História Broken Stars - Capítulo 5


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Notas do Autor


Hello! Aqui estou com mais um ponco de tensão pra esse casal problema, quem será que vai ser eleito o "não dá nem pra defender" de hoje?

Eu acho que não disse isso ainda, mas vocês devem ser percebido que apesar de narrar em terceira pessoa, eu narro em perspectiva, de modo que sempre tem um personagem em foco e é baseados nos pensamentos desse personagem que a narração gira. É por isso que muitas vezes vocês podem notar certa mudança no estilo na narrativa Jensen/Jenna. Por exemplo, Jensen é muito mais cru, então rolam alguns termos chulos quando ele e o foco. É também por esse motivo que a gente nunca sabe o que os dois personagens estão pensando ao mesmo tempo.

Nesse capitulo eles vão encenar o parte do capitulo 06 de Devotion, mas não, você não precisa ter lido lá pra entender aqui, essa informação é só a titulo de curiosidade.

Boa leitura!

Capítulo 5 - Luz, Câmera, Ação


Fanfic / Fanfiction Broken Stars - Capítulo 5 - Luz, Câmera, Ação

Os scapins negros praticamente deslizavam com elegância sobre o asfalto do set e Jenna se sentia invisível no meio do ir e vir da equipe de produção. Eram quase duzentas pessoas, trabalhando incansavelmente para fazer de Supernatural a perfeição que Erick Kripke tinha imaginado.

Não era a sua primeira vez, depois de uma semana que passou rápido demais Jenna Coleman já havia se familiarizado um pouco com o lugar. Esteve ali pelo menos três vezes durante aqueles dias intermináveis, teve que provar o figurino, fazer testes de câmera, ter algumas aulas teóricas na tela verde com a equipe de efeitos especiais...

Aquilo definitivamente não era como o teatro.

Nos outros dias Jenna havia colocado sua mudança em ordem, conhecido a cidade e cuidado de pequenas coisas em suas redes sociais, para que estivesse tudo perfeito quando fosse apresentada como a nova integrante do elenco de Supernatural.

Na verdade, a coisa com as redes sociais fora uma exigência direta de Rupert White, porque Jenna não ligava muito para esse tipo de coisa.

Felizmente naqueles últimos dias algo bom também tinha acontecido, havia se aproximando bastante de Genevieve Padalecki... Em uma de suas passagens pelo estúdio esbarrou com Jared e ele lhe deu o telefone da esposa, Jenna pensou que era sobre a blusa, — que claro já estava pronta para ser devolvida — mas na verdade Genevieve só queria saber como ela estava.

E depois disso acabaram desenvolvendo uma amizade, Jenna tinha que agradecer a Gen — como ela tinha passado a chamar — por mostrar tudo que havia na cidade e por dar muitas dicas sobre a diferença de teatro e televisão de alto orçamento, que era totalmente diferente dos poucos trabalhos que Jenna tinha feito.

Além disso os Padalecki eram maravilhosos, doces e hospitaleiros, todos eles, mesmo as crianças. Jared e Genevieve eram um casal lindo e muito apaixonado. Era impossível não se derreter perto deles...

Porém eles não eram os únicos que tinham sido amáveis e simpáticos, teve contato com alguns outros membros do elenco e todos foram receptivos. Tivera sorte de ver algumas gravações que aconteciam em simultâneo no estúdio nos dias em que estivera ali...

A produção não gravava em ordem direta, isso porque algumas cenas precisavam de locações externas e outras eram gravadas fora do estado. Naquelas primeiras semanas eles estavam tentando focar em tudo que podia ser feito dentro do próprio estúdio.

Jenna tinha visto, por exemplo, Misha Collins gravando uma cena dupla, onde ele interpretava dois personagens, Castiel e o Vazio, tudo isso dentro de uma sala preta, sem qualquer ajuda de uma ambientação mais detalhada.

Ele era incrível. Seu tom de voz e seus trejeitos mudavam totalmente de um personagem para o outro. Era algo fascinante de ver... Assim como o trabalho da produção em juntar as duas atuações de forma perfeita, como se os dois personagens estivessem mesmo contracenando.

Jenna estava encantada com tudo aquilo.

Também tinha visto Alex Calvert atuar ao lado de Samantha Smith, e uma pequena cena solo de Jared, isso porque desviava-se de cruzar com Jensen Ackles...

Sabia que teria que atuar com ele, mas enquanto pudesse evitar contato parecia melhor, afinal Jenna não queria estragar o ótimo clima do lugar com a prepotência de Ackles.

Infelizmente era o maldito grande dia, gravariam juntos pela primeira vez... Richard Speight Jr. seria o diretor responsável e havia escolhido uma cena simples para que começassem. Não era a primeira cena de Dean e Valerie juntos cronologicamente falando, essas teriam que ser gravadas em locações externas, por isso Dick havia escolhido a primeira conversa do futuro casal dentro do bunker...

