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História Brave - Capítulo 19


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Notas do Autor


Honestamente eu não esperava que esse capítulo ficasse longo a esse ponto, afinal, focando em somente um momento pensei que teria umas 3,000 palavras no máximo, mas eu me enganei. Apesar disso eu gostei dele ter ficado desse jeito principalmente pelas questões encerradas aqui.

Esse é o último capítulo oficial, ou seja, cujo a história do caso Kira se encerra. O próximo vai servir mais como um epílogo igual o primeiro capítulo que serviu mais como um prólogo do que um capítulo em si. Não quero demorar com o próximo, mas pode acontecer por eu estar viajando e o 3g não ser tão potente assim, tô tentando fazer tudo rapidinho pra não gastar mais do que deveria da internet.

AVISO! Preparem o coração que esse capítulo pode ser um pouco sensível, e muito emotivo. Além de exigir uma leitura bem aberta para algumas questões da própria obra original, as coisas não são tão boas quanto parecem realmente.

Tenham uma boa leitura!

Ps:Desculpa os erros!

Capítulo 19 - O vidro e a água nos cortam


Fanfic / Fanfiction Brave - Capítulo 19 - O vidro e a água nos cortam

“Você não deveria ir.”


Light, que estava sentado no sofá da sala de seu apartamento, desviou o olhar para a figura esbelta e preocupada próxima a janela olhando para a rua com saudade como se estivesse realmente triste de estar perdendo as vidas insignificantes lá embaixo acontecendo. De algum modo parecia que a cada dia que se passava parecia que mais viva a figura fantasmagórica de Poirot ficava quase como se pudesse voltar para a sua realidade saindo de vez de sua cabeça, as vezes o Yagami desejava que isso acontecesse e outras vezes queria que ela continuasse tão morta quanto achava que estava. Talvez entre todas as “deusas” que seu Novo Mundo poderia ter, aquela era a que mais lhe passava confiança de ser capaz de exercer tal papel, de ser seu braço direito, mas ele sabia que nunca aconteceria pois aquela mulher sempre seria o braço direito de seu inimigo e ela nunca poderia estar dos dois lados ao mesmo tempo. Era perda de tempo pensar naquilo como sempre foi.

O encontro seria mais tarde, seria quando tudo finalmente se encerraria e o mundo presenciaria o verdadeiro vencedor daquela disputa aparentemente inacabável, de certo modo Light pensou que duraria mais tempo aquele duelo isso se seus inimigos não fossem tão toscos em alguns sentidos e momentos. Apesar das suplicas daquele lado inconsciente de que não fosse ao encontro, que as coisas não sairiam como está planejando e que o fim seria o seu próprio e não daqueles que mereciam a morte, Light insistia em pensar que nada daria errado pois seus plano era perfeito e se todas as partes fizeram exatamente aquilo que deveriam então não havia motivos para temer. Não precisava de um plano B pois o A iria funcionar sim ou sim, era desse modo como deveria ser e seria desse modo como aconteceria.


“Você deveria se manter preocupado com o que poderia acontecer se desse errado, como nos velhos tempos. Talvez seja bom pensar desse jeito novamente.”


A figura se aproximou com um sorriso gentil e se sentou ao seu lado mais próxima do que a verdadeira jamais fez, ou fosse somente uma observação errada que sua memória estivesse fazendo, não deveria perder tempo com fatores como esse. As coisas eram diferentes agora, muito diferentes, antes havia a adrenalina e o desafio de realmente precisar pensar bastante para não ser pego dando a volta por cima com sua inteligência e artimanhas, mas atualmente estava muito mais fácil agir mesmo com os sucessores de L ao seu alcanço, não precisava gastar tanto tempo pensando nessas coisas podendo perder mais tempo imaginando como fará para que o Novo Mundo funcione perfeitamente. E infelizmente para que conversasse com uma alucinação que não deixava sua mente de modo algum, já tinha feito de tudo para fazer com que a figura ao seu lado sumisse e o deixasse em paz, mas mais parecia que sua presença ficava mais evidente com o passar do tempo.


“Talvez você não queira me esquecer tanto quanto acha que quer. Qual seria a importância de meu sumiço em sua vida? Eu estou servindo como uma boa companhia, melhor até do que Ryuk ou Misa, não estou?”


