História Burglars Love - Capítulo 32


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Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO
Personagens Baekhyun, Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Kris Wu, Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais, Sehun, Xiumin
Tags Baekhyun, Bangtan Boys, Bangtan Boys (bts), Exo, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Kim Seokjin, Rap Monster, Sehun, Suga, Xiumin
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Palavras 10.318
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Festa, Ficção, Hentai, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


ESSE NÃO É O ÚLTIMO CAPÍTULO ANTES DO EPÍLOGO. Deixem eu me explicar, rs.
Eu sei que prometi que esse capítulo seria o último antes do epílogo, mas aí eu reli o "especial JiMari" antigo para reescrever a fic e tive de apagá-lo. Estava desconexo e péssimo! Agora, sim, vocês vão curtir o casal. Acho injusto só ter JinAke e Taeko nos especiais. Eu ia postar depois de acabar o último capítulo (já comecei a escrever), mas achei melhor deixá-lo aqui para lerem enquanto esperam.
Perdoem por não estar com o último cap pronto! Ele vai está me dando trabalho mesmo.
Boa leitura!

Capítulo 32 - Thirty-First: JiMari


Fanfic / Fanfiction Burglars Love - Capítulo 32 - Thirty-First: JiMari

Leiam as notas iniciais!!!!

 

-Especial: JiMari-
-Narrado em 3ª pessoa-
-Apesar das pessoas confundirem "Especiais" com "Bônus", o capítulo a seguir faz uma certa diferença no entendimento da história e é "Especial" por se concentrar em apenas um casal, dando detalhes sobre sua relação e como seus sentimentos surgiram-


            A primeira vez que Jimin a vira fora quando havia decidido entrar de cabeça nos assuntos da máfia. Ele sabia que não tinha nada  a perder, somente a ganhar, visto que não possuía medo algum ou alguém que tivesse de proteger, alguém especial – sua empregada estava bem escondida ali e nunca desconfiariam de nada, ele se garantia naquilo –. Nunca se preocupara muito com a própria vida, iria até o fim para conquistar o que queria, era muito ambicioso.

            Sabia da existência de SeokJin, que era muito respeitado, mas também tinha noção de que haviam mais duas pessoas no mesmo patamar que ele, duas pessoas que apenas mafiosos ou gente influente de verdade conhecia, só não imaginava que uma delas era mulher. Não que ele se admitisse machista, mas era, e como era! Não achava que uma garota teria capacidade de estar no topo da máfia, muito pelo contrário, ele sempre achou que garotas serviam como forma de embelezar o espaço ou ostentação. Em sua opinião, eram melhores longe de armas, quietinhas e ao lado dos parceiros em reuniões regadas a muito tabaco, tequila e maconha e que acabariam com sexo no que restava da noite. 

             – Prazer, Park Mariko. Esses são Yoongi e o tão conhecido Jin – sorriu e, puta merda, que sorriso ela tinha! Impossível que não fosse namorada de um daqueles dois, isso justificaria tudo, principalmente uma mulher tão linda mandando num império – Aliás, o Yoongi está podre de bêbado, então não dê muita importância para as merdas que ele vai abrir a boca para dizer.

            – E aí, cara? – Jin cumprimentou de longe, logo voltando a mexer no celular com uma expressão despreocupada no rosto.

            – Eu não estou bêbado, Mariky – Yoongi reclamou, levando o copo de whisky até sua boca pela centésima vez na noite.

            – Ah, claro, está sóbrio – revirou os olhos –, tão sóbrio que, se eu te empurrar agora, você cai e só levanta daqui a dois dias. E já falei que odeio Mariky! Vamos, Jimin. O papo agora é só comigo.

            – Mariko, esse desgraçado não vai roubar meu lugar, né? – Yoongi exclamou.

            – Cale a boca, seu idiota – ralhou – Vem logo, que eu não quero mais ver a cara desse bêbado. Tenho medo de meter um soco e me arrepender depois.

            Passaram a andar pelo corredor. Jimin observava o quadril dela indo de um lado para o outro e agradecia quem quer que fosse que tivesse inventado as saias. A ansiedade cresceu em seu peito, ele era muito ansioso na verdade e Mariko estava tão sexy com o sapato de salto alto e a saia jeans brancos e uma blusa preta transparente, deixando o sutiã a mostra, que quis saber se algo a mais rolaria. Ele parou para pensar por um momento com quantos ela deveria ter transado para chegar onde chegou.

            – Vamos descer as escadas para o porão, estaremos sozinhos e é bom que não tente nenhuma gracinha, pois estou armada.

            Não que ela precisasse de armas, mas Jimin não a conhecia, não sabia daquele pequeno detalhe, então ela preferira avisar para poupar seus punhos de encostarem na cara do idiota. Desde que Jin dissera que queria achar um novo parceiro, Mariko estava tendo de controlar seu ciúmes, afinal, sempre foram os dois contra o mundo, irmãos, "The Burglars", mas tinha de admitir que sua maior parceria se tornara a com Yoongi nos últimos tempos, já que Jin era conhecido demais para realizar certos trabalhos, enquanto o anonimato os favorecia. Tinha de engolir aquele ciuminho e ajudar Jin a encontrar alguém que pudesse acompanha-lo em assuntos referentes a
empresa e aos casos que eram de sua competência.

            – Hm, eu não sabia que o Jin tinha namorada – Jimin comentou quando Mariko trancou as portas. Ele, sinceramente, não gostaria que ela estivesse num relacionamento com o Kim, já que isso significaria que não teria chances de comê-la, a não ser que fosse mais vadia do que o esperado.

            – E não tem, oras – revirou os olhos, sentando-se. Havia uma mesa prateada no meio do porão e duas cadeiras, uma de cada lado da mesa – Por acaso estava pensando que eu namoro meu hyung? Eu já o chamo de hyung para deixar bem claro que somos irmãos.

            – Então... você está com Yoongi? – arqueou uma sobrancelha, sentando-se na outra cadeira.

            – Não estou entendendo aonde quer chegar com isso, mas vou te responder: nós três somos solteiros, livres e desimpedidos.

            – Ah, faz sentido. Sexo casual com ambos?

            Mariko começou a compreender exatamente o que ele estava querendo dizer, não era uma idiota. Estreitou os olhos, irritada. Seu coração passara a bater descompassado, ela tentava respirar fundo para conter a raiva. 

            – Você sabe a gravidade do que está insinuando? – questionou irritada.

            – Não gosta que os outros fiquem sabendo? Não se preocupe, não contarei a ninguém – deu de ombros –, afinal, quando eu me tornar um deles, terei os mesmos benefícios, não é? – sorriu de canto.

            Mariko começou a rir, rir muito alto. Jimin se sentiu ofendido, quase que rejeitado.

            – Faz tempo que alguém não me faz gargalhar desse jeito – ficou séria – Você, certamente, não entrará na equipe.

            – A palavra da garota com quem Jin transa vira lei aqui? – arqueou a sobrancelha afrontoso.

            – Não sei de onde tirou essa ideia, moleque – levantou da cadeira, fazendo o olhar do moreno cair para seus seios – Você é patético, meu Deus! Acho que não acredita que uma mulher pode estar no poder, mas é bom começar a acreditar. Todo esse império aqui foi construído por mim e pelo Jin JUNTOS. Eu corri atrás dessa merda toda, eu me feri, eu atirei, eu fui tão importante quanto ele, só que EU preferi o anonimato. Posso não ter um quarto que equivale a um andar inteiro, meu querido, ou ter uma mansão endereçada no meu nome e sempre uso só um carro, porém, é escolha MINHA. EU não quis dividir o andar, EU não quis uma mansão, pois amava ficar com o hyung e odiava lugares grandes e vazios. EU não preciso ostentar carros ou meu nome, Jimin. EU não quero, mas, se eu quisesse, poderia muito bem fazer. Uma pessoa como você não pode estar na MINHA equipe, uma pessoa como você não me enxerga como superior, nem como igual. Na verdade, você me vê como uma das bucetas que você come, mas aqui vai uma novidade: nem toda mulher está aqui para te agradar ou te pagar um boquete! Nem toda mulher veio ao mundo para ser seu troféu! Eu vim para ser a porra da rainha da máfia, se isso é demais para você, meu anjo, sinto em dizer que nunca trabalharemos juntos. Mulheres podem ser o que bem quiserem também, afinal, eu atiro com a arma e não com a minha vagina! Ou você atira usando o pau? 

