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História Broken Stars - Capítulo 10


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Notas do Autor


Hey! Tô passando rapidinho pra deixar mais um capitulo aqui, ele é até que curto e é de transição, mas ao mesmo tempo tem coisas importantes...

As cenas citadas são do capitulo 15 de Devotion "Bruxas - part II"

Boa leitura!

Capítulo 10 - Borboletas


Fanfic / Fanfiction Broken Stars - Capítulo 10 - Borboletas

Era quase bizarro como as coisas podiam ficar frenéticas em Hollywood de uma hora para outra... Depois do anúncio de Jenna no elenco regular de Supernatural a vida dela estava acontecendo depressa demais. Entrevistas, fotos, paparazzi e pessoas desconhecidas falando dela em toda a parte.

Dafne Langdon, sua agente, dizia que aquilo não era sequer metade do que realmente aconteceria quando a série fosse lançada, era apenas um pingo no oceano de Hollywood, que as entrevistas se tornariam maiores e mais relevantes com o passar do tempo e que as pessoas focariam de verdade nela e isso deixava Jenna tensa.

Ainda não podia dar qualquer informação reveladora sobre sua personagem ou sobre a série, e na maior parte das vezes as entrevistas eram uma grande armadilha, mas segundo Rupert White, Jenna estava se saindo bem.

Tinham feito uma longa reunião sobre como se portar com a imprensa e principalmente com os fãs. E Rupert tinha pintado a fanbase da série como um bando de fanáticos perigosos e quase assassinos, o que para Jenna era absurdo, porque até aquele momento tudo que tinha acontecido era terem lhe desejado boas-vindas no twitter, além disso seu número de seguidores tinha aumentado bastante, nada demais.

Ela desconsiderou o que Rupert disse e ele terminou a reunião com um: “falaremos disso de novo quando eles descobrirem que você vai ser o par romântico de Dean Winchester”.

Era estranho que Rupert White parecesse tão preparado para lidar com uma crise, Jenna achava graça disso.

Tinha comentado com Misha e Jared sobre esse assunto na ocasião, Misha riu, disse que a fanbase era muito fervorosa ao demonstrar amor e que isso podia assustar às vezes, Jared no entanto ficou um pouco mais desconfortável... Ele apenas disse que amava os fãs, que sem dúvida eram uma parte maravilhosa do trabalho e que era sempre fantástico estar com eles e receber tanto amor, mas que as coisas podiam ficar complicadas às vezes, porque uma parte do fandom não conseguia separar realidade da ficção.

Jenna achou um tanto exagerado, depois disso não tocaram mais no assunto.

E se publicamente a vida de Coleman tinha dado essa guinada louca, dentro do set as coisas estavam mais calmas. Ela e Ackles tinham concordado com um tipo de trégua não declarada, claro que ainda rolava uma certa competição em cena e claro que não eram amigos, mas as coisas pareciam mais calmas entre os dois.

E isso era estranho...

As gravações estavam frenéticas, a temporada estrearia em breve, por isso estavam correndo para deixar a maior quantidade de episódios prontos. E de uma forma ou de outra a recente trégua de Jenna e Jensen estava contribuindo para que a velocidade da produção.

Todavia ainda era um desafio de autocontrole atuar com ele, principalmente considerando que Dean e Valerie estavam cada vez mais próximos e isso rendia cenas com mais contato físico.

Jenna dizia a si mesmo que era apenas uma atração física como qualquer outra e que não significava nada. Era apenas a beleza inegável do Ackles cretino tendo efeito nela, nada mais...

Estavam gravando fora de Los Angeles outra vez, o tema da semana era “Bruxas”, e Ruth Connel estava no set para fazer seu retorno como Rowena. Aquele episódio era também o capitulo em que Dean e Valerie dariam seu primeiro beijo.

Não era bem um beijo de verdade, apenas um selinho para cortar um feitiço no qual Dean havia caído... Jenna estava sentada no refeitório montado no set com o pensamento bem longe disso naquele momento, o garfo revirando a comida terrível que tinha sido servida naquele dia.

Na verdade, talvez não fosse uma comida tão ruim assim, mas estava com saudade da comida dos pais, então tudo parecia menos saboroso.

— Preparada para a grande cena de mais tarde? — Ruth, que estava sentada no banco da frente, questionou casualmente.

