História Broken Faith - Capítulo 6


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Notas do Autor


Oi, oi! De volta estou, espero que gostem do capítulo!
Agradecimento especial à Allehyuuga pelo comentário <3
Boa leitura!

Capítulo 6 - Fase 1: Cidade natal (Roses)


Fanfic / Fanfiction Broken Faith - Capítulo 6 - Fase 1: Cidade natal (Roses)

Chapter VI: Roses (by Shawn Mendes)

 

Quantas vezes posso ver o seu rosto? Quantas vezes você vai me deixar? Eu só preciso deixar que você saiba que eu não estou tentando começar um fogo com essa chama, mas estou preocupado de que seu coração sinta o mesmo, e eu tenho que ser honesto, amor, me diga se estou errado ou é loucura, mas eu te comprei essa rosa e eu preciso saber, você vai deixa-la morrer ou crescer? Morrer ou deixar ir? Não é que eu não me importe com o amor que você tem, não é que eu não queira ver o seu sorriso, mas de jeito nenhum ele pode sentir o mesmo que eu, porque quando penso em você minha mente enlouquece

 

Broken Faith — Phase 1: Damage (the hurting) ​

 

 

Haviam se decidido, por fim, em jantar no restaurante Sense, situado no trigésimo sétimo andar do Hotel Resort Mandarin Oriental. Ino andava a sua frente, desviando elegantemente dos garçons, enquanto ele observava, à sua esquerda, a familiar fileira de mesas quadrangulares dispostas frente as muitas vidraças do lugar. Pilastras de madeira e vidro, que revelavam velas no meio do seu interior, separavam à sua direita as mesas circulares.

 

Haviam abajures discretos na extensão das janelas, enquanto uma fila de lustres iluminava o resto do local. Os tapetes cinza sintéticos abaixo de cada mesa afundavam ante seus pés, e o aroma amadeirado da entrada do ambiente lhe trazia leves lembranças. Era seu restaurante preferido, afinal, sentia-se relativamente mais próximo de casa com o aroma de suas comidas relativamente preferidas. Aquilo em nada se parecia ao Ichiraku Ramen, mas tinha lhe servido pelos últimos anos.

 

Além de tudo, quando levara Ino ali na primeira noite de real encontro, ela havia se apaixonado pelo lugar. A maioria das pessoas deveria esperar que Ino não pisasse os pés em um lugar com menos de cinco estrelas, mas quatro estrelas e meia pareciam o suficiente para alegra-la. Ino não era nem de longe esnobe, ainda que a maioria de suas amigas top models o fossem, tinha uma aura calma, que casava perfeitamente com o rosto geralmente sereno. Os olhos azuis contrastavam com sua pele muito branca, os longos cabelos louros faziam o trabalho de encontrar e percorrer suas denotadas curvas.

 

Naquela noite em específico, havia escolhido um deslumbrante vestido preto, estilo sereia, de costas nuas e inteiramente bordado, a cauda do vestido deslizando pelo piso laminado tão escuro quantos seus saltos. Seus ombros e laterais das costelas estavam à mostra e seu busto era parcialmente revelado pelo decote em V que lhe alcançava a metade da cintura, não deixando muito para imaginação. Optara por usar o cabelo em um rabo de cavalo baixo, o que destacava seus pesados brincos de ouro.

 

Naruto não havia ponderado muito sobre o que vestir, enfiara-se dentro de um smoking preto quinze minutos antes de que sua acompanhante chegasse e apenas penteara os cabelos com as mãos, pela força do hábito. Não tinha dúvidas de que no dia seguinte, alguma revista de fofoca estaria afirmando saber os segredos de beleza do próprio. Não havia segredo, não fosse seu gritante desleixo, mas há muito se acostumara às manchetes que envolviam seu nome, e já não mais se importava.

 

— Acho que aqui está ótimo — a voz de Ino soou, despertando-o de seus devaneios. Foi obrigado a observar o quão linda ela estava naquela noite, esperou por algum sentimento avassalador que lhe consumisse, sem sorte. Ela era linda, e disso ele já sabia.

