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História Breathing You - Capítulo 4


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Notas do Autor


Oi, oi, oi! Como vocês estão? Hoje é sábado e sábado é dia de quê? Quem disse atualização de Breathing You, acertoooou! A partir de agora as coisas começam a ficar melhores, bolinhos. Obrigada pelos comentários! Vocês são demais!

OBS.: O robe que a Miranda vai usar está na foto de capa do capítulo, okay?

Ah! Só mais um coisa... Vocês podem indicar BY para as amigas de vocês? Eu ficaria muitíssimo grata!

Então vamos ao capítulo! Boa leitura, bolinhos <3

Capítulo 4 - Capítulo Três


Fanfic / Fanfiction Breathing You - Capítulo 4 - Capítulo Três

 

 

Quando eu acordei, na manhã seguinte, senti-me quentinha e com o coração cheio de amor. Eu estava na casa de Miranda Priestly, deitada na cama que se encontrava no quarto de Caroline com ela e Cassidy abraçadas a mim. Elas não queriam dormir fora de casa e eu não as deixaria sozinhas.

Apesar de terem adormecido na cama da mãe, no meio da noite apareceram no quarto com os travesseiros da editora e se deitaram comigo. Nós três nos rendemos ao sono graças ao cheiro delicado e intenso de Miranda.

Às oito e meia nós nos levantamos e fomos fazer café da manhã. As meninas não tinham ido à escola com o consentimento da mãe no dia anterior. Elas alegaram querer estar com a mais velha durante sua estadia no hospital. A mulher não tinha como negar um pedido daqueles para os olhinhos azuis pidões que eram tão lindos e convincentes. Eu sei por experiência própria.

–Andy, você teria coragem de cuidar da mamãe durante esse mês? – Cass perguntou como quem não queria nada.

Bebi um gole de café e falei:

–Não que eu ache que ela fosse aceitar em algum momento, mas sim. Eu acho que sou capaz de aguentar o humor ácido dela por mais um mês. – Brinquei.

Elas caíram na gargalhada. Naquele momento eu não me liguei no que as duas estavam fazendo. Assim que nós chegamos ao hospital elas resolveram que era o momento de cobrar um posicionamento da mulher que comia uma salada de frutas caprichada. Parecia gostosa porque ela comeu até o final.

–Então, mamãe. Nós não podemos ficar um mês sem aula e a senhora não pode ficar sozinha. – Cassidy disse.

–Cassidy, você sabe que eu não tolero estranhos em casa. – falou baixo.

–Mas e se a gente arrumasse alguém conhecido para cuidar de você? – Caro soltou a bomba.

Naquele momento tudo na minha cabeça começou a se encaixar.

–E quem seria? – se limitou.

–A Andy! – Responderam juntas.

Os olhos azuis de Miranda se ergueram do pote de salada de frutas. Ela olhou das meninas para mim, de mim para as meninas. O que aquelas pestinhas estavam aprontando?

–Como é? – Fui eu quem soltou.

–A gente sabe que a mamãe não vai aceitar estranhos. As assistentes dela são mais úteis na revista, Emily e Nigel vão ter trabalho triplicado e você foi a única que conseguiu entender o ritmo e os desejos de mamãe até hoje. Você disse que cuidaria da mamãe, caso necessitasse. E você cuida tão bem de nós duas. – Cass falou.

–Mamãe, a gente sabe que a senhora é absolutamente contra essa ideia, mas bem que poderia ajudar suas filhas, não é? Seria muito mais fácil para nós duas passar o dia na escola sabendo que você está sob os cuidados de alguém que a gente confia, a única adulta a exceção da senhora que a gente realmente confia de olhos fechados. – Caro disse branda. Segurou a mão boa da mãe e pediu, suplicante. – Por favor, mãezinha. A gente fica um ano sem pedir qualquer coisa.

–Fale por você. – Cass retrucou imediatamente.

Os olhos estreitados de Miranda mostravam o quão incomodada estava com tudo aquilo. Eu nem ao menos poderia tirar sua razão, não é mesmo? As meninas estavam obrigando aquela mulher a ficar perto de uma pessoa que havia a deixado na mão na semana mais importante do ano de sua vida profissional. Todavia, tudo o que eu queria era que ela dissesse sim. Que ela aceitasse ser cuidada por mim.

