História Butterfly Effect - Capítulo 1


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Categorias Haikyuu!!
Personagens Akaashi Keiji, Asahi Azumane, Bokuto Koutarou, Daichi Sawamura, Hajime Iwaizumi, Kei Tsukishima, Kenma Kozume, Lev Haiba, Shouyou Hinata, Tadashi Yamaguchi, Tetsurou Kuroo, Tobio Kageyama, Tooru Oikawa, Yaku Morisuke, Yuu Nishinoya
Tags Asanoya, Daisuga, Haikyuu, Haikyuu!au, Iwaoi, Kagehina, Kenhina, Kenma, Kuroken, Kuroo, Levyaku, Shimiyachi, Tsukkiyama
Visualizações 92
Palavras 3.286
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Comédia, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Bom, sejam bem-vindos a minha primeira fanfic e...
Okay, quem eu quero enganar? Obviamente não é minha primeira fanfic, claro, se formos contar toda a minha trajetória no Spirit.

Sério, eu estou morrendo de medo de postar essa fanfic, afinal, eu tenho amigos da vida real acompanhando meu perfil por aqui e digamos que O BULLYING É REAL, mas tudo bem, eu aceito ser zoada se puder trazer fanfics para esse lugar.

Bom, é minha primeira fanfic realmente Yaoi, então eu realmente espero que apreciem, sabe :^

Aliás, existirão dois "inícios" de fanfic, um na visão do Kenma e outro na do Kuroo, como se fosse os dois primeiros episódios da sexta temporada de RuPaul's Drag Race, sabem?

Então, pois bem, boa leitura!

Capítulo 1 - Prólogo;; Parte 1.


Fanfic / Fanfiction Butterfly Effect - Capítulo 1 - Prólogo;; Parte 1.

Ser um modelo não era algo que odiava, porém, era impossível afirmar que amava toda aquela rotina – extremamente cansativa, em sua visão –. Acordar cedo e ser impedido de ficar a noite toda acordado zerando algum novo jogo que havia comprado eram atividades que Kenma realmente detestava. Ou melhor, parando para pensar um pouco sobre as coisas que não gostava em sua profissão como modelo, bom, realmente sua lista era bastante extensa. Não apreciava ser impedido de comer guloseimas — o que acarretava em tentativas em escondido de ingerir seu tão amado açúcar — que sempre eram substituídas por refeições saudáveis – As quais em sua visão eram apenas plantas, as quais, às vezes, podia garantir ainda possuírem gosto de terra – e também odiava ser obrigado a fazer atividades físicas, afinal, nunca se dera bem com as mesmas, porém, sobre o pretexto de possuir um corpo saudável — coisa extremamente essencial em qualquer modelo, ao menos na agência em que trabalhava —, acabou sendo obrigado a fazer todos aqueles esforços cansativos e "inúteis". Porém, com toda a certeza, a coisa que mais o desanimava em continuar – Inclusive, já havia pensado em desistir diversas vezes de ser um modelo por conta deste fator – era toda a atenção que recebia. Kenma sentia-se engolido por todas aquelas pessoas que o rondavam — às vezes, sentia-se uma presa próxima da morte, sendo cercada por inúmeros corvos que grasnavam todos os segundos, nunca fazendo silêncio e o deixando em paz —, todas aquelas mãos que tentavam desesperadamente o tocar — ou enforcar, Kenma nunca descobria a real intenção por trás delas —, odiava as mídias comentando sobre todas as coisas que fazia – principalmente as erradas, embora tais fossem poucas – e o desgostava saber que tudo aquilo o expunha de uma maneira irritantemente eficiente.

Ao menos, todo o seu esforço era recompensado quando se deparava com alguns momentos específicos. Os mesmos eram calmos e tranquilos — tal como sua personalidade — e, perante a isso, sentia-se bastante satisfeito ao perceber que, naquele instante, usufruía de um destes momentos. Em seu quarto – deveras grande, fator que julgava desnecessário, afinal era pequeno demais para ocupar todo o espaço existente ali –, deitado em sua cama – a qual era de casal, mesmo que dormisse sozinho e no momento estivesse solteiro –, embolado em meio a cobertores de diferentes tons – embora que, entre as cores, o vermelho era o predominante sem sombra de dúvidas –, enquanto jogava – apenas para passar o tempo, aparentemente – algo em seu Playstation. O console encontrava-se não tão distante da cama, afinal, podia ser visto em um móvel de madeira maciça, enquanto que, pendurada na parede — a qual possuía um belíssimo tom gelo —, uma enorme televisão rodava a jogatina de Kenma, que fazia tudo com o maior cuidado possível para realizar sua missão momentânea — momentânea pelo simples fato de que sabia que em algum momento ficaria com ódio de algum dos personagens do jogo e o mandaria para a morte —: deixar todos os personagens vivos sem precisar procurar um detonado do jogo — pois considerava isso "sem-graça" —.