Seria mentira se dissesse que não, que não gostava de conversar sozinho quando estava prestes a perder o equilíbrio e que a simples presença daquela mulher não o acalmava de algum modo, mas seria ainda mais estupido confirmar tudo aquilo sabendo que era somente a própria mente, nunca admitiria a própria sabotagem diante dos próprios planos e sanidade mental. Se levantou e andou até uma cesta de maçãs jogando uma no ar a qual foi pega rapidamente pelo shinigami que estava sentado no canto da sala somente observando o humano, achava intrigante a forma como muitas vezes ele simplesmente ficava ali olhando para o nada como se conversasse consigo mesmo pela mente. Com certeza Light era mais sozinho e distante do que qualquer shinigami que Ryuk já teve a chance de conhecer, um ser completamente perdido em sua mente e mesmo assim tão fascinante sendo tão distinto de outros de sua espécie.

Novamente, se sentiu sortudo pelo seu caderno ter sido pego por alguém como ele.


“Honestamente, você realmente acha que o preço que paga por usar o Death Note é justo? Você está perdendo todos que um dia amou Light-kun, todos que significaram algo para você e principalmente a si mesmo, isso é justo de alguma forma?”


Não eram braços reais que rodeavam seu corpo, tão pouco uma bochecha real que estava encostada em suas costas, mas de alguma forma ele quis que fossem reais e realmente tivesse ela o questionando de uma forma tão... preocupada. Realmente sua mente era bastante sensata por escolher aquela alucinação ao invés do detetive, tinha certeza de que L nunca seria tão sensível e aberto ao sentimentalismo como ela, e de certo modo continuar extremamente cética, não, nenhuma outra seria desse modo. Novamente, as vezes desejava que uma parceria pudesse ser possível entre ambos, que Poirot pudesse aceitar ser o braço direito de alguém como ele com atitudes hipócritas como as suas, ou talvez nunca fosse acontecer exatamente por esses fatores, L poderia ser tudo menos um hipócrita que não sabia que as ações que tomava não eram realmente justiça apesar de afirmar tais ideias. Poirot não era uma mulher hipócrita, não é?


“Você nunca vai descobrir. Isso soa triste, não é?”


-Sim. – Murmurou suspirando, logo não sentia mais os braços ao redor de si e a única figura visível era Ryuk que devorava outra maçã – Está pronto para ver algo extremamente interessante Ryuk?

-Você não me disse qual era exatamente o seu plano. – Respondeu o shinigami um tanto quanto curioso apesar de saber que não teria uma resposta para isso naquele momento e que seria imensamente mais divertido se observasse acontecendo. Sempre seria um observador silencioso que esperava a hora certa de brilhar, e de algum modo sentia que seria naquele dia em específico que os holofotes poderiam se fixar em si.

-Eu tomei todas as providencias para que dê certo, Mikami não falhará em sua parte. – Sorriu com convencimento – Sei que os obstáculos não serão removidos permanentemente hoje, mas com o fim de tudo que representa L nesse mundo as coisas ficarão significantemente fáceis. Aquele idiota realmente foi uma pedra até mesmo morto.

-Sim. – Não diria que sabia sobre a fuga do ex detetive e tão pouco que Rem também estava plena no Mundo dos Shinigamis esperando que a moça quem Light chamava durante a noite cumprisse seu plano mais viva do que o Yagami esperava que estava. Não fazia parte do seu papel naquela trama, se meter no desenvolver das coisas tiraria completamente a graça da observação – Tenho certeza de que as coisas que vou presenciar hoje mudarão o mundo, ou algo do tipo, não?

-Tenha certeza disso. Hoje Kira se torna definitivamente um deus. – Sorriu apesar da visão de Poirot negando com a cabeça sua presunção, o que Light não esperava era que havia várias formas de se tornar uma divindade e em muitas dessas formas nem era preciso que o ser em questão esteja entre os mortais.




...




Foi flamejante, Near nunca havia se sentido tão vivido diante de um quebra cabeças do que no momento que esteve cara a cara com Light Yagami, Kira, e viu tudo que seu antecessor viu somente não conseguindo compreender como um ser tão repugnante conseguira desencadear as reações mais fraternais em sua parceira. Sabia que ela deveria estar entristecida diante do que presenciaria levando em conta todos os seus desejos, mas também tinha certeza de que Poirot aceitaria o resultado com força e veemência por saber que era o mais certo que poderiam ter daquela história sem acertos corretos, ela já sabia como as coisas terminariam ali infelizmente.

