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História Bubbly - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Os Três Conselhos de Ouro


Sabe quando alguém vê uma coisa tão extraordinária, ou tão louca ao ponto de que não consegue segurar a língua e quase enlouquece de ansiedade pra poder contar para alguém? Bom, então, era assim que Mutano se sentia. Ele não viu nada extraordinário, é claro. Ao contrário, ele sentiu algo extraordinário. Algo tão fantástico e inverossímil que foi crescendo e evoluindo em seu coração até que acabasse explodindo de vez.

Mutano já tinha este sentimento há anos e só pôde identificá-lo recentemente – e quando identificou, ele quase não acreditou em seu coração. Apesar da grande descrença, ele quis se entregar de vez à este louco e doce sentimento, entretanto como poderia fazer isso, se a pessoa por quem ele nutria e cultivava este sentimento era alguém tão arredio quanto um animal assustado?

Foi neste dia que o verdinho sentiu que não dava mais para segurar a língua na boca. Mutano nunca teve controle na língua, mas tentava se esforçar para não falar besteira toda hora. Mas agora era diferente. Ele precisava contar para alguém, ou enlouqueceria de vez.

Estelar e Robin estavam muito entretidos no quarto da princesa tamaraniana vendo receitas num livro enorme que compraram no shopping. Mutano não queria incomodá-los, mesmo porque se Robin soubesse, Estelar saberia na rapidez de um raio e faria algum tipo de festividade maluca do seu planeta para celebrar tal coisa. Pois bem... sobrou Cyborg.

Cyborg era sempre muito zombeteiro com Mutano, mas era um dos seus melhores amigos na vida. O pobre titã animalesco, com o coração na boca, apenas esperou que seu amigo cibernético lhe desse ouvidos dessa vez e não debochar da sua cara.

Ele o encontrou lá na garagem da Torre Titã. Cyborg estava debruçado dentro do capô aberto de seu amado carro. Talvez estivesse consertando alguma coisa, ou simplesmente fazendo atualizações para que aquele veículo se tornasse o mais avançado em tecnologia no mundo inteiro.

Mutano parou perto de uma horda de caixas de ferramentas de todos os tipos e formatos, e permaneceu completamente imóvel apenas arranjando coragem para falar qualquer coisa coerente.

É claro que Cyborg nem precisou levantar a cabeça de dentro do capô do carro para saber que Mutano estava ali.

-Fala logo.-disse ele.-Estou ocupado.

-Cy...-Mutano ecoou timidamente.-Eu vou falar uma coisa... mas não ria.

-E por quê eu riria?-questionou Cyborg enquanto mexia nas aparelhagens do carro com algumas ferramentas.

-Porque, talvez...-Mutano mordiscou o lábio nervosamente.-Você vai achar a coisa mais maluca do mundo...

Cyborg ergueu-se do capô aberto e deixou algumas ferramentas sobre uma mesa ao lado. Lá, tinha uma caneca do chá de maçã que Estelar sempre faz. Ele pegou-a e bebeu um pouco.

-Hmmm, Estelar me deixou viciado nesse chá.-comentou Cyborg, todo sorridente – depois olhou para Mutano.-Escute, verdinho, nada do que você disser vai me fazer rir... à não ser o seu conhecimento sobre História.

Mutano ruborizou levemente. Isto até que era verdade...

Cyborg deixou sua caneca de chá na mesa e tornou à mexer debaixo do capô do carro com outras ferramentas.

-Diga logo, Mutano...-pediu Cyborg serenamente.

-Bom... Cy...-ele estava ruborizando cada vez mais.-Eu... eu estou... eu...

-Hmm?-Cyborg incentivou.

-Eu estou...-Mutano respirou fundo pra se controlar.-Eu estou gostando de alguém!

Cyborg parou por um momento e pareceu segurar um riso – depois voltou à mexer com as ferramentas em seu carro.

-E daí?-respondeu ele.-Quem é a pobre coitada?

-Ela não é uma pobre coitada.-rebateu Mutano, raivoso.

