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História Broken - Bakugou Katsuki - Capítulo 9


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Notas do Autor


*não*, repito, NÃO romantizem relacionamento abusivo, o casal principal dessa fanfic é sim problemático, e sim precisam de terapia, vamos ter cenas bonitinhas ? Sim teremos! Mas ainda sim não deixa de ser um relacionamento conturbado, se, tu, você aí vive essas situações, coloque um fim nisso, porque não é que na fanfic o carinha tem um arco de redenção, que na vida real vai ser assim! Essa fanfic tem humor como uma maneira de deixar mais leve a fanfic, mas sério! Conselho de Tia Clara!

Capítulo 9 - Estranho


Fanfic / Fanfiction Broken - Bakugou Katsuki - Capítulo 9 - Estranho

- Sim, aí depois ele veio pra cima de mim com tudo, e quase me matou asfixiada!- eu treinava a individualide de Kirishima como forma de descontar a minha indignação enquanto Shinso estava sentado no chão me encarando, era pra ele estar treinando também, mas prefere ficar sentado ouvindo meu desabafo. Levantar os pesos passou a ser algo normal desde que enfiei na minha cabeça que chegar no nível de endurecimento do Eijiro me garantiria alguma coisa no festival, ontem fui dormir segurando um hand grip de ferro pra conseguir canalizar toda a revolta que eu sentia, os nós dos meus dedos acordaram vermelhos hoje de manhã, esqueci de ativar a individualide de Kirishima e fiz o exercício com a minha mão mesmo, mas gerou resultado pra mim pelo menos, levantava os pesos de 11 kilos em uma mão sem sofrer agora, pelo menos meu braço não estava rachando, Hitoshi acompanhava os movimentos de sobe e desce do meu antebraço com os olhos - Eu juro que se eu pudesse ter acertado um murro no nariz dele eu teria acertado - Seria um estrago bonito levando em conta que Kirishima só falta me mandar tomar epotren pra ficar mais forte!

- E por que não fez?

- Porque ele estava com a mão no meu pescoço, qualquer movimento brusco iría servir de gatilho pra individualide dele, e eu não tava afim de receber uma explosão no lugar aonde talvez seja um pouco vital pra mim- Respondi mudando de mão, eu estava estressada, Shinso me chamou pra treinar depois da aula e agora estávamos do lado de fora do ginásio com ele me vendo por pra fora toda a minha raiva em forma de exercícios, ele queria me ensinar a usar a lavagem cerebral dele, mas preferiu me deixar descontar a raiva fazendo esforço e depois me treinar. Quando eu estivesse mais calma

Bakugou e eu não estávamos nos falando, ele até tentou ter alguma linha de diálogo comigo hoje de manhã, quando foi me chamar pra treinar porque Kirishima mandou, mas a única coisa que saiu dali foi mais ofensas e ódio. Se ou soubesse que uma manhã pós discussão seria tão ruim quanto o dia da discussão, eu teria ficado quieta, e engolido o desaforo, pois assim eu não precisaria ter sido acordada com uma travesseirada na cara, duas horas antes do meu despertador tocar, queria ter socado toda a minha raiva no nariz dele quando me virei e vi que estava em pé no meu com sua famosa "cara de bunda" 

- O que você quer?

- O squad vai treinar - Ele cruzou os braços me encarando como se esperasse eu me levantar e ir com eles, Bakugou não veio até mim por livre espontânea vontade, isso significa que Kirishima quem o mandou me chamar, e eu já estou de saco cheio do kiri tentar resolver meus problemas com o Bakugou, mandando ele vim falar comigo, isso só resulta em mais discussões

- Você vai junto?

