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História Buck Rogers - Capítulo 4


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Notas do Autor


volteeeeei
milituda
desesperada por ter acreditado que perdeu a prova de alemão porque esqueceu que tinha aula, porém aliviada porque lembrou que todas as escolas adotaram quarentena
músicas na playlist
playlist e grupo nas notas finais

Capítulo 4 - Não mexe no meu Habbo


Cherry Pie tocava no radinho medíocre enquanto o vocalista da Soviet Gummo murmurava baixinho — já que alguém era um pouco caidinho por Warrant —, e Chanyeol se viu na obrigação de deixar o seu mangá de lado quando notou que Sehun deixou de fazer suas atividades de matemática para começar a olhar estranho para Baekhyun. Com a mesma cara que ele fazia quando estava tentando ver as horas em um relógio de ponteiros — porque, se tinha algo que era um martírio para esse moleque, era tentar ver as horas dessa maneira, ele ficava confuso.

E o que essa cara significava nessas situações sem relógios? Que ele estava prestes a fazer alguma pergunta que não cabia ao momento.

— Baekhyun, você gosta de garotas? — questionou, largando seu lápis sobre o caderno.

— Sim. — respondeu simples, sem nem desviar a atenção do jogo em seu celular, era o que ele fazia enquanto esperava o mais novo fazer cálculos e resolver as malditas equações exponenciais, isso quando não girava as chaves do seu amado Jaguar.

E é claro que Chanyeol franziu o cenho quando escutou aquilo. Porra, Byun Blue Baekhyun não só o beijava quando podia, como também quando não podia — não porque o Park não queria, ele sempre queria, mas sim em momentos em que, por exemplo, Sehun estava por perto. Não que Chanyeol entendesse muita coisa sobre pessoas não-binárias, mas ele não se sentia no direito de apontar Baekhyun como gay, justamente pelo fato de que ele não se identificava inteiramente como um menino, então apenas acreditava que ele tinha uma atração por homens ou pessoas com identidades voltadas para o masculino.

Porque ele nunca nem ouviu falar de algum momento que aquele sujeito tenha pegado uma garota. Isso era realmente uma grande novidade.

Era complicadinho demais, mas ele estava pegando o jeito para compreender. Blue era extremamente paciente quando explicava sobre todas essas coisas, e Chanyeol era bem receptivo e mente aberta em relação a isso.

No entanto, quando ele achava que tinha entendido um pouquinho, percebia que tudo só havia aumentado de dimensão. E ele ficava ainda mais confuso, e, por consequência, com medo de dizer algo errado e chateá-lo.

De qualquer forma, ele ficou no mínimo muito curioso a respeito daquela nova informação.

E Sehun parecia mais estranho.

— E garotos? — perguntou baixo, e seu irmão quase quis voar no pescoço dele.

Mas sabia que não seria algo nada prudente, e sabia que era um belíssimo babaquinha por sentir aquela pontadinha de ciúmes de alguém que o beijava de vez em quando — muitas vezes em quando, vale ressaltar.

— Também. — Baekhyun não poderia estar mais inexpressivo enquanto jogava em seu celular.

— Então você gosta de garotas e garotos?

— E garotes.

— O que é isso? — questionou na inocência, e foi aí que Chanyeol realmente temeu pela vida do caçula.

— Então... — o Byun deixou o telefone de lado para dar uma atenção maior ao rapaz — Tem pessoas que não se identificam exclusivamente como homem ou mulher, outras não se identificam como nenhum dos dois, e ainda tem gente que é as duas coisas, entende?

A doçura na fala e a paciência daquele garoto, ou garote, jamais deixaria de fazer Park Chanyeol ficar cada vez mais caidinho por ele.

— Ah... É tipo aquelas pessoas que raspam a cabeça e picham escolas?

Mas que porra aquele pirralho estava falando?

— É... Não tem nada a ver com isso, Sehun.

E aquele foi o momento para que Chanyeol intervisse, antes que aquela conversa tomasse rumos traumatizantes.

— Sehun, tome vergonha na cara e termine as suas atividades, você tem prova essa semana!