— Ah que maravilha que você chegou cedo! — Jenna se virou na direção da voz conhecida, para então ver Kripke se aproximando enquanto desviava da equipe, que carregava equipamentos pra lá e pra cá — Queria mesmo falar com você. Vem, eu vou te mostrar seu motorhome

O produtor e roteirista parecia sempre animado e de alguma forma isso contagiava Jenna também.

Sabia que ganharia um motorhome, — ou camarim móvel —afinal era o padrão para qualquer gravação longa, mas com a correria do dia a dia tinha acabado esquecendo disso...

Era muito maior do que Jenna imaginaria e muito mais confortável também, tudo em tons neutros; com um grande sofá de couro; mesa com duas cadeiras; armários embutidos; uma pequena cozinha; outro sofá que se tornava uma cama; um banheiro com ducha; além do ar condicionado; televisão; sistema de som; e persianas escuras para impedir a luz de entrar pelas janelas de vidro.

— Se não for do seu agrado você pode pedir modificações para o pessoal da produção. — Kripke comentou casualmente, enquanto Jenna analisava o ambiente.

Era basicamente um hotel sobre rodas, até o frigobar estava abastecido com água, sucos e refrigerantes.

— Está ótimo, acho que nem precisava de tudo isso, na verdade. — Ela sorriu, tentando não parecer tão impressionada com o lugar.

Porém só aquela plaquinha na porta escrito “Jenna Coleman – Valerie Lockheart” era motivo o bastante para estar impressionada, deslumbrada e surtando.

— Acredite, precisa sim. — Kripke moveu a cabeça em afirmativa. — O cast principal passa muito tempo gravando, então o motorhome é basicamente uma segunda casa, eles tentam deixar o mais aconchegante possível.

Jenna imaginou que tipo de modificação os outros atores tinham feito... que tipo de modificação o cretino do Ackles tinha feito? Mas se esforçou para afastar essa curiosidade inoportuna da mente e focar no que importava.

— Então, o que queria falar comigo? — Perguntou, testando se sentar em um dos sofás e vendo o quanto era macio.

— Eu fiz algumas mudanças no roteiro... — Ele revelou, enquanto puxava uma das cadeiras e se sentava também. — Não é nada que afete a sua atuação diretamente, mas Jensen sugeriu que talvez Dean tivesse que ter algum tipo de conflito interno por causa da idade da Valerie.

— É uma boa ideia, não passa a mensagem errada pra audiência. — Jenna moveu a cabeça em concordância.

— Foi exatamente o argumento que Jensen usou. — Kripke riu da coincidência e a jovem atriz tentou não fazer uma careta de desgosto.

Odiava ter que concordar com o cretino, mas tudo bem, porque jamais admitiria que tinha feito isso.

— E então? O que achou da Valerie? — Eric Kripke perguntou em um tom interessado.

Jenna havia feito várias anotações sobre a personagem durante a última semana, então sabia exatamente o que responder.

— Posso ser honesta? — Questionou, se arrumando no sofá, sabia bem que roteiristas não gostavam de ter sua obra criticada, muito menos seus personagens.

— Com certeza. — A resposta veio firme.

— Ela é muito perfeita. — Jenna disse de uma vez e Kripke pareceu confuso.

— Isso é ruim? — Não havia nenhum sinal de ofensa em sua voz, ele estava mesmo interessado no ponto de vista de Jenna.

— Ela tem todo esse poder dentro dela, memoria fotográfica, canta, dança, é boa com todo mundo ao redor, é altruísta, engraçada, abnegada, corajosa, forte, inteligente, cozinha.... — Jenna começou a citar todas as qualidades da personagem em uma lista interminável. — Ela é cansativa porque não parece real, coloque a Valerie ao lado de um personagem como o Dean e ela parece um robô.

Eric Kripke moveu a cabeça devagar processando todo aquilo.

— E o que você sugere? — Perguntou e Jenna se surpreendeu por realmente ser ouvida.

— Sei lá, ela precisa de menos qualidades, alguns defeitos, alguns detalhes simples na personalidade dela com os quais o público realmente se identifique... — Ela sugeriu, testando os limites daquela liberdade criativa. — Acho que ela precisa ser um pouco mais cinza e menos preto no branco.

Trabalharam juntos por duas horas naquele embate, sentados frente a frente, decidindo o que tirar e o que manter para fazer de Valerie uma garota mais real...