- Claro

- Então eu não vou!- Me deitei na cama novamente me virando pra parede, enquanto puxava a coberta, que ele aceitasse o não e fosse embora dizer pro Kirishima que insistiu mas não conseguiu me tirar da cama, invade meu quarto e espera que eu sorria pra ele? Sem contar do show que ele deu ontem

- E vai fazer o que em relação ao festival? Treinar com aquele emo?- Senti minha coberta ser puxada, e de novo a tecla do Shinso, segurei firme o edredom enquanto ele tentava me tirar dali - Vai logo sua merdinha, eu não tenho o dia todo

- E ta fazendo o que aqui ainda? Se não tem o dia todo!- Virei o rosto pra poder enxerga-lo - E eu vou sim treinar com o Shinso, prefiro treinar com um emo esquisito do que com um babaca basculho Zé ruela!

- O que é basculho?

- Não importa!- Quase gritei me virando para a parede me cobrindo, esperei até que ele saísse do quarto mas não ouvi nenhum barulho de passos indicando que ele havia ido embora, o que ele estava fazendo aqui ainda? Pensando seriamente se ele me mataria sufocada com um travesseiro ou esperava o festival pra lutarmos um contra o outro e ele fazer parecer um acidente

Allyson, você precisa parar de pensar que todo mundo quer te aniquilar!

Um peso extra foi adicionado na minha cama, jogado era a palavra certa! — e  minha coberta foi puxada, virei o rosto e Bakugou estava deitado ali com o braço encima do rosto, de barriga pra cima, o que é isso? Psicologia reversa? Ele se deita pra mim querer levantar?

Não... Isso seria uma estratégia muito inteligente. Olhando assim ele até parece um animal racional

- Eu não vou pedir desculpas- Ele começa antes de eu dizer qualquer coisa... E quem disse que quero suas desculpas? Eu quero é que você seja expulso do bloco com 100% de rejeição, seu ridículo! - Você tá errada 

- O que?- Me sentei na minha cama e encarei ele ali ainda deitado- Eu tô errada?

- Não sou eu quem ta andando com um cara que quer puxar meu próprio tapete- Bakugou tentava ser o mais desinteressado possível, nem mesmo me encarar pra me dar um sermão ele encarava, mantinha o braço encima dos olhos. Maldito ar de superioridade. Ele que pegue seu ego e enfie num lugar aonde não cabe!

- Quem você pensa que é pra entrar no meu quarto, deitar na minha cama e ainda vim me dar lição de moral- Puxo minha coberta indicando que ele estava encima dela, mas Bakugou não pareceu se importar - E se quer saber, ele é meu amigo e me conheceu antes de declarar guerra contra a nossa sala, e eu não ligo se é meu rival

Bakugou abaixou o braço me encarando - Mas eu ligo 

- Não me importo! - Ele se senta ficando frente a frente comigo - Mais algum problema?

- Eu vim aqui pra te buscar pra treinar, não pra falar do seu namoradinho- Minhas sobrancelhas se ergueram, namoradinho? Ele realmente usou a palavra namoradinho? Eu conheço o cara a menos de uma semana e a gente já discutiu por motivos banais e agora Bakugou vai usar o argumento de que ele é meu namorado? Sinceramente- Vai se arrumar

- Ja falei que eu não vou- Respondo e Bakugou incha, - Vai fazer o que? Me arrastar pelos cabelos?

- Não paga pra ver!- Me deito novamente cruzando os braços enquanto ele me encarava, ele surta, quase me enforca, briga comigo como se fosse meu pai e agora quer vir aqui dizer que a culpa é minha e que eu tenho que ir agradar ele? A faça me o favor, se ele quer ficar ali parado me encarando que fique, posso ficar o dia todo nessa, posso fazer disso uma competição de quem consegue ficar mais tempo sem piscar!

Ficamos nessa idiotice durante uns bons minutos, um encarando o outro, esperando qualquer mínima reação como desculpa pra começar uma briga de verdade. Se ele tentasse qualquer coisa eu pegaria meu abajur e quebraria na cabeça dele, não vou deixar ele fazer o que fez ontem de novo. 

- Allyson - Bakugou começa a falar mas

- Que lindos, dividindo a cama!- Ouvimos a voz de Kirishima na porta do meu quarto,  Bakugou ficou quieto de novo voltando a sua carranca de sempre. Ergui a cabeça e vi o ruivo ali segurando uma caneca fumegante-  Se resolveram?

