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História Brilho Estelar - Capítulo 1


Escrita por: TKFlex_Rot e Min_Dany_Panda

Notas do Autor


Hi, meus amores precisosos.
Como vcs estão? Espero que estejam.
Trouxe mais uma neném

Capítulo 1 - Capítulo único


Fanfic / Fanfiction Brilho Estelar - Capítulo 1 - Capítulo único

Estava correndo, ou melhor, tentando correr, e acabei por ver uma cena bem intrigante: um casal estava lutando contra aquele vento, pareciam muito apaixonados. Era estranho estar diante de algo assim. Parecia mais uma cena de dorama, daqueles tipos bem clichês em que os personagens se encontram quando um está em perigo, do tipo que nunca acontece na vida real. Ri baixinho.

Jamais tive tempo para pensar em algo romântico. É, realmente nunca tive tempo para pensar em algo assim, e pelo menos por agora eu não posso. Tenho muita coisa acumulada que necessita da minha atenção, meu trabalho não pode parar. Sempre sonhei em estar no topo e agora que estou aqui não quero descer.

— Merda — esbravejo baixinho assim que o vento começou a soprar muito forte. — Agora não, poxa — murmuro quando meu cabelo começa a ficar um caos completo. 

Hoje com toda a certeza é o pior dia da minha vida. O despertador não tocou no horário que coloquei, meu carro está com o pneu furado, perdi o ônibus que passaria pelo meu destino. E para completar toda essa situação, essa ventania, de tão forte, está quase me carregando para outro lugar. Mas, após olhar para o lado, desisti da ideia de que aquele vento forte estava ruim para mim assim que encontro um rapaz na mesma situação, só que em seu caso as flores que ele parecia vender estavam todas indo embora.

“Ele deveria estar muito bravo, então por que está sorrindo como uma criança brincando na chuva?”. Foi a primeira pergunta que surgiu em minha mente, e rapidamente, quase que por um impulso, corro até ele e começo a ajudá-lo.

Meu corpo estava praticamente agindo sozinho. Peguei o máximo de rosas que ainda pareciam intactas e percebi que ele também estava pegando as rosas murchas e machucadas. Fiquei muito intrigado, mas não quis perguntar sobre, talvez fosse algo particular. Suspirei. Nem mesmo olhei para sua face ou esperei pelo seu agradecimento. Depois de juntar tudo que podia, chamei um táxi e segui para a empresa onde sou gerente-geral.

Para muitos isso não é grande coisa. “Nossa, que interessante, um gerente-geral… Oh, que impressionante!”. É sempre assim para alguns, e mesmo que eles não falem isto na minha cara, suas expressões faciais me contam tudo. Eu realmente não ligo, trabalhei muito e passei várias noites em claro apenas esperando o dia em que eu iria alcançar um cargo assim, já que antes eu era um simples secretário.

Após chegar na empresa, sigo diretamente para minha sala, entrando e começando a ajeitar minhas roupas que ficaram um pouquinho bagunçadas, além do meu cabelo que com toda certeza estava parecendo um pequeno ninho.

Abro minha pasta e pego os papéis para a reunião. Tudo estava  pronto, fruto de noites mal dormidas, de broncas da minha família. Eles sempre diziam a mesma coisa: “Não trabalhe tanto… Descanse… Viva!”.

Eu me pergunto o porquê disso. Eu tenho certeza de que estou vivendo.

Acordo às 05:00. Corro um pouco pelo bairro. Tomo banho. Café da manhã. Alimento meu gato e meu cachorro e me arrumo para o trabalho. Antes de vir, sempre reviso os relatórios semanais. Durante os finais de semana, geralmente faço hora extra.

É assim a minha vida.

— Sr. Jeon, vamos, a reunião já vai começar. — A jovem Mi disse depois de adentrar a sala, recebendo minha confirmação.

A segui para a sala de reuniões, já encontrando o CEO da empresa. Ele era um senhor de mais ou menos 68 anos, não tão velho, mas não tinha mais tanta juventude. Tomo coragem e pego minhas análises e minhas propostas, começando a apresentá-las.

