História Broken Toys - Capítulo 3


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Saga, Seinen, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá, olá!
Então... este capitulo foi rescrito, no fundo juntei o capitulo 3 com o 4. Se já leram os outros capitulos, podem estranhar a forma de escrever, já que os capitulos que estou agora a postar foram escritos no ano passado e eu não consegui voltar com a minha antiga escrita. Bem, mas fiquem com o Cap e espero que gostem.

Capítulo 3 - Because beasts do not fear


Fanfic / Fanfiction Broken Toys - Capítulo 3 - Because beasts do not fear

 

 

(Hector On)

Estremeci com o frio que se fazia sentir no pátio. Este estava completamente apinhado devido aos alunos que tinham aproveitado a hora de almoço para se tentarem aquecer ao sol antes que este se encobrisse. No momento vestia o equipamento de educação física, que por sorte estavam no meu cacifo, já que as minhas roupas tinham ficado arruinadas com o sumo de uva. Talvez fosse por isso que as pessoas que estavam no pátio me olhavam de lado, ou simplesmente por ser completamente patético.

Fiquei quietinho ao sol no meio do pátio, tentando absorver o máximo de calor, já que o fato de treino não era apropriado para esta altura do ano. Encarei todas as outras almas que por ali deambulavam e encarei o grupo que estava num banco em baixo de uma árvore.

A Sarah estava encostada á arvore e conversava com o Luca que estava sentado em cima da árvore. O Taylor tentava alcançar o Damond que tinha feito o gorro do loiro de refém, a Lily parecia tentar fazer com que eles parassem com a brincadeira, enquanto a Valentina estava mais entretida a mexer no telemóvel. A Lily inflou as bochechas e voltou-se encarando na minha direção. Ela ao principio não me deve ter visto, mas momentos depois abriu um sorriso e fez um gesto para que eu fosse ter com eles.

Hesitei um pouco. Afinal, aquele era o grupo mais estranho que eu já tinha visto e aprecia ter sido criado do nada. Sabia que o Taylor e a Lily já eram amigos há muito tempo assim como a Valentina, o Damond surgiu um dia com um relacionamento de quase irmandade para com o Taylor e uns dois anos depois apareceu o Luca que também se foi juntar ao grupo. A ultima a juntar-se fora a Sarah, que entrara este ano na escola. Pelo que a Lily me disse ela é a enteada da sua tia.

Não me dava mal com nenhum deles, embora a Sarah me desse um pouco de medo. Na verdade, eles eram os mais próximos de amigos que eu poderia ter. Caminhei até eles, mas a meio do caminho algum esbarrou comigo fazendo com que eu caísse no chão. Esperei por algum tipo de pedido de desculpas, no entanto esse nunca veio e quando olhei para cima percebi o porquê.

O Andy fitava-me com um sorriso maldoso. Revirei os olhos já farto daquilo e comecei a levantar-me, mas fi mais uma vez violentamente empurrado para o chão.

-Merda deve de ficar no chão.- Rosnou ele.

-Então, porque é que há tanta na tua cabeça?- Murmurei.

Aquilo era suposto ser apenas um comentário interno, por isso assustei-me quando ouvi a minha voz a replicar aquilo em que tinha pensado. O Andy retorceu a cara de raiva e levantou-me do chão pelos colarinhos acertando um soco na minha bochecha.

Ele nem se deu ao trabalho de me continuar a segurar fazendo com que eu voltasse a cair no chão. Os seus comparsas tentaram atacar-me em seguida, fechei os olhos e esperei pelos golpes, mas por algum motivo não vieram. Quando os voltei a abrir, percebi que havia um par de pernas entre mim e as dos meus atacantes.

Antes que eu pudesse perceber de quem eram, essa pessoa moveu-se e antes que eu pudesse perceber ela engalfinhou-se numa luta com um dos outros três mandando-o para o chão. Tentei levantar-me e separar a luta, mas fui bruscamente empurrado para trás pela minha salvadora que pelo longo cabelo moreno que lhe caia pelas costas só podia ser a Sarah.

-Sarah, espera!- Pedi, mas as minhas palavras foram completamente ignoradas.

 Olhei em volta e ao nosso redor tinha-se formado uma aglomerado de curiosos sedentos de sangue que gritavam incentivos. O Luca e o Damond conseguiram furar aquele mar de pessoas e tentaram separar a Sarah do Andy que já estava a levar o seu quinto soco.

 A Sarah rosnou de raiva ao ser agarrada pelo Luca e se ele não fosse ele seria provavelmente arrastado por ela. Logo a seguir ouvi o apito do guarda que ficava na escola a aproximar-se.

