História Café, chá ou chocolate quente? - Capítulo 4


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Categorias Deadpool, Homem-Aranha, Os Vingadores (The Avengers)
Personagens Anthony "Tony" Stark, Clint Barton, Dr. Bruce Banner (Hulk), Eugene "Flash" Thompson (Venom / Agente Venom), Natasha Romanoff, Peter Parker (Homem-Aranha), Steve Rogers, Wade Willson (Deadpool)
Tags Aconchego, Carinho, Depressão, Drama, Fofuras, Spideypool, Stony, Strangefrost, Superfamília, Superfamily, Thulk, Winterpanther
Visualizações 1.462
Palavras 5.332
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


AVISO: O conteúdo a seguir é extremamente delicado e faz referências a auto-mutilação. Há conteúdo gráfico sobre o assunto e detalhes sobre isso.
Se você estiver se sentindo de algum modo similar ao Peter e não tem ninguém pra conversar, há sempre sites de ajuda na internet que você pode conversar com pesssoas sobre.
Ou claro, sempre podem me mandar um mp. Estou disposta a ouvir quem precisa falar, sim?

Espero que vocês tenham uma boa leitura.
E espero que isso não desencadeie nada em ninguém -qq
Amo vocês. ❤️

Capítulo 4 - Capítulo 4


Ouvindo as palavras de Wade, Peter só teve uma resposta: se afastar. 

Os olhos castanhos estavam arregalados e o dono deles chegou a ficar estático por alguns segundos, encarando profundamente o dono dos olhos azuis. O Wilson nem teve tempo de uma reação ou de pensar em algum modo de acalmar o perceptível pavor de Peter; o acastanhado simplesmente começou a desabar em lágrimas. Lágrimas tão dolorosas e sofridas, que Wade podia sentir a dor só em ouvir os soluços que o menor soltava. 

— Não me ame, não me ame. Por favor, não me ame. — começou a dizer em uma espécie de mantra embolado, engasgado por entre as lágrimas e a face contorcida em uma expressão de sufoco. Peter levou uma de suas mãos em direção ao peito, agarrando o tecido em cima da região e sentindo mais uma ataque de pânico. 

— Peter...? — o maior indagou, sem saber como reagir. Esperava ódio, desprezo, nojo, qualquer coisa similar e não um ataque de pânico — de choro. Assim que tocou o menor com delicadeza, Peter afastou-se mais ainda, afastando o contato de Wade, com se Deadpool fosse machucá-lo. 

Mas não era isso, estava com medo de machucar Wade. 

Afastou-se um pouco mais, aumentando a frequência do choro. Queria tanto explicar a Wade o que estava sentindo, mas as palavras estavam presas em sua garganta, como se um nó o impedisse de falar. Queria pode poder aconchegar-se contra o corpo do mais velho e procurar acalento — em um ato de egoísmo —, mas sua crise só aumentava as proporções quando via que o Wilson estava tentando ajudá-lo quando definitivamente não merecia. 

Era doloroso ver como Wade parecia estar confuso, magoado e parecendo estar tão triste quanto ele — e provavelmente tendo uma guerra interna com as vozes. Peter só queria explicar tudo, dizer que Deadpool merecia alguém melhor, mas seu corpo não estava seguindo suas ordens, recusando a se mexer e sua mente o julgava porque não querer deixar o mercenário ir embora — e ser livre de toda a bagunça emocional que era. Então fez o que achou ser mais sensato:

— Sai. — pediu em um fio de voz engasgado e rasgado. Juntou os joelhos ao peito e enterrou o rosto entre eles, levando as mãos ao cabelo e arrancando alguns de seus fios castanhos. 

Chame-o de covarde, mas não queria ver a cara de Wade quando fizera o pedido. 

O Wilson pareceu demorar alguns minutos para processar as palavras e ter certeza se iria acatá-las ou não; abriu a boca algumas vezes para falar algo e chegou até mesmo a gaguejar um "eu", mas logo se calou e com uma respiração profunda, saiu do telhado do prédio, deixando um Peter para trás entre soluços e lágrimas sufocantes. 

Peter ainda ficou alguns minutos lá, com o rosto enterrado entre os joelhos e chorando alto.

A pior parte daquela coisa toda, era saber que Wade estava se culpando pelo o que aconteceu, quando a culpa era sua — e era exatamente por isso que não podia aceitar as palavras do mais velho, porque só iria machucá-lo mais ainda. Mas ainda assim... ainda assim, existia o desejo de poder falar com Wade e de explicar ao mercenário o que estava acontecendo.

De poder conversar com Wade e deixá-lo nos contextos do que estava acontecendo. De poder ficar do lado do homem e continuar a serem amigos. 

