História By Arrangement - Capítulo 4


Escrita por: e RainbowTU

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin)
Tags Abo, Alfa!seokjin, Bangtan Boys (BTS), Bottom!namjoon, Namjin, Namjoon, Omega!namjoon, Seokjin, Top!seokjin, Ucnamjout, Ucnjout, Ycnj
Visualizações 147
Palavras 5.214
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Festa, Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá!

Antes tarde que mais tarde ainda, não é mesmo? ;)

Capítulo 4 - Aproximação


Fanfic / Fanfiction By Arrangement - Capítulo 4 - Aproximação

A manhã daquele dia começou pouco convidativa para Seokjin. Tinha dormido pouco, e se sentia cansado. Havia coisas demais pesando em sua cabeça no momento, e o sono demorava a se apresentar em algumas noites — exatamente o que tinha acontecido na noite anterior. Ficou um tempo parado, olhando para o nada, buscando forças para enfrentar mais um dia, algo que ele preferia não fazer. Entretanto, para alguém de sua posição, esse tipo de escolha não era uma realidade. Assim, se sentou na cama devagar, olhando para o lado de fora, pela enorme janela, observando o céu e ponderando sobre o que seria interessante de se fazer num dia em que o sol tinha resolvido não mostrar a face.  

Como Namjoon gostaria de passar o tempo daquela vez? Por mais que pensasse, era difícil para Seokjin definir. Seu esposo nunca parecia insatisfeito com qualquer decisão que ele tomava, e estava sempre bem-disposto a lhe seguir qualquer fosse a rota que tivesse tracejado. Mesmo quando, a pedido de Seokjin, dizia algo sobre suas vontades, o fazia de maneira que o desejo de Seokjin acabasse prevalecendo, e isso não ajudava muito quando o jovem alfa precisava, no curto espaço de tempo entre se preparar e sair para cumprir seus deveres, organizar todas as atividades que fariam juntos. 

Era um comportamento esperado, o de Namjoon, uma vez que parte da sua vida foi ensinado a ser um bom ômega, mas Seokjin adoraria que ele pudesse tomar as rédeas de vez em quando. Contudo, pelo pouco que convivera com o marido, entendia que isto dificilmente ocorreria. Não que Namjoon não tivesse vontades, ou tivesse uma personalidade fraca. Ao longo dos dias, cada vez mais, percebia que ele era bastante expressivo e muito consciente e atento, bem diverso da imagem de indiferença e inatingibilidade que tivera antes. Namjoon, porém, era um ômega monarca, criado muito bem para desempenhar o seu papel na sociedade, e aparentemente feliz com isso. Jamais se excederia, ainda que Seokjin lhe desse alguma margem para tanto.  

Na maior parte das vezes era bom. Namjoon era agradável, como deveria ser, e estar em sua companhia vinha se configurando um excelente bálsamo para esquecer os problemas que, ao longo das semanas, vinham tomando formas mais e mais monstruosas em sua mente. Entretanto, às vezes, bem às vezes, gostaria de não precisar se comportar como o alfa que era, e deixar que o outro tomasse as decisões e se sobressaísse. Não era como poderia ocorrer, porém, e restava-lhe aceitar as coisas como eram.  

Ergueu-se de uma vez, se espreguiçando à beira da janela, e depois de pensar um pouco mais, foi até à porta chamar por Jimin, ordenando-lhe que avisasse a Namjoon que se arrumasse para a primeira refeição e, após, viesse ter com ele para o vestir. Poucos segundos depois seu criado já estava de volta, solícito e bem-educado como de costume, pronto para lhe servir da melhor forma possível. Tão logo terminou de auxiliar o príncipe a se assear e pôr as roupas, se colocou à frente dele e abriu a porta do quarto, dando-lhe passagem para sair.  

Caminhando logo atrás de seu senhor, cumprimentou Jungkook com a cabeça, posicionado do lado de fora do quarto de Namjoon, lhe fazendo um pedido silente para que chamasse o Príncipe Consorte. Sem demora, o Príncipe de Gwacheon e seu esposo já estavam de braços dados, caminhando em direção à sala de refeições, seguidos de perto por seus servos, que os abandonaram assim que, após serem anunciados, adentraram no salão para o desjejum. 