Light gostaria de dizer que não, mas havia inúmeras semelhanças entre L e Near e entre elas estava aquela característica expressão de quem sabe que triunfou de algum modo, a mesma expressão que fazia com que a humilhação tomasse seu ser de uma forma inegável. Aquele olhar aparentemente vazio, mas que carrega um mundo inteiro de pensamentos e suposições; a expressão fechada que por mais sem emoção que parecesse ainda sim se mostrava tão expressiva em tantas situações e principalmente o jeito meio estranho de demonstrar seu ar pensativo e conclusivo como se todas as possibilidades já tivessem lhe passado pela mente, tudo aquilo era tão L que Light só conseguiu ver o jovem a sua frente como uma cópia barata do detetive.

Ainda mais com a máscara tosca que levava consigo, realmente inferior ao seu inimigo em muitos aspectos.

A explicação era irrelevante para si, sabia exatamente o que iria acontecer e tudo que estava planejado para aquele encontro, mas se manteve firme em seu papel até que fosse a hora certa de demonstrar toda sua superioridade. Seu coração batia intensamente e pareceu triplicar de algum modo após ter certeza da chegada de Mikami, era como se cada nome que soubesse que era escrito no Death Note fizessem seu coração seguir o ritmo da caneta que passava pelo papel. Poderia ser considerado poético se não fossem as circunstâncias nas quais aquela comparação acontecia, em breve vidas humanas seriam tiradas e seu coração realmente seria o único martelando naquele galpão velho e ridículo.

Quase conseguia visualizar sua vitória, o mundo que surgiria com o fim não tão lamentável de todos os outros presentes e por fim o quão realizado finalmente se sentiria. Sabia que seu pai não o perdoaria do outro lado e muito menos que entenderia seus motivos exatamente como nunca realmente fez, Soichiro não foi ruim no assunto fraternal, mas tão pouco conseguiu ser o suficiente para que algum de seus filhos sentissem uma real ligação com os ideais que procurava transmitir para eles. Light pararia de sentir aquele vazio que voltara após as alucinações de Poirot surgirem, ele finalmente teria toda a autorrealização que tanto almejou e sabia que merecia pelos seus esforços, era justo que fosse feliz quando era quem mais se esforçava entre todos! Seus esforços seriam recompensados e ele finalmente teria o que desejava, o mérito pelo o que era e conquistou como desejava e não pela visão alheia, Light seria livre finalmente de toda a máscara que colocou para si durante anos e viveria como merecia!

Como um Deus; perfeito, sem exigências e completamente imune as pessoas e suas críticas, afinal, sendo um ser superior não precisaria agradá-los nunca mais. Estaria finalmente pronto para ser Ele, completamente longe de todas as coisas humanas que impediam sua real felicidade e nada mais importava se pudesse ter somente isso, era tudo que realmente precisava naquele mundo.

Mikami havia feito bem o seu trabalho, agido com calma e cautela e em nenhum momento entes do indicado se dirigindo a si como Kira, estava segurando seu sorriso conforme ouvia-o contar os segundos com um sorriso maldoso surgindo em seus lábios. Ambos tinham certeza de que ao final da contagem a vitória seria o que receberiam e que todos os planos que fizeram para o futuro aconteceria perfeitamente, o Novo Mundo estava prestes a nascer da forma mais gloriosa possível. Kira finalmente seria o Deus que os humanos precisavam e ninguém poderia dizer o contrário.

Mas nada aconteceu quando os 40 segundos passaram.

-O que... – Não houve muito tempo para que Light sentisse a surpresa de não ter funcionado, logo o pessoal de Near já estava segurando Mikami e o caderno foi entregue para ele que soltou um suspiro.

-É, exatamente como você disse que aconteceria. – Sua fala pareceu ser dita para o nada e por um momento pareceu como se estivesse falando sozinho. Isso se palmas não tivessem sido ouvidas e a figura de Poirot surgindo do canto de um modo quase teatral, sua expressão era decepcionante e seus olhos se voltaram para os policiais como um pedido de desculpas.