***

Quando Peter chegou à casa, ele parecia decidido a falar com seu pai. Queria abrir o jogo e descobrir uma forma de estar melhor. Porque ele sabia que isso não estava fazendo bem a si mesmo e precisava dar um jeito de ficar melhor — e porque ele tinha a certeza de que Wade enfiaria uma bala na cabeça quando chegasse em casa, mas não queria pensar nisso. 

Ele não podia deixas que os outros se machucassem por sua causa. 

Todavia, toda a sua vontade morreu assim que viu Tony e Steve em uma conversa amigável, entre risos e comentários sarcásticos sobre o casamento que aconteceria em menos de duas semanas. A culpa o atingiu com força. 

Como ele poderia jogar o peso de seus problemas infantis em cima de seu pai? Deveria superar isso sozinho, mesmo que soubesse que não iria conseguir. Era complicado. Sabia que o melhor a fazer era falar com alguém, mas tinha vergonha de mais para isso. Sentia que estava fazendo tempestade em copo d'água, sentia que seu pai iria fazer pouco caso e dizer que ele estava sendo uma criancinha — mesmo que soubesse que Tony iria fazer de tudo para vê-lo bem.

Também sabia que o que tinha era uma doença e precisava ser tratada — e isso o fazia se sentir mais fraco e idiota, estava doente e nem conseguia lidar com isso. Estava sentindo tudo aquilo e não passava de uma mera doença. Odiava como isso soava — e que seu pai o ajudaria. Ao mesmo tempo, tinha medo de Tony julgá-lo como fraco. De dizer que tinha problemas piores que os do Peter e nem por isso ficava fazendo draminha. Tão complicado...

Chegava a ser paradoxal. Porque sabia que seu pai o amava e faria tudo por ele, mas tinha medo de como ele reagiria e em como ele confirmaria todos os pensamentos depreciativos de Peter.

Como uma doença poderia fazer tudo àquilo em uma única mente? Pior... como isso poderia ser simplesmente curado com medicações?

— Hey Petey. — seu pai lhe lançou um sorriso quando percebeu a figura de seu filho. Steve também lhe lançou um sorriso. 

— Ei, pai. Ei... pops. — tentou o novo apelido para Steve. 

— Pops? — o loiro ergueu uma sobrancelha, confuso. 

— Se você vai se casar com meu pai, vai ser meu pops. — riu suavemente da cara de ultraje que Tony lhe lançou.

— Só tem espaço para um pai na sua vida e ele é eu. — o Stark mais velho estreitou s olhos.

— Se eu tiver que escolhe entre um, escolho o Steve. — o mais novo sorriu mordaz. 

— Seu pirralho insolente. — Tony lhe jogou uma almofada, que deveria acertar sua face, mas desviou com facilidade. 

— Também te amo, papai. — riu, pegando a almofada e jogando-a na cara de Tony, que não teve espaço para desviar. O mais velho quase caiu do sofá. 

O de olhos castanhos escuros ia dar o troco, mas Steve o impediu. Melhor: impediu que os Stark's entrassem em algum tipo de guerra onde acabaria com um laboratório explodido — porque isso havia acontecido uma vez e tudo tinha começado porque não entravam em consenso em qual filme iriam assistir. 

— Vamos ser pessoas civilizadas. — pediu o loiro.

Mas Tony não gostou da ideia, e logo estava jogando a almofada em Steve. Steve até tentou manter a compostura, mas depois da terceira, desistiu e jogou em uma Tony, que desviou e acertou em Peter. 

Após vários minutos, havia penas por toda a sala e três pessoas jogadas no tapete, rindo.  

Tony acabou puxando Peter para mais perto, abraçando com carinho e brincando com os cabelos castanhos claro do filho. 

— Então, vai contar porque seus olhos estavam vermelhos quando chegou? — pediu, fazendo carinho no couro cabeludo do menor. Estava falando baixo o suficiente para Steve não ouvir, ou pelo menos não entender. 

— Estavam? Acho que ficaram irritados. — mentiu com facilidade. 

— Vou fingir que acredito, por enquanto. — deu um olhar cético para seu filho. 

Peter somente cantarolou em resposta. 

Talvez ele devesse contar ao seu pai. Tony se importava e o isso o fazia sorrir. Amanhã. Ele contaria ao seu pai amanhã. 

— Quem vai me ajudar com a bagunça? — o loiro levantou-se do tapete, parecendo animado de mais para alguém que estava acordado em plena meia-noite.

— Eu tenho aula amanhã. — o mais novo disse na hora, querendo livrar-se de limpar a bagunça. 

— E eu tenho uma cama para deitar e dormir. 

— Peter pode ir, mas Anthony, você me ajuda. — Rogers disse com seu típico tom de líder.