Um pouco menos engraçada e muito mais tímida. Excluíram a dança e substituíram por problemas de coordenação motora. Conectaram sua habilidade de cozinhar com uma mania de fazer isso quando estava ansiosa e preocupada. Um pouco de teimosia e impulsividade. Trabalharam mais o backoff trágico com o namorado péssimo. Não cortaram de vez a coisa do canto, deixaram de lado apenas, como algo que não precisava ser mostrado em cena.

Aos poucos ambos perceberam que Valerie se tornou menos caricata e muito mais humana. Eric Kripke pareceu satisfeito com isso.

— O que acha de sapatos feios? — Ele disse de repente, ao encarar os bonitos scapins de Jenna por uns segundos.

Valerie já tinha uma mania de andar descalça, mas Jenna achou que seria divertido colocar algo nela que fosse totalmente diferente de si mesma. Quer dizer, além dos aspectos emocionais...

— Acho que vai ser uma coisa muito interessante de fazer. — Ela topou de imediato.

— Já pode considerar tudo isso parte integrante do roteiro então. — Kripke pareceu muito satisfeito com o modo que as coisas foram encerradas. — Eu vou avisar as figurinistas e incluir as modificações no enredo. Já pode adaptar as novas características na atuação de hoje.

Ele se despediu e deixou o motorhome um tanto frenético, repetindo entre murmúrios todas as coisas que tinha que fazer...

Jenna sorriu pra si mesma, não esperava que todas as suas sugestões fossem ouvidas de verdade, quando Erick Kripke disse isso antes ela pensou que fosse apena da boca para fora.

Se sentiu valorizada como profissional e soube que de fato tinha feito a escolha certa ao aceitar aquela proposta.

O único problema era o idiota do Ackles como par romântico...

Tinha contado a história toda para a mãe logo depois que aconteceu e a resposta foi: “Vocês começaram com o pé esquerdo e agora você está dificultando tudo, Lou. Não seja tão rancorosa, nem tão dura. Dê um desconto para o rapaz.”

Jenna tinha revirado os olhos assim que ouviu isso, não só porque se sentia uma criança quando era chamada de “Lou” — apelido provindo de seu segundo nome “Louise” — mas porque a mãe lhe conhecia bem e geralmente estava certa sobre tudo, principalmente sobre seu comportamento.

Talvez estivesse mesmo sendo muito dura e rancorosa... Pensou consigo mesma, talvez ele só estivesse em um péssimo dia... Mas ao reviver as lembranças que envolviam Jensen um vinco se formou entre suas sobrancelhas.

— Ou talvez Ackles seja mesmo um idiota cretino! — Deu de ombros, decidindo que não ia facilitar nada para um galãzinho metido a astro.

E cheiroso, muito cheiroso... sua mente fez questão de lembrar, mas Jenna ignorou esse pensamento enquanto batia a porta do motorhome e seguia para o figurino e maquiagem.

Era hora de se tornar Valerie Lockheart. E que Jensen Ackles e aquele perfume caro que se fodessem...

★ ★ ★ ★ ★

Tinha sido uma noite péssima. Seu corpo inteiro doía como se tivesse dormido todo torto em um sofá velho, sem enchimento e não em uma enorme e confortável cama de um hotel cinco estrelas. Sua cabeça latejava também, mesmo depois de três comprimidos.

Jensen Ackles parou o carro no estacionamento do estúdio e aproveitou os vidros escuros para respirar fundo e tomar um longo gole do café, já um tanto frio, que havia comprado pelo caminho. Do lado de fora alguns repórteres, paparazzi e fãs esperavam, ficavam ali o tempo todo, tentando conseguir alguma novidade sobre a série ou sobre as gravações.

Não se incomodava com isso, não muito, a atenção da mídia e das pessoas era parte do trabalho, gostava de sair do carro e acenar, sorrir, tirar fotos e responder algumas perguntas, adorava o amor que os fãs emanavam, isso lhe dava forças. Mas infelizmente essa era apenas uma parte da situação, a outra incluía perseguição, invasão de privacidade e Jensen tendo que se policiar duas vezes mais para que sua rotina não caísse nos tabloides e isso ofuscasse o lançamento da série.

Rupert White, o gerente de marketing, era um homem controlador que enchera Jensen de regras escrotas, mas inteligentes. A imagem era tudo naquele meio e ser “cancelado”, era o pior tipo de publicidade. Com certeza não era o que a HBO queria de seus atores...

Tinha dito a si mesmo e a Rupert que não haveriam problemas, com o início das gravações todo aquele estilo noturno de vida estava acabado. White riu disso de um jeito meio debochado, que fez com que Jensen sentisse vontade se socar a cara daquele australiano de merda.

“Não quero que pare de se divertir, cara. Sem falso moralismo aqui. Apenas mantenha seus vícios e perversões longe da mídia.” Tinham sido as exatas palavras do idiota, Jensen deixou o escritório pisando duro pela ousadia.