[•••]

Jogo-me no sofá, sentindo logo um peso sobre meu corpo. Sorri ao saber que é Lady, a minha gatinha listrada. Em seguida, vejo meu pinscher Brunt se aproximando. Apesar de pequeno, com toda certeza é um cachorrinho muito valente. 

Ligo a TV e ponho um anime. Entretanto, pausei assim que o meu celular começou a tocar.

— Alô… oi, mãe? 

Acabou de chegar do seu trabalho, saia desse sofá e vá tomar banho. — Ela disse quase como em um resmungo, o que me fez rir baixinho.

— Mamãe, eu estou muito cansado, depois eu vou — reclamei. — Mãe, eu tenho 29 anos, eu sei me cuidar.

Fui à sua casa hoje, só tinha macarrão instantâneo em sua despensa. Você só come isso? Quer morrer? É por isso que você está tão magrinho — reclamou ainda mais.

— Mãe, eu não estou magrinho, eu estou bem, não se preocupe comigo — disse. — Para, hum? E como sabe da minha despensa? Não já disse para não vir quando eu não estiver? 

Filho ingrato — falou de modo dramático, arrancando-me risadas —, eu fiz sua comida favorita hoje e fui levar um pouco, está na geladeira. E não pense que fiz por você, só fiz porque seu pai queria comer.

— Se bem me lembro, o papai odeia comida apimentada — comentei distraído, fingindo não saber que ela tinha feito aquilo especialmente para mim.

Eu também limpei seu apartamento. Nem parece um rapaz crescido, é um bagunceiro… — Continuou a brigar comigo.

Assim nunca vai ter um namorado! — Escutei meu pai gritar do outro lado.

Revirei os olhos no mesmo momento e depois ri de forma irônica. Ele e sua mania de achar que quero arrumar alguém ou que preciso de alguém para me ensinar a viver. Neguei, não precisava mesmo disso.

— Mamãe, vou comer as delícias que você preparou. Dá um beijo no papai por mim. Até depois! E fala para o preguiçoso do Jeyon ir arrumar um trabalho — resmungo. — Já tem dois anos que ele terminou o ensino médio, deveria procurar algo para fazer.

Ele está procurando, meu filho — riu. — Até mais! — Desligou.

Joguei o celular no sofá e voltei a ver o anime, mas não demorou muito para que a fome fizesse minha barriga reclamar. Corri rapidamente para a cozinha, peguei a comida que estava na geladeira e coloquei para esquentar no microondas, olhando ansioso para aquela formosura.

— Minha mãe é a melhor — disse baixinho.

Enquanto a comida estava esquentando, um pensamento me veio trazendo também uma lembrança. E esta foi intrigante, uma mistura de curiosidade com nostalgia. Eu não vi o rosto do vendedor de flores, mas queria muito poder ter visto.

Foi esta a vontade estranha que surgiu do nada, fazendo-me suspirar. 

— Por que eu pensaria algo assim? Ele é um estranho que provavelmente eu não irei ver nunca mais — murmurei. — É, com toda certeza eu não o verei.

Foi a primeira e última vez que eu vi o garoto das flores. E pensar que seria a última vez me deixou com uma sensação estranha. Parecia que estava me faltando algo, mas o que seria esse algo? O que me faltava? 

Lembrei do sorriso dele. Não era uma lembrança muito nítida, pois eu me encontrava com os olhos semicerrados. No entanto, era um sorriso muito especial e diferente, era como nenhum outro, era do tipo raro e inesquecível. Outra coisa me surgiu, uma pergunta estranha.

— Por que ele estava sorrindo quando tudo estava dando errado para ele? Por que ele pegou as flores que não iriam mais render nada para ele? — perguntei-me.

Entrei em uma espécie de transe, que foi despertado assim que o microondas apitou. Suspirei pesado e tentei afastar tudo aquilo.

Não havia sentido pensar em algo que não tivesse serventia alguma para mim.

— Jungkook… Jungkook… Você está querendo se meter na vida dos outros. — Brigo comigo mesmo, sentando-me à mesa e começando a comer.

Depois de comer, coloquei um pouco mais de comida para meus amiguinhos e segui para meu quarto. Minha cama estava bem arrumadinha, com seus lençóis limpos. Sorri simples. Minha mãe sempre vem aos finais de semana e deixa tudo bem limpinho. 