— Não é uma grande cena, é apenas um selinho. — Jenna riu de canto, então deu de ombros, logo depois de tirar os olhos da comida.

Não era diferente do daquilo que já tinha feito no teatro dezenas de vezes.

— Não está preocupada com isso? — Jared entrou na conversa, ele estava do lado esquerdo.

Estavam almoçando juntos os três naquele dia. Geralmente Misha se juntava a eles, mas estavam em núcleos diferentes no momento.

— Eu devia? — Ela devolveu a pergunta.

— Claro que não, é só algo normal no nosso trabalho. — Ruth foi quem respondeu.

— Admiro sua paz de espirito, porque quando eu tinha que contracenar com a Gen eu ficava muito nervoso. — Jared comentou e deu um sorriso um tanto nostálgico.

— Isso porque você era apaixonado por ela. — Jenna lançou, afinal era uma história que a própria Genevieve havia contado.

— Não posso discordar disso... — Ele riu sem-graça.

— Além disso é só um beijo. Nada de mais. — Ela moveu os ombros e se levantou, despedindo-se dos colegas, porque seu celular tinha acabado de vibrar, indicando a hora de retornar para as gravações.

Não estava mentindo, realmente não tinha gastado seu tempo pensando naquele beijo, primeiro porque era apenas uma coisa de trabalho e segundo porque, mesmo que não fosse, era só um beijo idiota.

Jenna já tinha saído com uma quantidade considerável de caras, e era legal na época em que estava acontecendo, assim como o sexo, mas se fosse bem honesta... de olhos fechados era tudo exatamente a mesma coisa.

Aquela “coisa”, que as pessoas descrevem, o momento mágico dos livros e filmes, isso nunca foi real para Jenna, no começo foi decepcionante, mas depois de um tempo ela finalmente entendeu que a realidade era totalmente diferente da ficção.

E na vida real, essa coisa de beijo era totalmente sem importância para Jenna. Não que ela odiasse beijar, muito pelo contrário, ela gostava disso e de tudo que viria depois disso. Apenas achava a coisa toda um pouco superestimada.

Sua mãe dizia que era porque ela nunca havia se apaixonado, mas Jenna não acreditava nisso, claro que já tinha se apaixonado, que besteira. No entanto a senhora Coleman tinha a convicção firme de que a filha nunca tinha encontrado aquele alguém capaz de fazer o coração bater mais forte. Uma paixão ardente que fosse a combinação perfeita de química e sentimento.

Jenna, por sua vez, acha que era apenas o romantismo francês de sua mãe falando mais alto.

O tipo de amor retratado na ficção não existia na vida real. Fora das telas as coisas eram menos intensas e muito mais simples, Jenna já havia se acostumado com isso...

As pessoas tendiam a agir como se o amor fosse uma força indomável e inevitável, para Jenna isso era mentira, ela sempre disse a si mesma que o amor era uma escolha e apenas isso.

Era tudo muito prático na cabeça dela...

Acreditava em química é claro, atração era algo verídico, mas no fim das contas sexo era sempre basicamente a mesma coisa com todos os homens com quem estivera. Era bom, é claro, porém também era outro assunto que todo mundo romantizava demais.

Por isso não gastou seu tempo pensando no tal beijo, estava mais preocupada com as cenas de ação que viriam antes.

Jenna não tinha qualquer experiência com esse tipo de cena e aquela em questão envolvia uma marreta que não era apenas cenográfica... Os dublês estavam presentes, eles assumiriam quando Valerie e Dean rolassem por uma escada, mas Jenna e Jensen fariam toda a perseguição.

A preparação para a cena era como aprender uma coreografia, na verdade os dois coreógrafos da equipe estavam presentes e repassavam cada movimento com atenção.

A sincronia era imprescindível, afinal era isso que impediria acidentes...

Pararam por alguns minutos e Jenna disse a si mesma que teria que melhorar o condicionamento físico se fossem continuar naquele ritmo. Não era sedentária, gostava de caminhadas e outras atividades físicas ao ar livre, mas pelo visto aquilo estava longe de ser o bastante.

Bebeu quase meio litro de água enquanto estava encostada próxima ao frigobar que ficava em um ponto especifico do set, então passou a mastigar algumas balinhas de menta. Não era adepta a chicletes, mas adorava morder pequenas pastilhas, mesmo que fossem duras e mesmo que tivesse passado grande parte da infância levando broncas do pai por isso.

