História Broken - Capítulo 9


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bts, Escravidão, Jungkook, Romance, Sohee
Visualizações 26
Palavras 2.692
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá amores, como estão?
Passei aqui para deixar mais um capítulo, antes da semana começar...

Espero que gostem!
Boa leitura :)

Capítulo 9 - Pesadelos


Fanfic / Fanfiction Broken - Capítulo 9 - Pesadelos

Os pesadelos do Jungkook pareciam estar piorando a cada dia. Ele tinha pelo menos um, todas as noites. Sohee, quase conseguia prever quando ia acontecer. Em média, levava por volta de 40 minutos para os pesadelos começarem, depois que o escravo se deitava.  

"Por favor." 

Para alguém que quase não falava durante o dia, o Jungkook tinha bastante a dizer quando ele estava sonhando. Era sempre assim, calmo no início, apenas algumas palavras aleatórias escapulindo dos lábios do escravo. Os sonhos dele, pareciam ser bastante intensos e vívidos. Quase todos, se transformavam em pesadelos. Só quando o Jungkook dormia, que sua voz se elevava de um tom suave e sussurros secos, para murmúrios altos e palavras quebradas, que só faziam aumentar de volume, eventualmente, se tornando indecifráveis, mas não nessa noite. Nessa noite, as palavras estavam claras.  

— Eu apenas quero ir pra casa. Por favor? Meu pai vai voltar para me buscar... 

— Ele não me vendeu! Você está mentindo, você é um mentiroso!! Não é verdade, não é, não pode ser... 

Sohee levantou da cadeira para se ajoelhar perto da cama, em seguida, ela começou a alisar as mechas negras do Jungkook, enquanto falava com ele, dizendo que estava à salvo agora. O seu toque macio e sua voz, conseguiam acalmá-lo nas noites anteriores, mas dessa vez, não estava dando certo. 

— Não é verdade, meu pai vai vir me buscar, você vai ver. Eu tenho me comportado, eu tenho sido bom. – o Jungkook estava banhado em suor, se revirando e se mexendo na cama, numa agitação sem fim. 

— Sshh, Jungkook. Está tudo bem, é só um sonho, só um sonho ruim. – Sohee sussurrou suavemente.  

— Não deixa ele me levar. Eu não quero. Faz ele para, por favor? – os olhos redondos do garoto se abriram e ele olhou direto para a Sohee, mas ela não tinha certeza o que ele estava realmente vendo, ela podia apostar que ele nem sabia onde estava.  

— Ninguém vai machucá-lo, Jungkook, nunca mais. Você está seguro aqui, apenas descanse um pouco.  

— Ele está me machucando, dói!! Você precisa fazer ele parar, por favor!! – o garoto estava implorando, seus olhos brilhando no escuro do quarto, refletindo medo, enquanto suas mãos se levantavam para agarrar a blusa do pijama da Sohee. Durou apenas um segundo, ele logo a soltou, caindo de novo na cama e chorando desesperadamente.  

O Jungkook soava tão jovem e ele tinha mencionado o seu pai. De acordo com o seu arquivo, o pai e a madrasta do Jungkoook tinham vendido o garoto quando ele tinha apenas oito anos, para poder quitar uma dívida.  

— Aonde você está, Jungkook? – Sohee perguntou. — Você sabe aonde você está? 

— E-eu não sei, eu não gosto daqui eu... – a Sohee viu o exato momento que ele recobrou a consciência.  

— Você está seguro, Jungkook. – ela repetiu, pegando a mão do garoto e segurando-a firme.  

— M-me desculpe, Senhorita Im. – o escravo gaguejou. — Eu... 

— Não precisa pedir desculpas. – Sohee o assegurou. — Esses sonhos que você tem, eles são memórias, não é? 

Foi a primeira vez que ele hesitou antes de respondê-la. O Jungkook a encarou silenciosamente por um momento, antes de assentir de leve com a cabeça.  

— Você pode me contar, o que você acabou de se lembrar no sonho? – Sohee viu a relutância dele, mas pressionou. — Eu sei que é algo difícil de se fazer, mas acredite em mim, falar sobre essas coisas ajuda. – ela disse, apertando a mão do garoto te leve. — Converse comigo, Jungkook. 

