História Cafeteria Burket's - Capítulo 15


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bangtan Boys (BTS), Coffee, Comedia, Fluffy, Jeon, Jimin, Jungkook, Namjoon, Personagem Original, Romance, Taehyung, Yoongi
Visualizações 177
Palavras 5.675
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Atrasei a data, eu sei, mas eu estava me sentindo bem desmotivada esses dias. No entanto, aqui está o capítulo e eu peço desculpas pelos erros de escrita 💕

Boa leitura❤

Capítulo 15 - Morango e tutti frutti


Fanfic / Fanfiction Cafeteria Burket's - Capítulo 15 - Morango e tutti frutti

Jungkook havia acordado mais cedo do que de costume, naquela manhã de sexta feira. O alarme do celular havia ressoado pelo quarto pontualmente quarenta minutos depois de ter levantado-se da cama, quando estava saindo do banho.

Automaticamente, sua primeira ação ao deixar o banheiro foi caminhar rapidamente até o criado mudo ao lado da grande cama de casal - por vezes solitária, já que ele era o único a utilizá-la -, desligando o alarme do aparelho e verificando o horário atual: 06:02h da manhã.

"Ótimo", pensou ele. Teria tempo suficiente para arrumar-se e tomar café sem pressa, diferente de como acontecia rotineiramente nos dias anteriores, nos quais ele atrapalhava-se o suficiente a ponto de chegar extremamente atrasado ao Burket's.

Poderia sequer importar-se em chegar no horário. Afinal, ele era o chefe, não é? Contudo, Jungkook não fazia o tipo que chegava à cafeteria quando bem entendia. Ele sabia que devia estar no local antes que os demais funcionários chegassem ao estabelecimento.

Assim que retirou a toalha branca ao redor de sua cintura, tratando de enxugar quaisquer resquício das gotículas de água do chuveiro que ainda abraçavam-se ao corpo desenhado por inúmeros músculos, vestiu-se apropriadamente com uma camisa social branca, cujos botões enfileirados de colocação esbranquiçada, mal podiam ser vistos de longe, no tecido, a calça preta combinando perfeitamente com o blazer de mesma tonalidade.

O café instantâneo havia sido feito na cafeteira e após prepará-lo, Jungkook sentou-se à mesa, saboreando o líquido quente com calma, disposto a deixar que a animação em sair do apartamento não atrapalhasse seus planos formulados para mais tarde. Precisava fazer com que o café o acalmasse, deixando-o pronto para lidar com todas as emoções que aquela manhã, talvez, pudesse desencadear.

Como o esperado, Jungkook sentiu-se mais calmo após a primeira refeição do dia, e assim que terminou-a, pegou o celular que estava acima do criado mudo, em seu quarto, colocou-o no bolso da calça preta junto às chaves do carro e partiu em direção ao elevador, apertando o respectivo botão que o levaria até o estacionamento.

Segurar diversas sacolas em suas mãos enquanto caminhava até a área onde seu veículo estava estacionado, não havia sido tão difícil quanto ele esperou que fosse. Mas, ainda assim, Jungkook respirou fundo ao passo que abria o porta-malas para guardar as sacolas que estavam penduradas em seus braços. Ele não se lembrava de ter comprado tanta coisa assim. A animação talvez tivesse falado mais alto, de alguma forma.

Jeon colocou todos os brinquedos devidamente embrulhados em papéis de presente decorados com ilustrações infantis de balões e bolos de aniversário — porque ele não fazia a mínima idéia de como se embrulhava um presente para qualquer faixa etária — junto aos demais materiais que havia comprado exclusivamente para presentear as crianças da Instituição onde ajudava com doações e afins, dentro do porta-malas do veículo. Haviam cestas básicas e produtos de higiene pessoal que a vendedora de uma loja no shopping center havia ajudado-o a escolher corretamente. Tudo o que precisaria levar até o abrigo mais cedo ou mais tarde.

Não era terça feira, como o dia em que ele tratava de visitar o local. Mas Jungkook tampouco se importou com o fato, pois estava animado demais com a idéia de ir até a instituição no dia em questão.

Assim que sentou-se no banco do motorista, colocando devidamente o cinto de segurança, e após dar a partida, ignorou completamente o percurso que fazia até o Burket's religiosamente todas as manhãs, passando a trafegar em direção à casa de Kang Haeyon.

