História Cadman Walker e o Vórtice da Morte - Percy Jackson - Capítulo 2


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Categorias Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Annabeth Chase, Calipso, Éolo, Frank Zhang, Grover Underwood, Hazel Levesque, Jason Grace, Leo Valdez, Nico di Angelo, Percy Jackson, Personagens Originais, Piper Mclean, Rachel Elizabeth Dare, Reyna Avila Ramírez-Arellano, Thalia Grace, Will Solace
Tags Calipso, Caos, Érebo, Frank Zhang, Hazel Levesque, Jason Grace, Leo Valdez, Nico Di Angelo, Nix, Percabeth, Percy, Percy Jackson, Personagens Originais, Primordiais, Solangelo, Universo Alternativo, Will Solace
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Palavras 2.743
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


A história oficial começa aqui, trocando para a primeira pessoa de Cadman.

Capítulo 2 - Mergulho em chamas em direção ao Atlântico


DOIS ANOS DEPOIS

Sim, é Cadman. Mais ou menos como Cadmo, famoso herói da Grécia Antiga, criador dos guerreiros espartanos, assassino do Dragão filho de Ares e mais diversas outras coisas que certamente eu nunca conseguiria fazer igual. 

Cadman Möller Walker.

O nome, por si só, mostrava a mistura de culturas que era minha família, passando por mudanças de geração em geração. Até onde sabíamos, tudo começou na Inglaterra, da onde vem o Walker. Logo depois, mudamos para a Alemanha, onde nasceu meu pai e também o sobrenome Möller. E Cadman? Bom, talvez eu tenha esquecido de mencionar uma das partes mais importantes. A que me faz não poder ir ao mercado sem a chance de morte aumentar 200%.

Há quase 17 anos atrás, meu pai e sua empresa viajaram para os Estados Unidos da América, a negócios. Meu Pai, Hubert, é de fato um cara muito bem sucedido. Inteligência e astúcia acima da média o fizeram se tornar um expert em nanotecnologia, um dos melhores do mundo. É claro que isso tudo, na terra dos deuses, chamaria a atenção de Atena, a Deusa de muitas outras coisas, mas em suma, da sabedoria. Como meu pai me conta, os dois conversavam por longos períodos após as reuniões que o pai tinha com a empresa americana. Atena ficou fascinada com tamanha inteligência do meu pai a tal ponto que me concebeu. Logo após isso, ela aparecia cada vez menos, até sumir de vez e deixar apenas meu pai e eu sozinhos. Meu pai comprou um apartamento e decidiu morar no Estados Unidos por um tempo, ele nunca disse, mas eu sabia que ele esperava que Atena um dia voltasse. Não aconteceu. Voltamos a Alemanha, meu pai filiou-se a sua nova empresa e tentamos viver uma vida normal. Ele queria esquecer tudo.

Eu julgava isso difícil, porquê conforme os anos foram passando, todo dia havia um monstro diferente para avisar: "Ei, seu filho é um semideus!". 

Era cada vez mais insana a ideia de passar dos 18 vivendo daquele jeito. Meu pai sempre dizia: "Você se vira, com o tempo se acostuma." Mas não dava, daquele jeito não dava, e eu sempre pensava que meu pai estava me escondendo algo importante sobre mim. O que nos leva ao dia de hoje, onde minha jornada como o semideus mais azarado de todos começa.


Era um dia de verão típico em Berlim. O sol irradiava fortemente, deixando a pele dos alemães muito semelhante com tomates.

Lá estava eu, sentado com meus amigos observando o movimento na Gendarmenmarkt, a praça mais famosa e movimentada de toda Berlim. A aula da manhã tinha terminado, então resolvemos e passar pela praça e deliciar alguns sorvetes antes de ir embora(no meu caso eu esperava o motorista do meu pai chegar).

- Cad, você conseguiu terminar os exercícios de trigonometria na aula? - perguntou Alice, enquanto mergulhava uma colher de sorvete na boca de Marco.

Alice, uma garota alta, de pele clara, olho azul e cabelos loiros. Esteriótipo alemão, talvez? Já Marco era diferente, de descendência Armênica, tinha traços rígidos e a pele cor de café-com-leite com um pouco de café demais. 

- Não, falta bastante ainda - respondi, enquanto olhava em volta da praça, tentando localizar alguma limousine preta. - Você sabe, mesmo com o tratamento pra dislexia... Ainda é difícil decifrar alguma coisa que o Sr. Hassenhüttl escreva.

