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História Brasa - Capítulo 11


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Notas do Autor


Eu não sei nem explicar o porque demorei tanto para continuar essa história e talvez atualizá-la as 4 da manhã mostre que perdi um pouco o controle das coisas kkkkk. Semestre passado foi muuuito puxado e eu acebei não tendo tempo nem sanidade pra escrever, mas vou me organizar e tentar ao máximo não demorar mais para atualizar assim. Ano novo, hábitos novos kkkk (pelo menos em teoria).
Boa leitura <3

Capítulo 11 - Dinner


Fanfic / Fanfiction Brasa - Capítulo 11 - Dinner

Kyungsoo encarava a fachada do apartamento, questionando se deveria criar logo coragem para tocar a campainha, ou se deveria simplesmente sair correndo e inventar uma desculpa para seu sumiço. Infelizmente teria que escolher a primeira opção.

Desde o momento em que o modelo mandou mensagem dizendo para que eles tivessem o “encontro” no sábado, Do não teve nenhum momento de paz. Sua mente era amarrotada de pensamentos traiçoeiros que o levavam diretamente para o fatal encontro, deixando o garoto a ponto de passar mal de tanto nervosismo. Tentava ao máximo evitar os sinais de ansiedade que insistiam em aparecer, mas era ainda mais difícil quando estava ali, parado na frente do apartamento de Jongin

O modelo havia marcado para as 18 horas, afim de ter bastante tempo para a aula. A intenção dele até poderia ser boa, mas para Kyungsoo aquilo significava ainda mais tempo de tortura e desespero. Se já era complicado fugir e evitar situações constrangedoras no trabalho, imagine estando completamente sozinho com ele. O jornalista não se considerava alguém religioso, porém estava rezando para que qualquer divindade viesse o salvar. Não poderia ser tão ruim, certo? Na ideia inicial, eles iriam tratar apenas assuntos de trabalho, o que poderia dar tão ruim assim?

Segurou a respiração com o propósito de se acalmar e se preparar, esfregou as mãos suadas, alisou o seu casaco jeans e então apertou a campainha. Soltou todo o ar que continha em seu peito quando enfim finalizou o ato, não tardou para que ouvisse passos se aproximando da porta.

- Oi, Kyung! Você está bem? Pode entrar! – Jongin exclamou assim que viu quem era a pessoa a sua porta, tagarelando animadamente enquanto dava espaço para o menor entrar.

O modelo seguiu caminhando até o meio da sala, sendo acompanhado silenciosamente pelo jornalista. Jongin estava tão casual, da maneira em que ele ficava enquanto os dois ainda eram íntimos. Ele vestia apenas um short preto e uma blusa branca, que se ajustava perfeitamente marcando todos os músculos do homem. Seu cabelo estava úmido e um pouco bagunçado, ele cheirava a shampoo, evidenciando que o modelo havia acabado de sair do banho. A pele bronzeada recendia um cheirinho gostoso de hidratante, ela parecia estar tão viçosa e macia que fazia o jornalista desejar a tocar para experimentar um pouquinho daquele deleite. Ele estava tão simples e natural, tão belo e brilhante. Kyungsoo precisava se acalmar para que conseguisse preservar a sua saúde mental.

 – Não repara se tiver alguma bagunça por aí, eu tentei arrumar ao máximo, mas você sabe como eu sou. – É, o garoto sabia exatamente como ele era. Riu internamente ao se lembrar de todas às brigas que tiveram por conta da bagunça do maior, elas sempre resultavam em um Jongin manhoso e rabugento catando as suas coisas enquanto fazia um biquinho ao reclamar. O maior não sabia, mas o jornalista nunca ficava realmente irritado por causa disso, na verdade, adorava ver a carinha do outro.

- Como assim você não inspecionou meticulosamente o seu apartamento para a minha chegada? Será que terei   que te dar um daqueles esporros?

- Pode dar até dois, eu amo te ver bravinho. – Os dois homens riram nostalgicamente, lembrando de suas brigas bobas. – E então, está preparado para a melhor aula que alguém poderia te dar? – O moreno se virou para o outro enquanto sorria presunçoso.

- Eu estou ansioso para o fim dela, isso sim... – Kyungsoo não conseguiu segurar a risada ao observar a cara abismada e ofendida do outro, sorriu falsamente enquanto respondia de forma mecânica: - Eu estou super preparado e ansioso para essa beldade de aula!