Enquanto dirigia pelas ruas já bastante movimentadas mesmo àquele horario, com a mão direita guiando o volante e o cotovelo direito apoiado na janela aberta do veículo, permitindo que seus fios de cabelo castanho viessem a chacoalhar com a presença oscilante das constantes lufadas de ar, Jungkook ainda recordou-se da conversa que tiveram na manhã do dia anterior, e de como ela havia terminado de forma abstrata, sem uma resposta exata por parte de Haeyon, sem ela dizer sim ou não, deixando-o inteiramente confuso e um pouco ansioso, também.

Ele não sabia ao certo o que aconteceria entre os dois a partir dali. Mas sabia que deveria fazer com que ela sentisse que podia confiar em si, que ele não era o tipo que brincava com sentimentos e tampouco se importava. Queria demonstrar que era diferente de Namjoon e que ela não precisava temer seus futuros relacionamentos, porque a vida inteira é constante aprendizagem.

O trânsito próximo a casa da Kang estava calmo, por sorte ela morava em um bairro tranquilo e silencioso, e era extremamente fácil locomover-se pela região. Ele havia parado o carro em uma via distante de sua casa, há alguns metros de distância, para que ela não o visse estacionado ali. Pegou o celular no banco ao seu lado, deslizando o dedo polegar na tela de bloqueio do aparelho e abriu a lista de contatos no canto inferior esquerdo do ecrã, selecionando o contato de Haeyon. Eram quase seis e meia e ela com certeza já devia estar acordada.

Pensando nisso, Jungkook arrastou o contato dela para o lado direito, selecionando uma chamada de voz.

O aparelho fazia o típico "tum", enquanto suas mãos pareciam suar. Jeon estava quase crente de que Hae não o atenderia. Mas surpreendeu-se no instante em que a ligação fora atendida nos últimos segundos.

Ora ora... Você me ligando? Fui demitida?

Jungkook sentiu o coração bateu mais forte ao ouvir a voz suave e descontraída dela, ressoando baixa enquanto falava do outro lado da linha. O jovem distinguiu o som de portas se abrindo levemente e o barulho de alguma coisa sendo jogada acima de um colchão. Provavelmente havia acabado de sair do banho.

Jeon meneou a cabeça, afastando-se daqueles pensamentos.

— Bom dia para você também, senhorita Kang — disse Jungkook, com ironia, ouvindo uma risada nasalada ecoando brevemente do outro lado. — Você está acordada?

Não, na verdade eu sou sonâmbula e você está falando comigo inconscientemente, agora. — Hae riu, sarcástica. — Não esperava um ligação sua às seis horas da manhã. Vai me dizer o motivo de tamanho milagre?

— Se continuar, eu vou me sentir ofendido. — Riu, observando a rua em linha reta que levava até a residência  de Hae.

Ela nem ao menos sonhava que ele estava tão perto.

— Tudo bem, chefe. Desculpe por ser tão grosseira, mas é que eu não tenho bom humor logo cedo. O que houve? Tenho alguma bronca, por acaso?

Jungkook ergueu uma sobrancelha, prendendo o lábio inferior entre os dentes, a fim de impedir que sua risada ecoasse do outro lado. Apesar de suas palavras soarem um pouco ásperas, ele sabia que ela estava sendo sarcástica, apenas ela mesma.

O de fios castanhos já estava acostumado com seu modo de falar e agir, e não era surpresa alguma para ele. Gostava do jeito como ela parecia ter sua própria identidade pessoal, seus próprios pensamentos, os quais não se moldavam com base nas opiniões terceiras. Haeyon tinha forte personalidade e aquela era uma das características que mais havia atraído a atenção de Jungkook.

— Eu não te liguei para brigar com você, Haeyon, fique tranquila. Quero saber se posso pegá-la aí na sua casa, daqui a alguns minutos, quando estiver saindo.

Houve uma pausa. Haeyon, do outro lado do aparelho, digeria as palavras de Jeon ao mesmo tempo em que tentava interpretá-las da melhor forma possível. Ela não sabia exatamente o que esperar, assim como não sabia o que ele pretendia com o "convite" em particular. Sentia como se uma reticência abstrata estivesse pairando no ar, mesmo que ele estivesse do outro lado do aparelho. Ere como se ainda houvesse algo para dizer, mas Jungkook limitara-se a ficar calado, talvez esperando alguma indagação por parte da Kang.

Pra quê?

A voz de Hae carregava uma emoção peculiar, indecifrável. Jungkook retirou o celular de sua orelha por alguns segundos, apenas para verificar o horário atual disposto no canto superior direito da tela, voltando a aproximá-lo de si novamente.

— Você só vai saber se dizer sim. Não tenho tanto tempo, por isso

O que você está aprontando, Jeon Jungkook?

