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História Bury - Capítulo 15


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Notas do Autor


Olá, você que acompanha essa fanfic.

Na volta de Bury, vamos ver como ambas retornam as suas rotinas após o jantar romântico. E uma conversa põe em xeque um assunto muito íntimo.

Boa leitura.

Capítulo 15 - Pulando etapas



O coração de Emma estava a mil quando ela fechou a porta do apartamento e se encostou por trás. Tinha acabado de viver a coisa mais impressionante. Um acontecimento. Uma sensação única que ecoaria por dias na sua mente, como quem quer viver a mesma noite de novo e de novo até se cansar. Era Regina. A mesa. A música. O cheiro dela. O jeito como ela lhe disse aquelas coisas. Pela primeira vez em meses Emma estava aberta a um bom sentimento romântico. Ia sonhar com Regina, com toda a certeza. Com o cheiro dela e em como um beijo singelo lhe fazia querer abraçar o mundo. Onde é que ela estava esse tempo todo? Por que demorou tanto? Por que estava escolhendo Emma? Não havia respostas óbvias, mas havia a forma como tudo ao lado dela parecia mágico.

Ela revive os melhores momentos da noite, tão rica e maravilhosa, como se fosse um filme sobre a sua vida refletido na televisão da sala. Regina abraçando seu corpo e suas mãos nos ombros dela enquanto a música as deixa com uma vontade louca de se beijarem só para ter a sensação da primeira vez se repetindo. Regina deslizando as mãos por ela, encontrando um lugar confortável em sua cintura não tão acentuada quanto a dela. A pele macia do rosto feito de bebê, com aquelas cicatrizes minúsculas parecendo linhas ao lado do seu olho. Regina era tão bonita que Emma estava com uma pulga atrás da orelha. Ou a sorte havia brilhado para ela finalmente ou o destino foi um bocado generoso ao atender seu pedido de felicidade. Emma tinha um sorriso no rosto, que mordia o lábio inferior e a fazia gemer por conter o riso. Ela simplesmente não conseguia parar de pensar em Mills e a ideia meiga de convidá-la para jantar na beira da piscina. Tinham falado sobre o que seria delas agora que a mulher não precisava mais de seus serviços e coincidentemente aquele era seu último dia de férias do Amber City Hospital. Emma teve de admitir que voltaria ao seu trabalho como enfermeira e Regina também se via em uma obrigação de retomar as atividades na Mills & Colter. Por essa razão elas concordaram em voltar as suas funções, mesmo que isso implicasse nas vezes em que se veriam. A senhora Mills daria um jeito de ver Emma, assim como a jovem enfermeira ligaria para perguntar se estava tudo bem e consequentemente elas marcariam um encontro em algum lugar romântico ou até em seu apartamento se Regina não se importasse. Swan tinha a impressão de que tudo o que Regina precisava era daquele relacionamento entre elas. Que dali para frente estavam mesmo namorando, com direito a juras de amor e beijos quentes até partirem para o sexo. Emma pensou no sexo, pois fazia muito tempo que não transava com alguém e se masturbar no banho não lhe satisfazia. Ela foi tirando a roupa, se livrando da parte de cima, da de baixo e ficando nua diante do espelho no quarto. Se olhou, se tocou na altura dos seios e achou eles maiores. E, bem, ela não estava na TPM, então seria esse seu instinto ao pensar na senhora Mills? Depois de sentir as mãos dela a sua volta, sua vontade tão imensa e aquela boca. Emma começou a gostar da ideia, mas respeitaria o tempo de Regina se ela ainda não estivesse pronta. Não poderia parecer um homem que entra em relações só para ter sexo. Ela se lembra de pedir em uma noite dessas alguém que lhe amasse desde o princípio e não estivesse com ela apenas para viverem trocando as pernas. Era isso que fazia Emma sorrir mordendo os lábios de novo. Regina demonstrando um sentimento múltiplo com direito a tudo, porque era isso que parecia. O início de uma relação onde elas poderiam abrir seus livros e contarem seus medos, suas vontades sem qualquer problema.