— Mas Picoléééé... — o moreno gemeu, descontente, se agarrando a Peter mais forte. — Eu quero dormir. 

— Anthony.

— Steve. 

— Me ajude a limpar isso.

— Eu pago alguém pra limpar. — choramingou. 

— Não. 

— Mas eu posso. 

Anthony. 

— Chato! — bufou, se levantando do tapete também, Peter ficou rindo. — Cala a boca, criança. Ou você vai limpar isso sozinho. Na verdade, eu gostei dessa ideia. 

— Boa noite! — Peter levantou-se do tapete com agilidade sobre-humana e correu para seu quarto. 

— Crianças irresponsáveis... — Tony reclamou.

— Por que você é o quê? — Steve sorriu. 

— Adulto irresponsável! Me respeita. 

— Ah, muito melhor... — se aproximou de Tony, roubando-o um beijo.

Depois disso Peter pegou os fones de ouvido e pediu a FRIDAY deixar somente dez porcento dos barulhos externos chegarem ao seu quarto — era bom garantir. 

Colocando alguma música para tocar e com um leve sorriso no rosto, pensou: amanhã. 

***

Peter tinha saído de casa antes que seu pai acordasse para lhe desejar bom dia e uma boa aula. Deixou um recado, pedindo para FRIDAY entregá-lo assim que seu pai acordasse, falando que tinha isso mais cedo para a aula porque combinara de tomar café da manhã com MJ, Ned e Harry na escola.

Uma completa mentira, porque tudo o que ele queria, era evitar de ver seu pai essa manhã, porque ainda não estava certo sobre como — ou se — conversaria com ele. Seu estômago embrulhava sempre que pensava nisso e perdia completamente a fome, então simplesmente fora para a escola mais cedo — evitando os sentimentos confusos e o nervosismo — e pediu um simples café em uma padaria perto de casa. 

Ia ser um longo dia. 

***

— Então, por quanto tempo você vai continuar encarando o nada? — Michelle desenterrou o rosto do livro que estava lendo, arqueando uma sobrancelha e fitando Peter.

— Hm? — o acastanhado saiu de seus pensamentos, retornando à realidade e olhando para os olhos castanhos de Michelle. 

— Cara, você está olhando pra sua comida faz cinco minutos. — Ned apontou para o sanduíche na bandeja de Peter. O molho estava escorrendo entre o pão, umedecendo-o e a carne escorria entre as laterais de forma grotesca. Eca. Definitivamente não iria comer aquilo. 

Peter empurrou a bandeja para longe. 

— Uma vaca morreu para você ter esse sanduíche, você sabe. — Michelle resmungou, virando a página do livro. 

Peter só conseguia se lembrar de Wade e seu horror por vacas e de como ele achava que elas dominariam o mundo. 

— Nem, é a cantina, isso não é carne bovina. Tá mais pros alunos que foram para a detenção e nunca mais voltaram. — Harry apontou para a cor marrom doentia da carne e como ela tinha uma aparência bizarra. 

— Mas ainda tem um gosto bom. — Ned deu uma mordida em seu próprio sanduíche. 

— Você é o único que acha isso. — Michelle apontou o fato, ganhando um aceno de cabeça de Harry. Ned fez uma careta de ofendido, mas logo deu de ombros. — Concorda, perdedor? — a morena se voltou a Peter, que estava mais uma vez distraído. 

— Ahn? Sim, sim. — respondeu sem nem sequer teu ouvido uma palavra do que MJ dissera. 

— Ei! Não é justo! Se eu falasse agora que Star Wars é ruim, ele concordaria, não é Pete? — o Leeds apontou os fatos, ganhando mais um aceno de cabeça distraído de Peter. — Viu? — gesticulou para o acastanhado no mundo da lua. Michelle revirou os olhos. 

— Harry, acorda o perdedor aí pra mim. — MJ pediu.

Harry deu um sorrisinho cúmplice para a morena — porque sim, eles tinham uma forma bem simples de acordar Peter quando ele estava assim. 

— Moana é o melhor filme da Disney. — o ruivo sussurrou perto de Peter — dessa vez não tinha como Peter ignorar ou não ouvir, sua super audição não deixaria. 

— Não é não! — o acastanhado saiu do transe, olhando feio para o amigo. 

Ned desatou a rir junto com Harry e MJ esboçou um sorriso. 

— Tenta ficar acordado nas próximas aulas, perdedor. — MJ deu um chutinho amigável contra o tênis de Peter por de baixo da mesa — estava longe demais do menor para fazer qualquer outra interação. 

— Vou tentar. — disse um pouco envergonhado. Michelle sorriu por uma fração de segundos, antes de voltar a ler seu livro.

