História Bubble - Capítulo 45


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Categorias Yuri!!! on Ice
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 45 - Onde mora sua felicidade?


Quatro meses depois

 

Victor andava calmo enquanto o som dos acordes finais da música de apresentação do Yurio enchiam o ambiente a sua volta e seu ouvido. Sorriu para o pensamento que se repetia na sua cabeça com uma frequência absurda ultimamente, “a fada russa cresceu muito nos últimos tempos e com certeza vai se tornar um campeão maior que eu, o inatingível Victor Nikiforov.” Passou as mãos pelos cabelos numa tentativa de mudar o rumo que tomou sua mente, mas provavelmente, o nome Plisetsky seria usado para descrever uma era premiada e o platinado acreditava piamente que o seu conterrâneo venceria todas as barreiras e derrubaria todos os seus recordes possíveis e imagináveis, assim como a lenda viva da patinação um dia fez. Mas verdade fosse dita, para o pentacampeão nada disso importava, já que o loirinho sempre seria o Yurio!!! O jovem boca suja e o melhor companheiro, amigo e adversário que poderia ter dentro e fora de uma pista de patinação. 

Parou apoiando as duas mãos na barreira da arena de gelo da Olimpíadas de Inverno do Japão, estava tranquilo como sempre, mas diferente de todas as outras vezes em que fez esse mesmo percurso, não sentia o peso da responsabilidade de surpreender o mundo, já tinha feito isso muitas outras vezes e naquele momento, não se preocupava mais com esse fardo. Olhou para o Kiss and Cry e viu Yurio chorando, sua nota foi alta, talvez a maior da sua carreira e Victor bateu palmas comemorando, sentia no peito que seu legado teria um sucessor à altura e ninguém melhor do que aquele moleque que lhe tirava do sério com seu jeito peculiar de demonstrar afeto. 

Voltou a atenção para o gelo a sua frente... faziam quatro meses desde da semana que passou com o japonês no chalé que foi da sua família. Faziam quatro meses que só conversavam por mensagens ou chamadas de vídeo, faziam quatro meses que tinham trocado juras de amor e faziam quatro meses que tomou a decisão de sua vida, iria se aposentar após os jogos olímpicos. Não importava o resultado, não importava a colocação e nem o pódio ou se ganharia mais uma medalha nesses jogos, já tinha feito muito pelo esporte e por seu país... agora faria algo pelo amor, por sua felicidade, pelo pessoa que o amava do jeito que era, faria por seu Yuuri!!!

O técnico parou do seu lado e falava sem cessar, mas o platinado não escutava nada... como sempre aliás... Victor sorriu ao balançar cabeça concordando com algo que nem ao menos escutou, o que fez Yakov soltar um suspiro pesado, conhecia suficientemente bem o seu atleta para saber que não tinha sua atenção. - Vitya??!! Você prestou atenção em alguma coisa que falei??? - O platinado abriu mais o sorriso e negou com a cabeça. 

- Você vai sentir orgulho de mim!!! - Pontuou antes de sair patinando pelo gelo e não escutar o velho balbuciar... “ - Já sinto meu filho.” Da arquibancada vinha um barulho ensurdecedor, a plateia, que já alegava uma certa carência pelo comunicado dele no início da temporada,  fazia um belo espetáculo para o russo que deixaria as competições oficiais em breve. 

O platinado de uma volta completa e parou no meio do gelo, esperou a música começar e nessa pequena fração de segundos, capturou o verde esmeralda do russo loiro, os olhos ainda estavam úmidos. Yurio foi quem mais sofreu quando deu a notícia da sua decisão de parar de competir. Eles discutiram, brigaram e no fim o mais jovem chorou em meio aos xingamentos dispensados ao seu “quase” irmão mais velho. Victor sem saber o que fazer, na ocasião, o agarrou apertando contra o peito, o abraço de urso que dera, era por não conseguir ver mais aquelas lágrimas doloridas que se desprendiam dos olhos do jovem e maculavam a face do anjo loiro. “- Não chore... por favor, eu estou bem... estou feliz...” - Mas mesmo assim o platinado ficou dias sem ouvir uma palavra do outro patinador dirigida a sua pessoa, nem palavrões. Por não entender e muito menos não saber com lidar com a situação deles, Victor o sequestrou na entrada do ringue, o enfiou dentro do seu carro e dirigiu feito um doido pelas ruas, só parou quando chegou no mirante que fazia parte de suas memórias e lá abriu seu coração... “ - Yurio não estou te abandonando, nunca faria isso!!! Mas quero viver o amor com o Yuuri e só sinto por ter que fazer isso do outro lado do mundo...” - parou quando ouviu o mais jovem fungar. “ - Sei que acredita que todos que ama te deixam sozinho, para trás... não estou fazendo isso, mas quero me sentir inteiro assim como você se sente quando está com Otabek. Não me exclua da sua vida, por favor tigrinho... “. Victor sorriu quando a música  começou e o trouxe de volta ao momento,  deu uma piscadinha para o loiro com cara enfezada e iniciou a sua coreografia. 