Emma põe o pijama antes que fique muito tarde para descansar. Tem de ir ao hospital pela manhã e não quer perder a hora, por mais que saiba como vai ser difícil dormir. Sua cabeça está um pouco pesada por conta do vinho. Foi meia garrafa que dividiu com Regina e ela nem sabe como chegou dirigindo até o apartamento. Desligou tudo, se cobriu com o edredom e esperou bastante, até que sua cabeça estivesse tranquila, absorvendo todas as sensações que viveu duas horas atrás. Poderia ter dito a Regina que tinha planos maravilhosos para elas, mas diante de tanto oferecido pela mulher, o que seriam suas ofertas perto das dela? Emma ria de si e da simplicidade que no fundo atraía Regina. Veio uma pergunta: Até quando ela estaria interessada? Se havia amor e paixão unidos, Regina jamais ligaria para simplicidade. Um dia disseram que ela foi soberba, mas não era o caso agora. Emma não via soberba em Mills. Então Emma pensou que tinha acertado em uma loteria amorosa. Uma das mulheres mais ricas do país, apaixonada por ela, com a personalidade moldada de um jeito totalmente diferente do que sempre foi.



Regina chegou cedo na empresa. Como nos velhos tempos, posando como a dona de um grande empreendimento, embora isso fosse totalmente involuntário. Era uma coisa dela que não conseguiu abandonar, nem com o acidente. Andava devagar pelo corredor central da Mills & Colter, portando uma bengala e vestida como alguém bem sucedida. Aos olhos dos outros, era a senhora Mills que caminhava meio torto, mal enjambrada, ainda assim a dona de tudo o que aquela empresa representava. Ela tinha feito questão de deixar Leopold do lado de fora, mesmo ele insistindo em ir com ela até o escritório no segundo andar da loja. Queria parecer segura aos olhos de todo mundo. Não importava se estava doendo caminhar com esforço pela extensão do corredor. Chegou exausta no elevador de serviço, torcendo para ninguém ter ido avisar Robin que tinha aparecido por conta própria. Não houve tempo, pois ela o viu assim que chegou no corredor de cima, entregando uma lata de refrigerante da máquina à Tamara, a advogada que trabalhava para eles. Os dois também a viram e era de se esperar que ficassem surpresos com a visão dela andando após três meses. Robin levou um susto tão grande que quase deixou a lata na mão cair. A moça olhou para ele, depois para Regina de novo como se eles tivessem acabado de falar dela.

Mills descansou o peso do corpo todo sobre a bengala, segurando com as duas mãos. Notando o desconforto, o irmão de Daniel correu até ela, a ajudando a se manter de pé. Regina não tinha problemas com Robin antes da morte do marido. Suas questões eram com Helena, ainda assim nunca teve por que duvidar do cunhado. Ele ajuda-la era o mínimo que poderia fazer depois de tantos dias assumindo aquela empresa.

— Regina, por que não avisou que estava vindo? — ele pergunta, a levando consigo para o escritório.

— Não é nada. Eu estou bem. É que ainda dói um pouco para andar. — ela responde enquanto ele a põe sentada o mais próximo possível.

— Eu não esperava ver você de pé tão cedo. Isso é incrível! — diz ele, todo preocupado.

— Milagres acontecem. Vocês estão bem? — Regina pergunta e Robin olha para Tamara que aparece na porta da sala.

— Oi, Regina. Caramba, você está conseguindo andar! — Eles param e olham para ela, lado a lado. Como se Regina fosse uma coisa de outro planeta.

— Por favor, parem de me olhar como e eu fosse um bicho. Vim trabalhar. Estou voltando a trabalhar na loja, do jeito que sempre foi.

— Nós enviamos alguns relatórios por e-mail. Achei que quisesse passar mais um tempo em casa, diante das circunstâncias. — Robin fala, pondo as mãos nos bolsos da calça.

— Já me sinto bem o suficiente para voltar. Se eu passar mais tempo em casa, acho que vou enlouquecer. Muita coisa mudou lá e deve ter mudado aqui, mas assumir a empresa é o que eu ainda sei fazer de melhor.

— Ótimo! A empresa é sua. Eu fico feliz que tenha voltado. — diz ele.