— Príncipe Seokjin, meu filho — cumprimentou com uma suave reverência a Rainha. — Príncipe Consorte — repetiu o mover de cabeça na direção de Namjoon, que lhe respondeu da mesma forma. — É um gosto e uma benção ter-vos conosco nessa manhã.  

— Benção? — Seokjin respondeu sorrindo, se virando para a Rainha Consorte, a cumprimentando. — Desejavas tanto nos ver assim? — questionou ao se sentar, no local habitual, observando Namjoon tomar o lugar ao seu lado.  

— Pois sim, amado, desejava bastante. — A Rainha exclamou sorridente, do jeito que somente Seokjin conseguia lhe deixar. — Acordei hoje cheia de ideias, e quero muito compartilhar todas contigo. 

— Ora, então! — o loiro disse com certo entusiasmo, enquanto um serviçal colocava à sua frente a refeição. — Que bom que chegamos a tempo de encontrar Vossa Alteza à mesa! 

— Pois sim, pois sim...  

A Rainha disse baixo, olhando para as mãos do criado que servia, com requinte, as refeições de seu filho e de seu genro, indo delas para os pratos bem elaborados e, por fim, para as figuras dos dois rapazes: um, o futuro governante de Gwacheon, e o outro, seu fiel companheiro.  

Admirava os dois, belos e saudáveis, contente porque eles perpetuariam a sua Casa por muito tempo no poder, se tudo desse certo como vinha dando até o momento. Tinha um filho lindo e muito bem preparado, e conseguiram para ele um ômega ideal, perfeito em suas atribuições. Enquanto fitava aquele cenário, pensava que nada poderia ser melhor que isso.  

— Pois bem, Alteza, minha mãe... — Seokjin falou após a primeira garfada em seu café da manhã, assim que o empregado saiu da sala. — O que se passa pela excelentíssima cabeça absoluta e real, hum? 

O comentário saiu em meio a um leve riso, que levou a Rainha Consorte a rir também, seguida da própria Rainha e, para surpresa dos presentes, até mesmo Namjoon riu baixo, algo que não lhe era muito costumeiro. Apesar de sempre muito polido e lisonjeiro, o Príncipe Consorte era reservado e não se dava a reações expansivas daquele tipo. 

— Falha-me todas as vezes a memória quando tento determinar de onde puxaste este lado espirituoso que, em outra pessoa, certamente me levaria à irritação. — Olhou de relance para a esposa, que baixou a cabeça devagar, limpando o canto da boca com o guardanapo. — Seokjin, querido... — bebericou rapidamente o chá, já frio na xícara. — Pouco mais de sete dias e já estarás comemorando um mês de teu enlace, não estou certa? 

— De fato? — Virou-se para a direção de Namjoon, que o fitou de volta, erguendo de leve as sobrancelhas, sinal que o alfa reconheceu como de concordância. — Os dias voam, pois não? Lembro-me como se tivesse sido ontem nossa última cerimônia! — Voltou a encarar a mãe, com um sorriso breve, de canto. — Um mês, vejam só... Mal senti o peso dos dias se acumulando. 

— Ainda és recém-casado, querido — a Rainha Consorte se manifestou, a cabeça inclinada para o lado, observando com atenção as feições de seu filho. — Todos os dias soam como o primeiro nessa primeira fase.  

— Por certo que sim — o jovem anuiu, encarando o marido mais uma vez, longamente, o vendo tomar o café de forma silenciosa, sem parecer prestar atenção ao que era dito. Seokjin sabia, porém, que ele estava escutado e absorvendo tudo ao redor; era assim que o ômega agia. 

— Não é esperado de dois jovens que consigam contar os dias quando ainda estão se emaranhando em lua de mel — disse a Rainha numa rápida gargalhada, incomum para ela.  

— Minha mãe, não te ponhas a falar desta forma... — Seokjin protestou, sendo interrompido por um gesto manual da mulher. 

— Sei bem, Seokjin, e não estou querendo ser inconveniente. Permita-me ao menos vez ou outra um gracejo, sim? Já os faço tão pouco! Decerto teu esposo não se importa, sequer moveu um músculo! 

— Decerto que não, Alteza — Namjoon murmurou, provando a Seokjin o que deduzira: ele estava sempre atento a tudo, muito embora não parecesse.  