- Se você não tirar ele de perto de mim eu juro que ligo pra polícia e digo que ele tentou me matar!- Apontei o dedo na cara de Katsuki e Kirishima entra no quarto até a beirada da cama

- Se enfiar esse dedo na minha cara de novo eu faço você engolir ele, sua idiota - Bakugou segura minha mão e eu a puxo de volta, depois disso eu respondi que "idiota é a sua mãe". Kirishima pareceu prever um incio de uma briga e puxou ele da minha cama o tirando de lá, no café eles não estavam e preferi assim, não queria ter outra seção de ofensas, azedaria o leite do meu cereal, quando cheguei na escola encontrei Shinso sozinho e fomos juntos até o andar das salas de aula, antes de entrar ele me convidou para treinar mais tarde "eu prometi que te deixaria usar minha individualide lembra?". Foi a justificativa para o convite, no fim das contas aceitei e agora estamos aqui, fazendo ele de ouvinte enquanto conto sobre a treta'

- Desculpa por ser o motivo de sua briga- Shinso fala se levantando - Não achei que te traria problemas

- Relaxa, se não fosse você ele arrumaria outra desculpa pra caçar confusão- Observei Shinso se aproximar e segurar os pesos da minha mão, soltei, entregando eles a Shinso, que os coloca no chão e volta a ficar na minha frente - Você não vai puxar meu tapete né - Perguntei com receio dele me achar idiota, iria parecer que eu estava dando ouvidos ao Bakugou

- E por que eu faria isso com você? 

- Bom, eu sou do curso de heróis, mais especificamente da sala que você declarou guerra!- Gesticulo com as mãos enquanto tento explicar, Hitoshi prestava atenção - Tipo cara, seria muita sacanagem se você me passasse a perna - Tentei sorrir pra não soar como uma acusação

Ouvi uma risadinha baixa enquanto ele segurava meu pulso e trazia pra perto dele puxando a minha luva, fazendo minha mão ficar totalmente exposta

- Se eu quisesse te passar a perna eu não te ensinaria a usar a minha individualide - Ele junta nossas mãos fazendo com que sua quirk fosse passada pra mim, os dedos dele deram indício de querer se fecharem, olhei sua mão e faltava pouco pra se entrelaçar na minha - Nem se quer tentaria ser seu amigo

Sua individualide foi decifrada pelo meu corpo e instalada, lavagem cerebral, uma quirk capaz de controlar a vítima até que eu decida parar, ao menos que o alvo receba algum golpe forte o suficiente capaz de romper a ligação, uma individualide ativada por voz, e que pode ser usada em mais de uma pessoa se todas me responderem ao mesmo tempo. Shinso tem uma arma na mão, meus olhos foram até ele que esperava alguma reação

Resolvi testar, pegá-lo de surpresa

- Não aconteceu nada- Falei e ele pareceu surpreso

- O que?- Foi tão simples, com uma pequena palavra, ele me respondeu e a individualide o pegou, Shinso parecia estar num estado de transe, parado sem se mover

- uou!!- Dei a volta nele o vendo ali estático, funciona! - Meu Deus funciona!- Exclamei cutucando ele, nem se quer uma reação- Ta e agora? - Parei na sua frente esquecendo que ele não podia falar- Mano' eu não sei como desativa!- Fiquei nervosa com a hipótese de que ele poderia ficar ali parado pra sempre se eu não conseguisse desativar a sua individualide, minha única reação foi acertar um 'tapão em seu braço fazendo ele acordar, rompendo a ligação- Desculpa eu esqueci de perguntar como parava!