 

Buck Rogers; capítulo IV

 

“Não mexe no meu Habbo”

 

 

 

 

Park Chanyeol estava uma verdadeira pilha de nervos naquele fim de tarde, se ele sobrevivesse até o sábado seria grande coisa. O motivo era bem específico, já tinha uma semana que Baekhyun simplesmente disse que sua namorada estaria na casa dos Park na sexta-feira para o jantar. Apenas isso. Recusou-se a dar mais detalhes, mesmo que Chanyeol tenha passado a semana inteira implorando por mais explicações e lotando o seu telefone com inúmeras mensagens.

Até ameaçou, na quarta-feira, dizendo que, se o Byun não explicasse a situação, ele não o beijaria mais.

O que definitivamente não surtiu efeito, porque Chanyeol era um grande boiola por aquele cara, e bastou que Blue se inclinasse em sua direção com um sorrisinho indecente para que ele esquecesse qualquer coisa que tenha dito há menos de cinco segundos. Já puxou o seu pseudossurfistinha pela gola da camisa e deu-lhe uns beijos bem dados na cama do seu quarto, enquanto seus pais não estavam em casa e Sehun tinha saído pra comprar pão.

Portanto, Chanyeol estava praticamente no escuro. Só havia dito para a sua mãe que sua nova namorada viria para o jantar. E é claro que Youngmi ficou extremamente desconfiada com aquilo. Naquele dia, não deixou Jungsu fazer o seu maldito frango com maionese que tinha cheiro de morte, ela tomou conta da cozinha e mandou o marido ter a decência de varrer a casa.

Tarefa essa que foi repassada para Sehun, que choramingou e fez birra como uma criança para não ter que fazer nada. Mas, com a ameaça que a sua mãe fez com um pano de prato em mãos, ele não pôde desobedecer.

Quando o interfone tocou, Chanyeol sentiu seu coração pulando junto com o seu corpo para fora do sofá. Seu nervosismo, para passar uma dimensão realista, era tão grande que ele tomou um banho bem longo e vestiu suas melhores roupas.

Ele não fazia ideia de quem Baekhyun havia mandado para fingir ser sua namorada.

— Eu atendo! — gritou para que os outros da casa ouvissem e correr para a porta do apartamento.

E ele jura de pés juntos que ouviu Sehun resmungando um “Achou que outra pessoa faria isso por você, vagabundo?” no caminho.

Depois de descer as escadas correndo e quase cair com a cara no corrimão, ele chegou até a porta do pequeno prédio. E ele definitivamente não esperava ter encontrado Byun Baekhyun com um adorável vestido azul, uma peruca castanha de franjinha e um laço da mesma cor que o vestido.

Blue estava... Adorável!

Chanyeol passou a se questionar muito a respeito de como assumia a sua sexualidade desde que começou a ouvir Baekhyun falando sobre todas aquelas questões de gênero. E ele se pegou refletindo diversas vezes sobre o motivo de ele se considerar gay.

E boa parte disso era a aversão às influências que ele tinha na televisão a respeito de um relacionamento hétero. Ele não queria ser um fuckboy de marca maior que era bruto com as garotas na hora do sexo e não podia chorar em hipótese alguma. Poxa, não era isso que Chanyeol buscava em uma relação. Ele era um cara chorão, e não queria ter que parecer alguém sério quando era alguém que ficava derretido por qualquer coisa. Ele não queria foder ninguém com raiva, ele não se imaginava fazendo isso, queria foder com carinho e ser fodido também.

De preferência a última parte.

E essas suas preferências diante de algo tão padronizado o faziam pensar que qualquer garota iria cobrar dele algo que ele não era... Surreal, com certeza, mas na sua cabecinha era assim que as coisas funcionavam. E a opção mais lógica para ele era procurar por meninos.

Mas Blue o mostrou que o mundo não era tão preto e branco assim.

Ele o mostrou tantas coisas... Coisas que Chanyeol nunca tinha ouvido falar antes. Desde garotas que usam cintaralho até o fato de que sexo não é necessariamente sobre penetração — o que ajudou a desmistificar tantos pontos. Ele falou sobre masculinidade tóxica e tantas outras coisas problemáticas que são tão inerentes à sociedade.

O Park se sentia em uma realidade nova, onde era livre para ser quem ele bem entendesse.

Em algum momento ele chegou a cogitar ser bi, e falou para Baekhyun sobre isso com tanto medo de magoá-lo por ser, de alguma forma, excludente — já que o nome pode até remeter a um conceito binário, de homem e mulher somente.