- Prefiro assim! – O moreno sorriu abertamente, achando graça da resposta do outro. Jongin nunca iria saber, mas o jornalista amava quando ele sorria tão verdadeiramente assim, expressando espontaneidade e inocência. – Eu não sei se você vai se incomodar, mas como eu te chamei para vir mais cedo, pensei que você poderia jantar comigo. Eu mesmo vou cozinhar, pensei em fazer bibimbap com chikin, eu sei o quanto você ama esses dois pratos... Você aceita? – Jongin o olhou profundamente enquanto mordia os lábios em apreensão, ele tentava captar qualquer tipo de reação que vinha do outro. O jornalista não conseguia entender, o garoto sempre estava envolto em uma névoa de autoconfiança, mas já estava se tornando comum esses pequenos momentos onde ele se mostrava inseguro e hesitante. Kyungsoo percebia sinceridade de baixo daqueles olhos inseguros, se perguntava se na verdade ele sempre fora assim.

- Você está me dando uma aula de graça que vai me salvar no evento, e ainda por cima vai cozinhar para mim, como ainda tem coragem de me perguntar se eu aceito? – Os dois garotos riram descontraídos, por algum motivo, Kyungsoo não sentia vontade de ser grosso com o modelo, mesmo ele merecendo.

- Fico feliz por você ter aceitado. – Jongin sorriu genuíno para o outro, enquanto se perdia na imensidão da escuridão dos olhos alheios, havia se preparado tanto para aquele dia, mas ainda assim agia como um bobo na frente do jornalista.

Mas o que poderia fazer? Se sentia pequeno por tudo o que causou no outro, se sentia culpado acima de tudo, tudo o que mais queria era ser perdoado e se acertar com o garoto. Ainda por cima, não conseguia se concentrar em absolutamente nada com aquele homem tão próximo de si, tão lindamente e perigosamente próximo. Tê-lo ali tão perto e não poder fazer nada, não poder provar e relembrar do gosto doce dos lábios tão fartos e quentes, não poder passar seus dedos pela pele macia e convidativa, não poder sentir o cheiro amadeirado que ele possuía... Sua mente era um misto de desejo e culpa, de vontade e arrependimento, estava ficando completamente louco com aquela situação.

Kyungsoo sustentava o olhar do outro, porém ele era tímido e hesitante. Sentia o ar faltar em seu pulmão, completamente sufocado com a intensidade do olhar do modelo. Vários fremes da noite na balada, em que bebera demais e cedera para a tentação que era os beijos do moreno, passavam por sua mente. Mas aquela era uma noite para ser jogada no limbo de seus pensamentos, nunca iria acontecer novamente, o menor tinha certeza disso. Desviou o olhar tomando consciência do momento, embravecia-se de si mesmo por ainda pensar daquela forma. Jongin era passado e nada mais. Iria memorizar aquilo até estar cravado em sua pele.

O menor pigarreou despertando o outro de sua perdição, um tanto constrangido pelo momento. Jongin passou a mão pelas madeixas escuras, bagunçando e puxando alguns fios em procura de paciência. Não poderia fazer aquilo novamente se não queria assustar e afastar o jornalista, precisava manter a calma e o controle perto dele.

- Então... Vamos começar? – O menor concordou ainda um pouco constrangido, seguindo o outro até perto da mesa grande que ficava na sala de jantar. - Hoje eu vou te falar tudo sobre o evento, como ele funciona e todo o roteiro da programação. Tenho tudo embasado nos eventos anteriores e no que passaram para gente, fiz um papel com tudo resumido para você recapitular em casa. Vem, vamos sentar!

Jongin mudou totalmente seu humor, exclamava animadamente enquanto mostrava para o garoto o material que havia preparado. Kyungsoo estava um tanto quanto surpreso, acreditava que aquela história de aula era mais uma tática para o homem se reaproximar, mas ele realmente estava levando aquilo a sério. Os dois se sentaram na mesa circular, um de frente para o outro. Enquanto Jongin se distraia ao dar a aula, Kyungsoo se distraia observando todas as mínimas ações e movimentos que o modelo fazia.

Era admirável o quanto Kim estava concentrado e focado no que estava explicado, ele falava com empolgação e entusiasmo, se esforçando ao máximo para tornar tudo mais fácil e entendível para o jornalista. Ele arquitetava todo um esquema para explicar todo o funcionamento do evento, dando todos os detalhes que o outro precisava. Era perceptível o quanto ele gostava daquele assunto, mostrava dominância e conhecimento de tudo o que falava, chegava a ser adorável toda a animação em que ele falava.

