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História Bring me to love - Capítulo 22


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Notas do Autor


Oi, amores!
Como vocês estão?
Espero que bem.
Boa noite aí pra vocês e boa leitura <3

Capítulo 22 - Capítulo 22


Regina

Meu dia estava ótimo. Tinha acabado de sair da casa de Emma por conta de uma emergência de última hora no trabalho em alguns documentos finais que precisavam ser assinados por mim com urgência.

Assim que cheguei na empresa, Scarllet, minha nova secretária temporária, já me esperava na porta da minha sala enquanto observava uns papéis pardos em suas mãos.

- Boa tarde, senhorita Fields. – franzo o cenho quando ela passa as costas das mãos pelas bochechas, como se tivesse tentando limpar algumas lágrimas – Está tudo bem com a senhorita?

- Ahn...eu...

- Céus, sente-se, senhorita Fields! Vou pegar um pouco de água para você. – a acompanho até o sofá da minha sala, ouvindo seus soluços e vendo as lágrimas grossas descendo por suas bochechas. Encho um copo com água e a entrego rapidamente – Aqui, tome.

- Obrigada, senhorita Mills. Eu sou tão idiota, céus!

- Claro que não é. Não é pecado nenhum chorar, está tudo certo.

- Mas eu não deveria fazer isso em ambiente de trabalho. Nunca é bom misturar a vida profissional com a pessoal, eu sempre soube disso. – sento-me em uma cadeira em sua frente, não muito perto dela.

- Não precisa ficar chateada com isso, ok? Todos nós temos nossos dias bons e ruins, eu sou um exemplo claro disso, pode ter certeza.

- Uau, você não parece nem metade da “Mills diaba” que todos falam pelo corredor. – rimos juntas, enquanto eu franzia o cenho.

- Acabei mudando bastante nesses últimos meses, estou aprendendo a não ser uma vadia completa. – sorrio ao lembrar da minha loirinha e de seu sorriso grande. – Enfim, o assunto aqui não sou eu. Quer me dizer o que houve?

- Eu sou a filha do meio de sete. Sempre sofri uma pressão inimaginável pelas partes de ambos os meus pais. Mas hoje foi o estopim para tudo. Eles sempre quiseram que eu eu seguisse a profissão da medicina, mas aquilo nunca foi para mim, nunca me senti atraída como eles. Apesar de essa ser uma empresa incrível e de uma influência absurda, não era isso que eles queriam para mim.

- É isso que você quer para sua vida?

- É. Eu estou adorando fazer parte disso, e até ouso sonhar em, talvez um dia, ter um posto mais alto e poder ajudar mais gente no meio disso tudo. Eu sei, utópico, não é?

- Não mesmo. Esse é um pensamento certo de uma pessoa que gosta mesmo de fazer o que quer. Você consegue ir além, ok? Você já é maior de idade, não precisa mais dar ouvido ao que eles falam. Só tente aguentar e passar por isso com a cabeça erguida. – franzo o cenho ao ver seus olhos negros me observando com cuidado. – O que houve? Tem alguma coisa no meu rosto?

- Ahn... é. Parece que sim. – meu corpo dá um choque quando vejo sua movimentação abrupta e sinto seus lábios esmagando os meus. Ela estava quase em cima de mim, com a boca cobrindo a minha, mas eu estava estática demais para fazer alguma coisa. Bem, até eu me lembrar de Emma e espalmar minhas mãos em seus ombros, a empurrando para longe de mim.

- Você está... – o choque foi maior ainda ao ver minha namorada ali, alguns passos distante, com os olhos marejados e a boca entreaberta. Meu coração apertou e meus joelhos vacilaram. Não, não, não! De novo não. – Amor...Emma! – ela me empurra com uma mão, fitando os pés cobertos pelo all star – Emma, por favor, me escuta. Olha pra mim, amor. Olha pra mim e me escuta.

- De todas as pessoas do mundo, você era a única que eu pensei que jamais faria algo para me machucar. – dito isso, as portas do elevador se fecham e Zelena me puxa pela cintura, me fazendo chorar alto em seu peito.

- Ela se foi, Zel. Eu preciso ir logo atrás dela. Ela pode fazer alguma bobagem, não posso deixar isso acontecer. - tento me soltar dos braços da minha irmã, mas ela não permite, ainda me apertando contra seus braços. – Me solta, Zelena! Me solta!

- Eu não acredito que você pôde fazer isso com ela! Você é suja, Regina! Suja! – arregalo os olhos ao ouvir a voz de Ruby e ao sentir seu tapa forte contra meu rosto. Zelena abre a boca para falar algo, mas a afasto, juntando as mãos e olhando para a morena.

Meu corpo todo ainda parecia em estado de choque, tal como meus pensamentos. Não conseguia formar uma linha de raciocínio correta.

- Ruby! Por favor, você precisa acreditar em mim. Eu não fiz nada disso, foi um erro! Você sabe que eu a amo mais que tudo, por favor, não me olhe assim também.

