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História Bring me home - Capítulo 1


Escrita por: e projetoharuno


Notas do Autor


Oi gente! Essa aqui é mais uma belezinha que surgiu a partir da sugestões do @projetoharuno, lindeza da qual faço parte!
Minha primeira Itasaku, será que me saí bem? Escolhi Itasaku porque esse mês tivemos o aniversário desse deus que amo muito, e busquei me jogar nessa oportunidade. Espero ter feito algo à altura da maravilhosidade dele.
Tava bem insegura, mas acho que tudo tem que começar de algum lugar, né?

Agradecimento especial pra @leeloo_ que fez essa capa maravilhosa! Obrigada lindeusa! Seu trabalho é incrível!!!


Enfim, sem mais delongas, o primeiro de cinco capítulos!
Beijos e leiam as notas finais!

Capítulo 1 - Temporal


“Vai armar um temporal lá fora.” A jovem de cabelos azulados falou enquanto colocava o cachecol em volta do pescoço.

“É...” O rapaz respondeu, dando uma rápida olhada para a janela, voltando a limpar a mesa com um pano em mãos.

“Tem certeza de que não quer ajuda para fechar o caixa?” Ela perguntou novamente, fazendo uma careta de dor.

“Não Konan, fique tranquila.  Pode ir, sério. Eu fecho as coisas aqui.” Ele respondeu com um sorriso mínimo e passou um olhar seguro para ela.

“Obrigada Itachi! Fico devendo essa!” Ela deu um soquinho em seu ombro e saiu apressada. O barulho do sino indicou que a jovem já saía porta afora, deixando apenas o rapaz consigo mesmo.

  Após alguns minutos finalizando a limpeza das mesas, Itachi encarou o relógio no alto da parede. O mesmo indicava quinze minutos restantes de trabalho, o que fez o gerente suspirar de cansaço. Com o tempo fechado e o clima frio, o movimento no Café Sharingan estava mais baixo do que de costume.

    A dor nas costas e a necessidade de alongar o corpo lembrou Itachi de que na verdade, o movimento do dia não foi bem distribuído; o local bombou de manhã e no pós-almoço, chegando a um fim de noite vazio, que beirava à melancolia. Olhou novamente para a rua, vendo poucas pessoas ali. Estas, por sua vez, caminhavam apressadamente, da mesma forma que Itachi estaria em... treze minutos.

 O caixa já estava fechado, os produtos guardados em seus devidos lugares, a limpeza do local já estava em dia, pronta para uma nova jornada de vai e vem. Itachi estava cansado, e decidiu retirar o avental do trabalho, ficando apenas com sua blusa preta de mangas compridas.

  O rapaz estava massageando a base do pescoço quando ouviu o sino da porta soar. Ele respirou fundo antes de se virar, avisando que já estava fechando o Café, mas a pessoa parada na porta o impediu de continuar.

“Já estamos fech-”

“Então é aqui que você se esconde?”

  A voz familiar fez com que Itachi não acreditasse em seus próprios ouvidos. Por isso, logo depois dela soar pelo ambiente, o jovem se virou buscando com os olhos a imagem que já pairava em sua mente. Ele piscou três vezes antes de falar alguma coisa. Ela estava em pé, há poucos metros de si, e... sorrindo.

“Sakura? É você?” Ele perguntou surpreso, e também sorriu ao ver a garota confirmar com uma leve risada.

“Em carne e osso!” Ela respondeu, apontando para si mesma. “Posso entrar?”

“Claro!” Ele disse, caminhando em sua direção, vendo que ela fazia o mesmo após sua permissão.

Os dois pararam a centímetros um do outro, se encarando atenta e carinhosamente, e cerca de segundos depois mergulharam num abraço apertado.

“Deus, Itachi! Que saudade que eu estava de você, disso!” A jovem confessou, apertando o corpo do rapaz com mais vontade, mostrando sinceridade em seus dizeres. Ele riu sem acreditar no que estava acontecendo.

“Cara, nem fala! Eu... Eu nem sei o que dizer! Quer dizer, olha só pra você!” E se afastou levemente, segurando a garota pelos ombros, enquanto reparava em si. “Está linda, elegante... e de cabelo rosa!” Ele comentou rindo, pegando em um dos fios soltos debaixo da touca grafite que ela usava.