Mas naquela mesma noite, o álcool e o sexo estavam fazendo tanta falta que era quase como se estivesse em abstinência, como um drogado qualquer, coisa que não era, pois não usava drogas ilícitas, apenas fumava esporadicamente um cigarro ou um charuto. Seu mal era o álcool...

A casa vazia demais e fria demais se tornou um problema, Jensen não conseguia dormir, então voltou para o Five Seasons, seguiu o conselho de Rupert e evitou festas públicas, fazendo de sua suíte na cobertura sua própria festa, cheia de acompanhantes de luxo muito bem pagas, com contratos de confidencialidade que lhe manteriam seguro da imprensa.

Essas se tornaram suas noites e mesmo essas podiam ser enfadonhas. A verdade é que fodia até o corpo se exaurir e bebia até a mente apagar, só assim conseguia dormir, ou melhor, desligar.

Não era de se espantar que tinha olheiras fundas e dores no corpo.

Colocou os óculos escuros para disfarçar isso, o resto arrumariam na maquiagem, vestiu um sorriso que não era verdadeiro e desceu do carro.

Ignorou os fotógrafos e acenou para os fãs, tinham pôsteres da série e de Dean erguidos e ele resolveu que podia gastar alguns minutos ali. Porque aquelas pessoas que ele mal conhecia talvez fossem as que mais se importassem com ele naquele momento.

Se esquivou das perguntas, tirou algumas fotos e deu alguns autógrafos, era difícil ouvir em meio aos gritos das adolescentes, mas Jensen gostava disso e tinha sentido falta.

Dez minutos se tornaram vinte e logo ele percebeu que estava atrasado, por isso se despediu do público e voltou para o seu rumo, se sentia estranhamente revigorado.

Não sabia como seria o expediente, era o primeiro dia de filmagens com a atriz nova e Dick tinha separado uma cena para testarem, em seguida pensariam nas que gravariam depois. Se é que haveria um depois.

Jensen sabia que atores iniciantes podiam levar um tempo pra pegar o jeito, principalmente alguém que não tinha experiência com televisão. Muitas vezes, diversas tomadas eram necessárias para que a cena ficasse perfeita, porque o ator ou atriz esquecia o texto por nervosismo ou não respeitava a marcação, saia do papel, olhava direto para a câmera... Muita coisa podia dar errado.

Estava preparado para refazer a cena com a nova protegida de Kripke durante o dia todo. Na verdade, até se divertiria quando ela quebrasse a cara e abaixasse aquele nariz arrebitado.

Não estava mais irritado com ela, na verdade sequer perdia tempo pensando em Jenna Coleman e toda aquela prepotência britânica... Tinha visto a garota no set duas vezes talvez, mas ela não havia cruzado seu caminho e Jensen agradeceu por isso, no entanto a garota bem que merecia uma lição para abaixar aquela crista toda.

Então Jensen estava satisfeito em assistir de camarote quando ela visse que não entendia nada de televisão...

Se dirigiu para o seu motorhome, depois para o figurino e em seguida para a maquiagem. Não foi de fato uma surpresa encontrar a garota Coleman lá, sendo preparada pela equipe.

— Bom dia, gente. — Saudou a todos animadamente, como fazia sempre e logo os olhos castanho-chocolate encontraram os seus no reflexo do espelho.

Jenna tinha olhos perfeitos, pareciam até retocados digitalmente para terem o mesmo formato simetricamente amendoado, íris brilhantes e longos cílios, Jensen até diria que eram bonitos se não fosse a mania que a dona deles tinha de erguer uma só sobrancelha em um desafio velado.

— Coleman. — Cumprimentou em um tom sério, diferente daquele que tinha usado com ela uma semana antes, no elevador, quando notou que a garota parecia nervosa demais em estar sozinha com ele.

Apenas uma menina boba.

— Ackles. — Ela retrucou no mesmo exato tom.

Jensen assumiu seu lugar e deixou que a maquiadora trabalhasse, esqueceu da sua co-estrela petulante ali do lado e apenas fechou os olhos se conectando com seu Dean interior.

Ele podia ouvir o batucar frenético das unhas de Coleman contra o apoio da cadeira e, apesar de ser um som irritante, não foi o bastante para que se sentisse impelido a falar com ela...

Alguns minutos depois uma voz conhecida lhe fez abrir os olhos

— E aí, nervosa pra primeira vez, Jenna? — Era Alex, encostado ao lado dela com um sorriso charmoso no rosto e sem seu figurino de Jack.

E isso significava que ele se vestia feito um badboy de séries adolescentes: — ao menos na visão de Jensen — regata preta, deixando algumas tatuagens aparentes; jeans rasgados; e o cabelo loiro jogado despretensiosamente...