— Nada. Mas e aí, posso ou não?

Do outro lado da linha, Haeyon sentou-se na borda da cama e cruzou as pernas, apoiando o celular na orelha esquerda enquanto enxugava gotículas de água existentes em suas panturrilhas. Ela franziu o cenho automaticamente diante do questionamento de Jungkook, e seu cérebro formulou mil e uma teorias a respeito do porquê de ele estar tão aparentemente interessado em buscá-la em casa, de repente. Havia algo diferente na voz do homem, algo singular sobre o qual ela não conseguia explicar mesmo se tivesse todas as chances do mundo.

Bom, certamente deveria ser alguma coisa importante, não? Afinal, Jungkook era ocupado demais para ligar e insistir em algo que não fosse de seu interesse.

Pelo menos era o que Haeyon pensava.

— Tudo bem, você pode. Mas nada de buzinar quando chegar aqui, minha irmã não tem aula hoje e está dormindo.

— Não se preocupa. Estou parado na entrada da sua rua. — Hae uniu as sobrancelhas e ouviu a suave risada de Jeon do outro lado. — Tenho que desligar agora. Não se atrase.

Antes que Haeyon pudesse questioná-lo a respeito de estar estacionado em algum lugar próximo à sua residência, a chamada havia sido encerrada e ela deixou o aparelho acima de sua cama, franzindo, totalmente confusa com a situação.

Ela deixou seus pensamentos ganharem rumos aleatórios de repente, enquanto migrava até o roupeiro, escolhendo um casaco cor de salmão para complementar as peças de roupas que havia escolhido para ir ao trabalho, àquele dia.

Ao terminar de se vestir e prender o cabelo castanho em um rabo de cavalo, Haeyon desligou a luz do ambiente — grata por não ter atrapalhado o sono de Ha Na —, pegou a bolsa bege e saiu, fechando levemente a porta do quarto atrás de si.

— Bom dia — disse ela, reverenciando a mãe. — Papai já saiu?

— Alguns minutos. Não faz tanto tempo.

— Ele ainda está bravo comigo?

Haeyon questionou e a mãe deixou a xícara de café recém trazida do armário, acima da mesa. Erguendo as sobrancelhas enquanto evitava olhá-la nos olhos, Hae sabia da resposta exata antes mesmo de a Senhora Kang dizer-lhe alguma coisa concreta.

— Você sabe como o seu pai é. Dê um tempo a ele, querida. Ele só está decepcionado porque você nunca fez uma coisa dessas. Tente entender o lado dela, mas fique tranquila. Ele é seu pai, é claro que vai te perdoar logo logo.

Haeyon respirou fundo, sentindo-se péssima de repente. Uma nuvem de melancolia recaiu sobre ela como uma suave bruma. Ela nunca havia dado motivos concretos para despertar a decepção de seus pais, e isso era algo que a deixava enraivecida consigo mesma. Sabia que havia sido um erro estúpido de sua parte. Mas não podia voltar atrás.

— Eu devia ter evitado isso. Foi minha culpa. Na hora eu nem pensei direito no que fazia.

— Você apenas saiu com seus colegas de trabalho, não é? — Hae assentiu, chateada, vasculhando alguma coisa na bolsa bege pendurada em seu ombro. — Que mal tem nisso? Não se culpe tanto, querida. Ninguém precisa acertar de vez em sempre, todo mundo erra e você pode aprender com seus erros para não cometê-los uma segunda vez.

A Kang mais nova pensou seriamente sobre aquilo. Era um fato, lógico, mas ela ainda sentia que palavras da senhora Kang não surtiriam o efeito desejado. Apesar de a mãe estar tentando fazer com que o sentimento viesse a dissipar-se aos poucos em seu interior, Haeyon sabia que tinha uma grande parcela de culpa em todo o ocorrido, no pub. Afinal, se ela tivesse sido um pouquinho mais prudente, de certa forma, nada disso teria acontecido. O pai não estaria bravo e decepcionado com ela, a mãe não estaria envergonhada perante a Namjoon, quando o mais velho levou-a para casa, bêbada, e Jungkook não teria ouvido todas as besteiras que ela havia lhe dito na noite em questão, assim como ela mesma não se sentiria extremamente constrangida todas às vezes em que a idéia de encontrá-lo surgia em sua mente.

Era impossível de não acontecer. Uma vez que trabalhavam no mesmo ambiente, Haeyon sabia que sempre o encontraria pelos corredores ou no salão principal do Burket's, em alguma parte do dia. Apenas essa certeza iminente era suficiente para fazê-la tremer dos pés à cabeça.