            Jimin nunca pensara que poderia se deparar com uma mulher forte como aquela, ele sempre achava que todas eram interesseiras e descartáveis, mas Mariko... Mariko não concordava consigo. Aquele discurso o deixara envergonhado, ele ficou pensando naquilo o dia inteiro, até que decidiu fumar maconha e ligar para uma prostituta para esquecer. Em sua brisa, ele jurava ter visto a garota de olhos verdes virando a Park. Negou, quando amanheceu o dia seguinte, que teria pensado nela enquanto curtia uma onda, mas, no fundo, sabia que era a verdade.


"Estamos anos luz daquele lugar
Nem sei como eu vim parar aqui
Tua língua eu não entendo
Eu só sei que tu é chata e muito gata pra mim"

[...]

            
            Conforme o tempo passava, ele não conseguia se esquecer daquilo, ainda mais porque vira Mariko num evento beneficente um dia qualquer. Perguntara-se o que ela fazia ali, mas descobrira no fim da noite quando um homem influente desmaiou e a ambulância fora chamada que a Park aproveitou-se de seu anonimato para resolver assuntos da máfia. Jimin tentara flertar com ela quando toparam num corredor vazio da mansão onde ocorrera o evento.

            – Uau, não esperava te encontrar aqui. Você ficou gata nesse vestido – sorriu de canto.

            – Eu sei. E o que veio fazer aqui? Caridade é que não deve ter sido.

            – Negócios, um pouco de cocaína e umas garotas interessantes no evento. Aliás já consegui muitos números de telefone. Posso ter a honra de conseguir o seu? Mesmo que eu já o tenha, seria bom se você mesma me oferecesse.

            Mariko rira apenas, pensando no quanto aquele cara era surpreendente. 

            – É engraçado para você? Eu chamo de conquista. As mulheres não conseguem evitar Park Jimin.

            – Pensar que veio aqui pelas vaginas? Sim, isso me faz rir bastante. Aliás, por que não faz uma caridade agora mesmo doando esse seu pau de ouro? – debochou – Não sei o que essas mulheres tanto vêem em você. Eu consigo evita-lo sem grandes problemas.

            Ele tomou proximidade dela, segurando sua cintura com delicadeza. Jimin podia sentir o perfume doce, o qual contrastava com a personalidade forte da Park.

            – Eu posso te mostrar então.

            – Hm, sabe de uma coisa? – comprimiu os lábios – Você não é tão feio assim, é bonito... de boca fechada, né?

            – É mesmo? – ele sorriu malicioso, pronto para falar sobre como sua boca seria melhor se estivesse aberta, mas ela o interrompeu.

            – Não – fez careta –, definitivamente não.

            Ela o empurrou e saiu andando como se nada tivesse acontecido, sem nem olhar para trás. Jimin, indignado, ainda tentou encontrá-la, correndo atrás da garota, porém, a perdeu de vista e encontrou uma loira tingida que prometia ter boca de anjo.

 


            Mais algumas semanas se passaram e, vez ou outra, ainda pensava naqueles acontecimentos. Mariko era excitante, tinha um espírito dominador, um espírito livre. Ela era alguém com quem ele desejava muito dividir a cama, como nunca antes desejara, pois sentia que seria uma experiência sexual incrível.

            "Ela é gostosa, inteligente e forte. Está a minha altura". Assustou-se com o que a voz incômoda e grossa dentro de si dizia. Fazia um tempo que não se manifestava, mas ali estava aquela personalidade ruim escondida dentro dele, reivindicando a Park. "Ah, não, cara... justo ela? Não vamos conseguir nada", respondeu a si mesmo. "Me diga isso quando ela estiver rebolando nos meus dedos. Vamos atrás dela". Jimin negou sozinho, abrindo o pacotinho de cocaína e despejando sobre sua mesa. Precisava ficar louco.

            Bebeu, fumou e cheirou. Cem porcento chapado, ele ligou para aquele número cheio de noves, aquele número que não saía da sua cabeça. Fora atendido.

            – Alô?

            – Alô, Mariko?

            – Jimin! O que foi? Precisa do quê?

            – De você.

            – Não sou sua prostituta. Sou puta, mas não sou a sua, nem de ninguém, então, não confunda. Agora, se é só isso que tem a me dizer...

            – Não! Não desliga! Eu queria ouvir sua voz. Aaah, eu 'to tão chapado!

            – Dá para perceber.

            – Você é tão gostosa, Mariko... o que eu preciso fazer para te ganhar? Eu posso te chupar por horas, posso te fazer gozar na minha boca tantas vezes... é isso que você quer?

            – O quê?! Garoto, você enlouqueceu?!

            – Meter meus dedos na sua buceta, mamar seus peitinhos. É assim que você gosta?

            – Jimin, pare de ser babaca! Ou melhor, de ser mais babaca do que você já é! Você está trilouco e eu não vou aguentar ouvir essas baboseiras!

            – Eu te deixo molhada, não deixo? Não negue, Mariko.

            – Nossa, alaguei o quarto... de vômito! Agora, dá licença! Se ligar de novo, bloqueio seu número, seu bosta!

            Tu, tu, tu...

            Ele acordou horas depois. Tinha babado em cima da mesa, inconsciente pela bebida. Apesar de tudo, ainda lembrava de um pouco da noite anterior. Ou melhor, ele lembrava algumas falas ditas na chamada de voz, não tudo, e aquilo não saiu mais de sua cabeça.

            – Seulgi? Oi! Preciso de um favor teu! 

            – Claro, você conhece o preço. Que favor?

            – Nada demais. Pesquisaria uma garota para mim?!

            – Com certeza! Interessado ou em perigo?

            – Os dois, eu diria. Já aviso que essa vai ser difícil para cacete, mas confio no teu potencial. É Park Mariko.

            – Está brincando?! A rainha da máfia?

            – Como sabe? Achei que era uma informação sigilosa.

            – E é – riu –, mas eu sou foda e descubro tudo. A Mariko é foda também! Puta merda, mulher do caralho! Se eu visse ela pessoalmente, Jimin, eu daria uns beijos e pediria um autógrafo! 

            Ele riu.

            – Acho que ela não ia gostar de beijar uma menina.

            – Querido, eu sei pouco, mas... a fruta que você gosta ela chupa até o caroço!

            Jimin engoliu seco. Estava gostando de uma mulher lésbica, é claro que não daria certo! Por isso que ela não cedia aos seus encantos! Agora, tudo fazia sentido, desde as menores rejeições até os foras mais doloridos. E, gostando? Qual é?! Gostando, não.

            – Está zuando, né?! Mariko... homossexual?!

            – Eu já a vi aos beijos com Somin, uma ex-vendedora de drogas. Tire suas próprias conclusões! Te mando os dados por e-mail até amanhã! Beijinhos.

            Nem ele acreditava, mas, quando viu, já estava procurando Somin por Seul inteira. Para dizer o quê? "Mariko beija bem?!" Não, não... nem ele sabia! 

            – Somin? Ah, cara... a última vez que eu a vi foi com uma mulher estrangeira. Elas saíram e, desde então, nunca mais a vimos de novo. Deve ter ficado louca de lsd e ido embora como das outras vezes...

            – Kim Somin?! Aquela maluca? Morreu. Poucos ficaram sabendo, como eu. Dizem que uma estrangeira gostosa a matou. Elas estavam saindo fazia algumas semanas.

             Mais uma vez, Mariko estava resolvendo sozinha assuntos da máfia. Ou não. Poderia ter sido algo pessoal. Jimin queria saber a resposta, como queria!

            – Seulgi, pago o dobro se descobrir se Mariko é lésbica e o que ela fez com Somin.

            – Hm... está mesmo interessado! Eu sei a resposta já, pois tinha certeza que você ligaria de novo para perguntar algo do tipo e eu adoro grana. Te conheço bem, então fui me informar! Somin estava dando informações para uma gangue, uma tal de EXO, sobre os pontos de droga de Jin. Mariko é bissexual pelo que consta aqui. Você tem chances ainda.

            – Não sei se teria nem se fosse o último homem no mundo, mas obrigado pela força – riu desgostoso.

            – É, essa aí é foda. Acho que ela não transa por transar, pelo menos não parece... ou ela escolhe muito bem.

            Jimin não acreditava muito em assexualidade, mas Mariko não lhe dava escolhas. Bem, foda-se. Ele era Park Jimin, ele era o cara que fazia uma mulher gozar várias vezes numa noite só... mas claro que não todas... não ia sair pagando oral – adorava receber um, porém, fazer? Difícil – para qualquer gostosa, nem achava que prostituta merecia preliminares. Se fosse a mulher de cabelos castanhos... ele meteria os dedos bem gostoso. Sorriu com o pensamento. Ela teria sorte de ter seus dedos para prepará-la ao menos.