— Você vai quebrar os dentes mastigado balas assim, Coleman. — A voz masculina falou, bem próxima ao seu ouvido e um arrepio quente se espalhou pela espinha de Jenna. — Está nervosa?

Jensen Ackles parou ao lado dela, pegou uma garrafinha de água gelada e a virou para um longo gole.

— Não sabia que você essa dentista, Ackles. — Ela retrucou, ignorando a reação exagerada de seu corpo. — E com certeza estou nervosa é uma marreta de verdade. Podemos nos machucar com ela.

— Não preocupe, eu sou muito bom com cenas de luta. — Ele deu de ombros, com um sorriso superior brincando nos lábios. — E eu estava falando do beijo.

Jenna riu, então revirou os olhos.

— Claro, estou me tremendo toda pra encenar um beijo tão besta quanto os que eu dava no primário. — Ela se desencostou da parede e se afastou de Jensen, pois estava sendo chamava pelas maquiadoras.

Não entendia porque todo mundo ficava fazendo aquela pergunta. Era só um beijo idiota.

Quando era mais nova tinha expectativas sobre beijos, por isso achou que o primeiro tinha sido péssimo, afinal Jenna esperava borboletas voando em seu estômago, respiração falha e batidas desconexas de coração. Não teve nada disso, apenas ânsia de vômito quando a língua molhada de Collin Maverick tocou a sua...

Só de lembrar Jenna fazia uma careta.

E isso a fez lembrar que teria que controlar sua cara feia quando Valerie beijasse Dean, afinal Jensen bebia tanto café que seria como tomar um expresso duplo em um só gole.

Na verdade, tudo que ele fazia era beber café... Jenna raramente o via comer algo sólido e, considerando o tanto de tempo que passavam perto um do outro, isso era preocupante.

A lembrança do Jensen bêbado e vulnerável, deitado em seu colo voltou a mente de Jenna, ele parecia outra pessoa e as às vezes ela se pegava pensando o quanto daquela fragilidade era real e quanto era apenas a bebida.

Tinha decidido não tocar no assunto com ele, quando viu que Jensen não lembrava de nada. Não tanto pelos absurdos impróprios que ele tinha dito, mas pelo quão intimo aquele fim de noite pareceu. Era melhor que esquecessem.

Por algum motivo não quis constranger Ackles narrando aqueles eventos, mas tinha que admitir que de vez em quando — quando estava almoçando, ou quando se deitava pra dormir — pensava que talvez fosse melhor falar com Misha e Jared sobre o ocorrido... Jensen parecera muito quebrado naquela noite e Jenna não conseguia deixar de pensar que ele talvez precisasse de ajuda.

— Ele não é minha responsabilidade. — Ela murmurou sozinha, mastigando uma última bala, antes de se dirigir a sua marcação. — Além disso, é a vida particular dele, não tenho o direito de me meter, não somos nada um do outro...

Esse assunto ficou de lado quando voltaram a gravar. A cena da perseguição levou um grande tempo e muitas tomadas para ficar perfeita, não era uma questão de erros de ninguém, mas cenas como aquelas eram sempre mais complicadas e trabalhosas mesmo.

Já era fim de noite, quando finalmente finalizaram com os dublês e com a cena da escada, então ganharam vinte minutos de pausa antes de iniciarem a cena do beijo.

Jenna estava tão cansada que sequer se deu ao trabalho de voltar para o motorhome, apenas sentou na cadeira bordada com seu nome e apoiou os pés em um banquinho, enquanto dava uma olhada no celular.

Respondeu uma mensagem de seu pai e outra de Genevieve, depois focou no Instagram, porque Misha tinha postado uma foto dos dois e estava lotada de comentários.

E a maioria não era bom...

“Se essa vadia for par amoroso do Cas e estragar meu Destiel, ela vai ver só”, dizia o comentário mais curtido, com mais de uma centena de respostas.

“Se ela for par do Cas tomara que seja só para o Dean ver de uma vez que ama ele”. Uma menina tinha postado.

E a grande maioria dos comentários girava em torno do casal que os fãs chamavam de Destiel. Jenna desistiu de ler tudo aquilo, deixou o celular de lado e fechou os olhos por um momento. Claro que as pessoas defenderiam o casal que amavam, isso era perfeitamente normal...