— Eu sei — disse ela, por fim, suspirando em desaprovação. — Mas não quero fazer coisas que acabem magoando a minha família. Papai estava certo em dizer que eu tenho de ser um exemplo para Ha Na. Ela se espelha em mim em algumas coisas e eu não quero que ela tenha uma irmã mais velha bêbada e maluca, que sai falando um monte de besteiras em lugares públicos. Não quero que Ha Na tenha essa imagem de mim.

— Se pensou na teoria, então parta para a prática. — Foi a única coisa dita pela mulher mais velha. — Sente-se, vamos tomar café juntas.

— Ah! Não vai dar, desculpe, mãe. — Haeyon lembrou-se da conversa com Jungkook, minutos atrás. Ele certamente a esperava em algum lugar por ali. — Eu tenho que fazer uma coisa antes do trabalho, mas não se preocupe, amanhã eu prometo que tomaremos café da manhã em família. Tchau.

— Vê se come alguma coisa ou vai acabar passando mal por aí...

Hae fechou a porta, cessando as palavras da mãe atrás de si. Enquanto caminhava até o portão, as batidas descompassadas de seu próprio coração pareciam estrifentes, como se cada mínimo ruído estivesse próximo aos seus tímpanos. Após travar uma batalha quase invencível contra o ferrolho do portão, Hae apertou a bolsa bege em seu corpo e alternou o olhar entre os dois lados da rua, prendendo a respiração nos pulmões ao visualizar um único carro parado há metros de distância de onde ela estava.

Apertou minimamente as pálpebras, enquanto caminhava apressadamente até o veículo, tentando distinguir se a figura masculina recostada ali pertencia a Jeon Jungkook. Ela não confiava em sua visão borrada e dupla, devido ao astigmatismo, por ainda estar sem o óculos de grau.

Haeyon inclinou a cabeça para observá-lo melhor diante da visão turva, torcendo para que não estivesse errada — afinal, ele era o único com um carro parado por ali — conforme chegava mais perto da silhueta alta e robusta ao lado do automóvel. Já estava completamente em frente a Jeon, quando conseguiu enxergá-lo com nitidez.

— Então você estava aqui o tempo todo?

Haeyon ergueu uma sobrancelha, irônica. Havia um sorriso casto em seus lábios e Jungkook prendeu sua atenção ali, por alguns segundos. O batom de coloração rosada combinava perfeitamente com ela, assim como a calça de tom pastel que lhe oferecia um ar descontraído. Sem a típica saia lápis e o óculos de grau, Kang Haeyon exibia uma imagem totalmente diferente, de um jeito bom, é claro.

— A carruagem sempre fica à espera da princesa. Vamos?

Jungkook gesticulou com a cabeça, fazendo um sinal silencioso para que ela o seguisse até o outro lado do automóvel, abrindo a porta gentilmente para que Haeyon pudesse entrar. Ela o viu lançar uma piscadela nada discreta em sua direção, meneando a cabeça com o ato repentino. Sorriu internamente, tanto pela ação não esperada, quanto pelas palavras ditas anteriormente.

Assim que Jeon adentrou o local destinado ao motorista, colocando o cinto de seguranças corretamente, Haeyon franziu o cenho conforme ambos seguiam em direção às ruas mais a frente, percebendo que Jungkook não fez o retorno que os levaria até o Burket's.

— Você está me sequestrando, Jeon Jungkook? — A Kang ergueu as sobrancelhas e Jungkook soltou uma risada nasalada, passando a língua suavemente entre os lábios, em um movimento um pouco rápido demais.

— Não. Nós não vamos para a cafeteria, hoje. Eu sou o chefe, então você não precisa se preocupar em chegar atrasada.

— Mas para onde estamos indo tão cedo?

O homem fez uma pausa, enquanto atentava-se ao trânsito. O céu acima de suas cabeças mostrava-se mais radiante conforme os minutos transcorriam.

— Para um lugar diferente. — As mãos de Jeon arrumaram o espelho retrovisor interno. — Você vai gostar do lugar.

— Não me fala que é um motel — disse ela, balançando a cabeça.

De repente, sem que pudesse evitar, Jungkook desatou-se em risos involuntariamente. A gargalhada dele era tão gostosa e contagiante de ouvir, e Haeyon sentiu seu peito retorcendo em uma forte emoção de nostalgia. Era a primeira vez que presenciava algo do tipo.

— Qual o problema? Não gosta de motéis?