            E semanas depois...

            – Alô? Jin? Que estranho você me ligar desse jeito. 

            – Hm... olha, Jimin, foi muito, muito, muito difícil mesmo convencer a Mariko, mas preciso de você na equipe.

            Não esperava aquela ligação, porém, ansiava por ela há tempos sinceramente. Sorriu grande animado, aquela era sua chance de ouro! Não apenas com a morena, mas ele se tornaria grande de verdade! Ele seria um dos filhos da puta mais respeitados da máfia!

            – Isso me deixa muito contente, mas posso saber o porquê?

            – Ah, claro, tem razão – Jin riu fraco – Yoongi vazou, Mariko precisa de um novo parceiro e achei que você seria o mais indicado. Venha para a mansão, não faça gracinhas, pois ela está puta da vida. Faz tempo que não a vejo tão mal... até bebeu.

            – Ela gostava do Yoongi, não é? – disse desgostoso.

            – Não, nem tudo nessa vida é sobre romance, cara. Yoongi era o parceiro dela, eles arriscavam a própria pele um pelo outro, entravam em tiroteios, confiavam, sabe? Além do mais, tiveram uma briga feia e ele falou algumas coisas sobre o passado da Mah. É um assunto delicado...

            Mah. Jimin gostou de como o apelido soava. Era suave e até doce, mas, ao mesmo tempo, tão poderoso. Ele mal podia esperar para chamá-la daquele jeito bem pertinho de seu ouvido.

            – Você não sabe como estou feliz com a notícia! Relaxa, eu não farei nada que você não faria – riu.

            — Venha agora.

            Passou sua melhor colônia, vestiu uma camisa branca, deixando alguns botões abertos, uma calça preta colada e os sapatos mais caros que tinha. Ajeitou os cabelos negros, sorrindo prepotente. Mariko estaria jogada, gemendo em sua cama logo. Era hora de encontrá-la.

            – Bem-vindo, cara! Agora, você é um de nós. Sente-se, vamos explicar mais sobre nossos negócios.

            – Eu ainda não concordo com isso, Jin – Mariko reclamou, fazendo um bolo se formar na garganta do Park – Temos homens melhores. Como por exemplo, Hoseok.

            – Hoseok não vai largar Arata – fez careta – Desista. O assunto deles é outro.

            – Quem dera a Kyung estivesse aqui – murmurou, virando o quarto copo de vodka da noite – Hoje é o tipo de dia que ela me abraçari-

            – Ela não está, Mariko! A boate pegou fogo! Aceita – gritou.

            – É! Eu sei que a boate pegou fogo, eu sei que é minha culpa, ok?! Eu só comentei que eu sinto falta dela, seu insensível do caralho! – falou no mesmo tom – Eu tentei salvá-la e ela morreu nos meus braços com todas aquelas queimaduras, mas claro que você não sabe o que é ter essa culpa nos ombros, Jin! Agora, saiba que eu até aceitei a porra do Yoongi do meu lado, mas esse machista de merda... esse porra aí? Não! Ele vai contra tudo que eu acredito! 

            – Foda-se, Mariko – continuou a briga como se Jimin não estivesse a assistindo de camarote –  Pela primeira vez, a gente precisa de alguém forte para completar a equipe, de verdade.

            – Parem de brigar – Jimin se intrometeu, fazendo os dois virarem para encará-lo – Eu prometo, Mariko, que serei estritamente profissional contigo. 

            E aquilo era uma mentira, a porra da maior mentira do século. Park só queria beijar aquela boca sexy e descer a boca até aqueles peitos gostosos.

            – Tudo bem. Não tem porque brigar mesmo, Jin, afinal, eu também não gostava muito do Yoongi, esse daí sabia ser babaca. É como trocar o sujo pelo mal lavado. Não vamos mais discutir, não vale a pena.

            Jimin estava satisfeito, apesar de não ter gostado nadinha de ser comparado com Yoongi. Nem o conhecia, mas já não gostava dele, principalmente por sua proximidade com Mariko. Ele não entendia porque tudo que tinha a ver com ela o afetava tanto. Aquilo devia ser culpa da sua segunda personalidade.

            "Mariko é a mulher perfeita para nós, não consegue ver?". "O caralho! Buceta é buceta. Ninguém fode por amor".

            Numa "missão", ele a escutou dizer algo bem parecido. Muitas vezes, tiveram de agir como um casal apaixonado e se fantasiarem para não serem reconhecidos, e, nisso, era inevitável não conversar, mesmo que minimamente. 

            – Eu tenho dó da mulher que sai com esse cara. Espero que o veneno faça efeito logo – suspirou – Ele a trata como se fosse um bichinho de estimação! É ridículo. Será que ela pensa que ele a ama de verdade? 

            – Vai que ele fode bem – viu Mariko revirar os olhos e rir. Ela tinha uma risada espontânea fofa e desengonçada que ele simplesmente adorou.

            – É engraçado ouvir isso. As pessoas têm essa mania escrota de querer "fazer amor". Ninguém faz amor, é sexo. Amor é amor, sexo é sexo. Pouca gente sabe separar.

            – Nunca jurou que tinha se apaixonado depois de uma noite de prazer? – Jimin riu fraco – Tenho dessas quando fico chapado. Aí a brisa passa e descubro que era só loucura minha.

            – Que péssimo. Na verdade, eu nunca me apaixonei – deu de ombros – Nem faço questão de sexo, não curto muito.

            Jimin ficou indignado.

            – Não curte?! Quem não curte sexo? Impossível! Ninguém nunca te pegou de jeito, só pode.

            – Não preciso que alguém "me pegue de jeito" – fez cara de nojo.

            – Não, você entendeu errado – negou com a cabeça, vendo que ela não gostou do que falara – O que eu quis dizer é que ninguém te fez sentir algo intenso. Ou você não ficou com muito tesão ou o cara era um bosta na cama... talvez os dois.

            – Como se você tivesse moral – revirou os olhos – Não deve nem chupar uma garota.

            – Me sinto ofendido – negou com a cabeça, rindo – Eu chupo se... ah, sei lá, a pessoa realmente quiser e eu estiver com vontade... – mentiu.

            – Eu forçaria sua cabeça para baixo então para deixar explícito e te faria lamber até gozar – arregalou os olhos depois de ter dito tais palavras, vendo que Jimin tinha sorriso malicioso se formando nos lábios – Não, não vamos fazer isso, o "você" foi meramente ilustrativo! Não sonhe alto assim! Que nojo! Você entendeu. Como já falei, você não é nada mal quando está com a boca fechada, mas não sinto tesão por um cara machista que não saberia nem achar o clitóris.
            
            – Pode apostar que eu saberia – um sorriso maior ainda tomou seus lábios, analisando-a dos pés a cabeça com prepotência – Você até que é o tipo de mulher que eu chuparia.

            – E agora tem tipo para isso? – torceu o nariz – Você é o tipo de cara que não quero chegar nem um metro perto do pau, credo – observou-o se irritar – Vamos deixar esse assunto morrer, é melhor.

            – Ótimo, é melhor mesmo – revirou os olhos –, mas admito que quero te fazer engolir o que disse.

            – Não aceita a verdade? Ninguém quer transar com esses caras que acham que é meter o pau e pronto. Se eu estivesse disposta, o cara teria de me fazer gozar umas três vezes. Agora, morreu o assunto.

            Na mesma noite, Jimin tragou a maconha, pensando naquela conversa. Ele tinha de melhorar se queria Mariko dividindo uma cama consigo. Vadias não mereciam ser lambidas... ou mereciam? Porque elas sempre lhe pagavam um boquete. Talvez, a Park tivesse razão. Ela não se deitaria com um homem incapaz de fazê-la ter menos que três orgasmos e, se ele tinha que ser o cara que a deixaria de pernas bambas, ele se tornaria aquele cara.


            Chegou, então, após meses trabalhando juntos, a notícia de que teriam de matar três políticos enxeridos num cruzeiro. Arata e J-Hope estavam naquela missão junto com eles, o que tornava tudo um tanto quanto estranho para o Park. Mah parecia amiga da garota, elas estavam sempre rindo e fazendo piadas lotadas de deboche. No começo, seu mau humor e comportamento hostil pela falta que sentia da cocaína o atrapalhou um pouco, porém, acabou se rendendo às risadas junto de Hoseok. 