Mas o Byun disse para ele não se preocupar, a bissexualidade não exclui ninguém. Disse para ele ver como a atração por dois gêneros ou mais, assim ele definitivamente não deixaria pessoas não-binárias de lado. Desde que fosse genuíno, não fazia diferença alguma a forma que ele iria nomear.

Também falou que rótulos não eram importantes.

Aquilo ainda não era uma certeza, Chanyeol ainda estava confuso a respeito do que sentia em relação a tudo. E ele ficava muito reflexivo quando Baekhyun dizia que era Pansexual, achava tão bonito ouvi-lo dizendo que o gênero era uma questão indiferente para ele no momento de se atrair por alguém, assim como estava pouco se lixando para o que a pessoa tem no meio das pernas.

Ele dizia que gostava de pessoas e ponto.

E talvez fosse nesses momentos que ele desconfiava, acima de tudo, estar apaixonado por aquela pessoinha que estava na sua frente, com um vestido e uma postura que Chanyeol jamais imaginou que veria.

— Você está... — o loiro estava pronto para soltar um “lindo” quando uma grande preocupação o atingiu.

Que pronome ele deveria usar?

— O que foi? — Baekhyun estranhou o silêncio repentino do maior.

— Como eu devo me referir a você?

— Como você sempre se refere. — riu baixo — Eu não me importo com pronomes, Chanyeol, use o que você quiser.

— Você está lindo... — o maior sorriu bobo.

— Tá bom, agora preste atenção. — empurrou o rapaz para dentro e fechou a porta do prédio, mas com a proximidade maior, conseguiu sentir melhor o cheiro dele — Você tá cheiroso, hein... — Blue encostou seu nariz no pescoço do Park e inspirou um pouco mais do seu perfume, só parou quando notou alguns arrepios na pele alheia — Acho melhor eu parar antes que você fique duro... Olha só, você vai me apresentar como Baekhee, e não vai rir da minha voz fina, tá bem?

— Tá bom. — Chanyeol respondeu um pouco atordoado pela quase ereção que teve e pelo tom autoritário que o deixava cadelizado.

— Eu até pensei em pedir para Taeyeon fazer isso, mas acho que o jeito sobrevivencialista dela iria assustar um pouco a sua mãe.

— Você tá doido? A irmã do Jongin me intimida demais!

— É? — segurou o mais novo pela cintura e o prensou contra a parede — E eu não te intimido?

— T-também... Principalmente assim... — sorriu sem jeito, em um verdadeiro gay panic pelo que se passava ali — Acho que eu gosto de apanhar de mulher bonita.

— Eu vou guardar essa informação muito bem. — deu dois tapinhas fracos no rosto de Chanyeol e então se afastou — Vamos subir, sua mãe deve estar pensando que eu tô te chupando aqui embaixo.

No entanto, antes que eles pudessem ir para o apartamento, o interfone tocou mais uma vez, e Chanyeol abriu a porta...

— Cheguei tarde para o rango?

E ele quis morrer quando viu que Jongin estaria lá naquela noite.

 

(...)

 

Sehun estava em um grande conflito interno.

Quando tinha apenas seis anos e ia para a escolinha, dizia aos quatro ventos que iria casar com Jongin; enquanto Chanyeol ficava irritado porque não queria de jeito nenhum que o boboca do seu irmão roubasse o seu melhor amigo, e os adultos levavam como bobagem de criança pequena, o Kim chorava desesperado. Porém com uns sete para oito anos ele percebeu que não podia ficar repetindo essas coisas, isso porque um dos irmãos de Jongin o chamou de viadinho.

Sim, ele era um “viadinho”, mas só reconhecia isso com seus dezesseis anos na cara... Porque, quando era um pirralhinho, ficava extremamente pistola quando ouvia isso, a ponto de se emburrar e encher de chutes quem ousava dizer essas coisas. Só não dizia isso para os seus pais, embora eles já tivessem uma grande noção de que o filho gostava de garotos.

E esse foi um grande motivo para ele ter começado a tratar Jongin aos coices e tentar afirmar a sua heterossexualidade. Porém essa história super interessante do pequeno crush que Park Sehun teve no menino que mais esgota a sua paciência nos dias atuais não é o ponto principal do conflito que o atinge. Qual é a questão? Sehun sempre se viu interessado apenas em meninos, desde que se entendia por gente.