–Andreah tem um emprego. Não pode parar a vida dela para fazer as vontades de vocês duas. – sua voz fria me partiu ao meio.

Os olhos das meninas caíram e eu não consegui não interferir.

–Eu tenho férias vencidas. Posso pedi-las com urgência. – falei.

Me encolhi assim que vi os olhos azuis me mirando. Okay. Péssima ideia! Deveria ter ficado calada, Andrea Sachs. Agora Miranda Priestly vai te matar.

–Viu, mamãe. Por favor. – Caro implorou. – A gente só quer o seu bem.

Miranda olhou para a filha mais nova. Sua cara deixava claro que ela não estava contente, mas ela cedeu. Exatamente por isso, dois dias depois eu a ajudava a chegar à Mercedes, na porta do hospital. Roy nos esperava e, para meu alívio, não havia nenhum paparazzi ali. Tenho certeza que a editora-chefe não ficaria feliz de sair na capa das revistas com uma faixa na cabeça.

Ao chegarmos a sua casa eu a ajudei a subir as escadas vagarosamente rumo ao seu quarto. Não encostei nela, ainda que o quisesse bastante. Assim que chegamos ao primeiro andar ela estacionou, olhando para as escadas que teria de subir. Os olhos azuis nublaram e ela pareceu perdida em pensamentos. Talvez estivesse se lembrando de alguma coisa. Dei-lhe espaço. Fiquei quieta esperando-a se mover, o que pareceu demorar uma eternidade. Os olhos encheram-se de lágrimas que ela lutou bravamente para não cair. Encostei-me na parede apenas para ela não notar minha presença. Eu sabia que era extremamente importante colocar a cabeça no lugar.

De repente ela saiu do transe e caminhou em direção ao segundo andar. Subimos até o terceiro andar em silêncio e percorremos o extenso corredor em direção ao seu quarto.

–Você pode ficar no quarto de hóspedes a esquerda do meu, Andreah. – falou apontando a porta que se encontrava fechada.

Permaneci em silêncio. Não queria que ela se sentisse ainda mais desconfortável comigo em sua casa. Ela adentrou a sua suíte principal vagarosamente, sua respiração pesada. Eu me apressei para organizar os travesseiros macios que deveriam custar todo o meu salário na época de Runway. Afastei o edredom para que ela pudesse se acomodar na enorme cama king size plus.

Enquanto ela se sentava pude ver dor estampada em sua face. A costela fraturada seria o nosso maior problema no próximo mês. Eu queria tanto tirar aquela dor dela e transferir para mim. Eu sabia bem como seria difícil para a minha chefe permanecer os próximos dias sem receber o livro, sem ir a revista, sem gritar ordens surreais às secretárias... Miranda não era uma mulher que conseguia ficar parada por muito tempo, sua essência não permitia.

–Assim está bom? – perguntei baixinho enquanto puxava o edredom para cima, cobrindo seu corpo.

Mesmo recém-saída do hospital ela continuava impecável dentro de um vestido largo e longo Prada, na cor vinho, com mangas ¾ também soltas. Eu nunca tinha visto ela em algo mais... casual. Ficava extremamente bonita. Aliás, eu duvidava da possibilidade de ela ficar feia em algum momento.

–Sim. – sussurrou em resposta a minha pergunta. – As gêmeas?

Olhei o horário em meu relógio de pulso.

–Chegam por volta das 18:00 hoje. Você quer que eu lhe traga algo para comer?

Tentou virar o pescoço em minha direção, mas o cordão cervical não permitiu. Ela respirou fundo, como se estivesse contendo a vontade de arrancar aquilo tudo de seu corpo e me respondeu:

–Eu gostaria de tomar um banho. Verifique se tudo o que eu preciso está no banheiro.

Ela queria um banho e o certo era alguém ajudá-la, entretanto as meninas demorariam para acompanhá-la no processo. Eu não tinha a mínima coragem de oferecer-lhe ajuda para tal. Sim, gay panic, amigos! Olhei ao redor. O quarto dela tinha três portas. Uma delas seria a do banheiro, agora qual... Eis a questão.

–A porta da sua esquerda. – falou de olhos fechados.