-Tudo bem...-Cyborg suspirou.-Eu a conheço?

-Conhece sim...-respondeu Mutano.

-É mesmo?

-É.

-E quem é?

-A Ravena.

De repente, Cyborg deu um pulo como se tivesse levado um choque do carro e bateu com a cabeça de metal direto no capô do carro. Mutano ficou estático e ficou mais vermelho do que verde.

Em pânico, Cyborg derrubou todas as ferramentas no chão e finalmente conseguiu fechar o capô do carro com força, cujo o mesmo tinha um amassado no meio no formato de uma cabeça. E por sua vez, o titã cibernético olhou para o titã verdinho todo encolhido ali com as orelhinhas pontudas abaixadas e mais pareceu que ele ia desmaiar por descrença total.

-Mutano.-sussurrou Cuborg, os olhos arregalados.-Me diz que você derrubou algum haltere na cabeça e ficou louco de vez.

-Não...-respondeu Mutano na maior inocência.

-Mas que loucura é essa?!-exigiu saber Cyborg.-De onde é que você tirou essa idéia?!

-Não é idéia, Cyborg!-insistiu Mutano.-É um sentimento!

-E desde quando isso vem acontecendo?

-Desde... bom... já tem muito tempo...

Cyborg deu uns passos à frente e parou. Olhou bem para Mutano da cabeça aos pés para se certificar de que era ele mesmo que estava ali.

-Por favor...-sussurrou Cyborg calmamente.-Me dê um exemplo disso...

-Lembra daquela vez do feiticeiro dragão que ficou iludindo a Rae?-indagou Mutano.

-Rae?-Cyborg estava perplexo.

-Eu fui o primeiro à confortar ela!-explicou Mutano com o coração na boca.-Eu falei com ela da porta do quarto dela. Eu disse que ela não precisava ser assim para sempre. Daí a porta se abriu, ela saiu e me deu o maior abraço! Eu fiquei besta! Ravena nunca foi sentimental assim e agora ela tem feito eu sentir coisas muito maiores por ela do que eu já senti algum dia pela Terra. É como um feitiço que virou realidade! Parece que eu estou enlouquecendo, só consigo pensar nela e...

-Mutano!-Cyborg berrou.-Se controla!

O verdinho calou-se e murchou. O cibernético se aproximou mais e olhou bem nos olhos verdes do seu amigo baixinho.

-Sabe...-Cyborg falou após alguns instantes de silêncio.-Eu meio que já imaginei que vocês dois podiam ser muito mais que amigos. Tá, vocês podem ser bem diferentes. Ravena quietinha com seus livros e você falando o dia inteiro e com seus videogames, mas pra mim tudo parecia apenas imaginação e agora...

-E agora...-Mutano prosseguiu.-Aconteceu...

Eles ficaram calados por alguns momentos. Mutano à espera de um conselho e Cyborg querendo colocar óleo de máquina no cérebro pra ver se as engrenagens voltassem à funcionar.

-Você falou isso com ela?-perguntou ele.

-Não.-respondeu o outro.

-Falou com mais alguém sobre isso?

-Só com você...

-Bom...-Cyborg cruzou os braços sobre o peito e ficou com um ar todo pensativo.-Eu não sei o que dizer...

-O quê?!-esbravejou Mutano em choque.-Eu chego aqui, abro meu coração e você diz isso?!

-Mas que é tão surreal...-Cyborg riu em perplexidade.-Eu só me pergunto se a sua dama da noite sente a mesma coisa.

Mutano ficou calado e desviou o olhar até que falou:

-Eu acho que ela sente alguma coisa...

-Tem certeza disso?-Cyborg arqueou a sobrancelha.-Não é aquela velha história de “quanto mais emoção sentir, mais energia é liberada”? E se Ravena estivesse sentindo uma emoção tão forte como amor, acho que à essa altura nós não estaríamos vivos agora.

-Eu também acho isso.-disse Mutano, o olhar confuso.-Será que ela está fazendo alguma magia pra controlar os poderes?