— Vês? É isto que espero de alguém com tão bom humor feito o teu, Príncipe. Não te comovas por uma jocosidade tão simples! 

— Já está superado, minha mãe — suspirou, pondo mais um pouco de comida na boca, seguindo a isto um gole de chá. — Pois então me fales, que ideias andas tendo que queres debater comigo? Ainda não as expuseste. 

— Ah, bem... — A mulher terminou a sua bebida, pondo a louça delicada um tanto afastada de si mesma, a fim de ter espaço para melhor se debruçar na mesa. —Estive ontem pela noite pensando... Com honestidade, a ideia me surgiu enquanto te via com teu marido a passear pelas flores do jardim... Sois um casal muito belo, tão cheio de juventude... Olha para tua mãe enquanto ela fala, querido. — Esperou o filho lhe encarar, e então continuou. — Pensei, enfim, comigo mesma, tão pouco vos celebramos, não foi? Uma cerimônia real comum, apenas, não vos faz justiça. Festividades tão comuns para dois príncipes tão formosos! 

— Comum? — riu soprado, negando com a cabeça. — Foi uma festança e tanto, Alteza. Dizem os mais antigos que somente quando eu nasci uma festa tão imensa e luxuosa foi dada neste Reino.  

— Luxuosa, sim. Imensa, sem dúvida. E também comum, como sempre é visto em qualquer outro reino, frondoso ou não. É isto que quero que assimiles. Foi uma celebração nos conformes, como qualquer outra já vista, sem inovações, sem nada de especial ou marcante.  

— Foi bonita e inesquecível, minha mãe, como deveria ter sido. O que julgas que faltou? 

— Nada, de fato, todavia... — arfou baixo, buscando algum apoio no olhar da Rainha Consorte antes de prosseguir. — O que viste nela que pudesse levar outros a dizerem que as festas de Gwacheon são elegantes e divertidas como jamais se presenciou em outro lugar? Vês o ponto? 

— Não estava a par de que isto era uma necessidade, Alteza. — Seokjin limpou a garganta, voltando a atenção para o prato à frente.  

— Não é necessidade, querido, mas mera vaidade. Não entendes ainda do ego que se acerca dos de nossa posição, e da importância que tais questões possuem?  

— Entendo melhor do que julgas, se me permite dizer. — Fitou a mãe outra vez. — Explica-me, Alteza, por obséquio, qual caminho tomaram as tuas ideias noturnas? Elas têm a ver com meu casamento?  

— Explico-te, e com gosto, Príncipe. — Assumiu um tom mais sisudo, próximo ao que lhe era natural. — Estive pensando, um festejo de casamento para vós é pouco, tendo em vista seres tu meu único herdeiro, um alfa lúpus, dos mais inteligentes que já se tomou conhecimento, e considerando ainda a formosidade de teu ômega, o melhor de todos que pudemos encontrar. Por esta razão, durante a noite, imaginei: que tipo de obstáculo há para que se faça novo festejo? — Seokjin se virou rapidamente para ela, que seguiu. — Vais a completar trinta dias de casado, tu e o Príncipe Consorte. Gwacheon deveria celebrar convosco este marco tão importante na tua vida. És o futuro rei deles, afinal.  

— Que dizes, minha mãe! — bufou, dando um meio sorriso. — Nenhum reino jamais fez um festejo por tão raso motivo.  

— Por isto mesmo, querido. Gwacheon seria o primeiro reino a lançar esta tendência. Percebes como seria proveitoso? E seria também um presente para vós, o futuro deste lugar. — Direcionou o olhar para Namjoon, que terminava sua refeição, tão quieto quanto a Rainha Consorte. — Que achas, Príncipe Consorte? 

— Pois não, Alteza. — Direcionou a vista para a sogra, se desculpando após apressar o processo para engolir o que comia, o que tornou tardia a sua resposta. — Seguirei contente os caminhos que esta Corte designar, sejam eles quais forem.  

— Vês bem, Seokjin? Teu esposo acha uma boa ideia. 

— Meu esposo não disse isso. Ele apenas fará conforme o que for acertado, não conseguiste escutar bem? Ele não fala tão baixo assim — falou com certa rispidez, ganhando o olhar de seu marido. — Para que uma festa sem propósito?  

— Trata-se de um mês de teu matrimônio, Príncipe. — Fez a voz ganhar também um tom mais grave. — Achas que isto é razão nenhuma? 

