1. Spirit Fanfics >
  2. But I Still Want You - TAEGI >
  3. Terceiro

História But I Still Want You - TAEGI - Capítulo 4


Escrita por:


Capítulo 4 - Terceiro


Fanfic / Fanfiction But I Still Want You - TAEGI - Capítulo 4 - Terceiro

Min Chungha tinha herdado muitos traços da personalidade da mãe. Diferente dos irmãos, ela sempre foi mais falante, comunicativa, desinibida e risonha. Os meninos eram quietos e taciturnos, silenciosos, enquanto ela podia fazer, sozinha, mais barulho do que uma orquestra inteira. Mas uma Min sempre seria uma Min, e havia traços naquela que não distinguia dos laços genéticos que vinham atrelados ao DNA, ser observadora era um mal de família e Chungha não ficou de fora mesmo sendo tão distinta dos demais.

Ela apareceu para o jantar com os Kim e notou logo de cara que algo estava errado com seu irmão mais velho quando Yoongi se esgueirou para a parte de trás da casa e fumou dois cigarros seguidos, durante a conversa se limitou a não tocar em álcool – e ele adorava whisky – e passou mais tempo jogando a comida de um lado a outro no prato, do que de fato comendo. Chungha não falava muito e tão pouco questionava a respeito, mas sabia que algo não andava bem e que está de volta aquela cidade depois de tantos anos, podia está afetando seu irmão.

Não sabia o que de fato havia acontecido naquela fatídica noite, nunca procurou saber por medo e receio, e também nunca teve abertura suficiente para isso. No entanto, sentia-se dividida em acreditar ou não no irmão, porque colocando na balança, de um lado existia um Min Yoongi apaixonado pelo namorado, um amor sem medida e incondicional, do outro, havia Son Dong-won e a relação peculiar que Yoongi mantinha com ele. Nunca chegou a ver nada, mas haviam visitas em sua casa, conversas sussurradas e toques aqui e ali que jamais ficaria feliz se caso fosse com um namorado seu. Dong-won também foi o primeiro garoto que o Min beijou e todos sabiam que ambos tinha um passado – e um passado nada celibatário. Então era particularmente complicado saber se houve ou não traição aquela noite, ou em outras.

Sendo assim, ela preferia guarda suas opiniões até que fossem solicitadas. Tinha suas dúvidas e queria fazer perguntas, mas sabia que tentar falar aquilo com Yoongi só mexeria em feridas que não sabia se já estavam saradas. De qualquer forma, seja qual for a verdade sobre aquela noite, ela sabia que o irmão não havia superado. Só não sabia se o que existia nós olhos dele toda vez que o olhavam era mágoa ou arrependimento. 

Assim que os Kim foram para casa e os pais subiram para o quarto, os dois irmãos ficaram na sala de casa assistindo um filme ruim que passava na TV em um silêncio quase contemplativo. Uma coisa que Chungha gostava nos irmãos era que independentemente da profundidade do silêncio que existisse, nunca conseguia se sentir desconfortável. Yohan e Yoongi sempre a trataram como uma princesa, e mesmo já adulta, continuam com o mesmo tratamento, era a irmãzinha deles e isso a deixava confortável para ser exatamente quem era na frente do dois.  

- Ei... – ela chamou da poltrona aonde estava esparramada. Yoongi sentado no sofá, parecia tenso até mesmo para se mover dentro da casa que foi seu lar mais tempo do que esteve fora. – Relaxa.

- O que?

- Daqui eu posso ver seus ombros tenso, parece que vai sair correndo a qualquer minuto. Sei que essa cidade já não tem o mesmo significado pra você e sei que não é agradável como antes ficar por aqui, mas relaxa, ainda é a sua casa, seus pais e seus irmãos. Respira um pouco.

- Não consigo. – admitiu em um sussurro. Ele pensou que estava pronto para aquilo, claro que pensou, Yoongi pensava demais até, mas quando se viu parado na frente dos Kim bem no meio da sala dos pais, ele enfim notou que nunca esteve de fato preparado para uma volta. Tudo que fez foi um paliativo, mas estar ali, circulado por toda aquela gente, era muito pior do que imaginou. – Parece um lugar estranho aonde eu tenho receio de me movimentar, não parece que me cabe mais aqui.

