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História Brutal - Capítulo 1


Escrita por: monsune

Notas do Autor


ontem (hoje?) adotei mais uma capa com a @markpoets pois me encanto demais com tudo o que ela faz e não posso evitar de me segurar então muito obrigado por me aturar mais uma vez. cuide-se [e ouça aphrodite (rini)] 🌻

Capítulo 1 - I. inevitável


É estranho como às vezes me sinto um completo desconhecido em qualquer lugar que eu vá, mesmo que esta cidade seja do tamanho de uma uva e todo mundo saiba cada acontecimento ocorrido até mesmo nos becos escuros onde vez ou outra são escape para trombadinhas metidos a vida louca e pessoas que realmente são loucas. É estranho como me sinto invisível e mais estranho ainda como sinto o frio na pele de minha alma despida perante os olhos escuros de Jisung. 

Jisung foge da realidade quando dá play em sua música favorita e fecha os olhos, às vezes sorri, às vezes fica sério, sabe-se lá o que fofocam seus pensamentos. Somente sei que os meus estão com os olhos vidrados nele, no formato de seu rosto, em seu nariz, nos cabelos bagunçados, no fato de que posso ouvir seu coração bater por estar com a cabeça deitada em seu peito enquanto me questiono o motivo de ter sido chamado aqui. 

É segunda-feira e uma festa acontece aqui no andar de cima, lá embaixo, no quintal, no jardim da frente — posso ouvir Minhyung gritar meio bêbado e entre gargalhadas para que não pisem nas flores de sua mãe. Hora ou outra alguém passa correndo pelo corredor do outro lado da porta, alguém grita, alguém gargalha, alguém lamenta e chora. E, no meio disso tudo, após semanas sem trocar uma mensagem sequer com ele, aqui estou, deitado em sua cama com as pernas recolhidas, pés encolhidos dentro das meias, coração acelerado enquanto ouço e sinto o dele pulsar e sua mão tocar minhas madeixas fazendo um afago viciante demais. 

Há algo de magnífico em estar com ele, algo que me faz sorrir quando ele diz que quer me ver depois de mais um dia entregando flores mortas no semáforo — detalhe que as flores são de sua mãe — e organizando as prateleiras do supermercado onde passa boa parte do tempo — talvez seja uma boa desculpa para fugir de interações com qualquer pessoa que seja. A gente se afasta, evita olhares, acorrentamos sentimentos e depois voltamos aos braços um do outro, que é o melhor momento, o melhor lugar do mundo — embora ficar longe dele me cause abstinência. 


— Alguém uma vez me disse que o amor é um veneno violento que causa a morte mais lenta, dolorosa e brutal possível.


Eu comentei como quem não queria nada, tirando o fone do ouvido pois me cansei de ouvir Aphrodite tocar pela sabe-se lá qual vez. Ele sorriu, parando o carinho em meu cabelo e passando o braço por minhas costas num abraço desajeitado. 


Patético. Está amando?


— Não que eu esteja, é só que… por que me chamou aqui? 


Ergui o rosto para olhá-lo outra vez, deslizando o dedo pelo desenho do Rigby em sua camiseta. Sua mão segurou a minha e a levou até seus lábios, beijando-a. Maldito.


— Porque estava com saudades.


— Era só mandar uma mensagem.


— Eu mandei.


Finalmente abriu os olhos e me olhou sonolento, provavelmente enxergando tudo mais escuro do que já está e, felizmente, não vendo o brilho nos meus por ter seu olhar sobre mim. Patético.


— Não, você me ligou e eu ainda estava no meio expediente. E sabe que odeio falar por ligação. 


— Por isso mesmo que o fiz, para te irritar. Adoro saber que está nervosinho pois fica uma graça. 


A verdade é que eu poderia abandonar essa cidade pacata e sem graça demais para me aventurar no desconhecido contanto que sua mão ainda segure a minha no futuro incerto. Tento o meu melhor para não dar ouvidos ao que meu coração diz, mas às vezes caio em tentação. E a quem estou querendo enganar? Eu poderia chorar porque esse mundo pequeno o qual nos cerca é asfixiante demais, contudo, ainda tenho a esperança de que um dia me verei livre daqui, dessa cidade e das pessoas as quais já cansei de desejar um bom dia com aquele mesmo sorriso de atendente de caixa — isso quando estão de bom humor. 

Amar é um ato de coragem, coragem porque você sabe que provavelmente terminará aos prantos, mas ainda assim quer sentir aquele sentimento de amar e ser amado por alguém — mesmo que não seja, exatamente, amor.


— Você me ama?


Talvez seja amor, paixão, o que caralhos for e talvez seja apenas a ilusão de que ele será, para sempre, o único universo existente capaz de cativar-me ao ponto de sonhar acordado com suas doces palavras e toque de dedos. Talvez eu apenas esteja louco.

Meu estômago ronca, o som que ecoa por toda a casa começa a me deixar ansioso. É o meu coração e o dele em sincronização. Deito a cabeça em seu peito outra vez e adormeço, amando-o nos sonhos pois sei que amá-lo cara a cara é brutal demais, mortal demais. O conheço melhor do que ninguém para saber do veneno que escorre em suas veias e que tolo fui — sou — por ter me apaixonado, foi inevitável

Enquanto as correntes não forem quebradas, fugirei da pergunta, de seu olhar que me instiga a cuspir a verdade para fora. Enquanto aqui ainda estiver, fugirei de suas doces palavras brutais de que talvez, um dia, me ame, embora diga já me amar. 




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