Suas intenções, entretanto, foram destruídas no momento em que ouviu seu celular tocar, soando pelo quarto uma música bastante conhecida pelo jovem — tanto pelo fato de ser sua canção preferida de sua banda favorita, quanto pelo fato de que aquilo era um toque específico que indicava apenas uma coisa: Hinata o ligava. E digamos que o pequeno raio de Sol o ligava sempre que tivesse a oportunidade para tal, ocasionando em ligações diárias —, que acabou deixando de prestar atenção em seu jogo por um breve instante e não percebeu quando errou o timing de apertar o botão que o jogo mandava, fazendo com que uma das personagens acabasse morta de maneira no mínimo brutal.

Irritado, pausou o jogo e lentamente retirou-se do meio do amontoado de cobertas que existia sobre si, sentindo um arrepio subir por seu corpo inteiro ao sentir seus pés descalços entrarem em contato com o chão frio, causando um choque de temperaturas. Breves momentos depois, a sensação do choque havia passado e, sem mais nada para o impedir de caminhar pelo cômodo, andou pelo quarto em passos rápidos e silenciosos, brincando com suas unhas – extremamente bem-cuidadas – durante a curta trajetória que percorria.

Segundos depois, Kenma finalmente fora capaz de alcançar o local em que seu celular – que vibrava intensamente por conta da ligação – encontrava-se: uma escrivaninha totalmente branca, arrumada, mantendo em sua superfície apenas uma pequena luminária – a qual, na opinião de Kenma, iluminava o equivalente a nada – e alguns livros de seu interesse, além, claro, de seu celular. Aproximou sua mão do aparelho, pegando-o em seguida.

Deslizou o dedo pela tela touch screen de seu celular, atendendo a ligação que recebia, posicionando o aparelho perto de sua orelha esquerda logo em seguida.

– Shouyou, você sabe que eu aprecio bastante suas ligações, porém, aprecio-as ainda mais quando são importantes. Shouyou! Eu estava jogando Until Dawn e você me fez matar a Emily sem querer, eu realmente espero que o seu motivo seja importante! – Kenma dizia para o celular com um tom levemente irritado — embora falso —, antes mesmo de deixar o amigo de longa data iniciar a conversa — como geralmente acontecia —, impendindo-o, consequentemente, de contar o que gostaria para o Kozume.

– Kenma, isso é sério. – A voz de Hinata era lenta e preocupada, sua respiração, mesmo que por detrás de um aparelho, obviamente demonstrava estar ofegante, desregularizada. Naquele momento, sua voz não demonstrava qualquer indício — o mínimo que fosse — de sua animação cotidiana. Okay, alguma merda muito fodida havia acontecido para deixar Hinata naquele estado.

– O que aconteceu, Shouyou? – Kenma agora soava apreensivo e nervoso, afinal, se aquilo havia tirado a animação corriqueira de Hinata, o que poderia fazer com sua compostura calma e tranquila que não passava de uma mera faixada para esconder uma personalidade frágil e vulnerável?

– Um site, Kenma! – Iniciou, dando ênfase na palavra "site", como se fosse a coisa mais horrível existente em todo o mundo. – A porra de um site! – Okay, se a coisa havia sido tão séria ao ponto de fazer o pequeno pedaço de Sol caído na Terra — como costumava chamar Hinata — soltar uma palavra de baixo calão como aquela, realmente deveria se preocupar com o que estaria por vir.

– O que esse site fez, Shouyou? – Kenma disse e, embora estivesse com sua voz cotidiana: calma e contida, consideravelmente baixa por conta do enorme carregamento de preocupação que tentava esconder, ainda se sentia com medo do que poderia ter acontecido.

– E-eu vou te mandar o link do site, okay? Espera. – E assim, Hinata desligou a ligação, provavelmente para buscar com mais calma o link falado, deixando Kenma ainda mais apreensivo.

Segundos depois, Kenma sentiu seu celular vibrar em sua mão. Havia sido uma mensagem de Hinata, e, aparentemente todo o seu conteúdo baseava-se em apenas uma coisa: o bendito – ou não – link que havia sido mencionado há pouco. Temeroso, pressionou seu dedo indicador sobre a mensagem, e, logo em seguida, deparou-se com o motivo de preocupação do melhor amigo.