- Talvez o problema seja porque você não quer mais caber aqui. Esteve tão focado em esquecer tudo e destruir todos os laços, que agora que está aqui, nem parece o mesmo. – Yoongi olhou para a irmã como se não a reconhecesse, porque ele nunca tinha visto aquele lado dele e não estava preparado para lidar. Quando foi embora Chungha era uma adolescente ranzinza que colecionava postes de grupo de kpop e pintava as unhas com esmalte pink. Mais preocupada em colocar seus doramas em dia e fofocar sobre os meninos bonitos da escola. Mas ela tinha crescido e se tornado uma mulher madura e segura do que dizia. A expressão firme em seu rosto e os lábios firme a tornaram parecia com o pai que Yoongi se questionou silenciosamente se era assim que ele se parecia quando fazia a mesma expressão. Chungha o olhou de volta esperando uma resposta ao que havia dito, quando essa não veio, perguntou – Do que você tem medo, oppa?

- Você não entende, Chungha. – disse na defensiva, como um gato arrisco pronto para atacar. – Você não sabe de nada.

- Não, não sei mesmo, ninguém nunca se deu ao trabalho de me explicar. Antes porque era nova demais, depois porque não se falava nada a respeito. Você passou sete anos fora de casa, Yoongi-ah, e até hoje eu nunca tive uma explicação de fato sobre os reais motivos.

- Todos sabem o porquê, Chungha.

- Será que sabe mesmo? – havia muitas coisas subentendidas por trás daquela pergunta e ele não soube distinguir se era para o lado bom ou ruim. Compreendia que nem todos sabiam o que de fato aconteceu, compreendia que dava margem para todos pensassem o que queria de si a partir do momento que se negava a falar, mas Yoongi sentia muito sobre aquela época e nenhum daquele sentimento era bom. – Mas Já que você fez o sacrifício de vim aqui...

- Chungha.

- Não estou levando a mal, mas vamos colocar as coisas a limpo aqui, sei que não é fácil pro você e estou agradecida pelo esforço que fez por mim. Então, levando isso em conta, o que eu podia fazer pra você se sentir melhor aqui? Quero que se sinta no mínimo bem aqui e estou disposta a fazer o possível para proporcionar isso.

Yoongi não soube o que falar a princípio, tinha sido pego de surpresa e não sabia nem mesmo o que falar. Sentiu-se triste consigo mesmo diante a irmã porque tinha perdido muito naqueles sete anos, Chungha era um ano mais nova, não havia um espaço de tempo muito grande entre os dois, mas tendo-a ali, parada a sua frente, lhe olhando nos olhos enquanto falava, fazia com que Yoongi percebesse que não esteve perto para vê-la se transformando de uma menina naquela mulher adulta. Não esteve ali para acompanhar a mudança de ninguém, não a viu terminar a escola e nem se formando, também não viu o irmão se formado e saindo de casa, tudo que fez foi mandar uma mensagem de texto para Yohan mandando os parabéns. Os pais, pelos deuses, passou sete anos falando com eles por telefone mesmo morando na porra do mesmo país.

Todos se moldaram a um modo que ele tinha ficado de fora e o único culpado de tudo isso era o próprio Yoongi, porque em todo aquele tempo, ele não quis se encaixar a nada que envolvesse Daegu, sem ligar que para o fato de ter deixado pessoas que o amavam ali. Se magoou quando lhe viraram as costas, mas será que teria feito diferente na posição deles?

Será que se fosse seus pais também não ficariam decepcionados com a índole do filho? Será que se fosse Taehyung, não se sentiria destruído? Pensando bem, será mesmo que teria agido diferente dos Kim que só protegeram o filho de alguém que o magoou? Parando e se colocando no lugar de cada um ali, será que teria feito algo diferente deles se tivesse do outro lado da história?

Não precisava ir muito longe para saber a resposta. Mas aquilo nem foi a coisa que mais lhe assustou na soma toda e sim a certeza de que, se continuasse tentando não fazer parte daquela família, hora ou outra não faria mesmo. Seus pais morreriam, seus irmãos construíram suas respectivas famílias e aonde ele se encaixaria na vida deles? Em lugar nenhum porque ele já teria feito um ótimo trabalho ficando de fora na vida de todos quando podia ter feito diferente.