-Corram!- Gritou alguém.

Logo a multidão se dispersou, mas quando eu tentei fugir o Andy agarrou-me pelo braço mantendo-me no mesmo sitio. O Luca tentou soltar-me do Andy mas não deu tempo e o guarda apanhou-nos. Pude ver o olhar vitorioso nos olhos do guarda ao encarar o Luca.

-Ora, ora, vejo que se meteram em sarilhos… outra vez.

 Suspirei sentindo o Andy a largar o meu braço. Encarei-o pelo canto do olho e vi que ele tinha um sorriso, embora a sua cara já começasse a ficar roxa dos socos dados pela Sarah. Ser apanhado por este guarda era o equivalente a ter uma passagem direta para a sala do diretor e pela forma como ele nos encarava era obvio que acreditava que nós eramos os causadores de tudo aquilo.

-Andy, vá á enfermaria.- Ele voltou-se para nós.- Venham comigo.

Fomos atrás deles como cordeirinhos guiados para o matadouro. Eu mantinha os olhos vidrados no chão enquanto o meu coração acelerava. Eu não podia ser suspenso, oque é que diria á minha mãe?! Depois de uma caminhada que pareceu ser a mais longa da minha vida chegamos á sala do diretor.

O guarda bateu á porta e a mesma foi aberta pela nossa stora de inglês, que deu um sorriso maldoso repuxando os lábios pintados de vermelho antes de sair da sala. Fui empurrado rudemente para dentro da sala pelo guarda sendo depois seguido pelo Luca e pela Sarah.

-Senhor Diretor, este rapaz estava a agredir um outro aluno da escola.- Começou o guarda.

O Diretor pousou os olhos no Luca e manteve a sua face inexpressiva, embora os olhos tenham brilhado. Ele levantou-se da sua cadeira e ajustou a gravata.

-Senhor Crucio. Creio que o avisei que se você voltasse a causar algum tipo de distúrbio o senhor seria expulso imediatamen…

 -Fui eu que espanquei o gajo.- Rosnou a Sarah entre dentes.- O Hector e o Luca tentaram separar-me dele.

-Minha querida…- Começou o Diretor com um pequeno sorriso de escárnio.-… uma mulher não conseguiria fazer aquele tipo de estragos num rapaz bem constituído como o Andy.

A Sarah rosnou e descruzou os braços da frente dos pulsos mostrando os nós dos dedos ao homem á sua frente. A sua pele estava ferida em alguns lugares sangrava.

-Eu tenho força para aquilo e para muito mais.- Rosnou em ameaça, voltando a cruzar os braços em frente ao peito.- Se não fosse o Luca o gajo estaria morto, então esse tal de Andy deve-lhe um agradecimento.

E com isto ela saiu do escritório sem ouvir oque o Diretor tinha para dizer.

Ele voltou a sentar-se á secretária e suspirou, mantendo um olhar de ódio e rancor sobre o Luca. Pudia ver-se que ele tentava de todas as formas arranjar alguma maneira de fazer com que ele fosse expulso. Felizmente tocou para a entrada, pelo que ele fez um gesto desdenhoso com a mão indicando que podíamos sair dali.

(Sarah On)

Encarava o espelho da casa de banho das raparigas. Quando cá cheguei, este mesmo lugar era ocupado por um monte de miudinhas do sétimo ano que, entre risinhos estridentes, comentavam coisas inúteis e desnecessárias que não tomei o meu tempo a tentar decifrar. Bastou mandar um rosnido ameaçador que elas saíram da casa de banho, deixado o lugar empestado com o cheiro do medo.

Prestei atenção nos meus olhos dourados, mas que tinham algum contornos verdes. Revirei os olhos com aquilo, sabendo que ela deveria estar a espreitar pelos meus olhos.

-Podes parar?- Perguntei, sentindo-me incomodada com a ligeira preção que ela exercia no meu consciente.

Ela deu uns risinhos infantis antes de falar “Não!”

Rosnei-lhe embora tenha saído tanto físico quanto mental.

 Ela riu mais um pouco antes de comentar “A mana grande está irritada! Pergunto-me pelo que será?”

“Sabes bem o porquê, parasita imundo!” Rosnei-lhe

Ella aumentou o tom das suas gargalhadas e suspirou. Se tivesse forma física estaria a chorar de tanto rir.