Ele estava flertando. Jensen percebeu imediatamente. Coitado. Não podia ter escolhido alguém menos irritante?

— Até que não estou tão nervosa. — Coleman respondeu com um sorriso, e foi a primeira vez que Jensen se deu ao trabalho de realmente olhar para ela.

Era até que bonitinha a insuportável. Tinha uma beleza singela nela, doce, algo que quase destoava dos scarpins altos que Jensen a tinha visto usar com elegância. Ela tinha aquela carinha de menina inocente, mas seus olhos não diziam o mesmo...

Não que Jensen se importasse, — porque ele fez questão de dizer a si mesmo que não se importava — foi apenas algo curioso que notou nela.

Pelo menos eles têm a mesma faixa etária, acusou pra si mesmo com certo desdém. E é claro que a garota está mentindo, porque aquele batuque irritante diz claramente o quanto ela está nervosa. Jensen tentou não rir daquele pensamento e continuou observando os dois discretamente.

— Eu te trouxe um presente de boas-vindas... — Alex entregou uma caixa de chocolates para a garota.

O menino não perde tempo, Jensen pontuou mentalmente, enquanto se dava conta que fazia um bom tempo que não colocava nada sólido dentro do estômago.

Talvez pudesse comer alguma coisinha e ir para a academia do set em alguma pausa da gravação...

— Obrigada. —  Coleman agradeceu com um sorriso. — É o meu preferido.

— Eu sei, vi no seu insta. — Alex respondeu, mexendo no cabelo que sequer estava bagunçado.

Porra, é assim que os jovens flertam? Que merda. Jensen se esforçou para permanecer com o rosto imóvel, afinal ainda estava sendo maquiado.

Honestamente achava ridículo, ou talvez só estivesse enferrujado demais pra esse tipo de coisa. Fazia muito tempo...

E por isso preferia pagar, era um jeito fácil de pular toda aquela coisa de flerte e ir direto para o que importava. Sexo.

Porque era bem óbvio que Alex queria comer a menina. Ninguém mais acreditava no amor e no romance. Jensen tinha chegado a acreditar um dia e tudo isso pra quê?

Ouviu a risada de Coleman e não soube decifrar que tipo de reação era aquela... Tímida? Interessada? Educada? Falsa?

Teve que fechar os olhos por um momento, quando a maquiadora pediu e, enquanto isso, os dois continuaram conversando amistosamente.

Jenna queria saber se Alex gravaria naquele dia, mas Jensen nem precisava ouvir a resposta para saber que não, as cenas de Jack tinham acabado no momento e Calvert estava liberado para voltar pra casa, talvez pelos próximos dez ou quinze dias.

Logo depois Alex disse que pegaria um voo para o canada — local onde morava — ainda naquela manhã, e por isso precisava ir.

— Falou, Jensen! — Cumprimentou também, quando notou o olhar de Ackles neles.

— Tchau, garoto. — Respondeu com um aceno da mão direita. — Faça boa viagem.

Alex sorriu como fazia sempre e focou em Jenna novamente, tocando o ombro dela.

— Quebre a perna. — Brincou com um termo do teatro e bancou o charmoso, embora Jensen tenha achado ridículo apenas.

A garota manteve o sorriso nos lábios por alguns segundos, isso até que os olhos dela encontrassem os de Jensen no reflexo do espelho e os dois desviassem o rosto.

— Parece que ele gosta de você... — Uma das maquiadoras comentou.

Jensen sabia que aquilo era o começo de uma fofoca e tanto nos bastidores e teve um tanto de dó por Alex, quando ele voltasse a coisa já estaria de um jeito incontrolável.

Na verdade, isso levou Jensen a pensar nos Padalecki, porque eles tinham desenvolvido um tipo de amizade com Jenna, e Ackles não conseguia entender o que todos viam na garota para ficarem tão encantados. Misha ele até entendia, porque Misha se dava bem com todo mundo, mas Genevieve tendia a ser um pouco mais seletiva e, no entanto, em uma semana já tinha virado a maior defensora de Coleman...

O que todos eles viam nela que ele não conseguia ver?

— Parece que ele é apenas um colega de elenco educado e atencioso. — Jenna cortou com sua polidez britânica e isso surpreendeu Jensen. — Nem todo ator tem que ser esnobe, não é mesmo?

Não imaginou que ela fosse esperta o bastante para acabar com uma fofoca antes que começasse e assim impor limites logo de cara... Até deixou a clara alfinetada que recebeu de lado, porque de fato a resposta foi boa.

Não que fosse dizer isso em voz alta.

Jamais!