Mas naquela sexta-feira ele se questionou demais a respeito disso.

Ele não conseguia nem se importar com os chutes que Jongin insistia em dá-lo por baixo da mesa de jantar, só para irritá-lo. Sua atenção não abandonava nunca Baekhee, a namorada do seu irmão.

Ela era... Linda! Sim, era linda demais. Sehun estava com uma vontade estranha de se ajoelhar na frente dela e pedir para que ele fizesse o que bem entendesse consigo. E por isso não se reconhecia, já que até pouco tempo ele era um homossexual convicto. Mas não faria isso por respeito ao orelhudo que saiu do mesmo saco que ele.

Outra coisa doida era que, diferentemente da namorada que Chanyeol apresentou há algum tempo, aquele relacionamento não parecia ser falso. Era até interessante ver aqueles dois juntos, eles tinham uma dinâmica engraçada. Baekhee parecia ser uma garota extremamente séria, enquanto Chanyeol era totalmente cadelizado por ela.

O que era curioso, porque Sehun jurava por deus que seu irmão também era gay.

Mas o mais intrigante naquilo tudo era que o rosto de Baekhee era muito familiar, e ele não fazia ideia de onde ele reconhecia aquela moça... Isso era angustiante.

Mas enquanto Sehun estava nesse estado, Chanyeol estava se sentindo aliviado e relaxado pra caralho. Aparentemente, sua mãe havia adorado a nora, e seu pai tinha um pouco de medo dela. Algo esperado, já que, bem, era Byun Blue Baekhyun sob aquela peruca.

E Jongin... É, ele sabia que era Baekhyun. E estava achando tudo aquilo muito incrível.

Alguns imprevistos envolvendo um forno defeituoso que queimou o que deveria ter sido o jantar fizeram com que os planos para aquela noite mudassem. A matriarca dos Park pediu gentilmente — lê-se autoritariamente — para que os garotos pedissem uma pizza. Enquanto isso, ela e seu marido foram para a sala para conhecerem melhor a nora.

E claro que é um questionamento muito válido a necessidade de três marmanjos para pedir uma pizza... Mas era apenas um pretexto para que Youngmi e Jungsu sondassem Baekhee sem nenhum moleque inconveniente por perto. O trauma com a garota que eles juravam por Deus que era uma prostituta que queria aliciar o filho deles era algo que explicava bastante isso.

Então eles apenas se mandaram para a cozinha.

— Olha, Chanyeol... — Sehun começou assim que eles foram para longe dos pais — Eu achava que era gay... Mas a sua namorada é muito bonita.

Chanyeol teve vontade de rir. Talvez o motivo fosse bem óbvio... Baekhee era apenas o tutor de matemática por quem Sehun tinha uma leve paixonite.

— Olha aqui, se você der em cima da minha namorada eu vou te bater, seu fedelho! — ameaçou, e adorou ver o menor arregalando os olhos e indo para perto de Jongin.

— Por que você dá em cima de alguém que namora quando você tem um cara do seu lado que quer tanto te dar uns beijos? — o Kim provocou, inclinando-se sugestivo em sua direção.

— Vai à merda, garoto! — empurrou-o — Eu não vou te beijar!

— Eu sei que você quer, Sehun.

— Você está ficando louco?! — ele franziu o cenho, abrindo uma das gavetas para procurar o cardápio de qualquer pizzaria — De onde você tirou essas bobagens?

— Você nunca diz que não quer me beijar, você sempre diz que não vai... — Jongin explicou relativamente sério, nem o seu típico tom de provocação estava presente na sua fala — Parece até que está falando para você mesmo.

Sehun achava que Kim Jongin reparava em coisas demais.

— Cala a boca, Jongin!

Antes que ouvisse mais alguma coisa do moreno, o caçula dos Park foi até o irmão com o cardápio. E depois de uma discussão de quase quinze minutos sobre escolher entre uma pizza de quatro e de seis queijos, eles finalmente fizeram o pedido. E então voltaram para a sala.

— Uma hora para a pizza chegar... Estão com muitos pedidos. — Chanyeol disse aos pais.

Se as coisas estivessem se encaminhando para dar certo, todo mundo ficaria quieto enquanto assistia a algum filme. E, talvez, Chanyeol ficasse de mãozinhas bobas com o seu garoto-que-ele-beija-de-vez-em-quando-ou-quase-sempre sem que ninguém percebesse.