“Nunca te vi a partir em defesa de ninguém, mana grande!” Senti-a a forçar as memorias de quando me apresentei em defesa do Luca. “Será porque é este humano…”

“Vai á merda!” Rosnei-lhe, se lhe pudesse bater, espancá-la-ia até á morte. “Sabes como é que eu sou impulsiva! E achei injusto a forma como foi tratado!”

“Então… estás a dizer que farias aquilo por qualquer pessoa injustiçada?”

Ia dar uma resposta afirmativa, mas percebi que ela poderia sentir quando eu mentia, até agora, enquanto eu tinha este debate interno, ela deveria estar a ver e a rir das minhas reacções.

“Se tivesse com disposição para isso… o Luca teve sorte por me apanhar num dia sim. Além do mais, foi muito gentil desde que cheguei aqui, não tinha o porquê de não o ajudar.”

Olhei de novo para o espelho e contive o asco ao ver uma forma exactamente igual á minha pessoa, posicionada metros atrás. Revirei os olhos com aquilo enquanto ela sorria mostrando os dentes aguçados. Na verdade ela não era igual, os seus olhos queimavam em fogo verde e os seus cabelos eram ainda mais rebeldes que os meus.

-Luca…- Murmurou, como se saboreasse o nome e aproximou-se de mim abraçando-me pelo pescoço, enquanto sentia a sua respiração no meu pescoço.-… posso brincar com ele?

Dei uma gargalhada alta e fiquei a vê-la ficar cada vez mais transparente, enquanto ia perdendo as forças para manter aquele teatro. Ela não tinha forma física, mas podia criar um alucinação realista. Ela não tinha dificuldade em  manipular as sensações físicas, fazendo com que parecesse que estava ali, mas despendia de energia preciosa, pelo que não o fazia muitas vezes, para a minha sanidade.

Agarrei na mala que tinha usado para agredir uma das miúdas que me tinha tentado peitar e saí daquele cómodo, com um cheiro nauseabundo. Andei pelos corredores, perdida entre pensamentos e afins.

Os vários cheiros e sons tornavam-se numa tremenda distracção. Isso era mais um pequeno brinde que vinha com todos os outros males, ela incluída. Podia ouvir as coisas indecentes que se passavam no escritório do director e sentir o cheiro da sanduiche que um aluno tentava comer no meio da aula.

Inspirei fundo, e apesar de todos os outros cheiros pouco agradáveis, surgiu-me um, muito fraquinho, mas deveras atraente. Quando dei por mim estava a farejar os corredores á procura de onde vinha aquele odor. Sabia a quem pertencia, oque fazia com que aquela idiota não parasse de soltar comentários sarcásticos e inconvenientes.

-Já disse para te calares!- Rosnei-lhe afastando-a da minha consciência.

Encarei então o lugar a onde o rasto me tinha levado. Estava num corredor vazio, poucas salas eram utilizadas ali. O cheiro passava pela porta ao fundo do corredor, mas quando a tentei abrir a fechadura estava trancada. Bufei e agachei-me tirando dois ganchos da mala. Comecei a tentar abrir a fechadura, sabendo perfeitamente poderia mandar a porta abaixo se o quisesse, mas não queria mais problemas com o director. Seria uma pena se tivesse que mudar de escola.

Assim que fui bem sucedida, vi que atrás da porta estavam ainda mais escadas. Subi-as de dois em dois, começando a achar que estava demasiado difícil encontrar-me com o portador daquela fragrância.

Quando cheguei ao fim das escadas e abri a ultima porta, recebi uma onda de luz solar, que fez com que fechasse os olhos incomodada.

Um rapaz de cabelos negros estava encostado á grade e não parecia ter dado conta da minha presença. Ele parecia um ponto negro no meio da neve deixada na noite passada. Ele tinha um fones gigante nos ouvidos e não estranharia se não pudesse ouvir nada do que se passava a seu redor.

Fechei a porta atrás de mim, indo me sentar não muito perto do Italiano. O vento sobrou na sua direção mandando-me o seu cheiro na sua direção. Era bom, muito bom! Doce sem ser enjoativo. Bom o suficiente para querer passar horas a senti-lo.

O Luca abriu os olhos espantado, finalmente notando a minha presença.

-Como é que me encontraste?- Perguntou tirando os fones dos ouvidos.

-Instinto e sorte.- Respondi num encolher de ombros.

Caímos num silencio que não era de todo desconfortável. Era até que calmante pois não era obrigada a procurar um assunto para falar com a pessoa que está ao meu lado. Por mais que o meu psiquiatra diga que isso é algo normal e que eu deveria de fazer para me entregar não o conseguia fazer. Pelo menos o Luca era uma pessoa que conseguia ficar em silencio quando o momento o pedia. Talvez seja por isso que quase que nos podemos chamar de “amigos”.