— Eu nunca fui em um para saber se posso gostar ou não, apesar de ser claro o propósito desse tipo de lugar — rebateu, dando de ombros enquanto fitava a paisagem urbana e esplendorosa naquele horário específico.

Realmente, ela nunca havia ido a um lugar como aquele pelo simples fato de ser envergonhada o suficiente para repudiar a coragem de entrar em um ambiente assim. Além do mais, os pais surtariam se descobrissem sua ida até esse tipo de local.

— Isso é uma indireta? — Jungkook sorriu ladino, suas sobrancelhas erguendo-se enquanto ele desviava a atenção por um único segundo para visualizar a expressão da moça. Como precisava oferecer total atenção às ruas, não havia tixo êxito em fitar o semblante da Kang. — Você espera "visitar um lugar assim", qualquer dia que não seja hoje?

— Talvez. Minha amiga Lalisa diz que eu devia fazer alguma coisa proibida pelo menos uma vez na vida.

— Você tem algo em mente? — Jungkook indagou, sorrindo sugestivo.

Haeyon balançou a cabeça.

— Não mais. Eu já fiz isso de qualquer forma.

Os olhos castanhos de Haeyon voltaram a mirar a área externa, e tornaram-se distantes a medida em que o silêncio se propagava no veículo. Jungkook sentiu-se um tanto melancólico de repente, sabendo a razão por trás de suas palavras. Palavras estas que faziam alusão ao antigo relacionamento da moça.

A atmosfera havia mudado completamente, e ambos encontravam-se calados, agora. Jungkook conseguia visualizá-la brincando com o zíper da bolsa bege e alternando o olhar para fora da janela, a cada cinco segundos. Hae não parecia exatamente nervosa ou algo parecido. Na verdade, seu semblante denunciava que estava pensativa ao extremo. Um exemplo disso era o fato de Haeyon só ter percebido que ambos haviam chegado ao destino final, quando o próprio Jungkook desafivelou seu cinto de segurança, fazendo-a olhar ao redor no instante em que contemplou o grande casarão no qual Jeon havia estacionado.

— O que estamos fazendo aqui? — perguntou Hae, ao fechar a porta do carro.

Os dois caminhavam por entre a calçada que os levariam à parte interna da instituição e Haeyon pôde distinguir um vasto jardim de flores coloridas com facilidade, conforme aproximava-se do local.

— Conhece esse lugar? — Jungkook questionou. Ela assentiu positivamente.

— Sim, mas apenas de nome. Nunca tinha vindo aqui antes. Você conhece alguém?

Jungkook acenou para a diretora do abrigo, ao passo em que a mulher caminhava sutilmente em sua direção, segurando as mãos de Aerin, uma das crianças residentes do local.

— Na verdade eu sou um dos contribuintes com essa instituição há algum tempo.

— O que? — Kang arregalou os olhos, surpresa com a confusão. — É sério? Isso é demais, caramba, de verdade. Eu tô impressionada.

— Ficará ainda mais quando conhecer as crianças desse lugar. Isso eu posso garantir.

Jungkook reverenciou a mulher mais velha, ao parar em sua frente, Haeyon acompanhando-o logo após. A diretora acenou brevemente para os dois, com um sorriso amigável nos lábios.

— Jungkook, eu não esperava vê-lo poe aqui tão cedo.

A mulher referia-se obviamente ao fato de Jeon estar ali fora da data habitual, algo extremamente raro de acontecer.

— É uma visita surpresa, de última hora. Trouxe algumas coisas para as crianças. — Jeon apontou em direção ao carro. — Estão no carro. Esta é Kang Haeyon, arquiteta luminotécnica. Trabalha comigo no Burket's.

— É um prazer conhecê-la. — Hae curvou-se minimamente e a Senhora Kim retribuiu ao ato da jovem.

A menina ao lado da mais velha segurava fortemente os pulsos da diretora, mantendo os olhos fixos na Kang. Jungkook, percebendo a situação, abaixou-se, sustentando o peso de seu corpo acima dos pés, o quadril recostando-se aos calcanhares.

— Oi, Aerin. Como está a minha desenhista favorita?

A garotinha sorriu, tímida. Em seguida, deu alguns passos até Jeon, suas pequenas mãos segurando as dele.

— Eu estou bem. Ganhei lápis de cor novos, hoje. Tenho que te mostrar os meus desenhos recentes, tio Jungkook. 

— Estou ansioso para ver o que você fez dessa vez, ouvi dizer que estão perfeitos. Trouxe uma pessoa para conhecer você e ver os seus desenhos. Tudo bem em mostrar a ela?

— Quem é ela? É sua namorada?