Era um site de notícias, recheado de fofocas sobre famosos de todo o mundo — predominantemente os nascidos na América —. A matéria que caiu após ser direcionado pelo link, no entanto, foi capaz de fazer Kenma perder totalmente sua compostura e sentir-se tonto, buscando o apoio em uma das paredes do quarto, encontrando-o momentos mais tarde, deixando-se escorregar até cair sentado no chão — que não parecia mais tão frio quanto antes —. Em letras garrafais o jovem conseguia ler o nome da notícia: “Kozume Kenma assume homossexualidade!”.

– Não, não, não... – Sussurrava para si mesmo, com os braços sobre sua cabeça, como se buscasse se proteger de algo que o iria machucar, embora estivesse sozinho em seu quarto.

Não tinha certeza de quanto tempo havia ficado naquela posição, balançando seu corpo para frente e para trás, para um lado e para o outro, com os olhos fechados, enquanto apertava com certa brutalidade os fios de cabelo que se encontravam no topo de sua cabeça, os quais, além disso, possuíam a tonalidade preta, afinal, haviam crescido em seu tom natural. Sua cabeça não assimilava o tempo, porém, sabia que fora bastante, afinal, tinha sido o suficiente para fazer com que Hinata decidisse ir à sua casa ver se estava tudo bem consigo – aproveitando possuir a cópia das chaves do lugar –. Quando chegou, deparou-se com a cena deplorável que Kenma se encontrava. Hinata não sabia exatamente o que fazer naquela situação, assim, apenas abraçou o amigo mais velho, que sentia como se o próprio brilho do Sol o tivesse envolvido gentilmente, como durante as manhãs que observava a enorme estrela nascer no horizonte – coisa que havia se tornado um hábito –.

– Kenma, se acalme. – A voz de Hinata soava baixa, como um sussurro, quase como em um misto de preocupação e afetividade pelo rapaz. Não gritava animadamente assim como sempre, como se não quisesse assustar ou espantar o amigo mais velho, que agora já deixava de tremer e aos poucos abandonava sua pose que apresentava a faceta que ele mais gostaria de esconder em todas as situações e de todas as pessoas: a frágil e vulnerável.

– Shouyou... Eu... – Kenma pausou sua frase, afastando-se do abraço do mais novo e enxugando algumas lágrimas que haviam escorrido por seus olhos — os quais encontravam-se vermelhos por conta de seu choro — com as costas de sua mão. – Estou bem, não se preocupe, foi apenas um... Choque. – Tentou dar um sorriso tranquilizador para o amigo, porém, por ainda estar sobre os efeitos de sua "crise", acabou apenas por liberar um dobrar de lábios torto, como se nem ele acreditasse em suas palavras encorajadoras — algo que condizia com a realidade —. Hinata o encarou, obviamente não havia caído nas palavras mentirosas de Kenma, porém, como sabia que não poderia — muito menos queria — contestar o rapaz, limitou-se em soltar um suspiro cansado.

– Kenma, você realmente precisa treinar mais seus sorrisos. – Hinata disse em tom de brincadeira, mesmo que, no fundo, fosse realmente um alerta amigável de Shouyou que ajudaria o amigo no futuro. Kenma, em contrapartida, sentiu suas bochechas esquentarem na medida em que iam corando, afinal, mesmo que fossem ótimos amigos, Kozume não achava realmente agradável mostrar o seu lado mais frágil para os outros.

– Certo, certo, Shouyou. – Mexia sua mão para cima e para baixo, dizendo com ações que havia desistido de discutir aquele tema. – Ah, Shouyou, eu não terminei de ler a notícia, sinto muito. Um momento. – Aproveitou a deixa para voltar para a cama, onde jogou-se de maneira espalhafatosa, sorrindo da maneira mais gentil possível em seguida, tentando tranquilizar Hinata que o lançava um olhar desconfiado, como se não confiasse que tudo ficaria bem se Kenma lesse o restante da notícia, porém, embora contra a idéia, Shouyou não se manifestou e deixou com que o mais velho prosseguisse com aquilo.

Agora, consideravelmente mais calmo, finalmente podia ler as palavras digitadas naquela matéria com a clareza necessária.

“Kozume Kenma, 23, um modelo em ascensão, nesta segunda-feira (xx/xx/xxxx), ao responder à uma mensagem de um fã em sua rede social mais ativa, o Twitter, acabou por revelar sua preferência sexual, coisa que surpreendeu diversos de seus fãs.”

Deslizou seu dedo indicador pela tela do celular, buscando ler o restante da notícia, enquanto que, com certa curiosidade, tentava se lembrar qual havia sido o tal tuíte tão mencionado pela matéria. Kenma, que até então apenas lia algumas palavras perdidas da matéria, liberou um baixo suspiro ao se deparar com o que buscava, finalmente se lembrando do momento em que havia postado aquilo.