Cyborg suspirou, olhando para o teto de forma perdida, afinal esta era uma verdadeira novidade que ninguém estaria esperando nem em um milhão de anos. Então, ele decidiu bancar o terapeuta de Mutano. Pegou num canto perto da mesa dois bancos de madeira e sentou-se neles com Mutano um de frente para o outro.

-Vamos por partes, verdinho.-pediu Cyborg educadamente.-Me conte tudo e não me esconda nada.

Então, respirando fundo, Mutano reuniu toda a sua coragem e contou tudo.

:

A conversa com Cyborg foi tudo de que Mutano precisava. Ele havia contado tudo o que sentia por Ravena, inclusive suas investidas de tentar ter um encontro com ela. Ao final de tudo, Mutano implorou por uma ajuda decente e Cyborg, todo se achando com sua sabedoria, decidiu ajudar Mutano.

Ele lhe deu três conselhos. Três conselhos para ajudar Mutano à se aproximar melhor de Ravena. O primeiro: seja gentil, doce e agradável, ou seja, nada de perturbações e baboseiras sem sentido. O segundo: ajude Ravena no que ela precisar, não importando o tamanho do problema. E o terceiro: surpreenda-a das melhores formas possíveis e espere pelas reações com coragem e jamais esperar por agradecimentos.

Aqueles conselhos entraram na cabeça de Mutano e criaram raízes em seu cérebro. Ele decidira segui-los cegamente na esperança de ao menos conseguir um sorriso lindo de Ravena – o que seria uma difícil tarefa à se concluir.

Então, lá estava o verdinho andando pelo corredor enquanto repetia mentalmente os conselhos de Cyborg. Quando as portas automáticas se abriram, Mutano encontrou a pessoa perfeita sozinha lá na cozinha.

Parece que Ravena ia preparar um chá para si, pois segurava uma caneca na mão e tinha sua caixinha de chá sobre a bancada, mas parece que ela estava tendo dificuldades de achar a chaleira no armário. Essa era a hora perfeita de começar com o conselho nº2. Mutano desceu as escadas e foi se aproximando de Ravena bem devagar e com calma, apesar de seu sangue estar na velocidade de uma catarata em suas veias.

Ravena já estava desistindo de achar a chaleira naquele armário bagunçado quando ouviu aquela voz que lhe deu arrepios na espinha.

-Quer ajuda?-Mutano estava parado ao lado dela e sorrindo daquele jeito bobo e fofo.

Ravena se ergueu lentamente, parecendo tímida.

-Não consigo achar a chaleira...-respondeu ela de um jeito tão doce e inocente que Mutano quis beijá-la na hora.

-Deixa que eu te ajudo.-Mutano se aproximou e se agachou em frente ao armário.

Decididamente, a bagunça era total. As panelas de todos os tipos se misturavam entre si e quase não dava para achar a maioria das frigideiras. Diante deste problema, Mutano não viu outra opção à não ser se transformar num esquilo e correr lá pra dentro.

Quando o adolescente verde se encolheu todo até virar um esquilinho lindo e sumir no meio das panelas, Ravena não pôde resistir à um sorriso divertido. Ela ouviu as panelas se remexendo dentro do armário ao passo que ouvia o som de um esquilo passeando lá dentro.

Meio minuto depois, as panelas se afastam e uma linda chaleira prateada brilhante surge sendo arrastada por um esquilo verde.

Ravena fez de tudo para segurar o sorriso, afinal de algum jeito aquela cena lhe pareceu engraçada. É claro que seu sorriso acabou fazendo cócegas nos cantos de sua boca e surgiu como um sorriso bem sutil e pequeno. Ela pegou a chaleira pela alça preta e o esquilo verde pulou pra fora do armário tão logo voltou à forma de adolescente verde.

-Obrigada...-murmurou Ravena timidamente, já se virando para a pia.

-Não, Rae, deixa que eu faço isso.-disse Mutano, agarrando a chaleira da mão de Ravena.

A garota parou e ficou com um olhar confuso no rosto.

