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História Breathin; Yoonkook - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


wow, este é grande
haha

boa leitura💕

Capítulo 7 - Sete


Jeongguk não saiu do quarto. 

Aconteceu numa terça-feira. Era agora domingo. Cinco dias sem sair do quarto. Ou melhor dizendo, cinco dias a dormir, com (poucas) pausas para ir à casa-de-banho, por vezes beber um gole de água, e uma conversa de trinta segundos com Taehyung. De resto, dormia, por sono ou por efeito de medicamentos. 

Acordou no domingo. Não sozinho, teve de ser o seu despertador a tocar para o ajudar, e bom, inicialmente não entendeu porquê, eram cinco da tarde, domingo. E foi só após se forçar a pensar um pouco, que se lembrou porque é que tinha de acordar naquele momento. O jantar. Tinha de ir marcar presença, falar com alguns adultos, dizer o discurso.  

Sentou-se na cama, ainda de olhos fechados. Parecia normal. No entanto, ao tentar levantar-se, com os olhos abertos, percebeu que, talvez, passar cinco dias sem ter qualquer cuidado com o próprio corpo, sem coisas básicas como comer ou beber água corretamente, não tivesse sido uma boa ideia, especialmente, quando já estava a ficar doente anteriormente. Percebeu isso quando as suas pernas falharam e o atiraram de volta para a cama, quando demorou alguns segundos a focar a visão, e quando uma tontura agoniante passou pela sua cabeça.  

Ignorou. Fez um esforço extra, e levantou-se da cama de novo, com um braço esticado, apoiado na parede. Não caiu, mas ficou trinta segundos a tentar ganhar forças. E ao receber a lembrança de como se anda, caminhou lentamente até à casa-de-banho, com a cabeça baixa e a visão turva.  

Olhou para a sua reflexão no espelho. Já estava a ver melhor, e já tinha forças suficientes para andar normalmente, apesar de estarem longe de serem saudáveis, o grande problema ainda era a tontura, e as dores de cabeça que tinham chegado. Suspirou. Viu-se forçado a fazer o mínimo, e verificar se tinha febre. Abriu uma das gavetas, tirou um termómetro, e fez tudo o que tinha a fazer. Não só tinha febre, como também estava bastante próximo dos limites máximos, mas ignorou. Tinha de aguentar a noite. Tratou de engolir um analgésico, para tentar aliviar as dores, e ficou por aí. 

Tomou um banho, e percebeu o quão mal estava quando precisou de duas horas para o fazer, já que havia momentos em que todas as energias paravam, do nada. Conseguiu aguentar até ao final, e com meia-hora, também conseguiu vestir-se. Mais ou menos. 

Tudo o magoava, mas o que mais doía era o seu coração. Muitas vezes desejava que aquilo acabasse, tudo. Sentia que o que estava a acontecer era cruel, mas merecido. 

Jeongguk estava doente e destruído, em todos os sentidos. 

O fato que tinha que usar, e tinha sido feito à medida há alguns dias, estava largo. Saiu do quarto, caminhou, e enfrentou as suas maiores inimigas no momento: As escadas. Cada degrau era um desafio diferente, e de repente, começou a lembrar-se do porquê de ter ficado tão mal, e de se ter colocado em tão más condições. A metade do caminho teve de parar, sentia que ia cair, e aí, foi notado. 

— Jeongguk! — A voz assustou-o, por uns segundos. Céus, até se tinha esquecido que os pais ainda estavam em casa. Ficaria assustado por ainda mais tempo, se não tivesse reconhecido a dona da voz. 

Esforçou-se e forçou-se a sorrir. — Olá, mãe. — A sua voz soou rouca, e fraca. Continuou a descer as escadas, sem se preocupar muito com os dois degraus que não pisou, sem querer, e com o barulho baixo que os seus ossos faziam a cada passo. 

— Pensava que não vinhas. Estás bem? — Aproximou-se, e abraçou o filho. O abraço doeu.  

— Claro! Porque não estaria? — Riu, baixo, para disfarçar. — Claro que eu viria, é uma responsabilidade. Comprometi-me a isto, não posso faltar, mesmo que a pior coisa me esteja a acontecer. — Viu o olhar da sua mãe. Aquilo era uma das coisas que o pai lhe ensinara desde sempre, não importavam as circustâncias, tinha sempre de engolir e continuar. — O que se passa? 