— O serviço aqui anda puxado, seu cunhado tem dado duro todos esses meses. — Tamara fala olhando para Colter. Já não era uma novidade que os dois se encontravam fora do ambiente de trabalho. Regina lembrou desse detalhe. Aí estava mais um exemplo de casal que não sabia o que queria, embora se gostassem muito.

Mills se pôs de pé, mais fácil e novamente disposta. Ela os avaliou, andou até sua mesa notando tudo no lugar como havia deixado da última vez. Ela se sentou em sua poltrona, puxou uma caneta e abriu o livro contábil logo a frente dela. O par ficou calado, esperando uma bronca, uma ordem ou simplesmente um comentário mal humorado. Regina começou a ler, então percebeu os dois sem reação diante dela. Parou novamente e respirou fundo.

— O que foi?

— Precisa de alguma coisa, Regina? — pergunta Tamara.

— Okay, vocês querem algo para fazer, então façam. Robin, veja os estoques e demandas, traga um relatório para mim até o fim da tarde. Tamara, preciso que me auxilie nos contratos de importações. — Regina fala com firmeza, fazendo os dois se esbarrarem a fim de obedecer. Eles saem da sala e Mills pensa se não foi pouco o que mandou fazer. Era verdade que Robin andava trabalhando muito, mas se ele ficaria no lugar do irmão, exigir o máximo dele era o melhor.

Regina pensou em compensar os três meses com uma quantia gorda na conta de Tamara e Robin, ou simplesmente enviá-los para um trabalho juntos em outra loja da franquia. Não seria um problema se acostumar de novo com a vida de empresária, mas talvez fosse estranho lidar com as dúvidas dos outros depois que sofreu o acidente. Eles nunca enxergariam Mills com os mesmos olhos. Embora isso por um lado fosse vantajoso, por outro a incomodava dentro da função que exercia. Regina teria que dosar suas duas faces naquela empresa e esse parecia um desafio árduo.



No Amber City Hospital, Emma era querida por todos, de tal forma que toda vez que ia com Regina visitar a ala infantil, seus colegas davam um jeito de acha-la para perguntarem quando ela voltaria. Ela falou com todo mundo quando subiu para o terceiro andar, passando feito um raio pela sala da enfermeira Úrsula para se reapresentar no setor. Foi bonita, com os cabelos metade presos, metade soltos descendo pelos ombros. Tinha colocado um batom cor de rosa e passado lápis de olho. Todos notaram como ela estava diferente, andando pelos corredores como se estivesse patinando no gelo. Nem parecia aquela Emma que trocava os plantões durante a semana só para ficar mais tempo no hospital. A Emma que andava com os cabelos presos em coque o tempo todo e não tinha um pingo de maquiagem na cara. A Emma que quase nunca mostrava os dentes quando sorria, agora era uma pessoa que no bom dia quase rasgava os lábios de tanto que tentava mostrar o sorriso.

Foi desse jeito que Úrsula e as outras meninas a viram. E embora todo mundo usasse a mesma roupa de trabalho azul, não havia como não distinguir Emma na reunião. Todo mundo olhou para ela quando surgiu na porta e a chefe até se levantou, parecendo sua mãe quando queria lhe dar uma bronca na infância. A Chefe era boa, todos a adoravam, em especial Swan que achava Úrsula uma versão engraçada de Mary Margaret. Mas a verdade era que havia um segredo que só ela e Emma partilhavam. Swan nunca soube explicar, mas Úrsula tinha o poder de ler sua mente ou algo muito parecido com isso. Era impressionante como ela adivinhava quando a loira estava para baixo ou quando algo muito sério tinha acontecido. Não à toa, a chefe permitiu que Emma cuidasse da paciente do quarto 340, Regina Mills. E ao que parecia, sua indicação rendeu frutos mais sérios do que poderia imaginar.

— Veja só quem voltou!

— Oi, pessoal! — disse Emma, abrindo seu sorriso pela vigésima vez naquela manhã. — Férias finalizadas. Hora de voltar a ser enfermeira.

