História Breathe - Capítulo 1


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Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Eijirou Kirishima, Izuku Midoriya (Deku), Katsuki Bakugou
Tags Bakudeku, Hurted, Realplisetsky
Visualizações 229
Palavras 1.463
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, LGBT, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, gente mais que bonita!

Tô morrendo de dor nos joelhos por ficar muito tempo na mesma posição devido um erro na postagem. Normal né, é a MINHA vida, rs. Bem, é só mais um dos acontecimentos que me inspiraram a escrever, nada de extraordinário again.

Desejo-lhes uma ótima, breve e tranquilinha leitura!

Capítulo 1 - Mistura de cores para um painel em branco


Eu me sentia sufocado, a única coisa que me fazia respirar era o barulho quase mudo do pincel deslizando sobre a tela branca —ou não tão branca— de um painel. E lembrar disso também me faz pensar em como a população pega a vida e destrói outras com... Um pincel. Como um coração puro acaba se tornando uma tela cheia de rabiscos e cores que não combinam e que sequer se misturam.

Esse era eu.

BREATHE.

— E eu peguei as diversas cores que eu tinha, todos os tons de azul e joguei com raiva na parede. Imediatamente, os frascos quebraram com a colisão e a força com que eu arremessei. Ma-mas eu não fiz aquilo por estar irritado... Eu sentia raiva, mas também tive a ideia de jogar as tintas para ver o que saíam delas. Que efeito teriam na parede amarela... Ficou verde...

Eu estava falando sobre tintas, de novo. E toda vez que eu surto, eu falo como certas cores não combinam com outras. Ou como quando eu estou frustrado, eu quebro os frascos de tintas na minha parede. Pelo menos não perco tempo subindo numa escada para preencher os cantos calculados por um engenheiro, para pintar uma parede

Brother, não 'tô entendendo porra nenhuma do que você 'tá falando. — disse Kirishima, um dos garçons que estava no caixa do bistrô.

E então o que eu mais queria era não entender nada do que eu estava falando para Kirishima. Queria que ele soubesse que o vermelho do cabelo dele é quase tão falso quanto aparenta ser. Não falo de um jeito estúpido, só queria entender o contexto por trás de ocultar algo que sempre procuramos ocultar. E por que ocultamos.

— D-desculpe. — tímido, dei um minúsculo gole no café assustando-me por estar tão quente.

— Oh, seu namorado chegando lá. — disse o ruivo, despreocupado passando pela décima vez um pano no balcão verniz que perfeitamente combinava com as cadeiras e mesas do salão.

Mesmo amando Kacchan, eu não queria vê-lo.

— Posso tomar um café antes de irmos? — disse dando-me um beijo na bochecha abraçado por trás. Apenas assenti fazendo suas palavras perfurarem em minhas veias e correr alegremente para misturar-se com todo o resto do sangue.

Quando ficamos desconfortáveis perto até de quem gostamos, saiba que há algo errado. Sinto vontade de sair correndo, de me trancar dentro de um roupeiro ou afundar meu corpo numa banheira com água quente até a borda. Eu queria que fosse pela timidez que eu sentia antes quando Kacchan simplesmente me empurrava contra a parede e desabotoava minha camisa preferida. Mas eu adoeci. Eu sinto os fios invisíveis de um aparelho cardíaco grudados em mim, como se estivesse me monitorando até o momento em que eu deixasse de existir em uma explosão como o de um vulcão em erupção.

Entro em pânico toda vez que vejo Kacchan rir, porque eu queria rir também. Eu só consigo chorar.

— Kacchan... — ele tirou os olhos de Kirishima que gargalhava e passou a me olhar. — Estou ficando sem ar. — as lágrimas estupidamente sem cor queriam traçar minha pele. — Preciso sair daqui. — sussurrei.

Kacchan me olhou sério e pegou em minha mão, disse para Kirishima que daríamos uma volta e que era para ele colocar os dois cafés na conta. Eu odeio tanto quando ele faz isso, porque me faz sentir incapaz até de pagar meu próprio café. Levantamos das cadeiras e ele arrumou o cachecol que estava aberto em meu pescoço para que eu pudesse encarar o frio. Encaixou o braço esquerdo em meus ombros e saímos do bistrô em silêncio. Ele não tinha uma cara fechada, mas estava sério. Andamos três quadras em silêncio e para a minha mente conturbada, até aquilo fazia meu corpo pegar fogo.

— Para. — freou e colocou-me a sua frente. Eu já sabia onde aquela conversa ia chegar. — Me diz, seja extremamente sincero, o que você sente?

