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História Bruxos e Príncipes - Capítulo 15


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, minha gente bonita! Aqui estou eu com mais uma att, e espero que aproveitem o capítulo.
Músicas citada: Is this love, Bob Marley
Vou deixar aqui um link dos looks que os Vkookmin vão usar em uma parte do capitulo:
https://mobile.twitter.com/ErosvJk/status/1277674245485662213/photo/2

Boa leitura!

Capítulo 15 - Four Moonchilds


Fanfic / Fanfiction Bruxos e Príncipes - Capítulo 15 - Four Moonchilds

Castelo real, Seul, 3025

23 de abril


Franzo a testa quando Jungkook afasta o corpo disfarçadamente, fazendo que a minha mão que estava sobre a sua coxa pendesse entre o vão das duas cadeiras. Ele estava rejeitando meu contato? Não, eram só paranóias da minha mente fodida. Mas eu sabia que não. O príncipe estava estranho desde ontem à noite, quando ele chegou da central. 

Eu o encontrei na cozinha, encostado na parede de azulejos, os braços cruzados na altura do peito e o olhar perdido e desfocado. Ele parecia cansado. Porém, não era somente um cansaço físico, parecia ser também um desgaste emocional. Li tudo isso o observando enquanto ele não notava a minha presença. E quando o fez, abaixou a cabeça, dizendo silenciosamente que não queria conversar. E eu respeitei isso, porque sabia que às vezes a solidão era o melhor remédio. Mas não pensava que esse silêncio se estenderia até o dia seguinte. Eu estava magoado, mesmo não sabendo do motivo. Não conseguia controlar isso. 

Quando os outros quatro perceberam a tensão que se instalou na sala de jantar, naqueles poucos minutos em que o almoço foi posto na mesa, tentaram nos fazer participar da conversa, mas as tentativas eram frustradas pela as respostas curtas do Jeon e a minha vontade nula de socializar. Parecia que a nuvem pesada sobre o Jeon tinha me afetado. Como se estivéssemos ligados de alguma forma. 

- A reunião entre os países ocidentais e o Conselho asiático já foi oficialmente decidida. Será no dia 25 de abril - o rei diz descontraído, chamando pela a primeira a atenção do príncipe - E não demorará muito para que a notícia saia na mídia a pedido daqueles reis mesquinhos - completa azedo, arrancando um sorriso divertido de mim. 

E parece que não fui o único quando escuto a risadinha curta do mais novo, mas não menos impactante. Céus, eu já estava até com saudade de uma risada. 

- Querido! - Hyujin ralha, mas com um sorriso humorado nos lábios. 

- Ele está certo, Hyu - minha mãe defende o amigo - Essas majestades parecem estar sempre competindo entre si para ver quem mais aparece na Internet. Uma completa baboseira - balanço a cabeça, concordando com a ruiva. 

- Quando isso foi decidido, pai? - Jungkook indaga. 

- Fizemos uma vídeo conferência, e não lhe chamei porque sabia que não gosta dessas reuniões. 

- Está certo. Mas terei que arrumar um jeito de aprender a aturar esses velhotes nos próximos anos. 

- Boa sorte - a rainha diz compadecida, ganhando um beijo pelo o ar do filho. 

Como que ele ficou de repente tão solto? Talvez o problema fosse só comigo. 

- Heechul, meus soldados disseram que teve cartas chegando de vários países para você. É algo comprometedor? - sinto o meu corpo tensionar, mas me forço a relaxar. Precisava demonstrar calmaria. 

- São só alguns bruxos que responderam o meu chamado - meu pai fala imparcial, sem alterar as emoções do seu rosto. Ele era bom naquilo. Para mim era difícil mentir para os Jeon's, já que eram como a minha segunda família. 

Me sentia traindo a confiança deles. Mas era necessário. Assuntos de Odnum pertencem a Odnum

- Posso saber do que se trata, especificamente? - não julgo o seu questionamento. Chung-Oh era um rei, então era dever seu saber o que entrava e saía do seu reino. Mesmo que aquilo fosse uma tarefa árdua. 

- Pedi para que tomassem cuidado e se o quadro piorasse, que retornassem para Odnum. Não quero o nosso sangue escorrendo pela as mãos desses anti-bruxos - sinto o desprezo na sua voz. 

Mas nós três sabíamos que aquela não era toda a verdade. Nas cartas também haviam as confirmações dos bruxos que ergueram os escudos de proteção ao redor dos castelos. Não que isso anulasse todas as chances dos Vkhuner acharem o hospedeiro. Porém, diminuía. 

- Fez o correto, Heechul - a Jeon balbucia. 

Volto a minha atenção para a refeição, olhando de soslaio o moreno, mas ele não tirava os olhos do prato. Eu falaria com Jungkook quando saísse dali, nem que para isso tivesse que paralisa-lo. Contudo, eu sabia que não era capaz disso. Respeitava as decisões do general, mesmo que eu não concordasse. 

Termino de comer a entrada e o acompanhamento, pegando uma taça com a sobremesa que era um creme de limão com biscoitos. Degustei cada colherada com a maior calma do mundo, esperando que o príncipe se retirasse do recinto e eu pudesse segui-lo. 

Observo Jungkook se levantar, acenando para nós antes de sumir da nossa vista quando as portas são fechadas. Logo em seguida me ergo, fazendo uma mesura para os mais velhos e depositando um beijo na bochecha da Kim, saindo da sala de jantar. Dou boa tarde para os dois soldados antes de ver o general quase no fim do corredor, caminhando distraído e aéreo. Ando em passos largos, tocando no seu ombro, o sentido retesar sob meu toque. Ele se vira para me encarar, a expressão séria. Os olhos que me olhavam com carinho e amor, agora estavam angustiados e raivosos. 

- O que foi, Taehyung? - seu tom era firme. E meu nome nunca pareceu com um insulto como naquele momento.  

Engulo em seco, abruptamente nervoso. 

- Precisamos conversar, Gguk - falo suave. 

- Não, não precisamos, Taehyung - se afasta da minha mão, virando para se retirar, mas o impeço ao pegar no seu pulso, o obrigando a ficar. 

- É hyung ou bruxinho - a mágoa estava explícita - E sim, você sabe que temos que conversar. 

- Então diga o que deseja, hyung.