 A gargalhada de Sakura soou no local vazio, e ela deu um leve tapa no ombro do gerente.

“Você para de graça, está me deixando sem jeito! Aliás... Não mudou nada!” Ela disse, acariciando o rosto dele, que sorriu afetuosamente. “Esse cabelo grande... Faz sucesso, não faz?” Ela perguntou rindo, mexendo no rabo de cavalo. Foi a vez dele rir alto.

“Quer tomar alguma coisa? Temos vários tipos de café...” Itachi ofereceu, apontando para o cardápio que ficava logo acima das máquinas de café, em letras garrafais.

“Mas você estava já fechando! Eu não quero dar trabalho, podemos ir a um outro lug-”

“Nada disso! E fazer você se apaixonar por outro lugar da cidade que não seja o Sharingan? Nem morto! Vamos, entre e fique à vontade.” Ele interrompeu a rosada, trancando a fechadura da porta e virando a placa, que passou a sinalizar “FECHADO” para qualquer um que olhasse de fora.

  Itachi orientou o caminho para a melhor mesa do lugar, que ficava num canto intimista com uma luz suave num lustre central. Indicou Sakura para a poltrona acolchoada e lhe sorriu ao perguntar:

“Ainda gosta de chocolate quente?” Ela sorriu e mordeu o lábio inferior.

“Certos costumes nunca vão embora, né? Está muito na cara? Tô morrendo por um desses bem gostoso!”

“Então se prepare para o melhor chocolate quente da sua vida!” Ele vibrou, fazendo cara de convencido enquanto Sakura ria de sua postura. Logo se retirou para a cozinha, e com atenção e afeto, preparou a bebida quente enquanto colocava uma porção de mini croassants para assar no forno.

  Quinze minutos depois e lá vinha o homem dos longos e sedosos cabelos, com um pequeno sorriso no rosto. Sakura retirou os braços da mesa, sorrindo animada para o que o rapaz trazia na bandeja.

Com delicadeza, pouco a pouco o espaço foi preenchido; duas canecas fumegantes de chocolate quente, em cima de dois porta-copos com o logo da Sharingan, um grande prato com oito croassants recém assados, e pequenas porções de manteiga, geleia de amora e requeijão.

“Temos croassaints recheados com queijo e presunto, sem recheio e quatro queijos. Fique à vontade para se servir e degustar do melhor Café da cidade.” Itachi anunciou com uma piscadela, e Sakura literalmente lambeu os lábios ao encarar a mesa tão bem composta e servida.

“Nossa, isso tudo parece tão maravilhoso! Hoje eu saio da dieta com gosto!” Ela respondeu com todos os dentes aparecendo em seu sorriso, e erguendo a mão para alcançar a asa da caneca do chocolate quente.

“Dieta? Pra que dieta?”  Itachi perguntou com a sobrancelha arqueada, enquanto descansava o queixo na mão esquerda. Ele gostava de observar pessoas comendo, e Sakura acabava de se tornar mais uma de suas memórias sobre esse gosto peculiar.

“Você está brincando! Olha só pra mim, Itachi!” Ela apontou para si, fazendo uma careta. “Essa vida de adulta acabou comigo! Nunca pensei que chegaria nos meus 21 anos correndo atrás pra manter o corpo! E olha que eu sempre fui magrela! Mas não há nada que um curso de medicina não seja capaz de mudar na vida de alguém, né?” E suspirou com um sorriso ameno.

“Você está ótima, mas continua exagerada como sempre...” Ele comentou com um sorriso de canto, e puxou sua caneca para si.

“Meu. Deus. Do. Céu.” Sakura falou pausadamente, encarando sua bebida logo após tomar o primeiro gole. “Caralho, Itachi! Que que isso!?” Ela encarou o rapaz de boca aberta e ele riu levemente, dando de ombros.

“Eu te avisei.”

“Porra, mas eu não esperava que fosse ser tão verdade!” Ela exclamou, dando outro gole. Gemeu baixinho enquanto apreciava de olhos fechados. “Meu Deus, que coisa maravilhosa! Isso tem gosto de infância!” Ela constatou, e Itachi concordou enquanto tomava o seu.