- Nossa, você bate com força!- Ele massageia a area que recebeu o tapa fazendo uma careta de dor, não resisti a aquela cena e comecei a rir, ainda bem que estávamos só nós dois aqui fora, seria muito estranho se alguém visse isso, eu em estado de choque acertando uma mãozada no aluno que todo mundo respeita

- Desculpa!- Repeti entre risos ele esfregava o braço enquanto me esperava me acalmar

- Tabom engraçadinha!- Shinso leva a mão até a nuca e fica ali, me olhando se recompor, respirei um pouco melhor agora e voltei a ativar sua individualide a deixando ali pra que ele pudesse me passar mais alguma lição. Mesmo com a expressão cansada Shinso está aqui sendo paciente, suas sobrancelhas se curvam de repente, estranhei aquilo

- O que foi?

- Seu cabelo - Sua mão vai até minha cabeça e trás uma das minhas mechas  pra frente me mostrando as pontas roxas, iguais as dele, provavelmente a cor dos meus olhos também mudaram para púrpura, era a parte mais interessante da minha individualide. Não me lembro de ter contado essa parte pra ele!

- Aé', as características do portador também são meio que enviadas pra mim- Expliquei- Por que acha que meus dentes de cima ficam pontudos quando uso a individualide do Kirishima?- Soltei o cabelo mostrando as pontas coloridas e ele as tocou novamente. Se demorou ali durante um tempo até que voltou a falar

- Eu gostei - Sorri em resposta e ele me encarou - Posso prender?- Indicou meu cabelo e dei de ombros, com tanto que ele não deixe minhas orelhas a mostra! Entreguei a presilha na sua mão e virei de costas pra que ele pudesse mexer no meu cabelo livremente, seus dedos serviram de pente enquanto erguia minhas mechas fazendo um coque, ele devia manjar' de fazer penteados o dele era grande apesar de estar sempre armado e pra cima, aposto que prende igual ao do Aizawa, os dois são praticamente a mesma pessoa. Fiquei quieta esperando ele terminar e senti seu dedo tocar gentilmente minha nuca e descer até a gola da camiseta - Pronto

Me virei e ele estava com a mão de volta ao seu estado habitual, atrás da cabeça, Imitei seu gesto arrancando uma risadinha nasal da parte dele, e permaneci com sua individualide deixando meu cabelo com a cor igual a da dele já que tinha gostado, Shinso era um cara legal, como podem terem o acusado de se tornar um vilão somente pela individualide? As pessoas podiam ser cruéis as vezes. Lembro de que muitas meninas não faziam amizade comigo pois achavam que eu roubaria suas individualides por inveja ou qualquer coisa, foi difícil me inturmar, então crescer com meus primos foi o que deu pra fazer, não reclamo disso, até porque eles foram minhas melhores companhias, mas será se Shinso teve alguém pra estar do lado dele enquanto todos o atacavam? É tão injusto julgarem alguém por sua individualide, é quase tão ruim quanto julgar alguém pela cor da pele, eu sei porque sou uma das poucas pessoas pretas aqui, e mesmo no meu país já era algo difícil. Menina, preta de periferia com uma individualide de plágio, o combo perfeito

Olhei em volta o lugar todo vazio, os alunos treinavam dentro do ginásio e era possível ouvir o som que eles faziam lutando ou praticando qualquer outra coisa

Do outro lado do ginásio era uma área verde, talvez nem seja grama de verdade, mas era bem aparada com alguns arbustos cortados em quadrados iguais, esse pequeno lugar me lembra algumas apresentações de capoeira no campo que tinha na minha comunidade, das pessoas na roda enquanto as duas no meio lutavam, o som dos instrumentos. Eu poderia usar essa luta como estratégia no festival se chegasse nas finais. Meu mestre provavelmente me daria um sermão dizendo "não se deve usar a capoeira pra brigar, não importa se é defesa pessoal, respeite o significado histórico"  Como se alguma vez eu já dei ouvidos a ele. Já bati muito nos meus primos ao som de Paranauê 

As músicas eram a melhor parte

Bati a mão na perna fazendo um leve batuque enquanto dava pequenos passos até o gramado, esquecendo que Shinsou estava logo atrás, me permiti até cantarolar uma das canções que eram tocadas, "adeus camarada adeus, adeus que ja vou me embora!"