-Eu disse, as cortinas se fecharão nesse lugar para a peça conhecida como Caso Kira. Que final digno, a queda do protagonista, acho que até mesmo o shinigami deve admitir que é poético. – Os olhos dela se voltaram para Ryuk que riu já começando a entender o que acontecia, uma armadilha bem orquestrada que nem mesmo o Yagami foi capaz de pensar que aconteceria.

-Não, você não está certa! Estou cansado de sua figura na minha cabeça me afastando dos meus ideais, eu vou vencer! – Talvez se tivesse prestado mais atenção perceberia que não era somente ele quem estava vendo a mulher em toda sua magnitude, que ela estava de verdade a poucos metros de si com decepção direcionada as suas ações e palavras, mas todos os seus sentidos estavam começando a falhar de uma forma tão frustrante que não conseguia raciocinar com todas as células de seu cérebro. Ainda conseguia manter a calma e ter uma leve consciência de que estava falando com uma alucinação e que não deveria dizer nada relativamente comprometedor, porem tinha certeza de que não sairia dali com tanta facilidade.

-Hana, o que você está fazendo? – Os olhos se voltaram para Teru que se encontrava ajoelhado no chão olhando na mesma direção que ele, a mulher, e isso fez com que uma leve duvida surgisse na mente de Light. Ela andou calmamente até o homem e tocou seu rosto com carinho e um leve sorriso surgiu em sua face.

-Me perdoe Teru, talvez em um outro mundo você fosse alguém por quem eu poderia me apaixonar verdadeiramente. Eu realmente senti um carinho descomunal por sua pessoa, talvez o tenha amado a um certo ponto, mas não poderia deixar as coisas continuarem desse modo. Me desculpa por não ter sido real todas as vezes, em alguns momentos eu queria que tivessem sido. – Se afastou com pesar, ele tentou deter suas ações, mas logo foi segurado no lugar e as algemas não facilitavam sua movimentação então não conseguiu a impedir de se aproximar novamente de Near. Poirot parou ao seu lado com os braços cruzados, o rosto dos policiais eram incrédulos e ainda muito surpresos para que pudessem questionar o que realmente estava acontecendo – Por favor, explique as circunstâncias Near.

-Esse Death Note que estava com Teru Mikami é falso, nós o trocamos sem o conhecimento do mesmo. O verdadeiro Death Note esteve com Watari enquanto esperávamos a chegada dele. – Ela tirou o caderno de dentro do blazer com cuidado – Antes de qualquer coisa devo dizer dois fatos importantes, Light Yagami é Kira e Teru Mikami é o Segundo Kira, talvez tenham havido outros antes dele, mas nunca saberemos, afinal, quem abdica da posse de um Death Note perde toda a memória sobre o mesmo e não é mais capaz de ver o shinigami.

-Misa Amane não tem nada a ver conosco Light, ela não sabe de nada. Mas acho que você já sabia disso. – Acrescentou Poirot mantendo a postura.

-Kira matou L assim como Watari quatro anos atrás, essa informação é equivoca como podem ver. Ela continuou na investigação as escondidas e garantiu que esse momento chegasse, que Kira cairia por todas as pessoas que matou sendo elas criminosas ou não. Se olharmos o Death Note de Mikami veremos que todos os nomes estão aqui, incluindo o meu e o de todos os membros da SPK, mas o nome de Light Yagami não, isso significa que Light Yagami é Kira. – Concluiu levantando o caderno falso apontando para os nomes escritos.

-Como...? – Aizawa, com um fio de voz, conseguiu sair melhor do estado de choque e questionar a história completa.

-Tendo essa certeza começamos a ficar de olho em Light e em suas ações como L, exatamente como já sabe senhor Aizawa. Com isso chegamos a Kyomi Takada e tínhamos certeza de que ela estava envolvida diretamente com as execuções de Kira, mas Watari percebeu que um homem chamado Teru Mikami tinha algumas ações suspeitas e nós voltamos nossa atenção para ele indiretamente. Dividimos a vigilância com cuidado entre ambos, primeiramente pensamos que tivéssemos realmente trocado o Death Note de Mikami, mas graças as observações de Watari insistimos na busca e percebemos onde era o real esconderijo do caderno, se Gevanni não tivesse sido tão profissional talvez não tivesse conseguido fazer uma cópia tão perfeita em somente uma noite para esse encontro. – E com isso seguiu-se mais explicações sobre o caso e a forma como chegaram as aquelas deduções, como as informações de Poirot foram úteis para que Near estivesse no patamar de L mais rapidamente e como o sacrifício de Mello foi essencial para que tivessem certeza do esconderijo do caderno de Mikami. Falava de um modo que as coisas pareciam se encaixar perfeitamente exatamente como deveriam e por um momento, Matsuda se sentiu em uma história de detetive – E então, Light Yagami, no que você venceu exatamente?