-Obrigada.- Murmurou.

Encarei-o confusa vendo os seus cabelos a caírem para cima dos seus olhos, mas que ele logo tratou de os afastar.

-Por aquilo que fizeste na sala.-  Completou ao ver que eu não tinha percebido.

-Oh… Não foi nada.- Reprimi a vontade de encarar o chão devido ao constrangimento e senti as minhas bochechas a corarem de leve.- Limitei-me a dizer a verdade.

-Isso foi o suficiente.- Murmurou com um brilho de gratidão no olhar.

-De nada…- Respondi sem jeito.- Também vêm com o bónus de chatear o diretor, aquela gárgula velha.

  Ele soltou algumas gargalhadas que foi de longe o som mais bonito que tinha ouvido naquele dia. Voltamos a ficar em silencio. Dei por mim a analisa-lo inconscientemente.

O seu cabelo negro e rebelde contrastava com a pele clara quase branca, com uma cicatriz na bochecha um pouco mais escura. O seu pote físico passava despercebido, já que ele andava sempre de preto e com aquele casaco enorme, mas por de baixo de tanta roupa deveria de ter alguma coisa, já que ele dava uma tareia em quer que se metesse com ele.

 “Ele é bonito” Ronronou ela.

 “E tu és louca” Resmunguei.

Grunhi mentalmente para que ela se calasse. Só então olhei para os seus olhos prateados, destacados com o delineador, e reparei que ele também me tirava as medidas. Baixei os olhos um pouco embaraçada. O seu batimento cardíaco também aumentou oque fez com que eu desse um leve sorriso.

-Então…- Começou ele com as bochechas levemente coradas.- Já há algum tempo que te queria perguntar se tu… não querias ir para casa comigo, sabes de mota?

-Sim.- Aceitei sem hesitação, afinal isso ira fazer com que eu passasse menos tempo no hospital á espera que o Leo saísse.

Ele abriu mais o sorriso e tive que concordar com ela: “Ele é bonito”.

  

(Valentina On)

-Valentina!- Exclamou o Duarte descendo as escadas e vindo para o meu lado.

Ele beijou-me de leve nos lábios. Nesse momento vi uma rapariga loira a encara-lo e ele retribuiu o olhar. Revirei os olhos para isso.

O nosso “namoro” nem se podia chamar de “namoro”, não havia amor nele. Ao principio sim da minha parte, mas não ser correspondida por tanto tempo fez com que o quer que sentisse por ele desaparecesse. Nós estamos apenas por interesse dos nosso pais que pretendem juntar as empresas com os nosso casamentos. Alguém tem que os avisar que já não estamos na era Medieval! Eu sabia que ele me traia e isso não me afetava nem um pouco já que faço o mesmo.

Ele levou-me até casa como um belo monte de bosta, vestindo uma armadura reluzente, que era.

Despedi-me dele e entrei em casa. A minha mãe estava na sala com um cigarro na boca e com as amigas á volta da mesa jogando poker. Cumprimentei-as uma a uma pregando-lhes dois beijos em cada bochecha tentando não tossir por causa do cheiro do fumo.

-Os gémeos?- Perguntei á minha mãe.

-Devem estar no quarto, sei lá eu disso! Pregunta á empregada!- Respondeu com desprezo.

Suspirei e voltei para trás. A nossa casa era grande e luxosa, afinal a família King não poderia viver em lugar mais pobre que este. Revirei os olhos com este pensamento, tendo vontade de me afogar por pensar um segundo sequer como os meus progenitores. Subi as escadas de dois em dois entrando no quarto dos meus irmãos mais novos.

Eles estavam sentados na cama a fazer os trabalhos de casa, embora já parecessem ter acabado há muito. O primeiro a notar a minha presença foi o Marco que levantou os olhos azuis e correu para mim abraçando-me.

-Mana!- Ele saltou para o meu colo.

Logo o George também seguiu o seu exemplo e se abraçou a mim. Ri e despenteei os seus cabelos esbranquiçados.

-Porque é que vocês estavam a olhar para os livros se já tinham os Tpc feitos?

-Porque a mamã disse que se fizesse-mos muito barulho ia contar ao pai!

Bufei e larguei-os na cama. Esta mulher... Se ele se interessasse pelos filhos como se interessa por poker e bijuteria não estaríamos nesta situação.

