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História Caça As Bruxas - Capítulo 11


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Notas do Autor


Nessa semana não deu para postar muitos capítulos por causa do aniversario de 9 anos da minha irma, alguns primos meus também vieram dormir aqui em casa (quarentena para que, né?), então meio que ficou difícil de postar, enfim... Me desculpem pela demora, espero que gostem, se divirtam e tenham uma boa leitura!

Capítulo 11 - Capitulo XI


Inglaterra – Glastonbury – Luna Nova.

Quinta-feira, dia 2 de abril, de 2019.

                                              

Kagari Atsuko.

 

         Passado. Sete letras, três sílabas, palavra essa que significa: "O que vem antes", “que decorreu" ou "o que passou no tempo". Nosso passado nos define, tolo é quem pensa o contrário, talvez está seja a afirmação mais cruel já citada, mas ela é válida? Em partes, eu creio que sim, meu passado me refez, me criou e me moldou, ele me ajudou a ser o que sou hoje. Rafiki uma vez disse: “Ah sim, o passado pode doer, mas do jeito que eu vejo, você pode fugir dele, ou aprender com ele. ” O passado pode doer? Claro, ele pode ser amargo e cercado de arrependimentos? Com toda certeza, mas o ser humano sem passado, não é humano, pois ele simplesmente não existe, pois, para existir o presente, nós precisamos do passado e para haver o futuro, nós necessitamos do presente, entenderam? Não dá para existir sem esses três, por mais que doa, por mais que nos faça sangrar por dentro, por mais que nos atormente, ele está lá, sempre estará e não corra! Pois uma hora ou outra, ele irá te alcançar e quando isto acontecer.... Você perceberá que não adiantou nada tentar fugir.  

Eu corri muito do meu passado, olhando para trás agora e vendo o caminho que eu percorri e, estou percorrendo, pude notar que ele nunca foi bom de certa forma, revendo minhas memórias antigas da minha infância, eu nunca tive muitos momentos de felicidade e os que eu tinha eram raros, quase nulos, meus pais eram ausentes e frios, mas eu nunca deixei que isso me abalasse, afinal, eu era feliz e essa felicidade anulava qualquer momento ruim, ou dizeres cruéis e maldosos. Eu tinha o otimismo ao meu lado, eu possuía esperança, mas... O que fazer, quando esses dois se perdem? O que eu posso fazer, quando eu percebi que o mundo, as pessoas  em si são cruéis e asquerosas? O que fazer, quando você é seu pior inimigo?

         A vida é feita de escolhas, sim isso eu já sei, cada ação nossa, mínima que seja, pode gerar uma reação igual ou oposta, essa é a terceira lei de Newton; nossas escolhas são como vários rios que nos levam para o mesmo lugar, porém, com um resultado diferente do que esperamos ou não, nossas escolhas influenciam tanto no passado, presente e futuro, sem nossas escolhas passadas não teríamos o presente e consequentemente não teríamos o futuro, mas sempre existirá aquela pulguinha atrás de nossa orelha, sempre sussurrando em nosso ouvido “e se...” Este.... Esta incerteza é o que nos leva ao arrependimento, quantas vezes nos arrependemos de não termos falado o que queríamos, não termos feito o que era requisitado no momento ou não termos escutado o que era necessário? Quantas vezes não nos deixamos sermos vencidos pelo medo das consequências? Quantas vezes nós nos acovardamos e preferimos nossa zona de conforto, pois ela é segura e como a própria palavra diz, ela é confortável.

Muitos preferem se afogar nas correntezas de um rio turbulento, que nada mais é do que a nossa própria vida e reflexo do que fizemos, dizemos, pensamos ou fazemos, do que o enfrentar, do que nadar vendado contra a correnteza. Entretanto, me desculpem, mas eu sou covarde e já desisti de tentar lutar, sinto pouco a pouco as águas deste rio entrando pelas minhas narinas e indo até meus pulmões, sufocando-me e me matando lentamente, o cansaço puxa meus pés para baixo e assim a superfície não é mais vista por mim, ela é como uma memória que vai se apagando lentamente, até você perceber que ela sumiu.    