Sohee o viu engolir em seco, viu os olhos do garoto desviarem dos dela e focar em algo na parede oposta. — O sonho estava todo embaralhado. E-eu pensei que quando eles me tiraram da escola de escravos, eu iria voltar para casa. Eu pensei que meu pai iria me buscar, mas ele nunca veio... eu não sabia. – ele pausou, mordendo o lábio inferior.  

— Você não sabia que eles tinham te vendido? – a garota não conseguiu esconder a surpresa.  

Jungkook balançou a cabeça. — Eu não acreditei neles, nas outras crianças da escola. Eu ainda não conseguia acreditar, eu achei que eles estavam mentindo, eu não entendia o porquê que eu estava lá. Eu... eu me recusei a acreditar que era verdade, até o momento que e-ele me mostrou o comprovante da compra. – o Jungkook voltou a olhar para a Sohee. — Porque meu pai faria isso? 

Embora a Sohee soubesse que era comum, que era algo que muitas famílias faziam quando tinham alguma dívida ou muitas bocas para alimentar, ela ainda não conseguia imaginar como um pai e uma mãe tinham coragem de fazer isso. 

— Pelo o que eu pude entender, sua família estava cheia de dívidas. Provavelmente, a família inteira teria sido levada sob custódia, separada e vendida individualmente. Eu sei que não é uma desculpa para o que eles fizeram... 

Jungkook a interrompeu. — Eles deviam me odiar, não é? Eu sempre achei que meu pai me am... – ele pausou, balançando a cabeça, sem olhar para a Sohee. — Não importa mais. 

— Você os odeia, pelo o que eles fizeram?  

O Jungkook franziu o cenho. — E-eu acho que eu deveria. Eu os odiava, mas... não sei.  

— Tudo bem. Não existe uma resposta certa ou errada, Jungkook.  

— Mas eu sinto que deveria existir.  

Sohee assentiu. — Você pode me contar mais sobre o sonho? Você disse que estava embaralhado... 

— Eu estava na limusine, depois de ser liberado da escola para escravos. Foi a minha primeira vez, mas ele... 

— Ele? – Sohee indagou. — De quem você está falando? – Sohee fazia uma boa ideia de quem o Jungkook estava se referindo, mas o garoto estava claramente relutante em dizer o nome.  

— Senhor... – ele teve dificuldades em continuar. — C-Choi, a minha primeira vez com ele, não aconteceu da forma que apareceu no sonho. A primeira vez que ele transou comigo não foi na mesma noite da limusine, foi depois que ele... me preparou para isso. No carro, no dia em que eu o conheci, ele apenas... – o Jungkook mordeu os lábios novamente. — Ele não transou comigo, o sonho estava embaralhado.  

O escravo estava chorando, uma corrente contínua de lágrimas silenciosas escorregavam por suas bochechas e a Sohee estava se contendo ao máximo para não chorar com ele. A Sohee se inclinou, levando uma mão até o rosto do escravo, limpando suas as lágrimas, mas ela não tinha certeza se o Jungkook fazia ideia que ele estava chorando. Em seguida, ela alisou o ombro dele, devagar. 

— Você pode me dizer o que aconteceu na limusine, naquela noite? 

— E-eu queria o meu pai, não queria ir com o Sr. Choi porque assim, não teria como meu pai me encontrar. Eu lutei contra ele, mas... ele abaixou as minhas calças e me colocou de barriga para baixo no seu colo. Ele me deu uma surra tão forte, que eu mal consegui respirar e então... foi apenas o dedo naquela noite, doeu, mas... ele não transou comigo. 

— Você deve ter ficado apavorado.  

Jungkook assentiu.  

— Tanto quanto na primeira noite que ele tirou sua virgindade? 

— N-não. – o escravo mordeu os lábios mais uma vez, sacudindo a cabeça. — Eu fiquei aterrorizado o dia inteiro, não dormi na noite anterior. 

— Ele te falou o dia que iria transar com você?  – Sohee tentou manter a voz estável, escondendo toda a sua revolta, mas ela não sabia se tinha conseguido. 

— Ele... – o Jungkook levou uma mão trêmula ao rosto, para coçar os olhos. — Ele disse que algo tão importante quanto minha primeira vez, não deveria ser apressado. E-eu tive que ser adequadamente preparado para isso. Eu aprendi muita coisa, antes... antes de perder a virgindade.  

— Mas ele chegou a te machucar na primeira vez? 