- O que foi?- Shinso pergunta e me viro na sua direção, cantando bem baixinho em português

Quem parte leva a saudade, quem fica soluça e chora!- Sorri pra ele e voltei a encarar o gramado ainda cantarolando, Shinsou para ao meu lado encarando também a pequena área verde. Olhar esse lugar, essa escola, a oportunidade de alcançar meu sonho, me mudar pra cá, largar tudo pra trás e morar nesse país e me tornar uma heroína. O que eu estava pensando? É loucura! É uma oportunidade única mas, eu amo tanto a minha casa, minha família, se eu ficar seria quase impossível ver eles, mas se eu fosse embora estaria desistindo de ser Herói, mesmo com todas as pessoas que conheci aqui, as amizades que fiz, trocar minha casa por esse lugar sério uma decisão que eu não queria enfrentar, olhei Shinso que me deixava a sós com meus pensamentos e não fazia perguntas. Ele percebeu que eu o encarava e se virou também, apenas sorriu brevemente, antes que ele me perguntasse o por quê da minha mudança de comportamento, falei - Saudade de casa! - Quase sussurrei mas foi o suficiente pra que ele ouvisse

- Tudo bem 

Todos aqui deviam sentir saudades de casa... A maioria pelo menos, mas eles ainda podia sair e visitar suas famílias, quando chegasse o natal eu não teria um lugar pra ir, ficaria nós alojamentos enquanto todo mundo estaria em casa, a ideia de passar essa data sozinha fez meu estômago pesar, Shinso percebeu que algo estava errado pois me chamou

  - Allyson, por que não me conta um pouco sobre você?

Ergui as sobrancelhas diante da sua pergunta, não havíamos conversado muito sobre essas coisas, pelo menos não até agora

- É... O que quer saber?- Perguntei 

- Da onde você é? - Me virei novamente para o gramado antes de começar a falar

- Eu sou... De São Paulo!- Respondi - Quer dizer, nasci em Rio Grande do Norte, mas minha mãe se mudou pra São Paulo assim que eu nasci!- Ele se senta no meio fio enquanto prestava atenção em mim - Até umas semanas eu morava no Vila nova Cachoeirinha, lá pro fundão sabe, bem pro morro- Falava como se ele soubesse aonde ficava- Mas não veio só minha mãe e eu não, minhas duas tias também vieram com os filhos também, então meio que sou a única menina crescida no meio de vários moleques, porque nenhuma delas tiveram filhas

- Então é daí que vem seu jeito moleque?- Não era um julgamento, era mais como uma brincadeira no seu tom de voz, acenti e ele faz um movimento com as sobrancelhas

- A cara, quando se é uma das poucas guria' no meio do vários meninos a gente precisa aprender a se virar sabe, a bater de frente- Dei leves soquinhos no ar - A meter o louco tá ligado?

- Acho que sim

- Ou é isso ou eles se aproveitam!- Sentei do seu lado - Pelo menos aprendi a me defender! Quer dizer, quando eu consigo!- Sempre fui boa de briga, mas quando o vilão me atacou, foi quase um soco no estômago, eu fiquei completamente sem reação, não pude fazer nada até que Bakugou apareceu. Era pra gente estar treinando agora. Não, você viu o que ele fez, aposto que nem se quer se importa de você não estar lá, então não ligue você também.

- Mas então, sua mãe é de Rio grande do Norte junto com suas tias, e seu pai?- Shinso começa a falar e estendo as pernas no chão, me apoiando pelas mãos que estavam no gramado, soltando o peso do meu corpo sobre os braços

- Sei lá!

- Como assim sei lá?

- Nunca tive essa conversa com ele - Shinso me encarava agora - Na verdade não tive conversa nenhuma com ele!- Consegui rir um pouco pra amenizar a situação - Ele nem deve saber que estou do outro lado do mundo

- Nossa, allyson isso é... - O mesmo olhar que Kirishima fez pra mim, de pena. Qual é, eu não sou a única pessoa com o pai ausente, por que toda essa comoção?