- Eu respeitei que ontem você não queria falar comigo, Jungkook. Mas você está me ignorando a manhã toda. Ficou fugindo sempre quando eu aparecia para falar com você. 

- Eu tinha coisas mais importantes para resolver do que perder tempo em conversas, Taehyung. 

- Então eu não sou importante? - vejo a pose firme do moreno vacilar. 

- Eu não disse isso - suspira, baguçando os cabelos com a mão livre. Solto a outra quando percebo que ele não escaparia - Só estou cansado, ok? 

- Me fale o que é, saeng. Acima de tudo sou seu amigo e sempre estarei aqui. Pode confiar em mim. 

Quase pude ouvir a risada de escárnio escapar dos seus olhos debochados. Franzo a testa, de novo. 

- Não é nada que precisa se preocupar. 

- Jungkook, eu te conheço mais do que eu mesmo. Então sei muito bem quando há algo de errado. 

- É o stress que tenho passado na central, está bem? Também não dormi muito bem porque tive pesadelos. 

- Só isso? 

- Sim, hyung, é isso. 

- E os pesadelos não tinham parado? 

- Sim, tinham. 

- E quando voltaram? 

- Ontem à noite - é sincero. 

- Vou pedir que a mamãe prepare alguma porção de sono para você, pois sou um desastre nisso - solto uma risada retórica, e Jungkook não me acompanha. 

- Obrigado, Taehyung. Agora me dá licença, porque a minha tarde já está ocupada. 

- Espere, Gguk - me ponho novamente no caminho do outro. 

- O que você quer agora?! - pergunta em bom som, provocando uma faceta surpresa e magoada da minha parte. Meu corpo se encolhe, e o moreno parece se arrepender quando abaixa a cabeça. 

- Tae... 

- Eu só queria perguntar se iria para o desfile de verão, mas acho que a resposta é sim, então não tenho mais motivos para lhe encher a paciência - balbucio com armagor, meu interior se revirando em sentimentos confusos. Mas a raiva se sobressaia. 

- Hyung... 

- Boa tarde, Alteza - me curvo antes de voltar a andar, deixando o general para trás. 

E lá se ia toda a evolução que tivemos com aquele curto diálogo e voltávamos novamente a estaca zero. 


                          ●>●>●


- Que tal essa? - Jimin sai do closet com uma camisa preta e parcialmente preta nas mãos. 

- Não, cafona demais - digo, recusando a sétima blusa que o loiro escolhia. Eu estava na cama, deitado na vertical, com a cabeça pendendo para fora do colchão enquanto via o outro tentar achar alguma roupa que agradasse a mim e a ele. 

Na verdade, eu não estava com a mínima vontade de me aventurar em combinar roupas. 

- Vamos, me diga o que aconteceu - diz, se jogando na cama, sentando sobre os próprios joelhos dobrados. Engatinho, descansando a cabeça no seu colo. 

- O que te faz deduzir que algo aconteceu? 

- Garoto, eu sou seu melhor amigo - fala como se fosse a explicação mais plausível do universo. De uma certa forma, era - E você estava muito feliz nessas duas semanas, tão brilhante que até podia competir com o Sol. Então de repente essa luz se esvaí. Com certeza algo está te perturbando. Tem algo haver com os bruxos vilões?

- Não, totalmente, Chim - rio soprado, meio sonolento por causa do afago feito nas minhas madeixas. 

- O Jungkook, então? 

- Sim - bufo. 

- O que houve entre vocês dois? Brigaram? 

- Eu realmente não sei, Jimin. Estávamos de boa com aquele lance de amizade colorida, mas ele começou a me ignorar sem motivo aparente. O pior que fico frustrado por não saber do porquê ele estar tão irritado. 

- Ele me tratou normalmente quando cheguei no castelo. 

- É, então o problema mesmo é só comigo - não noto o biquinho chateado nos meus lábios. 

- Há muitas coisas que tira o Jungkook do sério. Mas há poucas que o deixam irado. 

- Mentira e quebra de confiança - sussurro, as engrenagens na minha mente começando a formar uma explicação. 

Será? Não, não podia ser. Eu e os meus pais demos um jeito para que ninguém descobrisse o que aconteceu naquela noite.

- Agora estou curioso! - o Park confessa, e eu rio. 

- Controle o seu lado fofoqueiro, homem! 

- É difícil! - se levanta animado, indo de volta para o closet. 

Jimin tinha vindo se arrumar comigo para o desfile. E como havia várias roupas no guarda-roupa que eu ainda nem tinha usado, então não teria complicações. Não que eu esteja me gabando, mas o meu senso de moda era extremamente apurado. Aliás, eu prezava por minha imagem pública. 

- Compreendo.

Deito de bruços, encarando um ponto qualquer, a mente no modo aleatório. 

- Acho que não é uma boa idéia ir para esse desfile. 

- Você está louco?! - Jimin sai do closet na velocidade do som, com um cachecol quadriculado em volta do pescoço e um chapéu Pork Pie nos cabelos claro - Esse vai ser o maior desfile do ano e uma festa grandiosa da sociedade nobre! Você não poder perder. Sem falar que prometemos a Lalisa que iríamos para dar apoio. E se você não for, ela vai lhe matar. 

- Assumo esse risco - balbucio - Eu não serei bem vindo no evento. Esqueceu da história de que humanos odeiam bruxos? 

- Nem todos humanos são assim, Tae. E você precisa sair um pouco, deixar os problemas um pouco em segundo plano. É só não chamar atenção. 

- Não! - me coloco em pé, as mãos na cintura e a confiança renovada - Quer saber? Já estou farto de ter que me esconder por causa desses blogs e papparazzis. Vou mostrar ao mundo que Odnum não exala nem um perigo para as riquezas deles. E que um bruxo pode ser gentil e não ligar para esses mundanos. Já basta de ter que me policiar por causa desses babacas. 

- É isso aí! - grita animado, segurando o meu braço e me puxando para o closet - Assim que se fala! Vamos arrasar naquela bagaça!

- Menos, Chim - gargalho, observando o menor revirar as gavetas e as cruzetas. 

- Fiquei animado - sorri - Ficaria legal? - indaga, pondo uma calça e uma camisa no divã vermelho de dois lugares. 

