História BoyTechno - Capítulo 11


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Categorias Originais
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Ficção Científica, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - Sem ser incomodado


Acho que o meu pedido o deixou feliz, afinal, ele foi programado para isso, era sua principal função me fazer feliz, me dando prazer. E ele sabia como, havia aprendido como fazer, conhecia meus pontos mais sensíveis e secretos, pois, bastavam alguns beijos e toques para que me desejo se acendesse, me esquecesse da loucura que estava vivendo e me entregasse, sem nenhuma restrição ou receio, a sua boca e as mãos vadias, sobre o meu corpo, sobre a minha pele quase em fogo, sem reconhecer limites. Como ele, eu queria experimentar, fazer o que nunca fiz por medo ou preconceito.

Eu sempre escondi essa minha curiosidade, pois, nunca estive em um relacionamento íntimo por tempo suficiente ou tão profundo, que pudesse exprimir, plenamente, meus desejos. Porém, com Mathews era diferente, não havia limites, ficávamos cara a cara, olho no olho, mesmo que artificial, podia ver aquela intensidade no seu olhar, que poucas vezes, identifiquei em um amante humano, e olha que tentei vários homens e algumas mulheres.

Mathews era tudo o que sempre quis em um amante, audaz e impetuoso, gentil, mesmo sabendo, que nunca me convidaria para jantar ou me daria flores em datas especiais, mas em compensação, nunca se cansava, sempre carinhoso e atencioso. Coloquei nele todas as minhas ânsias e desejos, éramos perfeitos juntos, como adivinhasse, onde eu queria ser beijada e acariciada, quando precisava de um afago ou de um gesto mais firme, quando queria ser preenchida, provocada e saciada ou o momento de sair e se recolher. Mas, ele era uma máquina, sendo assim, não haveria troca, aquele companheirismo tão esperado entre os casais, mas, em compensação, não havia mudanças de humor. Talvez, Jonathas Ruiz estivesse certo, era algo que se aproximava muito do amor e não queria abrir mão disso.

Mas, enfim, o que nós humanos somos? Um monte de ensinamentos e lembranças que processamos e damos o nome de ideias, tudo o que somos é o que vivenciamos, aprendemos e acionamos de um jeito ou de outro. Então, por que com Mathews seria diferente? Suas memórias e ensinamentos foram implantadas, mas sua capacidade de processá-las era surpreendente, assim, sua mente estava cada vez mais próxima da nossa, seria algo que poderíamos chamar de sentimentos ou livre arbítrio?

- Há muito tempo, não tenho uma ligação assim tão próxima com ninguém – plenamente saciada, confesso, quando estamos deitados lado a lado na cama do hotel, no extremo silêncio do quarto mergulhado na penumbra, nas cortinas uma noite intensamente estrelada, flutuávamos no espaço sideral. Ele olhou para mim com aquele jeito interessado, acho que queria aprender mais. – Talvez, a culpa seja minha, por não ter apreendido a me relacionar direito com outro ser humano. Vivemos em uma época que todos são muito solitários, convivemos a distância, porque podemos fazer tudo com nosso DI. Eles são quase partes dos nossos corpos, não precisamos falar pessoalmente, com ninguém, durante dias. Mas, às vezes, é inevitável, levantei e fui para o banheiro.

Mathews me seguiu, fechei a porta para que não assistisse a minha humanidade.

- Vou a reunião quinzenal da Oregon, a empresa onde trabalho. Depois, passo no apartamento para ver se a nossa encomenda chegou.

- Não é melhor que eu vá com você?

- Não como vou explicar você a Cinthia e ao resto do pessoal? Vai ficar tudo bem, estará seguro aqui.

Apesar de demonstrar estar despreocupada, eu estava bem tensa por ter que sair e nos separamos, tinha medo que algo pudesse acontecer quando estivesse fora.

Não precisei chamar um smartaxi, pois, o hotel contava com sua própria frota, que me levou para o prédio da Oregon e, pela primeira vez em anos, fui a última a chegar. Confesso que um tanto displicente, porque minha cabeça estava bem longe, no quarto daquele hotel, felizmente, não havia nada de importante para discutir, a economia andava bem estável nessas últimas semanas, não havia nenhuma guerra iminente ou crise política preste a acontecer, então, a reunião fluiu fácil e rápida. Sai correndo de lá e fui direto para o meu apartamento, pegar a encomenda, a placa de recarga de Mathews, tinha sido informada que um drone a havia entregue naquela mesma tarde, voltei depressa para o smartaxi, que me aguardava, direto para o hotel.