“E como...” Ele divagou, encarando o líquido na caneca.

 Sakura estava prestes a morder um croassant quando parou no meio do caminho. Precisou de apenas alguns segundos para adivinhar o que se passava na cabeça da pessoa à sua frente. O olhar triste que se escondia num rosto aparentemente leve não deixou dúvidas; afinal de contas, era a mesma face que ele fazia quando perguntavam se ele estava bem, há anos atrás. E na época, o garoto apenas concordava e mudava de assunto.

Com as memórias tão vivas das feições de Itachi, Sakura respirou fundo e perguntou:

“Faz quanto tempo mesmo?” O homem ergueu os olhos negros do chocolate quente e a encarou por um tempo antes de responder.

“Sete anos.” A voz saiu mais grave do que de costume, e Sakura uniu as mãos enquanto acenava com a cabeça.

“Passa rápido, não é?” Ela apontou, com um sorriso amarelo.

“Muito.” Ele concordou, olhando para a mesa e reparando na fumaça que saía das canecas.

   Ambos permaneceram em silêncio que não era desconfortável, mas sim respeitoso... acolhedor até.

“Foi a última vez que nos vimos.” Ele comentou, sorvendo de sua bebida. Sakura levantou o olhar para si e o cenho franzido denunciou a incompreensão da jovem.

“No enterro.” Ele explicou, e ela arregalou levemente os olhos, molhando os lábios enquanto viajava em sua mente.

“É verdade. Foi tudo tão corrido, tão dolorido. Eu queria ter estado por perto por mais tempo, Itachi. Tia Mikoto era uma pessoa muito querida pra mim e pra minha família.” A rosada esticou a mão e alcançou a dele, dando um aperto quente e carinhoso na pele do rapaz, que retribuiu o gesto.

“Você fez o que pôde, Sakura. Fez mais do que isso até... Lembra?” Ele perguntou num sorriso brincalhão, e ela o encarou por um momento, antes de dar um tapa na própria testa e começar a rir.

“Por favor não comente sobre minha fuga falha.” E ele sorriu sincero.

“Foi um ato corajoso, determinado e prematuro. Mas mais do que tudo, foi um ato de parceria e afeto. E eu fico feliz que tenha tentado.” 

“Porra Itachi, pelo menos tenho seu reconhecimento! Porque meus pais até hoje falam de como eu fui idiota de tentar viajar mais de oito horas para cá aos 14 anos para ver vocês, mesmo tendo acabado de chegar na nova cidade.” E ambos riram cúmplices e se olharam por um momento.

Conforme as risadas foram cessando, apenas o olhar restou. E Sakura não se lembrava dos olhos de Itachi serem de um tom tão escuro – mas a intensidade só evoluiu com o passar dos anos. Já o rapaz percebia os pequenos pontos castanhos dentro dos olhos verdes e sorriu involuntariamente ao pensar que, mesmo depois de tanto tempo, Sakura ainda tinha a curiosidade infantil tatuada em seu semblante.

Os dois ficaram um tempo assim, até que uma forte trovoada soou do lado de fora e a mulher deu um pequeno pulo no lugar, apertando involuntariamente a mão de Itachi presa à sua.

 E foi ali que ambos perceberam que estavam o tempo todo com as mãos unidas. Ele foi o primeiro a retirar, pigarreando sem graça.

“Medo de trovões?” Ele perguntou, levando a caneca à boca.

“Sim, um pouco.” Ela respondeu sentindo as bochechas queimarem, se ocupando de provar o croassant.

“Esse é o sem recheio. Pode provar com essas opções.” Itachi apontou para as porções e Sakura optou pela manteiga, que derreteu em contato com o salgado quente.

“Meu Deus, Itachi. Eu vou morrer comendo isso, sério.” Ela disse logo após mastigar e ele aproveitou para pegar um de quatro queijos.

“Esse aqui é de matar mesmo.” Ele assumiu, mastigando com calma e deleite.

“Mas então, o que me conta da vida? Como vai família, estudos, trabalho... amores?” Sakura perguntou, arqueando uma sobrancelha na última palavra, fazendo Itachi sorrir ladino.