— São apenas trinta dias, e não trinta anos. O que há de especial nisso? 

— No momento, nada, mas esta Corte poderá fazer dos trinta dias algo bastante especial — suspirou, dando sinais de frustração. — Não achas interessante? 

— Em verdade, não, Alteza.   

— Achas teu casamento tão pouca coisa ao ponto de já te decidires assim, sem sequer ponderar um tanto? 

— Não se trata disto, Alteza, não cries significados para além do que digo.  

— Do que se trata, então? Elucida-me.  

Seokjin deu um suspiro alto, denotando toda a insatisfação e irritação que começava a experimentar a partir daquele instante. Olhou longamente para a outra mãe, a Rainha Consorte, irrepreensível em sua posição à mesa, e então para o esposo, que mesmo aparentando placidez, parecia curioso e surpreso com o tom que o alfa loiro alcançou naquele mínimo debate. Suspirou novamente, contendo a irritabilidade, buscando calma para seus ânimos.  

— Uma festa grandiosa em tão pouco tempo me parece um desperdício de recursos, Alteza, considerando que recente já tivemos um enorme festejo para celebrar meu casamento.  

— Gwacheon tem recursos que nunca se esgotam, querido. Não te preocupes com isto.  

— Nenhum recurso é infinito. — Empurrou a louça de seu café da manhã, ainda com um pouco da refeição, para longe de si. — Com todo o respeito, minha mãe, mas oponho-me a este feito. Esqueça-te desta ideia, tenha a bondade, e guardemos apenas a tradição de um ano de bodas, como em todos os reinados se faz. 

— Ora, Seokjin... — a Rainha falou, o semblante fechado e um bocado amedrontador, mas que ostentava um pequeno sorriso de canto. — Tu julgas que eu estava aqui, ansiosa para ter contigo, para te pedir permissão para tomar decisões em meu próprio Reino? — Viu o filho retornar a atenção para si. — Estive com o Conselho, mais cedo, e já está em base de arranjos iniciais a festa de comemoração dos teus trinta dias de casamento. 

— Ah, sim? — Seokjin riu soprado, balançando o rosto em sinal negativo. — Que ingenuidade a minha achar que irias me perguntar algo antes de decidir, não é mesmo? 

— Uma rainha por acaso precisa da opinião de um príncipe para tomar as rédeas de seu próprio reino, Seokjin? — A questão foi feita num tom debochado, quase ameaçador.  

— Decerto que não, Alteza. — O jovem alfa sorria, mas a curvatura dos lábios não mostrava satisfação. — Se é uma festa o que pensas ser importante para Gwacheon, que tenhas a tua festa. — O tom de voz era ríspido, cortante. — O que interessam os pontos de vistas dos envolvidos, não é mesmo? Desde que a Rainha possa ter o prazer de esfregar na face dos outros reinos toda a sua riqueza, nada mais importa. 

— Seokjin... — a Rainha Consorte sibilou, lhe chamando a atenção. 

— Está tudo bem, querida — a Rainha falou com o mesmo tom do filho. — Teu sarcasmo não me atinge, Príncipe. Não esperava que a decisão te molestasse, mas ela já estava tomada antes mesmo do raiar do dia, e não há por que revogá-la. Quis apenas te comunicar, para que não faças planos fora dos que este reino possui.  

— Precisamente, Alteza. — Seokjin olhou de relance para sua refeição, que mesmo antes de se inflamar não tinha intenção de finalizar, e em seguida olhou para o prato de Namjoon, vazio. — Já terminaste teu desjejum, Príncipe? 

— Sim. 

— Ótimo — disse baixo, se levantando. — Com tua licença, Rainha Consorte... — fez uma reverência para a mãe, do outro lado da mesa. — E a tua também, Rainha — fez o mesmo para a outra mãe. — Minha condição de reles Príncipe sem voz altiva alguma nas decisões que permeiam a própria vida, tenho autorização para passar o dia bem longe daqui na companhia de meu esposo?  

— Não sejas ridículo, Seokjin. Quantos anos tens? — falou a Rainha. Vendo que Seokjin permanecia parado diante dela, arfou. — Anda, vai.  