Alice riu.

- Se você não tivesse tanta TDAH e dislexia eu diria que você já seria mais bem sucedido que seu pai - comentou ela.

Ri desdenhoso, embora talvez pudesse ser verdade.

- Você quem diz - disse. - Marco, já conseguiu informação do time dos caras para amanhã?

Marco e eu jogávamos basquete na escola. Nosso time tinha chegado até às finais regionais esse ano pela primeira vez, sendo modesto, muito graças a mim. A TDAH e a Dislexia pareciam fazer com que eu ficasse muito mais solto em quadra, atento a todos os detalhes. As coisas pareciam passar mais devagar para mim e embora eu não fosse tão alto, havia uma enorme disparidade atlética minha para o restante. Eu corria mais rápido, eu pulava mais alto. Talvez por que eu fosse um semideus? É, quem sabe, esse assunto não importava.

Nesse mesmo momento, senti um arrepio na nuca. Instintivamente olhei para a trás. Não havia nada de anormal, apenas o tráfego de carros na rua que dava a volta na praça. Mas aquela sensação...

- Ei, Cadman. Tá aí? - Março me despertou de meus devaneios me balançando. - Está olhando para o quê?

- Nada, nada - afirmei. - O que você falou?

Marco pareceu desconfiado, mas finalmente desviou o olhar da rua.

- Aparentemente o jogo deles é muito rápido, você sabe, contra-ataques - disse ele, gesticulando com as mãos. - Mas relaxe, estamos bem preparados. Nunca tivemos uma chance tão boa, sei que vamos conseguir.

- É, vamos - confirmei, mas ainda não tinha me livrado da sensação de observação.

- Hum... Cad, seu próprio pai veio lhe buscar, eu acho... É ele, não é?

Virei-me rapidamente e vi meu pai acenando e me chamando para de um conversível branco, parado na vaga próxima a uma loja importante de roupas. Por que ele tinha vindo pessoalmente dessa vez?

- Bom, é a minha deixa, pessoal - disse, dando um beijo na bochecha e abraçando Alice, e apertando a mão e chocando ombro com ombro com Marco. Eu estava com uma sensação esquisita no peito... - Até mais -... Sensação de que nunca mais veria os dois.

Quando cheguei a porta do carro, ouvi um grito apavorado ao longe, seguido por um rosnado bem audível.

Monstros, pensei.

Talvez um mortal com boa visão tenha se deparado com um e surtado, o que explicava o grito. Agora esse monstro provavelmente estaria atrás de mim.

Voltei a mim e abri a porta do carro tão rápido quanto fechei.

- Bom dia. Como foi...

- Vamos, vamos, vamos! - gritei com ele. - Tire a gente daqui! Rápido!

- O que...?

- O de sempre, pai. O de sempre. Tá esperando o quê?

Meu pai ficou abalado por alguns segundos e então pareceu voltar a si. Deu partida no carro e saiu a toda. 

Na hora que passamos pelo cruzamento no final da praça eu o vi. A esquerda, pulando em cima de um utilitário e o amassando por completo estava um cão enorme. Em pé aquela coisa deveria dar uns três de mim, ou seja, quase seis metros de comprimento. Sua largura também era absurda e tinha músculos como se malhasse todo dia. Imaginei que não seria muito agradável ter o peso da criatura sobre si. 

Antes que meu pai cruzasse o sinal vermelho a toda pela direita, não pude deixar de ver que a criatura me fuzilou com seus olhos vermelhos e também que ela tinha começado a se mover em certa velocidade, na nossa direção.

- Está vindo! - exclamei.

- O que é? - meu pai perguntou enquanto um motorista comum esbraveja de longe com ele por ter arrancado seu retrovisor.

- O monstro? Um cão gigante que corre a uns 60 km/h.

Meu pai balançou a cabeça negativamente e pisou mais fundo no acelerador. Em área urbana, correndo daquele jeito...

- Para onde estamos indo? - disse. - Esse não é o caminho de casa.

- Aeroporto - respondeu ele, fazendo uma curva quase que a 90 graus a esquerda. - Vamos para os Estados Unidos.

- O que? - estava surpreso de mais para dizer qualquer outra coisa.

- Olhe... tem um lugar que sua m... - ele iria falar "mãe", mas parece ter doído demais nele -... Um lugar onde... onde você pode ficar a salvo - explicou ele. - Tem mais pessoas como você lá...