- Relaxa. Eu até que me acostumei com a ideia de não ter pai, é de boa, nunca precisei dele mesmo!- Meus olhos vão até os meus pés que se batiam um no outro - E quer saber ta de tranquilo, não precisa sentir pena, foram dezesseis aniversários, natais, dia das crianças, páscoa e dia dos pais sem ele,  e tá tudo bem minha mãe serviu bem o papel dos dois

- Sua mae deve ser uma santa!

- A ela é!- Ri com a lembrança da minha mãe, as memorias de meus amigos me chamando pra ir pra escola dizendo pra mim não esquecer de por água para o cachorro, pois ouvia os gritos da minha mãe xingando a três ruas abaixo da minha- Nossa casa nunca foi assaltada sabia, chamavam minha mãe de espanta ladrão. Pois qualquer coisa ela virava um alarme! - Shinso tentou segurar a risada mas não conseguiu - Por que acha que meu tom de voz é alto? Ei sabe de uma história que minhas tias contavam pra justificar o porque que eu e minha mãe falamos tão alto!?

- Não, qual é?

- É que quando a mãe quer que um bebê aprenda a falar mais cedo, ela coloca um pintinho de galinha na boca dele - Comecei a rir antes mesmo de terminar de contar a história - Mas comigo e com a minha mãe foi logo um galo inteiro!

Hitoshi se curva pra frente começando a rir junto comigo, foi um dos sons mais incríveis que ouvi, Shinso era alguém conhecido por ser sério e quieto, ouvir ele rir dessa forma era algo incomum, e saber que fui eu o motivo da sua risada deixava meu peito quentinho, por um instante fiquei parada observando aquela cena, será se Bakugou ria dessa forma contagiante? Por que eu tô pensando no Bakugou rindo? 

Shinso se acalmou voltando a me olhar de volta - O que foi? Você fica sempre me olhando

- Seu sorriso é bonito!- Confessei descaradamente e seu rosto ficou levemente vermelho - É sério! - Empurrei seu ombro como forma pra descontrair- É bem aberto e grande - Fiz um arco no ar com os dedos gesticulando o tamanho do sorriso dele - É bonito

- Sem graça!- Ele esconde o rosto virando pro outro lado - Obrigada

Voltar para o dormitório foi um sacrifício, pois Shinso me perguntava sobre as minha vida no Brasil e eu me perdia nas histórias o que resultava em nós dois parados no meio do caminho com ele ouvindo atentamente e eu rindo que nem besta das minhas memórias, mas no fim conseguimos nos despedir depois de muitas tentativas, sem antes ele mexer nas minhas mexas roxas uma última vez

Antes de entrar no bloco desativei a individualide para que ninguém me perguntasse de quem era 

Fui até a cozinha  diretamente e o vi ali, Bakugou mexia nós armários e pareceu não notar minha presença, apenas passei por ele em silêncio na direção do geladeira na intenção de pegar a jarra de água

- toma - Ouvi Bakugou dizer e virei o rosto na sua direção, ele segurava um embrulho em papel alumínio, devia ser algo de comer, estranhei aquele gesto e o encarei - Pega logo, esse é seu

- O que é- Segurei o embrulho e ele se afastou encostado no armário de braços cruzados, abri o embrulho

- Mina foi na conveniência e comprou lanche pra gente de novo, todos ajudaram dando um pouco de dinheiro 

- Quanto que foi? Pra mim pagar ela?- Perguntei levando a mão ao bolso da calça, na intenção de pegar minha carteira

- Não precisa pagar ela - O olhei com uma expressão de questionamento, por que? - Eu já paguei a sua parte

-Então diz quando que deu pra mim te pagar 

- Não, fica de boa- Ele evitava me olhar, então apenas não perguntei o motivo da sua atitude, só coloquei o hambúrguer no balcão, pegando uma faca na gaveta, ele parecia prestar atenção no que eu fazia, pois senti o peso de seu olhar, cortei o lanche no meio repartindo ele, estendi uma metade pra ele - O que ta fazendo?