???

@Kenma_Kozume, você está namorando?”

E, aos poucos, Kenma percebia que sua mente ia se clareando, enquanto algumas memórias do momento em que respondera aquela pergunta brilhavam em sua cabeça.

Kenma_Kozume

@???, não, não estou namorando. Se quiser entrar na fila, pode vir, contanto que não seja uma garota, claro. Não me interesso por elas.”

Okay, finalmente havia se lembrado do que havia postado em resposta ao fã. Suspirou pesadamente, tentando buscar em sua memória qual fora o motivo de ter respondido aquela pergunta de tal forma e... Ah, é mesmo, Kenma estava respondendo tuítes bêbado naquele dia. Droga.

– E-eu... Droga. – Suspirou pesadamente. Realmente fora uma idéia bastante estúpida responder tuítes bêbado, porém, estava feito e o fator de que sua sexualidade havia sido “vazada” – não gostava deste termo, porém, era o único que conseguia pensar no momento – por todos era imutável, por isso, tudo que podia fazer era aceitar, embora que, com isso, algumas dores-de cabeça seriam impossíveis de escapar.

– Hey, Kenma, não se preocupe, isso não te afetará em nada, sério! – Hinata olhava para Kenma compenetrado, devoto a não deixar nada afligir o melhor amigo. – Ah, mas agora eu preciso ir, desculpe! – Shouyou, sem sequer dar o devido espaço de tempo para que Kenma o respondesse, apenas levanta-se do chão com um sorriso constrangido — resultado de precisar "abandonar" o amigo naquele momento —, correndo em direção a porta e, em pouquíssimos segundos, Hinata já se preparava para partir.

– ... A-até amanhã, Shouyou. – Sussurrou o maior, sorrindo de maneira contida – quase demonstrando uma leve tristeza que remanescia em seu peito – ao perceber o óbvio: provavelmente sua frase não havia chegado aos ouvidos do amigo. Não que se importasse ou o ferisse de qualquer forma, afinal, estava acostumado em ter sua existência ignorada, apesar de tudo. Acostumado a ser um “ninguém” – ao ponto de acreditar ser esse o motivo de detestar com todas as suas forças a fama que recebeu ao se tornar um modelo –.

E, momentos após a partida daquele pequeno, veloz e brilhante furacão chamado Hinata, Kenma se deu conta – finalmente – de um importante fato: estava sozinho novamente, sem ninguém para se apoiar... Assim como sempre.

Pegou mais uma vez seu celular – o qual havia jogado em um canto qualquer da cama –, buscando descobrir o horário. 23:30. Okay, estava tarde e com certeza deveria estar dormindo naquele instante, porém, sua ansiedade era uma criatura asquerosa que não o deixaria realizar o tal plano, afinal, provavelmente encheria sua cabeça de paranóias inúteis assim que deitasse sua cabeça sobre o travesseiro. Assim, limitou-se em suspirar em desistência, destravando seu celular pela primeira vez após a partida de Hinata, para se deparar com algo que já era mais do que o esperado: uma chuva de notificações em todas as suas redes sociais, porém, de longe a mais “animada” era seu Twitter.

Relutante, abriu o aplicativo dono de um "Icon" com um pássaro branco em um fundo azul, agora dando de cara com inúmeros tuítes direcionados ao mesmo tema: sua sexualidade — coisa a qual já esperava —. Alguns o parabenizavam por ter se assumido – inclusive, Kenma fez questão de “curtir” todos os tuítes deste gênero, pois agradava-o saber que algumas pessoas possuíam cérebro e não eram preconceituosas –, porém, outros – os quais eram a maioria, aparentemente – estavam repletos de apenas uma coisa: ódio propagado gratuitamente. Bom, não é como se não estivesse esperando comentários homofóbicos, longe disso, sabia que viriam aos montes, por isso, não deixou-se chatear ou afligir. Ao menos, não até chegar em um tuíte em especifico, publicado por um famoso — embora "sumido" — fotógrafo.

Suguru_Daishou

Esse @Kenma_Kozume é realmente um viadinho desgraçado, né? Além de ficar tirando fotos para revistas parecendo a coisa que ele não é, nunca será e nem se interessa: uma mulher. Me sinto enjoado apenas de pensar que já pisei, em algum momento de minha vida, na mesma sala que ele.”