O jornalista tentava ao máximo se concentrar em apenas o conteúdo que o outro explicava, mas era quase impossível quando ele estava lá tão bonitinho e esforçado. O maior fazia um biquinho fofo enquanto explicava, mas o que realmente tirava totalmente o ar de Kyungsoo era quando ele passava a língua pelos lábios quando esses secavam. Jongin o encarava para ter certeza que ele estava entendendo tudo, mas aquilo só deixava o menor ainda mais sem graça. Ele retribuía o olhar enquanto balançava a cabeça uma vez ou outra, para indicar que estava acompanhando tudo, mas internamente o seu coração batia estupidamente rápido.

Aquela era uma face do moreno que Do adorava, aquele brilho no olhar era semelhante ao que ele continha quanto falava sobre sua dança. O jornalista se lembrava das várias vezes em que ele produzia ou aprendia uma coreografia nova e vinha todo animado e manhoso, pedindo para o menor assisti-lo dançar. E ah, como Kyungsoo amava assistir cada uma daquelas apresentações, a paixão estampada em cada um dos passos era admirável, a entrega que ele dava para cada movimento tornava tudo tão único e especial. O menor ficava inteiramente vidrado e viciado no outro, poderia passar horas apenas o assistindo dançar. Queria tanto perguntar para o maior se ele ainda dançava, mas não sabia como tocar naquele assunto.

O jornalista tentou mais uma vez manter o foco e parar de se distrair, para facilitar essa tarefa ele resolveu começar a anotar as coisas mais importantes que o moreno dizia. E até dava certo, mas falhava toda vez que o moreno mordia o lábio enquanto tentava se lembrar de algo, ou quando passava as mãos pelos cabelos macios, ou quando o encarava de forma tão profunda e penetrante. Precisava dissipar todos aqueles pensamentos ou iria perder a cabeça, toda a atração que sentia era resultado de um passado inacabado, resultado de inúmeras lembranças de momentos com Jongin, momentos tão íntimos e arrebatadores. Não poderia de forma alguma alimentar aquele fogo, ou se não iria acabar se queimando.

Os dois homens continuaram ali até que Jongin conseguisse explicar tudo o que planejara para aquele dia. O modelo queria deixar tudo perfeito para o outro, queria ver o sucesso de Kyungsoo e adoraria ajuda-lo para produzir o melhor artigo possível. Por causa disso, empenhou-se para que conseguisse explicar tudo sem se distrair, sabia que se não vigiasse a sua mente poderia se perder a qualquer momento na imagem do outro. Já era 20 horas quando a aula finalmente acabou, o jornalista teve boa parte de suas perguntas respondidas e sentia que finalmente tinha um rumo para aquilo.

- Imagino que esteja morto de fome, bom, pelos menos eu estou. Eu já deixei os ingredientes previamente prontos, só preciso cozinhar tudo agora... Você pode me ajudar? – O garoto novamente fez aqueles olhos pidões e fofos, fazendo com que Do não tivesse outra opção sem ser aceitar.

- Eu posso te ajudar sim, mas antes eu precisava muito ir ao banheiro, pode me indicar onde fica?

- Claro, me segue!

O modelo acompanhou o outro até o banheiro, deixando-o sozinho e retornando para a cozinha. O menor não tardou para sair do cômodo e parou no batente da entrada da cozinha, observando todo o desespero do moreno e tentando não rir de toda a situação.

Bibimbap, em sua opinião, era uma receita de dificuldade média e um tanto trabalhosa. Jongin estava tentando fazer tudo de uma vez, o que deixava o cenário um pouco caótico. Ele havia deixando a abobrinha refogando enquanto cozinhava o arroz, alguns vegetais e brotos. Como estava se dividindo em tantas tarefas, a abobrinha estava quase queimando e ele corria de um lado para o outro tentando colocar tudo para cozinhar. Entretanto, chegava a ser adorável a forma em que ele tentava organizar todos os ingredientes em cima da mesa, da mesma forma que o jornalista havia o ensinado uma vez. Além disso, era extremamente fofo toda a sua bagunça e sua carinha desesperada.