-Vai fazer chá para mim?-questionou ela.

-Vou sim.-assentiu Mutano com um sorriso bobo e alegre já enchendo a chaleira com água da torneira.

-E você sabe fazer chá?-Ravena arqueou a sobrancelha.

-Ravena.-riu Mutano.-Eu assisto você fazer chá todos os dias.

Ravena olhou-o desconfiada.

-Como é?

Mutano ruborizou debilmente e fechou a torneira antes que a água transbordasse. Rapidamente, ele colocou a chaleira na boca do fogão e ligou o fogo. Ele se virou para Ravena, olhou-a por um instante e logo depois sorriu todo besta antes de se dirigir exatamente aonde Ravena guardava seu bule de chá. Mutano pegou-o com todo o cuidado do mundo como se fosse um bebê recém-nascido e o colocou sobre a bancada.

Ravena foi vendo toda aquela situação e já estava se sentindo envergonhada.

-Mutano.-ela interrompeu.-Eu sou perfeitamente capaz de fazer chá, obrigada.

-Não.-retrucou Mutano.-Você é perfeitamente capaz de se sentar ali, obrigado.

Debilmente a garota de cabelos violetas olhou para as banquetas na bancada ali perto e depois olhou para o garoto verde – ele agora estava pegando um punhado de ervas da caixinha de chá e colocando tudo dentro do infusor do bule. Estranhamente, o punhado de ervas que ele pegou parecia ser a mesma quantidade que a dona do bule sempre pegava.

-Mutano, você está com febre?-quis saber Ravena.-Comeu alguma coisa estragada? Está se sentindo bem?

Ele fechou a caixinha de chá e voltou os olhos verdes para Ravena. Por um momento, Mutano deu uma boa olhada nela da cabeça aos pés. Sua beleza sempre tão imensurável quanto à Lua cheia. Aquele rosto misterioso e belo de olhar doce e inocente. Os olhos. Aqueles olhos de ametistas brilhantes que tanto atraíam os olhos esmeraldinos.

-Sim...-Mutano sorriu docemente.-Eu estou me sentindo muito bem...

Ravena quase conjurou seu Azarath Metrion Zinthos para não ruborizar, mas não deu. Seu rosto ruborizou-se levemente e ela foi andando rapidinho até as banquetas da bancada. Ela se sentou ali e ficou apenas esperando que a chaleira apitasse logo e Mutano parasse de agir feito maluco. Ele aproximou-se e colocou o bule e a caneca juntos lado a lado.

-Mais alguma coisa, Rae?-perguntou ele, todo sorridente.

-Não...-respondeu ela com a maior cara de quem quer mais.

-Para. Eu sei que você quer mais.-riu Mutano.

-Ah...-Ravena estava toda tímida e indefesa.-Pão de abóbora com geléia de framboesa...

-É pra já!-e Mutano saiu correndo rapidinho atrás dos pedidos.

Num instante, ele voltou com um saco de pão de abóbora, um potinho de vidro de geléia de framboesa, uma faca de ponta arredondada e um prato. Mutano colocou tudo sobre a bancada e já foi logo abrindo o saco de pão de abóbora e pegando três fatias. Colocou no prato e abriu o potinho de geléia.

-Mutano.-Ravena tentou interromper de novo.-Eu sou perfeitamente...

Pois bem, o verdinho partiu para o conselho nº3. Colocou o dedo indicador nos lábios de Ravena e ela, com uma carinha de tacho super fofa, ruborizou sem ação nenhuma. Mutano nada disse – ele passou geléia de framboesa nas três fatias de pão de abóbora e colocou tudo organizadinho no prato

-Como diriam na Itália.-Mutano empurrou o prato sobre a bancada.-Bon appétit.

Nesse momento, houve uma surpresa súbita, inesperada: Ravena riu, mesmo que bem levemente.

-França.-corrigiu ela com um pequeno sorriu e pegou a primeira fatia de pão para comer.