Vesti meu pijama, liguei o aquecedor e me deitei sobre a cama. Peguei meu celular, chequei apenas as mensagens do escritório e o desliguei. Peguei um livro qualquer que estava sobre minha mesinha e comecei a ler. Não demorou muito para que a imagem daquele rapaz pegando as flores aparecesse em minha mente, como se estivesse conectado em um imã que só tem em mim.

— Eu preciso ocupar mais a minha mente — resmunguei e foquei ao máximo em minha leitura.

Comecei a ler a história de Robin Hood, uma das minhas preferidas para ser sincero, sempre gostei. E por isso minha mãe lia para mim, quando eu ia dormir. Ela me acalmava e me fazia dormir ainda mais rápido que de costume.

Meus olhos começaram a pesar, e meu corpo a ficar mais leve. Ficou mais difícil manter meus olhos abertos. Tentei a todo custo ficar acordado, mas em algum momento me perdi em meio ao meu esforço.

[•••]

Acordei sentindo meu rosto ser lambido por uma linguazinha bem ágil e nem precisei de muito para saber que era Lady. Ela sempre subia na minha cama pela manhã, geralmente por já ter acabado a comida da vasilha dela.

— Lady, deveria ser comportada como… — parei ao ver o que Brut estava fazendo com minha meia e meu sapato — ah, não, Brut! — resmunguei.

Saí da cama em um pulo e peguei a meia da sua boca. Em seguida tirei meu sapato de perto dele, vendo que já estava todo mordido.

— Deveria deixar você de castigo, baixinho — falei o encarando, e ele me olhou como se eu nem estivesse dizendo algo. — Sem docinhos de pet para você — disse.

Fui ao banheiro, precisava tomar um banho rápido e me trocar. Mesmo hoje sendo sábado, eu ainda tinha uma apresentação para discursar. 

Tomei banho, vesti uma bela roupa e peguei meu celular e chaves. Depois de colocar comida para Lady e Brut, saí correndo do apartamento. 

Meu carro já estava ali na minha vaga. Sorri e iria destravar as portas para entrar, no entanto algo me distraiu e me fez querer ir novamente de ônibus. Olhei meu relógio de pulso, ainda tinha bastante tempo até chegar lá e eu poderia usar isso como exercício, já que não fui correr ontem à noite. 

Realmente segui para o ponto de ônibus mais próximo. Eu nem mesmo conseguia entender o que exatamente eu queria fazer, eu só sentia que precisava ir, que precisava confirmar se aquele rapaz poderia por um acaso estar ali mais uma vez. Corri bem rápido para poder ir logo ao ponto, e, assim que me aproximei daquele local, percebi o rapaz no mesmo lugar.

Estava com sua banquinha montada, novamente vendendo rosas. Elas eram bem lindas e cativantes, mas pela distância o que eu de fato queria ver não estava conseguindo, que era seu rosto. Por força do hábito, mordi meu lábio inferior com bastante força e meu corpo praticamente travou. 

Uma parte de mim gritava para correr e pegar o ônibus, antes que eu o perdesse e acabasse por não apresentar meu trabalho. Já a outra parte, que se destacava muito, não sei por qual motivo, gritava para que eu fosse até ele e comprasse ao menos uma rosa. Gritava para que eu usasse isso como uma desculpa para me aproximar. Era um limbo sem igual.

Meu corpo reagiu sozinho e o primeiro passo foi dado, e, ao contrário do que eu estava pensando, eu não estava indo para o ponto. Eu estava caminhando lentamente até o vendedor de flores.

— Olá, bom dia! — O rapaz sorriu.

Sua voz era grave, marcava muito sua presença, era sem igual. Eu nunca ouvi uma voz como essa na minha vida. Com toda certeza, esta seria a última que eu ouviria: grave, marcante e sexy.

Porque ela é única.

— Ah, bom dia. — Tentei parecer o mais seguro possível.

Uma coisa que eu não estava me sentindo naquele momento era seguro de mim. Tinha medo de que minhas palavras não saíssem ou de que minha dicção ficasse ruim. Mas por que eu quero tanto causar uma boa impressão nele? Por que eu estou aqui? Por que ainda estou de cabeça baixa se quero tanto ver seu rosto?