Estaria sozinho e sentir-se sozinho era a pior coisa que um ser humano podia experimentar.

Pensou em tudo isso enquanto a irmã o olhava e desejou pedir desculpas por qualquer coisa, mas não conseguiu, sua língua travou no meio da boca e ele apenas a olhou arrancando um suspiro de decepção da mais nova.

- O que você sente falta de Seoul, oppa? – diminuiu o ritmo e seu tom de voz, tornando-se mais branda ao falar.

- Da minha vida lá. Do que construiu. Da sensação de conforto que conseguia com aquele lugar. – disse em um único fôlego. Gostava da sensação de lar que seu pequeno apartamento lhe proporcionava, uma sensação que não mais sentia naquele lugar – Eu só...

- O quê? Pode falar.

- Meus amigos estão na cidade vizinha fazendo um trabalho, e eu pensei que poderíamos tê-los no seu jantar de noivado. Eu sei que é uma ocasião mais familiar, mas... Eles são a minha família.

Doeu ouvir aquilo, porra, doeu bem no fundo do coração de Min Chungha. Mas ela havia perguntando, não havia? Deveria está preparada para lidar com tais fatos, porém não estava. Amava seu irmão, com todo o seu coração, mas estava começando a habituar-se em pensar nele como só um parente e ela não queria isso, porque Chungha não ligava para eles, na verdade, ela chegava a odiar alguns muitos. Ela amava a sua família e queria vê-lo sempre como família, mas doía perceber que talvez não fosse parte da família do irmão. Doía pensar que qualquer que tenha sido a verdade sobre sete anos atrás, Yoongi vivia ainda sob as sombras daquilo ao ponto de repelir qualquer coisa que o fizesse se lembrar do seu passado.

Doeu até mesmo pensar que ele estava ali mais por obrigação do que por vontade, porque não queria magoa-la e se forçou a comparecer ao seu casamento. Sentiu-se tão miserável em pensar tal coisa que sequer teve coragem de perguntar. Não aguentaria uma resposta positiva aquilo.

Forçando suas emoções garganta abaixo, Chungha forçou um sorriso no rosto agradecendo por conseguir fingir um sorriso tão bem.

- E quem... Quem são esses amigos?

- E o Jungkook-hyung e a Hobi. Eles são boas pessoas, prometo a você, não vão arrumar confusão e eu ficaria agradecido em tê-los nesse primeiro momento, seria... Menos difícil.

- Claro, eu entendo. – com um sorriso trêmulo, ela se colocou de pé desinteressada no filme que assistia e na conversa com Yoongi. Estava tarde de qualquer forma, precisava trabalhar ainda no dia seguinte mesmo sendo seu jantar de noivado e teria muita coisa a organizar até às 20h da noite. Sentia-se exausta. – Pode convidá-los, serão muito bem vindos.

- Obrigado, Chungha-ah.

- Não há de quê. – acenou sem olha-lo. Desejou um boa noite, porém não deteve coragem de olha-lo e só foi para seu quarto sem falar mais nada. A noite havia sido de grandes emoções e ela precisava relaxar um pouco para lidar com todas elas.

***

Yoongi deu uma tragada no cigarro, enchendo os pulmões de fumaça e o organismo com a nicotina da droga. Suas narinas se expandindo a medida que ele expelia a fumaça pelo nariz, o cigarro de menta aceso entre o dedo indicador e médio, suas costas apoiadas contra a porta de fundo da cozinha e o celular contra a orelha enquanto ligava para a melhor amiga. Era por volta das 22h da noite e ele já tinha fumado dois cigarros desse que sua irmã o deixou sozinho depois da conversa tensa dos dois.

Chungha tinha lhe deixado pensativo com a conversa nada fácil de minutos antes e Yoongi só queria se livrar da expressão dolorida que a irmã tinha no rosto ao se afastar. Nunca, em todos aqueles anos, passou pela sua cabeça o quanto podia está sendo egoísta em se afastar de tudo sem ligar para o sentimento alheio. Não ligou para como seu pai ficaria ou se sua mãe estaria sem o filho, em como seus irmãos cresceriam ser estar por perto ou como todo mundo que um dia fez parte da sua vida, poderia muito bem viver sem tê-lo por perto. Esteve tanto tempo brincando de esconde-esconde que todos cansaram de procurá-lo e o único responsável por tal coisa era ele mesmo.