Por ser meu namorado, eu acreditava que Kacchan soubesse o que se passava comigo. Porque  morávamos juntos, tomávamos banho juntos e pintávamos também. Em meu penúltimo surto, ele me acompanhou e quebrou os frascos de tintas que eu tinha pago caro. Eram importados da França e eu havia os jogado fora pela borderline. A borderline que alimentava-se de mim fazendo eu perder a vontade de comer, de levantar da cama e de provavelmente ter uma noite quente com o meu namorado. Mas eu não queria culpar as coisas por minha causa, porque era eu! E eu fazia as coisas ficarem estragadas porque eu estava estragado!

Eu comecei a chorar, eu sempre fazia isso quando tentava conversar sobre o quão morto eu me encontrava naquele momento.

— Kacchan, eu não consigo. — e aquilo mais uma vez se repetiria.

— Você notou quantas vezes eu já perguntei isso? — eu observava a cor rubra dos olhos dele por trás do óculos que ele tinha de usar. — Quantas vezes eu acordei de noite só para ver se você estava respirando e se não estava se afogando em choro. E você me perguntou como caralhos eu me sinto? — disse sério com aquela voz grossa que apenas se elevou com o tempo. — Sei lá, eu... Eu sei como você se sente, 'tá? E eu sei como você não precisa que eu fale algo, porque mesmo eu repetindo sobre seus cabelos verdes e ondulados, sobre a sua pele com sardas que aparenta ser maquiada e seu estilo roqueiro hippie dos anos 70, sobre como tudo isso me fascina e me deixa louco por você. Você esquece que eu te amo e amo tudo isso, mas não adianta! Não funciona com você! E isso 'tá me afetando, como se eu fosse um dos seus frascos de tintas francesas ou himalaias, sei lá! Sabe como eu me sinto? Arremessado contra a parede e me espalhando para todos os cantos possíveis de um quarto toda vez que eu vejo você se autodestruir.

Eu tinha medo disso. Eu tinha medo de ouvir o que eu não queria por achar que faria bem para a minha saúde mental. De certa forma, eu acabei me tornando alguém masoquista pela vida. Como se eu tivesse trocado os sorrisos pelas lágrimas.

Mas Kacchan sempre foi o frasco que eu me continha para não jogar contra a parede. Eu nunca precisei de frascos importados para encontrar as melhores misturas para meus quadros. Eu só precisava dele, e ele estava bem ali, na minha frente.

Eu sempre quis ser como o Kacchan. Ele fala todas essas coisas do fundo de seu coração e não chora. Mas eu sei que ele está machucado; é como se ele estivesse tampando a ferida, ele está tampando as lágrimas. Eu nunca havia perguntado como o Kacchan se sentia exatamente pelo fato de eu admirar a força dele. Ele sempre falou com tanta firmeza sobre tudo, tem sempre as melhores ideias e quando ele não gosta de algo, ele imediatamente procura falar sobre o que está acontecendo... Bem diferente de mim. Kacchan não aumenta o corte, ele estanca o sangue enquanto eu despejo álcool nas minhas crateras. Enquanto ele malhava e voltava todo suado com o corpo dourado e sarado, eu estava emagrecendo pelo distúrbio alimentar. Cheguei a pensar que ele não se excitaria com minhas pernas magras e meus braços finos como gravetos. Mas então ele subia em cima de mim e dizia o quanto eu era bonito. E eu sabia com o modo preocupado que ele me olhava, estava notando que eu não comia direito. Depois de tantos surtos, ele ainda parece querer me aturar por mais um tempo.

— Deku. — chamou manso. Tirei os olhos do chão e passei a encarar o olhar firme de meu namorado. — Quer ir naquela loja da esquina e tirar umas fotos maneiras com os vinis do Bowie e do Elton John?

Quando Kacchan resolvia ser romântico, ele sabia que estava sendo "meloso" demais apesar de eu gostar muito quando ele age dessa forma. Mas então ele envergonha-se e internamente tapa com algo engraçado. Como as diversas fotos que já tiramos com vinis das décadas passadas. Ou então ir a um karaokê e cantar as músicas de Bon Jovi.

— Ah, mas antes a gente precisa pagar o Kirishima.  — disse e logo caiu na gargalhada que ecoou pela avenida. Algumas pessoas riram com aquela risada contagiante do Kacchan.

Após me sentir contagiado, ajeitei o óculos redondo que sempre escorregava e mordi os lábios. Meu rosto provavelmente estava vermelho.

— Pare de me olhar desse jeito escroto. — sorriu mordendo o lábio com as bochechas coradas olhando para o outro lado da rua.

— Eu amo você, Kacchan.

E dizer aquilo depois de suas bochechas ficarem na perfeita mistura da palidez de sua pele com a vermelha do calor interno, era como se depois de tantos frascos quebrados eu tivesse encontrado a mistura perfeita de cores para um painel em branco.


Notas Finais


É Plus Ultra, viado.

Beijinhos,
Hurt//RealPlisetsky.


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