História Bubble - Capítulo 46


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Categorias Yuri!!! on Ice
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Palavras 2.176
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 46 - Vida a dois


Yuuri aguardava o platinado no saguão do aeroporto internacional de New York há duas horas, tinha andado quilômetros em voltas e voltas no mesmo lugar, tudo por causa da sua ansiedade que batia com força a cada pulsar do seu coração. Eles já tinham conversado pelo celular e o japonês fora informado pelo namorado que estava parado na imigração com os documentos do cachorro, e consequentemente os dois se encontravam no mesmo ambiente, mas separados por conta de toda a burocracia que envolvia um carimbo que liberaria o encontro deles. 

Mordeu a boca, essa demora o deixou com muito tempo para pensar... estava para dar mais um passo no relacionamento, iria morar com o Victor, passariam a viver juntos e debaixo do mesmo teto dividindo, compartilhando e vivenciando uma vida há dois. Daria certo? Tem que dar!!! Victor largou tudo por ele, por eles, por esse amor... não havia um plano B ou uma segunda opção... pelo menos de sua parte, mas sempre existia a possibilidade deles não se entenderem, de descobrirem que no fundo só davam certo, porque estavam longe um do outro, do amor não ser o suficiente para suportar a pressão de uma rotina do dia-a-dia e... Yuuri levantou a cabeça ao escutar um latido próximo e viu o platinado empurrando o carrinho cheio de malas com Makkachin sentado em cima de tudo. 

Sorriu e se colocou de pé, saindo correndo desviando das pessoas, das malas e de qualquer coisa que estivesse no seu caminho, nada o impediria de abraçar o seu destino. Pulou no colo do russo o enlaçando no pescoço e o beijou ali, bem no meio da multidão que passava por eles, não sei importava com nada, somente com o russo. Finalmente estavam juntos e dessa vez era para sempre!!!

- Você chegou... você chegou... - Yuuri repetia a frase entre um beijo e outro. - Estava quase enlouquecendo aqui. 

O platinado apertava forte nos seus braços o namorado afoito, suas certezas de que tinha acertado na sua escolha, se confirmavam a cada segundo e não podia esperar outra atitude do japonês. Juntou as testas e sorriu aliviado. - Cheguei e vim para ficar pelo resto da minha vida. Está preparado para isso? - A pergunta pegou de surpresa o moreno, mas esse soube disfarçar muito bem o que sua mente considerava minutos atrás. 

- Estou, não via a hora de você estar aqui comigo... - Mais um beijo. - Eu te amo. 

- Também te amo. 

 

A chegada no prédio onde todos da Bubble viviam, foi de apreensão para o russo. Estava indo morar com o amado e era de seu conhecimento os laços que ligavam todos da família em questão, e poderia dizer que sua relação com eles, no começo não foi das melhores. Mas o comitê de recepção o surpreendeu e o deixou maravilhado ao ser abraçado por todos. 

O jantar foi servido no apartamento do Celestino e esse morava no último andar do prédio de quatro andares, seu imóvel era o maior de todos e pelo que deixou a entender, era onde todos se reuniam. No térreo, agora, moravam Emil e Nekola com os filhos, a escolha se deu por conta do garden que tinha nos fundos do apartamento e onde as crianças teriam mais espaço para brincarem. O apartamento de frente para os deles, virou um estúdio com salas para dança e música. 

No prédio ainda tinham outros imóveis, um que era habitado pelo casal Phic e Seung, um que era compartilhado agora, somente por Sara e Otabek, um apartamento vazio e um que seria o novo endereço de Yuuri e Victor. 

Quando conseguiram se desvencilhar de todos e fugiram pela escadaria, o japonês segurou a mão do namorado russo de forma nervosa e parecia um adolescente preste a perder virgindade em sua primeira vez, tudo era sentido por causa das emoções que correriam por todo seu corpo. 

Pararam em frente à porta e sorriram um para o outro, seria a primeira noite deles juntos com um casal de verdade. A emoção dominava os dois. 

Yuuri abriu a porta e esperou. 

Victor entrou e começou a olhar por volta, absorvia a falta de detalhes e não reconhecia, ainda, o espaço como sendo seu lar, mas tudo se resolveria com o tempo. - Não decorei, comprei apenas o básico para a gente conseguir habitar aqui por hora. Quis esperar por você. - A voz do moreno se fez presente e o platinado o viu ainda parado na porta. - Gostou?