- Você pagou meu lanche, então coma a metade- Insisti e ele negou - Eu não vou aguentar comer tudo de qualquer forma - Isso pareceu o convencer, deveria ser mão de vaca pra aceitar o lanche do que deixar que eu jogasse fora o que não aguentei comer - Quites

- Olha Allyson - Ele começa a falar assim que me virei para o balcão - Foi mal - Ele falou isso mesmo? Me virei na sua direção e ele me encarava - perdi a razão quando coloquei a mão em você

- Isso é um pedido de desculpas?- Sorri o provocando e Bakugou revira os olhos

- Eu ainda acho isso uma palhaçada, mas entendo que não teve necessidade daquela briga na quadra, e a vida é sua e você faz o que quer dela eu não me importo - Isso tá mesmo acontecendo?

 - Foi o Kirishima quem te mandou dizer isso?

- Não - Por essa eu não esperava - Eu vim aqui por vontade própria 

- Uau - Ficamos em silêncio um tempo até, encarei o chão durante alguns segundos, até começar a ficar desconfortável - É... Eu também não devia ter te xingado - Até ele pareceu surpreso - Apelei pra ofensa então... Eu entendo sua preocupação com quem ta contra a gente, devia pensar um pouco antes de sair me aliando com outras pessoas

- Meu Deus você tem juízo!- Ele soa irônico e eu acabo rindo

- Idiota - Ri um pouco - Eu ainda considero ele meu amigo, mas vou tomar cuidado pra não ser passada pra trás- nos olhamos um tempo - Desculpa

- Ta desculpada!- Ele estende o punho fechado e encosto o meu nele, mas sua mão vai para meu pulso e me puxa pra perto, fiquei de frente pra ele - Agora me conta - suas sobrancelhas abaixam dando um ar misterioso - O que é basculho?

Era isso que ele queria saber?

Lembrei da briga de mais cedo e me permiti rir, chemei ele de Zé ruela também

- Basculho é tipo... Resto de alguma coisa - Suas narinas dilataram, provavelmente vai me xingar - Qual eu tava puta de raiva com você

- Vou começar a te chamar de basculho também sua retardada - Bakugou tentou soar agressivo, mas não resisti e comecei a rir, tudo pra pertubá-lo, e o que incomoda o dia todo era saber o que era basculho? Esse cara me surpreende 

Dei um soquinho leve em seu peito - É justo! 

- Vai comer seu lanche logo - Ele segura minha mão que estava em seu peito em punho fechado por causa do soquinho e abaixa a cabeça

Pensei em puxar a mão mas ele estava agindo tão tranquilo que parecia outra pessoa, resolvi deixá-la ali, até que ele ergue o rosto me encarando

- O menina pra dar trabalho em!- Ele resmunga e eu começo a rir - Puta que pariu, você sabe como me tirar do sério

- É um dom!- Ele fica me encarando um tempo, ainda segurando minha mão, olhar ele de perto sem a vontade de socar a cara dele era algo estranho, a proximidade, eu podia ver todos os detalhes, o nariz perfeitamente reto e impinado, que ódio, aquele nariz era bonito até de mais, sua pele parecia tão bem cuidada de perto que poderia usar isso para encher o saco dele, Bakugou não era um cara feio, muito pelo contrário, era um dos moleques mais bonitos que eu já vi na vida, e saber que ele me deixa a maior parte do tempo com vontade de soca-lo era uma ironia, se fosse em outra situação ele poderia facilmente virar alguém que eu teria um crush' secreto, sua boca estava entre aberta e podia sentir seu hálito quente encostar no meu rosto, tão perto que chegava ser estranho, seus olhos passeavam pelo meu rosto da mesma forma que eu fazia com ele, por um instante senti minha mão agir sozinha e se erguer na intenção de toca-lo, de encostar no seu rosto. Eu tinha o péssimo hábito de encostar nas pessoas, como faço com o cabelo de Shinso, com as costas de Kirishima ou qualquer outra pessoa que tive o mínimo de afinidade, mas Bakugou, nem se quer seu cabelo rebelde eu havia tentado sentir, e agora por pura mania eu queria encostar em seu rosto. Ele parecia querer fazer o mesmo pois sua mão ficou visível na minha frente, as costas delas tão próxima de mim que um arrepio de nervosismo correu por mim. Mas tão rápido que esse pensamento veio, ele foi embora. Voltei a minha órbita dando um passo pra trás - Eu... Vou comer antes que esfrie!- Cocei atrás da orelha tentando fazer passar aquela sensação esquisita e Bakugou fez o mesmo passando a mão no rosto