Conseguiu focar-se em uma conversa com Harry e Ned — e MJ quando ela saia de sua leitura para fazer algum comentário sarcástico e irônico — pelo resto do intervalo. 

De resto? Falhara miseravelmente. Só conseguia pensar em seu pai e em Wade — em consequência, passara o resto do dia disperso. 

***

Peter chegou a casa com a certeza de que falaria sim com seu pai. Estava tão confiante sobre o assunto que chegou a procurá-lo pela casa, ouvindo de FRIDAY logo em seguida que Tony estava em uma reunião com Pepper, debatendo assuntos sobre a empresa e que chegaria em uma hora, mas que Steve estava alguns andares abaixo, treinando. 

Peter não tinha certeza se a ausência de seu pai era boa ou não. 

Por um lado, tinha mais tempo no que pensar para falar. E isso foi bom, porque prepara um discurso mental e fez um roteiro das possíveis respostas do seu pai e tentou preparar-se mentalmente para não chorar ou cometer o mesmo que fizera com Wade. Por outro, seu nervosismo o consumia cada vez mais. 

Enquanto a TV passava a reprise de alguma série antiga, Peter trabalhava no próprio roteiro de sua vida, enquanto fingia prestar atenção em mais um episódio de Friends. Ficou tão imerso em seus pensamentos, que nem percebera que uma hora passara e seu pai estava chegando em casa do trabalho. 

— Hey, Pete. — o homem cumprimentou assim que saiu do elevador, desamarrando a gravata e jogando os sapatos estupidamente caros e que deveriam ser confortáveis — mas não poderiam ser depois de seis horas usando-os — em um canto e indo até a geladeira pegar qualquer sabor de refrigerante ruim de um dos Avengers. 

Talvez não tenha sido qualquer um quando Tony retornou com um sabor do Ironman — limão e cereja — e um copo de mate gelado para o mais novo dos Stark's. O acastanhado pegou o chá, retirando o invólucro metálico e dando um gole na bebida — preferia caseiro, mas um industrializado vez ou outra não fazia mal. 

Peter bebeu mais um gole e pensou em abrir o jogo naquele exato segundo. Despejar todas as informações de uma vez em cima do seu pai, na forma do discurso que havia planejado e se livrar do nervosismo que consumia cada mísera célula de seu corpo. Abriu a boca para fazer com que o mar de emoções que estava sentindo escapasse por ela, mas tudo o que conseguira fora:

— Ei, pai. — sorriu suavemente, como se não tivesse um furacão em sua mente e coração.

Tony também sorriu, sentando-se do lado de seu filho e falando sobre como amava aquele episódio da série. 

Anthony acabou puxando seu filho para seus braços, fazendo Peter recostar a cabeça em seu ombro, enquanto segurava os ombros de sua criança; comentando sobre como Mônica estava em primeiro na sua lista de: "os três com quem você pode trair seu marido" — mas como ela não existia, Chris Evans¹ entrava no lugar. 

Peter não sabia se seu pai tinha feito aquilo de propósito — se ele estava percebendo que havia algo errado e lhe dera um pouco mais de afeto físico —, mas agradeceu mentalmente. 

Não disse mais nada pelo resto do momento, concordando silenciosamente com seu pai quando o mesmo falava e bebendo mais do chá, enquanto brincava de contornar a borda com o indicador e fitar o fundo do copo. 

Saiu do cômodo quando Steve chegou, cansado e suado de tanto treinar; deu a desculpa de que tinha lição de casa para fazer — o que não sabia se era real, não havia prestado atenção a nada que seus professores lhe disseram. 

***

Sentando-se à mesa, fazendo alguma atividade de física — que descobriu a partir de Ned que existia —, Peter tinha um copo de café em mãos — só assim para conseguir se concentrar no que estava fazendo — e mais algum na cafeteria. Estava tão distraído com as contas e teorias de magnetização, que nem viu Bucky chegando.

— Hey, Pete. — o homem mais velho pegou um pouco do café na cafeteira — colocando logo em seguida um pouco mais para ser feito.

— Ei tio Bucky. — sorriu.

Bucky não passava muito tempo no complexo dos Avengers, a maior parte do seu tempo era gasto em Wakanda. Ele ainda sentia algum desconforto em falar com Tony e Peter depois de tudo o que havia acontecido no passado. Era complicado encarar os dois quando destruíra a família deles — mesmo que Tony fizesse o máximo para tratá-lo de maneira decente e Peter sempre sorriso como se tudo estivesse bem. 

— Uh, eu vou procurar Steve. — disse, meio desconcertado e desajeitado. Ficavam muito tempo afastado um do outro, já que moravam em continentes diferentes agora e sempre que estava na América — dessa vez porque Steve iria se casar em algumas semanas —, Bucky passava um tempo com o irmão mais novo de consideração.

