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História Broken Candy - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Essa é uma história comum, criada para satisfazer pensamentos difíceis.
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Irei atualizar as tags à medida que a história se desenrolar.
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A história não é centrada em Kiribaku, mas terá menções românticas do casal.
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Postada originalmente no AO3!
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Avisos: uso de drogas e entorpecentes.

Capítulo 1 - Good times for a change


Bons tempos, para variar.

Imitando um sussurro abafado, Bakugou cantou para si sua música favorita dos “The Smiths” ao subiu no ônibus.

O dia amanheceu chuvoso e as gotas de água marcavam as janelas fechadas do ônibus. Ir embora ao som do seu tempo favorito era uma graça que admirava.

A fim de esconder sua presença, vestiu largas roupas pretas e cobriu o rosto com o capuz de seu casaco. A máscara que usava sobre a boca pareceu muito confortável com o frio que fazia, e ninguém poderia ver sua expressão de desconforto.

Bakugou era irreconhecível naquele dia frio de 2011. O charme que invadiu o visual de todos seus fãs, seus óculos de sol, apoiava-se em seu fino nariz, como sempre odiou. Era sua marca registrada. Todo mundo conhecia o garoto loiro de cabelo espetado com os olhos escondidos por trás de grandes marcas de óculos, e todos queriam imitar seu estilo. Até o próprio Bakugou.

O desejo dos grandes admiradores era conhecer a verdadeira cor de suas íris, e para suas tristezas, nenhum conseguiu capturar a luz que refletia em sua alma.

O ônibus deu partida e moveu-se pela estrada molhada. Desse jeito, encoberto de mistérios e alegorias, despediu-se de cabeça erguida a um novo futuro.

 

No inverno de 2011, Bakugou despediu-se de ninguém e decidiu largar “HerOnes”.

Os tristes dizeres estampados nas capas de revistas denunciavam a confusão causada pelo seu sumiço. O espaço vazio entre os membros da banda, o lançamento do novo álbum “Lies”, a procura inesperada de um novo rosto para assumir a marca de óculos “GAZE”, e a chegada da modelo que atraiu o olho de grandes nomes da moda.

A depressão evidente dentro da banda foi um acaso, o seu sumiço foi outro. À medida que o tempo começava a ficar mais frio, e as poças d’água cresciam ao redor das calçadas, “Lies” vendia como café. “You’re a liar” era o single da vez, e as rádios repetiam a música a cada mudança de programação. Os fãs decidiam ler a saída de Bakugou ao som de “Lying on your sheets”, e as folhas de jornal acabavam se deteriorando, escondendo a página de acidentes que comovia famílias e outras notícias.

Em um piscar de olhos, fãs teciam a relação do marketing de “HerOnes” com a presença de Bakugou. Críticos assumiam o papel de profetas e anunciavam que seria difícil fazer um álbum tão bom quanto aquele. Artistas pintavam homenagens ao ensaio fotográfico da banda. E todos acreditavam que Bakugou não tinha desaparecido.

Nos encontros das rádios, eram apenas eles, sem Bakugou. Mina no teclado, Sero no baixo, Kaminari na guitarra, Kirishima na voz, e Deku na bateria. A ficha caia aos poucos para todos.

Foi difícil achar um substituto pra Bakugou quando mais da metade das músicas era cantada pela sua voz selvagem. A bateria era um adendo, mas nas turnês ninguém fazia um solo como ele. Deku ousou na sua primeira vez no palco, apenas para ser atacado com a faca de dois gumes dos jornalistas.

Ninguém sabia o paradeiro de Bakugou.

Kirishima tentava copiar o seu jeito cuspido ao iniciar um verso, e sua garganta começou a ter problemas. Os dedos de Deku não aguentavam as fortes batidas que Bakugou fazia nos pratos e tons, e sua pele começou a ficar desgastada.

E como os críticos previram: HerOnes nunca mais fizeram um álbum tão bom quanto “Lies”.

Na primeira turnê depois do sumiço de Bakugou, os fãs ainda acreditavam na volta do feroz loiro. E foi isso que levou aos ingressos esgotados. Primeiro acreditaram que Bakugou era uma bênção, para depois jurar que era uma maldição. Todos eram movidos pela esperança de Bakugou Katsuki. E quando a última música tocou na arena lotada, aceitaram que era o fim.