- Claro, sempre é. – ela desdenha e minha visão embaça.

- Por favor, não me trata assim. Senhorita Fields, diga que foi um erro! Diga! – eu berro, me aproximando ainda mais da menina que me fitava com um semblante desentendido.

Eu só tinha vontade de estapear aquele rosto sonso de falsa samaritana. Como eu pude cair tão fácil em sua lábia?

Emma nunca iria me perdoar.

Eu não podia viver sem a minha loira. 

- Eu achei que você estava me dando mole!

- Te dando mole? Você está maluca, garota? Eu estava sendo gentil com uma das minhas empregadas, como eu sempre sou! Agora sim eu sei por que não fazia isso antes. – apanho minha bolsa e chamo o elevador com as mãos trêmulas pelo nervoso.

- Você vai pra onde, Regina?

- Vou atrás da minha mulher. Quando eu voltar, espero que você esteja fora daqui, ou eu não responderei por mim! – aponto para a mulher e dou as costas, entrando no elevador.

Meus próximos passos foram quase como borrões e peças embaralhadas. Só lembro de ter engatado a marcha no carro, e, minutos depois, ter estacionado em frente a casa de paredes amarelas. A luz de seu quarto estava acesa, e eu conseguia ver um vulto se movendo de um lado para o outro.

Bato várias vezes na porta, até ser atendida pela minha sogra.

- O que está acontecendo? Emma chegou aqui quebrando tudo, nervosa e chorando. – nem peço licença, apenas passo rápido por ela e por David sem nem desejar uma boa noite. Aquilo era mais importante do que qualquer coisa.

Meu coração acelera ao ouvir o barulho de algo quebrando dentro do seu quarto. Abro a porta em um supetão e a vejo ali, sentada no canto de seu quarto, com a cabeça enterrada nas pernas e abraçando os joelhos. Seus ombros moviam rapidamente, me mostrando que ela estava chorando.

Eu prometi que nunca machucaria ela.

Me sentia um nada nesse momento.

- Oi. – como se tivesse levado um choque, Emma se levanta rapidamente, tentando manter distância do meu corpo. – Meu amor, vamos...

- Não me chama assim, Regina! Não...me...chama...assim! – ela fala pausadamente com a voz baixa e trêmula. Seguro o choro, sentindo meu coração doer.

- Nós precisamos conversar como adultas. Eu preciso te contar minha versão da história.

- Regina...

- Não, Em. Por favor. Você disse que sempre estaria comigo, me ouve, por favor. – ela suspira, senta na ponta da cama e olha para seus pés descalços. – Scarllet é a nova secretária que eu contratei. Assim que cheguei, eu a vi chorando bem na porta do meu escritório. Eu me preocupei, Emma. Não porque sinto algo por ela, mas porque a garota é um ser humano, me achei no dever de ajudá-la de alguma forma, exatamente tentando ser a pessoa que você está me ensinando a ser. – pego suas mãos entre as minhas, e solto uma lufada de ar ao perceber que ela não negou o contato. – Eu a levei para meu escritório, lhe dei água e disse que ela podia falar comigo. Quando menos esperei, a garota estava quase em cima de mim, me beijando. Eu a afastei assim que dei por mim. Me desculpa, meu amor. Me desculpa por te fazer se sentir assim, nem sei o que se passa em seus pensamentos agora. Não queria ter te feito chorar, isso me dói mais que qualquer coisa.

- Eu só... – ela soluça, abraçando o corpo. – Eu achei que você tivesse cansado de mim, cansado da gente. Ninguém nunca ficou tanto tempo ao meu lado sem se cansar.

- Você achou que eu fosse como todo mundo?

- Eu não queria acreditar que você era como todo mundo, mas tudo me indicava o contrário, você me indicou o contrário quando a beijou, mesmo que não tenha sido algo consentido, no momento, não pareceu isso. 

- Você ainda acha que eu sou como todo mundo? – Emma me olha com os olhinhos pequenos e vermelhos, assim como a ponta do nariz.

- Continua a história.

- Enfim, ela me beijou, mas eu afastei assim que o choque passou e eu te vi, ali, me olhando tão triste e decepcionada. Eu fiquei com medo de te perder, meu amor. Não conseguiria suportar uma outra perda assim.

- Não entendi.

- Acho que nunca te falei isso, até porque nunca senti que era algo muito necessário ou porque não estava pronta para tocar nessa parte do meu passado. Eu, há uns dois anos atrás, fiquei com um cara qualquer em uma balada que fui com Zelena, nós dois acabamos transando no banheiro e eu fiquei grávida dele, mesmo sem nem lembrar seu nome no dia seguinte. - ela arregala os olhos e eu solto um sorriso triste. Esse assunto sempre acabava comigo.

- E-eu não sabia disso.