         Os braços firmes de Diana ainda me apertavam, transmitindo paz, força e segurança, era como se aquele abraço dissesse tudo aquilo que eu queria ouvir a tempos, mas que me recusava a acreditar, aquele calor quentinho e aconchegante me fazia sentir em casa, sua mão escovando meus cabelos originando-se de suas raízes e indo até o fim, para só então voltar para o lugar de origem me acalmava, assim como o seu perfume doce e suave, eu gostava daquilo, gostava do seu abraço mesmo ela tendo me abraçado duas vezes, eu sentia que era o suficiente. Ainda estava tendo minha crise de ansiedade e pânico, meus músculos estavam rígidos e meus sentidos apurados, eu sabia que qualquer barulho alto ou movimento brusco podia piorar mais a situação, mas estando ali, nos braços da herdeira me parecia que eu não precisava daquilo, não precisava ter medo, não com ela ali.

 

         – Respire pelo nariz e solte pela boca. – Falou ela retirando-me de meus devaneios. – Lembra de quando fizemos isso na aula de D.C.A.T.? – Confirmei com a cabeça sendo incapaz de verbalizar algo. – Então faça comigo, inspire... – Senti seu peito se expandir e imitei o movimento, inspirando o mais fundo que eu conseguia. – E expire.... – Seu peito se contraiu assim como o meu. – Continue deste jeito, inspire... E expire. – Ela me acompanhou por um tempo, mas quando percebi eu já inspirava e expirava sozinha.

 

         Sendo sincera, eu nunca achei que este exercício de respiração funcionava, talvez seja pela minha impaciência ou ansiedade, eu sempre acabava me distraindo ou ficando irritada por que não dava resultado logo, entretanto, a confiança que a loira a minha frente passava me fazia acreditar – de certa forma – que isso realmente dava certo. Chariot e Croix pareceram despertar do estado de choque e correram até mim, não sabia ao certo quanto tempo eu fiquei presa em meus devaneios, mas parece ter sido por pouco tempo, eu praticamente fui arrancada dos braços de Diana e aquilo me irritou um pouco, eu estava bem lá, estava confortável e segura, mas não podia julgar a ação de Chariot e Croix, eu podia ver a expressão preocupadas e amedrontadas de ambas, aquilo fez meu peito doer, elas eram importantes de mais para mim e ver elas sofrerem era doloroso, mais do que essa minha “doença”. A francesa me abraçou e logo eu ouvi seus soluços e Croix apenas abraçou nós duas, me senti um pouco sufocada pois aquele abraço estava bastante apertado, mas relevei por causa do momento, virando meu rosto e encarando o da herdeira eu sorri em agradecimento, ela deu um pequeno sorriso e se levantou da cama, senti um desespero imediato, não queria que ela fosse embora, bom, não naquele momento, encarando seus olhos eu supliquei para que ela ficasse e pela primeira vez, foi ela quem desviou o olhar, suspirando ela caminhou em direção a pequena cozinha que havia naquele quarto e sumiu lá dentro, fiquei feliz por ela não ter ido em bora, mas insatisfeita por ela ter saído daqui.

        

         – Por que não nos chamou? – Chariot perguntou quebrando o silêncio e o abraço.

         – Não consegui. – Respondi com a voz baixa e rouca.

– Não conseguiu? O que quer dizer com isso? – A italiana perguntou.

– A crise desta vez foi mais intensa e forte, minha consciência não aguentou processar isso e eu simplesmente apaguei. – Croix se afastou e Chariot a encarou preocupada.

– Você está dizendo que desmaiou? – A ruiva questionou e eu apenas confirmei com a cabeça.