— Você sabe, não precisa ficar tão nervoso perto de mim. — Peter bebeu mais um gole do café forte, contornando a borda. 

— Eu não--

— Papai te aceitou como padrinho de casamento não só porque você é o melhor amigo de pops. — Bucky achou melhor não comentar nada sobre Steve ser chamado de "pops". — Ele te aceitou porque ele quer tentar se acertar com você. Quer te uma dar chance, ele só não consegue deixar isso claro porque está tão desajeitado quanto você. — sorriu suavemente, olhando suavemente para o ex-soldado.

— ...

— Você deveria conversar com papai. — levantou-se da cadeira para pegar mais café, ficando do lado de Bucky.

— E você?

— O que tem eu? — ergueu o olhar curioso, servindo-se. 

— O que você acha disso tudo?

— Que a gravata vermelha não combina com você e que você deveria ter ficado com a azul. Te deixa com um ar mais sério. Vermelho não é sua cor. 

— Você é estranho, criança. 

— É minha melhor característica. — sorriu.

— ... eu vou conversar com seu pai. 

— Obrigado. — Bucky exibiu a sombra de um sorriso com o agradecimento e Peter voltou a sentar-se, dando a brecha para Bucky sair da cozinha e ir ao encontro de Steve. — Ah, tio Bucky?

— Sim? — o homem virou-se, olhando para Peter, estava quase na porta. 

— Shuri me contou do seu relacionamento com T'Challa. Boa sorte. — sorriu suavemente. 

A reação de Bucky foi ficar mais vermelho que um morango e apertar o passo, enquanto murmura um "obrigado" bem baixinho.

Peter acabou rindo sozinho, ele finalmente conseguiu uma expressão de Bucky além de sua cara séria e um pouco desajeitada.

***

Ao som de Alec Benjamin, acompanhado de um café muito amargo e uma conversa problemática com sua própria mente que poderia dar inveja a Yellow e White² — onde seus pensamentos variavam em como ele era uma pessoa fraca e covarde por não conseguir falar com seu pai e em como ele era inútil e egoísta por ser um herói tão fraco que acabava se preocupando de mais com seus próprios probleminhas de adolescente que fazia drama por tudo, do que com quem realmente importava: as pessoas de New York —, Peter rendeu-se a ânsia de seus desejos desde que a coisa toda explodira na noite anterior com Wade. 

Não era saudável e era momentâneo por seu fator de cura, mas causar algum machucado em si mesmo sempre o ajudou a focar-se no que era realmente importante. A dor ardida de um corte fino contra a pele, o distraía do seu âmbito; assim como o prazer culposos de ver o sangue escorrer por seu pulso, enquanto o machucado fechava-se lentamente. 

Era tão mais fácil e simples de lidar com o mundo. 

Sabia que não teria cicatrizes ou provas na manhã seguinte por culpa do seu fator de cura. Se alguém visse o sangue ou qualquer coisa suspeita, era fácil encobrir com os machucados de Spiderman. Era tão fácil mentir... enganar. E tudo isso coberto por um sorriso. 

Quando alcançou um par de lâminas bem escondidas — não fora complicado achá-las, seu pai trabalhava com matérias como aqueles no laboratório e Tony sempre lhe dera a liberdade de pegar alguma coisa ou outra para trabalhar em algum projeto especial —, sentiu a textura do alumínio contra sua pele, o gélido do mesmo e o brilho do metal ainda era perceptível, mesmo com a pouca iluminação de quarto.  

Sentiu-se pior do que o usual ao pegar a lâmina em suas mãos. Normalmente o peso do metal se tornava pluma quando o deslizava pela sua carne, todavia, hoje estava tão pesado que não conseguia erguê-lo, muito menos posicioná-lo. Ao invés de se tornar um alívio delituoso... fora um exponencial para toda a culpa e nervosismo que sentia. 

Sua mente tornou-se tão tempestuosa e tão confusa, que a lâmina escorregou por sua mão, caindo suavemente pelos lençóis da cama. O peso do alumínio escorrendo por entre seus dedos, fora como retirar um mundo inteiro de seus ombros e todas as suas confusões tornaram-se calmaria após a tempestade. 

Com isso, sabia muito bem o que tinha que fazer: falar com Tony. 

***

— P-Papai? — Peter chamou a atenção do homem mais velho que estava ajeitando alguma coisa em sua armadura. 

— Ei, Pete. — Tony colocou a chave de fenda na mesinha do laboratório, voltando seus olhos para a figura de seu filho. No exato segundo que colocou seus olhos sobre Peter, sabia que seu filho não estava bem. 