 

Naruto abriu a boca, preparando-se para dizer-lhe que o lugar que ela escolhesse estaria perfeito, mas foi interrompido por uma voz masculina e levemente familiar às suas costas.

 

— Ah, olhe só, que bela coincidência, Namikaze.

 

Estava um pouco enfadado de sempre ouvir alguém às suas costas, mas quando girou nos calcanhares, afim de encarar o dono da voz, por um segundo quase travou, e no outro encontrou-se estupefato. O dono da voz era o ruivo de olhos verdes que ele tão cedo aprendera a odiar, vestido em um elegante smoking branco, e ao seu lado, a mulher mais linda que já havia visto na vida. Ino era linda, tinha todas as características que agradavam ao gosto geral, mas ela não era uma Hyuuga. Em específico, ela não era Hinata.

 

— Nossa, tenho de concordar. Que raro encontra-los aqui. Gaara, certo? — Naruto estendeu-lhe a mão direita, buscando manter a boa educação e as aparências. — Esta é Ino Yamanaka, minha acompanhante. Esses são Gaara e Hinata — ele sorriu, mas o sorriso não alcançou sua voz, que falhou levemente ao mencionar o nome da morena.

 

Ino prontamente esticou uma das mãos e fez o que, como modelo, fazia de melhor: os entreteve. Foi brecha o suficiente para que Naruto pudesse se demorar na imagem de Hinata, seus cabelos soltos, brilhando no tom de lilás mais forte que ele já vira. Diferentemente de Ino, ela havia optado por um elegante e longo vestido azul Royal de ombro a ombro, que lhe abraçava ao busto e à cintura e caía em ondas de volume sobre o resto de seu corpo. Possuía um decote cruzado que pouco revelava e uma fenda lateral que exibia toda a pele de sua perna direita e saltos dourados discretos que contrastavam com a barra.

 

Havia escolhido longos brincos prata e não usava colar. Seus olhos brilhavam, e ele supunha que fosse de aborrecimento, não poderia estar muito feliz de vê-lo novamente, ainda fora do estúdio. Carregava nos dedos alguns anéis de cor prata e uma pequena bolsa branca que provavelmente guardava um celular e o brilho labial que ostentava nos largos lábios.

 

— Naruto, o que você acha? — Ino o inqueriu, acordando-o novamente de devaneios e, dessa vez, ele não tinha ideia do que deveria responder.

 

Fez uma cara interrogativa para o lado da... Acompanhante, namorada, amiga? Ele não sabia realmente dizer. O relacionamento de ambos ainda não possuía qualquer rótulo, e Naruto não tinha ideia de quando mudaria isso, ou se mudaria. Ino riu descontraída, se havia entendido o motivo para a dispersão de Naruto, certamente fingia muito bem.

 

— Acho que isso significa que ele concorda — a Yamanaka pôs um dos braços em volta do dele e puxou-o em direção a uma mesa de quatro lugares.

 

Naruto evitou o impulso de franzir o cenho e buscou pela expressão de Hinata, os lábios cerrados em uma fina linha, o rosto uma máscara inexpressiva. O Uzumaki não necessariamente era um gênio, mas entendia que ela não estava contente. Quando desentorpeceu seus sentidos, o loiro puxou a cadeira o suficiente para que Ino se sentasse, diante de Gaara. Para o desgosto de Hinata e a confusão de Naruto, ambos sentar-se-iam em frente ao outro.

 

— Bom, acho que devemos fazer o pedido — foi a primeira vez que ele escutou a voz de Hinata naquela noite. Ela pressionava o ombro de Gaara com uma das mãos, este que lhe abriu um enorme e brilhante sorriso cheio de dentes, no ímpeto, parecendo completamente alheio ao fato de que a morena provavelmente queria engolir o que fosse para tão breve saírem dali.

 

Passadas as trivialidades de estudar o menu e fazerem seus determinados pedidos, ainda que Naruto já soubesse bem o que pediria desde o começo, os quatro se dividiram em bebericar copos de vinho branco e a conversa era guiada por Gaara e Ino, salvo algumas vezes em que Naruto com algo concordava ou Hinata algo perguntava.