Rumei para a porta indicada, adentrando ao maior, mais luxuoso e lindo banheiro que já vi na vida. Não era segredo para mim que Miranda gostava de azul, já que depois da aula que ela me deu assim que entrei na revista, Nigel fez questão de dizer: “Com tanta cor para você rir tinha que ser logo de algum tom da preferida da chefe? Você mereceu cada palavra, seis!” Você também já deve saber que o banheiro da editora era todo em tons de azul e branco, com espelhos por todos lados, dois lavabos, uma banheira enorme com hidromassagem, um chuveiro espetacular que eu já tinha visto na internet, da Blue Ocean com várias duchas, regulagem de temperatura, densidade do jato e uma série de funções que ela provavelmente não teria utilizado nem um terço, inclusive o bluetooth integrado. Isso era um chuveiro inteligente, meus amigos.

A imensa quantidade de produtos de beleza, sais de banho, sabões líquidos... Aquele banheiro era um sonho. Havia uma pequena estante com toalhas e inúmeros roupões felpudos em tons de branco e negro dobrados. Aos meus olhos tudo estava de acordo para receber a dona. Peguei um roupão negro e deixei-o pendurado o mais próximo possível para Miranda pegá-lo ao final do banho.

Retornei ao quarto assim que julguei que tudo estaria perto o suficiente para ela pegar.

–Prontinho. – falei me aproximando.

Ela abriu os olhos lentamente. Eles estavam levemente vermelhos, como se ela tivesse chorado enquanto eu estava no cômodo ao lado.

–Está tudo bem? – apenas soltei.

Os azuis frios me acertaram. Ela não estava acostumada com pessoas sendo verdadeiras com ela o tempo todo e eu precisava compreender isso. Entretanto, estaríamos juntas por um mês. Ela tinha de entender o meu lado também.

Priestly tentou sentar na cama sozinha e falhou miseravelmente por causa da dor na costela. Revirei os olhos e fui até ela. Meu coração acelerou assim que certas palavras inundaram minha mente. Ela provavelmente me expulsaria da sua casa, mas se iriamos fazer aquilo tínhamos que ter respeito máximo uma pela outra, e esse respeito incluía Miranda conversar comigo, entender que eu estava ali apenas para ajudá-la e que se fosse para ela se lesionar ainda mais por causa do seu orgulho latente eu avisaria para as meninas que não dava para mim.

–Miranda, olhe para mim, por favor. – Pedi enquanto me sentava na pontinha da cama, com medo de ela se sentir ofendida ou invadida.

Ela relutou em me olhar, mas o fez. As lágrimas de dor ameaçavam a rolar, mas ela as segurava bravamente.

–Eu sei que a minha presença aqui é quase que insuportável para você. Sei que a ideia de eu ser a pessoa que suas filhas pediram para lhe cuidar e lhe ajudar é horripilante. Sei que se pudesse arrancaria meu coração e jogaria na primeira lata de lixo pelo que fiz com você em Paris. Não te tiro a razão. Muito pelo contrário. Mas nós temos um mês juntas pela frente e eu realmente gostaria de te ajudar por inteiro. Isso só poderá acontecer se você permitir. Se você realmente não suportar a ideia de ter a minha ajuda, eu posso dizer às meninas que não consegui as férias e que não posso deixar o The New York Times assim, repentinamente. Eu nunca deixaria as duas ficarem magoadas com você por minha causa, porque eu sei que o sentimento que elas nutrem por mim não é mesmo que o seu, muito pelo contrário. Mas se houver a menor possibilidade de você me aturar aqui por trinta dias, eu gostaria que você realmente pedisse a minha ajuda, ou me deixasse fazer o que vim aqui para fazer, que é cuidar de você!

Esperei ela solicitar a minha retirada da casa, uma má resposta, uma humilhação, mas ela apenas disse:

–Não seja estúpida, Andreah! Eu nunca arrancaria seu coração. – o tom frio quase foi ignorado pelo meu coração acreditando que ela estava sendo amigável. – Eu tenho assistentes para o fazer.

Um tapa na cara doeria menos. Mas tudo bem, a gente fala o que quer e ouve o que não quer. Rapidamente eu me pus de pé sabendo que aquela tinha sido a carta branca dela para eu ajudá-la no que quer que fosse a partir de agora. Estendi minha mão em sua direção, que analisou friamente meu gesto, um bico nos lábios. Eu quis recuar, mas não o faria. Ela estava me testando. Se eu recuasse agora ela nunca me daria chance de ser próxima novamente.