Mas as coisas não estavam se encaminhando para dar certo.

E foi aí que, olhando para Baekhee mais uma vez, Sehun estava quase conseguindo notar o motivo de seu rosto ser tão familiar.

— Eu conheço você de algum lugar... — comentou, estreitando os olhos para observar melhor a garota.

Chanyeol começou a suar frio e queria fugir de lá com a suposta namorada. É claro que tinha que ser o tapado do seu irmão para estragar tudo!

— Eu acho que não. — Baekhyun respondeu com sua melhor voz fina.

— Já sei! — ele se exaltou e apontou o indicador em sua direção — Você parece muito o Baekhyun, meu professor de matemática!

Não adiantava se fazer de desentendido naquela situação, a possibilidade já havia sido lançada ao ar. Sua “sogra” olhava com uma grande desconfiança, como se pudesse ler a sua mente com apenas uma mirada, enquanto Chanyeol parecia estar a ponto de desmaiar a qualquer momento.

Mas Blue era uma pessoa astuta.

— Byun Baekhyun?

— Ele mesmo!

— Ele é meu primo. — fingiu empolgação para assim eliminar qualquer suspeito.

— Essa família tem uma genética meio abençoada. — Jongin comentou para irritar o melhor amigo, e conseguiu um beliscão de um Park Chanyeol com cara de bunda.

Antes que mais perguntas fossem feitas e a merda fosse decretada, Chanyeol decidiu que era melhor sair de lá com Baekhyun. Então segurou a mão do baixinho e puxou para longe da sala.

— Nós vamos para o meu quarto. Nos chamem quando a pizza chegar.

— Eu vou junto! — Jongin já tratou de se intrometer, porém foi barrado pelo loiro.

— Não, você não vai. — o Park rosnou, não estava nada a fim de perder um momento sozinho com Blue.

— Usem camisinha. — Youngmi gritou, fazendo o filho resmungar enquanto puxava Baekhyun para o quarto.

E é claro que Kim Jongin usou aquilo como uma oportunidade fazer o que mais o alegrava na vida... Perturbar Park Sehun. E foi por isso que ele não tardou a seguir o moleque até o seu quarto. E, como esperado, o ruivo ficou extremamente puto quando viu que o insuportável do amigo do seu irmão não o deixaria em paz.

— O que você quer, Jongin?! — questionou irritado, vendo o rapaz se atirar na sua cama — Vaza daqui, garoto!

— Só se você me der um beijinho! — sorriu travesso, adorando ver o jeito que Sehun bufava quando estava bravo.

— Eu não vou te beijar. — fechou a porta e sentou-se à escrivaninha, para então ligar o computador e colocar seus fones de ouvido.

— Quando a gente era criança você dizia que ia casar comigo e não quer nem me dar um beijinho agora?

— Não me lembra disso, por favor... — resmungou e voltou a atenção para a tela luminosa — Vê se não abre essa porta, minha mãe não pode ver que eu tô no computador.

— Você ainda tá de castigo? — o Kim riu.

— Sim, só posso usar o computador nos sábados. — irritou-se mais ainda ao ver que o garoto ria da sua situação — Para de rir, seu babaca.

— Perdão, gracinha... — Jongin se ajoelhou na cama e engatinhou até a ponta da cama, ficando logo atrás do mais novo — O que você vai jogar?

Habbo, conhece?

— Eu não tenho computador em casa, Sehun... — respondeu um tanto triste.

— Ah, desculpa...

— Tá tudo bem, só me mostra como é, fiquei curioso. — apoiou um dos braços na cadeira do garoto e se inclinou para enxergar melhor a tela do computador.

E Sehun não gostou de admitiu isso para si mesmo, mas sentir a respiração de Jongin batendo diretamente em seu ombro e ouvir aquela voz tão perto do seu ouvido mexeu um pouquinho com ele... Péssimo dia para se usar uma regata.

— É-é um hotel. — ele falava nervoso, enquanto tinha certa dificuldade para digitar o nome do jogo na busca, era muita pressão para escrever com aquilo acontecendo logo atrás de si.

Mas por que caralhos ele estava tendo um gay panic com Kim Jongin?

— Tá tudo bem, moleque? — o Kim franziu as sobrancelhas e direcionou o olhar para o rosto do ruivo, que mantinha o olhar preso na tela do computador e tinha as bochechas mais vermelhas que o seu cabelo.