— Eu é que te devia perguntar isso, Jeongguk. Ficas dentro de um quarto por cinco dias, com a porta trancada, sem responder quando te chamo, e agora queres ir a um jantar de negócios e discursar? E agir como se isso fosse normal? — Encarou o mais novo de cima a baixo, percebeu as mudanças. — Se quiseres ficar em casa, arranjamos forma. 

— Não! — Quase gritou. Não estava a ser bom agora, mas lidar com as consequências de falhar a algo assim seria muito pior. — Estou bem.   

Suspirou, e beijou a testa de Jeongguk. — O teu pai está a acabar de arranjar tudo. Vai comer uma fruta, qualquer coisa. — Assentiu, e viu a mãe retirar-se, em direção a outra divisão. Sentou-se no sofá. 

Esperou, e os dois progenitores apareceram juntos. Foi o seu sinal para se levantar. Outra vez, teve pouco contacto visual com o pai, e foram os segundos em que esteve mais ansioso durante aquela tarde, o que significa muito. E as únicas palavras que ouviu a saírem da sua boca, em meses, foram: — Estás a comprometer imenso, Jeongguk, espero que pelo menos saibas o que tens de fazer.  

A única resposta que deu foi um aceno de cabeça. Agora estava doente, destruído e assustado. Não sabia o que tinha de fazer. Não sabia de todo. Respirou fundo. As dores de cabeça tinham acalmado por causa do analgésico, mas era um efeito temporário, e tinha a noção disso. As suas pernas continuavam a tremer e a ameaçar falhas, e agora, para se juntar a tudo o resto, estava com dores musculares, e o seu estômago parecia estar a dar-lhe facadas, de tanto que doía. Estava, também, cheio de frio. Não havia nada de bom a acontecer. 

— Bun, o senhor Kim vai ao jantar! — As palavras da sua mãe fizeram que por segundos, os seus grandes olhos negros brilhassem. 

— Isso significa que o Namjoon Hyung também vai? — Perguntou, a voz mais animada do que alguma vez estivera nos últimos dias.  

— Sim. Vocês os dois estão na mesma mesa. — Sorriu para o filho.  

Jeongguk assentiu, sem levantar muito a cabeça. Por incrível que pareça, aquilo era a maior felicidade que tinha sentido em dias. Era insignificante, em comparação com toda a dor e desgosto que sentia.  

Entraram no carro, Seokjin estava lá. Ao ver o Jeon mais novo, lançou um sorriso, e foi retribuído da melhor forma possível. Não era algo incrível e bonito, como tinha imaginado, foi um sorriso que pedia ajuda. Jeongguk não queria sorrir. Queria baixar a cabeça e calar-se para sempre.  

A pequena viagem durou quarenta minutos. Chegou para relembrar a última vez em que tinha estado naquele carro, e mais uma vez, Jeongguk queria ir embora. Foi um bocado grande, tinha estado isolado por tanto tempo, como estavam os seus amigos? Queria abraçar Taehyung, Jimin, e Yoongi, e fugir para onde ninguém o encontrasse. Oh, se pudesse era o que faria. 

Ao chegar ao lugar, já estava quase cheio. Eram quase nove da noite. Só faltavam algumas famílias para ser declarado o início. A família Jeon era uma delas.  

Assim que entraram, a primeira coisa que teve que fazer foi cumprimentar imensa gente, mais do que conseguia. Lentamente o efeito do medicamento que tinha tomado foi desaparecendo, e com tantas conversas pequenas que tinha, com tantos adultos excessivamente sérios, ou felizes, a sua cabeça doía tanto que parecia que tinha passado um carro em cima dela, todo o seu corpo tremia de frio, e o cheiro da comida a ser feita causou-lhe enjoos. Porque é que não tinha obedecido às ordens da sua mãe e comido a maldita peça de fruta? Porque é que tinha ido para aquele lugar em jejum, e doente? 

O único momento em que não pensou na dor que sentia foi quando ouviu uma certa voz grave: — Ggukie! — E quando sentiu uns braços fortes à volta do seu corpo. — Que saudades! 

— Namjoon! — Disse, retribuindo o abraço com toda a força que tinha. Neste caso, que não tinha. 

Kim Namjoon. Jeongguk nem sempre esteve na escola pública. Chegou a estar em dois colégios internos, caros e prestigiosos. Foram os piores anos da sua vida, na sua opinião. O ensino não era mau, mas começou a ser quando o seu pai permitiu que fosse feito o “necessário” para a disciplina se manter em primeiro lugar. 

