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História Burning Words - Capítulo 1


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Notas do Autor


Parece óbvio o começo dessa história, e até bastante patético, e nada de novo, mas você não costuma ver coisas extremamente autênticas em todo lugar certo? Cecília Every e uma mulher forte, que passou e vai passar por diversas coisas ao decorrer desta história, de inocente e frágil, ela não terá nada, mas seu coração ainda precisa de tempo pra se curar de feridas feitas por seu passado não muito bom de ser lembrado.

Capítulo 1 - Um novo dia, nem sempre e repleto de boas surpresas


Fanfic / Fanfiction Burning Words - Capítulo 1 - Um novo dia, nem sempre e repleto de boas surpresas

A luz forte que emanava da janela bateu contra meu rosto ainda inchado pela noite mal dormida, mas não foi isso que me despertou do sono, e sim a grande barulheira que vinha do andar de baixo da casa, que me acordou em um sobressalto, provavelmente eram os vários funcionários da loja de penhores levando embora tudo o que fosse de valor. Me sentei na cama ainda pensando se era realmente uma boa ideia levantar. Em uma longa espreguiçada coloquei os pés no chão frio, e senti meu corpo inteiro se arrepiar pelo contato inesperado da minha pele quente contra o azulejo branco gelado.

Completamente acordada e de banho tomado, me arrumei por alguns segundos em frente ao espelho, tentando dar um jeito nas olheiras de cansaço que estavam em baixo dos meus olhos. Eu precisava dormir, e muito. Eu não achava meu corpo uma maravilha, tinha sérios problemas com meus seios, e meu quadril, mas sempre que eu vestia saia minhas curvas agradeciam. Hoje seria meu primeiro dia de trabalho, e eu imaginei que precisaria estar a altura do meu novo emprego, com uma saia colada que ia até os joelhos na cor bege, uma blusa folgada de setim que acompanhava a cor da saia, e um blazer branco colocado sobre meus ombros, eu me sentia uma verdadeira gostosa sempre que me vestia assim, nada muito extravagante, mas também nada muito simples, a roupa que tinha a quantia perfeita de equilíbrio.

Com minha bolsa também na cor bege em mãos, abri a porta do quarto, e dei de cara com homens altos e suados, andando de um lado para o outro carregando o que já tinha pertencido a minha família. Família Every, a nobre e famosíssima família Every, que agora estava perdendo absolutamente tudo o que tinha. 

Não era fácil passar por um longo processo de falência, muito menos se isso foi causado por um golpe, vindo de alguém que você confiava, e meu pai tinha o dom de confiar em pessoas erradas. Eu não o julgo muito menos o culpo por ser assim, pessoas boas tem a tendência de acreditar em quase tudo que outras pessoas más intencionadas dizem. Mas não vão achando que meu pai e um tolo, ou idiota, Marco Every era um homem respeitado, e até temido por alguns, ele era dono da maior fábrica de vinhos da França, o que ele fazia era arte, e sempre fez questão de se orgulhar disso, mas de uns tempos pra cá, ele sente apenas vergonha de si mesmo. Sempre com aquela cara fechada, e com a mesma expressão de desgaste e decepção, vê-lo assim cortava meu coração em mil e um pedaços.

- Cecília!!!!

O grito animado de minha irmã mais nova Catarina, invadiu meus ouvidos em uma onda de calor e carinho, deixando meu coração ainda mais alegre por tê-la comigo. Com sua blusa larga escrito The Neighbourhood, sua calça jeans em um estilo antigo, e seu all star branco parcialmente sujo, ela correu em minha direção, apertando meu corpo contra o dela em um abraço cheio de ternura. A olhei sorridente e passei as mãos pelas madeixas escuras e soltas no estilo Black Power.

- Você está linda hoje em pirralha!

- Não sou pirralha já tenho 7 anos!

Me coloquei de pé novamente, e segurei a mãozinha de Catarina, deixando ela me levar até a cozinha, provavelmente o único lugar calma da casa atualmente.

- Bom dia querida!

Minha madrasta Lívia disse enquanto fazia algum coisa a beira do fogão - coisa que ninguém jamais veria normalmente -  sorridente como sempre era, ela caminhou em minha direção e depositando um suave beijo na minha testa, logo depois colocou uma panqueca muito bem feita sobre meu prato, me fazendo suspirar pesado, não estava com fome, mas certamente ela me faria comer.