– Sim, a dor ela.... Ela se igualava a dor sentida pela maldição cruciatus, porém, mais forte e intensa. 

– Oh, céus! – Chariot levou a mão em sua boca.

– Ela está piorando. – Croix disse para a ruiva. – A marca, e-ela.... Ela cresceu?

– Não tive tempo de olhar, mas suponho que sim. – Suspirei e fiz uma expressão de dor logo em seguida, meus músculos estavam completamente destruídos.

– O que houve? Você está bem? – A francesa perguntou.

– Não é nada demais, acalme-se, é apenas as consequências de ter três crises em tão pouco tempo. – Vi Croix ajeitar alguns travesseiros na cabeceira da minha cama. – Meu corpo dói, apenas isso. – Me encostei nos travesseiros e soltei um suspiro de alivio ao sentir meus músculos relaxarem.

– Como não é nada? Akko! Você poderia ter nos avisado! – A italiana me repreendeu.

– Adiantaria alguma coisa? – Murmurei.

– Sim, nós poderíamos...

– Sinceramente, você só come barrinhas de cereal e bebé café? – Diana perguntou saindo da cozinha, carregando consigo uma bandeja. – Oh! Me desculpem, interrompi a conversa de vocês? – Questionou constrangida, eu apenas sorri e neguei com a cabeça.

– Não, já tínhamos acabado de conversar. – Antes que Chariot ou Croix discordassem eu perguntei: – O que tem aí?

– Como vocês estavam em um lindo momento em família eu não quis interromper. – Deu de ombros. – Por isso resolvi ir até a cozinha e preparar algo, mas não encontrei nada além de pó de café, barrinhas de cereal e alguns biscoitos, francamente, você só come aquilo? – Perguntou colocando a bandeja em cima da escrivaninha do quarto e pegou duas xícaras que havia ali, um ela entregou para Chariot e a outra para Croix.

– O que é isso? – A ruiva perguntou observando o liquido quente.

– Chá. – Croix e, Diana, falaram ao mesmo tempo.  – Chá de camomila para ser mais exata, foi uma grande surpresa minha encontrar apenas um único pacotinho de chá dentro dos armários, pensei que teria que fazer café. – Torceu o nariz em desgosto e pegou a outra xícara estendendo em minha direção.

– Obrigada, Diana. – Sorri em agradecimento e beberiquei o líquido.

– Pensei que não gostasse de chá, Akko. – Chariot comentou.

– E não gosto. – Dei de ombros. – Entretanto, o chá que Diana faz e maravilhoso. – Bebi mais um pouco e suspirei em pura satisfação.

– Bom, peguei uma barrinha de cereal para você também, espero que não se importe. – Estendeu o cereal e eu o peguei sorrindo.

– Não me importo, na verdade, se quiser pode fazer isto sempre, eu realmente não me importo. – Dei de ombros e a observei com mais detalhes, podendo perceber suas bochechas que estavam em um tom rosa claro.

– Bem, eu tenho que ir, deixei Hannah e Barbara falando sozinhas, elas devem estar preocupadas, até Akko. – Ela sorriu e eu retribuiu.

– Até, Diana. – A loira abriu a porta e saiu. 

– Hum... – Croix murmurou com um sorriso esquisito em seus lábios.

– O que há? Por que me olha deste jeito?

– Nada... – Respondeu ainda com o sorriso esquisito no rosto. – Nada mesmo.

– Chariot, Croix está me assustando. – Sussurrei formando uma concha com minha mão e olhando a italiana pelo canto do olho. – Faça algo! – A ruiva riu negando com a cabeça e me abraçou repentinamente, fiquei surpresa e um pouco travada, mas segundos depois eu relaxei e a abracei de volta, aproveitando para beber o chá que Diana fez.

– Croix, não chateie meu bichinho do mato! – Apertou minhas bochechas.