Fez um sinal com as mãos, liberando o filho de estar em sua presença, e assim o loiro fez, levando consigo o esposo, que fez as reverências e despedidas dentro dos padrões de comportamento esperados. A passos largos, o jovem alcançou a saída do salão de refeições, não sem antes escutar, para seu agrado, a Rainha Consorte conversar com a esposa, alegando que talvez ela tivesse se equivocado um pouco na forma de conduzir as suas vontades.  

Assim que atingiu o corredor, viu Jimin e Jungkook ali sentados, conversando, e após coçar a garganta, os viu se levantarem e se colocarem a postos.     

— Caças aves, Namjoon? — Seokjin perguntou com o olhar altivo em cima dos criados, sem se virar para o marido.  

— Sim, Príncipe. 

— Quando cavalgas, preferes cavalo ou égua? 

— Cavalo.  

— Jimin — exclamou, vendo o servo lhe fazer uma reverência. — Apanha minha arma e minhas munições de caça, e me encontra no fim do jardim com minha égua preferida. — Olhou para Jungkook. — Tu, vai atrás de arma, munição e um cavalo manso para teu senhor, e segue com Jimin até o ponto de encontro. Vos esperaremos lá. Não demoreis.  

Ambos assentiram silentes, se apressando para cumprir as ordens recebidas. Ao ficar a sós com Namjoon, Seokjin deu um longo suspiro, massageando as pálpebras, e ficou parado, de olhos fechados, por um breve instante.  

— Sinto imenso que tenhas presenciado um desentendimento como aquele, Príncipe — disse baixo, virando-se na direção do ômega. 

— Não há razão para se desculpar. Desentendimentos familiares acontecem.  

Namjoon respondeu, e ia dizer mais algumas palavras ao esposo, mas viu o olhar do loiro sair de si para um ponto além, e um arfado baixo, quase imperceptível, lhe sair dos lábios no mesmo instante. Virou o rosto, e viu a Rainha saindo da sala de refeições. Voltou a encarar o marido, que acompanhou a mãe com o olhar, até que esta sumisse. 

— Espero que gostes dos nossos campos de caça, Príncipe. — Seokjin se voltou outra vez para o marido, forçando um pequeno sorriso de canto. — São grandes e possuem árvores frondosas. Atraem dos mais diversos tipos de aves. Mesmo em dias nublados, costumam oferecer boa distração. 

O ômega anuiu, cerrando uma mão na outra, deixando, após, que os braços caíssem ao longo do corpo. Ante o movimento, Seokjin lhe estendeu a mão, e os dois ficaram, então, de braços dados. Em segundos Namjoon já estava sendo conduzido pelo corredor, rumo à grande porta que dava para a entrada do palácio.  

... 

A caçada não ia tão bem, ao menos, não para Seokjin. Seu estado de espírito agitado, piorado com a pequena discussão que tivera com a mãe, não lhe permitia que relaxasse o suficiente para que exibisse um bom desempenho. Era o cúmulo toda aquela situação, e isso o incomodava. Havia tanta coisa acontecendo, e para piorar tudo, a Rainha decidia fazer um baile desnecessário para atiçar ainda mais os ânimos. Como era possível que ele soubesse de tanto, e a Rainha parecesse saber tão pouco? 

A falta de sorte com as aves, todavia, não se estendia a Namjoon, que vinha se mostrando um excelente caçador, contrastando bastante com o desempenho do esposo. Quando caçava com Hoseok, isso irritava Seokjin; detestava ser ultrapassado por ele, ficando sempre emburrado quando isso ocorria. Com Namjoon, porém, não estava incomodado. Um detalhe curioso que lhe cruzou a mente no instante em que o ômega acertou mais um animal, com um tiro certeiro, bem calculado e planejado. 

— És muito bom nisso, Príncipe — exclamou o alfa, cobrindo os olhos com a mão para ver a ave caindo. — Quantas aves já contabilizas? 

— Sinto, mas perdi as contas — mentiu, deixando de conferir a queda da ave para observar o marido.  

— Que lástima. Terias com o que te exibires durante a ceia, quando estivéssemos dando conta de nosso dia às Rainhas. — Virou-se para o outro, encontrando seus olhos com os dele.  

— Não é algo de que faça questão, Príncipe — Deu um sorriso pequeno, baixando a cabeça. 

— Talvez devesses. Sou conhecido como um dos melhores caçadores, e estás me batendo com facilidade.  