            Pela primeira vez, ele não viu Mariko como uma garota gostosa, ele a viu como... Mariko. Não mais a rainha da máfia, mas, sim, uma mulher que andava de mãos dadas consigo e o fazia rir de idiotices e trocas de farpas, coisa que o deixou completamente assustado e frustrado. Era como se esquecesse de tantas coisas ao lado dela e aquilo era um péssimo, repito, um péssimo sinal, principalmente porque fora algo totalmente repentino. Achava-a gostosa e, do nada, abria os olhos para notar o quanto era divertida e como sua mão pequena se encaixava na dele. Merda! Devia ser a falta da sua droga fazendo efeito. 

            – Quando menos esperar, vai estar se afogando no mar, sua ridícula – Arata fez careta – Vem para cima, vem!

            – Sorte a minha que piranha sabe nadar – piscou – E cai dentro então! Vem!

            As duas andavam, agora, mais para frente. Mariko não estava mais de mãos dadas com ele, fingindo ser a mulher de Jimin, mas, sim, rindo junto da subordinada. Hoseok estava ao seu lado e parecia feliz, seu sorriso era como um raio de sol.

            – Elas se dão tão bem que chega a ser estranho – Jimin disse – Nunca vi Mariko assim.

            – Elas são desse jeito mesmo – riu – A Mah não é uma pessoa ruim, você que deve ter pagado de idiota na frente dela. Ela é bem humorada quando quer e muito forte também. Eu mesmo não consigo ganhar uma luta com ela, é bem triste perder. Olha... sempre achei que Arata era uma filha da puta de carteirinha e, quando começamos a trabalhar juntos, vi que não tinha nada a ver. Mariko precisa impor respeito, minha namorada também, pois, infelizmente, é difícil para as mulheres serem levadas a sério mesmo estando em posições altas na máfia.

            – Eu não acreditava muito no potencial dela, mas tenho que admitir que tem talento – olhou-a sorrir para a amiga, alheia ao que ambos diziam – Salvou minha pele umas sete vezes  e é ótima em negociar.

            Parou por alguns instantes para lembrar de seus momentos com a Park. De novo, não era mais um corpo, o que lhe deixava assustado. Ele estava a analisando e respeitando como Mariko pela segunda vez no dia já! A sua habilidade com armas e no corpo a corpo era incontestável e, além do mais, era muito boa quando se tratava de dinheiro, negócios e planejamento. Em primeiros-socorros, parecia uma enfermeira formada de tão cuidadosa e esperta. Sabia sempre o momento certo de agir, como uma raposa. Ela era dona do próprio corpo, fazia o que bem queria e tinha opinião, ideias, ideais próprios. E, ainda por cima, conseguia fazê-lo rir com seu senso estranho de humor.

            Suspirou. Jimin nunca percebera antes o quanto Mah era "foda" – palavras de Seulgi –. Ele tinha, desde o início, duvidado do seu potencial, mas ela ganhara seu respeito pouco a pouco. Só por ser mulher, não significava que era melhor ou pior que o Park. Deveria ter colocado mais fé na parceira.

            – Ela é boa em tudo que faz – admitiu por fim.

            – E você está caidinho por ela – Hoseok constatou, sorrindo de canto – Está estampado na sua cara.

            – Eu não sou um cara que passa de sexo sem compromisso – deu de ombros.

            – Como se você fosse chegar até aí – gargalhou – Eu não enxergo Mariko com ninguém, ela parece inalcançável. E quanto a você... sexo sem compromisso? Não é o que parece.

            A ficha estava começando a cair, mas Jimin não iria concordar com aquilo. Ele não possuía grandes pretensões até aquele instante em que a analisou com cuidado. "É perfeita demais para ser real... e é minha", escutou aquela voz dizer. "Sua? Deixe-a escutar isso...", pensou, negando com a cabeça.

            Jimin teve de dividir a cabine luxuosa, mesmo que pequena, com Mariko. Ela parecia feliz e até mesmo empolgada. Eles teriam de eliminar os caras até sexta-feira e ainda era segunda. Haveriam festas no navio e os quatro participariam por insistência de Arata.

            – Não queria ter que pedir sua opinião, mas só fique olhando e me diga qual é o melhor para o lual de hoje.

            Ele concordou, fitando-a. Ela segurava as roupas em sua mão, enquanto usava apenas um roupão. Jimin nem quis acreditar quando ela tirou a peça, ficando apenas de calcinha na sua frente, e vestiu o cropped soltinho e florido sem sutiã e uma saia preta jeans curta. Ele mal conseguia tirar os olhos daqueles seios lindos, daquela cintura, quadril, tudo! Mariko era um perigo para sua sanidade. Logo em seguida, ela provou também um vestido liso branco, o qual marcava todas as suas curvas.

            — Ficou gata com esse. Sei que curte branco, mas aquela saia preta coladinha... uau... use-a, valerá a pena.

            Mariko assentiu e tirou o vestido. Daquele jeito mesmo, só de calcinha fio-dental, ficou andando pelo quarto, pegando seus produtos de beleza e suas joias na mala, mesinha e armário. Ela não via o homem como um perigo, já que podia bater nele até que sangrasse e, além do mais, eram parceiros – não chegavam a ser bons parceiros, porém, eram –, sempre fez isso perto de Jin ou de Yoongi. Quando ficou de quatro para pegar o sutiã num compartimento de sua mala, Jimin achou que teria um ataque. Só podia ser de propósito aquilo!

            – Vai ficar mesmo me provocando, Mah?

            – Mah? – ela se virou de leve e ele arfou, excitado com aquela visão – Não me lembro de ter te dado permissão para usar esse apelido. E até parece que estou querendo te provocar. Vire-se.

            – O quê? – viu-a pegar o sutiã e vestir com calma – Deve estar de brincadeira comigo! Você está seminua, é a mulher mais bonita que eu já vi e ficou de quatro na minha frente! Isso não é provocação? Eu nunca me senti tão provocado na vida, baby! Fala sério!
            
            – Pelo amor de Deus, Jimin, "a mulher mais bonita que eu já vi" e "baby"? – riu alto, pegando o desodorante e se levantando – Você é uma gracinha tentando fazer os outros de trouxa.

            – Te fazer de trouxa? O que eu ganho te chamando de miss universo? Sua simpatia ou coração, certamente, que não vai ser – revirou os olhos – Para conquistar as mulheres eu costumo falar outras coisas.

            Ela deixou o desodorante de lado após usá-lo. Era um perfume floral, mas continuava sendo desodorante, nada demais. Colocou o cropped por cima do sutiã e a saia preta, que demorou para encaixar nos seus quadris largos. Passou seu perfume favorito em seguida.

            – O que diz para elas? – perguntou por curiosidade, calçando seus sapatos camurça pretos de salto.

            Ele levantou da cama e se aproximou, deixando-os cara a cara. Mariko prendeu a respiração por um momento, porque aquela colônia que ele usava era sensacional e ela temeu apreciá-la por tempo demais. Além do mais, Park estava bonito usando a camiseta azul marinho florida meio larga e a bermuda branca. Qualquer coisa ficava bem nele, ainda mais graças àqueles braços e coxas torneados e, claro, àquela bunda grande. Se não fosse um babaca, ela poderia muito bem acabar se atraindo fisicamente por ele.

            – Você está gostosa, baby, tão gostosa que vou te fazer de sobremesa hoje. Vou te comer de todas as formas que puder imaginar, até ficar de pernas bambas, até perder a voz. Quando estiver bem fraquinha, embaixo do meu corpo, queimando e implorando, vou meter meu pau de novo e ficar satisfeito, deixá-la satisfeita.

            Ele mordeu o lábio inferior e jogou os fios negros para trás. Ela sorriu de canto, querendo provocá-lo, e deu um passo, colando seus corpos.

            – Mas você vai me chupar direitinho? Vai deslizar essa boca até a minha buceta? E depois eu posso lamber seu pau até gozar gostoso – o viu arfar e sentiu um volume discreto perto de sua barriga. Então, interrompeu-se e começou a rir – Que patético. Vamos logo para essa merda de lual, Jimin, você pega umas garotinhas muito bobinhas com esse discursinho da sobremesa. Se ela é uma sobremesa, você tem de prová-la com a boca, os dedos e tudo mais, sentir a textura e o gosto, apreciá-la. Aprimore seu texto, até eu que não curto muito sexo faço melhor – arqueou uma sobrancelha, sorrindo de forma provocante – Ou você não gosta de mentir? 