Haeyon riu soprado, surpresa com a pergunta feita por uma menina tão jovem. Ela revirou os olhos de repente, ignorando o estranho rebuliço que os dizeres haviam causado em seu interior.

— Bom... — Jungkook levou o indivador até o queixo, pensativo, seus olhos alternando a visão entre ela e Aerin. — Ela é bonita, não é? Será que eu consigo transformá-la em minha namorada, algum dia?

— Por que você não quer namorar com o tio Jungkook? Ele é muito legal.

A Kang entreabriu os lábios, rindo soprado, as pontas do rabo de cabelo esvoaçando com a oscilação de uma suave brisa. Ela contemplou a face jovial da pequena garotinha e a menina sorriu discretamente a ela, ainda segurando o pulso da diretora.

— Tudo acontece no seu tempo, né, Jeon.

Haeyon retorceu os lábios em uma expressão acusadora, como se lhe dissesse: concorda!

Jungkook sorriu, levantando-se de onde estava agachado, próximo a menina.

— Você pode ir na frente, Aerin, e nós entraremos logo atrás, tudo bem? — Suas mãos afagaram a lateral do rosto infantil e a Senhora Kim deu-lhe as costas, cumprimentando Haeyon uma última vez.

Ela, por outro lado, apenas observava o percurso de ambas. Quando estavam quase completamente perto da casa principal, Haeyon voltou-se para Jungkook, as orbes castanhas sondando as dele com intensidade.

— Então eu realmente preciso saber muitas coisas a seu respeito, Jeon Jungkook. — Sorriu brevemente, fazendo as maçãs do rosto se elevarem. — O que você faz aqui é incrível, sério. Eu nunca conheci alguém que tivesse tanto amor no coração, quanto você. Consegui ter certeza disso com esse lugar, com a Aerin, a forma como te trata e o carinho mútuo que tem por você... Sinceramente, eu tenho certeza de que você é como se fosse um pai para elas.

Os cantos dos lábios de Jungkook se curvaram minimamente. As maçãs do rosto exibiram uma linha etérea quando ele sorriu e Haeyon fez o mesmo, cada vez mais agraciada sobre a forma como ele exercia mil e uma sensações em todo o seu corpo, desencadeando séries de sentimentos distintos que assemelhavam-se a uma dúzia de ninhos de pássaros fazendo morada em seu interior. A maneira com a qual a observava, fazia com que sua pele viesse a estremecer imediatamente, suas bochechas ruborizavam e o ar parecia estar sendo tragado de seus pulmões a cada milésimo de segundo, tornando sua respiração resfolegante. Ele a entorpecia, lhe causava uma euforia lasciva que a revirava de dentro para fora, deixando-a à mercê de seus mais estonteantes encantos. E o pior era que Jungkook parecia sequer dar-se conta disso, como se fizesse de propósito, ou talvez fosse apenas naturalidade de sua parte. Ele parecia não perceber, mas deixava-a inerte com apenas um olhar, uma simples palavra.

A pausa gerada após as palavras de Kang não estava sendo tensa, de qualquer forma. Mas carregavam um forte sentimento de satisfação iminente, porque Jungkook estava nostálgico, tomado pela sensação sublime de fazer com que ela sentisse que ele era especial, que era capaz de fazer coisas boas por onde passava.

Enquanto fitava o lindo par de olhos castanhos, repletos de cordialidade, Jungkook elevou a mão direita até a lateral do rosto de Hae. A ponta do dedo polegar acariciando sua bochecha e, em seguida, descendo até a linha abaixo do lábio inferior, tracejando-os ainda com as orbes fixas em si.

Haeyon prendeu a respiração durante alguns poucos segundos, esvaindo o ar lentamente através de seus lábios exatamente no momento em que Jungkook segurou seu rosto com ambas as mãos, seus olhos encontrando-se, deixando-os repletos de expectativas distintas. Ele mesmo sentia seus nervos pipocando dentro de si, banhando-o com a sensação iminente de poder conhecer a textura dela em tão pouco tempo. As íris curiosas de Hae buscaram sustentar o contato visual com o mais velho, a fim de que pudesse intensificar ainda mais o momento que compartilhavam. Entretanto, era demasiado impossível focalizar sua atenção em apenas um único ponto da face singular cujos olhos a observavam com suavidade intensidade, tudo ao mesmo tempo, preparando-a para o que viria a seguir.