O escravo assentiu. — Era o meu dia especial, o Sr. Choi disse. Todos os funcionários, todo mundo tinha que estar presente. Ele me forçou a ficar de frente, para que todos pudessem me ver no colo dele, pudessem assisti-lo enquanto ele me f-fodia. Doeu tanto, tanto. Eu implorei para ele parar, mas ele continuou, ele... uma das escravas que ficava na cozinha, e-ela era nova, eles disseram que ela chorou durante toda a transa, eu não lembro muito bem, mas... – Jungkook sacudiu a cabeça. — O Sr. Choi disse que ela arruinou o meu dia especial, então ele pegou o chicote e mutilou o rosto dela. Tudo culpa minha.  

— Não! Não, Jungkook, não foi sua culpa.  

— Eu só... só queria que parasse de doer, eu não entendia.  

— Não entendia o que? 

— A dor, ela nunca para, nunca. E não há nada que se possa fazer quanto a isso. 

 

** 

 

Fazia muito tempo que o Jungkook não pensava no seu pai, anos talvez, ele mal pensava em sua madrasta e no seu irmão mais velho e agora, ele sentia dificuldades em se lembrar do rosto deles. Mas ele conseguia se lembrar daquele dia, quando as pessoas da Indústria Escravocrata apareceram no pequeno apartamento alugado onde sua família morava. Ele se lembrava com clareza, como se fosse ontem. 

Quatro estranhos entraram, três homens e uma mulher, todos vestidos em ternos escuros. O Jungkook já tinha visto o seu pai vestido de terno antes, ele tinha pegado emprestado do seu cunhado, quando precisou comparecer numa corte. O terno mal dava nele e o seu pai não parecia contente naquele dia. 

Relembrando esse dia, o Jungkook se deu conta de que os seus pais estavam esperando a visita da Indústria; só ele, o seu pai e sua madrasta estavam em casa naquele dia, o seu irmão, tinha ido para a casa do tio do Jungkook na noite anterior. Foi a primeira vez que o Jungkook se lembrou de ter tomado banho quente. Esquentar a água, custava mais do que a sua família podia gastar e sua madrasta sempre fazia questão de frisar esse ponto. Na época, o Jungkook tinha estranhado ter esse luxo. A sua madrasta também tinha cortado suas unhas e aparado o seu cabelo.  

Ela esteve bastante ocupada naquele dia; limpou a casa de cima à baixo e tanto ela quanto o seu pai, tinham se arrumado mais do que o normal. O Jungkook tinha apenas oito anos, mas ele notou o quanto que seus pais pareciam estar estranhos, desconfortáveis. Eles também estavam calados, mal falavam, nem brigaram como costumavam a fazer todos os dias. 

O Jungkook não entendeu quem eram os visitantes, ele apenas ficou sentado no sofá, desconfortável em sua camisa apertada demais, enquanto os visitantes conversavam com os seus pais, fazendo inúmeras perguntas. Eles perguntaram algumas coisas para o Jungkook também, sobre sua família, até mesmo sobre a sua mãe biológica que tinha falecido. Mesmo naquela época, o Jungkook mal conseguia se lembrar dela, apenas a cor do seu cabelo, seu toque suave quando ela lhe carregava, coisas pequenas. Quando ela ainda era viva, eles moravam numa casa decente com um jardim, ele se lembrava disso. O Jungkook também lembrava de ter um cachorro, mas o garoto não conseguia se lembrar o que tinha acontecido com ele.  

Eles perguntaram sobre sua casa e sua escola. A mulher fez um quiz rápido de matemática e português, para testar suas habilidades. O Jungkook aprendia as coisas rápido, ele não era o melhor aluno da turma, mas tinha uma média decente. A mulher falou para sua madrasta, que eles tinham conversado com os professores do Jungkook, que eles estavam contentes com o progresso do garoto. 

Um dos homens, era médico. O Jungkook ficou meio surpreso que o doutor estava lá para fazer um check up nele. Seus pais sempre se preocuparam com a possibilidade de qualquer um na família adoecer, de ter que levá-los para um hospital, por conta do custo. O Jungkook teve que ir para cozinha com o seu pai e o médico, e se despir completamente. Ele não queria ter feito aquilo, mas o Jungkook sempre obedecia ao seu pai.  