- Que cara e essa mocinha?

E finalmente ele se pronunciou, com sua voz imponente e grave, ele fechou o jornal e me encarou, fazendo eu ter um sobressalto.

- Não e nada oras.

- Não minta pra mim fadinha!

- Por Deus pai! Não me chame de fadinha!

As risadas baixas de minha madrasta e de Catarina, fizeram meu estômago se encher de borboletas. Fadinha era um apelido muito constrangedor e que tinha uma história muito longa para ser contada agora.

- Fadinha!

Minha irmã disse sapeca sorrindo para mim enquanto se delíciava com o bolo de chocolate. Peguei um pequeno pedaço de pão e arremessei em sua direção, arrancando dela uma risada incrivelmente gostosa de se ouvir.

- Você está linda Cecília, essa saia sempre fica perfeita em você!

Lívia sempre fazia questão de me elogiar, mas eu não acreditava muito nisso, sinceramente eu morria de inveja dela. Com a pele negra, cabelos com cachos perfeitos, um corpo com curvas muito bem deliniadas, Lívia era um verdadeiro espetáculo, com sua aparecia genuína de uma mulher Latina Americana, ela era uma deusa.

- Obrigada, fiquei em dúvida se usava ou não.

- Ainda bem que resolveu usar, você está ficando cada dia mais linda filha.

Realmente...eu não conseguia acreditar, será mesmo que eu era tão linda como todos diziam? Meus cabelos cor de mel, minha pele branca demais pela falta de melanina, meus seios exageramente fartos, meu quadril parcialmente largo, minha barriga chapada e minha cintura fina, porém muito bem encaixada em meu quadril, me faziam pensar que eu era uma mulher completamente fora do echo. Mas todos a minha volta faziam questão de me elogiar e dizer que eu era um show. Típico. 

- Meu deus querida, quando foi que seus peitos ficaram tão perfeitos assim? Olha só estão durinhos!

Minha madrasta apertou um dos meus seios, me fazendo levantar rápido da cadeira. Eu não havia ficado incomodada, mas por Deus, eu tenho um problema sério de ficar excitada toda vez que tocam nos meus peitos.

- Bom eu preciso ir. Tenham um bom dia!

Me levantei, e andei até meu pai, deixando um beijo carinhoso em sua bochecha e em Catarina.

- Cuidado viu!

Lívia gritou para mim como se eu ainda fosse uma criança, era tão necessário assim se preocupar comigo? O sentimento de mãe e filha que nós havíamos construído uma pela outra ao decorrer dos anos, me ajudou muito durante toda minha adolescência.

 Meu pai se casou com ela 6 anos depois do desaparecimento de minha mãe em uma estação de metrô, na época do casamento eu tinha 11 anos. No argumento usado por ele, eu precisava de um exemplo de mulher para poder passar pela puberdade, e não ser uma adolescente maluca com os hormônios a flor da pele. E de certa forma ele estava certo, Lívia foi como um sobro de ar puro na minha vida e na vida dele. Ela fez o papel de minha mãe, mas nunca quis ocupar o lugar dela ou apagá-la de nossas lembranças, estava sempre comigo, e foi a única que me impediu de fazer várias merdas, bom...pelo menos até meus 17 anos.

Dentro do táxi resolvi mandar uma mensagem para meu amigo Deluca que adorava sumir nos fins de semana, e voltar como se nada tivesse acontecido.

Mensagem:

A onde vc ta seu pivete? Eu preciso de vc! Vc sempre some assim, me dá vontade de te acertar a paulada.

Calma gata! Eu tô sempre aqui pra vc. Hoje vou te buscar pra gente conversar!

Oq vc fez esse fim de semana inteiro em senhor Deluca? Dependendo do que for nem me conta.

Carlos Deluca era um homem cheio de surpresas e segredos obscuros, que ele sempre fazia questão de esconder de todo mundo. Menos de mim. Nos conhecemos a exatos 13 anos, ele passou por todo o processo de tragédias da minha infância, isso fez dele meu porto seguro, e foi um ponto de partida pra superação de todas as dificuldades que passei sendo apenas uma garotinha assustada.

