1. Spirit Fanfics >
  2. Boyfriend Material >
  3. "Não é um Encontro"

História Boyfriend Material - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


Demorei, não é? Mas enfim o novo capítulo saiu.

Capítulo 6 - "Não é um Encontro"


Boyfriend Material

Por Moon_ah__

"Não é um encontro"

▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭

⠀⠀⠀Com a aproximação de dezembro, a temperatura em Sina caira drasticamente, como em qualquer outra cidade nos Estados Unidos. Para Mikasa, o tempo passara rapidamente. Chegara no país nos últimos dias de outubro, embora as aulas tivessem começado em setembro.

⠀⠀⠀A asiática colocou as mãos nos bolsos do casaco em uma tentativa de as aquecer. Eren comentava algo sobre o quão bizarra era a professora de anatomia da escola, Hanji Zoe, muito embora não tivessem aula com a mulher. Pelo menos ele achava que era uma professora. Hanji era mais alta que a maioria dos homens adultos que conhecia, Mikasa poderia jurar ter visto um pomo de Adão. Levi foi o primeiro a mudar o assunto, já que parecia não se importar. O brilho quase imperceptível nas orbes negras do rapaz a instigava.

- Vai estrear um filme de terror na sexta.

- Sobre o que? - Mikasa observou o irmão estremecer de soslaio.

- Algo sobre um grupo de adolescentes que visita uma casa mal assombrada e acaba libertando um ser maligno. Tenho a impressão de que vai ser clichê, mas as críticas estão sendo boas até agora.

⠀⠀⠀Eren sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Não gostava de filmes de terror e todos sabiam disso. Cobriu os ouvidos e começou a agir como uma criança birrenta, gritando "lalala" a plenos pulmões.

- Vamos Eren, por favor! - A menor segurou firmemente o capuz do moletom alheio, o impedindo de fugir.

- Se quiserem ir, vão sozinhos. Me recuso a assistir um filme assim.

⠀⠀⠀Levi soltou uma risada nasal e bagunçou os cabelos de Mikasa.

- A senhorita me daria o prazer de sua companhia? - Brincou ao desbloquear a tela do próprio celular, como se conferisse alguma coisa.

- Claro que sim! De que horas a sessão começa?

- Umas sete. Não se preocupe, dá tempo de passar em casa e se arrumar após o clube.

⠀⠀⠀Eren estalou a língua, meio insatisfeito.

· • 𖥸 • ۰



⠀⠀⠀Limpando as últimas manchas de tinta de sua mão com uma toalha, Mikasa mirava intensamente seu quadro recém pintado.

- Vai acabar abrindo um buraco na pintura.

⠀⠀⠀Petra apoiou o queixo sobre a cabeça da asiática, que ainda estava sentada em seu banco preferido, ao lado da janela.

- Ela parece triste - Comentou por fim, a amiga.

- Deveria estar pensativa.

A obra não estava terminada. Havia feito o fundo em tons de cinza e branco, como uma floresta de pinheiros em meio a uma nevasca, tudo isso para destacar a pequena figura de uma jovem. Vestida de vermelho vibrante. Ela estava de costas, olhando melancolicamente para cima.

- Pensando em algo triste, então? - A ruiva soltou uma risadinha e se afastou.

⠀⠀⠀Mikasa observou a garota enquanto esta se afastava. Notou a leve, quase imperceptível, mudança em sua postura ao se aproximar de Erwin. Petra entrelaçou os dedos atrás das costas, fixando o olhar no rosto perfeitamente esculpido.

- Ainda vai demorar? - Levi colocou a mochila nos ombros.

- Um pouco, pode ir na frente

- Vou avisar Eren.

⠀⠀⠀Seus olhos voltaram a se fixar nós amigos que conversavam baixinho em um canto afastado da sala. Notou o leve rubor que tomava conta das bochechas de Ral enquanto conversava com o namorado. Pelo que soubera, eles estavam juntos há bastante tempo, mas cada pequena atitude do casal lhe remetia dois adolescentes ainda descobrindo o amor.