- Sem sombra de dúvidas, não! Está horrível - digo com franqueza. 

- Dá para ser menos sincero, por favor? - joga em mim o cachecol, emburrado. Desvio do pano, rindo. 

- Desculpinha. 




- Chunga, não precisa se preocupar, daqui eu consigo me virar - falo para a mulher morena que estava atrás de mim, me olhando pelo o reflexo do espelho da penteadeira. 

- Eu insisto, Sr. Kim - sorri simpática - Prometo que lhe deixarei excessivamente belo. 

- Confio nos seus dotes - rio pela a teimosia da amiga que tinha feito no castelo. Ela era uma das pessoas que trabalhavam na fortificação e não me tratava como se fosse uma ameaça. Além de ser uma ótima maquiadora. Foi a mesma que me ajudou na vestimenta no dia que teve o baile em comemoração à chegada do Jeon - Pode fazer a sua mágica. 

- Nem preciso. Seu rosto é ótimo! - exclama animada, como se tivesse admirando a sua criação. Dou uma risadinha baixa. 

Cruzo as pernas desnudas, o roupão branco cobrindo o meu corpo quase nu, exceto a cueca. Observo pelo o espelho Chunga ligar o secador na tomada, tirando a toalha que estava na minha cabeça. Ela a passa pelo os fios molhados, depois pegando um pente fino para pentear os fios enbaranhados. O ar quente bate no meu couro cabeludo enquanto a mulher secava minhas madeixas com uma escova. Havia um protetor nas minhas orelhas, impedindo que a quentura ferisse aquela área sensível. Fecho os olhos, escutando o barulho do objeto preto e a minha cabeça sendo puxada levemente para trás a cada mecha de cabelo seco. 

Jimin ainda estava no banho, com certeza estava aproveitando os sais que eu tinha no armário. Ele era um amante de bolhas. 

Vinte minuto depois, os fios morenos já estavam completamente secos. Me encaro no espelho, o cabelo brilhoso e liso. 

- Agora vamos para a maquiagem! - fala, abrindo a bolsa em cima da penteadeira. 

- Quero algo simples, Chunga. 

- Você nem vai perceber que há algo no seu rosto - diz - Feche os olhos. 

Obedeço, sentindo um líquido gelado ser passado na minha derme. Faço careta, ouvindo o resmungo reclamão da outra. Ela passa para as minhas pálpebras, o pincel resvelando na pele que tremia de vezes em quando. Após um tempo ela permite que eu abra as orbes, ocupada em passar um batom mate na minha boca. Era um rosa suave que só fazia aquele pedacinho se destacar. A morena suspira contente, esquadrinhando a minha face.

- Você vai ser o homem mais bonito daquele lugar. 

- Está dizendo isso para agradar o cliente? - brinco. 

- Como que me descobriu? - finge chateação, me fazendo rir nasal. 

Me inclino para perto do espelho de mesa. Eu continuava o mesmo, mas as minhas maçãs estavam mais coradas e meus cílios tinha um pouco de máscara, bem sutil. Os cantos das minhas pálpebras estavam esfumadas com uma sombra dourada e a minha pele coberta por uma base no meu tom, mas Chunga não tinha coberto a pintinha no meu nariz. Meus lábios pareciam fartos e rosados, e as sobrancelhas estavam mais escuras. Eu estava bonito. E o cabelo contrastava com a minha melanina. 

Sentia-me como um top model. Mas esse cargo pertencia a Manoban. 

- Agora preciso me vestir - levanto, sorridente - Obrigado, Chunga. 

- De nada, Taehyung - sorri - Agora eu vou cuidar do príncipe. Aquele é outro que não precisa de maquiagem. 

- Verdade. Ele já é lindo naturalmente - as palavras escapam. Mordo o lábio nervosamente quando vejo a mulher erguer a sobrancelha. E fico confuso quando ela solta um risinho, acenando antes de sair da suíte, me deixando para trás, parado com uma cara de tacho.

Balanço a cabeça, andando até o banheiro. Dou dois toques na madeira polida, ouvindo o Park cantarolando uma música pop. 

- Você vai morar aí ou o quê? - grito. 

- Eu estou tendo o meu banho de beleza! Não me perturbe! - berra, me assustando. 

- Aí - coloco um dedo no ouvido que pareceu fechar - Não precisa gritar, sua anta. 

- Você gritou primeiro - agora Jimin diz no tom normal. 

- Não interessa. Só não demore muito. Temos que chegar nove horas em ponto. 

- Pontualidade é meu sobrenome. 

- Aham, sei. Faça-me rir, Park Jimin - falo com sacarsmo. 

Vou para o closet, vendo a roupa que eu vestiria naquela noite, arrumada em cima do divã. Pego o creme de amêndoas para passar no corpo e quando acho que já é o bastante, deixo que o roupão caía em um baque surdo no carpete. Primeiro visto a calça social, de um marrom desbotado, na medida certa, minhas pernas sendo envolvidas pelo o tecido macio. Coloco a camisa de botões branca, deixando o primeiro botão aberto para dar um charme a mais. Calço os sapatos pretos, e por último, completo com o blazer da mesma cor da calça. Olho-me no espelho grande, gostando do que via. 

Hoje seria o dia que a sociedade sul coreana conheceria Kim Taehyung. Já chega de fugir. Os bruxos tinham o mesmo direito dos humanos de viver em paz nessa terra. 

Enquanto esperava o loiro se arrumar, sento na ponta da cama, mexendo no celular, conversando com os meus amigos de Odnum. Eles estavam ansiosos para a minha volta. 

Ergo o olhar quando Jimin se põe na minha frente. O encaro lentamente de cima para baixo, soltando um assobio longo. 

- Você está um gato! 

O Park vestia uma calça jeans clara com rasgos no meio das coxas, e um cinto fino preto. Uma camisa branca estampada cobria o seu peito, com uma jaqueta azul-marinho que tinha alguns traços coloridos. No pescoço um colar com um pingente de ouro, a na orelha um brinco comprido de um lado só. Calçava um tênis da Adidas. 

- Obrigado por dizer o óbvio - sorri cínico, ganhando um empurrão fraco da minha parte. 

- Está pronto? 

- Já nasci pronto, querido. 