Minha mente se encheu de por quês. Isso era estranho e ao mesmo tempo tão bom. Fazia tempos que eu não me sentia assim tão confuso.

— Vai querer uma rosa? — Ele perguntou. E mesmo sem ver seu rosto, eu sabia que ele estava com um sorriso angelical estampado.

— Quero… Porém, não entendo nem um pouquinho de rosas, não sei qual a melhor para comprar.

— Depende muito de para quem você quer dar — disse ele, de forma gentil.

— Bom, é para uma pessoa muito importante, eu acho — ri fraco.

— Tem essa. — Ele apontou e consegui ver sua mão.

Eu também nunca tinha visto uma mão tão linda, era tão estranho pensar dessa forma, mas ela parecia única. Tão delicada e ao mesmo tempo parecia ter uma pegada bem firme.

— Se chama rosa-estrela, minha mãe que inventou este nome. — Ele riu baixinho. — Ela disse que sempre que alguma pessoa comprava e dava para outra, os olhinhos dessa pessoa brilhavam muito. Eu achava interessante e acabei por adotar o nome, ela é uma das que mais vendem.

Respiro fundo e confirmo. Com toda certeza esta é uma história muito linda para uma rosa. Mas, outra coisa me desperta curiosidade: eu queria muito ver seu rosto, ver seus olhinhos, como era o formato de cada traço seu. 

Mordi meu lábio inferior, lutei contra todo aquele nervosismo que estava me dominando.

— Vou querer um buquê delas… — murmurei. — Ah, até que horas você fica aqui? — perguntei.

— Eu fico aqui até as 18 horas ou 18:30, se não estiver ventando muito. Eu almoço naquele banquinho ali. — Apontou, e olho naquela direção.

Franzi o cenho. Nunca havia percebido um banco naquele canto, mas pelas suas condições ele já estava por ali há muito tempo.

— Eu posso pegar quando voltar do trabalho? — perguntei baixinho.

De alguma forma meu coração sabia daquele “compromisso”, pois começou a bater muito rápido.

— Bom, como eu sempre te vejo passar, vou reservar sim. — Sorriu. — Aliás, eu não quero ser intrometido, nem nada do gênero, mas por que está sem seu carro desde ontem?

— O pneu… ele furou — murmurei. — Ainda não mandei para o conserto.

Menti. Sim, eu sei que menti na cara de pau, mas também não podia simplesmente dizer ao rapaz que eu tinha ido a pé apenas para ver ele ali. No entanto, desvio minha atenção destes pensamentos para outros.

Ele sempre me viu passar, então ele sempre esteve por ali.

Quer dizer que eu apenas não o tinha visto antes.

— Tenho que ir agora — digo baixinho e finalmente tomo coragem para olhar nos seus olhos.

Meu corpo todo ficou paralisado. Seus olhinhos claros tinham um brilho tão acolhedor que aquecia o coração. Pareciam duas estrelas cadentes, faziam-me ter uma imensa vontade de pronunciar um pedido como uma criancinha esperançosa.

Continuei olhando, e só percebi isso quando vi em seus lábios surgir um sorrisinho envergonhado. Curvo-me e saio quase correndo. Consegui pegar o ônibus, permanecendo olhando para ele pela janela. Seu sorriso doce permaneceu, e suas mãos ágeis continuaram a trabalhar.

O brilho estelar que seus olhos possuíam continuava ali.

[•••]

Três meses. Sim, três longos meses se passaram, mas foram os mais rápidos da minha vida. Eu praticamente aposentei meu carro, passei a ir mais para o ponto de ônibus apenas para ver Taehyung. 

Este era seu lindo nome. Kim Taehyung. 

Ele era bem jovem, mal tinha terminado o colegial, estava vendendo flores desde muito antes. Descobri que ele tem uma irmã mais nova que se chama Lírio, nome escolhido por sua mãe porque era sua favorita. Esta era professora de ensino fundamental, e seu pai trabalhava como gerente de um bar. 