“Bem, me formei em gastronomia e estou investindo nesse negócio, me sentindo bem feliz e realizado em fazer o que gosto. Não é uma coisa na qual eu nado no dinheiro, mas nem é o intuito. Eu me estresso, mas fico muito satisfeito com o resultado. O Café Sharingan vem ganhando seu espaço na cidade e eu não poderia estar mais feliz. Foi fruto de muito investimento, de esforço, de sonhos e tradição familiar. Afinal de contas, esse chocolate só é o melhor graças à receita de Mikoto Uchiha, né?”

Sakura o olhava com um sorriso admirador, ouvindo com alegria tudo o que o jovem lhe falava.

“Que ótimo ouvir isso, Itachi. Eu fico muito feliz por você!” Ela confessou e emendou em outra pergunta. “E a família? Os homens Uchihas, como estão?” Itachi sorriu de lado e deu de ombros.

“Estão todos bem. Meu pai segue trabalhando na empresa de turismo, mas está ajeitando as coisas para a aposentadoria. Quer viver no sítio do meu avô.”

“Eu super vejo Tio Fugaku plantando umas cebolinhas, uns tomates-cerejas...” A jovem comentou rindo e ele concordou.

“E Sasuke está se formando em direito, como você sabe. Está namorando uma nutricionista esportiva chamada Karin e está na onda do crossfit.” Ele explicou com o rosto surpreso e Sakura gargalhou.

“Ah Meu Deus, como pode? Sasuke crossfiteiro? Gente, se ele já era chato quando era o colírio da galera com 12 anos, agora deve estar insuportável de tão bonito... E se achando!” Ela comentou rolando os olhos e Itachi apontou para si.

“Cuspir no prato que comeu é coisa feia, hein?”

“Ai, cala a boca garoto! Isso foi há uns dez anos, eu apenas perdi meu BV com ele!” Sakura deu um leve tapa na mão de Itachi, que riu da cara tímida que ela fez.

“Vamos contar essa história direito? Foi BVL! Você beijou meu irmão de língua!!!” Ele caçoou, remexendo na touca da rosada, enquanto ela gemia em frustração, escondendo o rosto nas mãos.

“Para, Itachi! Foi só um beijo!”

“Uns beijos!” Ele completou, cruzando os braços. “E nem adianta mentir. Eu estava lá, eu vi tudo.”

“Claro que viu! Você que foi a peste que deu a ideia!” Ela exclamou, tirando as mãos do rosto e apoiando na mesa. O Uchiha gargalhou alto.

“Eu estava tentando te ajudar! Você era caidinha pelo Sasuke, cara!”

“E ali mesmo eu me desapeguei dessa paixãozinha sem sentido! Sasuke era muito idiota convencido, não acha?” Ela rebateu, fazendo cara feia.

“Mas a gente não manda no coração, né? Você tá reagindo estranho para quem superou esse amor!” Ele zoou novamente, a encarando com as sobrancelhas subindo e descendo, e ela gargalhou alto.

“Sem chance, Itachi!” E ambos riram levemente, até que se acalmaram.

“Falando sério, meu irmão melhorou bastante. E esse novo relacionamento tem feito bem a ele. Do jeito tinhoso de Sasuke, apenas o amor poderia provocar tanta mudança mesmo.” O rapaz analisou, comendo mais um croassant.

“Eu brigo, mas eu amo aquele chato... Como amigo, tá? E fico feliz que ele tenha encontrado alguém. De verdade!” Sakura disse, com um sorriso nos lábios.

“Mas e você? O que me conta?” Itachi perguntou, dando um novo gole no chocolate.

“Ah, Itachi... Minha vida não é muito interessante não! Correria de estudante de medicina, algumas cervejas pra espantar as desgraças, alguns embustes pelo caminho, e muito, mas muito café!” Ela resumiu tudo, rindo logo após finalizar sua fala. Itachi arqueou a sobrancelha.

“Embustes?” Sakura confirmou, fazendo uma careta.

“Sim... Eu começo a achar que não nasci com sorte pro amor.” Ela sorriu de forma zombeteira e deu de ombros. “E você tá aí, não me deixando mentir: até o Sasuke tá bem acompanhado, mesmo sendo um velho ranzinza de 84 anos crossfiteiro. E eu aqui quebrando a cara em relacionamentos surreais...”