O garoto parecia querer sumir dali, segurando um de seus próprios pulsos com força e mordendo o lábio inferior. Os olhos castanhos brilhando com lágrimas não derramadas, o ligeiro tremor que percorria todo do menor e agora que Tony parava para pensar: na forma quebrada que Peter o chamou. 

Aproximou-se de Peter no mesmo segundo, fazendo um bilhão de perguntas se ele estava bem. Parecia procurar machucados inexistentes e isso só deixava Peter mais nervoso. 

— Eu estou bem, pai. — disse sem pensar, se arrependendo dois segundos depois. Seu nervosismo aumentou; tomou uma respiração profunda, sentindo todos os seus músculos virarem macarrão cozido. — Uh, eu, ahn... na v-verdade... uh, não estou. — gaguejou. 

E Tony percebeu isso — o gaguejar. Peter tinha um leve problema de dicção quando começava a ficar nervoso. Começava a falar rápido demais, tropeçando em suas próprias palavras, gaguejando e procrastinando o que ia falar. Não era o pior problema do mundo, e a criança tinha ido a melhor fonoaudióloga que Tony podia achar e isso fez com que Peter melhorasse muito o seu discurso, mas às vezes voltava quando ele parecia desconfortável ou muito ansioso. 

Peter sempre teve problemas quando o assunto era falar; isso incluía a sua primeira vez. Fora aos dois anos, quase aos três. Um tanto incomum, já que crianças falavam desde um ano ou até mesmo antes. Ao menos, a primeira vez que Peter falara, fora uma frase completa — pedindo mais suco ao seu pai — e com a gramática quase perfeita — fora um errinho ou outro, coisa normal de criança — elas sempre tinham dificuldade com uma letra ou outra. Fora um dos momentos mais felizes da vida de Tony.  

— P-Podemos conversar? Uh, não aqui. M-Mas pode ser! S-Se ficar melhor, ou, uh, não sei. E-Eu, ahn... só... podemos conversar? — Tony odiava a forma como seu garotinho ficava tímido e olhava para os próprios pés, com as bochechas vermelhas de vergonha, sentindo-se desconfortável em falar com sua própria figura paterna. Ele não deveria se sentir assim perto dele — ele deveria se sentir seguro, confiante. 

— Onde você quer conversar, Pete? — perguntou gentilmente e dando um sorriso de apoio a Peter. O acastanhado parecia um pouco surpreso em toda a receptividade, e Tony perguntou-se internamente se havia errado em algum momento no papel de pai.

— Pode... pode ser no meu quarto? — perguntou baixinho. 

Tony rodou um de seus braços pelo o ombro de Peter e os guiou até o elevador que dava para os quartos, enquanto dizia um sim. 

Peter esperava que tudo ficasse bem. Que seu pai o entendesse. 

***

Foi uma bagunça — depois que Peter soltou a primeira lágrima, ele simplesmente não conseguiu mais se conter, fora como se uma barreira se rompesse dentro dele e ela estava segurando todos os seus sentimentos mais densos; e depois, fora impossível segurá-los. 

Foi uma bagunça de lágrimas e choro. Seu pai o segurou forte em seus braços em cada nova fase, ouvindo atentamente o que tinha para falar e chorando junto algumas vezes, por mais que tentasse ser forte para o seu pequeno garotinho. 

Segurou Peter apertado contra seu corpo, sentados na cama confortável e ouviu todas as lamúrias do adolescente, prometendo sempre estar lá para quando Peter precisasse de um colo para chorar. O abraço de Tony nunca foi tão forte e o cheiro de óleo de motor do seu pai nunca foi tão reconfortante. 

Ao final, a voz de Peter era rouca e suas lágrimas secaram, fazendo com que o pequeno somente tremesse contra seu pai, enquanto despejava todas as suas lamurias, medos e insegurança. 

E Tony o reconfortou, jogando todas as inseguranças de Peter para longe, dizendo como Peter era um bom garoto e que ele não precisava sofrer com isso sozinho. Que ele agora estaria ao seu lado, porque Peter era corajoso o suficiente para lhe dizer como estava sentindo e Tony estava orgulhoso de seu garotinho, mesmo que estivesse triste também e chorasse contra os fios castanhos claros. 

O acastanhado quase nunca via seu pai chorando. Foram momentos tão raros e únicos, que ele podia contar nos dedos de uma mão. E ver as lágrimas do mais velho sempre lhe causava dor, fazendo com que abraçasse seu pai com força e secasse todas.

Mas dessa vez, foi quase reconfortante — chame-o de louco e egoísta, mas foi —, saber que ele se preocupava tanto, saber que todas as palavras eram reais e não somente cuspidas de uma forma carinhosa e falsa... as lágrimas de Tony mostravam que aquilo era real... as lágrimas de Tony fizeram com que Peter chorasse mais, e isso foi bom. 