— É... Dá pra você não respirar no meu ombro? Tá me dando agonia...

— Agonia, é? — sorriu maldoso e virou a cadeira de rodinhas para si, para então suspirar contra o pescoço de Sehun — Então você não quer que eu faça isso?

— Jongin! — o menino resmungou e, por reflexo, apertou uma das coxas do rapaz.

Foi algo tão automático que ele só percebeu quando já estava com a mão lá.

— Que agonia diferente... — suspirou outra vez, ainda perto demais da pele alheia — Você sempre fica tão desconcertado quando eu tô pertinho de você...

E o Park sentiu mais uns arrepios e quase chegou a fechar os olhos, mas foi só ouvir a risada de Jongin que ele despertou completamente.

— Que droga, garoto! — empurrou o Kim, fazendo-o cair de costas na cama — Eu te odeio!

E assim Sehun foi correndo para se trancar no banheiro. Xingando e praguejando no caminho, nem se importou com o fato de ter deixado o seu Habbo aberto — sem ambiguidades aqui —, exposto para que o outro fizesse o que bem entendesse.

— Não mexe no meu Habbo! — Sehun gritou de longe.

Jongin sentiu que seu dia estava feito.

 

(...)

 

— Você sabe tocar? — Chanyeol questionou assim que tirou seu teclado profissional do limbo que era a região embaixo da sua cama.

Ele implorou para que os pais o dessem um teclado no seu aniversário de quatorze anos, mas nunca chegou a, de fato, aprender a tocar. Ele era um grande preguiçoso, então aprendeu um jeitinho muito do impostor para que leigos pensassem que ele sabia alguma coisa.

— Sei. — Baekhyun sorriu e se sentou sobre o colchão, com as pernas abertas mesmo, pouco se importando com o vestido que usava e com a sua cueca aparecendo — Você sabe?

Mas Chanyeol se importava, mais do que devia, então apenas evitava olhar para essa parte antes que fosse pego no pulo.

— Não, me ensina. — depois de tirar superficialmente a poeira do instrumento, sentou-se ao lado de Baekhyun com ele, e logo ligou o aparelho na tomada.

— Me mostra o que você sabe.

No momento, a música que vinha em sua cabeça — das poucas que ele conseguia decorar nota por nota — era Six Different Ways, era uma melodia relativamente fácil de ser reproduzida em um piano, The Cure era abençoado demais nesse sentido. Ele tocava nota por nota, a introdução não era difícil.

O problema mesmo era quando ele tinha que começar a cantar.

This is stranger than I thought. Six different ways inside my heart. — surpreendeu-se por ter conseguido conciliar o que fazia com os dedos e o ritmo em que sua voz deveria ser — And every one I'll keep tonight. Six different ways go deep inside.

Aquilo estava indo bem demais para que Chanyeol acreditasse. Geralmente ele se atrapalhava com esse negócio de vocal e instrumento nas primeiras cinco palavras da canção.

I'll tell them anything at all.— porém ele iria errar em algum momento, e aquilo aconteceu bem na segunda parte do verso com uma certa mudança de ritmo — I know I'll give them more and more.

Ele bufou frustrado quando seus dedos não conseguiram se manter reproduzindo as notas no tempo certo.

— Tá vendo? Eu sou péssimo.

— Ah, só um pouquinho, relaxa... — Blue riu — O jeito que você toca é matemático demais para um instrumento como o piano, assim você só consegue tocar uma flauta, porque justamente você não pode usar a voz.

— Eu não entendo...

— Olha, Chanyeol... O piano é um instrumento que tem que acompanhar a sua voz, ele não pode trabalhar separadamente do vocal, isso não existe. É automático a gente querer seguir o ritmo do que tá cantando, por isso você erra.

— Eu tenho dificuldade para fazer os acordes, só consigo nota por nota... Você pode me ajudar?

— Você lembra os acordes dessa música? Tenta tocar.

— Eu vou tentar...

E ele tentou, mas falho miseravelmente, a melodia não casava. E, Baekhyun, notando a frustração do maior, segurou as mãos dele, fazendo-o parar de tocar.

— Você tem que ser delicado com os dedos, Chanyeol... Não pode apertar as teclas muito forte. — explicou calmamente — Segue esse ritmo.