- Por que você não disse antes? - disse chateado. Eu sabia que ele estava escondendo algo. - Agora, depois de tantos anos, tantos monstros...

Parei de reclamar, outro formigamento na nuca e vi que o cachorro estava mais perto que nunca. Fiquei imaginando o que os mortais estariam vendo no lugar daquela cena.

- Cadman, debaixo do banco tem uma arma - explicou meu pai, enquanto já entravamos no perímetro do Aeroporto. - Talvez atrase-o.

Tentei esquecer como eu estava com raiva. Passei a mão por debaixo do banco e senti um toque frio e metálico, rapidamente puxei. Um revólver.

Normalmente armas não funcionavam bem com esses monstros. O que eu fazia normalmente era fugir até não poder mais ou usar o ambiente a meu favor, como certa vez que explodi uma vampira de perna metálica, creio que se chama empousa, usando um reservatório de gás de uma fábrica.

Ali, a única coisa que eu podia fazer era atirar e rezar para que o cão sentisse algo.

Mirei, engatilhei e pimba

Se eu quisesse ter feito aquilo de verdade, mirando e tudo o mais, eu não conseguiria. A verdade é que foi uma enorme sorte a bala ter ido exatamente no olho do monstro, fazendo com que ele parasse imediatamente, se mexendo, urrando de dor e cego de um dos olhos.

Meu pai ignorou completamente a entrada que levava para o saguão do aeroporto. Arremessou o carro pela esquerda, fazendo com que ele saltasse para fora da estrada, arrebentasse com a grade e entrasse direto na pista de pouso. Só que não com as rodas para o asfalto.

O teto do carro se chocou com o chão duro da pista de pouso, estilhaçando os vidros e nos pressionando. Rapidamente recuperei a concentração. Concentrei minhas forças em um só golpe, arrebentando com a porta do meu lado. 

- Pai, vamos! - exclamei, virando para o meu velho. - Mas que m...

Ele tinha enorme corte na testa e também percebi que ele tentava se arrastar em direção a porta, mas suas pernas estava travadas.

- Me ajude aqui - pediu ele.

Com toda a calma do mundo, retirei ele das ferragens e nos arrastamos pra fora do carro.

- Você está bem? - perguntei.

- O corte não é nada. Vamos. Nosso jatinho está logo ali.

Ouvi um rosnado que parecia bem próximo. Ele tinha se recuperado.

- Rápido, rápido.

Meu pai saiu em disparada. Vimos um avião comercial gigantesco decolando, fazendo um barulho ensurdecedor.

Alguns seguranças tentaram nos parar, meu pai apenas balbuciava: "Autorização".

BOOM.

Não resisti ao ímpeto de olhar pra trás.

O cachorro muito grande e muito violento parecia ter estourado nosso carro e agora vinha, em nosso direção, fumegando (e raivoso, bem raivoso).

- Vai, vai, vai! - meu pai exclamou, chegando a um jato executivo preta e abrindo sua porta. Me joguei lá dentro.

O cachorro se aproximava. Meu pai deu a volta e adentrou a cabine de piloto. Em poucos segundos nós estávamos funcionando, a pleno vapor. 

Ele estava agora em nossos calcanhares. Embora não pudesse vê-lo, eu sentia

Algo do lado de fora cortou o vento, seguido de um barulho metálico e o chiado do avião roçando na pista.

- Vamos, vamos lá! - meu pai se agitava, quase arrancando as coisas do lugar na cabine. 

Mais um barulho.

O cão pareceu ter acertado a bunda do avião com suas garras, felizmente, sem abrir nenhuma cratera. Fato que não parecia estar acontecendo com fundo do avião. Daquele jeito, iria abrir rapidinho.

Se não entrassemos no ar logo... Eu já podia ver a cidade perto.

Felizmente, meu pai fez toda a força possível para cima e então conseguimos. Estávamos no ar. A salvo de qualquer ameaça, pelo menos terrestre.

Não pude deixar de me aliviar.

- Essa foi por pouco - disse. - Você tem certeza que está bem?

- Estou, estou - afirmou ele. Ele transpirava como um porco. Acho que nunca tinha corrido tanto da vida assim, e por mim.

Aquele pensamento aliviou um pouco a raiva que eu tinha por ele esconder essa informação de mim.

Fui em um armário ali perto e encontrei uma caixa de pronto socorros. O máximo que pude fazer foi passar um pano no machucado dele, enquanto o próprio fazia careta e murmurava: "Não preciso disso". Era muito orgulhoso. E então descobri o motivo dele nunca ter falado desse lugar seguro nos EUA para mim. Seu ego era maior.