Era jovem e inconsequente naquela época, porém aquilo já tinha passado e ele podia ter agido de outra forma. Mas Yoongi só pensou em se esconder por pura vergonha de tudo sem ligar para nada. Vergonha do que fez e vergonha, também, do que deixou de fazer. Mágoa das suas ações e das ações de outros. A mais pura e patente tristeza porque não havia nada naquilo que não fosse triste. Se machucou muito naquela época, sofreu quando todos lhe viraram as costas, se sentiu sozinho e abandonado, claro que se sentiu, mas não podia dizer que parte disso não foi culpa sua, porque foi. Ele também machucou, ele também magoou, ele também agiu muito, muito mal. Tinha consciência disso e a parte mais difícil de voltar aquele lugar era ter que ligar com a culpa dos acontecimentos. Não isentava ninguém de assumir suas próprias responsabilidades, jamais faria isso, porém também não dava para se fazer de inocente durante toda uma vida sabendo que não era.

Era complicado. Tudo era uma grande complicação e ele nem sabia por onde começar para resolver tudo aquilo. Queria conversar com Taehyung, conversar com ele e pedir desculpas, sei lá, ser sincero pelo menos uma vez na vida. Mas não sabia se o Kim queria sequer olhá-lo e não podia tirar isso dele. Se os papéis tivessem invertidos, e se fosse ele no lugar do Kim, sinceramente, também não iria querer ouvi-lo. Acharia que qualquer palavra que saísse da sua boca era mentira e uma completa enganação. E era disso que tinha medo, de Taehyung não acreditar em si quanto ele tinha todos os motivos para assim não fazer.

O celular contra sua orelha ainda indicava que a chamada estava em andamento. Deu mais uma tragada no cigarro erguendo o queixo para expulsar a fumaça agora por entre os lábios. Não sabia quando aquele vício havia de fato começado, havia experimentado uma ou duas vezes cigarro, talvez tenha fumado até maconha com o melhor amigo do ex na época do colegial, mas cigarro não sabia. Quando saiu do exército e começou a faculdade, ele mudou muita coisa em si, pintou o cabelo pela primeira vez e fez a primeira tatuagem, provavelmente fumou o primeiro cigarro de fato nessa época, não lembrava, e mesmo que aquela merda lhe matasse mais rápido a cada tragada, ele não conseguia parar. Era como uma filosofia doentia por trás de tudo aquilo que ele buscava desesperadamente compreender o sentido.

Quando deu a terceira tragada, enfim a chamada foi atendida e a voz da sua melhor amiga lhe encheu os ouvidos no segundo seguinte. Hobi era uma garota doce e era sempre muito bom ouvi-la falar com aquele tipo certo de tom e voz. Amava aquela garota da mesma forma que amava sua irmã de sangue, não conseguia vê-la de outra forma se não com admiração e carinho.

- Gi-oppa...

- Oi. – a voz dele saiu inabalável e sem inclinação alguma sobre seu estado. Yoongi tentava, ainda, compreender como alguém tão morto por dentro tinha capacidade de falar.

- Boa noite, você ligou tarde.

- Desculpa, te acordei?

- Hum, na verdade não, acabei de chegar do evento, estou tirando a maquiagem enquanto o JK toma banho... Espera um segundo. – Min forçou o nariz quando ouviu um barulho alto contra o fone do telefone como se ela estivesse mexendo nele, coisas caindo e sendo empurradas. Uma zona completa. – Pode falar agora, coloquei no viva voz. Pode falar, aconteceu alguma coisa?

- Encontrei meus ex-sogros. – disse como se aquilo não significasse nada, um tom muito desleixado em sua voz, muito mais do que gostaria de demostrar. Hobi sentiu aquilo, mas não comentou nada só questionando como ele tinha se sentindo a respeito – Foi estranho, não sei explicar. Ainda é estranho está aqui, rodeado dessas pessoas que eu jurei nunca mais ter por perto. Ele até brincou um pouco tentando tirar onda dos meus piercing, mas ela me olhava como se pensasse “ainda bem que meu precioso filho não ficou com esse fudido do caralho”.