Depois disso não ficaram muito mais no mesmo espaço, Coleman terminou a maquiagem e deixou o lugar, mas Jensen precisou ficar mais um pouco, pois suas olheiras profundas exigiam mais atenção e trabalho.

Ainda teve que ouvir sermão da maquiadora dizendo que ele precisava dormir mais e tomar menos café. Prometeu que faria isso, e uma parte de si até acreditou que cumpriria essa promessa... Que bobagem.

Vinte minutos depois estava no bunker, ou melhor, no cenário que representava o bunker. Jenna estava ali também, ouvindo instruções de Dick sobre a cena, totalmente caracterizada de Valerie Lockheart, isso incluía pés descalços ao invés de seus scarpins.

Seria algo simples. Valerie acordaria no bunker depois de ter deixado sua cidade com os Winchesters, logo após sua mãe ter sido assassinada por Asmodeus e Dean ter prometido protegê-la do céu e inferno. Essas cenas não tinham sido gravadas ainda, porque precisavam de locações externas, mas Jensen sabia que a cena em que trabalhariam naquele instante era a que de fato estabelecia alguma conexão entre os dois personagens.

Então sim, era simples, mas ao mesmo tempo exigia um certo nível de entrega emocional... E para Jensen seria exatamente nesse ponto que Coleman falharia, porque Valerie era totalmente diferente, doce, amigável, nada de desafio implícito em uma só sobrancelha erguida.

Se sentou em seu lugar, porque Dean estaria na biblioteca bebendo e procurando por Jack quando Valerie entrasse. Tinha pedido que a produção trocasse a cerveja cenográfica por real, afinal se teria que gravar uma só cena o dia inteiro não haveria mal de beber um pouco enquanto isso.

— Todo mundo pronto? — Dick perguntou e Jensen assentiu, sem poder ver a reação de Coleman, que estava do outro lado do corredor cenográfico. — Silêncio no set: Luz. Câmera. Ação.

Jensen se tornou Dean totalmente e, com sua cerveja em punho, logo viu Coleman, ou melhor, Valerie, entrar na biblioteca.

A diferença de postura era gritante e Jensen pode analisar isso muito bem enquanto esperava o momento de sua fala. Valerie sim combinava com o rosto delicado de Jenna...

Mas caminhar entre alguns livros era fácil, Jensen queria mesmo era ver como a garota se portaria contracenando com ele.

— É ali... — Disse sua fala, controlando o tom rouco na voz e apontando em seguida. — Á esquerda.

Observou Jenna ir daquela postura frágil-assustada para a tímida de modo impecável.

— Hey... — Os olhos castanhos tocaram os seus sem qualquer traço daquele desafio implícito, as sobrancelhas impecáveis sequer se moveram.

Jensen fez como o roteiro mandava e se aproximou dela para acender a luz, e mesmo a proximidade não causou qualquer ruptura na postura de Valerie, ela foi constante o tempo todo, pela próxima dezena de falas.

Flertes implícitos; Dean sendo Dean e oferecendo bebida para a garota; sorrisos tímidos; olhares languidos... O clima da cena foi perfeito por todo o tempo.

— Corta! — Dick mandou e Jensen mal pode acreditar. A primeira parte da cena já tinha acabado?

Coleman deu três passos para trás no mesmo momento e todo seu semblante mudou, o clima no set se desfez como um vaso caro que quebra quando é jogado no chão.

Jensen piscou algumas vezes, não podia ter acabado... Tudo bem que era só a primeira parte da cena e tudo bem que eram uma dezena de falas apenas, mas a garota não podia ter acertado tudo logo de cara.

Não era possível.

— E fizemos um strike, senhoras e senhores. — Dick comemorou. — Perfeição na primeira jogada. Jensen, ótimo como sempre. Jenna, minha flor, você estava im-pe-cá-vel.

Sorte de principiante. Jensen disse a si mesmo, quando recebeu um daqueles olhares-desafio de sua co-estrela, enquanto ela se afastava para o cenário da cozinha, pois era lá a próxima cena.

A segunda parte era menor, Jensen introduziria o conflito de idades em sua atuação e foi instruído sobre um novo pormenor do roteiro, algo sobre Valerie usar sapatos feios e ele teria que adicionar a sua fala, para comparar com os pés descalços.

Jenna parecia a par disso, então ele presumiu que tivesse sido algo entre ela e Kripke, o que não lhe incomodou realmente, porque estava mais preocupado em saber se a exibida conseguiria a mesma proeza de uma cena perfeita duas vezes.

Dick gritou “ação” e Coleman se transformou outra vez. Sua atuação estava não apenas na postura, mas nos olhos, e não foi difícil simular o encanto de Dean, porque ela de fato tinha olhos bonitos...

Valerie, não Jenna, Jensen teve que reforçar pra si mesmo.