– Ok, eu paro. – Ergueu as mãos em sinal de rendição. – Mas você também percebeu, não percebeu? – Questionou voltando a ter aquele sorriso no rosto.

– Claro que sim, até um cego perceberia isso. – Chariot também deu o mesmo sorriso que Croix e eu apenas franzi o cenho confusa.

– Do que diabos vocês estão falando?

– Contamos? – A francesa perguntou.

– Não, comigo ninguém me disse nada. Deixe que elas descubram sozinhas. – Bebeu o chá em sua xícara e arqueou as sobrancelhas surpresa. – Diana realmente sabe fazer um chá delicioso. 

– Não é!? – Disse entusiasmada. – Diana é incrível! – Bebi o último resto de chá que havia na xícara.

 

[...]

 

Eu não fui para nenhuma aula naquele dia, o que gerou preocupação em minhas amigas que resolveram fazer uma festa do pijama, com a desculpa de que ontem eu as dispensei para ficar com Viollet, para minha surpresa, Diana estava aqui, como monitora chefe ela tinha que monitorar os corredores hoje, mas aparentemente ela conversou com Miranda e a convenceu a lhe dar um dia de folga, tendo em vista que ela nunca pediu algo do gênero, o que me preocupa um pouco, Diana é esforçada e além de ser monitora chefe, ela é líder do grêmio estudantil de Luna Nova, sim, não é apenas nas escolas trouxas que existem um grêmio estudantil. Mas enfim, sendo responsável por essas duas coisas isso demanda muito tempo e dedicação dela, nem imagino o quanto isto deve cansa-la, apesar de nunca ter visto ela fraquejar com exceção de ontem.

 

– AKKO! – Dei um salto por causa do susto que levei, coloquei a mão em meu coração e encarei Jade que ria como uma gazela.

– Qual é o seu problema? Por que gritou em meu ouvido? – Perguntei levemente irritada.

– Eu te chamei um monte de vezes, mas você não me escutou. – Deu de ombro.

– Você esta aérea hoje, tem certeza de que está bem? – Bella perguntou.

– Sim, estou.... Eu estava apenas pensando.

– E por um acaso você pensa? – Nick provocou arrancando risadas.

– E por um acaso você deixou de ser trouxa pela senhorita abelha rainha? – Seu sorriso se desmanchou na hora.

Ni siquiera sabes cómo jugar (Você não sabe nem brincar). – Murmurou me fazendo rir junto a bella.

– Tudo que vai, volta. – Disse.

Taca a bunda que eu taco a piroca. – Jade cantarolou em seu idioma natal nos fazendo olha-la.

– Jade! – Amanda lhe deu um cascudo na cabeça.

– Ai, paixão! – Murmurou passando a mão no lugar atingido.

– Ainda não me conformo com o fato de Amanda O’Neill estar namorando. – Provoquei a ouvindo bufar.

– Ninguém resiste ao meu charme brasileiro, amorzinho. – Lançou uma piscada em minha direção.

– Menos, Jade, bem menos, quase nada de preferência. – A ruiva rolou os olhos.

– Você me ama O’Neill! – A ruiva nada disse, apenas segurou o rosto da brasileira e lhe deu um rápido selinho, arrancando um sorriso idiota do rosto da outra.

– Sabe, Jade? – Chamei sua atenção. – Eu deveria te dar um prêmio. – Ela franziu o cenho confusa.

– Hum? Por que?

– Pois para suportar esta daí, tem que ter bastante paciência. – Vi a esverdeada levar a mão até a boca abafando uma risada.

– E você, Akko? – A ruiva me chamou. – Quando vai crescer? Até Constanze cresceu. – A alemã ao ouvir seu nome ser pronunciado na conversa apenas sorriu e fez um joinha com a mão.

– Até você? – Questionei a menor que apenas deu de ombros e voltou a mexer em um... um... O que diabos era aquilo? Enfim, eu não me importo o suficiente para saber, então... Vida que segue.