- Hoje você está impossível - reviro os olhos

Pego a minha capa, a prendendo sobre os meus ombros. Nos retiramos do quarto, andando em direção ao pátio. Usamos o elevador, cumprimentando as mesuras respeitosas dos servos e de alguns aristocratas. Os guardas abrem os portões, e desço a escadaria, duas limusines em frente à fonte. A noite estava bonita e estrelada. O luar pareceu agraciar o meu corpo com uma energia renovada. A lua minguante era brilhosa. 

- Vamos esperar um pouco, Tae. Estou esperando uma pessoa - o loiro fala.

- Quem? 

- Você vai ver. 

Dou de ombros, encarando o céu, ouvindo os baques que os sapatos faziam ao descer os degraus de granito. Eu conhecia aquele andar. Era singular assim como todo o resto das características do general. 

Respiro fundo, sequer dando uma espiada no homem moreno que parou quase ao meu lado. O silêncio de nós dois era desconfortável, e só foi quebrado pela o Park. 

- Noite bela, não? 

- Sim - Jungkook responde. A voz melodiosa faz que um arrepio suba a minha espinha. Estremeço, levando as íris castanhas até o mais novo. Controlo a tempo um suspiro admirado que estava prestes à escapulir. Tento não deixar nítido a minha expressão enamorada, mas sabia que não estava tendo êxito. Não quando ouço a risada discreta do loiro. 

O outro estava nada menos do que estonteante. Um verdadeiro príncipe com sua aparência de roubar o fôlego de qualquer um. As peças de roupas se encaixavam com devoção no corpo escultural e atraente do Jeon. A calça social preta moldelava com fervor as pernas longas, as coxas grossas roubando toda a atenção. O cinto de couro era um detalhe, apenas uma combinação com a blusa roxa escura, a gola alta e dobrada ao meio. O blazer - da mesma cor da calça, mas em um tom mais claro - estava por cima da blusa, completando assim um tipo de terno informal. Os sapatos eram escuros, porém podiam ser confundidos com prata de tão engraxados. A boca estava vermelinha, e Jungkook tinha duas argolas pretas nos lóbulos. 

Mais do que lindo. Não tinha palavras para descrever a beleza daquele homem. 

Podia existir alguém mais boiola do que eu naquele momento? Se recomponha, Taehyung. Digo para mim mesmo. 

Fujo como um orgulhoso que era das íris do príncipe, as colocando sobre Jimin. 

- O que? - mexo a boca sem fazer nenhum som. 

- Nada - diz, mas sua face já confessava tudo. Ele estava se divertido a minha custas - Você vai com o Jungkook? - questiona em voz alta, fazendo que o general me olhasse, curioso. 

A minha vontade era de esganar o Park. 

- Não, Jimin - contento-me a responder somente isso. 

- Por que? 

- Acho que não é bom eu chegar a um evento desse escalão ao lado do príncipe. Causaria muito rebuliço. 

- Mas não era isso que você queria? 

- Como assim? - o moreno se aproxima, as sombracelhas arqueadas. 

- Quero fazer isso de uma maneira que seja bem vista - retruco, ignorando o mais novo - A mídia iria cair em cima de nós como urubus. 

- Então faça algo que os faça lhe dar o benefício da dúvida. Algo que seja interessante o bastante para que escrevam sobre você sem ser críticas - o loiro aconselha. 

- Como o que? 

- Você podia entrar sem ser com o capuz na cabeça. Todos acham vocês intimidores quando fazem isso. 

- Não posso, isso é uma cultura de Odnum. É um código de conduta que todo bruxo deve seguir. 

- E o mundo sabe disso. Então demonstre que você tem confiança o bastante para não cobrir a cabeça, que não se acha mais poderoso do que qualquer humano. Mostre que tem a sua própria identidade em vez de ser só um corpo debaixo de uma capa. 

- Jimin pode está certo, Taehyung. A mídia tem uma grande influência sobre as pessoas, podemos utiliza-la ao nosso favor.

- Seria derespeitoso - insisto. 

- Tenho certeza que os seus pais não ligariam. Seriam para um bem maior. Aliás, seria somente hoje. 

- Pode ser - pondero - Mas não acho que isso seja o suficiente para que foquem em mim com bons olhos.

- Você é simpático e bom de lábia, então converse com pessoas importantes, o que não vai faltar. Deixe que dessa parte eu cuido - o mais baixo sorri convencido - E faça o possível para que sempre tenha uma câmera por perto para posar. Será uma boa cartada. Uma pessoa influente conversando civilizadamente com um bruxo. Os fãs desses famosos vão ficar curiosos e vão procurar sobre você, deixando um pouco o preconceito de lado. 

- Ok, é uma boa idéia - confesso. 

- E por isso que você tem que ir no mesmo carro que o Jungkook. 

- Que? - eu e o general balbuciamos juntos. 

- Será uma boa impressão em frente aos flash's. Todos sabem a amizade que há entre as famílias dos dois, mas poucas vezes as câmeras flagram vocês, por causa dessa cautela que têm em não chamar atenção. Talvez o melhor jeito seja fazer de outra maneira. 

- Jimin-ssi, você ficou inteligente de um dia para o outro, e não contou para mim? - o Jeon provoca o mais velho, ganhando um tapa moderamente forte - Aish! 

- Me respeita que eu sou mais velho - mostra a língua. 

- Assim você está sendo mais infantil do que esse pirralho, amigo - aviso, também recebendo o meu tapa - Aigoo, só queria ajudar. 

- Vocês foram feitos um para o outro. São duas pestes - dramatiza - Deveriam é me... 

- Demorei muito? - os três pares de olhos se direcionam ao quarto homem que se colocou a nossa frente. 

- Nanjoom?! 

- Ele? - Jungkook desdenha. 

- Nam! - Jimin abraça o Kim, selando os lábios em um beijo casto. O meu queixo já estava no chão. Então esse era a paquera aspirante a namorado do Park. 

- Boa noite, Taehyung - o acastanhado sorri para mim, e eu retribuo com outro - Falei que nos encontraríamos de novo. E boa noite, Alteza. 

- Noite - o príncipe se limita a dizer. Acho estranho. 

- Vocês se conhecem? - o loiro me olha curioso. 