Vc quer mesmo saber os detalhes?

Não obrigada, eu estou afim de guardar meu café da manhã até o almoço, assim vou conseguir me manter de pé, e não cair de cansaço na mesa.

Vc precisa descansar gata, dês de tudo aquilo que rolou com seu pai vc não dorme direito. Voltou a ter pesadelos?

Eu estou bem ok? Fora os problemas com meu pai e toda essa bagunça de golpe, eu estou ótima!

Não minta pra mim gata. Vc sabe que não vai conseguir esconder por muito tempo.

Te vejo 19:00hrs no saguão do Burning Words, sem atrasos e sem acompanhantes surpresa!

Só eu e vc. Tenha um bom trabalho, e por favor tome cuidado!

E novamente me disseram a mesma frase, eu definitivamente não sabia se era costume, ou as pessoas a minha volta só gostavam de dizer isso, e reafirmar que eu deveria tomar cuidado. Era frustante saber que mesmo depois de anos eles ainda ficavam tão preocupados com aquilo.

Quando sai do carro, e pisei na faxada do prédio enorme e reluzente do Burning Words, foi impossível não ficar boquiaberta com a imponência e elegância do edifício. Era surpreendente o tamanho e a beleza do lugar, seus vidros transparentes, e muito bem polidos, permitiam que quem estivesse do lado de fora visse as pessoas do 4° andar trabalhando freneticamente, o resto era impossível de se ver, a luz do sol que batia contra o cristal do vidro era capaz de cegar quem olhasse demais.

Pisando firme com meus saltos de bico fino, eu achei que fosse impossível ficar mais encantada pelo lugar, mas ao ver o saguão, meus olhos se arregalaram, como um chão que e pisado diariamente por várias e várias pessoas conseguia brilhar e parecer tão limpo como aquele? Seu azulejo preto, com manchas na cor branca, era extremamente bem polidos, eu diria que quem fez aquilo, merecia um prêmio. 

Não precisei dizer uma palavra para passar pelos seguranças que permitiam a entrada e a saída de funcionários pela catraca. 

Era terrível a forma como eles olhavam para algumas pessoas que não se encaixavam no padrão estipulado, o preconceito em suas atitudes era de se sentir repulsa. A regra era simples "se você não está vestido a altura, e não exala cheiro de dinheiro. Não pode entrar aqui!" A única coisa que alguém com senso e boa criação poderia sentir sobre esse tipo de pensamento era nojo.

Depois de esperar o elevador pacientemente, adentrei o lugar, e apertei o botão do 15° andar o último, algumas pessoas me olharam de cima a baixo, analisando se eu realmente era digna de estar indo até o andar onde ficavam apenas os maiores e mais poderosos.

Faltavam alguns andares até chegar no meu, as pessoas estavam apressadas, e ficaram ainda mais insatisfeitas quando o som da campainha soou no 4° andar, indicando que mais alguém iria embarcar. Eu apenas dei dois passos para trás, e arrumei minha postura, respirando fundo.

A porta se abriu, eu levantei a cabeça, e o chão falto debaixo dos meus pés, minha garganta se fechou, minha boca ficou seca, o ar em meus pulmões faltou, e minhas pernas bambearam. Meu Deus o que era aquilo.

Parado, de frente pra mim, a imagem do ser mais divino da terra, seu corpo alto e esguio, seus músculos bem definidos marcados pela roupa feita sobi medida, seus lábios finos e avermelhados eram um convite ao sexo. Com os cabelos negros jogados para trás, deixando sua testa nua e seu rosto em um formato de V perfeito a mostra, sua pele branca, e olhos levemente puxados indicando sua descendência asiática, com certeza levavam qualquer mulher a locura, de imediato veio a minha mente a imagem de como seria ser fodida por um homem como ele. Céus o que estou pensando.

Ele adentrou o elevador, olhou para o painel do elevador e apertou o mesmo botão que eu...15° andar, se posicionou ao meu lado, e um arrepio estranhamente gostoso percorreu meu corpo quando seu cotovelo roçou meu braço. Em uma economia incrível de movimentos, ele ajeitou a gravata, e olhou para mim de relance, isso foi como um soco no meu estômago, ou uma palmada na minha bunda. O magnetismo que se fez presente entre nós era tão intenso que até algumas pessoas nos olharam.