A mão direita do maior desceu de encontro a nuca de Kang, fitando-a intensamente bem ao fundo de seus lindos e curiosos olhos, como se pudese visualizar a profundidade de sua alma somente com aquele ato tão terno e simplista. A ponta de seus dígitos cariciavam a bochecha dela com movimentos circulares, sentindo a maciez de sua pele entre seus dedos. Hae, por outro lado, apenas retribuía aos olhares que ele lhe lançava, as batidas de seu coração descompassado tornando-se cada vez mais insistentes de repente.

Jungkook inclinou-se em direção a ela, deixando seus rostos a milímetros de distância. Hae sentia cada célula de seu corpo se contorcer em ansiedade e, mesmo sabendo o que estava prestes a acontecer, ainda sentia-se um tanto quanto nervosa com aquilo. Não podia negar que sim, queria aquele contato tanto quanto ele próprio. Tinha certeza absoluta disso conforme o espaço entre ambos os corpos diminuía lentamente. A jovem sentia o calor da respiração de Jungkook se aproximando mais e mais de seu rosto e quase não sabia como agir, inebriada pela sensação de expectativa. E foi ali, então, que tudo aconteceu.

Quando os lábios de Jeon Jungkook tocaram os dela, Kang Haeyon sentiu seu corpo inteiro trepidar, perdendo a noção de gravidade, e era como se ela pudesse voar repentinamente.
Jungkook moveu seus lábios nos dela com certo cuidado, apenas para aproveitar a harmoniosa sensação de beijá-la pela primeira vez.

Haeyon pôde sentir a verdadeira explosão de sabores e sensações distintas reverberando através do ósculo, transpassando as barreiras que existiam em seu coração, as quais haviam sido erguidas após o último relacionamento, mas que ruíam aos poucos, conforme ela conhecia mais de Jeon Jungkook.

Aquele não era um beijo afoito ou apressado. Era calmo, suave e gentil, quase como se ele quisesse eternizar o momento em questão, a fim de que não esquecesse a sensação calorosa dos lábios dela movendo junto ao seus. Haeyon possuía um gosto adocicado e viciante, remixado entre os sabores de morango e tutti frutti, provavelmente do batom que ela usava no momento. Era algo totalmente novo, Jungkook não imaginou que algo assim pudesse carregar um significado tão importante e singular.

A falta de ar fez-se presente, automaticamente, e os lábios dele estavam avermelhados ao separarem-se um do outro, os dela levemente inchados.

Ele não havia retirado as mãos de sua nuca mesmo ao fim do beijo, e continuou fitando-a, ignorando a vermelhidão nas bochechas de Hae.

A Kang mordeu os lábios instintivamente, escolhendo as palavras certas para dizer em meio ao constrangimento iminente.

— Você quer me dizer alguma coisa, Jungkook?

Ela desviou a atenção do mais velho por um momento, passando a língua entre os labios evermelhados.

— Ontem você falou que ainda não sabe algumas sobre mim. Bem, se você permitir, eu vou me esforçar ao máximo para lhe mostrar tudo o que quiser saber sobre mim.

— Que coincidência, porque eu estava  prestes a te falar a mesma coisa.

Jungkook uniu as sobrancelhas, franzindo o cenho enquanto se permitia visualizar a luz do sol fluindo contra si.

— O que você quer dizer com isso?

Uma fagulha de emoção surgiu nos olhos de Jeon, suas mãos suavam tanto que ele podia facilmente sentir a umidade entre sua pele. Os olhos dela sondaram os seus e os cantos de seus lábios se curavaram, ao mesmo tempo em que as mãos de Haeyon tocaram-lhe a lateral do rosto etéreo, dizendo:

Significa que eu deixo você se aproximar mais de mim, Jeon Jungkook.

•••

Jungkook caminhou apressadamente até a sala de estar de seu apartamento, enquanto terminava de abotoar a camisa de seda azul, ao passo em que praguejava, inconscientemente, o estridente sonido da campainha ressoando insistentemente do outro lado da porta fechada. Ele estava, no mínimo, muito atrasado para a comemoração do aniversário da irmã de Haeyon, em menos de dez minutos, e sequer havia comprado o presente da garota. Teria de passar em alguma loja de artigos infantis e comprar o que quer que visse pela frente, pois obviamente estava sem tempo para escolhas e uma visita inesperada no momento em questão, apenas o atrasaria duas vezes mais, era claro.

Naquele instante, enquanto girava a maçaneta da porta, abrindo-a, Jungkook praguejou-se outra vez, mentalmente, por não ter ao menos um único empregado auxiliando em afazeres simplistas como este. Pelo menos enquanto ele estivesse ocupado demais com um encontro marcado.

— E aí.