            Jimin sentia-se irritado pelo deboche e também com um puta tesão. Escutá-la dizer aquilo foi a coisa mais excitante do mundo, principalmente depois de vê-la de quatro só de calcinha olhando-o com aquela feição irritada maravilhosa. 

            – Mentir? O que quer dizer com isso?

            – Que você não sabe transar direito, tem nojo de buceta, tem nojinho de mulher. Você só quer um buraco para meter seu pau, então faça um com seus lençóis. 

            Mariko saiu andando, deixando para trás um Jimin quase duro, irritado e cheio de vontade de fazê-la engolir cada uma daquelas palavras. Era verdade. Tudo que ela disse estava certo e aquilo o deixava possesso. Como Mah conseguia afetá-lo daquele jeito? Não era mais apenas sua masculinidade em jogo – mesmo que seu ego estivesse gravemente ferido –, era Park Mariko, uma mulher foda, independente e gostosa, dizendo que ele não era suficiente para ela, e foi ali que ele se viu perdido. E aquilo era chateante, porque, mesmo sem perceber, a castanha se tornara seu maior interesse nos últimos tempos, alguém que ele realmente gostaria que o correspondesse. Mah era interessante, inteligente, boa em tudo que fazia, bonita, confiável, boa de papo, bem humorada, imponente, gostosa. Se ele quisesse tentar algo com ela, teria de melhorar e fazê-la se arrepender de duvidar de sua capacidade.


            Dois dias se passaram. Dormir ao seu lado na cama era gostoso, principalmente quando acordava com os cabelos dela todos bagunçados e esparramados sobre seu peitoral e aquela bunda arrebitada na sua direção, quase em cima dele. Ele demorava para dormir todas as noites, efeito de algumas drogas que usava regularmente, mas sem serem necessariamente um grande vício – não ainda –. Era bom ver aquele sorriso toda vez que ela olhava para o céu e o mar pela varanda da cabine ao amanhecer e pensar que poderia ser para ele e que o esforço para não pegar maconha na mala valeu. Havia um acordo em não usar nada naquela missão, pois eles não queriam chamar atenção e Jimin chapado num cruzeiro significava, sem dúvidas, se meter em problemas.

            Mariko também tinha um pouco de cócegas na barriga e, quando ele a tocou ali uma vez sem querer, descobriu. Desde então, adorava ouvir sua gargalhada alta. Ela era linda e ainda mais com aquele sorrisão nos lábios, mostrando todos os dentes.

            Jimin ficava melhor e mais controlado com a Park por perto e, raramente, acendia algum cigarro escondido. Mariko parecia um tipo de droga, um calmante forte e poderoso, que o deixava muito bem e o fazia sorrir. No fundo, ela também adorava ver o sorriso dele. Se fosse menos idiota... se fosse mais mente aberta...

            – Mariko, hoje vai rolar aquela festa na piscina – Arata sorriu animada – Eu estou louca para usar meu biquíni novo!

            – Droga, esqueci o meu – exclamou – Vou ter que comprar um agora mesmo! Vem comigo?

            – Não dá! Hoseokkie e eu marcamos uma massagem relaxante de uma hora para daqui quinze minutos. Vá com ela, Jimin – a garota sugeriu, sorrindo pequeno.

            – Seus preguiçosos – Mariko reclamou – Não queria ter que recorrer a isso, mas nunca é bom ficarmos sozinhos e eu sou uma pessoa indecisa quando se trata de roupa, então, vamos, Jimin.

            Ajudar Mah a provar biquinis?, pensou. Deve ser meu dia de sorte! Temos de saber aproveitar as oportunidades que a vida nos dá, não é mesmo?

            Foram juntos até uma das lojas de grife que haviam no navio de mãos dadas, como se realmente fossem um casal. Jimin se sentia estranho quando aquela mão pequena e delicada segurava a sua, sentia-se quente e com o estômago embrulhado, de forma que pensasse que, se pudesse, não a soltaria nunca. Quis se bater por pensar numa idiotice daquelas. Mariko era bonita, astuta, inteligente, forte, boa em tudo que fazia, mas isso lá era motivo para se apaixonar por ela? Frustrou-se. A resposta era óbvia. E o que ele tinha para oferecer além de músculos, dinheiro e um sorriso bonito? A frustração apenas subiu.

            – Boa tarde, casal! No que gostariam de dar uma olhadinha hoje?

            – Ah, boa tarde – Mah sorriu – Estou dando uma olhada nos biquínis.

            – Vou trazer alguns modelos tamanho P. Tem preferência de cor?

            – Branco – sorriu simpática.

            – Velhos hábitos nunca mudam, dama de branco – ele disse, rindo baixinho.

            Ela revirou os olhos e, quando percebeu, a atendente já tinha voltado com vários modelos. Passou a analisar um por um e acabou escolhendo um bem simples para provar, era branco com pequenos detalhes em dourado, como o pingente pequeno na parte debaixo.

            – Onde ficam os provadores?

            – Logo ali – indicou.

            Jimin a seguiu até um corredor reservado da loja e ninguém o impediu. O local estava vazio, cheio de cabines e, no fim, havia um grande espelho na parede. O Park resolveu esperá-la encostado no tal espelho e, quando a viu sair, perdeu o fôlego.

            Mariko parecia incomodada, ela tentava a todo custo arrumar a parte debaixo o biquíni. Apesar do tamanho P ter servido para seus seios, deixando-os aparecendo mais do que deveriam, mas de uma forma muito bonita, a parte debaixo não ia nada bem. Era pequena demais para sua bunda, então, quando ela puxava para trás, tentando se cobrir, sua intimidade quase aparecia, dando uma visão privilegiada para Jimin do que ele chamaria de "caminho para a felicidade".

            – Preciso que pergunte se posso comprar um tamanho M para a calcinha e P para a parte de cima – falou, olhando-se numa área do espelho que o corpo dele não cobria.

            – Você ficou maravilhosa com esse biquíni – permaneceu boquiaberto.

            – Não vou usar um negócio que não me tampa direito. Peça para a moça o tamanho M.

            E, quando Mariko menos esperava, a parte irracional e ansiosa de Jimin tomou controle. Logo, ela estava posta contra o espelho gelado, cercada pelos braços torneados, cada um de um lado se sua cabeça. Sentiu um beijo ser depositado em sua bochecha. Não se moveu, chocada. Aquela colônia era muito boa mesmo, um perigo. Suas pernas bambearam quando ele desceu os selinhos até seu pescoço, onde passou a morder e chupar com vontade. A Park só foi capaz de acordar quando sentiu as mãos dele tocando seus quadris, passando muito perto das laterais da parte debaixo do biquini. Congelou por alguns segundos antes de empurrá-lo.

            – O que estava se passando nessa sua cabeça idiota quando pensou que seria uma boa ideia me assediar aqui?!

            – Se você gostou, não é assédio.

            Ela se sentia um pouco, bem pouco mesmo, atraída por ele, fisicamente falando, e o notou naquele instante, porém, o 3% de tesão que sentia não lhe dava o direito de tocá-la. Depois daquela frase, os 3% viraram negativos.

            – Se eu dei permissão, que não é assedio – corrigiu irritada – Saia da minha frente, seu nojento. Você pode até ser bonito, ter um perfume bom, mas, por dentro, é todo podre. Imagina beijar essa sua boca que só fala merda? É pior que lamber uma privada!

            Saiu andando irritada para procurar a lojista. Jimin podia ser a porra que ele quisesse – bonito, musculoso, cheiroso –, porém, nunca mais deixaria ninguém tocá-la sem a sua permissão! E ela nunca a daria para um idiota daqueles, que pensava que a ganharia com uns beijinhos e suas opiniões absurdas, um palerma que pensava que podia tudo. Para Mariko, relacionar-se sexualmente com alguém era, acima de tudo, um trauma, um medo, receio, e, mesmo se não fosse, nunca se deitaria com uma pessoa que não fosse satisfazê-la ou valorizá-la.


            Depois daquele incidente, Jimin e Mah não trocaram nenhum "a" até o momento da festa, em que foram obrigados a interagir pela presença do Hoseok e de MinHee (nome verdadeiro da Arata). Eles realmente não queriam conversar um com o outro, o Park pela vergonha que sentia de si mesmo depois do que lhe fora dito e ela pelo incidente. Mariko conseguia deixá-lo incomodado, com pulgas atrás da orelha! Ele sempre se manteve fiel aos seus ideais até que ela chegasse e tentasse provar com atitudes, falas e argumentos que estava errado e a castanha estava quase começando a conseguir. Sua desconstrução seria lenta, mas tendo contato constante com Mariko, acabaria acontecendo e ele decidiu que talvez, só talvez, valesse a pena tentar.