— Você parece péssima. — Ela sequer precisou abrir os olhos para saber que era Jensen e que ele tinha acabado de sentar na cadeira ao lado.

— Vai se ferrar, Ackles. — Soltou sem qualquer ânimo, cansada demais para entrar me qualquer guerra de palavras com ele.

Houve um momento de silêncio então, Jenna ainda estava na mesma posição, mas era como se pudesse sentir os olhos de Jensen lhe queimando.

Deve ser impressão... Ela disse a si mesma, ignorando essa sensação.

— É interessante que você fique acabada com cenas de ação, que são basicamente movimento e coreografia, mas com as cenas emocionais, que exigem bem mais da gente, você sequer se abale. — Jensen comentou do nada.

Desde quando tinham conversas casuais? Sim, estavam em trégua, mas não falavam mais que o necessário um com o outro.

Jenna abriu os olhos com a surpresa e percebeu que Ackles tinha o rosto virado em sua direção.

— Eu acho as cenas emocionais mais fáceis. — Ela respondeu no mesmo tom que o dele.

Silêncio outra vez, Jensen apenas assentiu e virou o rosto, Jenna por sua vez voltou a fechar os olhos e encostar a cabeça do mesmo jeito de antes.

— Pois eu prefiro gravar dez cenas de ação em um só dia. — A voz dele veio de novo, naquele mesmo tom casual que era quase bizarro nos ouvidos de Jenna.

Ela não abriu os olhos dessa vez, tentou apenas tratar aquilo como natural e focar na informação e não no fato de que estavam mesmo conversando como duas pessoas adultas e maduras.

— Mas as melhores cenas do Dean são sempre as emocionais... — Respondeu sendo honesta, afinal enquanto assistia a todos os episódios anteriores, essas eram mesmo suas cenas preferidas.

— Isso foi um elogio, Coleman? — Jensen pareceu surpreso e só então Jenna percebeu o que tinha dito.

— Sim, para o Dean, não pra você, Ackles. — Respondeu depressa, praguejando a letargia de sua mente que tinha feito com que abaixasse a guarda daquele jeito.

— Eu sou o Dean. — Jensen se gabou, enquanto ela abria os olhos e ajeitava a postura, ele tinha o celular na mão e passava pela tela de modo automático...

— Não, você não é. Dean é um personagem criado pelo Kripke e roteirizado por profissionais, você só faz o que esse roteiro pede. — Jenna lançou com um arzinho superior.

— Você sabe que isso não é inteiramente verdade. — Ele devolveu com aquele sorriso cretino que era absurdamente irritante, mas também muito charmoso. — Vamos lá, Coleman, pode admitir que você me acha incrível...

Jenna revirou os olhos e comprimiu os lábios em desgosto. Claro que ele era incrível...

Jensen era o primeiro a chegar no set e o último a ir embora; participava ativamente de todo o processo criativo de seu personagem; fazia questão de saber fazer com perfeição tudo que Dean sabia; suas técnicas de atuação eram impecáveis, principalmente no quesito emocional, porque Jensen atuava com os olhos, sem precisar do suporte de palavras de impacto pra passar o sentimento certo. Porra, ele era tão bom que ás vezes o roteiro sequer se preocupava em colocar uma fala para o Dean, apenas colocava uma nota “o que Jensen quiser dizer”... Mas obviamente Jenna jamais diria nada disso em voz alta, e com certeza não para o próprio Ackles.

Ela se virou na direção dele pronta para uma resposta afiada, mas Jensen tinha assumido uma postura totalmente diferente, aquele clima casual tinha ido embora totalmente, seus olhos verdes estavam presos na tela e seu maxilar estava tenso, Jenna teve até a impressão que ele tremia...

— Problemas? — Ela perguntou, franzindo as sobrancelhas.

— Não. — Ele cortou seco. — Eu só estou cansado. Quero ir para o hotel logo.

Jenna não acreditou, na verdade ela sequer pensou em acreditar porque quando Jensen foi apagar a tela do celular em um gesto irritado, ela pode ver o problema. Tinha uma foto do Instagram de Dannel Harris no visor...