Tinha sido o primeiro exame físico que o Jungkook tinha feito na vida e tinha o aterrorizado, principalmente, quando o médico examinou o seu pênis e suas bolas, em seguida, fazendo com que o garoto se debruçasse e tocasse os seus pês, para que ele pudesse examinar o ânus do Jungkook. O garoto sentiu o desconforto do seu pai também, mesmo que o homem não tenha dito nada durante todo o processo.   

O Jungkook recordou que o médico ficou bastante satisfeito com a inspeção, e a mulher se juntou a eles na cozinha, tirou algumas fotos dele nu – de perfil, de frente e de costas – para colocar nos arquivos. Ela também recolheu as digitais do Jungkook, numa maquininha digital.  

O Jungkook se lembra de ter voltado para a sala de estar e ter visto o seu pai assinar vários papeis. No início, o seu pai estava relutante em assinar os papeis, mas a sua madrasta tinha puxado o homem para um canto e conversado com ele. O Jungkook não tinha conseguido escutar sobre o que eles conversaram, mas estava claro que as palavras eram duras. Eventualmente, o seu pai retornou e assinou os papéis. 

Uma semana depois, chegou uma carta e ele lembra que sua madrasta começou a chorar e sorrir ao mesmo tempo; o seu pai, não sorriu e mal falou uma palavra. O Jungkook lembrou do seu pai o puxando para um canto, naquele dia cheirando à álcool. Ele explicou que o Jungkook iria para uma escola bastante especial e disse o quanto que o garoto tinha sorte.  

Seu pai o levou para escola, que ficava em Seoul, uma cidade grande que ele nunca tinha visitado. Eles foram para lá de ônibus. O Jungkook se chateou com o seu pai, quando o mais velho disse que o Jungkook teria que morar na escola a partir daquele dia, já que a escola ficava em outra cidade. 

A mulher que visitou sua casa, estava esperando na porta da escola quando eles chegaram. Ela encaminhou o Jungkook para um quarto e lhe deu um uniforme para vestir. A mulher recolheu todas as suas roupas, o coelho de pelúcia que ele gostava de dormir e o resto de suas coisas. O Jungkook nunca mais viu seus pertences novamente. 

O garoto se esforçou na escola. Trabalhou duro para aprender tudo que eles o ensinaram. O Jungkook deu o seu melhor para se comportar direitinho, esperando que se ele obedecesse, ele seria capaz de voltar para casa. No início, o Jungkook tinha certeza que ele foi enviado para aquela escola, porque ele tinha se metido em encrenca na escola anterior e era por isso, que ele não podia ficar perto da sua família e também era por isso, que aquela escola era tão rígida.  

O Jungkook tentou obedecer a todas as regras, mas por mais que ele se comportasse, ainda assim, era levado para a unidade de disciplina da escola. Era só lá que ele se permitia esbravejar, ele chorava e gritava pelo seu pai, para a dor parar, para que alguém o levasse para casa. 

Jungkook podia escutar soluços entrecortados e demorou um pouco para ele perceber que aqueles sons estavam vindo dele mesmo e que ele não estava mais na escola para escravos.  

O garoto olhou para o rosto preocupado da Senhorita Im, se dando conta de onde estava e o que tinha acabado de acontecer, morto de medo das consequências. 

Ele tentou pedir desculpas, mas as palavras estavam presas em sua garganta, não queriam sair.  

— Sshh. – ela o acalmou. — Está tudo bem, Jungkook. Você está à salvo. – os dedos dela acariciaram a bochecha do garoto e os seus cabelos, enquanto ela ainda estava de joelhos ao lado da cama. — Eu vou pegar algo para ajudar você à dormir, algo que o Dr. Kim deixou para você. Apenas tente relaxar, ok? 

— Sim, Senhorita. – ele forçou as palavras, sua voz rouca.  

Ele mal sentiu o tempo passar e logo, o lado de sua cama estava afundando com o peso da garota. Sohee tinha voltado e o ajudou a ficar sentado na cama, lhe entregando uma pílula branca e um copo de água. Enquanto ele bebia, suas mãos tremiam, balançando o copo.  

— Deite e durma um pouco. – ela falou, tocando os seus dedos gentis pelo rosto do garoto, à medida que ele deitava na cama. — Sem pesadelos dessa vez... 

O toque suave continuou, mesmo depois  do Jungkook sentir o sono tomar conta do seu corpo. 


Notas Finais


Gostaria de agradecer a todos que favoritaram essa fic até agora!
Obrigada, pessoal e até o próximo cap. <3


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