Estava se segurando para que suas emoções não transbordassem, mas era complicado diante das coisas que compreendia e das que pareciam longe demais de seu entendimento, tinha que dar um jeito de deixar aquele local o mais rápido possível e de se livrar de Near de alguma forma, sabia seu nome e se Mikami não foi capaz de realizar o trabalho então ele mesmo o faria. Mas não seria nada fácil conseguir essa sequencia de acontecimentos, não com os policiais que trabalhavam consigo e menos ainda com os agentes de Near na volta, sem contar o olhar de Poirot para si como se esperasse que executasse um plano exatamente o qual estava planejando, ela era fruto de sua mente então era normal que soubesse de suas intenções. Ela estava somente em sua mente, não?

-Sim, vocês estão certos. Eu sou Kira. – Não havia como negar, tudo estava a favor dessa acusação e só pioraria as coisas se dissesse que não, continuasse a fingir que não era. A surpresa em seus rostos foi a facilidade com a qual confessou e não a fala em si, apesar disso Poirot tinha certeza de que em algum momento aquela seria a estratégia tomada por ele, as vezes era decepcionante conhecer tão bem os jogos sujos de Light e mesmo assim considera-lo tanto, entregou o Death Note para Near já se preparando para o que aconteceria.

-Como você pode?! Seu pai morreu pensando que você não era o Kira, você matou o seu próprio pai! – Era óbvio que Matsuda seria quem mais demonstraria sua insatisfação e se comportaria a fim de não manter a compostura, ele se importava demais com o chefe Yagami para não demonstrar toda sua dor.

-A morte de pessoas como meu pai são lamentáveis, mas ele não compreendeu o significado da causa. Minhas intenções nunca foram que pessoas como meu pai morressem e sim construir um mundo pacífico para eles, meu pai morreu por não aceitar que esse mundo merece essa mudança que estou disposto a oferecer! – Suas palavras tinham que ser tocantes o suficiente para que hesitassem em avançar em sua direção enquanto esperava o momento certo de usar o pedaço do caderno que estava em seu relógio, talvez Mikami poderia ser útil ao menos dessa vez para sua fuga – Os ideais que Kira representa é a justiça e a paz para aqueles que são bondosos, justos e oferecem utilidade para a sociedade. Pessoas como o meu pai não são capazes de compreender que esse mundo é feito para outros como ele e por isso sua morte aconteceu, foi lamentável porem imutável. Kira é necessário, mais do que as pessoas estão dispostas a admitir.

-Nenhuma paz que venha da morte de um outro humano pode ser considerado como paz verdadeira. Você minimiza a existência de outros seres como você e justifica suas ações em prol desses mesmos seres que você escolhe, isso não é justiça, é ditadura. – Quem se pronunciou foi Poirot que deu um passo a frente, estava cansada de justificativas vazias para ações cruéis, não era a toa que os shinigamis gostassem tanto de observar as formigas que eram – Kira não é justiça, tão pouco trás a verdadeira paz a esse mundo. Suas ações somente provam a crueldade da nossa espécie, e Kira não deixa de ser um assassino independente de seus motivos.

-Você está errada! Sempre esteve, e eu não vou ouvi-la como sempre faço! – Rapidamente, aproveitando a atenção que estava virada para ela, puxou a folhinha do Death Note para fora e tentou escrever o nome de Near com sangue com a agulha que guardava junto. Quem percebeu primeiro foi Matsuda que sacou a arma e atirou na mão do rapaz antes que terminasse de escrever o nome de Near, lágrimas começaram a rolar por seu rosto enquanto tremia nem sabendo ao certo como conseguiu acertar seu alvo corretamente – Você atirou em mim! Matsuda seu idiota!