Jongin sempre gostou muito de toda a ideia da culinária, e principalmente, adorava a parte de comer o prato final. Mas quando o assunto era a prática, o homem era um desastre. Isso nunca foi realmente um problema na época em que os dois namorava, já que Kyungsoo sempre o ajudava em tudo. Na verdade, o jornalista gostava de comandar toda a cozinha enquanto o moreno obedecia todas as suas ordens, as coisas funcionavam dessa forma. E também, ter a companhia espalhafatosa e brincalhona do modelo era maravilhoso, ele sempre colocava um Jazz e cantarolava pertinho de sua orelha. Às vezes mais atrapalhava do que ajudava na cozinha, mas o menor adorava. Sentia falta daquela parte.

O maior gostava de brincar com ironias, Do percebeu isso no momento em que notou a música que tocava na vitrola, um Jazz clássico que tanto apreciava. O moreno era realmente um bom jogador, tinha que admitir.

- Então, vai querer ajuda?

- Por tudo que é mais sagrado no mundo, sim! – O homem virou-se na direção do menor, lampejos de esperança apareceram em seus olhos caóticos.

- Vamos fazer assim, eu vou terminar o Bibimbap, enquanto isso você prepara os molhos e o frango. – Do correu para tirar a abobrinha do fogo, conseguindo a salvar. Os olhos do moreno aumentaram de tamanho, indicando que ele havia esquecido o prato no fogão.

Os dois homens se dividiram e começaram a preparar cada um a sua parte. O menor terminava de temperar todos os vegetais, enquanto refogava os brotos e legumes que precisavam. Kim temperava as coxinhas de frango e esquentava o óleo, pedindo ajuda do outro quando aparecia alguma coisa na receita que ele não sabia como fazer.

O clima na verdade era bastante agradável, contrariando totalmente as expectativas do jornalista. O modelo sempre tinha alguma brincadeira e piada na ponta da língua, soltando uma de vez em quando. Ele também arrumava sempre alguma brincadeira para irritar o outro, fazendo com que Kyung risse enquanto tentava parecer bravo. O cheiro da comida começava a recender e a música acalmava o ouvido dos dois, ambos cantarolavam a música tão conhecida por eles. E seguindo nesse ritmo animado e caloroso, logo o jantar estava pronto e organizado.

(...)

O moreno retirou os materiais usados para a aula da mesa, enquanto Do o ajudava colocando os pratos e as taças. Kim colocou serviu enfim o jantar e complementou com o vinho que sabia que o outro gostava, esse sorriu no momento em que viu a bebida. Jongin comeu uma garfada do prato e arregalou os olhos ao sentir o gosto da comida.

- Soo, isso está maravilhoso! O melhor Bibimbap que eu já comi na vida! – O homem espalmou ambas as mãos na mesa enquanto exclamava a sua sentença, fazendo com o jornalista sorrisse tímido e esquentasse as bochechas.

- Para de graça, eu já fiz vários Bibimbaps para você.

- Sim, mas esse está diferente dos outros, tem algo a mais nele. – O moreno coçou o queixo, parecendo pensativo.

- Talvez seja saudade... – Do respondeu inconscientemente, se dando conta do significado de suas palavras apenas quando notou o silêncio do outro. Levantou o olhar para ele e por um lapso de instante conseguiu notar uma expressão triste tomar conta do rosto do homem, dando lugar para um sorriso sem graça logo após. O menor não queria lidar com aquele tipo de assunto logo então tratou de mudar o rumo da conversa:

- Então, o que fez com que você se tornasse modelo? Você deixou de dançar?

- Uma pessoa fez com que eu me apaixonasse mais por fotografia e cinegrafia, eu fui começando a tirar fotos amadoras e tomei gosto pela coisa. – O jornalista não conseguiu segurar a pontadinha de ciúme que sentiu ao ouvir sobre essa tal “pessoa”, e julgando pela decoração da casa do modelo que era composta por inúmeras fotos, essa pessoa havia sido bem importante. Era estranho para si aceitar que provavelmente Kim seguiu em frente bem facilmente. – Então eu fiz alguns cursos de fotografia e moda, já que esse era um dos ramos em que eu queria trabalhar. Fiz alguns trabalhos e ganhei um pouco de relevância por conta deles, então algumas empresas começaram a me contratar. Mas eu ainda não consigo me sustentar e manter uma vida confortável só com o trabalho de modelo e fotografo, então eu ainda trabalho com a dança. Atualmente eu estou trabalhando como professor em um estúdio para crianças e estou amando, mesmo que eu conseguisse ser independente financeiramente desse trabalho não iria larga-lo. – O maior sorriu gentilmente ao terminar sua fala, contente com o que fazia.