Ele é muito fofo, tem um coração enorme. Seus risos são fáceis, ele ri de todas as piadas que conto, mesmo sendo as mais idiotas que nem mesmo eu acho boas. 

Estava me atrasando vez ou outra para o trabalho, e isso causou estranheza em todos. Minhas horas extras eu parei de fazer, passava mais tempo pensando em como convidar o Taehyung para um encontro. E por isso me empenhei em assistir coisas românticas, selecionei todos os clichês que vi nas recomendações do google. Lady e Brut também estavam me ajudando nesse quesito.

Reservei um lugarzinho na minha varanda e fiz um pequeno jardim. Compro uma rosa diferente todo dia, somente para plantá-las. Estão belas, dando um arzinho diferente para minha casa. Para ser sincero, tem cheiro de Taehyung. 

— Estou nervoso, hoje eu vou pedir para ele ter um encontro comigo… — murmurei, e Lady miou em resposta. Parece estar me entendendo, o que me deixou feliz. 

Eu estou com muito medo dele dizer não.

Terminei de me arrumar, olhei-me no espelho e percebi que esta seria a primeira vez que Taehyung iria me ver com uma roupa menos formal, bem mais despojada. Eu estava me sentindo muito estranho, pois como não era de sair muito, mal usava roupas assim. 

Suspiro. Termino de arrumar meus cabelos e passo perfume.

— Brut, estou me arrumando porque sou precavido — resmungo. — Sei bem que tem chances dele dizer não, mas… — Faço bico, logo ligando para Taehyung.

— Oi, Jeon? — murmurou do outro lado da linha.

— Oi, eu… bom… Taehyung — pigarreei —, eu queria saber se está livre?

— Agora? — perguntou e eu respondi com um "sim''. — Ah, estou. Por quê?

— Eu queria saber se queria... bom, sair… sair comigo?

Escuto apenas sua respiração por longos segundos.  Já estava prestes a desistir, no entanto escuto ele dizer “sim”.

— Tudo bem, vou me arrumar.

— Me passa seu endereço, eu vou te buscar — falei.

Em alguns segundos uma notificação chega no meu celular. Afasto ele do meu rosto e noto que era seu endereço. Tinha um friozinho na minha barriga, e meu coração estava batendo muito rápido no peito.

— Não se anime tanto, porque não vamos andar apenas de carro. — Ele disse animado. — Vamos até um certo ponto, e deste ponto iremos a pé.

— Tudo que você quiser — falei baixo.

— Venha me buscar dentro de meia hora. — Desligou a chamada.

Minha ansiedade não estava me deixando esperar tranquilo por aquele momento. Ri fraquinho ao pensar no que minha mãe diria caso eu contasse sobre isso. Ela com toda certeza me falaria com todas as palavras “isto é amor, garoto”, e me daria um belo peteleco.

Coloquei a mão sobre meu peito, mas logo afastei aqueles pensamentos. Isso não era amor e nunca seria, posso culpar apenas minha curiosidade. Sim, quero muito saber de onde vem aquele brilho mágico que me enche de desejo.

De cinco em cinco segundos, eu olhava para o relógio em meu pulso. Era incrível porque justamente hoje as horas pareciam estar indo para trás. Tenho a impressão que, das 10 vezes que olhei, o ponteiro continuava no mesmo lugar. Fecho os olhos e em minha mente surgem todos os dias desses três meses que passei estando mais perto de Taehyung. Em todas as vezes gastei mais ou menos 10 minutos do meu tempo antes de ir para o trabalho. Gastei minha hora do almoço vindo do centro para cá, apenas para almoçar com ele no banquinho da praça. 

Comíamos e falávamos sobre algumas coisas aleatórias, e perto dele confesso que parecia um bobo, afinal, ríamos de coisas sem sentido. Às vezes rimos do nosso próprio silêncio. Tudo isso era por causa dele, certeza. Ele estava fazendo alguma coisa comigo, até mesmo mamãe notou. Ela insiste em dizer que em meus olhos têm algo diferente, que agora tenho uma expressão mais viva, que brinco mais, saio mais. 