A sua rotina falava de amor, mas não era um amor generalizado, falava do seu amor e de tudo de bom que veio junto com esse sentimento. Trazia a descoberta do seu par, o encontro das almas, detalhes da cumplicidade vivida, dos segredos trocados no olhar, falava da promessa de uma vida feliz e compartilhada... falava de um ser que se sentia completo, pleno e vivo quando estava com seu amor do lado. E Victor sentia tudo isso enquanto patinava e um pouco mais, sentia seus movimentos precisos e seus saltos impecáveis, mas não sentia o peso da música e muito menos o cansaço pelo esforço ao executar uma coreografia perfeita e em sincronia. Fechou os olhos ao se lembrar do motivo daquela leveza, na sua mente imagens do seu japonês... Yuuri... o sorriso fácil, a voz melodiosa, a mania em vestir suas blusas, o jeito de dançar, o sabor dos lábios e os seus olhos. Estava na última parte da coreografia, tinha mais um salto para fazer e o platinado sabia que seu corpo e sua dança transbordaram o sentimento que o fez chegar até aquele ponto, preparou-se para saltar, talvez o mais difícil por estar no auge da sua respiração... um Lutz quádruplo com aterrisagem perfeita e pose final. 

Seu peito subia e descia a uma velocidade incrível, tinha concluído com êxito tudo que se dispôs a fazer e Victor era aplaudido de pé por todos os presentes dentro do ginásio, plateia, atletas, técnicos e juízes. Ele havia terminado, encerrava uma carreira campeã sendo considerado o melhor do mundo. 

E aos vinte e sete anos, Victor Nikiforov se tornou o campeão olímpico mais velho da patinação artística e assim como Yurio, chorou no Kiss and Cry, mas não por ter conquistado mais uma medalha de ouro com novo recorde e sim por fazer sua despedia em grande estilo!!!

 

Massumi estacionou o carro e ficou olhando a internet no celular enquanto aguardava o Chris sair do trabalho. O moreno voltou a sua atenção para onde estava ao escutar duas crianças passaram brincando, e admirou a beleza da rua que se encontrava mais uma vez. Haviam várias opções para se comer e do que se fazer por ali, mas com certeza o charmoso café em frente era a única pedida e parada para ele. 

Ainda observava o local, quando uma criatura saiu de dentro do estabelecimento, trajava um boné ridículo, óculos escuros do tamanho de um bonde e um sobretudo que estava fora de moda e contexto. O ser andava há passos rápidos e parecia tentar se esconder de alguém, e foi por isso que quando abriu a porta do veículo, se jogou dentro do carro do advogado. 

- Posso saber o que você está fazendo... Christophe? - Massumi olhava o suíço com uma sobrancelha erguida e meio desconfiado. - Você não roubou ninguém, né? Porque se foi isso, você vai lá devolver... - Não conseguiu terminar a frase, pois o crush se deitou no seu colo de surpresa. 

- Por que  você só pensa o pior de mim??? - O loiro tirou os óculos. - Você poderia ser mais compreensivo comigo... - Massumi continuava sem entender nada e forçou o homem a se sentar direito no banco. - Vamos sair daqui!!!

- Não!!! Até você me contar o porquê de estar agindo assim, não me movo um centímetro. 

O ex-patinador revirou os olhos, era um gesto tão habitual dele, mas o amigo relevou e aguardou pacientemente por uma explicação plausível. - Você não sabe a humilhação que passei hoje... - Chris fazia voz de choro. - Veio um cliente na cafeteria, um estrangeiro e o gerente malvado me obrigou a atende-lo, só porque sei falar outro idioma. - O advogado continuava sem entender onde a história iria dar para o suíço estar daquele jeito, por isso fez um movimento de mão para que continuasse. - E o infeliz me reconheceu!!! E teve a audácia de pedir uma foto e um autógrafo!!!