Porque pôde dizer tudo. E pôde receber o carinho do mais velho. 

E isso significou muito. Mesmo. 

Tony o manteve em seus braços até que Peter se acalmasse, chorando menos e ouvindo as palavras de conforto de seu pai. 

Acabou caindo no sono nos braços de Tony e pensando que tudo poderia ficar bem. 

***

Acordou sozinho em sua cama. Posicionado em seu travesseiro e com um lençol fino em seu corpo, o ar um pouco mais frio que o usual e sentindo que o peso de um mundo saiu de seus ombros. Um sorriso fino estava espelhado pelos seus lábios — mesmo que a coisa toda tenha sido em suma, triste, desastroso e bagunçado — e perguntando as horas para FRIDAY — recebendo a resposta de que eram onze e trinta e sete da noite — saiu do quarto. 

Assim que saiu, andando pelo corredor que dava na sala, pode começar a ouvir uma conversa de seu pai com Steve, antes mesmo de ver a imagem dos dois sentados no sofá acompanhados de uma taça de vinho. 

— Não, eu concordo. — Steve sorriu para a figura morena, passando a mão carinhosamente pela a de Tony e confortando o Stark com um tom de voz gentil. 

— Eu ainda não sei o que fazer, Steve. — encostou a cabeça no ombro do seu noivo. 

— Um psiquiatra, primeiramente. Vai ajudar. — o loiro beijou os fios castanhos escuros. 

— Strange. — o Stark lembrou-se abruptamente. 

— O mago? — Steve franziu o cenho. O que Stephen tinha a ver com a conversa?

— Sim. Nos conhecemos na faculdade, em MIT. Ele se especializou em todas as áreas sobre neurologia. Isso incluí psicologia e um diploma que o deixa agir como um psiquiatra. 

— ... vocês se conheciam? — isso foi uma surpresa. Anthony nunca tinha falado sobre isso. 

— Fomos amigos, era complicado ter quinze anos e estar na faculdade. Stephen estava em uma situação semelhante, ele tinha dezesseis. Recobramos contato depois que ele virou um mago. 

Desde que Strange ajudara os Avengers em uma missão ou outra, os dois às vezes saiam. Tony confiava no mago desde que ele e Rhodey o ajudaram com o enterro de seus pais. Acabaram perdendo contato depois do mestrado, mas isso não queria dizer que a consideração sumira. Principalmente agora que os dois eram menos arrogantes. 

— Acha que pode confiar nele? — resmungou, tentando apagar o desconforto. 

— Já confio. — porque Steve podia não saber, mas Stephen estava ajudando-o com um presente de casamento especial para o loiro — que Peter também não sabia, porque também queria deixar como surpresa para seu filho também. 

Steve engoliu a reminiscência de ciúmes. 

— Acho que agora você só tem que conversar com os dois. — Steve deu um beijo estalado na bochecha de Tony, ainda um pouco desconfortável. 

— Obrigado por ser compreensível, Ste. — Tony sorriu gentilmente, mesmo que os riscos de cansaço delineassem seu sorriso. Falava da situação toda — estava alheio ao ciúme. 

— Se preocupe com Peter primeiro, sim? — colocou uma mecha de cabelo castanho escuro atrás da orelha de Tony. — Podemos nos casar no inverno. — puxou Tony para um abraço. 

— Se você me prometer não congelar, Picolé. — brincou, mas devolveu o abraço, um pouco desesperado por um afeto físico que o acalentasse. 

Peter nem conseguiu prestar atenção no resto. Seu pai estava desistindo de casar com o homem que amava por sua culpa? 

Aquilo atingiu como um trem. Ele deveria ter previsto que era melhor ficar quieto. Deveria ter sido mais forte e encarado sua própria tristeza sem sentido e não ter prejudicado a felicidade de ninguém. Porque era a única coisa que estava fazendo nos últimos dias: machucando as pessoas com quem se importava.  

Voltou para seu quarto em passos silenciosos e não deixando sua presença ser percebida pelo casal. Assim que chegou ao cômodo, voltou a pegar a lâmina de alumínio. 

O peso dessa vez, fora confortável. E o encaixe dela contra sua palma era perfeita. Passou o dedo pela parte cortante e viu o quão bem a mesma estava afiada, enquanto o sangue de seu polegar manchava o objeto, dando-o tons de vermelho sobre o prata. Era bonito. A sensação fora boa. Melhor do que às vezes anteriores, o prazer culposo deu lugar a certeza de que estava fazendo certo. 