Finalmente chegou a hora de ir buscar ele. Levanto-me rápido e saio quase que correndo. Fecho a porta, trancando em seguida. Ajeitei minha roupa e meu cabelo assim que cheguei no carro. Ligo o automóvel e sigo para o endereço que ele passou para mim.

Não demorou muito para que eu chegasse em sua casa. Buzinei duas vezes e em seguida ele saiu, vestindo um casaco marrom. Entrou e sorriu pra mim. Senti meu coração se aquecer, já estava me acostumando com aquele sorriso e a cada dia que passava sentia mais vontade de vê-lo.

— Estou feliz que você tenha pensado junto comigo — riu. — Iria te convidar para sair amanhã, porque tenho algo para contar. — Suas últimas palavras não soaram muito bem, ele parecia triste.

Confirmei, mas estava morrendo de curiosidade, queria saber logo o porquê daquilo, o porquê daquelas palavras, o que ele precisava me dizer. Minha alma se sentiu muito aflita só em cogitar uma doença. Segui de carro pelos caminhos que ele apontava, e durante todo o trajeto fiquei analisando seus mínimos detalhes. Ele parecia um pouco mais triste, não sorria tanto, o brilho em seu olhar que tanto me atrai… Ele não parecia o mesmo.

Finalmente chegamos naquele pequeno bosque de flores. Era belo. Desci do carro, abri a porta para ele e comecei a andar ao seu lado apenas encarando a paisagem, não tinha nada para dizer naquele momento. Mas Kim parecia ter muito a dizer.

— Tenho uma pergunta, posso fazer? — indaguei, quebrando o silêncio e recebendo um aceno afirmativo. — Naquele dia… Por que estava priorizando as rosas murchas?

Ele riu fraco e fechou os olhos. Ergueu um pouco a face apreciando a brisa, e puta que pariu, ele nunca esteve mais belo. 

— Quando você vê uma pessoa machucada, e uma pessoa saudável… Ambas caem. Qual você vai ajudar primeiro? — Ele retrucou.

— A doente, porque pode piorar. Continuo sem entender.

— Não é porque as pessoas adoeceram que deixaram de ser pessoas, elas ainda merecem todo o tratamento, mesmo sabendo que não vai adiantar nada… — Suspirou. — Não é porque as rosas murcharam que deixaram de ser rosas. Entende? Não posso simplesmente abandoná-las só porque não são mais bonitas ou perfumadas quando fui eu quem fez o tempo delas ser mais curto.

Era impressionante o quão inteligente ele era. Não só isso, ele ia além em tudo.

— Por exemplo — apontou, e no mesmo uma estrela cadente surgiu, o céu estava bem estrelado, tão lindo —, ela não vai deixar de ser uma estrela apenas porque caiu. Veja, até o último momento ela faz algo maravilhoso com as pessoas.

Kim voltou a ficar em silêncio, desta vez por outro motivo, parecia estar fazendo um pedido para a estrela cadente. Eu nunca fui de acreditar em desejos para estrelas, mas sempre que o vejo, sinto que meu coração quer desejar algo grande.

— Jeon Jungkook, eu gosto muito de você… — Ele falou.

Meu corpo todo ficou em choque, meus olhos com toda certeza se arregalaram naquele momento. Senti meu interior todo remexer.

— Eu não vou ser correspondido, né? — riu fraco. — Eu só me declarei agora porque vou morar em outra cidade, ou melhor, eu vou para o interior de Busan, morar com minha avó.

Continuei calado. Senti algo estranho no meu coração. Era tão grande, um vazio. Suspiro e nego.

Sorrio fraco, tentando deixar para lá suas primeiras palavras.

— Olha, que bom, certo? Você ama o interior. — Sorri.

— Na verdade… tinha algo… que eu queria muito que me prendesse à cidade. — Ele sorriu triste, olhando para o chão. — Melhor irmos embora, né? Já ficamos tempo demais aqui, e está esfriando.

Queria poder entender suas palavras nitidamente, queria que ele fosse claro, queria entender o que ele quis dizer. Alguma coisa dentro do meu coração me dizia firmemente que eu sabia muito bem o que ele estava pedindo e quem ele queria que o prendesse à cidade. No entanto, minha cabeça agia contra, minhas palavras não saiam e meu corpo não se movia. Transformei-me em uma estátua viva.