-Matsuda... – Poirot olhava a cena desacreditada do rumo que as coisas estavam tomando, queria poder se aproximar dele e abraça-lo, mas não era o momento para isso.

-Cala a boca, todo mundo! Eu não aguento mais essa coisa de Kira e o que é certo ou não, nada dessa merda é certa! Por que deixamos que as coisas chegassem a esse ponto?! – Era óbvio o quanto suas emoções estavam em um estado de colapso, que a dor estava começando a se misturar com coisas incontestáveis que não estavam ao seu alcance e isso estava fazendo com que todas suas ideias ficassem embaralhadas e longe de qualquer senso de julgamento. Ele só queria que as coisas voltassem a ser como eram antes, onde o mundo era bondoso o suficiente para que a maldade virasse algo combatível, nada era perfeito e estava tudo bem. Era pedir demais que as coisas fossem assim novamente?!

-Você deveria atirar neles! Em Near e em seus agentes! Eles estão impedindo a construção de um mundo ideal! E eu vou acabar com isso! – Tentou escrever o sobrenome de Near com os dedos, mas levou vários outros tiros antes que pudesse terminar. Caiu no chão quase inconsciente não conseguindo administrar a dor física que se alastrava por seu ser, a dor emocional parecia mais intensa do que qualquer outro sentimento que poderia vir a sentir ou estar sentindo – Merda, Matsuda!

-Todos estamos em choque, mas não faça isso. Não suje suas mãos desse modo. – Aizawa se aproximou do companheiro segurando seu braço, nesse momento ele finalmente abaixou a arma compreendendo que havia mais coisas acontecendo e que precisava manter a calma. Não era desse modo que conseguiria vingar a memória de seu finado chefe.

-Idiota! O que você está fazendo?! Mate todos eles! – A voz esganiçada de Light ecoou pelas paredes de aço, seu olhar fixado em Mikami enquanto se arrastava no chão para longe de todos.

-Mas como eu... – O olhar dele se voltou para Poirot que negou com a cabeça e naquele momento entendeu o real motivo para a sua traição, aquele Deus não era digno da adoração de ambos e tão pouco merecia a gratidão que aquele mundo poderia lhe oferecer. Suas crenças tremeram e por um momento sentiu que todas as coincidências que pensara serem atos divinos eram realmente coincidências, mesmo assim sentiu que a justiça não estava perdida se esse fosse o caso, a humanidade não pode ser mudada tão facilmente – Você não é um Deus! Eu não acredito mais em você!

-Seu inútil! Onde está Takada?! – Continuava a se mover em uma direção aparentemente não pensada previamente, parecia que o desespero finalmente estava tomando conta de sua mente sempre tão preparada.

-Kyomi Takada está morta. – Near respondeu com uma frieza que expressava tão vivamente seu desprezo que foi impossível para a mulher ao seu lado não o olhar com desaprovação. Independente da situação Poirot sempre pareceria uma mãe que repreendia seus filhos sempre que os viam fazendo uma ação insolente, como zoar o próximo.

-Morta?! Por que aquela idiota está morta em uma hora dessas?! Misa! Onde está aquela idiota?! – Seus gritos continuavam, Matsuda estava considerando levantar sua arma novamente somente pela piedade de acabar com aquela cena lamentável. Light Yagami havia se tornado digno de pena naquele momento.

-Misa Amane está em um hotel muito longe daqui, e mesmo se soubesse de sua situação nada poderia fazer afinal ela perdeu a memoria do caderno. – Novamente, mas dessa vez ele se encolheu diante do olhar da mais velha. Entendeu que aquele não era o momento certo para expressar sua superioridade diante do inimigo, não na frente dela.

-Todos inúteis! Como ela pode estar em um hotel em uma hora como essa?! Eu vou matar todos vocês! Eu sou a justiça! Eu vou vencer! – Suas lamurias começavam a tornar-se sufocadas pela voz falhada, estava em seu último estado antes da inconsciência. Quando esse momento chegasse e o homem estivesse mais calmo então seriam capazes de prendê-lo e lhe prestar o tratamento médico que precisa.

-Acabou Light. Por favor, pare com isso. – Poirot deu mais alguns passos a frente na direção dele, mas o balançar de sua cabeça foi a indicação que recebeu de que ele não iria renunciar – Você fez coisas ruins pensando serem boas, nós entendemos, mas precisamos garantir que isso pare. Não estamos dispostos a deixa-lo ir e nem que morra, facilite por favor.