– Eu podia ter ido dormir sem essa. – Bella zombou de mim e eu apenas bufei. Olhando ao redor eu vi Lotte e Sucy conversando com Veronica, Bella voltando a ler uma HQ qualquer do Batman, Jade e Amanda entraram em uma bolha particular apenas delas, suspirei satisfeita e me deitei melhor em minha cama, fechando os olhos logo em seguida.

– É sempre agitado, assim? – Escutei aquele tom de voz único e sorri involuntariamente.

– Tem vezes que é pior. – Ri baixo. – Está gostando? – Abri os olhos e me virei de lado, apoiando minha cabeça em minha mão a encarando.

– Sim, é..... Divertido. – Vi seus olhos azuis brilharem enquanto ela observava nossas amigas. – Eu nunca tinha participado de uma festa do pijama.

– Serio!? – Perguntei surpresa.

– Sim, Daryl era... – Soltou um suspiro pesado. – Ela é, complicada.

– Ela ainda continua do mesmo jeito que a conheci? – Vi ela dar um sorriso nostálgico e negar com a cabeça.

– Sim e não, ela mudou sim e foi bem perceptível, mas... – Franziu o cenho fechando os olhos logo em seguida. – Ela ainda é ela, sabe? Acho que minha tia é daquele jeito mesmo. – Falou frustrada.

– Ninguém nasce daquele jeito, minha querida. – Dei alguns, tapinhas na cama com minha mão livre, ela logo entendeu e se deitou de frente para mim. – Há inúmeros fatores que levam uma pessoa a ser daquele jeito amargo, mesquinho, ignorante. – Retirei alguns fios de cabelo que caiam sobre seu rosto e os coloquei atrás de sua orelha.

– Talvez. – Respirou fundo e fechou os olhos novamente. – Uma vez, Maril disse por alto que tia Daryl ficou assim após a morte do meu tio, depois tudo piorou quando mi.... – Ela engoliu em seco e voltou a falar. – Quando minha mãe veio a falecer.

– Eu sinto muito, querida. – Continuei a escovar seus cabelos. – Mas, mudando de assunto.... Dormiu bem esta noite? – Pude observar um sorriso lindo nascer em seus lábios.

– Sim, consegui sim, graças a você. – Ela abriu os lindos olhos azuis e eu ri, negando com a cabeça.

– Que b...

– EU NÃO ACREDITO! – Bella gritou me assustando.

– Puta que te pariu! Vai assustar a sua avó! – Jade resmungou de cara feia.

– Por que gritou? – Sucy perguntou.

– Akko, Akko... – Ela disse meu nome com um sorriso malicioso em seus lábios. – Eu sabia que você não prestava, mas não sabia que era a este ponto.

– Do que está falando? – Perguntei confusa.

– Do que eu estou falando? Ora, disto aqui. – Ela me mostrou um mangá, mas não era qualquer mangá era uma edição de Citrus.

– Puta que pariu! – Jade começou a rir com a mão na boca no intuito de abafar a risada, o que não teve sucesso, Amanda apenas me encarava com um sorriso malicioso assim como Bella e Veronica.

– Bella! – A repreendi saindo da cama imediatamente e correndo até ela para pegar o mangá de suas mãos, mas ela foi mais rápida e entregou o mangá para Veronica. Eu corri até a mexicana, essa por sua vez entregou o mangá para Amanda e isso já estava me irritando. – Certo, será assim então? Petrificus Totalus! – Mrumurei irritada fazendo assim o corpo de Amanda ficar completamente paralisado, como uma estátua a única coisa que se mexia era seus olhos, caminhei em sua direção e retirei o meu mangá de suas mãos. – Obrigada. Finite Incantatem! – A ruiva caiu de joelho no chão. Peguei o meu mangá e o coloquei de volta no lugar, fechando o armário logo em seguida, me virei para ir em direção a minha cama novamente e percebi os olhares sobre mim. – O que há agora!? – Perguntei impaciente.