 

Inúmeras vezes, Hinata acabou por flagrar enquanto Naruto a observava, não muito discreto. Se Gaara ou Ino perceberam, em momento algum se manifestaram.

 

— Bom, como está indo a letra da nossa colaboração, Hinata? — o louro buscou o tópico mais remoto para que pudesse conversar algo com a Hyuuga. Havia muitas outras coisas que gostaria de perguntar, mas não seria correto abordá-la na frente de Gaara, ou Ino.

 

Hinata levou uma garfada de salmão grelhado aos lábios e pareceu propositalmente se demorar em mastiga-lo com vigor. Levou a taça de vinho aos lábios e tomou um gole, encarando Naruto avidamente, sua expressão indecifrável.

 

— Ainda estou à espera de Sasuke, que todavia não me enviou a música — soou entediada, meneando levemente a cabeça.

 

— Ah, Sasuke, ele pode ser tão preguiçoso as vezes — Ino tentou descontrair o clima pesado da mesa, rindo um pouco sem graça. Se Gaara percebeu que havia algum clima, não deixou transparecer.

 

— Assumo que sua parte vai salvar o que quer que ele te envie. Ouvi bastante de seus trabalhos, inclusive tenho uma preferida — Naruto deixou, propositalmente, de fora a parte de que a letra da parceria, na verdade, não era de autoria de Sasuke, era dele.

 

Hinata pareceu lutar para não engasgar com o salmão, pressionando fortemente os lábios um no outro e buscando avidamente a taça de vinho. Ela muito provavelmente sabia a qual música o Uzumaki se referia. Gaara foi quem pareceu mais interessado agora, ao passo que Ino tratou de concentrar-se no prato.

 

— E qual seria? Talvez Wings? — Gaara ofereceu-lhe, e Naruto ainda não tinha certeza se o cara era muito bom ator ou simplesmente denso.

 

O Uzumaki ofereceu um sorriso ao ruivo e voltou a encarar a Hyuuga, que havia finalmente se recomposto, ainda que agora demonstrasse quão nervosa estava com o que Naruto fosse decretar a seguir. Ele queria poder deliberar sobre os mais variados tópicos, mas não queria seguir a linha de ex psicopata que tenta atingir o atual. E, uma certa parte dele, imaginava que causar uma grande cena apenas magoaria mais Hinata, e era exatamente tudo o que ele não queria.

 

— Hometown, na verdade. Certamente foi inspirada pela sua cidade natal, não é mesmo? E por algum cara de lá?  — inqueriu ele, sabendo especificamente que Hometown tinha de ser sobre Konoha.

 

Gaara pareceu curioso agora, sorrindo na direção da namorada. Naruto não entendia bem por que ele parecia tão calmo, talvez fosse muito bem resolvido com o fato de que ela realmente tivera um passado, ou talvez só não fizesse o tipo ciumento.

 

— Sim, era sobre alguém de lá, mas isso foi há muito tempo e certamente foi apenas algo como "uma inspiração necessária" — Hinata manteve um sorriso convincente durante toda a frase, e Naruto sentiu borboletas no estômago. Será que realmente estava tudo acabado para ela? Um capítulo virado e terminado?

 

— Eu sinto como se ele tivesse sido um verdadeiro babaca. Deve sentir muito hoje em dia — era o mais próximo que ele poderia chegar de dizer que sabia o quão imbecil tinha sido.

 

Hinata pareceu saborear sua frase, um tanto quanto entretida, a expressão mais natural que havia testemunhado vindo dela naquela noite.

 

— É, ele foi. E, de fato, ele deveria sentir muito — seu sorriso alcançava sua voz, e aquilo matava Naruto.

 

Não achava que fosse ter alguma chance remanescente com a morena, mas ouvi-la falar tão explicitamente e decididamente como se aquilo nem sequer lhe comovesse mais... Era além do que Naruto poderia suportar.