Sabia quem era por causa da internet e principalmente porque havia uma foto dela na sala dos Padalecki, fora tirada no casamento de Genevieve e Jared, onde Jensen e Danneel haviam sido padrinhos. Foi nessa ocasião que Gen falou um pouco do divórcio dos Ackles e do quanto isso tinha mudado Jensen.

Naquele dia Jenna ainda não tinha conseguido visualizar o Jensen Ackles totalmente diferente que Genevieve havia descrito, mas agora ela via com um pouco mais de clareza.

Jensen tinha a expressão fechada, os olhos verdes focados em um ponto fictício, como se sua mente estive muito, muito longe. Jenna quis saber o que haveria de tão terrível naquela foto, mas logo recriminou essa curiosidade inoportuna.

A equipe de maquiagem lhe chamou para alguns retoques finais e ela se levantou. Podia ter ido sem dizer nada, afinal não era amiga de Jensen, porém não conseguiu...

— Eu acho que você é muito bom, Ackles. — Não soube exatamente por que teve aquele impulso idiota de dizer isso em voz alta, apenas disse.

Jensen franziu as sobrancelhas em um primeiro momento, então sua expressão fechada foi se abrindo em um sorriso involuntário.

Ele ficava muito bonito sorrindo...

Jenna virou as costas antes que as coisas ficassem ainda mais estranhas e seguiu para a maquiagem. O que tinha de errado com ela?

Passou os próximos minutos tentando afastar tudo isso do pensamento e focar na cena que teriam, podia ser apenas um beijo besta para Jenna, mas obviamente para Valerie era um grande momento e era isso que importava pra atuação...

Estava em sua marcação momentos depois. Dentro do roteiro Valerie tinha que descer as escadas e atingir Dean com um soco, era nesse momento que ela encontrava a brecha para quebrar o feitiço e o beijava, então um dois tinham um curto momento.

Jenna respirou fundo e incorporou os trejeitos de Valerie, desceu as escadas e encenou o soco, que obviamente não era verdadeiro. Dean cambaleou para trás e ela deu três passos na direção dele e agarrou as lapelas de sua jaqueta e...

— Corta! — O diretor gritou.

Jenna e Jensen deram três passos para trás um segundo antes de se beijarem.

O problema em questão tinha sido o enquadramento do soco, teriam que fazer novamente com outro posicionamento de câmera.

Não estavam com Dick aquele dia, afinal ele não era o único diretor responsável pela série. Darren Grant era ótimo também, mas enquanto Dick tinha os posicionamentos de câmera em mente e costumava acertar enquadramentos de primeira, Grant testava tudo em cena primeiro, o que gerava uma quantidade maior de tomadas, mas tinha um resultado impecável.

O problema naquele dia era o maldito soco, foram mais cinco tomadas cortadas uma após a outra. Jenna estava cansada e irritada naquele ponto, mas obviamente não deixou que isso estragasse seu trabalho...

— Eu acho que você devia me dar um soco. — Jensen disse, parado ao lado dela, na sexta tomada.

— Você com certeza merece um às vezes. — Jenna riu de canto, se afastando para ficar na marcação.

— Eu falo sério. Se você me socar de verdade qualquer ângulo vai ficar bom. — Ele moveu os ombros de forma casual.

Jenna franziu as sobrancelhas, sem acreditar que ele tinha mesmo feito aquela sugestão, mas a ideia foi repassada por Jensen para o diretor e aprovada de imediato.

— Só não quebra o maxilar dele, esse rostinho faz sucesso com as garotas. — Alguém da produção falou atrás das câmeras e todos riram, incluindo Jensen, mas não Jenna, ela ficou um pouco tensa com isso.

Claro que já tinha pensado em socar a fuça de Jensen Ackles um grande número de vezes, mas existia uma diferença entre “pensar” e “fazer”...

Respirou fundo e focou em Valerie, ouvindo o diretor gritar ação. Tentou não colocar força demais naquele movimento, quando seu punho foi em direção a Jensen e atingiu seu maxilar perfeito.

Ela ficou em dúvida se a reação dele foi real ou atuação, mas não se permitiu sair do papel, deu alguns passos para frente e o puxou, colando os lábios dos dois como mandava o roteiro.