–Qual roupa você quer vestir? – perguntei enquanto sentia sua mão na minha.

Ela era quente, mas nada exagerado. Era aquele calor confortável que te fazia querer mais, como nos dias de inverno quando você chega em casa e toma um chocolate quente debaixo das cobertas. Era um calor que chegava até o coração.

–Pode pegar qualquer uma das peças da segunda gaveta do lado esquerdo do closet. Na sessão Dolce & Gabbana pegue aquele vestido da direita.

Os anos se passam, mas sua capacidade de achar que as pessoas sempre sabem exatamente o que está em sua cabeça não muda. Eu sabia que fazia parte de algum tipo de teste para saber se eu ainda conseguia entender o que ela queria. Caso eu conseguisse ela me aceitaria ali de bom grado. Quer dizer, não tão bom assim, mas seria mais fácil.

–Certo. – respondi enquanto passava minha mão delicadamente por suas costas quentes.

Com todo o carinho que eu tinha ajudei-a a ficar de pé. Ela não me pareceu ter sentido muita dor já que não reclamou nem fez caretas. Caminhamos lentamente até o banheiro, retirei seu cordão cervical enquanto a lembrava de não mexer o pescoço mais que o necessário, a deixei sozinha para que tivesse um pouco de privacidade e rumei para o closet.

Você sempre quis saber como seria o closet dessa mulher, não é mesmo? E você imaginou algo grande, tenho certeza. Eu também tinha imaginado. Mas nem a minha imaginação fez jus àquele cômodo. Se o quarto de Miranda já era grande, quase do tamanho da metade do meu apartamento em Manhattan, o closet era gigante. Era ainda maior que o quarto e o que me deixou maravilhada foi o fato de as roupas, além de organizadas por cor, eram organizadas por marcas. Isso mesmo que você leu. Por marca. Chanel, Prada, Gucci, Dolce & Gabbana, Versace, Dior, Armani, Louis Vuitton e mais umas oito ou nove marcas tinham seus próprios espaços no closet da rainha da moda. E que fiquei claro, quando eu falo espaço não estou me referindo a uma ou duas portas, estou me referindo a inúmeras prateleiras e cabideiros. As outras, que não eram as suas queridinhas, estavam no fundo do closet, dividindo o espaço.

Passei a ponta dos dedos pelos tecidos. Tão macios. Apesar de muitas das peças ali ainda estarem com etiqueta, o cheiro de Priestly era predominante. Olhei ao redor e encontrei uma parede toda espelhada com algumas prateleiras repletas de produtos de maquiagem e perfumes. Eu conseguia visualiza-la ali todas as manhãs, os olhos fitando o próprio aspecto e aprovando a perfeição que ela era.

Despertei do meu transe e fui até a sessão de Dolce & Gabbana. Okay! Um vestido do lado direito da sessão. O problema é que todo o lado direito da sessão era composto por vestidos. Ela queria me fazer pensar no que seria mais confortável para ela? Espero que sim. Apesar das inúmeras peças de roupa ali eu preciso lhe dizer algo que me deixou ainda mais estupefata: as roupas de Miranda eram separadas por um espaço de mais ou menos três centímetros uma da outra. Vocês têm ideia do que é isso? Essa mulher...

Sem tirá-las do lugar comecei a analisar cada uma das peças. De repente meus olhos encontraram um vestido branco-pérola de botões na frente, acinturado, mas nada que apertaria o corpo da mulher ao extremo, apenas o modelaria como merecia. Sua saia era solta o suficiente para que ela pudesse repousar sem problemas. As mangas três quartos delicadas esconderiam seus hematomas sem apertar os braços. Era um bom vestido. Delicadamente peguei no cabide em que ele estava pendurado e deixei-o no gancho em que ela provavelmente deixava a roupa do seguinte à sua espera.

Atravessei o closet indo em direção a gaveta que eu deveria pegar qualquer peça. Ao abri-la senti um formigamento entre as pernas. Era a gaveta de calcinhas de Miranda. Respira, Andy. São apenas calcinhas. Calcinhas que têm mais sorte que seus dedos e sua boca. Pesquei uma Carine Gilson que me chamou atenção. Era de renda clara, rosê, mas parecia absurdamente confortável. Era de cós alto e, como eu previra sempre que olhava aquela mulher, não era fio-dental. Miranda não tinha cara de quem usava fio-dental no dia a dia, me desculpe. A minha curiosidade era grande demais. Eu supunha que a gaveta de cima também era de lingeries. Abri vagarosamente, como se estivesse cometendo um pecado.