E assim o tuíte acabou. Sem nenhum sinal de ironia, sem nenhum sinal de “era só uma brincadeira”. Sem se importar com os sentimentos alheios e, o mais importante: sem se importar que, do outro lado da tela, existia alguém, uma pessoa que se preocupava demais com o que pensavam sobre si. Uma pessoa que acabou mais machucada do que os outros pensavam que ficaria ao sair daquela "brincadeira".

Não sabia se deveria responder ou não, sequer sabia se deveria tomar o dia seguinte de folga ou apenas ir trabalhar fingindo que nada o machucava – assim como já havia feito repetidos dias, dizendo um “tudo bem”, mesmo que tudo que quisesse falar fosse um “alguém me ajude, por favor" –, pois, mesmo que estivesse magoado e quebrado, deveria prosseguir com a única coisa que o sustentava de pé: seu trabalho, que, mesmo sendo "desgastante" para si por conta de toda a rotina programada que era obrigado a seguir, o fazia esquecer de o quão horrível a vida poderia ser.

Iria desligar o celular e tentar ter uma noite agradável de sono – apenas tentar, pois sabia que não conseguiria –, se, momentos antes de “deslogar” de seu Twitter, não tivesse recebido uma notificação um tanto quanto curiosa: “Kuroo_Tetsurou respondeu um tuíte em que você foi citado”.

Kenma naquele momento já se sentia totalmente quebrado, logo, mais um machucado não o afetaria. Já esperando mais palavras homofóbicas provindas de alguém famoso, e, já com o tal pensamento de que seria – mais uma vez – alfinetado por puro prazer alheio, suspirou pesadamente.

Clicou na notificação, tendo uma surpresa com o que acabou se deparando naquele momento: Kuroo – um vocalista de uma banda bastante famosa e, diga-se de passagem, bastante admirada por Kenma – havia o defendido, o defendido do tuíte de Suguru.

Kenma leu uma ou duas vezes as palavras escritas ali antes de realmente entender com clareza o que estava acontecendo naquele instante. Kuroo, um vocalista extremamente admirado por si, líder de uma banda que possuía o título de “sua preferida” havia o respondido e ainda mais: havia o defendido. Quando se deu conta da importância que tal fator possuía, não pôde impedir um sorriso — embora pequeno, o mesmo era extremamente sincero — de brotar em seu rosto, enquanto lia mais uma vez o conteúdo escrito pelo Tetsurou.

Kuroo_Tetsurou

@Suguru_Daishou @Kenma_Kozume, Suguru, é sério, vai cuidar de sua própria vida. Se Kenma está satisfeito consigo mesmo e se aceita completamente com a sexualidade que NASCEU, (sim, as pessoas já nascem com suas sexualidades estabelecidas, caso não saiba, o que eu acho muito provável) não acho que você está em direito de impor sua própria forma de pensar (a qual é extremamente velha, né?) nele. Suguru, lembre-se que nem todos são tapados o suficiente para cometerem um ato tão cruel e desumano contra alguém levemente diferente e é por esse motivo que o que você diz não é uma verdade absoluta (e eu agradeço muito por isso, afinal, prova que existem pessoas evoluídas em nossa sociedade). Ah, mas eu entendo, deve ser difícil ver um jovem igual ao Kenma fazendo tanto sucesso, enquanto você apodrece no esquecimento. Por favor, apenas pare de arranjar intrigas para se sentir melhor."

O coração de Kenma palpitava fortemente, descompassado, tanto que em alguns momentos sentia-o errar algumas batidas. Retuitou o tuíte de Kuroo, logo depois de curtí-lo, sentido, durante o processo, suas bochechas corarem.

Entrou no perfil de Kuroo, afinal, se ele o havia defendido, Kenma sentia-se na obrigação de agradecer. Suspirou pesadamente, tentando acalmar seus ânimos e, notando que seria impossível, apenas fechou os olhos e jogou seu dedo contra a tela de seu celular, clicando em uma opção em especial, a qual foi responsável por o deixar cair no que esperava: um chat com o vocalista.

@Kenma: Obrigado.

Enviou a mensagem, sorrindo de maneira abobalhada durante um bom tempo após mandá-la para o vocalista. Finalmente desligou seu celular, silenciando-o e o posicionando na cabeceira de sua cama, caindo sobre ela em seguida – pois havia se levantado e iniciado uma caminhada pelo quarto ao notar que seu coração encontrava-se desritmado, como se, ao andar em círculos pelo quarto, fosse, em algum momento, se acalmar –, chegando ao menos, em uma conclusão: pela primeira vez em muito tempo iria ir dormir sorrindo, satisfeito com algo que lhe aconteceu.


Notas Finais


Desculpe qualquer errinho, se acharem, podem me falar, eu não mordo, juro ;u;

Obrigada por lerem e até mais ♥️


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