- Nos encontramos uma vez por acaso na biblioteca. Conversamos um pouco e até prometi para ele que o deixaria ler o meu livro quando estivesse acabado. 

- Eu ainda me lembro dessa promessa - Nanjoom diz brincalhão, na mesma hora em que escuto o general bufar. 

- E você? - pergunta para o Jeon. 

- Ele é o filho de vice general, é impossível não nos conhecermos - Jungkook explica, mas eu sentia que aquilo não era tudo. 

- Que tal irmos logo? - interrompo - A viagem não é tão curta. 

- Taehyung está certo - ora, ora, o moreno concordando comigo? Ele dá de ombros diante da minha observação debochada - Melhor irmos logo - segura a minha mão instintivamente. Mordo os lábios quando ele solta na mesma velocidade. 

- Encontramos vocês lá - dou um abraço rápido no Park, e estendo a mão para o acastanhado, mas me surpreendo quando ele também me puxa para um abraço. 

- Agora podemos virar amigos - se afasta, sorrindo. 

- É - repuxo o canto da boca, acenando antes do motorista abrir a porta do veículo. 

Jungkook entra primeiro, e eu vou em seguida. Cada um fica em um canto, o banco do meio nos separando. Era uma distância insignificante, porém parecia um grande desfiladeiro. 

Os primeiros minutos da viagem é regado de silêncio, enquanto eu observava o carro passar pelo os grandes portões e a estrada rodeada pelo o bosque. Após um tempo os prédios e arranha-céus aparecem, assim como o tráfego de pessoas nas calçadas e o trânsito de carros que abriam caminho para a limusine real. Havia duas bandeirinhas com o brasão dos Jeon no capô e adesivos nas laterais do veículo. 

Me remexo no assento, impaciente. Aquele silêncio estava me perturbando, e o outro percebe, pois logo fala. 

- Ei, Hyung - sua voz era mansa. 

- Hum? - resmungo, virando o rosto. Os olhos do mais novo estavam levemente arregalados e os dentinhos maltratava o lábio ansiosamente. 

- Me desculpe pelo o jeito que eu te tratei hoje mais cedo. Sei que fui muito idiota. 

- Ainda bem que sabe - murmuro ácido.

- Bruxinho - manha, levantando a mão em direção ao meu rosto, mas para o movimento na metade, deixando-a no ar - Me desculpe? 

- Não foi nada, Jungkook - volto a observar Seul pela a janela. 

- Claro que foi! Eu fui muito babaca por ter descontado a minha raiva em você. 

- Você descobriu? - questiono, a testa encostada no vidro. 

- Sim - suspira - Por que você não disse a verdade, Tae? 

- Não podia. 

- Você sabe que eu odeio mentira, e você não confiou em mim. 

- Há coisas que não se pode ser falada para qualquer um.

- Eu sou qualquer um? 

- Entendeu o que eu disse, Jungkook - viro novamente o rosto - Você é um príncipe, então sabe que existe o termo confidencialidade. O conselho bruxo requer isso nas questões de Odnum

- Eu sei, mas vocês sabem vários segredos de estado da Coréia do Sul. Não acham injusto esconder isso da gente? Meus pais não julgariam o ato que fizeram. Foi para a nossa proteção. 

- Os tios Jeon's não são o problema. O problema é essa informação vazar para fora do reino e chegar nos cochichos de outras cortes. Seria um caos, e os humanos perderiam ainda mais a confiança em nós. E as paredes costumam ter ouvidos. 

- Compreendo, mas da próxima vez não precisa omitir, está bem? Eu posso ajudar. 

- Ok, eu prometo lhe avisar quando tiver algum problema - juro, levando dois dedos na direção do peito esquerdo e depois aos lábios. Era um gesto bruxo - Mas como você descobriu? 

- Você não mente muito bem, Hyung - ri soprado - Então quando cheguei ao castelo mandei três soldados checarem a área. Eles viram uma fogueira que ainda estava acesa e símbolos estranhos no chão. 

- Eu não vi esses símbolos. 

- Eles apagaram - diz - Depois foram até o vilarejo que tinha nos arredores. Alguns aldeões falaram ter visto cinco pessoas encapuzadas e que pareciam perigosas. Quando trouxeram o relatório para mim, eu liguei os pontos e o seu nervosismo que demonstrou na floresta. Sabia que só podiam ser os Vkhuner

- Você é bem observador, Jungkook - elogio, arrancando um sorriso tímido do mais novo. 

- É Gguk, Hyung! 

- Gguk. 

- Você é uma pessoa rancorosa, não? - seu tom era banhado de divertimento, me fazendo bufar. 

- Descobriu agora? - rebato.

- É, você é - rir, os cantos dos seus olhos se enrugando. Me forço à não deixar um sorriso se formar nos meus lábios - Eu estou perdoado? 

- Sim, você está perdoado - falo. Não iria conseguir negar algo diante daquela expressão pidona. 

- Sério?!

- Sim, Gguk - sorrio quadrado, me inclinando para trás ao que o outro se aproximava - Mas ainda estou chateado - minto, vendo a carranca frustrada do príncipe. 

- Nem um beijinho? 

- Nananinonão - mordo minha bochecha, controlando a risada. 

- Só um, bruxinho - faz bico, erguendo um dedo. 

- Como que eu posso dizer não, assim? - questiono, indignado. 

Me inclino para frente, encostando as duas bocas. Permanecemos parado em um contato meigo e inocente. Quando faço menção de me afastar, Jungkook segura a minha nuca, lambendo a costura dos meus lábios em um pedido mudo. Os entreabro, a boca vermelha do mais novo se encaixando na minha. Viramos os rostos nas direções opostas, nossos narizes se esbarrando enquanto o ósculo lento e sensual se desenvolvia. As línguas se embolavam uma na outra, arrancando suspiros e arrepios de nós dois. Sugo o seu lábio inferior, firmando meus dedos nas medeixas escuras. Suas mordidas fracas instigava o descompasso do meu coração, assim como o aperto nos meus ombros. O beijo era calmo, mas intenso, e por isso que não demora muito para o finalizar por causa das respirações rasas. 