Era apenas um selinho, mesmo quando Jensen moveu os lábios não passou disso, um beijo puramente técnico, mas uma das mãos dele estava na cintura dela e a outra tocava-lhe o rosto de forma tão suave... então seu coração errou uma batida e um milhão de borboletas alçaram voo em seu estômago, sem aviso ou permissão.

Não devia ter sentido isso, devia?

Porém aquele contato não durou nada. Absolutamente nada. Foi tão rápido que Jenna sequer teve certeza que tinha acontecido de verdade.

Quando abriu os olhos e encontrou os verdes-esmeralda de Jensen, com certeza ela não estava mais no papel, porém foi puxada de volta quando o nome que saiu dos lábios dele foi “Valerie”, um balde de água fria que a fez voltar para a pele de sua personagem e terminar a cena por puro instinto. Suas pernas estavam bambas e a respiração em seu pulmão parecia errada...

Quando o diretor gritou “corta” para finalizar a cena, Jenna não sabia se devia ficar ou correr, porque tudo que ela conseguia era desejar que o diretor pedisse para repetirem, ela tinha que saber se tinha sido real.

— Foi perfeito pessoal! — Grant elogiou satisfeito. — Impecável. Finalizamos o dia com chave de ouro.

Algo dentro de Jenna gritou, Darren Grant tinha feito com que repetissem ao menos duas vezes cada tomada durante todo aquele dia, e agora que ela precisava, repetir aquela cena, ele tinha ficado satisfeito com uma única tomada?

Uma assistente trouxe seus saltos, mas Jenna não tinha certeza se possuía capacidade de se equilibrar neles naquele momento. Sua mente ia e vinha tentando remontar a cena. Tinha sido real?

— Você até que pegou leve no soco, Coleman. — A voz de Jensen vez com que ela tentasse espantar os próprios pensamentos.

Piscou algumas vezes recobrando o próprio controle. Que reação estúpida para um beijo de nada...

— Se eu estragasse essa sua cara ridícula atrasaria todas as gravações, Ackles. — Retrucou, calçando os scarpins.

Ele riu daquele jeito debochado, que ela por algum motivo odiava, então pousou seus olhos esmeraldas nela de um jeito tão intenso que a fez tremer.

Jenna se sentiu estranhamente analisada, quase como se Jensen pudesse ler seus pensamentos mais íntimos, mas não cedeu, ergueu uma das sobrancelhas em desafio, mesmo que não fizesse a menor ideia do que estava realmente acontecendo naquele momento.

Jensen abriu aquele sorriso de canto e deu um passo para mais perto dela.

— Você é quase tão boa em esconder suas emoções verdadeiras, quanto é em omitir alguns fatos, Coleman... — Ele sussurrou bem perto dela, antes de passar e seguir para fora do set.

O sentido daquelas palavras se perdeu no arrepio intenso que sacudiu o corpo de Jenna, ela praguejou alguns palavrões mentais e, quando finalmente se virou para uma resposta malcriada, Jensen já não estava mais no seu campo de visão.

Tentou entender o que exatamente aquilo significava, mas tudo que ela conseguia pensar de verdade naquele momento era que os lábios de Jensen eram macios, que ele não tinha gosto de café e sim de menta, como se recém tivesse escovado os dentes...

E, acima disso, ela só conseguia pensar em beijá-lo outra vez, porque precisava saber se as borboletas eram reais.


Notas Finais


Era pra ser um beijinho de nada e todas as borboletas do universo resolveram voar no estomago da coitada da Jenna kkkkkkkk não julgo, se o Jensen Ackles RESPIRASSE perto de mim meu próprio estomago virava uma borboleta kkkkkk

Eles estão menos ariscos um com o outro, vamos ver se dura neh...

Parece que o Jensen escovou os dentes só porque lembrou que ela não curte café, será? kkkkkkk

*A informação sobre o roteiro "o que o Jensen quiser dizer" é real, ele próprio fala isso em um podcast recente do Michael Rosenbaum (Lex Luthor de Smallville). Recomendo inclusive, porque são quase uma hora do Jensen falando sobre a carreia o disco novo e esse tipo de coisa (convenhamos ouvir a voz dele por uma hora já valeria a pena de qualquer jeito kkkkk) tem no spotify pra quem manjar dos inglês kkkkkk

E aí, será que tem mais beijo no próximo? kkkkkk A Jenna quer kkkkkk

Em breve eu volto
Beijos e até!


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