O tom utilizado na última palavra fez Itachi estranhar a fala de Sakura. Além da possibilidade do significado, aquilo definitivamente não soava bom.

“Surreais?” Ele decidiu insistir e ela suspirou, pesarosa.

“Você quer mesmo falar disso?” Ela perguntou, o olhando com sinceridade, e nos olhos verdes, Itachi viu um lampejo de dor passar.

“Se isso for desconfortável pra você, não se sinta obrigada. Eu só fiquei preocupado.” Ele respondeu honestamente, cruzando os braços em cima da mesa. Sakura suspirou e riu nervosa.

“Não é um assunto fácil, mas imagino que se você tivesse passado por isso, eu também gostaria de saber como ajudar, porque também estaria preocupada...”

E então, ele teve a confirmação de que de fato, o que quer que tivesse acontecido no campo amoroso de Sakura, não foi bom. Sem saber exatamente o que dizer, Itachi escolheu o silêncio, prestando atenção na mulher a sua frente que brincava com os dedos e os olhava com atenção.

“Eu terminei um relacionamento de 3 anos... abusivo.” O peso do termo recaiu sobre os dois, e Itachi prendeu a respiração ao ouvir aquilo. Sakura continuava a olhar os dedos e umedeceu os lábios, num gesto nítido de desconforto.

“No início eram tudo flores, né? Literalmente! E chocolates, e carinhos, demonstrações públicas de afeto... Até que as preocupações começaram a deixar de ser fofas e passaram a ser sufocantes, sabe? Uso de roupa, companhia para programas, amizades que ele achava suspeitas. Até que um dia eu insisti em ir no aniversário da minha melhor amiga da faculdade e ele me deu um tapa no meio da cara.” Ela riu sem humor e Itachi piscou os olhos, sentindo sua feição se alterar para incredulidade.

“Sabe o que é pior? Aquilo aconteceu com menos de um ano de namoro.” Ela pegou um guardanapo e começou a fazer dobraduras, enquanto sorria de forma forçada. “Isso significa que mesmo depois disso, eu persisti por mais de dois anos. E a partir daquele dia em diante, eu passei a evitar saídas, a não me vestir como queria, a sequer falar com meus amigos. Eu me fechei no meu mundo, porque toda vez que Sasori me agredia psicologica, física ou verbalmente, ele se arrependia depois. E me fazia acreditar que de alguma forma, a culpa era minha pelas brigas que ele começava. E eu me via pedindo desculpas por coisas que não fiz, que não era eu a errada, de fato. Eu estava tão cega achando que aquilo era amor, que iríamos superar as dificuldades, que eu casaria com o cara com quem perdi a virgindade... Você não sabe como me tornei expert em maquiagem por causa disso, Itachi!”

Sakura deu uma pausa para fazer uma piada, que de humor não tinha nada. Ela apenas usou aquilo como escape, para respirar e impedir a queda das águas nos olhos marejados, limpando rapidamente o canto dos mesmos.

Itachi levou sua mão direita até à dela, fazendo com que a rosada lhe olhasse com um sorriso triste.

“Eu sinto muito, Sakura. Ninguém deveria passar por algo assim.” Sua voz saiu triste e melodiosa, e a jovem concordou com a cabeça.

“Eu também acho! E só descobri isso há uns três meses, quando decidi dar um basta. A maioria dos amigos tinham desistido de mim, menos Ino, a melhor amiga da faculdade. Ela conseguiu me explicar como aquilo estava inaceitável, enumerou fatos, situações, acontecimentos diversos e até traições que me fizeram enxergar que eu não merecia aquilo. E quando fui confrontar Sasori e terminar de vez, ele tinha simplesmente desaparecido.”

“Como é?” Itachi perguntou, confuso.

“Essa é a parte em que acho boa e ruim ao mesmo tempo. Há três meses ele está sumido, ninguém tem notícias dele. Mas descobri pela Ino que uma colega da faculdade está grávida. Adivinha de quantos meses?” Ela perguntou e Itachi desaprovou com a cabeça.

“Três.”