- Fico feliz de você não ter largado a dança, embora seja um bom modelo. Mas me responde, você continua a fazer aquelas coreografias mais sensuais mesmo trabalhando com crianças? – Kyung arqueou uma das sobrancelhas e abriu um sorriso ladino, se divertindo ao ver o outro engasgar com a comida.

- Não, essas estão totalmente banidas do estúdio! Mas se você estiver com saudade, posso mostrar algumas dessas coreografias para você, eu me lembro bem como você adorava quando eu dançava essas. – Jongin gargalhou ao assistir o outro ficar mais vermelho que um pimentão, resultando em Do pegando o pano de prato que estava do seu lado e jogando no modelo a sua frente.

O resto do jantar seguiu daquela maneira, leve e cheio de informações sobre o que os homens fizeram da vida depois que se separaram. Sendo acompanhado de boas risadas e vários momentos de nostalgia, pulando totalmente os assuntos delicados.

(...)

Depois do jantar os dois garotos se juntaram para tirar as coisas da mesa e as levarem para a pia da cozinha. Jongin retirou-se e dirigiu-se até a cozinha, afim de lavar a louça que haviam sujado, deixando o homem sozinho na sala.

 Kyungsoo aproveitou aquele tempo a sós para poder analisar calmamente toda a decoração do apartamento. Estava tudo muito diferente do apartamento antigo, da época em que namorava. Antigamente as paredes eram adornadas com diversos posters de bandas de rock, além dos discos que ele gostava de pendurar. Agora a parede era repleta de pinturas e desenhos, alguns eram clássicos e bastantes famosos, outros eram de uma autoria desconhecida pelo garoto, e pareciam ter diversas faces de significados. Ela também era composta por várias fotografias, mas era perceptível um certo padrão nelas. A maioria delas tinham como principal foco duas pessoas: Jongin e uma mulher.

Algumas daquelas fotos já eram antigas, tinham suas bordas meio amareladas e uma resolução baixa. Nessas antigas, Jongin era apenas uma criança e quase sempre aparecia sorridente ao lado da mulher, que pelo jeito que era disposta nas fotos, poderia ser identificada como a mãe do garoto. Ela era uma mulher extremamente bela e com olhos destemidos, sua fisionomia era semelhante da de Jongin, principalmente no sorriso grande e radiante. Ela se comportava de forma amorosa nas fotos, sempre abraçando e sorrindo para o filho. Kim tinha um ar de inocência e pureza tão grande nas fotos, ele parecia estar sempre tão feliz na presença da mulher. As únicas fotos em que o garoto não estampava algum sorriso banguela e espontâneo, eram aquelas que apareciam um homem mais velho de face ríspida, que pela semelhança dos traços, parecia ser o pai do modelo. Elas eram poucas e simplórias, tão pequenas que se perdiam no meio das outras.

Continuou observando toda a imensidão, cada detalhezinho e cada história contida naquelas paredes. Aquilo parecia tão íntimo para si. Antigamente, Kim quase não decorava sua casa com itens pessoais, era difícil encontrar quadros e fotos em sua casa, mesmo o Homem amando fotografia. Lembrava-se de quase ter chorado de felicidade quando Jongin tirou uma foto dos dois e a colocou como decoração, agora ele havia acrescentado várias outras a seu acervo.

O homem parou na frente de um dos maiores quadros pendurados, um que mais chamou a sua atenção. A foto era envolta em uma moldura branca e ondulada, e pelas características, poderia ser considerada como a mais recente que estava ali.

Nela continha a mesma mulher das outras fotos, porém suas feições já eram bem mais maduras e pareciam abatidas. Seus cabelos castanhos batiam na altura dos ombros, contornando o rosto esguio e cansado. O seu corpo era pequeno e magro, moldado por uma pele de um pálido quase roxo. Ela usava um vestido azul bem bonito, que se desmanchava no chão pelo fato dela estar sentada. A mulher carregava um sorriso verdadeiro em sua face, embora seus olhos transmitissem uma certa tristeza. Atrás dela havia o modelo, que a abraçava como se fosse a proteger de todas as coisas ruins do mundo. Ele circulava os braços fortes ao redor do corpo pequeno, enquanto apoiava o seu rosto no ombro da mulher. O que mais chamava atenção na foto era o sorriso brilhante do garoto, que por ser tão largo e espontâneo, deixava seus olhos parecerem luas minguantes. Jongin parecia estar tão feliz e sincero ali, seu rosto parecia estar iluminado. Aquela, com toda a certeza, era uma das fotos mais lindas que o menor já havia visto.