-Não! Vocês estão errados! - Nesse momento seu caminho o levou diante de uma figura negra distorcida, um sorriso assustador surgiu na face do humano ao presenciar boca macabra do shinigami – Ryuk! Mate eles por mim! Eu posso lhe mostrar muitas coisas interessantes! Mate todos!

-Está bem. – Nesse momento os dedos longos puxaram seu próprio caderno e sua caneta da cintura enquanto começava a escrever. Os policiais tentaram atirar nele, mas suas balas passavam batidas, nada naquele mundo poderia matar um shinigami e se não sabiam disso antes estavam descobrindo naquele momento. Os agentes da SPK não se moveram assim como Poirot, não estava surpresa com a resposta e tão pouco com as ações do shinigami, olhou uma última vez para Mikami e Near antes de se aproximar a passos lentos de Light.

-É inútil, todos vocês morrerão! – A vitória estava tão próxima, tudo estaria resolvido em breve. Aquelas pedras seriam removidas e as margens para o Novo Mundo estariam próximas novamente exatamente como estivera a algumas horas atrás.

-Não Light, você quem morrerá. – A voz de Poirot soou estranhamente sombria – Ryuk não faria isso, quebraria a neutralidade que estabeleceu como observador e ele nunca esteve do seu lado. Agora é a hora dele voltar para o mundo dele.

-Você sabe guardar bem uma informação, talvez eu também tenha certo interesse em você. – O shinigami riu conforme virava o caderno na direção de todos com o nome ‘Light Yagami’ escrito com letras grandes.

-Não! O que você fez?! Você não pode fazer isso! – O rapaz tentou pular na direção do Deus da Morte, mas somente atravessou seu corpo caindo com tudo no chão. Nesse momento a moça se aproximou dele e o apertou em seus braços o máximo que conseguia apesar do mesmo ainda estar se contorcendo querendo se aproximar de Ryuk.

-Foi divertido enquanto durou Light, matamos o tédio um do outro. Mas agora é sua vez de se juntas a todas as almas que condenou, acho que você foi o humano mais interessante que já teve um Death Note em séculos, talvez milênios do seu mundo. – Fechou o caderno – Acho que é inevitável, todos que usam um Death Note estão destinados a um final trágico.

-Não! Eu não quero morrer! Eu não quero morrer! – Seus movimentos tornaram-se bruscos e por um momento, pela primeira vez em muito tempo, sentiu medo da morte. Temeu o que seria de sua existência após sua partida, do que sobraria de si nesse ou em outro mundo, de quem seria quando seu final fosse inevitável e principalmente para onde ia após aquele desfecho. Não queria vagar pelo Vazio por toda a eternidade.

-Light! – Ele parou ao sentir seu hálito batendo em seu rosto e a temperatura da mão que tocava seu pescoço, virou o olhar para a mulher que esteve em sua mente durante todo aquele tempo e quase não conseguia acreditar que ela estivesse realmente li, viva, ao seu lado. Tocou seu cabelo passando seus dedos delicadamente pela bochecha, a textura era real assim como as lágrimas que rolavam pelos seus dedos, por um momento foi como se tivesse voltado a ser o Light que esteve acorrentado a L e participando daqueles encontros duplos toscos e os próprios olhos lacrimejaram.

-Eu não quero morrer. – Murmurou segurando as lágrimas, logo uma dor intensa atingiu seu peito e a última coisa que avistou antes de seu coração parar foi o rosto choroso de Poirot e uma figura fantasmagórica de L ao seu lado com a mão em seu ombro observando-o com pesar.

-Ele está morto. – As palavras saíram fracas conforme largava o cadáver aos poucos, pareceu ser tão doloroso morrer de tal forma que por um momento ela desejou que não tivesse acontecido desse modo mesmo já tendo certeza de que aconteceria assim – Ryuk. – Chamou-o quando viu sua figura prestes a atravessar a parede para partir – Diga a Rem que o trabalho está completo, ela pode vir pegar o Death Note que lhe pertence. Ela pediu para mandar a mensagem por você.