“Pois é. E ela não namorava ninguém, não falava sobre o pai da criança. Mas uma amiga dela é amiga de Ino, e então soubemos que se tratava de Sasori. Ele tinha me traído com ela, a engravidou e simplesmente meteu o pé. Dá pra acreditar?”

“Dá. Um ser repugnante como esse é capaz de tudo.” Itachi respondeu, totalmente enfurecido pelo relato de Sakura.

“Pois é. De uma forma ou de outra me livrei dele, mas sinto pela criança e pela garota, que não tem nada a ver com a escrotidão de Sasori. Ela tem 19 anos, sabia?”

“Puta que pariu. E ele?” Itachi indagou, curioso.

“25.”

“Hm. Patético. Minha idade.”

“Pra você ver que nem todo mundo é um cara maneiro como você, Uchiha.” Ela brincou, terminando de beber sua bebida. Itachi não conseguiu rir; cruzou os braços e apertou suas mãos para si, as apertando até sentir a unha marcar a carne.

“Por que você não nos ligou?” Ele perguntou depois de um tempo em silêncio. Sakura bufou.

“Eu não tinha forças, Itachi. A coisa que mais ouvi durante todo esse tempo foi isso, mas parece que ninguém sabe como é estar nesse lugar, não é mesmo?”

O silêncio retornou, desta vez desconfortável. Itachi entendia o incômodo de Sakura, afinal de contas, aquilo poderia soar como uma pressão sobre a vítima, em como teoricamente deveria ter agido, como se fosse algo fácil, dado. E isso irritava Sakura, porque se tratava novamente em focar no que a vítima não fez, ao invés de questionar o agressor e suas atitudes que deveriam ser muito mais questionáveis do que as dela.

“Me desculpe.” Itachi disse com a voz grave, e levou as mãos até as de Sakura, que o olhou receosa. “Eu não quero que você sofra mais com isso do que já sofreu... Sinto muito por você ter passado por tudo isso, Sakura. E de todos os possíveis desfechos, eu fico feliz que tenha rompido esse ciclo. E mais ainda por estar aqui e sentir à vontade para partilhar comigo. Fico verdadeiramente feliz que confie em mim para isso... Te ouvir falar sobre tudo doi em mim, mas sua força não passa despercebida, ok? Eu quero que você saiba isso. Que estou orgulhoso e feliz pela sua coragem, e muito aliviado de que você esteja aqui... comigo.”

As mãos se apertavam com força. Mais uma trovoada soou lá fora, e rapidamente a chuva caiu. Mas nada disso fez com que o olhar entre ambos se rompesse. Muito pelo contrário; o choro silencioso de Sakura tomou vida, e o som da natureza parecia chamá-la para o pranto aberto, expressivo, ensurdecedor.

Itachi não pensou duas vezes e se deslocou para o lado de Sakura, indo ao encontro de seu corpo trêmulo e o abraçando com todo o cuidado do mundo. E assim, Sakura agarrou as costas dele com desespero, mergulhando o rosto em seu peito e permitindo-se chorar. Os sons dos trovões, agora mais presentes, misturavam-se à voz falha e à respiração irregular da jovem.

Itachi segurou a cabeça de Sakura com as duas mãos e acariciou sua nuca, fazendo “shh” contra o ouvido dela, acalmando a jovem aos poucos.

“Itachi...” Ela chamou depois de um bom tempo.

“Hm?” Ele perguntou, sem parar o leve embalo acolhedor.

“Canta pra mim como você fazia quando éramos mais novos?” Ela pediu, levantando o rosto apenas para encarar o queixo protuberante do rapaz.

“Cantar?” Ele indagou, parando de se mexer.

“É. Por favor...” O ar que Sakura soltara rebateu no pescoço de Itachi, aonde a rosada voltou a se aninhar, como se ali fosse um lugar no qual ela poderia descansar. E Itachi gostava de pensar sobre isso, assim... desta forma.

“Ok.”  Ele respondeu sem jeito, pigarreou e começou a cantar a única música que vinha à sua mente naquele momento, encarando a chuva torrencial do lado de fora.