Todo mundo no hospital pensou que Emma tinha uma nova carreira desde que souberam que ela fora efetivada como cuidadora da senhora Mills. Porém, como ela mesma tinha prometido, aquele era um trabalho de apenas um mês até a mulher estar recuperada. Foi o tempo certo para Regina voltar a andar e não depender mais de seus braços e força para empurrá-la e auxiliá-la. Emma e a chefe vieram conversando pelo corredor do terceiro andar, colocando a conversa em dia. Por mais que todos notassem a felicidade estampada no rosto de Emma, ninguém tinha a coragem de falar com ela sobre o assunto tão depressa. Talvez Killian quando se encontrasse com a amiga percebesse, mas a enfermeira também tinha a mesma astúcia.

— Eu não disse que essa mulher fez milagres com você... E aí? Tão namorando mesmo? — pergunta a morena, parando no balcão para buscar um formulário a ser preenchido.

— Ahm... A Regina e eu? Si... Sim! — Emma fala baixo, só para ela ouvir. — Pode parecer estranho, mas a Regina gostou de mim além de ter aprovado o meu trabalho cuidando dela.

— Você cuidou tão bem que ela ficou gamada. Eu sabia! Eu tinha certeza! Não me pergunte como, mas eu sabia que você ia dar um jeito de conquistar a ricaça. Bem, vocês duas são livres. Ela ficou viúva, você tá solteira há muito tempo. Juntou a fome com a vontade de comer. — disse Úrsula, bem humorada como era de natureza.

— Se levar em conta que começamos ontem... — Emma espia para ver se não vem ninguém e fala entre os dentes.

— Ontem? Parecia que estavam juntas desde aquele dia em que você veio com ela na comemoração. A propósito, estamos comprando novos leitos para a unidade com a doação.

— Ótimo. Eu informo. Agora você pode me dizer onde eu fico hoje?

— Bom, já que está voltando, dê uma força a Brandi no centro cirúrgico. Há uma operação marcada para às dez e trinta. — Ela entrega uma ficha para Emma. — Este aqui é o paciente, ele está no 310. Qualquer dúvida me chame.

Emma olhou a ficha, voltou a andar pelo corredor e suspirou, desacostumada àquela rotina. Mesmo assim, ela adorava o que fazia e foi o que aprendeu a fazer de melhor. Lembrou da noite passada no caminho. Ria sozinha, mordendo o lábio inferior em um gesto que estava cada vez mais frequente. Úrsula, notou aquilo enquanto Swan caminhava sozinha, notando também o entusiasmo e observando que Emma estava agindo igual a ela quando conheceu seu marido. Fora isso, confiava nela e sabia que Emma jamais deixaria suas ilusões sobressaírem ao seu serviço no hospital. Era questão de segundos para a boa profissional assumir o controle novamente.



Mills sabia que Emma chegaria cansada do trabalho assim como ela estava exausta de passar quase o dia inteiro sentada em sua poltrona no escritório. Ela pediu que Leo a levasse ao apartamento, pois não se incomodava de ficar algumas horas da noite com ela, mesmo que só tivessem fôlego para trocar um beijo. Imaginou que Emma fosse gostar da surpresa, pois o jantar na beira da piscina na noite passada fora algo imenso para as duas, e mesmo assim, ela tinha certeza de que não fora o bastante, assim como nunca seria dali para frente. Regina vê a janela do apartamento acesa, Emma está em casa há pouco tempo. Leva uma boa quantidade de minutos esperando, até que questiona se vai subir ou não ao motorista.

— Alguma vez você já se sentiu assim, Leo?

— Assim como, Madame?

— Com o coração vindo a boca, as mãos geladas e suadas, com falta de ar e uma sensação de que vai vomitar.

Ele olha a patroa com os olhos arregalados, mas admite para si mesmo que já se sentiu daquele mesmo jeito.

— Acho que sim, senhora. Acho que foi assim quando conheci a Cora. A senhora sabe.

Regina acha o jeito como ele fala meigo e isso a acalma de certa forma. Ela olha outra vez para a janela do apartamento e se decide.

— Eu vou subir. Me deseje boa sorte.