⠀⠀⠀De certa forma, Mikasa entendia o sentimento. Estar apaixonado é muito bom. Sorriu, finalmente guardando seus pincéis e deixando a sala para os dar privacidade.

· • 𖥸 • ۰



- Então Mikasa vai a um encontro? - Carla perguntou espiando a filha na porta do quarto.

- Não é um encontro, mãe!

- Sim, sim, você já falou isso - Comentou soltando uma risadinha.

⠀⠀⠀Eren espiou pela porta do quarto, junto de sua mãe, com uma escova de dentes na boca, como se tivesse interrompido a tarefa ao escutar o que Carla falara.

- De que horas Levi vai passar aqui?

- Daqui a pouco - Mikasa terminava de ajeitar seus cabelos, os prendendo em uma trança. A garota conferiu o horário no celular - E eu vou acabar me atrasando se vocês não pararem de me perturbar!

⠀⠀⠀Carla deixou escapar uma risada. Ela cobria os lábios com sua destra.

- Vamos, filho. Alguém está ficando nervoso com o encontro.

- Já falei! Não. É. Um. Encontro.

· • 𖥸 • ۰



⠀⠀⠀Mikasa não aguentava mais as piadinhas sem graça de sua família. Após vestir seu cachecol e luvas, tratou de sair de casa. Seu celular e carteira estavam bem guardados no bolso do casaco de frio. A sessão começaria às 19, faltavam cerca de quarenta minutos. Levi não estava particularmente atrasado, mas já tinha mandado mensagem, avisando que chegaria brevemente.

⠀⠀⠀A varanda da casa possuía uma cadeira de balanço larga, provavelmente para que duas ou três pessoas pudessem se sentar de uma vez. O único problema era que seus pés mal alcançavam o chão, então a garota não conseguia se balançar, como agora.

⠀⠀⠀Não muito tempo depois, ouviu um barulho de moto. Levi lhe perguntara antes se tinha algum problema ou não gostava de motos, e como era indiferente decidiram usar o veículo.

⠀⠀⠀Esperou até o mais velho estacionar para subir e colocar o capacete que lhe fora oferecido.

- Tem certeza que não vai ficar com medo? - Brincou Rivaille. Mikasa tinha se acostumado a esse lado meio brincalhão do rapaz

- Não é como se você fosse me jogar pra fora da moto.

⠀⠀⠀Levi nada mais disse. Soltou uma risada pelo nariz antes de abaixar o visor do próprio capacete e ligar o veículo novamente.

⠀⠀⠀Não muito certa do que deveria fazer, abraçou o corpo do rapaz. De alguma forma, se sentia uma pervertida, com o corpo tão colado ao alheio, mesmo que houvessem camadas e mais camadas de tecidos entre ambos. No Japão, as pessoas costumavam ser muito mais reservadas e manter os toques no mínimo. E então, aqui estava ela. Com o corpo colado ao de um garoto que conhecia a apenas alguns meses.

⠀⠀⠀O cinema a que foram ficava um tanto longe. Chegaram no local faltando pouco tempo para o filme começar. Levi entrou na fila para comprar os ingressos enquanto Mikasa comprava pipoca e refrigerante. A asiática gostava de ser independente. Por mais que fosse gentil da parte dele querer pagar por tudo, insistiu em pagar pelo menos pela comida.

⠀⠀⠀Dessa forma, não demoraram a sentar em suas poltronas, esperando ansiosamente pelo filme.

- Minhas expectativas estão tão altas que estou com medo de me decepcionar - Falou a mais nova enquanto os trailers ainda estavam passando.

⠀⠀⠀Ambos dividiam um balde de pipoca, localizado estrategicamente entre suas poltronas.

- Qualquer coisa pedimos nosso dinheiro de volta - Respondeu, lhe arrancando uma gargalhada.