Mais meia dúzia de falas, mais sorrisos tímidos e um clima palpável que parecia absurdamente real. Quando Dick cortou, Jensen ainda levou uns três segundos para sair do papel, enquanto Jenna o fez imediatamente e se afastou dele.

Duas vezes. Ela tinha feito uma cena impecável duas vezes... Não podia ser real.

Mas os elogios de Dick provavam que era sim totalmente real.

Okay, eram apenas cenas curtas e simples, não era tão raro que fossem gravadas em uma única tomada, o desafio era a próxima parte, porque era mais longa e englobava muita coisa...

Falariam sobre Jack, Dean ensinaria Valerie o básico sobre buscas, algumas piadas sobre chá e cerveja, e então um diálogo aparentemente normal que servia para revelar um pouco do passado da personagem, até que teriam “o momento”, era a cena chave em que Valerie se encantava por Dean, porque ele dizia que ela não era como nenhuma outra criatura sobrenatural que ele e Sam caçavam.

Jensen voltou para seu lugar, enquanto Jenna gravava mais alguns minutos sozinha na cozinha. Se preparou mentalmente para o emocional que precisaria colocar na cena, porque era um romance afinal e ele não andava muito bem com seu próprio lado romântico.

Jenna chegou em seguida e logo estavam gravando de novo, depois de uma longa explicação de Dick sobre o que ele queria da conversa chave.

Tudo correu bem, porque para Jensen era fácil ser Dean, até se esquecia de seu verdadeiro eu e de todos os seus problemas quando estava na pele do caçador.

Além disso era irritantemente simples e intuitivo atuar com Jenna, porque ela nunca saia do personagem e mantinha o clima sempre linear. Era quase como se seus olhos castanho-chocolate fossem de fato hipnóticos, quando ela agia como se Jensen/Dean fosse mesmo magnético.

Como alguém que tinha acabado de começar podia ser tão boa?

Jensen teve uma ideia ousada. Não era raro que ele e Jared improvisassem, mas nunca tinha feito isso na primeira cena de alguém e muito menos com uma atriz novata naquele meio, mesmo assim ele quis dificultar. Era de propósito, queria testar os limites de Coleman.

As falas tinham terminado, Dean tinha acabado de dizer que confiava em Valerie por todos os motivos descritos no roteiro, ele tinha que se levantar e sair, mas Jensen não fez isso.

— Mas e você? Por que escolheu confiar em mim? — Questionou de modo casual e o falso divertimento nos olhos de Dean era real para Jensen. — Um estranho que chegou na sua cidade mentindo que era do FBI. Eu podia, sei lá... ser um psicopata.

Dick não cortou, ele nunca cortava os improvisos dos rapazes afinal.

Jensen analisou o semblante de Jenna e ela não vacilou, não deixou os trejeitos de Valerie escaparem nem mesmo quando riu de canto, escondendo a falta de humor com um jeitinho tímido.

— Mas você não é. Você não é um dos caras maus, Dean... — Jensen não acreditou que ela de fato comprou e deu continuidade para o improviso.

Claro que ele não deixou por menos e focou ainda mais no seu papel, até mesmo olhando para o antebraço como se Dean estivesse se lembrando da marca de Caim.

— Eu podia dizer que confio em você por causa de toda essa coisa de me salvar de anjos e demônios, porque, bom, seria um bom motivo pra confiar em alguém. Só que não é isso... — Jenna continuou, em um monólogo que não era ensaiado ou planejado, mas que provava que ela conhecia o universo da série e principalmente o próprio papel. E que dominava muito bem as próprias emoções. — Quando eu te conheci eu simplesmente soube que você era digno de confiança e você só reforçou isso desde aquele dia. E quanto mais eu te conheço mais certeza eu tenho que foi a escolha certa.

Jensen não soube dizer se o olhar admirado e intenso que trocou com Jenna era de Dean ou dele próprio...

— E, você sabe, é sempre a coisa certa confiar nos heróis. — Ela deu de ombros como se fosse nada e foi capaz até mesmo de controlar o rubor que surgiu em seu rosto delicado.

Caralho, Jensen riu sem humor, mas manteve o charme de Dean afinal Dick não tinha cortado a cena.

Era como um tipo de competição ali, para ver quem cedia primeiro, por isso ele sabia que tinha que continuar...

— Parece simples até... Exceto que... eu não sou um herói. — Era algo que Dean diria, com certeza, por isso Jensen se sentia plenamente seguro dentro do improviso.

Saí dessa agora, Coleman.

— Você é pra mim. — Ela não vacilou um só segundo e ousou mais, escorregando os dedos pela mesa e segurando a mão de Jensen, ou melhor de Dean. — E nada do que você diga vai me convencer do contrário, Dean Winchester.