— Tem razão, melhor irmos, não queremos um resfriado — ri fraco. — Quando vai?

— Amanhã... à noite. — Ele murmurou.

O segui lentamente. Cada passo meu parecia estar puxando uma tonelada de ferro, porque pesava muito. Estranhamente me veio uma vontade súbita de abraçar o mais novo e pedir para que ele ficasse. Neguei para eu mesmo.

— Tchau, Jungkook, eu não sei se voltaremos a nos ver. — Ele disse, saindo do carro. 

Sua voz parecia embargada, o que fez meu coração apertar demais. Abaixei meu olhar, encarei o volante.

“Quanto tempo passou? Eu tenho certeza que estávamos há um segundo andando por uma rua coberta de pétalas, abaixo de um céu estrelado.”

Ignorei esses pensamentos e segui para casa, já não estava tão animado. 

Olhei para Lady que se espreguiçava sobre o sofá, em seguida para Brut que brincava com seu ursinho para lá e pra cá. Nem isso me fez rir, e minhas energias pareciam estar no zero.

Joguei-me sobre minha cama, sem coragem nem mesmo para tirar meus sapatos, esgotado ao nível de acabar dormindo sem olhar o celular, ler um livro ou finalizar algum trabalho.

[•••]

Meu dia foi tão estranho. Começou de uma forma tão ruim, parecia que algo estava faltando nele. Quando passei próximo ao ponto de ônibus, percebi que o vendedor de flores já não estava mais ali. Possivelmente estava arrumando tudo que tinha para sua mudança.

Tivemos duas reuniões durante a manhã, e em nem uma delas tive vontade de me pronunciar. Eu não tinha nem uma única ideia, e sempre que parava para pensar, Kim Taehyung me aparecia na mente, segurando um buquê de flores-estrelas ou simplesmente passando o troco para alguém.

“Por que eu me apegaria a atos tão comuns? Qualquer vendedor passaria um troco, qualquer um pode sorrir, qualquer pessoa pode vender uma flor, qualquer um pode ter aquele brilho no olhar.”

Tentei me concentrar apenas neste pensamento, precisava dele para entender e seguir com minha vida sem que meu coração desse palpites que não me levariam a lugar algum. Apenas me fariam confundir tudo. Deveria então focar toda a minha força interior no trabalho, para assim render bons frutos.

Em um piscar de olhos a noite chegou. Corri para a varanda, olhei para as rosas que plantei e novamente aquele garoto me surgiu na mente: tudo que ele me ensinou, tanto sobre flores quanto sobre as estrelas que pintam o céu. 

Olhei justamente para ele, o céu. Não havia nem uma estrela, pelo contrário, parecia que uma grande chuva iria cair.

“Justamente porque você vai embora hoje, é recebido com um adeus da chuva”.

Devo estar totalmente errado em pensar assim. Saio da varanda e vou preparar meu jantar. Sem querer acabo por perceber o quão monótona é minha vida, não há nada elevado nela… Simples… tudo tão simples que está me deixando cansado e triste.

Depois do jantar fui ler um livro, escutando o barulho da chuva forte que caía lá fora. Brut e Lady dividiam o tapete felpudo que ficava bem próximo da minha cama. Voltei a olhar o céu, tentando entender o que faltava ali, o que faltava em mim. Parecia estar faltando a mesma coisa em ambos.

Fiquei perdido em pensamentos e por isso adormeci logo, ali mesmo, na poltrona.

Acordei com o despertador tocando. Meu corpo se moveu bem rápido e olhei para o relógio. Já eram quase 08:00. Hoje teria uma apresentação muito marcante na empresa em que escolheriam o vice-diretor, e eu havia me candidatado ao cargo. Minha apresentação estava bem escrita, com ideias originais e que custavam menos da metade do que a empresa podia bancar. 

Enquanto me vestia, vi um pequeno broche. Lembro-me bem de quando tinha uns 10 anos. Minha mãe amava cultivar plantas, e eu adorava ajudá-la: minhas favoritas eram rosas brancas. E por isso ela me deu esse broche, para um dia eu repassar a alguém que ocupasse minha mente e meu coração.