- Essa é a minha mãe. - Kyungsoo estremeceu quando ouviu a voz do outro tão perto de si, havia ficado tanto tempo admirando as fotos que nem percebeu o outro chegar.

O modelo estava a poucos centímetros de distância do outro, observando a mesma fotografia que ele. O homem carregava um brilho diferente nos olhos, enquanto seus lábios esboçavam um sorriso singelo. Kyungsoo permaneceu em silêncio, encorajando o outro a continuar com sua fala.

- Ela me ajudou a decorar todo o apartamento, essa foi a última foto que tiramos, a minha favorita. - O garoto se aproximou ainda mais, estava entrando em um transe nostálgico enquanto fitava a foto.

- Ela é uma mulher linda, se parece demais com você.

- Quer dizer que sou lindo também? - Jongin riu da própria piada, dessa vez acompanhado pelo outro. - Ela realmente tinha uma beleza sem igual, você viu as fotos de quando era jovem? - O jornalista concordou com a cabeça, voltando o seu olhar para as fotos. - Ela sempre amou fotografia, gostava de se recriar em todas as imagens. Acho que ela foi a minha grande inspiração para também gostar e acabar tentando a vida de modelo, a pessoa que eu citei no jantar. – Sem perceber, Do respirou aliviado ao perceber que a pessoa era a própria mãe do garoto.

- Você nunca havia me falado dela antes... - O menor comentou baixo, um tanto receoso de sua fala. Se sentia entristecido por nunca ter ouvido sobre a mãe do garoto, principalmente por ela exercer um papel tão importante na vida dele. Entretanto, sabia que aquele era um assunto delicado para o outro, e talvez esse seja o motivo para ele ocultar toda a história.

Kim se mexeu em desconforto, totalmente incerto sobre prosseguir ou não com o que estava falando. Por tanto tempo havia escondido aquele seu lado, não sabia como se abrir agora. Mas não era sua culpa, se sentia tão culpado e com ódio de tudo. Passou boa parte do tempo se martirizando por tudo o que aconteceu, não sabia lidar com todos os seus sentimentos desesperados, por isso os guardou tão profundamente dentro de si. Mas agora era diferente, ele havia desenterrado tudo quando a mulher reapareceu em sua vida. Ela, com seu jeito meigo e carinhoso, o fez entender seus sentimentos e a encarar a própria história. Agora sentia que deveria desabafar todos os sentimentos que o faziam afogar, necessitava daquilo. Necessitava ser sincero com Kyungsoo.

Mas não era fácil falar quando nunca havia feito isso, mesmo confiando cegamente no menor. Sentiu suas mãos suarem em nervosismo s seu estômago doer. Mordeu os próprios lábios afim de tentar se controlar, procurar alguma calma. Aproximou seu corpo ainda mais do menor, o olhando profundamente.

- Soo... Eu escondi muitas coisas de você naquela época. Não porque eu não confiava em você, ou algo assim, mas sim porque eu tinha tanto medo de tudo e tanta culpa dentro de mim. Eu acho que só consigo te falar isso agora porque esses sentimentos não existem mais... - Deu uma certa pausa enquanto engolia em seco, fitava as fotos sem conseguir encarar os olhos alheios.

- Quando eu tinha 18 anos nós fomos obrigados a nos separar, acredito que o que mais havia dentro de mim nessa época era ódio. Eu fingia ser alguém que não era, tentava esquecer o meu passado enquanto a culpa impregnava todas as minhas entranhas. Eu passei um bom tempo fugindo de relacionamentos, ficando com pessoas que não iriam assumir qualquer tipo de compromisso comigo... Até te conhecer, mas infelizmente te deixei ir. Eu tinha medo naquela época, medo de me entregar a alguém, de me abrir e me permitir ser frágil frente a essa pessoa e ela se aproveitar disso, medo de amar e me tornar totalmente dependente, de me perder no outro, de fazerem comigo o mesmo que fizeram com minha mãe. Medo de contar o meu passado, de expor os meus sentimentos mais doloridos e a pessoa me largar, me deixar mais quebrado do que eu sou. Então eu achei que o meu destino era fugir de todo mundo que quisesse realmente me conhecer, ser sozinho para não ser abandonado.