Kirishima engoliu as lágrimas quando a última música foi cantada pela sua voz crível. As letras eram escritas para um tom indecifrável, provocando questões que não seriam respondidas, e não para a sua calmaria.

Assim que Deku deu a primeira batida fraca no prato e Kaminari iniciou os acordes de “Vulture” na guitarra, ele sentiu que as coisas não seriam como antes. Os holofotes vermelhos caídos sobre si e as luzes azuis banhando os outros integrantes repetiam em sua mente a cegueira do amanhã.

Nunca iria esquecer aquele show, porque foi um dos piores da sua vida.

 

Ao longo do dia, urubus caminham sobre barcos e o que acompanha as carcaças dos bichos mortos são as suas fontes de alimento.

No camarim, ao final do último show da turnê, Kirishima estava puto. Kaminari brincava dizendo que toda a energia ruim de Bakugou assombrou o amigo, por não acostumar ficar com raiva daquela forma.

— O pessoal 'tá louco lá fora, Sero! — Mina brandia, levantando ao ar um drink de tequila recém colocado no seu minúsculo copo.

Sero brindava com ela fazendo um high-five.

— Não acho que é muito pela nossa performance, na verdade...

No canto da sala, Deku dizia para si uma resposta intrusa direcionada a Mina, que felizmente não ouviu.

O baterista retirava a longa faixa bege que continha o sangramento da epiderme exposta. Segurar a água mineral pediu muito mais de sua mão que o necessário. A agonia que fez seus dedos tremerem foi o bastante para impedir que se hidrata-se e volta-se os olhos ao brilho do plástico que parecia sua pele.

Kirishima aproximou-se de Deku, bagunçando seu cabelo verde pingando de suor. Pegou uma água do frigobar ao seu lado e sentou na cadeira de ferro à sua frente. Jogou água em seu rosto e balançou a cabeça como um cachorro. Ao longe, Mina reclamou da sua falta de educação enquanto enchia o copo mais uma vez.

Kirishima, em silêncio, largou a garrafa de água no chão e pediu licença para pegar as mãos de Deku. Com um aceno de cabeça, mostrou seu trabalho no início e Kirishima continuou o que faria.

— Deku, acho que não vamos conseguir durar sem o Bakugou. — Em um tom contido, Kirishima pareceu revelar um segredo.

Deku assentiu convencido de sua opinião. Separou um amontoado de algodão ao seu lado para que o vocalista pudesse limpar suas feridas.

— Eu sei.

Kirishima tremia enquanto segurava a mão de Deku. Ainda estava em êxtase do show que acabara de dar, mas não queria se sentir assim. Estava abatido com a ideia de não tocar mais sem a banda completa.

— Eu gosto de você, cara. Tu sabes tocar a bateria muito bem. Consegue entender a opinião de todo mundo, evita brigas, obedece às nossas vontades. Você é muito foda. Mas você não é o Bakugou. Da mesma forma que eu não sou o Bakugou.

Deku riu.

Ninguém era e poderia ser Bakugou Katsuki.

— Tu sabias que as nossas brigas aconteciam só por causa do Bakugou? Não eram brigas, brigas. Eram desentendimentos. A gente dizia “Bakugou, toca isso”, e ele tocava outra coisa. Eu ficava satisfeito. Tudo que ele fizesse eu estaria lá, aplaudindo. Mas Kaminari é alguém bem certinho às vezes. Ele dizia “Bakugou, toca isso direito, porra!”.  E o Bakugou “vai se fuder”, depois “a bateria é minha, eu toco como quiser”, e tacava a baqueta no Kaminari. Foi assim que ele virou o nosso vocalista principal. Eu era o vocal de apoio.

Kirishima colocou as faixas delicadamente sobre sua mochila, e pegou o algodão. Molhou-o com água e aproximou o rosto para retirar o resto de sangue que estava em alguns locais. Segurava firme seus pulsos, e toda a atenção de seus olhos vermelhos estavam em limpar a ferida dos outros.

— Acho que nós fizemos um bom trabalho — Deku disse, beliscando o braço de Kirishima, ignorando os cuidados que o ruivo estava tendo.