– Você fez um feitiço sem varinha! – Lotte apontou.

– Hum, sim? O que é que tem? – Questionei indiferente e me joguei em minha cama.

– É surpreendendo uma pessoa como você conseguir fazer um feitiço sem o auxílio de uma varinha.

– Alguém como eu? – Me sentei na cama e encarei Jade com as sobrancelhas franzidas.

– Bom, sim... Amanda me disse que você era um desastre e nem conseguir voar em uma vassoura conseguia. – Olhei a ruiva de um jeito sério, mas logo rolei os olhos, o que ela falou era verdade então por que eu ficaria com raiva?

– Muita coisa mudou durante esses dois anos. – Disse simples. – Eu mudei.

– É perceptível. – Diana falou e eu a encarei, lá estava a expressão que eu mais odiava, era aquela indecifrável, aquela expressão me agoniava, eu não sabia se ela havia gostado ou odiado e isso me irritava.

– Eu... – Arranhei a voz. – Eu aprendi bastante coisa e sou capaz de fazer bastante coisa, mas.... – Parei a fala e neguei com a cabeça. – Enfim, isto não importa, podemos mudar de assunto?

– Claro... – Lotte concordou.

– Voltando ao assunto do mangá... – Arregalei os olhos e pulei da cama.

– Vou ir beber água, alguém irá querer? Não? Que bom! – Eu praticamente corri para a cozinha.

 

Respirei fundo uma vez tendo colocado meus pés lá dentro, eu podia ouvir a risada da minha fuga idiota daqui, não era de se admirar, a cozinha ficava bem próxima do meu quarto, neguei com a cabeça tentando retirar aquele momento constrangedor de minha cabeça e caminhei até o armário da cozinha, peguei um copo qualquer e fui até a pia, peguei água da torneira mesmo e enchi o copo até a metade, deliguei o registro da torneira e levei o copo até os lábios.

 

– Quando vai contar para elas? – A voz inusitada de Diana me assustou, fazendo-me engasgar com a água e a cuspir na pia.

– D-Diana? Deuses! Você me assustou! – Coloquei a mão em meu peito.

– Você não respondeu minha pergunta, Akko. – Se desencostou da parede da cozinha e caminhou até mim. – Quando vai contar para elas?

– Não sei do que está falando. – Me fiz de sonsa e bebi o resto da agua no copo.

– Você está doente. – Não foi uma pergunta e sim uma dolorosa afirmação. – Ninguém precisa ser um gênio para notar isto, basta prestar bastante atenção.

– Eu não posso! – Deixei o copo em cima da pia. – Você viu como Chariot e Croix ficaram? E-Eu não posso fazer isso com elas, Diana.... Eu não posso. – Me virei em sua direção enquanto abraçava meu corpo.

– E vai esperar elas descobrirem? – Perguntou séria. – Akko, você tem noção do que esta fazendo?

– Estou poupando-as.

– Não, você apenas está adiando o sofrimento delas. – Descruzei os braços e a encarei surpresa. – E no fundo, você sabe que é verdade. – Ela respirou fundo. – Escute, quanto mais cedo você dizer a verdade, mais tempo elas terão para digerir a situação. Você por um acaso já imaginou sua doença piorar e elas só saberem quando for tarde demais?

– Já é tarde demais, Diana. – Respirei fundo e a vi franzi o cenho.

– Como?

– Nada, esqueça. – Suspirei. – Não vale a pena.

– Akko, o que você tanto esconde? – E lá estavam eles, os olhos azuis intensos.

– Diana, por favor, não insista. – Desviei o olhar.

– Eu apenas quero te ajudar. – Se aproximou.

– Você já ajuda, acredite em mim. – Sorri tentando tranquiliza-la, mas pareceu não funcionar.