Permaneço de olhos fechados, a boca inchada aberta sutilmente. Sorrio apaixonado ao sentir o dedo do outro mapear as maçãs das minhas bochechas em um afago amável. O dígito passa para o contorno da minha mandíbula, depois para o nariz, dando ali um aperto fraco. Ele beija a minha testa, me puxando para um abraço de lado. Sorrio, abrindo os olhos, deitando a a cabeça no peito alheio. O coração dele batia descontrolado. 

- Conversarmos depois, agora só quero ficar assim - murmura com a boca nos meus cabelos. 

- Humhum - me aconchego mais no seu corpo. 

Permanecemos assim o restante da viagem, aproveitando o calor corporal um do outro. Estava quase adormecendo quando o motor do carro vai parando pouco a pouco, parando em frente a entrada do grande prédio. Mesmo do carro, eu podia ouvir os gritos estéricos. Havia vários fotógrafos atrás da barreira de segurança, assim como os fãs que foram até ali para ver seus ídolos. E uma grande parcela com certeza estavam eufóricos para ver o príncipe. 

- Está pronto? - pergunta, acariciando as costas da minha mão. 

- Não, mas temos que fazer isso - inspiro fundo. 

Um homem vestido com um terno preto abre a porta direita, e um outro abre a da esquerda. Arrumo uma última vez a capa nos ombros, jogando os cabelos para trás, desarrumando-os elegantemente. Agradeço o segurança, me pondo ao lado do Jeon. Pisco vezes seguidas por causa dos incontáveis flash's na nossa direção, começando a andar pelo o tapete vermelho. Eu ouvia os cochichos e os gritos, sorrindo ladino enquanto tinha o meu pequeno momento de passarela. Olho para o moreno quando ele põe a sua mão sobre a minha, disfarçadamente. Devolvo o aperto, dizendo pelo o movimento que estava bem. 

Quando os clicks ficam para trás, eu dou um longo suspiro, aliviado. Pronto, o mais aterrorizante tinha passado. 

- Vamos esperar o Jimin e o Nanjoom? 

- Eles vão saber nos encontrar. 

- Onde vamos ficar? - indago, fingindo que não via as espiadas que os humanos davam em nós dois. 

- Na primeira fileira. O próprio estilista mandou convites para mim. 

- Você é a Vossa Alteza. Isso é previsível - resmungo, seguindo o mais novo. 

O salão era gigante, parcialmente escuro, iluminado somente por algumas lâmpadas grudadas nas paredes e no teto alto. Havia várias fileiras de cadeiras ao redor da passarela branca, centímetros acima do chão. Enquanto passávamos, as pessoas paravam as conversas e se curvavam em respeito, ganhando sorrisos fechados do general. Nenhuma se aproximou para cumprimentar, e eu acho que isso era culpa minha. Ora ou outra eu via alguns famosos que eu conhecia. Como um cantor, atriz ou até compositores. Eram pessoas que eu admirava o trabalho que faziam, e estava ansioso para dialogar com os mesmos. 

- Vossa Alteza, estamos honrados pelo o senhor ter comparecido em nosso desfile - um homem na casa dos cinquenta anos aparece do nada e barra o caminho. Tinha fios grisalhos, o rosto bonito e os olhos com um brilho jovial. Usava um terno branco e uma encharpe verde ao redor do pescoço - E você deve ser o famoso Kim Taehyung - famoso? - A sua beleza de perto é mais estonteante do que os boatos dizem, se me permite dizer. 

- É... obrigado? 

Eu não estava esperando por isso. E o outro parece notar. 

- Você é bem conhecido entre o meu círculo de conhecidos, jovem feiticeiro. Dizem que você é bem simpático, e não damos ouvidos para esses líderes "revolucionários", só ignorantes costumam acreditar nesses grupos fascistas. 

Simpatizei com esse homem. 

- Fico aliviado por ouvir isso, Sr...? - sorrio abertamente. 

- Jung - completa - Mas pode me chamar de Suk. Me sinto velho quando me chamam de senhor. 

- Tudo está incrível, Suk - Jungkook se manifesta após ter permanecido calado durante os dois minutos - Com certeza seu desfile vai ser um sucesso, assim como todos os outros. 

- Assim a Alteza me deixa convencido - brinca - Espero que aproveitem e fiquem até o final. A coleção de verão desse ano está explêndida! 

- Não tenho dúvidas - o moreno sorri. 

- Então vou deixar os senhores em paz. Espero que tenhamos outras oportunidades para nos conhecer, Kim. 

- Também espero, Suk - curvo a cabeça minimamente, vendo o mais velho se afastar. Me viro sorridente para o príncipe. 

- O senhor Jung é um estilista famoso e ter ele ao nosso lado é ótimo - ele sussurra - Acho que essa idéia do Park pode dar certo. 

- É, talvez. 

- E eu vi alguns fotógrafos tirarem fotos enquanto conversavámos. Vou dar um jeito dessas fotos pararem em alguma revista - se anima, cruzando o seu braço no meu. 

E após isso fomos parados mais vezes por pessoas influentes no reino, sempre uma câmera ao nosso derredor. Uma música lenta sai dos altos falantes e algumas luzes se apagam. O desfile estava prestes a começar. Caminhamos em direção à nossas cadeiras, bem no meio da passarela, tendo uma vista privilegiada. Me acomodo a esquerda do Jeon, e não demora muito para que a cadeira vaga do meu lado fosse ocupada pelo os nossos amigos. 

- Achamos vocês! - Jimin exclama, a mão no cabelo. 

- A decoração está muito bonita - Nanjoom comenta, observador. 

- Verdade - concordo. 

- Silêncio, já vai começar! - o general manda. Obedecemos, encarando o estilista Jung aparecer no começo da passarela, com um microfone dourado nas mãos. 

- Boa noite, Seul! - a voz se amplifica por todo o salão, uma música eletrônica ao fundo - Hoje será o vigésimo desfile de verão da empresa de moda Jung, patrocinada por nossos acionistas maravilhosos. A coleção desse ano foi inspirada na cultura jamaicana, o país é berço do raggae, um gênero musical bastante conhecido mundo a fora. E o desfile desse ano é importante porque também temos a ilustre presença do Príncipe Jeon Jungkook! 

Todos os pares de olhos são postos sobre nós, ao que batiam palmas em homenagem ao moreno. Minhas bochechas estavam fervendo por tanta gente estarem me encarando junto ao outro. 