Os dedos de Blue começaram a acariciar as teclas com tanto cuidado... Ele dedilhava o instrumento com a destra, enquanto sua mão livre guiava a de Chanyeol para que ele acompanhasse o ritmo. E até que estava dando certo. O Park reconheceu que a canção era Somewhere Only We Know.

— Continua assim, com cuidado, e segue o ritmo da minha voz.

E quase não podia acreditar que o Byun ouvia algo tão doce... Era adorável.

I walked across an empty land, I knew the pathway like the back of my hand. — sua voz era bem mais grave do que a do vocalista do Keane, mas Baekhyun conseguia soar tão angelical quanto ele — I felt the earth beneath my feet, sat by the river and it made me complete.

E aquilo deixou Chanyeol potencialmente muito derretido. Ouvir Blue de tão pertinho assim era algo inédito, e se ele ficava caidinho só de vê-lo cantando na praia... Aquilo conseguia ser ainda mais perigoso para o seu coraçãozinho. Queria demais dizer que estava com algum problema cardíaco só para não dizer que Byun Baekhyun era o motivo para o seu coração estar tão acelerado.

Ele não queria se apaixonar por aquele carinha, de jeito nenhum. Iria doer.

Oh, simple thing, where have you gone? I'm getting old and I need something to rely on. — Baekhyun continuou, estava feliz por ver que o mais novo estava conseguindo acompanhar, até sentiu que podia soltar a mão dele, e prontamente o fez — So tell me when you're gonna let me in, I'm getting tired and I need somewhere to begin.

E foi por pensar demais que Chanyeol acabou ficando tenso e se perdeu. Apertou algumas teclas com mais força do que deveria e se atrapalhou todo. Baekhyun, percebendo isso, levou a mão que antes guiava a de Chanyeol até a coxa do rapaz.

— Delicado, Chanyeol... — começou a dedilhar a perna alheia como se tocasse o piano — Consegue sentir?

O Park, é óbvio, arrepiou-se ao extremo com aquele gesto. E, se antes não conseguia tocar pela tensão, agora estava desnorteado de vergonha por estar ridiculamente excitado com um simples toque na coxa. Ele parou de tocar no mesmo instante, e Baekhyun estranhou.

Mas quando ele olhou para o meio das pernas do loiro, entendeu muito bem o que estava acontecendo.

Não pôde deixar de sorrir com malícia.

— Depois eu te ensino melhor... — empurrou o teclado para o lado — Quer ajuda com isso aí?

— Como é que é? — seu rosto estava pegando fogo, e Blue se divertia com aquelas reações.

— Quer que eu te ajude com isso? — Insistiu, e Chanyeol gemeu baixinho, quase inaudível, quando sentiu sua coxa sendo apertada com força.

— Acho que sim... — o garoto respondeu tímido.

Baekhyun não esperou muito, puxou Chanyeol para o seu colo, de costas para si, e envolveu seu tronco com os braços. O maior sentia seu corpo derreter sob os beijos que ganhava no pescoço e as mãos bobas que invadiam a sua camisa, só para deslizarem sobre sua pele. E, merda, ele acreditou fielmente que não tinha como alguém ficar mais duro do que ele quando os dígitos do Byun passaram a estimular os seus mamilos.

Estaria ele no céu? Bom, céu ou inferno, não importava, ele só fechava os olhos para sentir aquilo com precisão.

Blue segurou o seu queixo e fez o seu rosto se virar minimamente para si, de uma forma tão estúpida e sexy. E, mesmo com a limitação daquela posição em que estavam, conseguiam se beijar de um jeito gostoso. As pernas de Chanyeol amoleciam cada vez mais. Mas bastou que a mão de Baekhyun fosse parar dentro da sua cueca para ele comprimir os olhos e gemer contra a boca do mais velho.

— Blue... — ele sentiu a necessidade de se afastar momentaneamente, estava ofegante.

Shh... — sussurrou contra os lábios inchados, enquanto abaixava preguiçosamente as calças do Park, deixando o seu membro totalmente exposto — Relaxa...

E entre as melhores sensações do mundo, para Park Chanyeol, ter os dedos de Baekhyun deslizando e apertando o seu pau podia facilmente ocupar uma das primeiras posições dessa lista.

 

(...)