– Por que eu não consigo acreditar nisso? – Riu sem humor e se afastou. – Sabe, Akko? Assumir que você precisa de ajuda não te torna fraca, sabia? Pedir ajuda não te torna dependente ou frágil. – Falou séria.

– Diana, não é bem assim... – Tentei falar.

– E como é então, Atsuko? – Cruzou os braços e me encarou.

– Não há nada que você, Croix, Chariot ou elas podem fazer sobre isso.

– O que quer dizer com isso? – Arregalei os olhos e me afastei.

– Nada, esqueça.

– Como vou esquecer uma coisa assim? – A escutei bufar. – Você é importante demais para mim, Atsuko. – Senti meu coração descompassar. – E para elas também, eu sei superficialmente sobre a sua doença e isso porque eu te vi vomitando sangue, sangue! – Elevou um pouco o tom de voz, mas logo respirou fundo. – Imagina para elas, nossas amigas não sabem de nada sobre isso e pense como elas irão ficar quando souberem que você está doente!

– A ignorância as vezes é o melhor caminho, a verdade nem sempre é uma boa escolha.

– Você vai esperar que a bomba exploda então? Por que.... Uma hora ou outra, ela vai explodir e não irá ser nada bonito.

– Escute, Diana, esta é uma decisão minha, sou eu quem decide se irei contar ou não! – Falei irritada.

– Como quiser então, apenas não diga que eu não avisei! – Ela saiu irritada da cozinha e eu minutos depois fui atrás dela, mas quando cheguei em meu quarto ela não estava lá.

– Onde... Onde Diana está?

– Foi embora. – Amanda me encarou. – Ela parecia irritada com algo, apenas pegou suas coisas e saiu daqui.

– Seja o que for que você fez, isso a irritou para valer. – Jade confirmou e eu apenas grunhi irritada.

– O que me leva ao questionamento, o que diabos você fez!? – Bella perguntou.

– Diana é muito calma e para ela ter saído daquele jeito alguma merda você fez. – Veronica falou.

– Ela apenas queria que eu... – Neguei com a cabeça e bufei irritada com a situação. – Nada, apenas esqueçam isso. Nós tivemos uma pequena discussão.

– Não sei não... – Jade murmurou no colo da norte-americana. – Isso foi meio...

– Esqueçam isso! – Pedi irritada. – Eu já disse que não foi nada, podemos mudar de assunto? – Elas ficaram em silêncio, mas  acabaram concordando.

 

[...]

 

 Eu não procurei Diana naquele dia, estava irritada e meu grande orgulho não permitiu, mesmo eu sabendo que estava errada, não contar a verdade era um direito meu certo? Ela não tinha que se meter naquilo, minha doença não era da conta dela! Neguei com a cabeça e bufei frustrada, era da conta dela a partir do momento em que ela me viu vomitar sangue, com o quarto completamente destruído e durante uma crise de ansiedade, além do fato dela ser minha amiga e querer apenas o meu bem, Deuses! Por que ela sempre tinha que estar irritantemente certa? Enterrei meus dedos em meus cabelos e os joguei para trás, não era certo o que eu estou fazendo e talvez – apenas talvez eu digo – eu deva contar a verdade para as outras, mas como vou fazer isso? Eu não quero machuca-las, não mais do que eu já fiz, eu não suporto ver Chariot e Croix com aquele olhar sobre mim, não quero ter isto vindo delas, seria demais para mim e eu não sei se iria suportar, o que eu faço? Nunca estive tão perdida em toda a minha vida!