— Isto porque o dia não está dos mais favoráveis, suponho. — Olhou para cima, avaliando as nuvens acinzentadas. 

— E ainda assim, te sais melhor que eu. Mas não estou a reclamar, Príncipe. — Guardou a arma no coldre, ajeitando os cabelos em seguida. — Estou, somente, um pouco surpreso, creio. — Tornou a olhar o marido, que tinha voltado a lhe observar. — Quiçá um bocadinho invejoso também... — sorriu. — E, sem sombra de dúvidas, bastante envergonhado. Não contava de mostrar tão mau desempenho diante de ti, justamente na primeira vez em que caçamos juntos. 

— Não estás te envergonhando, não te preocupes — falou baixo, num tom de quase desculpas, olhando não tão fixamente para o loiro.  

— Entendo. — Suspirou de leve, ainda encarando o outro. — Contigo nunca há nada com o que eu devesse me preocupar, pois não? 

— O que dizes? — Fixou o olhar no alfa, franzindo a testa um tanto antes de notar a expressão e a desfazer. 

— Não é uma crítica, Príncipe, é simples constatação. — Balançou a cabeça e pôs as mãos na cintura, se virando para a imensidão do campo. — Contigo é sempre parcimônia. Não é algo ruim, é só característico.  

Namjoon absorveu aquela sentença, ponderando rapidamente sobre ela, tentando averiguar como seria a forma mais prudente de reagir, de acordo com tudo o tinha aprendido para alguém como ele. Enquanto guardava a sua arma, pensava naquela frase e em como ela tinha sido dita. Não parecia constatação, como Seokjin afirmara, mas tampouco soava como crítica, como tinha feito questão de ressaltar.  

Tentou fixar os olhos para o local que o marido fitava, porém, acabou por tornar a se focar nele, pesando em pequenas balanças imaginárias o que sabia sobre ele, sobre suas expressões, modos de agir e reagir, e tudo o mais que aquele curto período de convivência tinham oferecido a ele, em termos de observação. Seokjin não era tão fácil de decifrar e compreender, porém Namjoon já tinha conseguido deduzir alguns pontos. Nenhum dos que tinha conhecimento, entretanto, o estavam ajudando naquela situação. 

— Não queres mais caçar? — Seokjin perguntou de supetão, quase sobressaltando o outro, olhando para a arma de Namjoon, guardada.  

— A não ser que tu queiras — respondeu tão logo se recompôs.  

— A não ser que eu queira... — riu soprado. — Claro. 

Calou-se de novo, cruzando os braços, fechando os olhos e os apertando. Precisava se acalmar, retomar o bom humor, a leveza de sempre. Se continuasse assim, acabaria por agir como um cretino.  

— Não há mares em Ilsan, segundo soube. É isto mesmo? — abriu os olhos e deu de cara com o ômega a lhe olhar. 

— Soubeste certo — desviou os olhos para outro ponto, acima do ombro do esposo.  

— E quanto a lagos, lagoas, rios... Existem por lá? 

— Há um rio, pequeno, e alguns lagos ao longo do reino. Havia um lago nos limites do palácio, feito por ordem da Rainha, minha mãe, quando eu ainda não tinha nascido.  

— Tu gostavas de ir até ele, Príncipe? 

— Achava-o bonito e o apreciava em muitas ocasiões, especialmente no verão e na primavera.  

— Bem... — Desenhou nos lábios um belo sorriso — Não estamos no verão e nem na primavera, contudo, há um pequeno lago em meio a estas árvores que, em minha opinião, é uma visão que merece ser apreciada a qualquer tempo. Tu gostarias de me acompanhar até lá? Terias de me seguir ao longo da mata, para tanto. Não é densa, porém pode ser nada aprazível.  

— Faço bastante gosto, Príncipe. — Esboçou um sorriso também, e Seokjin não pôde deixar de ser fisgado por aquelas duas covinhas que se formavam quando Namjoon sorria. — A mim não é problema seguir-te por onde pretenderes me levar.  

— É disto que falo, Príncipe... — deu a mão ao marido, e quando este lhe ofereceu o braço, tomou-lhe a palma ao invés disso. — Para ti, tudo é sempre placidez e boa vontade. Não é defeito, é apenas tu.  