Ataquei os dois com cócegas. Eles começaram a rir e a se contorcer no chão.

-Mana para! A mãe vai dizer ao pai!- Comentou um a meio dos risos.

-Deixa que eu trato dele.- Rebati sorrindo com o som cristalino das suas risadas.

Ela pode ter abandonado as suas funções como mãe, mas eu não vou abandonar o meu papel de irmã mais velha.

         

            (Lily On)

Tinha ficado uns belos quinze minutos á espera que a Valentina aparecesse antes de me lembrar que ela deveria de ter ido para casa com o Duarte. Suspirei com aquilo, pois significava que agora tinha que ir para a Cooperativa sozinha.

Estremeci ao senti o frio que se fazia sentir e puxei o cachecol de forma a tapar-me o rosto até ao nariz. Então senti alguém a puxar-me pelo casaco.

-Smurfina!

Tive que me afastar para o poder encarar tal era a sua altura. Os seus cabelos arruivados estavam presos num rabo de cavalo, deixando as feições bonitas á vista. Os seus olhos azuis escuros pareciam quer-me perscrutar.

Eu perguntava-me se ele saberia o meu nome de verdade, já que me chamava sempre pela alcunha. Não nos falávamos muito, mas sendo ambos amigos do Taylor já tínhamos almoçado e passado vários intervalos juntos. Digamos que eu admirava o facto do Taylor ter ficado menos depressivo desde que o conheceu, e eu agradecia-lhe por isso.

-Olá Damond.- Murmurei.

-Então baixinha, estava á tua espera!- Reclamou como se estivesse ofendido.- Tch!

Esqueci-me completamente do Damond!

-E-Eu não sou baixinha!- Reclamei, embora soubesse que a minha altura era diminuta.- Tu é-é que és muito grande!

-Muito grande é?- Perguntou com um pequeno sorriso malicioso.

Quis cavar um buraco e morrer! Porque é que ele tem que fazer esses comentários?! Ele resfolegou divertido e abanou a cabeça de um lado para o outro.

-Vamos, então? O maestro mata-me se me atrasar mais uma vez.- Comentou, ajeitando o estojo do violino no ombro.

Suspirei e fiz o mesmo com a bolsa da escola. Nós tínhamos aulas no mesmo edifício, ele de violino e eu de artes. Fazer este caminho em conjunto até que era regular pelo menos quando ele não estava rodeado de pessoas idiotas, tipo aquelas raparigas que babavam por ele.

Como era costume ele não se calava, era uma completa gralha! Mas de certa forma compensava a minha falta de fala. Caminhar ao lado dele tinha as suas desvantagens, parecíamos ser o centro das atenções.

Na verdade ele era o cento das atenções mas eu também senti os olhares em cima de mim, principalmente das, e dos também, idiotas que já tinham tentado ter algo com o Damond, mas no fundo foram comidos e cuspidos logo a seguir. Essa é a marca registrada do Damond. Por isso é que eu não percebo que, mesmo sabendo disso, as pessoas ainda se sentem atraídas por ele. Ele é meu amigo, não digo que o odeio, porque não o faço. É meu amigo e não tenho por habito mexericar na vida sexual das outras pessoas.

-Parece que elas me querem matar.- Murmurei sentindo os olhares que se cravavam nas minhas costas.

-Ignora-as.- Falou com naturalidade, encolhendo os ombros.- É oque eu faço.

Sorri  de forma tremula, voltando a prestar atenção no caminho enquanto ele tagarelava.

 

(Taylor On)

Mais uns passos e já estava á porta do estúdio, entrei lá dentro e levei logo com uma onda de calor, obrigando-me a tirar o cachecol e a desapertar o casaco. Tive com vontade de dar meia volta e voltar para o frio, meu amado frio! Se eu pudesse, namoraria com o Jack Frost! Entretanto, as minhas esperanças foram apagadas por uma morena que me abraçou.

-Sr. Roosevelt!- Revirei os olhos á secretária, que tentava ir para a cama com todos os modelos daquela agência.- Já estão todos á sua espera!

Foda-se! Fui até ao balneário com lentidão. O meu plano tinha dado certo, não estava ninguém lá. Suspirei aliviado e comecei a vestir as roupas que estavam em frente ao meu cacifo. Tentei perlongar aquele momento o máximo possível, mas logo uma das maquiadoras disse para eu me despachar que a seção estava quase a começar.

-Eu quero mais é que a seção se foda!- Rosnei, mas acabei de me vestir e saí do meu refugio, mas antes dei uma olhada ao telemóvel e respondi ás mensagens sem sentido do Damond.