- Você encontrou com ele?

- Não, e estou começando a achar que nem quero encontrar. Eu... – a voz morreu e ele respirou fundo quando aquilo incomodou em no fundo da sua alma. Pensar a respeito lhe deixava nervoso e inseguro, triste de verdade e ele se viu prestes a colocar aquilo para fora depois de sete anos guardando aquilo para si. – Tenho medo que ele tenha me esquecido, construído uma vida com outra pessoa, não sei, essa caralho nem faz a porra de sentido, mas eu estou morrendo de medo de olhar pra ele enfim ter a certeza que nada está mais como antes.

- E o que você pretende fazer, no entanto? Sabe que não vai poder se esconder por muito tempo, ele deve ir ao jantar de noivado da sua irmã.

- Não me preparei psicologicamente pra isso. – foi sincero porque não precisava mentir para melhor amiga, nunca precisou e não comeria a testar logo agora. – Essa merda é foda e eu acabei magoando a minha irmã com isso.

- O que você fez?

- Agi como se tivesse sido um erro vim para seu casamento, me sinto um monstro.

- Você vem se sentindo assim por muito tempo.

- Eu errei muito, Hobi-ah, você sabe.

- Sim, e talvez essa seja a sua chance de concertar tudo, o que você tem a perder se tentar?

Yoongi quis listar a amiga o que perderia caso tentasse, quis deixá-la ciente de toda as suas aflições e medos. Porém não havia nada ali que a Hobi já não soubesse e ele acabou preferindo se calar. Aquela ladainha era velha ao ponto de ter se tornado chata, ninguém mais aguentava ouvir e nem ele gostava de falar. Não havia mais sentido algum e Yoongi sabia, por isso ele engoliu qualquer argumento garganta abaixo sem querer se prolongar naquele detalhe tão ínfimo para muitos. No final, ele sabia, não iria valer a pena o desgaste.

- Você precisa parar de temer coisas que nem aconteceram ainda. – ela continuou para desespero do seu melhor amigo. – Ninguém merece viver uma vida inteira com culpa e mágoa, você não merece isso, Gi-oppa, então, já que existe uma chance de mudar as coisas, pare de tentar lutar contra isso.

- Vou pensar, não se preocupe com isso. – Hobi não tocou mais no assunto, soltando um som de compreensão pelas narinas, cansada de já ter tentado fazer tal coisas mais vezes do que parecia apropriado. Não era mãe de Min Yoongi, e tinha que parar de agir como se fosse, como se tivesse que cuidar e proteger ele o tempo todo quando não era de tal forma. Yoongi era um homem crescido que não devia ter ninguém passando a mão em sua cabeça quando ele não merecia, e ela sabia que aquele era um desses momentos. – Mas não te liguei pra isso, de qualquer forma.

- E para o que foi? – deu-se para ouvir o barulho de alguma porta se abrindo e em seguida a voz de Jungkook perguntando quem era ao telefone e sua namorada respondendo ser o Yoongi.

- Olá, Gi! – a voz saiu mais próxima do telefone e Yoongi sorriu depois de puxar outra tragada no cigarro já quase no fim. – Como anda indo as coisas?

- Olá, hyung. Acho que as coisas estão indo mal para um cacete, se quer saber.

- Você está sendo dramático, oppa!

- O foda é que não estou. – deu de ombros jogando a bituca longe no meio do jardim, seus dedos desenhados foram para entre os seus cabelos bagunçando sobre sua cabeça enquanto ele procurava uma posição melhor do que aquela em pé contra a porta. – Eu não me encaixo nessa porra de lugar, me sinto um merda.

- Eu não vou mais me desgastar falando o óbvio. – a voz da Hobi saiu misturada com o riso solto do Jeon, e um suspiro longo do Min. Doce, porém também, estressadinha como poucas. – Agora me fala, deixa de enrolar, por que ligou? Pensei que estava cansado e iria dormir cedo, aposto que nem dormiu noite passada.

- E não dormi mesmo arrumando as coisas e surtando como um fudido por está voltando para cá. Mas então, já que estão bem aqui do lado, você bem que poderiam vim para o jantar de noivado da minha irmã só para me fazer companhia, o que me dizem?