Quase caí de costas quando vi uma coleção inteira de calcinhas extremamente provocativas de marcas como Bordelle e Agent Provocateur. Algum dia eu a veria dentro de uma daquelas? Meu Deus, deve ser a visão do paraíso. Fechei a gaveta antes que não resistisse a pegar uma nas mãos e cheirá-la. Eu estava ficando completamente maluca.

Presumindo que manteria sua escolha ao sair do hospital, não me preocupei com o quesito ‘sutiã’ para a minha ex-chefe. Além de incômodo ainda apertaria sua costela. Ela estava em casa, afinal de contas. Entretanto, aproveitei que estava na sessão de lingeries e vi belíssimos robes, mas um em especial me fez pensar em como aquela mulher ficaria divina dentro. Era um robe longo num tom rose com bordados em renda delicada em suas bordas. A verdade é que se alguém quisesse sair na rua com aquilo como se fosse um vestido daqueles que celebridades usam, ninguém diria que era apenas um robe. Por isso eu tratei de pegá-lo. Talvez se Miranda ficasse com algo mais suave que aquele vestido... O que você está pensando, Andy? Que ela vai acatar sua sugestão?

Acho que fiquei mais tempo do que percebi ali, pensando em Miranda dentro de cada uma daquelas roupas porque ouvi a porta do banheiro se abrir e a rainha me chamar:

–Andreah?

Com todo o cuidado do mundo eu peguei as três peças e voltei para o quarto. Ela estava de costas para mim, dentro do roupão negro que eu tinha separado. O cheiro do creme de pele que ela usava junto do aroma delicioso de seu sabonete encheu minhas narinas e eu quase gemi. Era uma mulher extremamente cheirosa.

–Eu mudei de ideia, não vou querer o vestido e sim... – sua fala morreu quando ficou de frente para mim e viu o robe longo que eu tinha em mãos.

Um a zero para Andy! Yeah! A passos calculados eu fui até ela, deixei os dois cabides sobre sua cama e, com a calcinha em mãos, me abaixei a sua frente. Eu tinha visto pela fresta da porta do hospital que as meninas tinham feito isso no dia anterior porque ela não conseguia se abaixar sem sentir muita dor e ficar tonta. Eu não iria ver nada por causa do roupão muito bem posicionado. Não pude evitar a tristeza, mas... Pés no chão, Andrea. Pés no chão!

Olhei para cima assim que me abaixei o suficiente, olhando para seus olhos azuis tão lindos. Um arrepio perpassou meu corpo. Ela me olhava de uma forma tão... tão... Eu queria dar para aquela mulher, meu deus. Seu cheiro me entorpecia e me fazia alucinar. Miranda apoiou a mão boa em meu ombro e ergueu a perna esquerda primeiro. O roupão se abriu minimamente e eu pude ver suas pernas brancas e torneadas. Santo pilates. Ela passou o pé extremamente delicado e macio pelo vão da roupa íntima, roçando-o sem querer em meu pulso no trajeto. Fez o mesmo com o outro lado. Em momento algum nossos olhares se desconectaram.

Subi lentamente o tecido por suas pernas, como se venerasse aquele momento, o que não era uma mentira. Assim que o tecido chegou ao meio de suas coxas eu deixei que ela subisse o resto. Não queria, em hipótese alguma, ultrapassar os limites dela, que eram muitos, acredite. Assim que ela terminou de vestir a peça eu peguei o robe. Miranda ficou de costas e afrouxou o aperto da parte de cima de seu roupão, deixando que apenas aquela parte escorregasse por seu ombro me proporcionando uma das visões mais lindas que já tive de alguém seminu. Suas costas pareciam um desenho bem feito pelos deuses gregos. As linhas exalavam fineza, suavidade e refinamento. Algumas pintinhas adoráveis estavam espalhadas ao longo de sua pele e eu quis beijar cada uma delas.