Mutano nem se incomodou de ser corrigido. Isso foi mais conhecimento na cachola e mais um sorriso bobo de amor no rosto. Ele não agüentou e falou na hora:

-Como você consegue ser tão inteligente?

A feiticeira o olhou confusa.

-Mas... isso é a coisa mais básica e simples do francês...

-É que você tem esse cérebro lindo e inteligente.-elogiou Mutano com seu sorriso bobo.-Então, todo conhecimento é pouco.

-De fato...-assentiu Ravena, meio acanhada.

Logo mais, a chaleira apitou e Mutano foi correndo buscá-la. Nessas, Ravena ficou tentando entender como um cérebro podia ser lindo, porém ela secretamente gostou do elogio. Mutano voltou com a chaleira quente e abriu a tampinha do bule tão logo encheu-o com água quente sobre as ervas do chá.

Mutano deixou a chaleira sobre a bancada e logo se sentou ao lado de Ravena na bancada. Ela ficou calada comendo os pãezinhos de abóbora com geléia e ele ficou olhando para ela, assistindo cada movimento seu e contemplando-os como se fosse os passos de uma dança cósmica de maravilhas mil.

Ravena já estava em sua segunda fatia de pão quando olhou para Mutano e viu que ele não tirava os olhos dela.

-O que foi?-sussurrou ela monotonamente.

-Ei, Ravena?-sussurrou ele de volta, o sorriso doce.-Alguém já te falou o quanto você é linda?

Ela parou e engoliu todo o pão na boca. Ficou sem jeito na hora, não sabia onde olhar e onde pôr as mãos. Afinal de contas, o que deu em Mutano?

-Já, mas...-Ravena hesitou por um momento.-Não era uma pessoa boa, então deixei de acreditar nisso.

Ela falava de Malchior, Mutano soube na hora. Ele queria tanto invadir o quarto de Ravena, pegar o livro daquele lagarto mágico gigante infeliz que não sabe tratar uma garota linda e tascar fogo nele de uma vez.

-Mas você acreditaria, se fosse eu te dizendo isso?-indagou Mutano, os olhos verdes brilhando.

Ravena o olhou timidamente.

-Bom... acho que sim...-respondeu ela num tom bem baixinho de voz.-Você não é uma pessoa ruim...

-Não sou?-Mutano estava querendo pular de alegria.

-Você é uma pessoa legal.-prosseguiu Ravena.-Pode me irritar de vez em quando com as suas baboseiras malucas, mas... nada disso importa quando você é verdadeiro...

A mão de Ravena estava disposta sobre a bancada e, de repente, uma mão enluvada repousou por cima dela. Mutano sentiu quando Ravena pareceu ter um leve sustinho, mas logo se controlou com o toque de sua mão.

-Rae?-Mutano sussurrou, o doce ainda mais doce.-Tem certeza de que não quer sair comigo? Só nós dois? Só uma vezinha?

Ela parecia um tanto hesitante.

-E o que eu ganho com isso?-indagou serenamente.

-Deixe-me pensar...-Mutano procurou as palavras.-Beber no seu café favorito, comprar livros pra você, assistir um filme legal no cinema, passear pelo parque, admirar a Lua...

-Isso me parece coisas que casais fazem.-observou Ravena muito sabiamente.

-Mas não deixam de ser coisas interessantes, não?-Mutano riu.-Vai me dizer que não vai querer beber do seu cappuccino favorito? Ou comprar aquele livro que você tanto quer? Ou assistir o filme que foi baseado no seu livro favorito?

Ravena encarou Mutano por alguns instantes. Tudo aquilo parecia fantástico demais para ela. Seria tão maravilhoso. Ela nunca teve um encontro de verdade, nem sabia muito bem como era isso. Estava se sentindo como Estelar nos primeiros dias em que chegara à Terra.

Então, uma resposta surgiu:

-Eu vou pensar.-disse ela e voltou à morder sua fatia de pão.

-Posso ter esperanças?-quis saber ele, todo sorridente.

-Talvez...