- Então, com muito prazer, vos apresento o desfile de verão de 3025! - o Suk fala assim que as palmas se cessam, sorrindo antes de sumir pela a lateral. 

Sem nem percebemos, cruzamos as mãos, as pondo em cima do colo do Jeon. Nossos ombros se encostam, nossa atenção no início da passarela. Fica tudo escuro por dez segundos, e a música é novamente mudada para um raggae, Is this love. A luminação passa de branca para amarelada. 

A primeira modelo aparece no minuto seguinte, vestida com um vestido de alcinhas amarelo e um penteado estranho. Ela era linda, e seu cabelo era branco como a neve, assim como as suas sobrancelhas e cílios. Era albina. Desfilava com profissionalismo, arrancando falatórios admirados dos expectadores. A segunda era uma mulher de pele morena com um macacão tomara que caia verde, sapatilhas branca e um chapéu de praia nos cabelos crespos. O terceiro modelo é um homem com uma saia de pregas vermelha e um top estampado, com saltos de agulha e uma pochete preta presa na cintura. Sorrio maravilhado, escutando uma parte da platéia ofegarem abismados. Ok, aquilo seria bem polêmico. 






- Jimin, já chega! - digo enquanto o Park me arrastava para falar com mais um humano. O desfile tinha acabado a um bom tempo, e desde daí o loiro vinha me apresentando aos seus colegas ídolos sul coreanos. A última vez que vi Jungkook, ele estava conversando com o filho de um ministro. 

- Oi, Hobi! - como o previsto, ele me ignora, tocando no ombro do homem ruivo. O intitulado Hobi se vira, um sorriso bonito nos lábios. 

- Jimin! - abraça de forma apertada o loiro - Quanto tempo que eu não lhe vejo. 

- A gente se viu semana passada em um concetro, hyung. 

- E isso não é muito tempo? - retruca, me fitando, especificamente fitando a coruja bordada na minha capa. 

- Taehyung, esse é o Jung Hoseok, o melhor rapper do mundo e sobrinho do senhor Suk. Hobi, esse é Kim Taehyung, filho do Grão mago. 

- Prazer, Kim - estende a mão, agora com um sorriso mínimo. 

- Prazer, Jung - juntamos as palmas, as balançando. 

- Isso está muito formal.

- Concordo. Por que não tomamos um drink? 

- Por mim tudo bem - falo. 

Vamos até o bar não muito lotado, pois os outros estavam espalhados pelo o salão. Sentamos nas banquetas, o barman logo nos atendendo. 

- Três drinks de wisky - Hoseok pede, sentado entre eu e Jimin - Então você é um bruxo? 

- Sim? 

- Essa foi uma pergunta retórica - rir - Na verdade, eu nunca falei com um bruxo. 

- Não é tão diferente do que falar com um humano. Eu te entendo e não mordo - repuxo os lábios em zombaria, fazendo o outro soltar uma risada alta e escandalosa.

- Já gostei de você, Taehyung. 

- Igualmente, Hoseok - sorrio. 

Bebemos as bebidas alcoólicas, a conversa fluindo. O rapper era divertido e extrovertido, sempre achando assuntos novos para discutimos. Eu parei no terceiro drink, pois sabia que ficaria bêbado se continuasse. Jimin não parou mesmo que eu tivesse o ameaçado diversas vezes, e para ir embora teve que ir pendurado no coitado do Nanjoom. Hoseok se despediu com um beijo na minha bochecha, e eu sorri, acenando. Quando foquei no príncipe, o mesmo me encarava com uma feição mal humorada e um vinco entre as sobrancelhas. Sorrio arteiro, me levantando, ficando de frente para ele. 

- Assim você ficará com rugas, Gguk - massageio a sua testa - Dá próxima vez disfarce melhor o seu ciúme. 

- O álcool deixa você muito solto - resmunga, pondo a mão nas minhas costas, nos levando para fora do prédio por uma saída nos fundos, onde não havia nem um papparazzi ou câmeras. Era tarde da noite, e estava um pouco frio. Mas nada comparado as noites de inverno. 

- Eu não estou bêbado. 

- Mas também não está no seu estado de sobriedade. 

- Aigoo... 

A limusine estava estacionada em um beco, onde não se via uma alma sequer. O motorista abre a porta, e eu entro primeiro e o Jeon depois. Não demorou muito para que eu desse uma cochilada, a cabeça no colo do mais novo. 






- Melhor? - questiona, tirando a franja dos meus olhos. 

- Eu falei que não estava bêbado - retruco, soprando o chocolate quente que o príncipe teimou em preparar. 

- Sei - ironiza, tirando o blazer, o jogando para um canto qualquer. 

Eu não perco o tempo em minha defesa, ocupado em dar goles pequenos na bebida aquecida. Já tinha me livrado dos sapatos e da roupa, agora vestia um conjunto de pijamas de seda. Estava sentado no sofá, com as pernas cruzadas em cima do estofado, observando o moreno voltar do closet com uns dos meus pijamas. Ele nem precisava pedir mais, ia lá e pegava. Não que eu esteja reclamando. Eu gostava desse nível de intimidade que tínhamos. 

- Vem, hyung - chama, o corpo todo desleixado no colchão. 

- Não sabia que esse quarto era seu - alfineto, dando passos preguiçosos até a cama, engatinhando até está com as costas deitada no peitoral do general, que estava encostado na cabeceira acolchoada. Ele abraça a minha cintura, afundando seu nariz no meu pescoço. Dou um risinho fraco, com a caneca na mão. 

- Vamos ter aquela conversinha? - dá um beijinho atrás da minha orelha. 

- Sim - suspiro - Por onde você quer começar? 

- O motivo dos Vkhuner virem até aqui. Os reinos sabem que eles são perigosos e que o líder deles voltou, mas a informação não passa disso. 

- Primeiro de tudo, eles são bruxos desvinculados das leis de Odnum. Minha avó dizia que essa ceita foi criada a muito tempo, quando um mago decidiu seguir o caminho do mal. Magos são mais poderosos do que bruxos, mas foram extintos e não se tem conhecimento de nenhum atualmente. O primeiro Vkhuner era um humano que praticou magia maléfica e chegou ao nível supremo de poder, o sétimo grau. O máximo que chegamos hoje é no quinto grau. 

