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História Broken skull - Capítulo 2


Escrita por: e Wurgennacht


Capítulo 2 - DEPRESSION:: whispers in the dark


Fanfic / Fanfiction Broken skull - Capítulo 2 - DEPRESSION:: whispers in the dark

“My love is

Just waiting

To turn your tears to roses”

– Whispers in the dark, SKILLET

CID 10 - F33       Transtorno depressivo recorrente

 

3:53

– Minha criança, ainda está desperta?

Silêncio.

Ouvi a sua respiração ao telefone.

– Desculpe por acordá-lo.

– Não há problema. Aconteceu algo, Itachi?

– Eu não consigo dormir, Madara. Quando irá retornar do congresso?

– Ainda faltam 6 dias, devo ministrar mais algumas palestras. Adoraria que estivesse aqui em Berlim e pudesse participar da plateia. Eu teria mais inspiração para explicar os procedimentos se pudesse olhar a sua bela face.

– Eu também gostaria de estar presente. Estou ciente que as novas técnicas de cirurgia em traumatismo cranioencefálico sejam muito interessantes, e que possui muita habilidade em propagar conhecimento. Eu aprenderia bastante contigo.

– E são, de fato, muito interessantes, ficaria fascinado ao testemunhar o que podemos fazer dentro da cabeça de um paciente. Lembra-se do pineocitoma que removi no mês passado, meu anjo?

– Eu me recordo, Madara.

– Felizmente era benigno. Esperei muito tempo com a cabeça do cara aberta, aguardando o resultado da biópsia do material que colhi. Eu poderia ter te vencido 3 vezes no xadrez naqueles 20 minutos em que fiquei fazendo porra nenhuma. Com o novo neuronavegador, eu posso diminuir o tempo da cirurgia na parte da coleta e... Itachi? Está adormecendo?

– Não. Estou bem acordado.

– O que houve com o calmante que te receitei? Acabou?

– Acabou, não tenho mais nenhum comprimido.

– Eu calculei. Deixei comprimidos suficientes para que usasse enquanto eu estivesse fora.

Não houve som algum.

– Por que não está tomando os seus remédios, Itachi?

– Eu esqueci, Madara. Me desculpe pela falha.

– Esqueceu ou não quis tomar?

Silêncio novamente.

– Eu realmente esqueci o remédio. Eu estava lendo um dos seus livros, pois senti a sua falta.

– Boa desculpa, criança. Porém, isso não muda o seu erro. Ainda estou puto por que a princesinha esqueceu de tomar as suas pílulas.

– E você? Tem tomado as suas?

Madara suspirou.

– Eu estou tomando. É a coisa mais simples e madura a se fazer, Itachi. Não há outro jeito.

– A culpa é minha...

– Não é sua culpa, afinal, depressão não é uma doença sexualmente transmissível, ou é?

– Você é mesmo um otário, Madara. Vá se foder, caralho.

– Eu sei que me ligou apenas para ouvir a minha voz, me ouvir te tranquiliza, criança. E também te excita. Está ficando molhado?

Eu arfei ao telefone, o filho da puta me tirava a paciência.

– Não, Itachi. Não é culpa sua. Já falamos sobre isso.

– Você adoeceu depois da minha tentativa de suicídio.

Não foi por sua causa. Há muitas coisas na vida de um homem para deprimi-lo: o preço da gasolina nas alturas, Cinquenta Tons de Cinza ser considerado BDSM, Crepúsculo ser considerado um filme de vampiros, cidadãos de bem, peppa pig, Senjus e o canibalismo ainda não ter sido legalizado.

– Otário, você tem razão. Mas desde quando você não come gente?

– Canibalismo de vísceras, Itachi. Não o canibalismo que eu cometo com as tuas pregas, princesinha.

Eu ri, Madara reconheceu o riso como legítimo.

– Cuida do teu rabo, pois quando eu chegar eu assumo o serviço.

– Meu cu, minhas regras.

– Seu cu, nossas pregas. Meu cinto no seu rabo que será sovado. Boa noite, anjo. Eu te amo muito.

– Boa noite, Madara. Eu também te amo demasiadamente.

Eu desliguei o telefone.

A escuridão persistia.

Segurei a navalha em minha mão destra, premendo a lâmina que ainda estava enclausurada no cabo de madeira. Não ousaria acender a luz, olhar tal objeto e me sentir novamente culpado por meu tio. As suas cicatrizes não eram culpa de sua navalha, aquele havia sido mero instrumento para aliviar a dor que eu o causei seis meses atrás. Nas trevas me era mais fácil sentir o cheiro das rosas carmins em meu quarto, odor proveniente do buquê que Madara havia me presenteado antes de viajar naquela manhã, deitei-me e adormeci. No escuro era mais fácil assimilar que cicatrizes são marcos de sobrevivência. Persistência.

O amor é uma rosa,

A sua simbologia e beleza jamais será morta.



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