Sem fôlego, e completamente desnorteada, eu saí do elevador quando a campainha do 5° andar tocou, definitivamente não era o lugar onde eu deveria descer, mas por Cristo, eu estou me sentindo como se tivesse acabado de ter um orgasmo, precisava respirar, e ao lado daquele deus do pecado eu não conseguiria. Parei por alguns segundos, e puxei todo o ar que meus pulmões conseguiam suportar, arrumei meu blazer, ajeitei a saia, e fechei os olhos, tentando me concentrar apenas no meu trabalho, queria tirar a imagem daquele moreno em cima de mim, me fodendo com força da cabeça.

Peguei o elevador novamente, e dessa vez parei no andar corretor. Quando cheguei fiquei abismada com a luxúria do lugar, a decoração era digna de aplausos. A mulher loira, alta, de olhos azuis da recepção se levantou, e abriu um sorriso forçado, não sei se ela estava tentando ser simpática, mas com certeza não conseguiu, era notável que ela não gostava de mim, e não me pergunte por que, eu também não sei.

Dei mais alguns passos até chegar a porta onde provavelmente era o escritório do meu novo chefe, e novamente respirei fundo, fechei os olhos, e me certifiquei em não falar besteira na frente dele.

- Olá!

Minha atenção se voltou para a voz masculina atrás de mim. 

- Oi!

- Você deve ser a Cecília Every certo!?

- Sim isso mesmo!

Me virei para ele apoiada nos calcanhares, e sorri. Ele esticou a mão direita e eu o cumprimentei. Foi impossível não olhar para a tatuagem nas costas de sua mão, era linda, e bastante chamativas, presumi que o desenho se estendia por todo seu braço, que pela marca no palito, era bastante músculoso. Seus cabelos castanhos e grandes, amarrados em um coque discreto, seu piercing na sobrancelha e na língua, davam a ele um charme rockeiro, que particularmente eu achava extremamente atraente e sexy.

- Prazer, Lucas Sloan. Sou secretário do senhor Kim!

Soltei sua mão, e arrumei minha bolsa no espaço entre meu braço e antebraço.

- Ele disse que você poderia entrar assim que chegasse! 

De início fiquei surpresa com a atitude do meu futuro chefe, mas me toquei que fazia sentindo. Eu seria a nova agente de reputação e negócios internacionais das indústrias Burning Words, fora que também seria a nova assistente particular dele. Sim eu estou desesperada por dinheiro.

Após Lucas abrir a porta, e dar espaço para que eu passasse, no fundo eu realmente achei que não poderia me surpreender mais, porém estava completamente enganada. Como que apenas uma sala pode ser tão linda assim? O piso na cor azul escuro muito bem polido, no canto do local era possível ver uma pequena mesa de vidro, cercada por sofás de veludo branco, a mesa no centro da sala de mármore negro, deixava o ambiente com um toque maravilhoso de masculinidade. As paredes feitas de vidro atrás da mesa, disponibilizavam uma vista fenomenal da cidade de Paris, sempre imponente e encantadora Paris, a cidade ideal para casais apaixonados, e talvez uma péssima cidade para quem estava sozinho. Como eu.

- Cecília?

A voz grave e rouca ecoou nos meus ouvidos, e me fez perder completamente o fôlego, meus olhos se voltaram para a silhueta firme e rígida do moreno. Meu santo Deus, eu não conseguia acreditar. 

Eu pisquei algumas vezes meus olhos, e olhei para ele, que caminhava devagar em minha direção. O universo só podia estar de brincadeira com a minha cara. O mesmo homem do elevador, que quase me fez gozar só de encostar o cotovelo em mim, por algum motivo inexplicável do destino, era meu chefe.



Notas Finais


Bom, eu não havia deixado um recado final, pois estava pensando no que dizer para vocês, que no momento são pouquíssimos, mas já são importantes. Essa história foi algo muito bem pensado e analisado por mim, eu obviamente não sou nenhuma escritora profissional, e os erros iram aparecer sempre, e eu me desculpo por isso. Quero muito a ajuda de vocês, pra fazer dessa história, uma história que eu posso me orgulhar, espero que gostei.💞🙏


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