sentia feliz em sentar no banco do carona com Hyunjin ao seu lado. 

 

Mas naquela situação que se encontrava, precisava perder uma coisa, no sentido triste literal da palavra, para ganhar outra. Essa foi a sensação que teve desde que aquela carta havia chegado. E sentia ódio de que aquilo significava perder Hyunjin.

 

Dirigiu para casa e foi direto ao encontro de sua cama, sem tirar o uniforme.

 

No mesmo instante recebeu uma ligação de vídeo de seu pai. Ela desligou, e pensou duas vezes antes de ficar sem falar com ele. Resolveu discar uma ligação por voz.

  

— Não quer me ver, filha? — ele fingiu certo drama.

  

— Não. Eu não quero que você me veja.

  

— Oh... — e então entendeu que algo de errado acontecia com a filha — Então essa é uma das horas em que eu tenho que ser o sábio-e-sério-pai-responsável?

  

— Sim — ela disse com uma risada, mesmo que as lágrimas caíssem instantaneamente.

  

— O que houve?

  

— Eu estou muito confusa... — Lena fez uma pausa — pai, como foi para você namorar a mamãe à distancia?

  

— Bem... eu não lembro de muita coisa que senti pela sua mãe há 20 anos atrás — ele riu. — Mas tenho certeza que achei que sua mãe era o tipo de pessoa que faria qualquer coisa valer a pena, inclusive a espera — e fez uma pausa — É o garoto?

  

— É... garoto. Não qualquer um — ela suspirou. — Tente se colocar no lugar dele, e não de pai orgulhoso, ok? Ele passou por algumas experiências ruins com pessoas e creio estar dando mais uma à lista. Acha que eu seria o tipo de garota que valeria a pena todo o sofrimento? Por que isso me fez pensar... que talvez ele seja o tipo de garoto que valeria o esforço de ficar aqui.

  

— Helena, eu sinceramente acho que se trata de algo muito maior. Você com certeza está arriscando algo muito maior. Você tem 18 anos, acha que agora precisa de um diploma para construir sua vida ou de um marido para casar e ter filhos?

  

— Essa escolha me parece muito cruel — ela disse secando as lagrimas que não paravam de descer.

  

— É óbvia, filha. Veja bem, você só precisa de você mesma para alcançar o seu sonho. Um relacionamento não se trata só de uma pessoa, nem mesmo das duas, e pasme, nem só de amor. Lembro de ter jurado ficar com sua mãe para sempre, e antes dela intitulei outras duas de “amor da minha vida”. As circunstâncias levaram todas a caminhos diferentes, mas eu ainda estou aqui, com minha microempresa e com o amor dos dois filhos que sonhei — Lena podia imaginá-lo sorrir.

  

— Talvez... talvez você tenha razão — foi doloroso concordar. — Mas eu não queria que acabasse desse jeito, nem nos falamos depois que ganhei a carta. Na verdade eu não queria que acabasse...

  

— O que te direi agora provavelmente será terrível, mas é a realidade: se o amor que ele tem por você simplesmente acabar por você querer alcançar seus objetivos, então talvez ele não seja o garoto que valha a pena, filha. Se ele for, garanto que as coisas irão se acertar. 



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