            Mais tarde, na festa, coquetéis diferentes eram servidos a todo momento e Mariko acabou se empolgando e bebendo bastante pela segunda vez em anos graças a uma competição idiota que fez com MinHee. Estavam sentados numa mesa meio afastada da piscina e ao ar livre, vestindo seus trajes de banho apenas e jogando papo fora.

            – Você viu, Jimin? – Arata disse sorrindo – Aquela garota não para de te olhar. Parece até que não percebeu que vocês, tecnicamente, são um casal. Deve ser porque não estão mais de mãos dadas.

            – Pode ficar com ela – Mariko deu de ombros – Não faz diferença, ela nem vai lembrar amanhã. Todos estão bêbados.

            – Isso pode estragar o disfarce – Hoseok falou, discordando.

            – Não penso assim – Mariko insistiu.

            – Ela está vindo para cá.

            Os quatro disfarçaram quando Arata os alertou. Era uma mulher muito bonita. Devia ter em torno de vinte e cinco anos, coreana, cabelos negros, lisos e compridos, lábios cheios e um corpo parecido com o das modelos. Era uma jovem rica, certamente, desfrutando do seu dinheiro naquele cruzeiro.

            – Boa noite, lindos – sorriu para eles, chamando a atenção.

           Jimin a analisou dos pés a cabeça. Era bonita, então, serviria. Mesmo não sendo tão gata quanto seu maior interesse, dava para o gasto. Seria bom transar e fumar um pouco depois do climão que passou com Mariko.

            – Boa noite – disseram juntos.

            – Aposto que já sabem que eu pedi para bater um papo com alguém em especial, não? – perguntou, fazendo Jimin sorrir de canto. Seu ego inflou e pensou "está vendo, Mah? Se não quiser, as outras querem" –  Licença, qual seu nome?

            Todos pareceram chocados quando notaram que ela falava com Mariko, menos a própria. Até mesmo pareceu que tinha percebido que a outra flertara consigo o tempo todo e não com Jimin, diferente dos outros, o que era verdade. Tinha dado uma piscadinha para a morena segundos antes da garota ir até lá, mas não deixou os outros verem.

            – Stella – mentiu, sorrindo – e o seu?

            – Que nome bonito – sorriu com segundas e até terceiras intenções – Eu sou a Minah! Quer dançar?!

            – Com certeza!

            Jimin teve seu ego gravemente ferido pela segunda vez no dia. Mariko, de uma forma ou de outra, era a culpada nos dois casos. E, logo em seguida, passou a borbulhar de raiva por ver a castanha se agarrando com a outra mulher na pista de dança.

            – Por essa ninguém esperava – Arata falou, rindo – Mariko não transa, mas beija que é uma beleza!

            Ela não era assexual, era bissexual mesmo, Jimin concluiu. Só era uma pena ter que concluir as coisas daquele jeito. Sentia algo incomodá-lo. Não gostava daquela cena, mesmo que achasse que lésbicas serviam de fetiche, uma ideia nojenta e ultrapassada, aquele não era seu fetiche definitivamente. Mulheres podiam se beijar, contanto que uma delas não fosse Park Mariko, simples. 

            – Alguém aqui parece irritado – Hoseok cantarolou.

            – Hm, parece que descobri mais um cara interessado na Mariko – Arata riu – Quer uma dica? Desista enquanto dá tempo ou vai passar noites chorando.

            – Desistir de algo que nem quero? – sorriu debochado, mentindo – Eu e ela? Não. Não mesmo.

            – Não vai nos enganar, Jimin. Está na sua cara que quer tirar Mariko de perto daquela tal de Minah.

            Depois de um tempo, Mah voltou para a mesa com os cabelos bagunçados e o biquini quase mostrando seu mamilo. Jimin grunhiu, pedindo para que arrumasse o tecido delicado como uma mula: "ajeite essa coisa, seu peito está aparecendo todo, vai chamar atenção!".

            – Se divertindo, amiga? – Arata perguntou, olhando para o Park logo em seguida, que tinha uma expressão fechada.

            – Aquela garota era quente como o inferno! Preciso de mais bebida!

            – Mariko, já deu! Você bebeu muito – Hoseok a impediu.

            – Você não manda em mim, cara, e – respirou fundo, sentindo-se meio zonza. Pensou duas vezes –... tem razão. Melhor manter o controle. Preciso de café e água.

            E Jimin não esperava que ela fosse encostar a cabeça em seu ombro serena e ficar alguns minutos imóvel. Olhou-a. Estava tão adorável que fez sua raiva passar – ou melhor, seu ciúmes –.

            – Ei, vamos para o quarto, por favor – ela pediu – Tchau, gente. Transem muito! E usem camisinha, não vou ser madrinha de nenhum pirralho remelento.

            Os "amigos" riram e se despediram, enquanto ela e o Park saíam de mãos dadas para a sua cabine. Chegando lá, ele foi para o banho, enquanto Mariko tirou seu biquíni e fez questão apenas de colocar uma calcinha, pois ficava na parte mais superficial de sua mala, era fácil pegar. Sentou no meio da cama de casal depois, cobrindo seus seios com o lençol. Estava meio bêbada, apenas um pouco alterada na verdade, mais solta, sem muitas papas nas línguas; no entanto, não chegava ao ponto de não se recordar no dia seguinte do que ocorreria, muito menos acabar dormindo ou vomitando naquele instante.

            Jimin entrou no quarto da cabine só de roupão e arfou com a cena. Estava tão sexy com os cabelos para frente de um lado e suas costas nuas aparecendo até que ele pudesse ver a curva de seu quadril e aquela bunda gostosa de calcinha preta.

            – Eu estou começando a me arrepender por não ter marcado um horário na massagem – ela comentou.

            – Quer uma massagem relaxante? Eu faço – se voluntariou, louco para que ela aceitasse.

            – Sem gracinhas? Aceito.

            Jimin ligou o rádio que havia na cabine, tocando músicas exclusivas e escolhidas para aquele cruzeiro. O som de Saved era melancólico. Ele se sentou atrás dela, colocando cada uma de suas pernas abertas ao lado das dela, mas sem encostar seus corpos. Manteve-se distante, respeitando o espaço da Park. Começou uma massagem lenta e deliciosa, acabando com nódulos de tensão terríveis que ela tinha nas costas. Tentou não olhar para aquela bunda linda – seus olhos o desobedeceram algumas vezes, claro – e continuou a agradá-la. Aquele devia ser o segredo: deixá-la satisfeita no que quer que fosse.


"O momento mais difícil sempre parece não acabar
Às vezes eu esqueço que a gente não está junto
Bem dentro do meu coração, eu espero que você esteja bem
Mas de tempos em tempos eu sempre paro para pensar o porquê você não é minha"


            – Essa música me deixa mal – ela disse.

            Era a primeira vez que parecia aberta para uma conversa daquelas. Talvez fosse a bebida fazendo efeito apenas, mas Jimin pensou que ela poderia ter ficado mais confortável ao seu lado, já que estava confiando nele.


"Porém, eu irei manter seu número salvo
Porque eu espero que um dia você terá o bom senso de me ligar
Eu estou esperando que você vá dizer que está sentindo minha falta do mesmo jeito que estou sentindo a sua
Então irei manter seu número salvo
Pois espero que um dia eu terei a honra de te ligar para te dizer que ninguém vai te abraçar da mesma forma que eu faço"


            – Por quê? Essa música parece falar sobre uma grande desgraça amorosa, um cara que ainda ama a ex ou uma garota que não o quer.


"Eu espero que você pense em todos os momentos que dividimos
Eu espero que você vá finalmente perceber que eu era o único que me importava
É louco pensar o quanto essa coisa de amar parece injusta
Você não achará um amor como o meu em qualquer lugar"


            – Não necessariamente. Uma música pode ter várias interpretações e a minha sobre esta tem a ver com a minha irmã. Eu tive de deixá-la, mas não é como se eu tivesse a esquecido. Eu tenho a esperança de vê-la novamente, mas me falta a coragem.


"Agora, eu não posso dizer que ficarei bem sem você
E não posso dizer que não tenho tentado ficar
Mas agora que todas as suas coisas foram levadas,
Apaguei todas as suas fotos do meu celular que tinham você e eu"


            Mariko levou as mãos até a boca, chocada por ter dito algo daquele tipo. Nem Yoongi sabia daquilo! Ela nunca se abrira para alguém que não fosse Jin sobre o assunto, visto que não se sentia segura, e, agora, lá estava ela contando tudo para um idiota classe A que tinha mãos de anjo!