Assim que sai a maquiadora saltou-me para a cara e começou a encher-me de pó e outro tipo de maquiagem para tapar algumas das borbulhas que tinha, embora usar esse tipo de produtos me fizesse ficar pior da acne. Então o fotografo começou a dizer oque teríamos de fazer um ensaio para uma matéria qualquer para a revista inútil e teen.

Eu teria que pousar com uma modelo que não conhecia de lado nenhum, já que a King, a minha parceira, estava de folega. Aguentei aquilo por hora e meia, as luzes que faziam com que a minha cabeça começasse a doer e a modelo não tentava disfarçar o facto de se estar a esfregar em mim.

Suspirei de alivio assim que o fotografo disse que tínhamos terminado. Depois disso tive que fazer mais alguns ensaios, uma só com os modelos masculinos e outro com várias raparigas.

Finalmente disseram que poderia sair. Fui para o balneário, mas desta vez, não estava sozinho. Por mais que fossemos poucos modelos masculinos eles ainda estavam demasiado perto. Não podia dizer que não eram bonitos, porque eram, mas saber que havia a possibilidade de eles me atacarem como o meu pai fez.

Talvez fosse até um pouco de trauma do que tinha acontecido, mas não podia fazer nada quanto a isso. Não consigo esquecer com fui tratado. Talvez devesse de aceitar a proposta do Damond…

Abanei a cabeça de um lado para o outro e tirei a camisola, virado para o cacifo, escondendo a enorme cicatriz que tinha no meu peito e logo vesti a minha roupa. Aceitar a proposta do Damond está fora de questão! Ele é meu amigo! E não quero apenas uma foda, mas sim um relacionamento.

Acabei de vestir as calças, que tiveram um pouco de dificuldade em passar pelas minhas coxas e nádegas um pouco roliças. Saí daquele inferno, indo para outro chamado “casa”.

 

            (Luca On)

Encarei a rapariga que caminhava á minha frente com o cabelo moreno até á cintura a balançar ao sabor da brisa. Isto era muito estranho, parecia até um sonho. Na verdade, para confirmar que não era um sonho, cortei algumas vezes o polegar. A ferida fechou num piscar de olhos, literalmente, mas a dor servia para comprovar que não era um sonho. Eu estava bem acordado e a Sarah tinha mesmo falado comigo… embora no inicio nem o meu nome soubesse.

Não posso negar que fiquei feliz ao abraçar a minha cintura quando montou na garupa da minha moto, mas foi uma viagem curta, pois agora estávamos em frente ao maior hospital da cidade e arredores. Estranhei o facto de estarmos aqui, mas não me opus, afinal eu queria passar um pouco mais de tempo com ela.

-Por aqui.- Falou, indo para a lateral do hospital, ignorando por completo a entrada principal.- Podes ficar aqui em baixo não me vou demorar.

Encarei-a do tipo: Eu não vou ficar cá em baixo ao frio! Ela sorriu e começou a subir a fachada do prédio com agilidade e rapidez. Fiquei espantado com aquela agilidade, mas ela parou ficando á espreita numa janela. Suspirei e segui-a pendurando-me também naquela janela.

Era um consultório, grande. Da janela dava para ver um sofá de couro de dois lugares onde uma mulher estava sentada. Ela parecia falar para alguém sentado num cadeirão de espaldar alto de costas para a janela, pelo que não dava para ver o seu ocupante.

-Merda esqueci-me que ele poderia estar em consulta!- Rosnou ela.

-Ele é o quê?- Perguntei.

-Psiquiatra.- Respondeu com os olhos fixos na sala.

-Tens consultas com ele?- Perguntei, distraído percebendo tarde de mais o meu erro, mas ela não se pareceu importar.

-Sim.- Respondeu com naturalidade.

Decidi não perguntar mais nada, embora estivesse curioso. Ficamos um pouco naquela posição, vendo oque passava no interior da sala até que a Sarah emitiu um som que parecia um miado longo e arrastado de um gato em sofrimento. Lá dentro não se deu nenhuma alteração, oque fez com que eu pensasse que ela realmente não batia bem da bola, mas logo a mulher abriu um sorriso, cumprimentou o homem, que agora estava de pé, e saiu da sala.

Então o médico veio até á janela e abriu-a, permitindo que nós entrássemos.

-Tiveste sorte que estava no fim da consulta ou tinha-te obrigado a ficar ali pendurada!- Rosnou ele.

-Ah, Leo! Não serias capaz de fazer uma coisa dessas!- Falou com uma mão na cintura.- Tu amas-me!