- Nunca tive coragem de contar. Ninguém, além de Zelena, sabia que eu estava grávida na época. Quis manter no sigilo, até mesmo para evitar “mal olhado”. Coisa de gente antiga que sempre me alertou sobre isso. Enfim, quando atingi o sétimo mês da gestação, meu bebê já estava do tamanho de um mamão, talvez de uma melancia, eu tive um aborto espontâneo. – fecho os olhos fortemente ao lembrar da dor, dos choros e dos gritos. Zelena me encontrou desmaiada dentro do meu banheiro, sangrando muito. – Meu belo menininho, meu pequeno anjinho.

- Você já tinha escolhido um nome?

- Henry, igual ao nome do meu pai. Uma homenagem que ele nunca saberá. Você entende agora por que não lido bem com perdas? Não aguentaria te perder também, Emma. – solto um suspiro e ela se aproxima de mim, me enrolando em um abraço quente e cheio de afeto e mútuo entendimento.

Ali, me sentia protegia e compreendida.

Eu não precisava esconder quem eu era dela.

Emma é meu porto seguro, ela sempre estaria comigo, não importa o quão quebrada eu fosse, ela tentaria juntar meus pedacinhos, e vice versa.

Me sentia sortuda.

- Não consigo nem mensurar o que eu estou sentindo agora. Estou, realmente, muito abalada com sua história. Obrigada por compartilhar ela comigo.

- Você faz parte da minha vida agora, Em. Você me perdoa por esse mau entendido? – Emma cola nossas testas e acaricia minhas bochechas, fazendo meu coração parar na garganta.

- Eu nem tenho nada para perdoar. Você não teve culpa, ok? Eu agi de cabeça quente, te falei algo que não deveria ter falado. Também peço desculpas. Acima de tudo, eu confio em você com a minha própria vida, nunca duvide disso.

- Isso significa que estamos bem?

- Significa que eu nunca mais sairei do seu lado, madame. – sorrio grande e ela beija a ponta do meu nariz, passando uma perna para cada lado do meu corpo e sentando em meu colo.

- Eu te amo tanto.

- Eu te amo bem mais.

- Isso é impossível.

- Não é mesmo. Se eu digo que amo mais, eu amo mais, Regina Elizabeth!

- Injusto.

- Lide com isso. Vem, deita aqui comigo. – minha namorada me puxa para deitar em seu peito, e começa a fazer um carinho bom na minha cabeça.

Seu perfume bom de baunilha e canela me fez soltar uma lufada de ar.

As memórias haviam me invadido como uma cachoeira desregulada, mas, de alguma forma, ela conseguia me acalmar sem nem precisar falar nada.

Nosso amor era assim: calmo e silencioso.

Não precisava lhe dizer o que eu estava sentindo, mas eu o fazia mesmo assim.

Não precisava lhe dizer quando eu estava com uma tpm dos infernos, já que ela sempre me trazia chocolates e cafunés só por ver meus olhos pidões.

Não precisava dizer que eu achava seu cheiro o melhor do mundo, mas eu o fazia só para que ela derramasse um pouco do seu perfume em meu pulso com uma explicação rebuscada sobre como ela mesma teve a ideia de sua própria fragrância, fazendo seu cheiro impregnar em mim pelo resto dia.

Eu não precisava dizer que a amava mais que tudo, mas o fazia porque meu coração sempre gritava para tratá-la como a garota mais especial do mundo, exatamente o que ela é.

- Nosso amor é maktub. É, isso mesmo! Demorei para lembrar, mas é exatamente essa a palavra. – franzo o cenho ao ouvir seu sussurro.

- Perdão?

- Significa que ele já estava escrito, tinha que acontecer. Nosso amor tinha que acontecer, e meu destino sempre foi te encontrar naquele sinal, com aquele gorro amarelo, na pior fase da minha vida, justamente para que você pudesse me ensinar a viver novamente, a entender que a vida não é só atropelar os dias como se eles não fossem nada demais. Você veio para me mostrar que o amor pode sim curar até a mais danificada das almas.

- É agora que você me pede em casamento? – brinco e riu ao ver seus olhos esverdeados arregalados. – Eu estou brincando, meu amor. Nem sei mensurar minha felicidade ao te ouvir falar tudo isso. Eu também acho que nosso amor seja maktub. E eu amo sua forma de ver o mundo, de me ver, de ver nossos amor e de sempre esperar o bem em todo mundo. Você é o um em um milhão.

- Eu te amo.

- Eu também te amo, meu amor.

- Promete estar aqui quando eu acordar?

- Prometo.


Notas Finais


Eu disse que não ia durar por muito tempo, não disse? Pois é, eu cumpro minhas promessas ;)
Enfim, o que acharam do capítulo? Entenderam a Regina? Choraram na parte do Henry? Porque, eu sim. Demais.
Vou pedir uma coisa pra vocês, sempre que eu não tô muito legal, ligo algumas músicas no fone e isso me faz bem melhor. Queria que vocês me indicassem algumas, se puderem e quiserem, claro.
Obrigada pela leitura e pelos comentários do último capítulo. Vocês são demais!
Beijos da tia Izah <3


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