            – Não tenho ninguém para me preocupar, tirando uma das minhas empregadas – ele contou, como se fossem adolescentes trocando segredos –, ela é especial e teve papel quase maternal para mim.

            – Sinto falta dos seus abraços, aqueles bracinhos fracos e magricelos, tão adoráveis... ela era toda linda. Minha mãe adotiva era tão boa para comigo também. As duas me deram muito amor – Jimin quis perguntar sobre seu pai, mas achou que seria inconveniente – Você cresceu boa parte da vida solitário, não foi? Eu tive uma família, mas não por muito tempo e só tenho Jin para preencher o vazio.


"Eu estou com esperanças de que você dirá que está sentindo minha falta do jeito que estou sentindo a sua
Eu manterei seu número salvo
Porque espero que um dia eu terei a honra de te ligar
Para dizer que finalmente te superei"


            – Eu consigo entendê-la. No meu caso, eu tenho drogas, putas e bebidas para preencher o vazio – riu sem humor – Não existe alguém que me agrade ou que eu consiga agradar.

            Subiu a massagem até a nuca de Mariko e a ouviu gemer baixinho, extasiada. Massagem era uma das melhores coisas do mundo e a de Jimin era magnífica.

            – Você não é uma pessoa assim só porque quis – Mariko falou – Você não teve instruções, é comum não saber como tratar seus problemas ou mulheres, já que ninguém te ajudou ou ensinou. Mas, Jimin, faltam duas coisas em você: pensar em si mesmo de verdade e pensar nos outros com empatia. Tudo que você almeja é glória, esbanjando esses carros e moças de rosto bonito, achando que vai te fazer bem. Não vai. Pode sentir certa alegria, porém, é rasa e passageira, assim como quando traga um cigarro ou maconha. Isso não te faz bem de verdade. Vai ter que conviver com esse corpo pelo resto da vida, tem de cuidar dele, não tentar viciá-lo nesses lixos. Isso destruirá sua vida e tudo que alcançou, Jimin. Você é o segundo rei da máfia, quer mesmo perder a coroa tendo uma overdose? Agora, sobre os outros, você é sempre egoísta. Só consegue pensar em seu próprio prazer e se vitimiza. Jimin, me poupe! Eu passei pelas mesmas coisas que você e a diferença entre nós é que você virou um babaca de carteirinha! Você quer pregar estereótipos e regras nas pessoas, quer sempre manter essa pose de machão. Acha que só você sofreu! Nossa, coitadinho! Realmente, foi o único que usou o crime para tentar ser alguém na vida, o único que o viu como última esperança. Eu assaltei, atirei e vi gente que eu amava morrer nos meus braços. Acha que foi fácil chegar ao topo? Jamais! E ainda me vem um trouxa me dizer que sou fraca por ser mulher? Se liga!

            – Me ensina – ele pediu, mexido por aquelas palavras – Eu quero aprender a ser diferente.

            – Olha, sobre as suas questões individuais, como as drogas, não posso fazer muito...

            – Não, eu quero dizer... sobre os outros! Eu quero ser melhor. Eu tenho sido mesmo a porra de um egoísta.

            No dia seguinte, as coisas estavam diferentes, Jimin e Mariko pareciam mais parceiros do que duas pessoas que se odeiam e conversavam de forma mais casual, normal. Arata e Hoseok estranharam, mas ficaram quietos, mesmo quando seus olhos se arregalaram no baile de gala da noite ao ver os dois dançando junto uma música melosa. O que eles não sabiam era sobre o que falavam...

            – Legalização do aborto... não acredito que me convenceu. Mais alguma coisa que quer acrescentar sobre isso, Mariko?

            – Não. Você pediu minha opinião sobre um assunto polêmico e social, eu dei – sorriu pequeno – Agora, a gente estava falando de fórmula 1 antes. Vamos continuar?

            – Ah, claro! Você viu...

            E ficaram conversando a noite inteira, sabiam que no dia seguinte matariam três caras e precisavam aproveitar o tempo livre. Animaram-se quando "Play Me Like a Violin" (toque-me como um violino) começou, descobrindo que ambos curtiam aquela melodia. Acabaram rindo quando Jimin a deitou usando seus braços e fingiu fazê-la de violino num ato idiota. Ele pôde ver os olhos dela brilhar, pareciam estrelas, enquanto ria daquela baboseira.

            Mariko conseguia ver Jimin um pouco mais como parceiro agora. Enquanto isso, ele estava ficando cada vez mais encantado. 


            Park, voltando para casa depois do cruzeiro, ligou o rádio bem na hora que uma frase em específico soou: "Talvez eu esteja esse tempo todo procurando por algo que não posso ter". Músicas podiam ser interpretadas de várias formas, mas ele só conseguia pensar na bendita Mariko. A quem ele queria enganar? Mesmo que parasse para refletir mais, fosse menos "babaca", como ela dizia, nunca a conquistaria. Só conseguia pensar na noite de gala, nas conversas e sorrisos, perdendo-se naquelas memórias.

            Ficou ainda mais incomodado quando "Die For You" começou. Sentia seu coração bater acelerado e não gostava nada daquilo. Não gostava da possibilidade de estar apaixonado, aquilo, na verdade, o aterrorizava. Como cinco dias ao lado de Mariko poderiam tê-lo mudado tanto?!


"Estou procurando maneiras de contar sobre essa sensação que estou tendo
Eu só não posso dizer que não amo você, porque eu amo, sim
É difícil para mim falar sobre esses pensamentos que tenho, mas hoje eu vou deixar você saber
Me deixe dizer a verdade, querida"


            Sentiu-se um grande idiota. Mariko não era para ele, Jimin não a merecia e tinha plena consciência daquilo. Estava, até uma semana atrás, pensando em como meter o pau nela e, agora, só queria beijá-la, droga! Ele não prestava. Gostar de alguém era uma grande idiotice. Chegou a conclusão, então, de que virara um grande idiota.


"Mas amor, não estou culpando você
Só não me culpe também
Porque eu não posso aguentar essa dor para sempre
E você não vai encontrar alguém melhor que eu
Porque eu sou o melhor para você, baby
Acho que sou o melhor para você, baby"

            Não era o melhor, mas podia se tornar. Jimin tinha a chance de mudar, a chance de ser mais que um parceiro para Mah agora que ela se abrira mais para ele e não poderia desperdiçá-la.

            Ao chegar em casa, acendeu um cigarro e decidiu pegar uma maconha da boa para ficar louco. Seria a última vez. E, de novo, lá estava a lembrança dele dormindo com ela, principalmente naquela noite em que dormiu só de calcinha depois da conversa. Tudo que pensava parava naqueles olhos verdes, não importava o quando cheirasse. Ele imaginava mil coisas e todas a incluíam. Não conseguia esquecer aquele corpo, aquela boca. Cores, sabores, tudo misturado, e ela sempre no centro. Ter a pele de Mariko sob seus lábios era seu maior desejo, ele a faria ver estrelas se pudesse.

"E, quando a gente cai na cama, o bagulho esquenta quente na frigideira
Quando eu bato o olho nela, não paro de imaginar besteira (eu só penso besteira)
Sinceramente, o problema é ela, porque essa bunda é brincadeira
Quem ela pensa que é esfregando essa porra em mim a noite inteira?"

[...]

            Fazia algum tempo que não via Mah direito, pois não tiveram mais missões que requeressem estarem juntos por mais do que alguns minutos. Ele sentiu sua falta e, sem pensar, chamou-a para uma cafeteria.

            – Chá gelado nesse frio? – Mah perguntou, rindo fraco – Você é estranho! O tempo virou de repente, não achou?

            – Ficou gelado que nem a pedra de gelo que é seu coração – respondeu num ato infantil, tendo uma risada alta dela como recompensa.

            – Não posso negar que falou a verdade – deu de ombros – Eu quis o chocolate quente para tentar derretê-lo, mas não deu, infelizmente. O que quer tratar comigo?

            – Você disse que me ajudaria a mudar meu jeito idiota de pensar. Vim para conversarmos, oras!

            Depois daquele encontro (que os dois nunca assumiriam ser um encontro), vieram outros, e outros... e outros! Mariko começou a se sentir atraída por Jimin. Ele estava diferente. Ela mal sabia que o Park já começara seus tratamentos psiquiátricos e também para dependência química, pensando em melhorar não apenas por ela, mas por ele. Todas as palavras ditas por Mah mexeram muito consigo e o fizeram refletir durante semanas. Quis tentar mudar e estava conseguindo.

