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História Brincando no balanço - Capítulo 1


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Notas do Autor


Oiii coisinhas lindas... A fic é levinha inspirada em Video Games, da Lana Del Rey então super recomendo a música. É só isso, tenham uma boa leitura.

Capítulo 1 - Eu não sabia na época, mas eu estava apaixonado


Fanfic / Fanfiction Brincando no balanço - Capítulo 1 - Eu não sabia na época, mas eu estava apaixonado

 

 

 

Outono de 1992, Japão.

 

 

Ponto de vista: Itachi Uchiha

 

 

 

 

Sempre foi ele. Sempre é ele.

Éramos crianças, mas recordo-me como se fosse hoje: Meu primo afagando os meus fios tão escuros como a noite, como ele gostava de dizer, sorrindo com os olhos puxadinhos, marcando as linhas de expressão da sua face pura.

Shisui, você poderia ser o mais velho porém sempre foi o mais ingênuo. A medida em que cresciamos você continuava com os toques. Alimentando a mania de inclinar-se sob mim e selar a minha testa com os seus lábios macios. De abraçar-me com, agora, os seus grandes braços.

Por mais que eu tente agir indiferente, nada realmente parece funcionar, pois com você, Shusui Uchiha, o paraíso é um lugar na Terra. E tudo o que eu faço lembra-me nostalgicamente os seus pequenos olhos saturnos. Tão suaves e reconfortantes quanto a sua empatia.

A atmosfera deste local ainda é a mesma. Deus... Tão Cândida. Serena...

Como quando os meus pais divorciaram-se e você foi o meu refúgio. Ou quando Sasuke revoltou-se com o mundo e afastou-se de meus braços, mas você... Você permaneceu comigo. Independentemente se eu caísse ou voasse.

E eu me sinto tão culpado por não conseguir tirar você da minha cabeça. Por precisar de você. Por respirar o seu amor... Eu te amo desde de pequeno, já é hora de cair na real... Amar você é difícil. E te deixar pode ser mais difícil ainda.

 

 

[...]

 

 

 

Ponto de vista: Shisui Uchiha

 

 

 

— Itachi! — Gritei exasperado, adentrando o pequeno bosque esverdeado e dando de frente com um parquinho onde costumávamos ir quando crianças — Itachi Uchiha! — Meus olhos brilharam em fúria ao encontra-lo melancolicamente repousado em um balanço, com um copo vermelho entre as coxas e brincando com os pés nas folhas secas caídas no chão de areia. Aproximei-me sem ele notar e minha sombra o fez levantar a face surpreso. Ele parecia nem ter me ouvido.

— Shisui?! — Ele franziu o cenho— Como você me encontrou aqui?!

—Este é o nosso lugar favorito desde de pequenos... — Suspirei destensionando os ombros —Resolvi tentar.

— Eu... — Ele cruzou os braços com as bochechas finas coradas — Eu só queria pensar um pouco, você sabe...

— Sei... Mas não precisava sumir daquele jeito. — Sentei no balanço ao seu lado envergonhado — Poxa, eu te procurei a festa inteira... Se você não queria vir era só falar.

— Desculpa... — Ele murmúrou sem encarar-me nos olhos.

— Tachi, o que tá acontecendo? Por que eu sinto que ultimamente você tem me evitado? —Fui direto ao ponto e tombei a cabeça, puxando o seu braço e fazendo com que ele me encarasse; seus olhos escuros ficaram contra o sol alaranjando e lilás das 6:00 da manhã genuinamente. Eu só queria que ele se divertisse. Saísse de casa. Ficasse um pouco mais comigo... Voltasse a agir como antes. Sei lá, a todo momento ele quer isolar-se; eu entendo, realmente entendo. Eu sei que ele não é como os outros adolescentes cujo completam dezoito anos e só querem Rave, contudo parece que ele está fugindo até de mim.

— Eu pensei que não existia segredos entre nós... — Sussurrei.

— E não existe, Shisui. — Ele devolveu rápido e firme.

— Então me diz o que há de errado?

— Você não entenderia... — Suavemente deu um sorriso de canto amargurado e desviou os olhos.

—Se você não me disser eu nunca vou entender mesmo. — Soltei o seu braço bufando. — Você não confia em mim?

— Hn. — Novamente ele demonstrou uma expressão variante de tons de tristeza. Aquelas que se eu não conhecesse-o tão bem poderia ser mesclada com frieza —Você sabe que eu mataria todos por você, Shisui.

— Eu sei, Tachi. E eu daria a minha vida por você. Sem heisitar. — Puxei as correntes que sustentavam a sua balança, emitindo um ruído típico de velho e virei-a para mim, trazendo o seu corpo para dentro das minhas pernas.

Mas eu preciso que você me fale a razão de estar tão distante... — Quando percebi, os seus fios pretos já estavam enrolando-se em meus dedos e sendo pousados atrás da sua orelha.

— Shisui... — Encarou-me retraído num curto fio de voz. Porquê ele está tão vermelho? Não é nenhum segredo de estado que eu tenho um carinho especifico pelo filho mais velho de Fugoku. Na verdade, eu acho que somente ele ainda não percebeu.

— Você estava tão lindo quando eu fui te buscar... — Confessei meio atordoado. Era um fardo carregar o fato de acha-lo tão... Sexy. De ele ser o meu primo...— Droga, e quando eu te chamei para dançar... Eu realmente não entendo o que ocorreu nesse meio tempo para você praticamente desaparecer. — Soltei escondendo o desespero.