- Eu não sei, Gi, parece ser um momento em família e não acho que caiba nós dois – Jungkook falou para o desespero de Yoongi. Jeon costumava ser muito racional, racional até demais, não era a toa que ele era o ponto de equilíbrio para os sonhos fantasiosos da namorada e Yoongi sabia que o foi lhe dito não era nenhum absurdo. Era um jantar de noivado realmente pequeno para um número ínfimo de pessoas que compareceram a um casamento também pequeno, seria gritante os dois pontos distintos no meio de tanta gente conhecida. – Acho melhor deixar pra uma outra ocasião.

- Eu conversei com minha irmã, ela não viu problema algum nisso.

- Mesmo assim...

- Hyung, eu não vou conseguir fazer isso sem ter apoio, não dá, eu achei que iria conseguir, mas veja só, eu sou um fudido do caralho que está morrendo de medo e eu não consigo encarar isso. – respirou fundo, trêmulo – Provavelmente amanhã eu vá ver ele e não sei se consigo fazer isso sozinho.

- Gi, você tem que enfrentar isso, cara, chegou a hora de você fazer isso.

- Eu sei, hyung, mas é que... Eu sei que machuquei muito ele e sei que quando contar tudo, Taehyung pode ficar ainda mais chateado, só queria um apoio nesse primeiro momento. Depois eu me viro, mas eu não sei o que me espera. Por favor, vocês vem no café e ficam para o jantar, depois eu deixou vocês livres de mim.

Houve um silêncio do outro lado da chamada e Yoongi imaginou que eles tivessem fazendo aquele lance de casal que os dois sempre fazia, conversando sem usar uma única palavra. Sabia que talvez tivesse pedindo muito aos amigos, nenhum deles tinham obrigação de estar ao seu lado ainda mais que haviam deixado Jimin com a mãe da Hobi e o Min sabia como era difícil para eles sair e deixar o garoto. Era absurdamente difícil para Jungkook. Mas Yoongi não sabia mais o que podia fazer porque estava surtando a um nível inimaginável só com a ideia de reencontrar Kim Taehyung. Não sabia como ele estava, o que tinha acontecido em sua vida nos últimos anos e vinha morrendo de medo de encontrar algo que não lhe agradasse.

Podia muito bem perguntar aos pais ou a Chungha mas não queria ter que lidar com a reação deles seja lá qual fossem. Podia, também, perguntar a Yohan, mas não aguentaria o olhar de pena e ressentimento que o seu irmão mais velho sempre lhe direcionava quando tocavam no assunto, ele sabia de tudo e na mesma medida que sentia muito pelo irmão, também ficava irritado em como ele agiu. Ou seja, não havia como ele saber sobre o Kim por meio da sua família e sofrer com as incertezas era a pior parte para ele. Sempre foi.

Nos últimos sete anos da sua vida, Min Yoongi, dia após dia, sofria com todas as incertezas de uma história que poderia ter sido fantástica, porém não foi. De uma relação que tinha tudo para duradoura, mas durou menos do que se estavam esperando.

Era tudo tão triste e pesaroso que ele não sabia se tinha estrutura para lidar com tudo sozinho.

Um barulho soou do outro lado da chamada trazendo a atenção de volta ao que estava fazendo inicialmente, seus dedos mais uma vez entre seus cabelos na tentativa falha de colocá-los no lugar cada vez que uma suave brisa da noite os desarrumavam.

- Não podemos passar o fim de semana todo, Gi-oppa, o Jimin está esperando a gente em casa e não queremos deixá-lo sozinho por muito tempo, mas vamos para o jantar. Será bom conhecer sua família, de qualquer forma.

- Porra! Caralho! Foda, muito, muito obrigado, eu não sei...

- Yoongi? – a voz de sua mãe o tirou de imediato da sua onda de comemoração o fazendo se calar no mesmo instante. Olhando para cima do ombro, ele pode vê-la parada perto da porta da cozinha, vestida com sua camisola de dormir e um hobby por cima. Os cabelos presos e o rosto livre de maquiagem. – Eu vi a luz acesa e quis chegar o que era... Você estava fumando?

- Hum... Sim?