Talvez eu devesse primeiro ir até Diana e pedir desculpas, eu não tinha pensado sobre isso, mas muito provavelmente minhas ações e escolhas a machucam também e, machucar Diana é a pior coisa que podia acontecer comigo, machucar Diana era como... Me machucar, mas de um jeito extremo, maior do que minha “doença” ou algum feitiço que cause danos. Respirando fundo eu me levantei e tomei cuidado para não esbarrar em Amanda e Ana que dormia abraçadas em um colchão ao lado da minha cama, olhei o horário do relógio e já era 3:45 da manhã, eu não sabia se a loira estaria acordada a esta hora, mas valia apena ir até lá pelo menos, me concentrei e visualizei o quarto de Diana em minha mente, logo senti os efeitos da aparatação, segundos depois lá estava eu, no quarto da herdeira, a primeira coisa que eu notei foi sua cama bagunçada e vazia, mas a porta de vidro de sua sacada estava aperta, caminhei em passos hesitantes até lá e a vi debruçada no murinho, observando a enorme lua cheia lá no céu. Eu quase perdi o ar ao contemplar aquela cena, a luz da lua fazia um contraste e tanto contra a pele da herdeira e seus cabelos loiros.

 

– Vai ficar aí, ou irá vir até aqui? – Perguntou me pegando de surpresa.

– Como sabia que eu estava aqui?

– Eu apenas senti seu olhar sobre mim, o que veio fazer aqui? – Perguntou se virando e cruzando os braços.

– Eu vim me desculpar.

– Pelo que? – Perguntou de um modo cínico e eu respirei fundo.

– Olha, Diana, eu não vim aqui brigar e....

– E eu quero que você me responda, Atsuko. Pelo que, exatamente, você quer se desculpar? – Respirei fundo e me sentei na cadeira que havia ali.

– Pelo modo rude ao qual eu te tratei e pelas minhas atitudes egoístas. Eu.... Eu realmente quero me desculpar, Diana, não foi certo o jeito que eu te tratei quando você apenas queria me ajudar. – Escutei ela soltar um longo suspiro e vir até mim.

– Akko, eu sei que você esconde muitas coisas, tanto para proteger os outros como para se proteger, eu apenas queria que você confiasse em mim e me contasse o que te aflige.

– Você é boa demais, Diana, eu não quero te ver sofrendo.

– E o que acha que está fazendo? – Arregalei os olhos e a encarei.

– Diana eu...

– Não. – Me interrompeu. – Você quer preservar elas, eu sei, mas, e quanto a mim? Akko, eu te vi vomitar sangue, você sabe o que é ver alguém importante para você vomitar sangue? – Ela abraçou o corpo quando o ar frio daquela noite bateu contra nós duas. – Pode não parecer, mas toda esta situação, toda a sua situação me assusta, perder você me assusta. – Eu a encarei nos olhos e pude contemplar aqueles azuis céu, sofridos e dolorido.

– Eu quero contar, Diana.... Eu quero muito, mas... Como eu vou fazer isso? – Senti meus olhos marejarem. – A-Aconteceram tantas coisas, tantas mesmo e.... E eu não sei por onde começar. Eu não tenho força. – Senti as primeiras lágrimas vindo, Diana percebendo isso se aproximou mais um pouco e limpou minhas lágrimas.

– Por que não começa pelo início de tudo? Como o porquê de você realmente ter sido expulsa de casa? – Senti meus músculos ficarem tensos mas respirei fundo e puxei a loira pelo pulso fazendo-a ficar entre minhas pernas.

– Não é uma história bonita. – Encarei seus olhos azuis intensos e ela não recuou o olhar.

– Nem toda história boa é bonita, Akko. – Ela retirou alguns fios castanhos do meu rosto e sentou-se em minha perna. – Comece quando quiser.

 

                                                            Continua...?


Notas Finais


Primeiro antes de tudo: CATRADORA É REAL PORRAAAAAAAAA! VAI TOMAR NO CU! MELHOR SHIPP EVER! EU TÔ FELIZ PRA CARALHOOOOOOOOOOOOO! DREAMWORKS EU TE AMO CACETE!

Segundo: Me desculpe o surto e a demora.

Terceiro: E então? O que acharam? Espero que tenham gostado, se divertido e tido uma boa leitura! Ate a próxima!


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