Sweet creature
             (Doce criatura)

Had another talk about where it's going wrong

(Tivemos outra conversa sobre onde estamos errando)

But we're still young

(Mas ainda somos jovens)

We don't know where we're going

(Não sabemos para onde estamos indo)

But we know where we belong

(Mas sabemos aonde pertencemos)

 

          Sem perceber, Itachi posicionou o queixo em cima da cabeça de Sakura e a embalou num ritmo lento e calmo, como a música que cantava. A mulher reconheceu a melodia e por um momento achou que sorriria com o olhar, devido à escolha sensível de Itachi. Então apenas se permitiu fechar os olhos e deixar rolar algumas lágrimas silenciosas pelo rosto, que morriam no mínimo sorriso dos lábios curvados.

 

And oh we started

(Oh, nós começamos)

Two hearts in one home

(Dois corações em um lar)

It's hard when we argue

(É difícil quando discutimos)

We're both stubborn

(Nós dois somos teimosos)

I know, but oh

(Eu sei, mas oh)

 

Sweet creature, sweet creature

(Doce criatura, doce criatura)

Wherever I go, you bring me home

(Onde quer que eu vá, você me leva para casa)

Sweet creature, sweet creature

(Doce criatura, doce criatura)

When I run out of road, you bring me home

(Quando chego ao fim da linha, você me leva para casa)

 

 

Quando ele terminou, notou que Sakura estava quieta demais em seus braços. Olhou de soslaio, percebeu que a rosada adormeceu em meio à cantoria, o que fez com que ele sorrisse ao pensar que certas coisas não mudavam.

Subindo as escadas com ela em seu colo, Itachi refletia sobre a vida e suas circunstâncias inusitadas. Nem em mil anos imaginaria que aquela noite acabaria assim, com ele e Sakura dividindo um sofá cama de seu escritório, logo acima do estabelecimento, tendo apenas a chuva de testemunha daquele curioso encontro que o destino pregara.

Agradeceu mentalmente que Yahiko pegaria o turno da manhã seguinte, pois pela hora avançada, Itachi teria problemas em acordar cedo e trabalhar na correria. Desativou o alarme do celular com tranquilidade, e se ajeitou para deitar. Sakura deveria estar realmente cansada; não se mexeu desde que ele a colocou no sofá cama, ficando na mesma posição em que foi posta.

Ele sorriu com esse pensamento, e se ajeitou para dormir, puxando uma almofada para debaixo de sua cabeça. Deitou a nuca, respirou fundo, também sentindo o cansaço tomar conta de si. A chuva lá fora servia como canção de ninar, e Itachi se sentiu relaxado o suficiente para dormir em poucos minutos.

E antes de adormecer de fato, a última coisa que sentiu foi um corpo esguio e mediano se acoplar ao seu, e o perfume familiar atingiu suas narinas, sendo assim a cereja do bolo para um sono tranquilo e pacífico – nada mais nada menos do que seus dedos curiosos se perdendo em meio aos fios rosados, numa noite fria e chuvosa.


Notas Finais


E aí, galere? Gostaram? ehehehehe espero que sim!

ALERTA PAUTAS IMPORTANTES: Passando tb pra falar de algo essencial: relacionamentos abusivos nem sempre incidem em agressão física, ok? Temos vários tipos de violência que a vítima passa; manipulação, ser impedida de fazer coisas que gosta, estar com quem gosta, usar roupas que gosta porque o outro impõe. Culpar a vítima sempre por toda e qualquer briga, mentiras, manipulação de informações (da verdade) e outras afins. Se você conhece alguém que tenha passado por isso, busque acolhê-la, ouví-la, e sugerir ajuda profissional também! Porque é extremamente necessário diante dessas vivências pesadas. E se você passou por isso de alguma forma, receba meu abraço virtual bem apertado. Ninguém merece passar por isso, e torço pra que as cicatrizes se curam. Bem como enalteço o fim de um ciclo ruim na sua vida! ♥♥♥

Sobre a estória: ela é composta por cinco capítulos, mas acontece numa intensidade bolada que me fez sentir como se tivessem 30! HUAHAUHUAHUA E enfim, foi muita dedicação e amor, então comentem, curtam, compartilhem e me deem biscoito, porque escrevi isso tudo com tendinite.
HAHAHAHAHA

Beijos e até breve!


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