- Dá pra sentir o mal cheiro de longe. – reclamou apertando o hobby ainda mais contra o peito, o nariz se franzindo porque realmente tinha um cheiro forte de tabaco – Olha, eu não fico muito feliz em vê-lo fumando, mas, por favor, se pretende continuar com isso, que não seja dentro de casa, combinado?

- Sim, desculpe.

- Não vai dormir tarde. – ela abriu um sorriso doce se aproximando o suficiente para lhe dar um suave beijo na testa, daquele carinho de mãe que só uma mãe era capaz de proporcionar. O cheiro dela, o toque, o carinho. Algo que só podia vim dela e que Yoongi só percebeu que sentia falta depois que enfim voltou a vê-la depois de tanto tempo longe. – Estou feliz em ter você aqui, filho. A mãe estava com saudades, passarinho.

- Eu também, mãe.

- Amo você. – deu mais um beijo, dando um tapinha na bunda dele antes de se afastar – Não esquece de apagar a luz quando subir.

Ele ficou em silêncio enquanto via a mãe subir as escadas em direção ao quarto. Quando enfim Naeun sumiu das suas vistas, tudo que ele conseguiu foi suspirar bem fundo, derrotado.

- O que porra tô' fazendo? – foi tudo que falou para o celular ainda preso em sua orelha. Seus amigos não sabiam o responder.

***

Naeun entrou no quarto quieta, as mãos agarrando o hobby ao redor de si e uma expressão lívida em seu rosto. Dava-se para ouvir de longe as engrenagens do seu cérebro raciocinando enquanto pensava enquanto suas sobrancelhas se franzia naquele ato tão típico. A mulher tinha ouvido parte da conversa dos filhos no final daquela noite, havia descido para pegar água e acabou ouvindo um pedaço do que diziam e isso, somado ao que acabara de ver na cozinha, deixava seu coração de mãe aflito.

Passou tempo demais longe de Yoongi para ainda conseguir desvendar com apenas um olhar o que estava acontecendo. Claro, ainda era mãe, ainda tinha seus instintos aguçados como na vez que ele torceu o tornozelo e ela sentiu um aperto forte no coração até conseguir falar com ele. Era muito sensitiva com os três filhos, não dava para explicar, mas era como se sentisse uma premunição e um aviso quando algo não estava indo bem. Mas, tirando isso, era como se o seu vínculo com Yoongi estivesse desfeito o suficiente para sequer conseguir ler o que se passava com ele. E isso não era bom porque Yoongi era parecido demais com o pai e Yoseob era muito, muito difícil de se deixar mostrar o lado mais frágil. Sofria sozinho e demorou bastante para que ele permitisse que sua esposa pudesse lhe ajudar. O filho era do mesmo jeito e isso não era um elogio.

Entrou no quarto e fechou a porta dado apenas uma volta na chave – pegou esse hábito desde que os filhos eram pequenos e queria evitar que entrassem no quarto sem aviso, mas também, que não houvesse muito empecilho para chegar até eles caso fosse preciso – tirando o hobby e pendurando no suporte atrás da porta. Movimentos milimetricamente executados que não passou despercebido pelo seu marido deixado na cama, usando os óculos de leitura enquanto lia mais um capítulo do seu novo livro de cabeceira.

- Aconteceu algo, querida? – a voz dele saiu suave fazendo com que Naeun lhe olhasse de imediato. Sua sintonia com o Min sempre havia sido boa desde a época do namoro, certo que seu temperamento sanguíneo as vezes destoava do temperamento fleumático dele, mas sempre se davam bem. Em tudo era sempre assim, enquanto ela estava sempre tendo que lidar com mil em uma emoção ao mesmo tempo, ele se mantinha calmo e tranquilo. Nas brigas, por exemplo, ela era sempre quem gritava e chorava enquanto ele tentava apaziguar as coisas, na criação e nos problemas com os filhos também não ficava longe. Em se tratando de Min Yoongi, eles também não mudavam o jeito de ser no modo como agia em reação ao homem.

- Não é só que... – ela suspirou se aproximando do seu lado na cama, tomando seu canto sob as cobertas enquanto era olhada atentamente pelo marido. – Estou preocupada com o Yoongi.

- Não acha que ele está grande demais para isso?

- Não tem como não se preocupar com um filho, Seob, você sabe.