Leopold a ajuda a sair do carro e a entrar no prédio. Leva muito pouco tempo para ela chegar ao apartamento de Emma, mas seu peito vibra como bateria de banda de rock quando ela se encontra diante da porta e toca a campainha. Emma atende dez segundos depois do segundo toque e seu rosto era tudo o que Regina queria ver naquele instante. Daquele jeito. No jeitinho dela. Linda, espontânea, surpresa. Mills sorri apoiada a bengala e o que as duas fazem é quase automático. Elas se abraçam, se sentem, se adoram. Emma puxa Regina para dentro, bate a porta atrás dela e pega em suas mãos, olhando seu rosto, sua boca, seus olhos. Está feliz, como se tivesse acabado de receber uma encomenda há muito tempo esperada. Ela meneia a cabeça esperando Regina falar, mas Mills está sem fôlego algum, pelo esforço e pela emoção apaixonada.

— Que surpresa é essa? Eu estava quase te ligando. Cheguei em casa não tem meia hora. — Emma fala.

— É que eu... Fiquei com vontade de te ver. — Diz Regina finalmente. — Foi difícil não pensar em você o dia todo, Emma. Eu trabalhei muito, havia uma série de coisas a tratar no escritório, mas quando eu podia eu pensava no que houve ontem.

Emma riu e alisou os dedos dela enquanto a ouvia. Queria dizer várias coisas, embora tenha pensado que se falariam por telefone. Melhor que fosse daquele jeito então. Que estivessem juntas, cara a cara para compartilharem suas emoções.

— Eu também. Por um momento eu pensei que não fosse conseguir voltar a rotina a qual eu havia me acostumado antes de te conhecer. — Emma olha o sofá. Ela ajuda Regina a andar até ali e elas se sentam. Ainda está com as roupas que foi trabalhar, mas manteve o cabelo preso pela metade. Regina está a um dedo de distância dela e quer derrubar a barreira que existe entre elas.

— Acostumei você muito mal, e já estava pensando em fazer de novo hoje, mas sei como está cansada, como o seu trabalho é cansativo.

— Tô mesmo cansada. Desculpa se meu apartamento parecer bagunçado e estranho.

— Você tá preocupada com o que vou achar do lugar onde mora? Eu adoro o seu apartamento, acho muito aconchegante. Eu moraria em um lugar assim com muita facilidade.

— Não posso dizer o contrário da sua casa. — Emma comenta e elas riem juntas, se deparando com sorrisos e bocas cheias de vontade. Regina toca o rosto de Emma e se aproxima, ameaçando beijá-la, mas Swan é mais rápida e toma a iniciativa.

Regina encontra um repouso confortável na boca de Emma e vice versa. É mais um daqueles beijos que imitam o primeiro e o segundo. Uma loucura, uma fome de viver no mundo uma da outra. Elas caem por ali, no ímpeto de aproveitarem o tempo que têm. Emma por cima de Regina no sofá. É mais forte que elas se beijando ferozmente. Mills envolve os dedos nos cabelos da loira e Emma puxa os lábios dela com os dentes. Regina está sentindo o comichão entre as coxas, a calcinha ficando úmida e suas costas curvando, fazendo seu peito colidir com o de Emma. Ambas sabem onde toda essa fome pode dar, mas Emma tinha feito um trato consigo mesma de que não avançaria o sinal se não tivesse permissão e Regina ainda tem receios quanto a coisas que nem ela se lembra mais. Elas vão diminuindo o ritmo. Parando e Regina empurra Emma de leve, limpando o canto da boca, vendo Swan fazer o mesmo.

Estão arfando, em chamas, febris e desconcertadas. Regina ajeita o cabelo de Emma que bagunçou intencionalmente. Emma ajeita o colar fora de lugar no pescoço da senhora Mills e elas se olham recuperando o fôlego.

— Acho que foi por isso que vim aqui, Emma. Não sei se você já pensou ou sentiu como eu me sentia quando colocava as mãos em mim. Eu não queria que pensasse errado, não queria não pensar em você do jeito que eu pensava, só não conseguia. — Confessa.

— Nunca tive medo que pensassem errado de mim, porque eu sabia o que estava fazendo. Mas com você foi diferente. No fim eu me dei conta de que alguns dos meus gestos te excitavam. Não era a intenção, me desculpe. — Swan junta as mãos e Regina as segura para evitar o mal entendido.