Massumi explodiu em uma gargalhada dentro do carro, mas só serviu para finalmente trazer as lágrimas aos olhos do suíço. - O que tem de errado nisso? Você querendo ou não, foi uma pessoa pública. 

- Você é burro mesmo, Massumi. - As lágrimas corriam livres agora e o suíço não escondia a raiva. - Depois de toda a melação de fã, o cretino sorrindo, me pediu um chocolate quente pequeno...

O advogado parou de rir. Via o seu Chris chorar feito criança ao seu lado e sabia que tudo que ele estava passando era pelas merdas que fez, era por não escutar a razão e por ser um egoísta narcisista... Sabia que o suíço sofria com a situação e considerava “humilhação” ter que trabalhar para poder pagar suas dívidas, mesmo sendo um serviço digno e renumerado. Mas, também, sabia que com tudo isso, continuava o amando em segredo e tentando ser amado. 

Massumi, então, passou seu braço por cima dos ombros do homem e o puxou para seu peito. - Está tudo bem... você não pode ficar assim todas as vezes que alguém lhe apontar ou pedir uma atenção. - Tirou-lhe o boné da cabeça e afagou os cabelos. - Sei que você acha tudo isso ruim, vergonhoso, mas é um trabalho bom e paga bem, sem contar as gorjetas. Não é mesmo? - Forçou Chris a olhar nos seus olhos. 

- Se você fosse meu amigo de verdade, pagaria o que devo e eu não precisaria passar por isso todo santo dia. - A raiva tinha ido embora, mas o bico continuava na boca. 

- E você não daria valor a nada e nós ficaríamos nesse ciclo vicioso até acabar com todo o meu dinheiro ou eu chegar no meu limite e te chutasse para fora da minha vida. - Secou as lágrimas com as pontas dos polegares. - Não me odeio por isso, e embora não acredite, tudo é para o seu bem. 

O suíço fungou e quebrou o contato entre eles, sentou direito e olhou para frente. - Você vive falando isso, mas o estranho é que não vejo nada de bom nisso!!!

- Você não largou o emprego... - Massumi ligou o carro. - E está superando a fase ruim. - Concluiu sorrindo. - Não se esqueça, poderia ser pior... - O outro riu irônico. 

- Me esclareça como poderia ser pior, por favor?!

- Você poderia estar sozinho... posso te deixar sozinho... - O advogado não se atrevia a olhar para o lado, dirigia calmo, porém segurava o volante com uma força exagerada. - O que vai ser? Quer seguir sozinho? Eu paro aqui mesmo e você...

- Não... 

O moreno respirou aliviado e sorriu. - O que você quer jantar hoje? Pense no que vai falar, porque estou bonzinho!!! - Para findar o clima tenso dentro do carro, mudou de assunto. 

O suíço bufou e ficou mudo, deixou-se perder ao ver o céu escuro e nesse momento veio a sua mente a imagem do ex no pódio. Victor sorria por entre as lágrimas e segurava a medalha com os seus dedos, abaixo, o letreiro que aparecia na tela dizia: “Ele diz adeus. O fenômeno russo da patinação se despede”. O suíço abanou a cabeça e focou nos seus dedos que estavam no colo, o que deixava Christophe triste, era o fato que ele também tinha se aposentado, mas não teve festa e muito menos lágrimas... pelo menos não de felicidade. 

O rádio tocou outra música e o ex-patinador percebeu que o homem no banco do motorista precisava de uma resposta, qualquer uma que fosse, mas tinha que dizer alguma coisa. - Acho que quero... ir pra casa. - Gaguejou quando continuou. - Vamos fazer um macarrão com queijo e beber um vinho barato. O que acha?

Massumi o encarou surpreso, afinal esperava ouvir um pedido extravagante como de sempre e não um pedido para ir ficar em casa comendo um prato de comida simples. - Tem certeza?

- Sim. 

- Chris...? - O ex-patinador fechou os olhos e respirou fundo. - Acho que vou cantar a sua musiquinha... 

Os dois começaram a rir dentro do carro e pela primeira vez, Christophe olhou para o advogado com outros olhos. Embora não se considerasse uma pessoa feliz no momento, pois acreditava que felicidade, dinheiro e poder andavam de mãos dadas, se achava sortudo por ter alguém como Massumi na sua vida. 

O suíço manteve um sorriso nos lábios, mas parou de rir e apreciou o som da risada que vinha do outro... quem sabe um dia entenderia o que é ser feliz de verdade.



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