Tinha mãos delicadas e um toque macio, que não era quente ou gelado demais, Jensen constatou em um pensamento rápido, sem deixar que a essência de Dean escapasse de seus olhos verde-esmeralda.

Ela não ia desistir... Maldita.

— Então você é do tipo teimosa, bom saber...— Jensen disse como se fosse uma fala de Dean, mas na verdade era uma indireta para Coleman. — Acho que essa é minha deixa, já deu por hoje. Sam continua com isso de manhã.

Ele voltou a cena para o roteiro original, porque pelo silêncio ao redor ninguém pretendia parar com a guerrinha dos dois e Jenna não parecia preocupada com isso.

Disse suas últimas falas e deu espaço para que a câmera focasse em Jenna para o fechamento.

— E... Corta! — Dick falou finalmente e o set aplaudiu.

Jensen deixou Dean de lado e cruzou os braços quando Jenna lhe encarou por cima do ombro com aquela sobrancelha desafiadora erguida.

Maldita, garotinha prepotente.

— Isso foi incrível! Não acredito que fizeram em uma única tomada! — Dick veio com todos os seus elogios. — Vocês receberam uma cena extra? Porque isso não estava no meu script.

— Não tinha cena extra. — Jenna comentou com naturalidade. — Foi ideia do senhor Ackles.

Outro olhar de enfrentamento e desafio, Jensen sentiu que podia odiar aquela porra de postura britânica e aquelas malditas orbes dor de chocolate cheias de uma intensidade que ele não era capaz de decifrar totalmente.

— Puta merda, vocês têm muita química! Kripke vai ficar maluco! Caramba, eu estou maluco, foi bom demais, acho que o fandom vai pirar! — Dick tinha desatado a falar, mas Jensen e Jenna estavam em uma guerra silenciosa de olhares naquele momento.

Castanhos e verdes eram como bombas nucleares atacando um ao outro com uma fúria ardente. Mas quem tinha ateado fogo em tudo primeiro?

— Já posso até imaginar o nome do shipp... — O diretor continuava em seu monólogo. — Agora vão, vinte minutos para tocar de figurino, se continuarmos assim vamos gravar muito hoje ainda.

Jenna se moveu primeiro e Jensen teve que admitir pra si mesmo que devia ter imaginado, Kripke não colocaria uma amadora no set, e ela vinha do teatro, claro que está acostumada a fazer tudo em uma só vez...

Ele engoliu um pouco do orgulho enquanto caminhavam para fora do bunker. Ela era boa. Um inferno de prepotência e uma diaba metida, mas boa...Talvez pudesse admitir isso em voz alta e começar a amenizar o clima de guerra nos bastidores, afinal tinham muito trabalho pela frente.

— Você foi bem. — Declarou em voz alta. Podia acenar com a bandeira branca e selar a paz, afinal era o seu café que tinha começado o conflito.

Jenna andava um pouco na frente e se virou para encará-lo por cima do ombro.

— Eu devia ter avisado que improviso é minha especialidade. Vai ter que se esforçar bem mais se quiser me tirar do papel... — O tom da resposta não era nadinha amigável. — Boa sorte com isso, Ackles. Você vai precisar.

Outro olhar de afronta veio dos olhos castanhos e outra sobrancelha levantada em desafio. Coleman claramente não queria paz...

Garotinha arrogante, mimada e convencida. Jensen cerrou o maxilar e tomou outra direção, pisando duro.

Enquanto andava ele se deu conta que era a primeira vez em meses que sentia algo de verdade... Um sentimento genuíno, não apenas o reflexo automático de um.  

Na maior parte do tempo estava vazio, amortecido, totalmente no automático. Bebia demais para preencher esse buraco; malhava demais, porque mesmo a dor era melhor que o nada dentro de si; e é claro, trepava demais, porque tesão era o mais perto de sentir alguma coisa real que ele conseguia chegar e até isso parecia mecânico atualmente...

Mas naquele momento não estava vazio. O nada tinha dado lugar a uma raiva quase visceral que inflamava suas veias... Na verdade, fazia tanto tempo que não sentia coisa alguma que sequer tinha certeza se era mesmo raiva, mas era algo. E algo sempre seria melhor que nada.

Então, se Jenna Coleman queria tanto uma guerra, era exatamente uma guerra que ela teria...


Notas Finais


Jensen super achando que a Jenna ia quebrar a cara e quem quebrou foi ele... Falar o que não é mesmo? Tudo que a Valerie facilita para o Dean a Jenna dificulta para o Jensen kkkkkkkk

Parece que uma guerrinha interna foi declarava ali, onde será que isso vai levar os dois, não é mesmo?

Em breve estou de volta
Beijos e até!


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