— Eu não ‘tô dizendo que a gente não fez. — Kirishima desvencilhou os dedos de Deku. — A gente explodiu o lugar, Deku. Ingressos lotados, single no top 20, a Mina quebrando o teclado, o Sero fodendo com o baixo, o Kaminari arrancando as cordas da guitarra. Mas nós não fomos os “HerOnes”. Ficou evidente que a gente ‘tava tentando fingir que não tinha um buraco nós.

Deku reclamou quando Kirishima apertou o algodão em uma parte de sua mão, mas o vocalista pareceu não ligar.

— Eu nunca entendi as letras que o Bakugou escrevia. Às vezes eram gritos, às vezes eram resmungos. Parecia que ele cuspia algo do fundo da garganta e usava isso pra tacar fogo nas coisas. Ele era um dragão vivo. Você olhava direto nos seus olhos e queimava junto com ele. Nós nunca seremos dragões.

Deku concordava em silêncio. Ele nunca encarou o ex-vocalista por mais de um minuto, e sempre que o olhava, seu rosto estava coberto com algum óculos escuros de marca. Mas sabia o que Kirishima falava, pelo menos, do ponto de vista de um fã de carteirinha.

Olhando sua pele ferida perto do toque de Kirishima, temeu que o vocalista acabasse por abrir mais cicatrizes nas dobras de suas articulações que fechá-las com um bom tratamento.

— O álbum vendeu muito bem porquê pensaram que o sumiço do Bakugou era marketing, saca? Quem não conhecia a gente, correu pra ouvir o nosso som. E foi assim que a gente lotou esse estádio. No próximo álbum não atingiremos essa marca, e eu acabarei voltando para aquele maldito bar do fim da “Pararela” e torcer pra não morrer de fome. Ninguém vai estender a mão para mim de novo como o Bakugou.

Quando Kirishima retirou os dedos que apertavam o pulso de Deku, o local estava marcado. Nem sentiu que, enquanto cuidava para limpar os espaços pequenos da pele do baterista, sufocava a circulação que iria para sua mão. A parte de Deku que segurava estava pálida, quebradiça, gelada. Parecia que tocava um defunto.

— Kirishima, você deveria esperar o novo álbum chegar pra saber se vai dar certo ou não. Eu vou te ajudar com isso. Não vou sair da banda.

Deku não pareceu se importar com a musculatura dormente, pois entrelaçou os dedos nos de Kirishima e prometeu alegre um futuro incerto.

Kirishima fechou os olhos após um tempo olhando o rosto sereno do companheiro. Com a delicadeza que não teve ao limpar suas mãos, segurou os dedos finos do baterista. Levou as mãos tratadas de Deku para sua testa, e como em uma oração, abaixou a cabeça.

O contato deles escondeu o momento que Kirishima deixou que lágrimas escorressem por suas bochechas.

— Eu sinto falta daquele bastardo.

Em frente a porta do camarim, Kaminari pulava de excitação com o barulho do lado de fora do cubículo.

— Kirishima, os caras querem entrevista! 'Bora logo responder esses abutres pra vazarmos.

Kirishima pararia de respirar se Bakugou pedisse, e como ele não estava por perto, continuou vivendo da forma que conseguia.

 

Deku estava certo em continuar com a banda, mas Kirishima também não estava errado. Os críticos não sabiam de nada que a banda já não soubesse. Eram uma falha.

Eles continuaram com esse misto de otimismo misturado com desgraça. Nenhum show que fizeram depois daquele lotou arena, e os álbuns foram de Rock pra Folk. Desse jeito, os dedos de Deku não cairiam antes dos vermes comerem sua carne, e as cordas vocais de Kirishima suportariam um grito sôfrego em seu leito de morte.

"HerOnes" se tornou o marco da mudança musical em 2013, e ao longo dos anos, o nome de Bakugou era falado no passado.

Quando esqueciam o nome do vocalista, uma matéria surgia explicando sua importância para a cena musical. Seu estilo rebelde e seu comportamento feroz que ameaçavam qualquer um continuava sendo reproduzido, e enchendo os olhos dos jovens de um brilho indecifrável. O menino inquebrável, sem defeitos, frágil como um diamante, e explosivo como o estrago de uma dinamite.

Esse era Katsuki Bakugou.



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