-Claro pirralha!- Resmungou com sarcasmo.

Aquele era o médico com menos aspecto de médico que eu já tinha visto. Era alto, mas quem é que não o era do meu ponto de vista, cabelo rapado de um dos lados, fazendo um contraste bonito com os cabelos azuis turquesa e longos que lhe caiam pelo rosto,  já que ele não o tinha tentado pintar, ficando no tom escuro natural. Ele usava roupas escuras que não ficariam mal em um concerto de rock.

-O que é que fazes com ele?- Perguntou com um leve aceno na minha direção.

-Eu sou…

-Sei bem quem tu és.- Resmungou.

Inspirei fundo, estava mais que habituado aquele tipo de tratamento. Mas a Sarah não, oque fez com que ela me defendesse pela segunda vez, hoje.

-Não lhe fales assim! O que é que o pobre do Luca fez?

Tocamos um olhar em que eu percebi que ele sabia oque eu era. Os seus olhos vermelhos fitavam-me com raiva, provavelmente acuado para defender a Sarah. Não vou negar que aquilo me deu uma pontada de ciúmes.

Era óbvio que ele já me deveria ter visto a passar pelos corredores, a arrastar um Cédric magoado ou a fazer uma das inúmeras consultas que a Gina me impinge… por falar nisso tenho uma daqui a duas semanas. Só espero que essa informação não façam com que a Sarah se afaste de mim.

-Eu vou para casa com o Luca.- Falou decidida.- Não estou para esperar aqui que o meu pai apareça.

Ele suspirou e recostou-se na cadeira.

-Como se eu pudesse refutar essa decisão. Ás vezes és tão teimosa quanto uma mula.

-Obrigado por me comparares com um asinino malcheiroso!- Falou com sarcasmo antes de dar meia volta e sair pela mesma janela.

Segui-a sem olhar para trás, aterrando suavemente do seu lado. Ela abriu um sorriso e fomos em direção á moto. Vi o seu sorriso esmorecer ao olhar em direção á moto. Olhei na mesma direção e senti uma leve irritação misturada com tédio. Vários marmanjos tinham rodeado a moto e estavam armados com tacos de beisebol com pregos pregados e alguns tinham navalhas rombas.

Suspirei sentindo o tédio a aumentar. Fui na direção deles, afinal sobre nenhuma hipótese iria deixar a minha moto perto daqueles marginais. Fiz um gesto para que a Sarah ficasse para trás, mas ela revirou os olhos e teimou em seguir-me.

-Posso ajudar?- Perguntei em voz mansa.

Eles assustaram-se, provavelmente não esperando uma abordagem daquela. No entanto, eles rapidamente se recompuseram inchando os peitos e lançando esgares maldosos.

-Aqui estás tu, Lupo…- Rosnou um.

-Tínhamos a esperança de te encontrar, Assassino!- Um brandiu o taco de beisebol no ar ameaçadoramente.

Mantive-me imóvel e com os braços cruzados á frente do peito. Pelo canto do olho encarei a Sarah que mantinha-se ao meu lado com os lábios ligeiramente arreganhados. A nossa altura era igual, então para ela, eles também deveriam parecer gigantes. Ela está a demonstrar coragem. Isso é bom, por momentos pensei que fosse só rebeldia.

-Se estão aqui devido á morte do vosso chefe, lamento informar-vos que não foi algo pessoal. Estava apenas a seguir ordens.- Falei num tom calmo.

Se os pudesse dissuadir… se pudesse evitar um derramamento de sangue… já teria o dia ganho.

A raiva nos seus olhos aumentou e um deles partiu para cima de mim. Tanto eu como a Sarah desviamos, embora ele tentado ataca-lo, e seria bem sucedida, se não a segurasse.

-Não assim.- Murmurei.

Ela rosnou e libertou o seu braço, mas não tentou atacar de novo.

-Meus caros senhores.- Falei ainda num tom baixo e calmo.- O vosso chefe foi morto depois de vários avisos da parte da Família Santos para ele desmantelar o gangue. É sabido… que é proibido criar algum tipo do organização desse tipo neste território.

Eles pareciam estar ainda mais furiosos. A Sarah ficou tensa do meu lado pronta para atacar. Tirei então lentamente as chapas de dentro da minha camisola, marca registradas de um Assassino. Vi-os a arregalar os olhos enquanto fitavam as chapas douradas, uma delas com um A/5 gravado.