-Vocês duas fizeram algo bem distinto aqui. Espero que possamos voltar a nos ver, pequena Hana. – E desse modo partiu. Poirot nunca sentiu tanto nojo de um ser que não fosse Beyond quanto naquele momento, Ryuk era um shinigami desprezível e tão identificável em tantos sentidos que ela só desejava que nunca fosse revelo de verdade.

Com dificuldade se levantou, suas pernas estavam falhando e cada vez que seu olhar se voltava para o corpo a sua frente era como se suas forças simplesmente se esvaíssem de seu corpo e tudo o que desejasse era que tudo não passasse de um pesadelo. Ficou alguns segundos nessa alienação antes de lembrar-se da presença dos outros e tão rápido quanto conseguia correu até Matsuda passando seus braços na volta de seu pescoço em uma abraço enquanto era correspondida na mesma intensidade pelo mesmo que acabara de se levantar. As lágrimas de ambos molhavam suas roupas, mas pareceu tão irrelevante que simplesmente ignoraram quando se afastaram e olharam para o rosto um do outro pela primeira vez em anos.

-Oi.

-Ei.

-Creio que há coisas que devem ser resolvida entre você e os senhores. Nós lidaremos com o restante da burocracia envolvendo os cadernos e a captura de Kira. – O albino se levantou calmamente enquanto ajeitava a camiseta de pijama que usava – Tome o tempo que precisar.

-Você está viva! Mas nós vimos o seu corpo! – O homem estava completamente extasiado, todas as informações daquele dia pareciam cansativas demais em tantos sentidos que a única coisa que desejava era uma explicação básica de tudo. Uma realização passou por sua mente e um sorriso surgiu em sua face – Se você está viva então isso significa que ele...

-Infelizmente não. – Interrompeu tristemente, não diria que L estava vivo para ninguém, se essa informação vazasse as coisas ficariam complicadas não somente para o homem que amava, mas também para seu filho – Eu tentei salvar nós dois, mas o trato com a shinigami só envolvia a minha presença. Ele era dispensável para o que ela desejava e eu não consegui fazer nada, afinal, sua vida era prejudicial para a de Misa e isso Rem nunca deixaria passar.

-E como você fez tudo isso? Do que exatamente está falando?

-É uma longa história.




...




-Você não precisa ir, nós podemos continuar com essa parceria e a resolver casos. Assim como você fazia com o L original. – Era para ser uma despedida, mas talvez Near não estivesse tão pronto para dizer adeus quanto pensava que estava. Um sorriso gentil surgiu na expressão cansada da mais velha e naquele momento, mesmo sem uma resposta, ele soube que não seria possível que aquela ideia fosse seguida.

-Eu não posso ficar, preciso me encontrar com ele novamente. – Passou os dedos nos fios albinos com carinho, talvez aquela fosse a última chance que teria em muito de tempo de repetir esse gesto tão bondoso – Chega de casos para mim, de psicopatas ardilosos e mortes dolorosas. Somente quero passar meus dias no campo com Masayuki e o homem que amo. Além de que não acho que faria bem eu continuar com isso. – Tocou carinhosamente a própria barriga fazendo com que ele entendesse o recado – Eu preciso ir.

-Vou sentir sua falta, de verdade. – E a abraçou, pela primeira vez sentiu que essa deveria ser a ação certa naquele momento e não se conteve em segui-la. Foi correspondido prontamente ainda com um afago em seus cachos brancos, não estava perdendo Poirot pois ainda se veriam muito durante aquela vida, mas ainda sim era um tanto quanto doloroso imaginar que não a teria mais ao seu lado todos os dias como estava acostumado. Foi um sentimento semelhante ao de quando ela deixou o orfanato.

-Pode me procurar para o que precisar, estarei disponível para o que sentir que precisa de mim. – Se afastou calmamente lhe dando um beijo na testa – Você também é minha criança, não importa o que aconteça.

-Eu sei. – E por isso, por essa certeza, foi capaz de ser forte ao vê-la partindo e voltando para onde queria estar.


Notas Finais


Sim no próximo teremos o grandioso reencontro entre a Poirot e o L junto com o capítulo de curiosidades sobre a história e a continuação. Eu não esperava que essa fanfic fosse evoluir tanto durante esse meio tempo e estou realmente grata por ainda ter leitores que me seguem desde desde o começo no ano passado. Vocês me deixam muito feliz!

Nos veremos em breve, até a próxima!


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