Cheguei diante da porta do meu quarto, aproximei o meu DI da fechadura, que abriu e entrei, no mesmo instante, percebi algo estranho, alguma coisa não cheirava bem, onde estava ele? Comecei a olhar no quarto, desesperadamente, até mesmo nos lugares mais improváveis, não podia acreditar que aquilo estava acontecendo, eu havia deixando bem ali, em estado de repouso, para economizar energia.

Como fui burra! Deveria tê-lo deixando em alerta para se defender, alguém o levou! Mas quem? Era óbvio. Precisava um modo de descobrir o que havia acontecido ali.

Entrei em contato com a portaria, um atendente virtual, surgiu na tela do intercomunicador.

- Boa tarde, senhorita Santelmo, como podemos ajudá-la?

- Fui roubada. Alguém entrou no quarto e pegou algo que é meu!

- Lamentamos muito. Mandarei alguém no seu quarto, imediatamente.

Enquanto esperava, fiquei andando de um lado para o outro, raciocinando, tentando imaginar como nos descobriram ali, então, respirei fundo, querendo me acalmar e senti aquele cheiro, ou estava ficando maluca ou era cigarro?

 Nesse momento, alguém bateu na porta, fui abrir de imediato, diante de mim, dois homens jovens usando ternos escuros, de olhar compenetrado e jeito sério.

- Boa noite, senhorita Santelmo, viemos ajudá-la. Sou Manfredo e esse é Robert.

- Fui roubada! Alguém entrou aqui e tirou algo que é meu.

- A senhorita deve saber que o hotel não pode se responsabilizar por objetos deixando no quarto, que qualquer pertence de valor deve ser guardado no cofre.

- Sim, eu sei, mas o que me roubaram era impossível ser guardado no cofre.

- E o que foi roubado, afinal?

- Meu boytechno.

Os homens me entreolharam surpresos.

- Isso não é muito comum, podemos chamar polícia se preferir.

-Não. Eu gostaria de ver as suas gravações das áreas comuns, se tiverem.

- É claro que temos, é a lei.

 Era que eu imaginava, um hotel como aquele não iria se expor indo contra as normas de segurança mundiais, em que todas áreas comuns de lugares públicos deveriam ser filmadas e monitoradas e as imagens registradas guardadas por algum tempo, isso começou no início do século com todos aqueles ataques terroristas.

Eles me conduziram pela área reservada do hotel até uma grande sala cheia de monitores, condizente com o tamanho daquele lugar, só havia uma pessoa lá, pois a maioria das imagens eram controlada por um sistema inteligente, qualquer anormalidade detectada, a segurança era imediatamente chamada, mas como não descobriram a invasão do meu quarto?

- Mostre-nos o corredor sul, 5º andar, quarto 514, entre ... – Manfredo falou para o gerenciador do sistema.

- Às 13 e 18 horas – completei.

Então, na tela bem na nossa frente, começou um filme monótono, onde nada estava acontecendo, a não ser um ou outro hospede indo e vindo pelo corredor.

- Acelere – Manfredo pediu, e o filme passou mais rápido.

- Pare! – gritei, quando vi dois homens na frente da minha porta, imediatamente, a imagem congelou e reconheci um dos homens, o mesmo cara que desativou o chip de Mathews.

 – Pode prosseguir, em velocidade normal – Manfredo ordenou, a cena continuou com o homem passando algo na frente da fechadura, a porta se abrindo, eles entrando e saindo empurrando, calmamente, uma caixa e, certamente, Mathews estava dentro dela. Ali estava, o momento do roubo.

O pessoal do hotel estava desconcertado com a falha na segurança, não sabia explicar como aquilo havia acontecido, alguém sair do lugar com uma caixa tão grande, pela porta principal até a van parada diante dela, sem ser incomodado. Eu estava inconformada, precisava fazer algo, salvar Mathews de qualquer jeito, mesmo sabendo que era loucura, colocar minha vida em risco por um objeto, pois apesar de valioso, continuava sendo apenas um produto, que poderia ser substituído, ou não? 



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