Tinha um complexo de inferioridade, nunca se sentiu suficiente para se meter entre os seus colegas, e para além disso, a exigência era tão grande que chegava a passar noites sem dormir para estudar. Bom, ainda o faz, mas antes era necessário. Os professores não eram maus no seu trabalho, mas estavam tão obrigados como os próprios alunos, provavelmente queriam ir para casa, não se importavam. 

E Namjoon foi a exceção. Já se conheciam ligeiramente antes, oras, o Kim era filho de um dos colegas mais próximos do pai, mas aproximaram-se num dos colégios, e Jeongguk sentiu-se aceite. Não foi bom, na sua opinião, mas foi o melhor sobre aqueles sítios. O Jeon gostava de Namjoon, tinham uma boa amizade, e era a única parte boa sobre toda a experiência. 

— Wow... — Separou o abraço e encarou o mais baixo, assustado. — Gguk, eu sinto as tuas costelas! O que é que tens estado a fazer para conseguir isto? Foram só dois meses. 

— Exercício. — Respondeu rápido. Tinha medo que alguém lhe perguntasse, não era burro, notou as supostas diferenças no seu corpo e estava envergonhado, mas ainda pior que isso, estava a ver o oposto das coisas. Tinha a resposta pronta para o caso e alguém querer saber. — Queres sentar-te? 

— Por favor! Não aguento mais ficar aqui em pé a falar com tantos adultos. Já ouvi dois desabafos sobre política. — Riu, e o mais novo acompanhou, brevemente. Então, procuraram a mesa na folha que estava pendurada para ajudar quem estava perdido, e tentaram andar para lá. Palavra chave, tentar. — Woah, Gguk! — Disse, ao ver o seu amigo quase a cair. Claramente era demasiado. — Estás bem? Sinceramente. — Sussurrou. 

Jeongguk acenou que sim, devagar. — Mais que bem. — Reuniu energia, e deu passos pesados até à sua mesa. Ao chegar, sentou-se na maior velocidade que conseguiu. Fechou os olhos, e deitou a cabeça na mesa. — Frio... — Disse, tão baixo que ninguém ouviu. 

— Não era suposto eu vir, Jeongguk! — Namjoon chegou, e riu baixo, sentando-se ao pé do Jeon. — Quando soube que vinhas, tive que pedir! O meu pai não quis, ao início, para eu não me chatear muito com estas coisas, mas não perderia uma chance de te ver! 

— Fico feliz. — Levantou a cabeça, e sorriu. — Tinha saudades tuas, Joon. Desculpa por te ter abandonado naquele inferno. 

— Não! Na verdade, melhorou muito desde que saíste. Pelo menos, para mim. — Sorriu, e pegou na mão de Jeongguk. — Ah! Lembras-te da Bae Yoobin? Ela disse-me para te desejar boa sorte! A escola pública pode ser pior, às vezes. 

— Agradece-lhe por mim. — Estava surpreendido, nunca tinha tido um contacto próximo com a menina, mas agradecia profundamente aquela simpatia. Claro, felicidade a mais, uma dor de cabeça atingiu-o. Teve de parar de falar para tentar aguentar a dor. Foi perceptível o suficiente. 

— Gguk! A sério, o que se passa? Tu não estás bem! — Disse, preocupado.  

— Joon, eu sinto-me mal. Apenas... mal.  

— Como assim? O que se passa? 

— Dói-me a cabeça, está tanto frio, e sinto-me fraco. — Resumiu. Não ia dizer a parte dos enjoos, porque daí normalmente perguntam o porquê, e teria de admitir a falta de alimentação. Já seria demais.  

Namjoon pegou no seu casaco e ofereceu ao mais novo para o vestir. — Devias ir para casa, Ggukie. — Colocou a sua mão na testa do mais novo. — Estás a ferver. Queres que eu fale com a tua mãe? 

— Não, não! Estou bem. Só preciso de uns segundos... — Suspirou. — Para além disso, tu mesmo o disseste, nunca perderia uma chance de estar contigo. 

— Gguk, juro que combinamos para nos encontrarmos depois! O mais importante agora és tu e a tua saúde. Claramente não consegues subir ali e dizer todo aquele discurso, é demasiado. Por favor, vai para casa.  

— Hyung- — Foi interrompido por um dos assistentes do seu pai. Já era um conhecido para si. 

— Menino, por favor dirija-se para o palco. Os seus pais e os Jung já lá estão. 

— Tenho que ir. — Tirou o casaco do amigo e suspirou. — Obrigado. 