-Foi-vos dito para dispersarem.- Murmurei.- Eu não vou morrer aqui. Então se vocês me atacarem, é melhor despedirem-se dos seus entes queridos.

Eles encaram-me, alguns com expressões amedrontadas. Basta um… se um recuar recuam todos. Então, depois de vários momentos de tensão, um deles recuou e como previra os outros logo o seguiram.

Assim que o ultimo se foi, virei-me para a Sarah com um pequeno sorriso. Ela encarava-me com uma sobrancelha erguida, como se estivesse á espera de uma resposta.

-Não queria um derramamento de sangue.- Falei.

-Eu tê-los-ia atacado sem pensar duas vezes.- Comentou, pondo o capacete suplente.- Vamos?

Abri mais o sorriso e montei a moto. Conduzi, sob as instruções dela até chegarmos a uma estrada que se perdia no meio da floresta. Segui essa estrada até que entramos numa clareira, onde estava instalada um chalé de dois andares e aspecto rustico. Ela desmontou a moto e sacudiu o cabelo, dando-me o capacete.

Também tirei o capacete para me despedir dela.

-Então… Até amanhã.- Falou dirigindo-se para casa.

Fiquei a vê-la afastar-se então quando ia a pôr o capacete ouvi-a mais uma vez:

-Luca!- Chamou-me a poucos metros de distancia.- Eu tive uma ideia! Tu és bom em Matemática, eu sou boa em tudo o resto, e que tal que nós ajudássemos mutuamente?

-Tipo… um clube de estudo?

-Yah!

Pensei ponderar por um pouco, embora já tivesse a resposta bem definida.

-Claro!

Ela sorriu, antes de correr em direção a casa.

 

            (Damond On)

Cheguei a casa e fechei a porta com mais força que o necessário. A casa estava parcialmente iluminada pelas luzinhas led programadas para acender sempre que anoitecia. Uma medida extremamente importante para manter oque restava da minha sanidade. Pendurei o casaco e o cachecol no bengaleiro e encaminhei-me até á sala acendendo todas as luzes á minha passagem. Lá sentei-me no sofá branco extremamente confortável e fechei os olhos. A minha ovelha não me tinha conseguido satisfazer, mas verdade aquilo estava tão mau que tive vontade de parar a meio e ir procurar outra pessoa.

Olhei em frente, vendo o terrário onde jiboia arborícola com dois aninhos, me encarava deitando a língua de fora. Sorri e abri o terrário transferindo-a para os meus ombros. Ela enroscou-se nos meus ombros e soltou um sibilo agradável.

-Olá filha.- Murmurei para a serpente.- Olá Sniper.

-Estás outra vez a falar com a cobra?

Encarei o corvo que estava no poleiro. Ele era maior que um corvo normal, na verdade tinha o tamanho de um falcão e fitava-me com olhos inteligentes.

-Tu és um corvo e isso não me impede de falar contigo.

Ele deu vários estalidos com o bico que eu reconhecia como sendo uma espécie de riso.

-Mas eu sou um corvo e tanto!- Grasnou.

Revirei os olhos e sentei-me no sofá tirando a Sniper que já começava a escapar para o meu pescoço.

-Brincadeiras á parte… Descobriste alguma coisa?- Perguntei, fitando o corvo que tinha começado a limpar as penas.

-Digo se me fizeres uma refeição decente!

Suspirei, já sabendo que algo assim iria surgir.

-Posso mandar vir comida.- Falei enquanto tirava o telemóvel. Podes escolher.

-Tailandesa, está a apetecer-me algo picante…

Decidi ignora-lo e só depois de fazer a chamada é que ele finalmente desembuchou oque tinha visto.

 -Tenho visto uns homens estranhos a passearem pelas ruas. Não os reconheci de lado nenhum, mas parece que estão a fazer aliados e a recrutar gente.

-Uma gangue?- Perguntei, já começando a achar que tinha desperdiçado uma grande oportunidade para pedir pizza.

-Sim, mas não é um gangue qualquer. Estão bem organizados, quem quer que esteja por detrás daquilo tem um objectivo claro em mente.- Ele pigarreou para clarear a voz.- E algum homens da máfia desapareceram.

Brinquei com a Sniper, pensando no que ele me tinha acabado de contar. Não é como se me fosse afectar directamente, não tenho assuntos profundos com a máfia.

-A desgraça deles é o nosso lucro.- Murmurei.- Deixa-os queimar.


Notas Finais


Então gente, é isso por hoje. Se gostaram não esqueçam de favoritar e comentei o que acharam, é muito importante. E até á próxima!
Bey-Bey!


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