— Não vim reclamar disso. Não vim protestar. Quero que entenda que eu sentia coisas por você naqueles momentos também, mas você... Você nunca precisou fazer muito para me incendiar. — Mills engoliu em seco e a olhou bem. — Em um relacionamento esse momento acontece, é inevitável. Eu sinto meu corpo pedindo o seu de tantas maneiras. E isso é totalmente novo para mim, porque eu não sei o que é isso. Nunca estive com uma mulher antes, sexualmente falando.

— Eu não vou negar que também sinto coisas mais ousadas por você, vontades. Mas eu sei que justamente por você nunca ter feito esse tipo de coisa com uma mulher que não posso exigir nada agora. Assim como você eu acho que a gente tem que viver as etapas. Começamos bem, não foi? Você está feliz?

— Muito! Eu nunca me senti assim. Pelo menos não me lembro da Regina do passado se sentir dessa forma. Ela era feliz ao modo dela, mas nada comparado a isso que eu vivo hoje, nesse momento. Nada seria interessante sem você, Emma. Talvez eu preferisse morrer se você não tivesse cruzado o meu caminho.

— Acho que eu também iria preferir morrer em breve. Esse encontro mudou tudo.

Regina estende a mão ao rosto de Emma e alisa sua bochecha.

— Com você eu tenho vontade de conhecer o mundo de novo. Por uma nova perspectiva. Quero amar você, sentir você. Quero fazer amor com você. Mesmo que você queira seguir as etapas, prefiro pular algumas. — Regina soa séria, ao mesmo tempo sensual para os ouvidos de Emma.

Emma abre um sorriso tímido, mas não esconde que é exatamente o que deseja também. Relacionamentos tem etapas, mas por que não pular algumas como Regina mesmo sugeria? Era uma ideia maravilhosa. Há quanto tempo não transava com alguém estando envolvida emocionalmente. Regina queria o mesmo, queria até mais que Emma e isso colocava as duas em combustão. Mas não seria ali, agora. Porque se conhecia Mills, pelo menos um pouco, ela iria preparar o território, criar uma situação romântica como o jantar da noite anterior. O fato era que a ideia era muito excitante. Esperar um pouco para apresentar seu mundo a Regina excitava e muito.

— Sua sinceridade me excita. — diz a loira e elas se abraçam de novo, passando mais tempo do que Mills planejava juntas.

Elas falam sobre o dia, sobre o tempo, sobre os lugares que Emma gosta de frequentar, sobre aquele apartamento, sobre o suco de laranja favorito de Regina, sobre música, sobre elas. Ao ponto que Regina já está deitada sobre o colo de Emma no fim da noite. É tarde e Mills quer voltar para casa, mesmo que tenha sido convidada para dormir com Emma no apartamento, mas ela tem a impressão de que não está totalmente pronta para dividirem a mesma cama.

— Você não me entende mal? — pergunta, se despedindo de Emma na porta do apartamento.

— Eu jamais faria algo que você não quisesse. — Emma sela os lábios dela uma última vez, mais intensa.

É como se doesse ter de ir embora. Como se fosse custar muito para um dia e meio passar até se verem de novo. Amanhã Emma tem plantão no hospital e Regina não pode chama-la para irem a um de seus lugares favoritos. Mas é assim que funciona. Um dia se verão, no outro só vão restar lembranças e uma ansiedade louca para repetirem.

— Vou sentir sua falta. — Regina fala, esperando que Emma abra a porta.

— E eu a sua. Sonha comigo, tá bom?

— Isso é muito fácil. — diz Regina, saindo do apartamento e se apoiando na bengala. Ela olha para trás, quer levar Emma consigo e Emma quer que ela fique. Elas se olham por tanto tempo que Regina decide o que fazer, mesmo que isso não pareça o certo para ela. Pega o celular e liga para o motorista: — Leopold, não precisa mais vir. Volte para os seus aposentos. Eu vou passar a noite com a Emma.


Notas Finais


Na sequencia; Emma e Regina decidem qual será o momento certo para fazer amor. No casamento de Killian e Ariel, o romance das duas chama atenção.

E vocês? Já pularam as etapas por alguém? Deixem suas impressões e expectativas sobre Bury. Vamos conversando sobre a fanfic.

Um abraço forte. Nos vemos o mais breve possível.


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