Seokjin sorriu, olhando para trás e acenando para os seus servos pessoais, que tinham ficado a certa distância de seus senhores, os chamando. Assim que os dois chegaram, lhes recomendou que tomassem conta da égua e do cavalo, bem como das armas e restante das munições, que ambos os príncipes lhes entregaram, enquanto os esperavam. Após, Seokjin saiu com Namjoon de mãos dadas em direção às arvores, deixando o que tinham consigo para trás. 

... 

Já não sabia há quanto tempo estava ali, com o esposo, falando sobre as mais diversas amenidades. O que Seokjin sabia era que estar sentado debaixo daquela arvore enorme, com Namjoon ao seu lado a prosear com aquele tom de voz tão baixo e tão pouco característico de ômegas, e o lago praticamente aos seus pés, tinha feito maravilhas para seu humor castigado. As preocupações ainda o castigavam, e a notícia daquela festa sem sentido seguia o espinhando, porém, passar aquele tempo isolado com o esposo, como se o mundo fora daquela área não o pudesse atingir, vinha agindo positivamente em sua aura.  

— Não é possível que aos dez anos de idade tua leitura favorita fosse Origem das Castas, Príncipe — riu baixo, incrédulo, lançando mais uma pedrinha para o lago, atingindo a sua superfície com o arremesso.  

— Não te minto, era este o livro que mais gostava de ler. — Observava o marido jogar uma pedrinha após a outra na água, como se fosse algo muito divertido de se assistir. — Porém, é como te disse, pouco entendia. Só fui, de fato, compreender as origens de alfas, ômegas e betas quando me comprovei um ômega. 

— E não foi com o auxílio de Origem das Castas, por certo. É um livro de teorias já superadas. — Mais uma pedrinha foi lançada no lago.  

— É clássico, Príncipe. A ciência atual não teria chegado onde está sem a existência desse estudo primário como base.  

— Ora... — Olhou de soslaio para o marido, sorrindo. — Clássico para mim aos dez anos era O Belo Adormecido. Isto sim é leitura para crianças, meu caro.  

— Naturalmente, Príncipe. Lembro-me que nosso servo costumava ler para mim e meu irmão quando estávamos na hora de dormir.  

— Aos dez anos vosso servo ainda lia para vós? 

— Para mim, sim. Yoongi já não tinha paciência para este tipo de recreação quando tinha dez anos. Se tu me consideras precoce, é porque pouco tiveste com ele.  

— Os genes dos de Ilsan são bastante peculiares. — Riu outra vez, sem parar de lançar pedrinhas. — Nunca tive parâmetros para saber se eu era ou não precoce, até agora.  

— Reinos com filhos únicos são bastante incomuns. Gwacheon carrega também peculiaridades.  

— E não é mesmo? Caberá a nós modificar isto. 

Seokjin deu mais uma risada, idêntica a todas as que vinha dando, de relaxamento, descontração, mas sempre baixas, curtas e pouco audíveis. Namjoon ia as seguindo, no mesmo tom, com exceção desta última. Não ter consumado ainda o casamento ainda lhe era um ponto sensível, mesmo que, agora, já entendesse que tal circunstância fazia parte de como o marido funcionava, e nada tinha a ver consigo. 

— Tu te sentes bem aqui? — Uma nova pedra foi jogada. — Em Gwacheon. 

— Oh... — Tomou um pouco de ar, esperando a pedrinha sumir de sua visão. — Teu reino é bastante agradável, Príncipe.  

— Também considero Gwacheon o melhor reino de todos, mas não foi o que te perguntei. — Soltou a pedrinha que acabara de arrancar da terra, se virando para o marido. — Quero saber se aqui tu te sentes tão bem quanto te sentias onde nasceste. 

— Sim. Decerto que sim. 

— Não darias resposta diversa, pois não? — Tornou a encarar o lago, agarrando a pedrinha para a lançar. — Acredito que as circunstâncias não estejam se alinhando como tu imaginavas. 

Namjoon, desta vez, não respondeu. Claro que queria concordar, dizer que desde o princípio nada vinha se encaixando como lhe ensinaram que se encaixaria, e que, muito embora compreendesse isso ou aquilo, muito do que vinha entre eles era um completo vácuo. Todavia, não era o que deveria dizer, e era óbvio que o seu esposo já estava farto de escutar suas meias palavras de consolação. Contudo, o que mais poderia fazer? Tinha sido ensinado a ser agradável, compreensivo, a dar apoio e sustento para o alfa que o desposasse. Não era assim tão fácil tomar um caminho diverso, ainda que este fosse o desejo aparente do seu cônjuge.  