Kyungsoo abaixou o olhar enquanto apertava seus dedos, ainda era muito delicado para si ouvir sobre aquele tempo. Nunca havia ouvido as coisas na perspectiva do outro, então ouvia cada palavra com o maior cuidado do mundo.

- Ela reapareceu na minha vida há um tempo atrás, tudo mudou então. Nós fizemos tudo isso aqui juntos, cada foto representa algum momento marcante em nossa história. Você tinha que ver o quão vibrante ela ficou quando nós terminamos tudo. Ela era aquele tipo de pessoa doce e radiante, sabe? Mesmo sendo tão machucada e humilhada, ela ainda emanava conforto e carinho. - Os olhos de Jongin brilhavam enquanto ele falava da mãe, isso não passava despercebido pelo jornalista. Ele parecia uma criança inocente falando daquela forma, com tanta admiração transbordando. Nunca havia o visto assim, aquela imagem aquecia o seu coração e aquilo era perigoso. - Ela me fez me entender, me explicou e me fez aceitar a minha história. Me encorajou a ser alguém melhor e a viver sem medo, me ensinou a me expressar. Eu era apenas um garoto perdido, e ela me ajudou a me encontrar.

Jongin passou alguns segundos apenas observando a foto que significava tanto para si, se aproximou dela e deixou que seus dedos contornasse os traços de sua mãe.

- Ela morreu na noite do dia em que tiramos essa foto... Ela tinha um câncer de estômago causado por uma úlcera não tratada, quando nos aproximamos novamente ela já tinha essa doença e já estava grave demais para ser revertida. Eu não sabia nem da úlcera, então deve imaginar o choque foi saber que iria a perder para uma doença tão cruel. Ela passou os seus últimos meses comigo e fiz absolutamente tudo que ela queria, compensamos todo o tempo que passamos separados. Eu só queria que seus últimos dias fossem felizes e no fim das contas, foi ela que fez com que eu me entendesse e pudesse ser feliz. Ela morreu enquanto dormia, então eu acho que não deve ter doido, eu só quero que ela esteja em paz e feliz aonde quer que esteja, que não descubra a saudade que eu sinto dela... – havia tentado ser forte até aquele momento, mas não conseguia. Sua voz era trêmula e frágil, e ela se calou no momento em que as lágrimas começaram a cair. O corpo parecia fraco e miúdo, tremendo pelo choro doído.

Sentiu seu coração aquecer e aumentar freneticamente as batidas quando os braços de Kyungsoo enlaçaram o seu corpo, afagando a pele com suas mãos delicadas e o abraçando por trás. Do apoiou a sua testa nas costas do garoto, não deveria fazer isso, mas seria quase um crime ver o modelo daquele jeito e não confortá-lo. Não sabia o que dizer e nem o que pensar, nunca havia tido conhecimento daquela história e conseguia sentir a dor e desespero que emanava do outro. Sem perceber algumas lágrimas caíram pelo rosto do jornalista, abraçou mais forte o corpo entre seus braços quando sentiu os dedos do modelo acariciar os seus. Beijou delicadamente as costas à sua frente, fazendo com que o moreno estremecesse ao sentir o contato quente na sua pele, como se sua camisa nem existisse.

Era a primeira vez que contava essa história para alguém e, ao contrário do que pensava, estava se sentindo literalmente abraçado, apoiado e compreendido. Era tão confortável estar assim com Kyungsoo, sentia que ele era a única pessoa que poderia confiar. Tinha muita mais coisa para contar para o menor, mas deixaria para outra ocasião, naquele momento só queria fazer daquele abraço o seu lar.

 


Notas Finais


Esse capítulo era um dos que eu estava mais animada para escrever (embora tenha sido o que eu demorei mais kkkkk), nele deu para saber um pouquinho mais sobre o Kai e entender um pouco mais o porque dele agir dessa forma. Tentem não odiar o jongin e não desistam dele, ele vai melhorar muitooo.
Por favorzinho deixem algum feedback nos comentários, isso me ajuda demaaais para saber o que estão achando da história, além de me animar a escrever.
(Me desculpem se o cap estiver um pouco confuso, eu fui escrevendo em partes desconexas e talvez não tenha encaixado tão bem).


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