Porém a única coisa que fiz foi ajudá-la a passar os braços pelas mangas do robe. Meus olhos se prenderam momentaneamente nas marcas arroxeadas que estavam em seus braços finos e brancos. Deveria doer tanto... Estavam num tom de roxo tão intenso que eu poderia jurar estava negro. Meu coração errou uma batida. Ela não merecia nada daquilo.

Assim que ela o fechou e retirou o roupão por completo, ficou de frente para mim, estendendo o pano negro molhado para que o levasse ao banheiro a fim de secar. Coloquei-o no ombro e peguei o cordão cervical, encaixando-o novamente em seu pescoço. Enquanto eu ia colocar o roupão em seu devido lugar ela caminhou até a beirada da cama. Ajudei-a a se deitar novamente, mas dessa vez tive um quase infarto. O robe dela pendeu para um lado e eu pude ver sua perna direita por inteiro antes que ela puxasse o tecido de volta ao lugar.

Você quer saber como são as pernas de Miranda? Brancas, mas não ao ponto de parecerem transparentes, nem destoantes do resto do corpo. As linhas eram muito definidas, em especial pelo pilates que ela praticava todas as manhãs das seis e meia às sete e meia. As coxas pareciam extremamente firmes e sua pele brilhava. Talvez eu estivesse quase babando.

–Eu vou descer e fazer o almoço, certo? – anunciei assim que posicionei o edredom sobre si.

Ela nada disse, apenas me olhou como se confirmasse. Peguei o bloco de notas que ficava no criado mudo ao lado de sua cama e anotei meu número, entregando a ela seguida.

–Caso precise de mim para algo é só mandar uma mensagem, ou ligar.

Antes que ela respondesse qualquer coisa rude eu a deixei ali. A mulher tinha dispensado a cozinheira da família e a faxineira por quinze dias, até poder se livrar da faixa que estava envolta em sua cabeça. As meninas acreditavam que somente a faxineira voltaria rapidamente. Inclusive após o almoço eu precisava dar uma olhada em seus pontos.

Por volta de meio-dia as gêmeas me ligaram para saber como a mãe estava, se seu comportamento era aceitável e se me dava muito trabalho. Aleguei que tudo estava bem até aquele momento e que logo eu levaria seu almoço. Era uma sopa de legumes, receita tradicional do Sachs. As meninas pediram para eu guardar um pouco para elas e avisaram que sairiam mais cedo do colégio por uma eventual prova surpresa. Assim que terminassem poderiam voltar para casa.

Quando voltei ao quarto de Miranda com uma bandeja em mãos notei que ao menos sabia se ela gostava de todos os legumes que estavam na sopa. Mas se todos estavam em sua geladeira... Alguma coisa significaria.

–Miranda? – chamei-a com cuidado e doçura.

Ela abriu os olhos e se ajeitou lentamente na cama. Coloquei a bandeja afastada, organizei os travesseiros em suas costas para que ficasse confortável e arrumei seu edredom.

–Espero que goste. – murmurei ao colocar o almoço a sua frente. – Precisa de ajuda?

–Não, obrigada. – murmurou de volta.

Era a minha deixa. Saí do quarto e fui ver o que ela tinha reservado para mim. Era tão grande, tão bonito, arejado, clássico e refinado que eu poderia me acostumar com aquilo facilmente. A cama tinha o mesmo padrão da dela, porém não eram iguais. Os travesseiros fofinhos, a roupa de cama extremamente perfumada... O banheiro então! Não era grande como o dela, nem tinha aquele chuveiro magnífico, mas eu tinha certeza que aquela ducha e aquela banheira poderiam aliviar qualquer dor em meu corpo.

A televisão de 49’ seria a minha companheira de séries quando Miranda não quisesse minha companhia e os livros que estavam na pequena estante... Aquele quarto era um sonho!

Pouco mais de vinte minutos depois eu voltei para a suíte da rainha da moda. Ela já tinha terminado de almoçar. Tinha comido toda a sopa e eu fiquei totalmente feliz. Ela tinha gostado da minha sopa.

–Está satisfeita? – perguntei.

–Sim.

Retirei a bandeja de seu colo, levando-a até a cozinha e lavando tudo. Ao subir novamente, dei-lhe seus medicamentos. Seus olhos estavam pesados. Provavelmente os medicamentos estavam induzindo-a a repousar por mais tempo.

–Tem algo que eu possa fazer por você antes de dormir? – perguntei baixinho.