⠀⠀⠀Quando as luzes se apagaram e o filme começou, ambos os adolescentes prenderam seus olhos na tela, meticulosamente julgando cada detalhe. Quase uma hora havia se passado antes que voltassem a se falar.

⠀⠀⠀O humor dos dois piorava a cada cena. A história era cliché, a trilha sonora, normal, e os atores péssimos.

- Esse filme é muito ruim, eu não aguento mais ver isso- Rivaille suspirou cobrindo os olhos e deitando em sua poltrona.

- Ah, por favor! O cara morreu na sua frente e você fica parado, esperando pra ser o próximo?! - Reclamou Ackerman um pouco mais alto do que deveria.

⠀⠀⠀Várias cabeças se viraram para a garota dizendo "shhh". Suspirando audivelmente, a asiática se recostou em sua cadeira, permanecendo em silêncio por mais alguns minutos.

- Corre, idiota! Não fica parado! - Reclamou, sendo repreendida novamente pelas pessoas da fileira mais próxima.

⠀⠀⠀Levi segurava a própria risada. Estivera tão concentrado no filme que não notara a angústia da menor. Ela estava realmente irritada com o rumo que a obra estava tomando. Após vê-la suspirar pela terceira vez, se aproximou para sussurrar em seu ouvido.

- Você ainda quer assistir isso?

⠀⠀⠀O hálito quente do rapaz contra sua orelha fez os pelos de sua nuca se arrepiar. Mikasa agradeceu mentalmente por estar escuro e Levi não poder ver suas bochechas tomarem um tom avermelhado pela aproximação repentina.

- Não aguento mais, vamos embora - Pegou o copo de refrigerante, já se levantando para sair da sala.

⠀⠀⠀Receberam sussurros de reclamações enquanto passavam na frente de algumas pessoas para sair de seus assentos. Voltaram a se falar somente quando já estavam fora da sala.

- Aquele filme foi um desperdício de tempo - Murmurou Levi, apertando os olhos.

- Sinceramente, foi pior do que Verdade ou Desafio. Foi quase um plágio.

- Bem. Ainda estava melhor do que aquele tailandês que assistimos na sua casa.

⠀⠀⠀A garota riu ao se lembrar do dia em que fizeram Eren assistir um filme de terror com eles. Seu irmão adormeceu nos primeiros dez minutos de filme, enquanto Mikasa reclamou do começo ao fim.

- O que quer fazer agora? - Perguntou o amigo, observando as lojas enquanto caminhavam lentamente sem rumo.

- Tem alguma coisa em mente?

- Nada em especial. Só quero fazer a vinda ao shopping ter valido a pena.

⠀⠀⠀Um fraco sorriso tomou conta de seus lábios. Conferiu a hora em seu celular. Ainda tinham tempo para se divertir. Não que Ackerman tivesse horário para voltar, mas ela não gostava de ficar fora até tarde, já que ainda não tinha sua própria chave e não queria que alguém ficasse esperando para abrir a porta.

- Você gosta de coisas vintage, não é? Poderíamos ir naquele café-fliperama que abriu.

- Boa ideia.

· • 𖥸 • ۰



⠀⠀⠀Mikasa e Levi se divertiram tanto jogando aqueles jogos antigos como Donkey Kong e Pac-Man que não viram a hora passar. Foram praticamente expulsos da loja para que os funcionários pudessem fechar.

⠀⠀⠀Passava da meia noite quando chegou em casa. Todas as luzes estavam apagadas. Levi emprestou sua cópia da chave que mantinha, e, embora tenha dito a Mikasa que o devolvesse na segunda, a garota insistiu que o entregaria no dia seguinte pela manhã. O garoto esperou até que ela entrasse para finalmente seguir para seu apartamento.

⠀⠀⠀Tomando cuidado para não acordar ninguém, a asiática caminhou na ponta dos pés. Quando estava abrindo a porta de seu próprio quarto, a luz do corredor foi acesa, e uma Carla levemente sonolenta a encarava.

- Como foi o encontro?

- NÃO ERA UM ENCONTRO!


▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭▭



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...