A lâmina cortou a carne de seu pulso e o vermelho vivo escorreu por entre as mangas de seu moletom — e isso lembrou Peter de quando brincava com lápis-de-cor e pintava as coisas com o vermelho, o tom vivido se espalhando pela folha branca, fluído, assim como o vermelho do sangue se espalhava pelo branco da sua pele. O próximo corte foi ainda mais viciante — tanto quanto brincar de pintar em sua infância —, deslizava a lâmina contra sua pele com tamanha facilidade e fluidez, que Peter não viu como poderia estar fazendo algo errado — era análogo a pintar, a forma como passava o lápis pela folha, deixando o vermelho para trás, assim como a lâmina deixava vermelho por onde passava, pintando-o. 

Quando não havia mais espaço em um de seus antebraços para continuar com o alívio, prosseguira para o outro, como se fosse uma nova folha para desenhar. 

Corte atrás de corte. Era uma confusão sanguenta, mas o alívio era maravilhoso de se sentir, distraindo-o da dor e da culpa de não ser bom o suficiente. De machucar quem ama. A dor física conseguia colocá-lo em uma espécie de morfina para suas dores sentimentais. Para sua doença. 

E seu pai concordava que estava doente e tinha até planos de levá-lo a um psiquiatra — para que pudesse ser medicado e ter um médico que cuidasse de seus enfermos. Mas fora para isso que o procurara, não? Para que ele soubesse que estava quebrado e pudesse concertá-lo. E seu pai era ótimo em concertar as coisas. 

Ele iria consertá-lo — porque se não pudesse, ninguém mais poderia. 

Seu fator de cura não estava funcionando essa noite direito. Talvez porque não comera o dia todo de tanto nervosismo — só bebera café e chá e isso não era o suficiente, não quanto tinha um metabolismo mais rápido que de um ser humano normal. Talvez porque até seus poderes estavam reconhecendo-o como fraco e estavam abandonando-o para morrer. 

Não que estivesse reclamando, a inconsciência era bem-vinda. E ela o atingiu. Caiu em um baque alto contra o chão.


Notas Finais


Chris Evans¹: ator do Capitão América. Eu sou retardada e precisava fazer essa referência. hsjashsj
Me perdoem, eu amo vocês ;u; ❤️

Yellow e White²: as vozes na cabeça do Wade. Minha preferida é o Yellow :3 Ele é insano, mas o pior entre eles -qq White é o sensato do grupo, porque sim, Wade pode ser sensato, bem de vez em quando -qq E provavelmente é quem deve ter convencido o Wade a deixar o Peter sozinho no prédio. Ele é um pessimista -qq

Obs¹: Foda-se, eu odeio Moana. Pra mim é o pior filme da Disney e simplesmente superestimado. Ela começa forte, determinada e corajosa e termina exatamente assim. O vilão é sem graça e Mauí tenta matar ela! Como ela confia nele?! E por que o mar que é tão independente simplesmente não tacou a porra da pedra e resolveu a porra toda? Nem explicaram! Foi ruim. Não gostei. Eu vejo filmes por personagens e seu desenvolvimento e não teve nesse filme! Foi só uma história clichê. É revolucionário por que não termina com ninguém e isso é feminista? Desde quando não se apaixonar é ser feminista? Enfim. Vou parar de reclamar desse filme, porque ele é ruim :3 (fiquem a vontade para ter a opinião de vocês, essa é a minha saiushsujs)

Obs²: chá mate só existe no Brasil, eu sei, eu sei. Mas eu não me importo :3 Tony é rico, se ele quiser, ele compra uma fazenda de mate -qq

Obs³: Todo mundo é gay nessa fanfic E EU NÃO ME IMPORTO. Viadagem é o poder. Que se foda as mulheres, ela se pegam e ficam shippando os carinhas no canto -qq (menos Wanda e Vision, cof cof, eles devem sofrer heterofobia dos vingadores shushsjsns)

Obs¹+³: nem sempre falar mais tardiamente significa algum tipo de deficiência mental, às vezes pode representar genialidade ;3 Não se prendam a esteriótipos ❤️

Obs²+³: eu sei que esse capítulo saí da estrutura narrativa da história... mas bem, como eu narraria isso de outra forma? shaushsus Os próximos serão similares nessa estrutura. Desculpa. Mas eu prometo que ainda haverá referências ao título e algo muito importante relacionado a ele no futuro. :3

Eu sei, eu sei.
Esse capítulo foi pesado -qq
Maaaaaas~
Quem sabe não melhora?
Há muita tempestade antes do Sol aparecer :3

Espero que vocês tenham gostado
E tenham em mente que eu amo vocês
E que se precisarem de alguma coisa, eu estou aqui ^^
A gente sempre pode trocar mp ou números e ter uma conversa
sahsushsush

Enfim~
Estarei distribuindo abraços e lencinhos nos comentários ^^

E eu sinto muito
(não, não sinto, eu sou bem sádica e maldosa, sorry, not sorry)

Até a prox ❤️


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