- Espera aí! Então o primeiro Vkhuner era um humano? 

- Sim. 

- Como?

- Para a magia nada é impossível, saeng. Eu não sei o motivo que o levou a fazer isso, mas desde daí, Odnum entrou em um constante conflito com os bruxos que se juntaram ao mago. Eles queriam limpar o mundo de tudo o que era sujo, ironicamente, o sangue humano estava no topo da lista. 

- Que loucura. 

- E o mais surpreendente é que o mago era um príncipe indiano, herdeiro da coroa. 

- Um príncipe?! - solta um quase grito no meu ouvido, me fazendo sobressaltar. A sorte era que já tinha tomado todo chocolate - Desculpa. 

Dou um tapinha na sua coxa, continuando a narrativa, brincando com os dedos alvos sobre a minha barriga, distraído. 

- Ao longo dos anos, o grupo deles cresceram consideravelmente, preocupando extremamente o conselho bruxos e os reinos mundanos. Então se chegou na decisão unânime de desafiar o líder para um duelo até a morte. E o Vkhuner não podia negar, pois os seus subordinados o acharia fraco se o fizesse. Mas ele era muito forte, então precisava de um que estava a sua altura. O escolhido foi o meu antepassado, o mago Kim Jongdae. A luta aconteceu em uma noite de lua cheia, e inevitavelmente, o astro estava ao lado do Kim. No fim, o príncipe morreu, mas mesmo na morte se pode achar a vitória. 

- O que ele fez? 

- O Vkhuner sabia que provavelmente morreria, então fez um feitiço que só um mago muito poderoso é capaz de praticar. Ele transformou a sua alma mortal em imortal. Seu último suspiro foi eternizar a sua consciência. Assim, à cada duzentos anos, um novo hospedeiro divide o seu corpo com a alma do líder. É uma maldição que está sobre os primogênitos reais. 

- Você quer dizer que qualquer príncipe pode estar servindo de habitação para o primeiro Vkhuner? - noto a perplexidade na voz do moreno. 

- Sim - respondo - Eu sei que parece doideira.

- Não parece, é! - rir desacreditado - Mas nada nessa vida me surpreende mais. 

- Continuando - pego o edredon, nos cobrindo quando ligo o ar condicionado - o líder pode ter feito isso, mas o meu antepassado também lançou um feitiço sobre a sua linhagem. Ele rezou a deusa Moanna, pedindo um jeito de derrotar o mago, nem que isso demorasse milhares de anos. O mundo tinha que se livrar dessa ameaça. Daí surgiu a maldição na família Kim, passada de pai para filho. A cada dois séculos, o primogênito nasce com a marca da deusa, um fardo que terá que carregar até o dia em que matará definitivamente o líder. 

- Mas isso ainda não aconteceu - Jungkook deduz, levando os dedos até o meu pescoço, acariciando a coruja preta desenhada na minha epiderme - É essa? 

- Sim. Eu sou um maldito bruxo amaldiçoado - rio sem humor, tendo meu corpo abraçado firmemente pelo os braços fortes do Jeon. 

- Você é forte, hyung. Com certeza vai acabar com esse filho da puta. 

- Eu espero, Gguk - sorrio, apertando a coberta entre meus dedos. 

E todos os Kim's que não conseguiram realizar o seu destino, acabavam tendo uma morte precoce. Estremeço pelo o pensamento. 

- Mas o líder ainda não despertou no hospedeiro. Dessa vez, parece que o príncipe ou princesa é uma pessoa boa e não está permitindo que a voz sombria do mago o corrompa. Pois no dia que isso acontecer, a sua alma será livre de toda a bondade e se renderá ao propósito dos Vkhuner. Por isso que eles estão loucos para achar o hospedeiro, para poder despertar o líder deles. Então temos que achar o príncipe escolhido o mais rápido possível. 

- O que farão se conseguirem? 

- Não sei. Mas daremos um jeito de matar o mago sem prejudicar o humano - digo - Porém, não tenho idéia de como fazer isso. 

- Não se preocupe, Tae, tenho uma rede de espiões pelo o mundo todo, acharemos uma maneira de acabar com isso - sussurra, virando o meu rosto com o polegar. Ele esbarra seu nariz no meu, com um sorriso na boca - Eu prometo. 

- Estou tão aliviado de ter você ao meu lado - confesso baixinho, juntando as nossas testas. Abaixo as pálpebras, colando as duas bocas levemente. Não aprofundamos o contato. Só era um encostar inocente. 

- E eu sempre vou permanecer, hyung. É só olhar para o lado, e eu estarei ali. Não importa qual seja a situação, pode contar comigo - murmura na minha boca. 

- Jura? 

- Juro juradinho - faz como no modo bruxo, direcionando dois dedos até o peito e beijando-os. 

- Eu também prometo sempre estar com você - o imito, dando um selinho nos meus dedos e depois levando até os lábios do mais novo - Até que o para sempre tenha fim. 

- Para sempre - concorda, me pegando desprevenido quando me deita na cama, ficando por cima. Mordo os lábios ao ver o rosto do moreno chegar cada vez mais perto do meu. Ele nos cobre totalmente com o lençol, a visão clara ficando escassa. Era o nosso pequeno esconderijo, nos protegendo dos monstros da vida. 

Quem visse por fora, pensaria que os dois corpos se mexendo debaixo do lençol estavam fazendo coisas inapropriadas, mas ná verdade era só eu tentando fugir desesperadamente das cócegas do mais novo. E que os gritos se davam por outro motivo, quando na realidade eram as minhas gargalhadas chorosas e os risos sapecas do general. A imagem da sua expressão feliz e de seus olhos brilhantes e amorosos sempre ficaria gravado na minha memória. 

Até que o para sempre chegue ao fim. 








Notas Finais


Esse capítulo foi meio paradinho, mas é necessário para a continuação da história. Aos poucos as coisas estão vindo a tona hehehe
E eu não consigo deixar os Taekook muito tempo de mal. Eles vão ser um casal que terá o diálogo como base, pois isso é muito importante.
Espero que tenham gostado, e não fiquem envergonhados para dizer o que estão achando. Se as coisas estão muito lentas ou rápido demais. Estou aqui para ouvir vocês também.
Até a próxima att 💜
👀


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