            Porém, um dia, ele tomou um pouco de coragem e a abraçou por longos minutos, afagando seus cabelos. Mah negou mil vezes gostar de sentir seu coração acelerar, aquela sensação de frio na barriga e a loucura que era implorar mentalmente para beijá-lo, lambê-lo, tocá-lo. Era hora de afastá-lo, isso sim! Não podia ficar fraca e deixá-lo mexer consigo daquele jeito! Ela não era idiota!

            Mesmo assim, não conseguiu se afastar. Sentiu a culpa pesar em suas costas, mas não estava pronta. Tentou se convencer que era só um abraço. Qual o problema daquilo? As coisas tinham o significado que você dava para elas, a Park só precisava ignorar aquela cena, pensar nela como um ato que teria para com Jin... mas Jimin não era como Jin! Não deveriam nem ser tão parceiros como ela e o Kim, pois aquilo significaria um problema também.

            Tentara manter-se fria, porém, foi incapaz, ainda mais quando ele ligou chorando e quase bêbado no dia em que seus pais tinham morrido anos atrás. Ele não estava emocionalmente estável ainda apesar do tratamento e aquele dia era sempre sofrido. Porém, só o fato de não ter cedido e usado cocaína ou lsd como costumava fazer naquela época ano já era um grande avanço. 

            Mariko correu para sua casa, encontrando-o jogado no quarto. Ela o ajudou a tomar um banho gelado, fez café – todos os empregados estavam de folga – e se deitou na cama ao seu lado. Ficaram sob as cobertas, juntinhos. Ele a mostrou onde apertar para a tv descer do teto e ficaram assistindo um programa qualquer. A verdade era que estavam mais preocupados um com o outro. Apesar de seus pensamentos estarem um pouco bagunçados – não muito, pois não bebera tanto –, Jimin não conseguia fixar a mente em nada além do corpo de Mah tão perto do seu e o quanto a queria. Ela, no entanto, perguntava-se o porquê de não conseguir afastá-lo e o porquê de ter vontade de senti-lo sobre si, beijando-a. E, como se lesse seus pensamentos, o Park fez exatamente aquilo.

            Começou com um selar, mas logo estavam com as línguas se enroscando e os corpos também. Sentiam calor, excitação, desejo. Mariko o queria. Pela primeira vez, ela esqueceu os traumas do passado e se permitiu querer alguém. Quando aquele ósculo acabou, olharam-se por alguns segundos e, então, vieram outros dez tão deliciosos quanto o primeiro. Acabaram dormindo após aquilo. Mah acariciava as costas de Jimin, enquanto ele tinha o queixo encostado na cabeça dela e afagava seus cabelos.

            A Park decidiu voltar ao profissionalismo quando amanheceu, culpando-se por ser tão boba ao sair da cama e notá-lo falar com uma mulher pelo telefone. Nada de bares, restaurantes, musicais e cafeterias. Foi muito difícil, mas teve de botar em sua cabeça que Jimin deveria estar fazendo tudo aquilo para levá-la para a cama. Por que mais ele seria tão bom? Eram segundas intenções com certeza! Quando o ouviu falando com aquela mulher e notou como ele a tratou, comparou-se a ela. Era o mesmo jeito doce, deviam ser ambas presas do moreno, pensou tentando se convencer de que não era ciúmes de vê-lo falar palavras bonitas para alguém da mesma forma que dizia para si e, sim, raiva por estar sendo usada.

            – Mariko, por que não me atende? Vou ligar sempre cem vezes para ver se me atende em uma delas! Faz dias que quero te ver! Precisamos conversar! É por causa do beijo, não é? Me dá uma chance de conversar contigo cara a cara, eu imploro!

            – Não quero mais ter intimidade com você. Acho que passamos da linha de parceria, um erro grave, e não concordo mais com a nossa aproximação inconsequente. Foi idiotice, coisa do momento, não podemos passar de colegas. Não somos amigos, Park, não somos nada além de mafiosos que precisam de uma ajudinha para se defender. Não me ligue mais.

            O coração dele doeu como nunca antes.

            – Por quê, Mah? Por quê?! Eu gosto muito de ti! Eu te amo! Não me deixe assim desamparado! Eu te quero tanto! Não me mande embora, eu só tenho você. Você é minha, minha!! Fique comigo! Tem de ficar comigo! Minha, porra!

            – Sua? Sua o cacete!

            Aquela pequena palavra fez as ideias de Mariko mudarem. Ela estava quase cedendo e dizendo "foda-se" para seu lado racional, o qual a alertava de que ele apenas a queria como um brinquedo e a enganava. Porém, quando Jimin proferiu o "minha", era como se a fizesse de boneca, um carro chique, um troféu. E tudo que ela menos queria era ser só um pedaço de carne para que ele esbanjasse e ficasse tratando como um grande prêmio.

            Mas Jimin nunca desistiu. Ele sempre quis mostrar que estava mudado, mostrar que podiam ser mais do que colegas ou até mesmo amigos. Aquela aposta foi apenas um ato desesperado seu após Mariko ser tão fria consigo em uma missão recente, que o fez pensar que não sentia nem ao menos simpatia por si. 

            Quando conseguiu conquistá-la definitivamente, foi o momento mais feliz de sua vida e ele nunca mais deixaria Mariko ir embora de sua vida, o Park precisava dela consigo como sua mulher.

            No dia em que a castanha fora levada para Yoongi e deixara consigo o seu celular, havia ali um video, expondo diferentes situações que poderiam acontecer e suas soluções. Jimin seguia, desde então, passo a passo do que Mah propusera. Sua amada era um gênio do crime, boa em tudo que fazia.

            "Eu quero que você faça todos acreditarem. Quero que me faça acreditar que não liga mais para mim! Faça para valer! Eu ficarei mal de ciúmes, como daquela vez... acho que nunca te contei, quando te vir falamos sobre isso, então, no momento, deixa para lá... voltando ao assunto... sobre missões, sempre soube separar as coisas, Jimin. Eu farei todos acreditarem também. Se eu e Akemi o fizermos, todos farão da mesma maneira, todos virão e pensarão no quão bem ficou sem mim. É isso que quero! Eu encontrarei a presa mais fácil para começar uma intriga, deve ser alguém que não tenha tanta influência, caso contrário eu colocaria tudo em risco. Converse com Luhan, ele te atualizará sobre essas questões."

            O plano estava sendo executado com perfeição. Jungkook tinha sido eliminado, como previsto, e Baekhyun caíra na armadilha, ou seja, confiava cegamente em Akemi. Para o grande final, faltava apenas uma coisa: a cabeça de Yoongi. Dessa forma, não haveria como ele ajudar o Byun e o resto do EXO, chamar reforços ou qualquer coisa do tipo. Era o fim da linha para eles.


Notas Finais


KKKKK OLHA A HORA QUE EU TO POSTANDO ISSO, MANOOO, E DEU DEZ MIL PALAVRAS, PUTA MERDA, NUNCA ESCREVI UM CAPITULO TÃO GRANDE ASSIM DE UMA VEZ
Agora faz sentido aquilo, né, manas?
Jimin topar a desconstrução foi o melhor, aaaa!! Acho que deu para entender como surgiu o casal agora e que aquele sentimento deles já era de antes, só que a Mariko se recusava e admitir <3

Deixe aí um comentário falando sobre o quanto JiMari é top e Mariko é foda se puder, haha, pois sei que concordam comigo. A Mariko é muito girl power, puta merda, amo essa personagem!!
Para quem não releu a fic, não existe mais ameaça da parte do Jimin, apenas uma aposta de que ele a faria gozar 3 vezes numa noite (vale a pena reler a parte deles da fic, ta muito mais legal agora).

DESCULPEM POR NÃO TER POSTADO O ÚLTIMO CAPÍTULO AINDAAAAA
Ele está sendo foda de escrever (nos dois sentidos, porque é muito incrível e, ao mesmo tempo, difícil). Aproveitem JiMari enquanto isso, haha! Tive de postar, porque não quis fazê-los esperar mais por uma att. Se o cap fica pronto, tenho de postar, né non?

As músicas citadas no capítulo são todas foda e estão aqui:
Anos Luz (https://youtu.be/m226f2reF28)
Die For You (https://youtu.be/if40ymhuZy0)
Saved (https://youtu.be/MXzO9mnwGyI)
Play Me Like a Violin (https://youtu.be/DW3T5tLWOA4)
Say Something (https://youtu.be/qMNnVBv4tME)

XOXO


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