- Sim, claro. Como poderia não gostar?! - O puxou pela mão. - Vai ser o nosso lar, nossa casa... nossa vida... amei!

Se beijaram apaixonadamente e o japonês já começava a se empolgar quando viu o companheiro apertar os olhos e interromper o beijo, por causa de um bocejo. - Venha vamos para o quarto, você precisa descansar. 

Passaram a mão na cabeça do cachorro que estava desabado sobre o sofá e nem ligou quando saíram da sala, o deixando sozinho. 

Depois do banho, Yuuri estava acomodado com as costas nos meios dos travesseiros e seus dedos brincavam nas madeixas platinadas e úmidas. Victor lutava com o sono, cada vez que piscava suas pálpebras demoravam mais para se abrir e seus lábios se curvavam em um sorrisinho deixando escapar um ronronar com o carinho dos dígitos do homem que usava como almofada. - Dorme Victor. Descanse, sim...

- Nãoooooooo... quero ficar assim... acordado com... você... - Fechou os olhos e o moreno sorriu. Finalmente, o platinado cedeu e se entregou ao sono reparador que tanto necessitava depois de um voo de mais de onze horas. 

Sorrindo o japonês beijou seus cabelos e se deitou na cama ao lado do seu homem, enroscou o corpo no dele e adormeceu. 

Na manhã seguinte, refeitos e descansados, amaram-se como nunca. 

 

Os dias foram passando e no final do primeiro mês, Victor se sentia um inútil, intruso e velho. Yuuri era o único dos dois que trabalhava e estudava, mantinha a casa e o amava incondicionalmente. Só que essa situação não estava fazendo bem para o russo e quando recebeu a oferta de fazer uma campanha publicitária, não hesitou. E a partir daí, fez outra e mais uma, depois outra e no fim estava sendo agenciado por uma agência de modelos, era um homem de prestígio e exótico. 

Depois de voltar a estampar capas de revistas e ser notícia, os convites para workshops sobre patinação surgiram e para começar a dar aulas em uma pista, foi apenas um segundo. Victor tinha um grande nome e se tornar seu aluno virou algo concorrido. 

Seis meses depois, o platinado estava totalmente inserido a família Bubble, interagia com todos os membros e conquistou seu lugar na estrutura familiar. Ajudava Nekola e Emil com as crianças, dava seus conselhos ao cazaque para apagar os incêndios que o loirinho sempre causava, mesmo à distância. Estava sempre presente quando Phic precisava de uma ideia brilhante ou nem tanto assim, passava horas conversando com Seung e Celestino, e achou uma amizade verdadeira onde menos esperava. Sara. 

A italiana se mostrou a pessoa mais próxima a ele, no começo tinha seus receios com a moça, afinal levou uns tapas dela, mas com o tempo os dois compreenderam que amavam a mesma pessoa e que essa pessoa era igualmente especial aos dois. Não existia motivos para competirem entre si e foi movido por essa aproximação que o russo se abriu com ela. 

Haviam se passado seis meses e Victor estava totalmente adaptado a sua nova vida, ao seu novo lar e família. Trabalhava com o que gostava, fazia com o amor todos os serviços que precisava, mas uma insegurança começava a tomar seu coração. Yuuri. 

Os horários de trabalho e faculdade consumiam o moreno, para piorar a situação, não batiam com os horários da rotina diária do companheiro. Victor se via muitos momentos sozinho quando estava em casa e mesmo com o japonês no apartamento, sentia a solidão se achegando, pois o moreno ou estava estudando ou dormindo. 

Já Yuuri fazia o possível para estar com o marido, fazia um esforço sobre-humano para estar presente, para estar ao seu lado e dividir o seu dia-a-dia. Não pensava em nada, somente no bem estar do seu amor e no relacionamento deles, chegou ao ponto de fazer provas de aptidão e aproveitamento para comprovar a capacidade intelectual e avançar algumas matérias na universidade, tudo para diminuir o tempo de estudo. Embora o platinado o apoiasse e entendesse, tinha medo de “água fria” como todo gato escaldado. 

Conversou muito com a Sara sobre sua inquietação e até mesmo infantilidade, como o próprio dizia e pediu conselhos dos mais variados possíveis. 