Atena era quem provavelmente tinha dito que, quando eu alcançasse determinada idade, eu deveria ir para lá. E ele não queria, provavelmente achando que podia se virar sozinho comigo.

- Olha, pai - disse depois de algum tempo, quando já se podia ver os poucos campos esverdeados alemães abaixo. - Eu sei como você está se sentindo. Não precisa se preocupar, é o lugar ideal para mim.

- Han? Não sei do que está falando - ele disfarçou.

- Ah, pai - me aproximei e sentei na cadeira do co-piloto, para enxerga-lo melhor. - Você não precisa esconder essas coisas de mim. Eu sei que foi Atena quem disse desse lugar para você e você não quis me levar antes por causa do ego. Achou que conseguiria cuidar bem de mim o resto da vida. Sua atitude é amável, pai, mas tem coisas que você não pode controlar.

Se ele ficou triste, não demonstrou.

- Você sabe como é esse lugar? - tentei quebrar o clima ruim.

- Somente que é um acampamento, bom... de semi-deuses.

- Onde fica? - perguntei.

- Acho que Nova York, em Long Island - respondeu ele.

- Mas... As pessoas não vêem, certo? Pessoas comuns.

- Creio que não - disse ele. - Filho, descanse um pouco. Tem uma cama lá trás. Vai demorar bastante.

Não contestei. Percebi que meu pai queria ficar sozinho um pouco, só ele, seus controles, e o céu.

Olhei para baixo por uma das janelas. Ao que parecia, estávamos sobrevoando uma cidade média, cercada por uma vegetação e campos que se estendiam até outras cidades menores. Acho que aquilo era a França já, talvez?

Me arrumei na cama e fiquei olhando para o teto, repassando a insanidade que tinha sido meu começo de tarde. E aquela sensação de nunca mais ver Alice e Março... Bem, meu instinto parecia não ter errado.

Se eu ainda tivesse um celular, teria passado uma mensagem a eles no momento. Mas com muitos e muitos dias de experiência cheguei a uma observação: as ondas emitidas pelo meu celular parecia amplificar minha presença. Mais presença, mais monstros. Achei uma boa parar com o hábito.

Fiquei triste com a situação, mas aparentemente, era o mais correto a se fazer. Saindo de perto de pessoas como meu pai ou meus amigos, as chances de eles terem uma morte tremendamente doída eram consideravelmente muito menores.

Esse pensamento me aliviou um pouco.

Fechei os olhos mas rapidamente os abri. Recentemente eu vinha tendo alguns sonhos não muito agradáveis, como, por exemplo, um abismo escuro que rugia, parecendo ter vida própria, e também um cavaleiro de manto vermelho que incendiava casas.

Fiquei algum tempo olhando para nada fixamente, e então recostei para o lado e decidi dormir mesmo assim. Demorei um pouco, mas depois que consegui não pensar em mais nada (o que era muito difícil), dormi.

Felizmente não sonhei, mas quando abri os olhos, tínhamos coisas maiores para se preocupar.

A fumaça vinha por todo o jato. Nossa traseira pegava fogo.

Meu pai desesperadamente tentava fazer algo, mas tudo parecia em vão.

- O que está acontecendo? - levantei desesperado, sem nem saber por onde começar.

- Aquela... Coisa - ele ofegou. - Tem alguma coisa perseguindo a gente. Cuspiu fogo na traseira.

- Dragão?

- Olha, eu não sei! - exclamou ele. - Só estou fazendo o possível para manter a gente no ar por alguns minutos a mais. Depois eu não sei! 

Algo se chocou contra o avião, me arremessando para o chão, e então eu reparei.

Pela janela foi possível ver um dragão... Na verdade não, estava mais para um dragão serpente, com asas não tão grandes. Sua cara era horrível e sua pele parecia estar fumegando veneno. Seus olhos vermelhos se viraram exatamente para mim e pareceram se contorcer de raiva. Pareceram não, se contorceram de raiva, por que logo depois ele arremessou outro jato de fogo contra nós, quase derretendo a parede. Mais um e já era.

Nós não tínhamos opções, apenas podíamos adiar a morte.

Tentei pensar em alguma coisa, algum plano... Nada. Nenhuma coisa nos salvaria daquilo.

Foi então que o dragão cuspiu outro jato de fogo, derretendo a parede a minha e frente e me mandando para o ar em chamas e em queda livre.


 








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