— Boa sorte. 

Dirigiu-se até ao local, na maior pressa que tinha sentido nos últimos dias, e respirou fundo. Viu a sua mãe a sorrir-lhe. Não era a primeira vez que fazia algo assim, estava tudo bem. 

O seu pai aproximou-se. Suspirou, e antes de subir ao palco, disse, com firmeza na voz: — Não arruines isto. 

E subiram todos. Jeongguk começava a suar frio. Não tardou para o Jeon mais velho começar a falar para toda a gente na grande sala. 

Durante esses poucos minutos, reveu mententalmente tudo o que tinha de dizer, e por sorte, não se tinha esquecido dos pontos principais. Respirava fundo, inspirava e expirava, não estava pronto. Foi a vez da sua mãe. Céus, a sua parte estava a chegar. 

Mais dois minutos em que, sorrateiramente, tentou dizer todo o texto. Viu Namjoon a tentar dar apoio com sorrisos e acenos. Viu a outra família a encarar com esperança e expetativa. Porque é que tinha de estar naquela posição? Não gostava. 

A sua vez chegou. As palmas, e o sorriso que recebeu da mãe, foram sinal suficiente para andar para a frente, e se colocar à frente da mesa de discursos. Ajustou o microfone, todos naquela família eram mais altos, e após um suspiro, começou a falar. 

Não conseguiu ser muito expressivo, manteve sempre um tom parecido, mas pelo menos, falou. Mesmo que se estivesse a agarrar à mesa como se a sua vida dependesse disso, mesmo que sentisse imensas dores e arrependimentos, pelo menos falou. Conseguiu manter-se fluente, apesar de ter mudado algumas frases para ser mais rápido, mas pelo menos falou.  

Parou de falar. Não tinha acabado, mas estava esgotado. Tinha de parar. Inventou um final prematuro, agradeceu e sorriu. Recebeu palmas, e foi para trás de novo.  Sem sorriso, sem olhar. Envergonhado.  

Quem faltava discursar, fez o que tinha a fazer. Todos desceram. Jeongguk tentou fugir e ignorar os olhares, outra vez, sabia o erro que tinha cometido, sabia que tinha consequências graves à sua espera. Não queria saber. Só não fugiu, porque a sua mãe o puxou, e disse, com firmeza: — Vamos para casa, Ggukie, eu chamei uma médica.  

— O quê? 

— Estás doente. Dificuldades a andar, frio, e não comes nada desde que te trancaste naquele quarto. Não te vou deixar aqui nem mais um minuto.  Vamos para casa os dois, está lá uma médica. 

E foram. Seokjin já estava à espera no carro, fez alguma conversa com a senhora, que era bem mais gentil que o seu marido, e conduziu até casa. 

— Mãe? 

— Diz, Ggukie. 

— Desculpa. Eu arruinei aquilo tudo, e- 

— Amor, eu não sou o teu pai. — Disse. — Parte-me o coração ver o que ele fez contigo. Não tens de pedir desculpa por pôr-te em primeiro lugar.  Fizeste o correto, e mesmo assim, discursaste bem.  

— A sério? 

— Claro. — Sorriu. — Eu sei que pode ser difícil de acreditar, mas eu amo-te, hm? És bem mais importante do que o quer que vai sair deste jantar. 

Chegaram a casa. 

Jeongguk foi rapidamente examinado por uma médica, chamada Min Sunjung, que também lhe fez perguntas, e em geral, conseguiu arrancar algumas verdades. Fez análises rápidas ao sangue do Jeon, e pelos vistos, para além da gripe, que tinha piorado a níveis extremos, tem uma anemia, o que justificava a fraqueza toda. Foi lhe indicada uma dieta para se curar, e alguns outros cuidados. Ficou também a saber que ficaria ainda mais uma semana sem ir à escola, para se recuperar. Foram duas horas. Jeongguk comeu uma maçã. 

Assim que as duas adultas saíram do quarto, Jeongguk enfiou-se de novo na cama. Não podia ficar pior. Tapou-se, pensou em tudo o que tinha acontecido, sentiu-se assustado de novo. E, como sempre, no meio de pensamentos doentes, adormeceu. 


Notas Finais


estou há quatro horas à frente do meu pc a escrever isto, os meus olhos doem, send help
deixo claro aqui que adoro o kookie com todo o meu coração e peço desculpa
espero que tenham gostado, obrigada por lerem, amo-vos🌼💖


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