— Não tem nada acontecendo... — Pronúnciou contendo a voz, ele parecia abalado com algo. Itachi nunca foi bom em esconder o quê lhe aflige de mim. Então, pra quê tanto mistério?

— Você vai mesmo continuar mentindo para mim, Itachi?! — Levantei indignado da balança e ele veio junto, não dando a mínima para o copo de plástico caído no chão espalhando a possível vodka dele.

— Eu não estou mentindo!

— Está sim! Caralho, Itachi, eu não sou a porra de um estranho, eu sou o seu primo!

— Por isso mesmo que eu não posso contar, Shisui! Você nunca iria entender! Eles nunca iriam entender! — Ele gritou perdendo aquela velha expressão de nada.

— O quê...? Itachi, que se fodam eles! — Disse tocando o seu ombro, ficando a centímetros do seu rosto. — Por favor, eu quero saber...— Suas íris brilhavam como os primeiros raios de sol da manhã.

— Eu não posso Shisui... Eu não posso fazer isso com você. — Ele falou ansioso, transparecendo uma confusão que eu nunca presenciei pois a natureza de Itachi, habitualmente, era extremamente tênue.

— Tachi...

— Me desculpe... — Sussurrou com o hálito quente, antes de pressionar a sua boca na minha. Arregalei os olhos atônito e senti os seus frios dedos na minha cintura. A sua língua atrevida percorreu os meus lábios e invadiu, de maneira meiga, a minha cavidade bocal, enrubrescendo-me com certeza. Paralisei pensando em todos os nossos momentos juntos, das nossas lembranças de infância e do quanto eu demorei para distinguir afeto de família e proteção, de um sentimento carnal e romântico. Acordei da sútil epfania e apertei os meus braços a sua volta, o puxando para mais perto do meu corpo e praticamente colando o seu peito no meu. Dava para sentir o seu coração pulsando fortemente e descompassadamente. Finalmente correspondi a sua língua e rapidamente dominei o beijo. Ele pareceu surpreso e reforçou o meio abraço. Eu não acredito nisso... Agora eu entendo o motivo do seu súbito afastamento nessas últimas semanas. Me sinto o ser mais desprovido de inteligência na face da Terra... Que merda! Suspirei e lentamente amaciei os seus lábios, deflorando a sua boca.

— Me desculpe... Desculpe...— Retornou a murmurar quando nos afastamos minimamente apenas para respirar, com os lábios inchados e o rosto complicadamente rubro. Por que caralhos ele tá pedindo desculpas?! Não ficou nítido as minhas intenções?! Toquei suave a ponta do nariz no dele e roçei as nossas peles. Posteriormente mordendo o seu lábio inferior com certa força.

— Não peça desculpas por algo que você não se arrepende, Itachi. — O silêncio impregnou-se no ambiente e eu analisei cada poro da sua face pálida.

— Faz quanto tempo? — Meio baixinho, prossegui, já que ele parecia ter entrado em uma sétima dimensão. Itachi engoliu a seco e me encarou com as suas ônixs inesquecíveis de tão encantadoras.

— Você vai mesmo me fazer falar? — Ele parecia com medo, entretanto os dedos em sua cintura foram reforçados com intensidade para reconforta-lo.

— Eu gosto quando você fala. — Ele continuou a olhar-me manhoso. Talvez um tanto orgulhoso...— Então deixei-me te ajudar... Por que eu nunca amei ninguém como eu amo você, Itachi Uchiha. — O mesmo abranjou um sorriso. Belo. Sereno. Como se tivesse tirado o peso do mundo das costas com as minhas palavras. Mordeu candidamente a ponta do meu queixo e ocupou a curva do meu pescoço com os seus cabelos, mantendo os braços na minha cintura.

— Shisui... — Ele começou corado e meio trêmulo em meus braços — Droga! Eu não estava aguentando mais... É você. Sempre foi você. Desde que eu tinha dez anos e nos brincavamos naquele balanço. — Manejou a cabeça para o brinquedo, apertando a minha carne por cima da velha camiseta do Led Zeppelin — Você se lembra quando eu cai de lá e você cuidou do meu machucado? Você até deu um beijinho para sarar mais rápido — Sorri calmo com a memória.

— Você ficou todo emburrado... Desde pequeno muito orgulhoso para dizer ao menos um obrigado.

— É... Você me conhece. — Sorriu suave no final da frase, beijando desta vez a área branca do meu pescoço. — Foi neste dia em que eu percebi que o paraíso é um lugar na Terra quando eu estou ao seu lado, Shi; e que tudo o que eu faço acaba por me lembrar você... — Suspendeu a face rosada e eu não resistir aos seus lábios, os tocando inocentemente. Itachi nunca foi um exemplo de comunicação, muito menos de declarações. E mesmo controlando a voz para não gaguejar, eu sabia que  ele estava soltando faíscas dentro do peito assim como eu.

— Dizem que o mundo foi feito para dois, Tachi... — Soprei em seu ouvido, sentindo as paranóias de um amor platônico irem embora junto do vento que balançava sutilmente as folhas alaranjadas no chão. — E que só se vale a pena viver nele se você é amado... — Selei a sua testa e seu rosto cândido, deixando que o amanhecer vasto do sol fosse o nosso espetáculo e o seu calor a minha vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

—E, amor, agora você é amado.

 



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