— Já em nosso primeiro encontro eu falhei contigo, e sei que quebrei expectativas conforme foi-se passando o tempo. — Seokjin retomou, voltando a atenção ao marido, o fazendo lhe dar a mesma correspondência. — Eu não deveria te dizer isto, porém, assim como é difícil para ti, o é para mim, compreendes? — Viu Namjoon assentir. — Hoje pela manhã, quando discordei da Rainha... Não quero que penses que desconsidero nossa união. Nada disto deveria ser dito, porém... — Deixou de olhar para o outro, se escorando na árvore que lhes fazia sombra. — Falar assim é repentino, mas entendas, nada é contigo. Nada disto é por tua causa.  

Namjoon apenas anuiu, num mover singelo de cabeça, mesmo que duvidasse que Seokjin tenha conseguido ver. Esperou que o loiro jogasse mais uma pedra no lago, o que acabou não acontecendo. Em vez disso, o alfa seguiu olhando para as águas, que mal se moviam ao sabor do parco vento, e por algum motivo, aquela expressão soturna que ele carregava enquanto fazia isso pareceu a Namjoon a visão mais bonita que já tivera em seu curto trajeto de vida.  

Pela primeira vez desde que tinha lhe notado a beleza e se encantado por ela, sentiu um desejo inexplicável de destruir o decoro que o impedia de expandir a si próprio e encostar seus lábios nos daquele alfa, e a simples ideia lhe fez o coração palpitar de um jeito estranho, inédito, de tal maneira que um calor consumiu sua testa e bochechas. 

As narinas de Seokjin se encheram de um perfume adocicado de amêndoas, e a percepção deste cheiro fez os pelos de sua nuca se arrepiarem. Virou imediatamente o rosto para o lado, se deparando com Namjoon a lhe encarar, as maçãs da face num tom rosado, brilhantes devido a minúsculas gotas de suor que se formaram ali. Inspirou forte quando o marido desviou o rosto, o baixando, e soltou o ar devagar, experimentando a sensação que o perfume causaria. Nada foi despertado, e o alfa soube que não se tratava dos períodos comuns de um ômega.  

Inspirou outra vez, com Namjoon ainda de rosto baixado, e teve a certeza de que não era o caso de início de período, mas de indicação de puro interesse. Não conseguiu evitar um sorriso, que se moldou no mesmo instante em que o aroma fraco e suave de limão se misturou à essência de amêndoas, o que fez com que o perfume de Namjoon se intensificasse ainda mais ao notar a presença cítrica no a.  

— Pois então, me diga, Príncipe... — Iniciou Seokjin. — Que mais tu gostavas de fazer quando tinha dez anos, além de ler o odioso Origem das Castas? 

A pergunta saiu leve, como num gracejo, e Namjoon pôde, enquanto respondia, dominar as batidas do próprio coração e acalmar os instintos. Aos poucos, o cheiro de limão foi se dissipando, deixando para trás um suave rastro das amêndoas doces que ainda persistiam em ficar. Novas pedras foram jogadas no lago, e uma nova conversa, também amena, se fortaleceu entre o casal.  

No final, quando Seokjin decidiu que era hora de irem embora, o toque da mão macia do alfa na pele sensível da palma do ômega foi completamente diferente para este, impressão que se confirmou ao longo da caminhada de volta, até que as mãos se soltassem quando cada um se posicionou sobre seu animal de montaria.  

O que não saiu da mente de Namjoon, quando cavalgavam suavemente de volta ao palácio, foi a força com que o coração bateu naquele instante em que quis beijar o marido, e o quanto desejou que ele batesse ao ponto de explodir no peito, se assim fosse, de tão incrível e insuportável que tinha sido.  

Quanto a Seokjin, a lembrança das bochechas rosadas de Namjoon e do seu cheiro sublime de amêndoas acabariam por lhe dar bastante o que pensar durante aquela noite. 


Notas Finais


E foi isso! Até o próximo, e obrigada pela leitura e paciência!


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