 

Aquele Jaguar poderia até parecer ser um lugar apertado demais para alguém trocar de roupa, se Baekhyun não estivesse acostumado a tirar a roupa de outras pessoas e a sua própria dentro daquele veículo. Não era algo que ele havia feito nas últimas semanas, mas a habilidade permanecia.

Sua roupa de Baekhee estava muito bem guardada na mochila, e ele já vestia uma de suas típicas camisas pretas e largas com algum jeans surrado. E assim ele saiu do carro, indo para dentro de casa.

Não era louco de aparecer na frente de Jiyong vestido daquele jeito. E tudo bem que o seu padrasto-pai era bem compreensivo com ele nessas questões mais pessoais, mas a única informação que ele tinha nesse sentido a respeito do enteado-filho era que ele também gostava de garotos. Não sabia de nada além disso, e Baekhyun acreditava que estava muito bom assim.

Torcendo para que Jiyong estivesse dormindo, ele abriu a porta com a maior cautela possível, não fazendo barulho algum. Mas não foi suficiente. Seu padrasto estava acordado, na sala, e o esperava de braços cruzados.

— Oi... — resmungou, pronto para cruzar direto até as escadas.

— Baekhyun, onde você estava? — o homem questionou antes mesmo que ele colocasse o pé no primeiro degrau.

— Na casa dos Park.

O Kwon suspirou frustrado e se levantou do sofá. Estava mais desapontado do que bravo.

— É aquele garoto? O irmão do menino que você dá aulas?

Blue assentiu, seu olhar estava baixo. Talvez estivesse fazendo jus ao nome.

— Meu filho, eu entendo que você queira ver esse garoto, mas você sabe que eles moram em território da Grove.

— Pai, eles não são nem um pouco envolvidos com esse negócio de gangues.

— Os vagos não sabem disso, eles não se importam com quem você vai ver lá, eles só sabem que você tá andando por Temple, e no fim... — o Byun engoliu em seco, não gostava quando Jiyong apertava essa mesma tecla quase todos os dias — Quem tem que explicar isso sou eu. O que o filho de um líder dos Vagos faz na área da Grove?

— Honestamente, pai, eu não quero me envolver nessa rivalidade que vocês e os Ballas têm com a Grove. — Baekhyun suspirou cansado — Eu não sou parte disso.

Dito isso, o rapaz prontamente deu as costas, finalmente subindo as escadas. Porém a fala do mais velho o fez parar no meio do caminho.

— Nunca se esqueça de como você comprou esse Jaguar que adora exibir por aí.

— Como é que eu posso esquecer? — devolveu sem nem se virar para trás.

— Baekhyun... Você pode não levar a sério o que eu te falo agora... Mas, nessa cidade, se você não domina você é dominado.

— E é por isso que eu não gosto de morar aqui...

 

(...)

 

O outono já estava quase no fim, mas nada do frio chegar em Los Santos. O que permitia raves na praia semanalmente. E, naquele sábado, não foi diferente. Chanyeol disse para os pais que iria sair com Baekhee, Jongin e a namorada dele.

O que era tudo uma grande mentira porque, primeiramente, Kim Jongin era gay com G maiúsculo. Até os seus traficantes ignorantes e agressivos que ele chamava de irmãos sabiam disso — exceção para Taeyeon, que, apesar de saber também, enão está incluída no grupo denominado como traficantes. Além do mais, ele só se enroscava com caras aleatórios na praia de Santa Maria, e nunca arrumava um namorado porque era suficientemente apaixonado — sim, com todas as letras — por Sehun.

E ele não se importava com o fato de ser escanteado o tempo inteiro, só de ver aquele garoto irritado consigo já era algo bem satisfatório. Ele tinha para si que era só questão de tempo para Sehun amadurecer e ver que metade do desprezo que ele manifestava era uma grande birra por ter sido chamado de viadinho quando era pequeno e dizia que iria casar com ele.

E esse dia parecia cada vez mais próximo.

De qualquer forma, o assunto aqui não é Kim Jongin.

O fato é que Chanyeol mentiu para os pais, assim pegou a sua moto nova e se mandou para a praia com o melhor amigo. O motivo? Simples, a Soviet Gummo. Mas o motivo se tornou outro quando Baekhyun chegou se mansinho e chamou o Park para conhecer o farol do outro lado do píer.

Ele já imaginava o que aconteceria lá.


Notas Finais




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