- Vic, faz uma surpresa pra ele. Hoje o Yuuri almoça na facul por conta da orientação do professor mala dele. - A morena comentava enquanto tomavam café da manhã na cozinha do apartamento do russo. - Você poderia ir lá e almoçavam juntos. Tenho certeza que ele vai amar!!!

- Teria que desmarcar as primeiras aulas da tarde. - O platinado parou pensativo. - Será que não iria atrapalhar?

- Não. - A mulher falava enquanto revirava os olhos. - Vai, ele vai gostar. Confia no que estou te falando. 

 

E assim o russo fez, desmarcou suas primeiras aulas da tarde na pista de patinação e quando se viu livre, pegou o carro e foi ao encontro do companheiro. 

Chegou no campus que o moreno estudava, um pouco atrasado e meio bravo por causa do trânsito impossível da cidade, não importava o horário, o movimento de veículos era sempre acima da média. Estacionou e achou a moto do japonês parada a poucos metros da vaga que ocupou, bufou um pouco mais irritado. Odiava aquele negócio desde o acidente em São Petersburgo, quando quase perdeu o amor da sua vida, mas o moreno gostava e dizia ser mais pratico que um carro. - Bom, não foi para isso que vim até aqui. 

Mandou uma mensagem simples perguntando o que o companheiro estava fazendo no momento e não aguardou muito pela resposta simples, também... “estudando”. Sorriu aberto quando continuou com o assunto e o questionou se tinha almoçado e onde estava. Saiu do carro e esperou mais um pouco, observava na tela a palavra “digitando”, quando um grupo de moças passou e uma delas esbarrou no seu braço. Levantou a cabeça a tempo de ver olhos azuis o encarando com um sorriso no rosto. - Desculpa. - Apenas acenou e continuou seu caminho com as amigas que riam de tudo. 

“Estou no pátio, o dia está lindo e estou aproveitando o sol. Não comi ainda”. Victor começou a andar pelos passeios que cortavam o grande gramado e observava os muitos alunos indo e vindo para algum lugar. Até que chegou em um espaço com várias mesas distribuídas e em uma delas, viu o japonês sentado com a cabeça baixa, tinha alguns livros aberto e ele segurava uma maçã mordida na mão. O russo, também, viu que ele não estava sozinho e embora estivesse lendo, vez ou outra concordava com a cabeça para algo que seus colegas falavam. 

Sem saber o porquê, Victor não deu um passo, apenas ficou parado sentindo um misto de alívio, amor e mais algum sentimento bobo de um ser apaixonado, mas... sempre existe um porém. A moça que esbarrou no platinado quando ainda estava no estacionamento, chegou por trás do japonês e o abraçou como se compartilhasse de alguma intimidade, se abaixo e sussurrou algo em seu ouvido, antes de endireitar o corpo, depositou um beijo na bochecha do moreno. 

Victor congelou com a cena, seu coração se oprimiu no mesmo instante e se, momentos antes, estava se achando um ridículo por desconfiar do outro, agora se achava um imbecil por se colocar nessa situação. Por que foi até o campus da universidade? Por que não ficou no seu lugar e na ignorância? 

O japonês se levantou da mesa em um pulo e caminhou na direção do platinado, seus olhos procuraram e vasculhavam a face alheia, mas sempre voltavam para os azuis gelados e eles lhe pareciam tão frios como aquela noite passada em Las Vegas. - Vitya?!

Victor não queria sentir pena de si mesmo, não queria estar ali e muito menos alimentando o bichinho que corroía o seu coração e sua cabeça. Num impulso levantou a mão e com a ponta do polegar limpou o rosto do seu namorado, tirou a marca vermelha de batom. - Eu... eu... eu vim... - Desistiu e deixou o braço cair ao lado do seu corpo, sacudiu a cabeça de ara tentar colocar os pensamentos no lugar. 

- Vitya... vamos conversar. Vou pegar meus livros e a...

- Não... Yuuri... não era para ser... - Respirou fundo e passou as mãos pelo cabelo. - Desculpe... 

Saiu correndo, fazia o percurso de volta para o seu carro sem se preocupar com os olhares que recebia, não olhou para trás e nem parou quando escutou o japonês gritar seu nome mais de uma vez. 

Só queria fugir e fingir que nada aconteceu.



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