Seus olhos azuis pesados se direcionaram para os meus. Ela parecia analisar o que fazer a seguir.

–Não, obrigada.

Ela puxou mais o edredom e eu notei o motivo de seus olhos cansados, quase se fechando. Levei minha mão até sua testa sem ao menos pensar se eu poderia tocá-la assim. Só estava preocupada. E ela estava quente, mais quente que o normal para mim. Miranda nada reclamou ao sentir minha mão sobre sua pele. Ela apenas fechou os olhos.

–Onde está o seu termômetro, Miranda? – fui o mais doce possível.

Ela sussurrou:

–Terceira gaveta no banheiro.

Me afastei rapidamente indo buscar o que eu precisava. Assim que voltei notei-a lutando bravamente contra o sono. Balancei o objeto em minha mão para que o mercúrio recuasse o máximo possível.

–Aqui, Miranda. – falei lhe estendendo o termômetro enquanto me sentava ao seu lado.

Ela o pegou com a mão boa e colocou debaixo de seu braço. Os olhos mal conseguiam se manter abertos e, por isso, falei:

–Pode dormir. Quando estiver no horário e te acordo.

Ela dormiria míseros cinco minutos, mas para quem estava com tanto sono eram minutos preciosos. Eu, por minha vez, observei-a se render ao sono instantaneamente. Tão linda. Meus dedos formigavam para tocar sua pele macia. Meu coração disparado seria facilmente audível para ela caso estivesse acordada. Mesmo com aquele cordão cervical no pescoço ela permanecia uma lady, uma rainha. A postura nunca lhe abandonava, até quando estava no mundo dos sonhos e com uma costela fraturada.

Observei aquela mulher deitada a minha frente. O edredom cobria até sua barriga. Meus olhos subiram pelo tecido do robe e eu vi o relevo de seus mamilos no tecido fino. Ela estava com frio e é claro que seus mamilos evidenciariam isso. Minha boca se encheu de água. Eu deveria ter insistido no outro vestido que tinha um tecido mais grosso, droga. Desviei meu olhar para seu rosto novamente. Estava ficando quente. Os lábios entreabertos dela estavam levemente ressecados, mas ainda sim se mostravam convidativos para mim. Ah, meu deus... Estar apaixonada é muito, muito, muito ruim!

Olhei para o relógio em meu pulso. Os cincos minutos tinham passado.

–Miranda? – chamei-a docemente. Ela não acordou. Tentei novamente. – Miranda?

Nada. Eu nunca retiraria o termômetro dali. Eu não era louca e nunca invadiria seu espaço pessoal assim. Mas eu teria de acordá-la de alguma forma. Me inclinei em sua direção e afaguei seu rosto com as pontas dos meus dedos. Meu coração saltou. A pele dela era extremamente macia, ainda mais do que eu imaginava.

–Miranda... Acorda. – pedi novamente.

Ela abriu os olhos com dificuldade. Talvez ela nem se lembre desse momento.

–Me dê o termômetro, por favor.

De forma letárgica ela fez o que eu lhe pedi. Conferi sua temperatura. Trinta e oito graus. Seu médico já tinha me dito que essa febre seria algo que aconteceria e tinha receitado um remédio. Caso sua temperatura não abaixasse ou subisse ainda mais eu tinha de ligar para ele e a levar ao hospital. Peguei o remédio, um copo d’água e ajudei-a a ingerir o medicamento.

–Descansa... – pedi enquanto me utilizava de sua febre para afagar a sua testa.

Seus olhos se fecharam e ela dormiu novamente. Me peguei admirando aquela mulher por longos minutos. É, Andrea... Os anos se passam, mas sua paixão por essa mulher não.

 

Como vocês têm sido muito maravilhosas, segue um SPOILER do próximo capitulo:

"–Eu quero lavar meus cabelos hoje durante o banho. – anunciou ao voltar.

–Claro. Eu vou te ajudar com isso. – a confiança que eu tinha exalado era uma fraude. Por dentro ela estava completamente nervosa.

Se ela queria lavar os cabelos durante o banho e eu teria de o fazer significava que eu a veria, ao menos, seminua, certo? Eu não sei se tenho forças para isso, amigos. Era Miranda Priestly."

 

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado, bolinhos! Até a próxima atualização. Não se esqueçam de indicar essa fanfic para as amigas também, hahaha. Beijinhos!


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