 

O resto da noite se resumiu em comentários de Hinata e Gaara sobre os trabalhos de Ino, que aparentemente sentia-se lisonjeada. Naruto tentou sorrir em alguns momentos, soltar algumas risadas ocasionais, mas nada além disso. Um vazio invadia sua alma ainda mais profundamente que nos últimos seis anos, sentindo Hinata ainda mais distante do que jamais sentira quando separados por quilômetros. Agora, diante um do outro, estavam separados por uma vida, por erros irrevogáveis e incompensáveis. E lhe doía o peito ter de constatar aquilo.

 

Passado o momento de pagar as respectivas contas, ambas pagas pelo ruivo que insistia a cordialidade, Gaara pediu licença para caminhar até o toilette, poucos minutos depois, acompanhado por Ino. Hinata provavelmente percebeu tarde demais que teria de ficar sozinha com Naruto, ou simplesmente não tivera a coragem de seguir a Yamanaka pelo corredor.

 

—  Foi um prazer, Namikaze — proferiu, lançando ao louro um sorriso contido e claramente forçado.

 

— Vou acompanhar-lhe até a saída, não seria muito cavalheiro de minha parte deixa-la ir sozinha.

 

Hinata poderia ter pensado sobre todas as vezes em que ele não tinha sido um cavalheiro, como, por exemplo, os últimos seis anos, e ele não a culparia. A morena seguiu caminho por entre mesas recheadas de pessoas, sem virar-se a encarar Naruto uma vez que fosse. Quando estava alcançando os elevadores, o louro reagiu de supetão, correu pelos degraus e agarrou-lhe o pulso com o máximo de gentileza que pôde.

 

A Hyuuga virou-se abruptamente, o cenho franzido, olhos buscando uma resposta sensata nos olhos de Naruto. Não existia uma resposta sensata que a boca dele pudesse oferecer, muito menos seus olhos. Ante o toque, o Uzumaki respirou mais fundo, ainda que tivesse apertado a mão dela no estúdio, não tinha sido nada se comparado a tocar a pele de seu pulso, sentir os batimentos dela contra seus dedos. Foi tomado por um desejo de poder tê-la mais perto ou ao menos toma-la em um abraço, mas sabia que seria exigir demais dela, sabia que não tinha direito algum de fazer-lhe tal pedido.

 

— “Você era da minha cidade natal, e era uma sensação boa e quente, até que isso me quebrou e fiquei sozinha para entender como viver agora. Você está nas memórias que tento reprimir, nos sonhos que tento não sonhar e nas manhãs que eu tento não lembrar” — as palavras voaram por entre seus lábios antes que ele pudesse pensar melhor, lágrimas ameaçando romper de seus olhos. — Pode me dizer que essa letra não é sobre mim?

 

Hinata puxou o pulso de sua mão violentamente, seu olhar era um misto de fúria e injúria, como ele há muito não via.

 

— Você realmente é uma obra e tanto — sua voz pingava escárnio.

 

— Apenas me diga. Não pode ter escrito algo como Hometown e não ter qualquer sentimento em relação a mim.

 

Hinata semicerrou os olhos para ele, parecia feroz como uma loba preparada para proteger seus filhotes, custando o que custasse. Naruto cambaleou um pouco, despreparado para o que via desenrolar-se diante de si.

 

— É, eu escrevi sobre você. Mas eu aprendi a viver, desde então. Apenas pare de me assediar, pare de reviver um punhado de memórias estúpidas, pare de tentar me inserir na sua vida, eu não sou mais parte dela. Você é quem foi embora, e da mesma forma que eu aprendi a viver com isso, você deveria começar a aprender mais ou menos por... Agora. Ah, olha só, lá vem a sua namorada.

 

Ela o empurrou fortemente para trás e andou até o elevador, decidida. Antes que ele pudesse reagir de qualquer forma, as portas se fecharam e ela já havia ido embora.

 

 

 

 

 


Notas Finais


Como foram de capítulo? Espero ouvir de vocês através de reviews, me deixaria feliz, e uma autora feliz não quer guerra com ninguém! haha
Nos vemos no próximo!
beijos, Lyvennie.


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