— Alguém que ocupasse minha mente e meu coração? — murmurei baixinho.

Fiquei pensando nisso durante o caminho até a empresa, e até mesmo em minha sala tais pensamentos não me abandonaram. Olhei para o relógio de parede, já eram 15:20.

A reunião iria começar em cinco minutos.

— Alguém… — falei baixinho e fechei os olhos.

Primeiro um brilho surgiu em minha mente. Em seguida um olhar, depois um sorriso e por último o rosto de Taehyung. Meu coração começou a bater forte e algo dentro de mim me fez acordar.

— É você! — gritei batendo forte na mesa.

Ignorei o chamado da minha secretária e saí correndo dali. Todos me olhavam de forma estranha, no entanto não liguei para isso. Entrei no meu carro e segui para o antigo endereço do vendedor de flores.

“Não é qualquer sorriso, é o seu. Não é qualquer brilho no olhar, é o seu. Não é qualquer vendedor, é você.”

A resposta que surgiu em minha mente fez meus olhos se encherem de lágrimas. 

— O tempo todo… era você… você que faltava em mim — murmurei. — O brilho nos seus olhos, que sempre me aqueceram… e me fizeram lembrar de estrelas… era isso que faltava em mim! E era isso que faltava na noite de ontem! Nós estávamos sem nossas estrelas — declarei para mim mesmo e pisei firme o pé no acelerador.

Precisava pegar o endereço novo dele e correr para lá. Eu não me importaria em mudar de cidade para ficar pertinho dele, eu não me importaria, mesmo. Só queria poder vê-lo todos os dias.

No caminho, liguei para minha mãe e pedi para ela cuidar da Lady e do Brut.

Eu tinha algo sério para fazer.

[•••]

Finalmente cheguei na casa da avó de Kim. Era uma casinha simples, mas parecia aconchegante. Depois de algumas longas horas de viagem, enfim estou aqui.

E de longe consegui ver o meu baixinho admirando o céu noturno, o qual eu também olhei.

“Teremos nossas estrelas. Eu não vou perder a minha, e você não deveria perder a sua!” 

Corri até a varanda da casa onde ele estava sentado e o puxei para mim. O mais novo nem teve tempo para reagir. Antes que ele falasse algo, o beijei. 

O beijei com todo o carinho que ele merecia e com toda a saudade que eu sentia. Segurei firmemente sua cintura, trazendo seu corpo para mais junto do meu. O envolvi ainda mais no abraço, deixando aquele sentimento estranho, que eu nem mesmo conhecia, fluir. Deixei o beijo se tornar mais quente, e somente quando o ar se perdeu foi que me afastei.

— Sei que tenho que te explicar muitas coisas. Mas, antes de tudo, peço perdão por não ter enxergado o que eu sentia. Eu acho que sempre tive medo e deixei este medo me cegar. — Segurei sua mão. — Estou olhando-o nos olhos agora, e eu quero fazer um pedido. Aceita namorar comigo, minha pequena estrela cadente?

O mais baixo estava sem reação.  Por um instante toda aquela coragem sumiu e me fez vacilar. No entanto, um sorriso surgiu nos lábios alheios, deixando-me corajoso novamente.

— Jeon Jungkook, obrigado por ter vindo até aqui… por abrir seu coração. — Algumas lágrimas começaram a cair. Elevei minhas mãos até seu rosto, e as limpei. — Saiba que eu estava esperando por isso… desde o primeiro dia que eu te vi — murmurou — correndo por aquela ponte… Passei a vender flores ali, apenas para te ver todos os dias…

Ri baixinho ao escutar sua declaração. Se antes meu coração estava batendo forte, agora ele tinha virado um tambor. 

— Sim, eu aceito namorar com você… Eu aceito ir onde quer que seja… desde que seja ao seu lado! — Ele afirmou cheio de si.

Novamente o abracei, calando aquela vontade súbita de beijá-lo com todo o meu ser.

“Como disse antes, eu nunca mais vou deixar você partir, minha estrelinha!”


Notas Finais


Quero agradecer essa capa e banner maravilhosos para a @Tulipittyxs e quero agradecer a betagem perfeita por @MarioUchihaa


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