- Tá, eu vou pro meu quarto!- Ele desencosta do balcão e passa por mim saindo da cozinha, todo o ar que eu nem fazia ideia de estar segurando foi solto assim que fui deixada sozinha, só vi suas costas quando ele entrou no corredor, o que acabou de acontecer? Passei a mão no cabelo jogando algumas mexas pra trás me virando para o lanche no balcão

Uma vergonha muito grande tomou conta de mim naquele momento, eu e ele estávamos perto a ponto de sentir a respiração um do outro, era algo completamente normal nas nossas brigas, mas agora foi uma situação diferente, não consegui comer o lanche sem ficar parando pra encolher o corpo com vergonha a cada fração de segundo, durante a madrugada não tive coragem de descer pra beber água, passei a madrugada com sede mas não iria encara-lo, imagina o clima bizarro que não deve estar entre a gente?!

Aquilo me fez agarrar o travesseiro e me forçar a dormir para a garganta seca não me incomodar, o que caralho aconteceu naquela cozinha? Escondia a cabeça debaixo do travesseiro como tentativa inútil de fugir daquela onda insuportável de vergonha

Não me lembro direito quando eu peguei no sono, só me lembro de estar no automático de manhã enchendo minha caneca de café enquanto todos ainda chegavam pra comer, achei que tinha esquecido sobre o episódio de ontem, mas foi tudo por água abaixo quando ele apareceu na cozinha, parecia ter pensado o mesmo que eu pois ele parou e me encarou um pouco corado, e tentou evitar me olhar o máximo possível

Me virei pra televisão numa tentativa de distração e bebi meu café

Kirishima me encarava estranho, parecia tentar entender o por quê eu estava tão quieta de manhã, geralmente eu estaria sentada na mesa com ele conversando, ergui as sobrancelhas numa pergunta silênciosa e ele da de ombros não entendendo, foi quase que podíamos entender o pensamento um do outro, pois movi a cabeça pro lado e indiquei Bakugou com os olhos e Kirishima mexeu a cabeça perguntando o que, fiz um movimento com o labio inferior querendo dizer também não sei e Kirishima revira os olhos e me encara com uma expressão acusatória  você sabe sim, que eu sei! Devolvi uma de cara para de ser louco! O que foi? 

Ele se levantou e veio até mim de fininho

- O que rolou?- Olhei em volta e abaixei o tom de voz

- Eu não sei, a gente se resolveu e agora parece que estamos se evitando - Não contaria sobre ontem, nem sei o que rolou ontem, muito mesmo se podia ser compartilhado 

- Tem certeza mesmo que se resolveram?

- Sim, eu até dei a metade do meu lanche pra ele!- Dei de ombros e Kirishima encarou Bakugou que estava do outro lado da cozinha

- Estranho

Sim, estranho, esse clima é estranho, ontem foi estranho, tá tudo estranho

 

 

 

 


Notas Finais


Adeus camarada adeus - https://youtu.be/BsZ1wUKQSFI

Gente um favor que peço a vocês que lêem fanfics, deem apoio aos autores, comentem, curte, compartilha com alguém sobre a fanfic que Você esta lendo, tem tantos criadores de fanfic que estão parando de escrever por falta de incentivo, as vezes um simples "continua" faz diferença


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