Mutano riu. Esta era a Ravena, misteriosa como sempre. Quando o chá de ervas terminou a infusão, ele serviu uma caneca quentinha para ela.

Parece que o conselho nº1 também estava dando certo.

:

Ravena só conseguiu escapar de Mutano quando Silkie descobriu o esconderijo de toufu do verdinho e ele entrou em pânico para salvar a sua comida. Nessas, Ravena finalmente escapou de Mutano, ou alguém que parecia o Mutano por fora, mas não era o Mutano por dentro.

Decididamente, o que aconteceu com aquele maluco? Ele que sempre foi o grande abestalhado das piadas sem graça e que vivia fazendo suas palhaçadas malucas aqui e acolá agora estava tão gentil, tão doce e querendo tanto ajudar Ravena e elogiando ela sinceramente como se não tivesse medo de ser mandado para outra dimensão.

Alguma coisa aconteceu com Mutano, Ravena sabia muito bem disso. Entretanto, ela não se agüentava mais. Sentia tantas emoções bizarras que se conflitavam dentro de si. Era como se todas as suas emoções-clones estivessem guerreando umas com as outras dentro de sua mente surrealista – e seria tanta energia liberada que era bem capaz de Ravena sozinha pôr toda a Torre Titã a baixo.

Ravena sempre foi a pessoa mais reservada e misteriosa de todos os titãs. Ela podia ter conexões com os outros como quando trocou de corpo com Estelar e usou seus próprios poderes, ou quando se conectou psiquicamente com Robin para descobrir o mistério do fantasma de Slade, ou quando ajudou Cyborg no conserto de seu amado carro – ou quando Mutano se transformou numa fera furiosa e colossal só para salvá-las das garras do maldito Adonis.

Honestamente, Ravena nunca esqueceu isso, ela nunca esqueceu nada de todas as coisas boas que Mutano fez para ela. Como poderia esquecer? Mutano era, de longe, a pessoa que mais se dedicou à ela e que mais fez de tudo para ela sair de seu covil de trevas e conhecer a luz da manhã. Ravena precisava abrir o seu coração com alguém e só havia uma pessoa com quem ela poderia fazer isso. A pessoa que se sentiu uma grande estrangeira na Terra, assim como ela e que foi a primeira de todos à saber de suas verdadeiras origens, e aprendeu como usar seus poderes, sabendo como seu ser funcionava.

Quando Ravena chegou ao quarto de Estelar, ela nem sentiu náuseas por todo o rosa enjoativo que ornava ricamente o quarto da tamaraniana. Encontrou ela sentada no meio de sua cama rosa e parecia estar bem animadinha desenhando alguma coisa.

Ravena ficou parada na porta do quarto de Estelar apenas arranjando coragem para chamá-la, mas não foi preciso porque Estelar a olhou na hora e sorriu lindamente.

-Ravena!-exclamou ela, toda sorridente.-Olha só o meu desenho!

Ela levantou o caderno de desenho do colo e mostrou para Ravena. Era um lindo yin yang, mas o yin era violeta e o yang era verde.

Ravena ruborizou debilmente. Parece que Estelar estava botando lenha na fogueira.

-Estelar.-disse ela finalmente.-Eu preciso ter uma conversa séria com você.

-Ah, sério?-Estelar ficou curiosa agora.-Bom, diga.

-Em particular.-Ravena adentrou o quarto e fechou a porta não sem antes se certificar de que não teria ninguém no corredor.

Ela foi até a cama de Estelar e se sentou na borda. Olhou para sua amiga e por um momento os olhos dela fizeram-na se lembrar de certos olhos que também eram verdes – isso a fez se arrepiar toda.

-Estelar.-sussurrou Ravena.-Eu vou te contar uma coisa séria... mas, por favor, não entre em pânico.

-Como assim?-riu Estelar.-Por quê eu entraria em pânico?

Pois bem, lá do lado de fora da Torre Titã, tudo o que se ouve é o grito de Estelar:

-OOO QUÊÊÊÊ?!?!?!

E todas as gaivotas voam assustadas.



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