- Sim, eu sei. – deixando o livro e os óculos de leitura na mesinha de canto, ele fez um movimento puxando a esposa para seus braços, a abraçando por trás apoiando Naeun contra seu peito – Mas me fala, o que está te preocupado?

- Será que foi uma boa coisa ele ter vindo pra cá? Quer dizer, eu estou feliz em tê-lo em casa, lógico que sim, passamos sete anos sem nem mesmo vê-lo pessoalmente e eu já não aguentava de saudades. Mas será que foi uma boa ele vim pra casa?

- Por conta do Taehyung?

- Por conta de tudo. – suspirou abraçando os braços do marido que estavam em torno de si. Ainda amava tanto aquele homem, amava desde que quando era nova e se descobriu perdidamente apaixonada por ele. Amava com a mesma intensidade e nem mesmo quando eles se viram sozinhos naquela casa, com os filhos crescidos e sem mais as preocupações corriqueiras, ainda sim, o amava. – Eu ouvi uma conversa que ele teve com a Chung.

- Querida...

- Não foi porque quis, eu desci para pegar água e ouvi um pouco. – defendeu-se porque Naeun já tinha ouvido poucas e boas com essa mania de ouvir as conversas dos filhos as escondidas. Já tinha ouvido coisas que jamais estaria preparada para ouvir. – Ele disse que não se encaixa mais aqui, que se sente um estranho e que... Não sei, querido, mas dói saber disso, entende? Que esse lugar se tornou tão ruim para ele.

- Será que isso tem haver com o que aconteceu entre ele e o Taehyung? Dar-hu estava conversando comigo hoje a noite, de que talvez a história deles não tenham acabado e que, diferente do que aconteceu anos atrás quando ele se sentia na missão de defender o filho, dessa vez deixaria os dois resolver sozinhos.

- Não acho que o Taehyung-ah vá querer ouvir o Yoongi, você sabe bem como ele fica desconfortável falando nesse assunto e não tiro o direito dele, tem pessoas que preferem não mexer na mágoa. Você é uma essas, quando algo te machuca ou te chateia, você só quer falar quando para de sentir isso, quando esquece e talvez o problema dele esteja aí, ele não consegue esquecer.

- Você acha que ele tem motivos para isso? – aquela foi a primeira vez que Min Yoseob fez aquela pergunta e isso fez com que sua esposa se afastasse só para olha-lo. Tinham conversado a respeito daquilo, vez ou outra, raramente, falavam, mas ele mais ouvia do que opinava. Vê-lo levantar aquele tipo de questionamento a deixou particularmente curiosa sobre os motivos.

- Como assim?

- Será mesmo que o Taehyung-ah tem motivos para se sentir assim? Será que Yoongi errou mesmo com ele ou foi só um mal entendido?

- Eu não sei, não dá para saber o que de fato aconteceu naquela noite e o que foi ou não visto, eles nunca falaram muito a respeito.

- Não acho que o Yoongi tenha traído o Taehyung-ah, quer dizer, ele era doido por aquele garoto, acho que ainda é, então como se envolveria com outra pessoas assim? Na minha cabeça não faz sentido.

- Já eu acho que ele tenha traído, sim, eu conheço meus filhos, Yoseob, e por mais que isso não faça sentido, o choro de Yoongi naquelas noites ia muito além de mágoa por ter sido rejeitado. Ele se sentia culpado, eu pude ver isso nos olhos dele, havia culpa ali e eu jamais tinha visto aquilo nele. Eu não sei o que aconteceu naquela noite, e sim, pode ter sido um mal entendido, mas na minha cabeça, não foi por algo aleatório. Não acho que ele queria que as coisas acabassem daquela forma ou que ele seja ruim, mas também não sei se acredito que ele é totalmente inocente. Havia todo um contexto por trás que ele nunca contou.

- E pelo visto nunca vai contar. – disse suave puxando ela para seus braços mais uma vez – Não pense muito nisso, meu bem, Yoongi é adulto, Taehyung é adulto também e se tiverem de resolver isso, vão resolver. E no que diz respeito a Yoongi está ou não feliz aqui, vamos deixar que ele mesmo nos diga isso. Não sofra pelo incerto, não mais.

- Difícil, mas vou tentar – e assim encerrou a conversar com um suspiro derrotado.




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...