Kim Namjoon disse, assim que adentrou o apartamento de Jeon, passando rapidamente por entre os braços fortes do mais novo, ignorando-o na soleira da porta de sua própria residência.

Ele sequer havia esperado que o amigo o convidasse para entrar.

"E essa agora!", pensou Jungkook, amargamente.

Empurrou a porta, fechando-a logo atrás de si e seguiu os passos do mais velho, parando à frente de Kim no instante em que ele sentou-se no sofá luxuoso existente na sala de estar.

— Que coincidência. — Jungkook ponderou, balançando a cabeça enquanto seus olhos castanhos o fitavam. — Eu estava mesmo querendo falar com você.

Namjoon uniu as sobrancelhas, criando pequenas rugas em sua fronte.

— Também vai sair? Se sim, que bom, porque eu vim até aqui justamente pra te convidar para ir na festa de inauguração de uma boate nova, aqui perto.

Havia um tabuleiro de xadrez acima da mesa de centro da sala de estar, e o Kim inclinou-se brevemente para pegar algumas das peças no tabuleiro meramente decorativo.

Jungkook soltou um leve bufar, sem tempo e paciência para lidar com a ocasião.

— Não quis dizer com esse intuito, hyung. Mas já que está aqui, vou direto ao assunto, pois já tô bem atrasado. — Jungkook colocou a barra da camisa de seda para dentro do cós de sua calça, pronto para despejar a informação a Namjoon do jeito mais pacífico possível. — Eu sei de tudo, hyung. O porquê do seu término com a Kang Haeyon. Eu já sei o que aconteceu, cada minucioso detalhe.

Namjoon franziu o cenho, retorcendo os lábios automaticamente. Ele parou de brincar com as peças de xadrez acima da mesa e mirou os olhos semicerrados até a figura esbelta do amigo, o qual estava de costas para si, agora, arrumando as mangas compridas da peça de roupa superior.

O Kim não soube o que fazer, apenas permaneceu silencioso, enquanto digeria a informação.

Jungkook o pegara de surpresa.

— Ela te contou? A Haeyon fez isso?

Seu tom de voz não denotava surpresa. Mas um pouco de indignação, Jeon apontou mentalmente. Seu interior remexeu-se, fazendo o desapontamento permear por todo o corpo.

— Ela contou porque eu pedi que fizesse. E agora eu só não consigo entender como é que você foi capaz de uma sacanagem dessas. — Seus braços agora estavam cruzados e ele mantinha suas orbes fixas no mais velho. — Sabia que ela esperava um pedido de casamento de sua parte? Como é que você teve coragem, hyung? Sabe o quão difícil é conquistar a confiança de alguém que passa por uma situação dessas?

— Jungkook, por favor, não aja como se você fosse perfeito.

— Não sou prefeito, eu sei disso. Mas o assunto não é sobre mim, e sim você. Seu pai teria vergonha do homem que se tornou.

— Esse não é um assunto que te diz respeito, Jeon Jungkook.

Namjoon levantou-se, engolindo em seco. Seus lábios apertaram-se um no outro e ele sentia o sangue fervendo repentinamente. Não queria Jungkook intrometendo-se em seus assuntos com Haeyon.

— Ai é que você se engana, porque isso diz respeito a mim sim. Sabe, eu devia te ensinar a respeitar uma mulher, hyung. Mas isso não é problema meu. Seu pai é um bom homem e se você não aprendeu com ele sobre como ser um, eu é que não vou perder meu tempo ensinando. Kang Haeyon é uma mulher incrível e se ela continuar permitindo, eu farei o possível para que ela possa ter certeza disso.

— De que porra você tá falando, afinal? — Namjoon questionou, cruzando os braços em frente ao peito, seus olhos mirando-o a espera de uma resposta. — O que quer dizer com isso, Jungkook? 

Jungkook caminhou a passos largos até o amigo, parando à frente do mais velho. Por um momento, ele havia deixado de lado o fato de que estava diante de seu hyung, e ignorou completamente a mínima diferença de altura entre os dois. 

Os olhos castanhos de Jeon se estreitaram e ele arrumou a gola da própria camisa, os cabelos ondulados exalando um aroma natural de shampoo masculino. 

— Acho que você ainda não entendeu, mas quero que seja o primeiro a saber, hyung. Haeyon e eu estamos saindo juntos, agora. Isso não condiz a você, mas é importante que esteja informado, porque a partir de hoje, se você se meter com ela ou sequer pensar em magoá-la outra vez, eu esqueço que somos amigos e te arrebento.



Notas Finais




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